Campeão mundial inédito na Sérvia, em 2013, o handebol feminino do Brasil vem sofrendo com a renovação do elenco depois de veteranas como Dara e Dani Piedade terem parado, perdendo qualidade em algumas posições. Mas ao menos debaixo das traves, o País tem ganhado novos talentos, temporada após temporada. Chana saiu da seleção, mas continuaram as gigantes Babi e Mayssa. E agora, outro nome vem despontando e promete ser uma sucessora à altura: Renata Arruda.
A pernambucana ainda defende a equipe nacional júnior, mas já teve oportunidades de treinar com o time principal. E aos 19 anos, já veste a camisa do BM La Calzada, atual quinto colocado da Liga Espanhola, uma das mais competitivas do mundo. Renata, inclusive, já foi eleita a melhor jogadora da competição na nona e na décima rodadas.
Quando anunciou a premiação em seu site, a Federação Espanhola de Handebol a definiu assim:
“A goleira brasileira está sendo uma das sensações desse início de temporada. Apesar de seus 18 anos (ela completou 19 em fevereiro), demonstra uma experiência e uma capacidade de tomada de decisões raras para sua idade, o que faz dela uma das goleiras mais efetivas embaixo da meta”.
Apesar do sucesso meteórico na carreira, a pernambucana mantém os pés bem firmes no chão, tão firmes quanto suas mãos, que, na próxima semana, vão defender o Brasil no Campeonato Pan-Americano Júnior em Goiânia (GO).
“Meu sonho é jogar Olimpíada e Mundial pela seleção adulta. Mas cada coisa em seu tempo. Venho fazendo a minha parte. Se um dia chegar lá, será por meus méritos. Treinei com a seleção adulta ainda sendo da categoria juvenil. É uma carga a mais, você joga com meninas mais fortes, arremessos diferentes... mais qualidade, tem que se adaptar. É bom para ganhar experiência, mas não quero que nada seja precipitado para não chegar ao time e me sentir inferior a ninguém.”
Em 2016, Renata participou de fases de treinamento da seleção principal do Brasil para competições internacionais. “Ela é muito inteligente, focada, sabe se movimentar bem e tem um padrão regular durante todo o jogo, além de mostrar muita raça e liderança”, elogiou Margarida Conte, preparadora de goleiras da categoria júnior, que acompanha a trajetória da atleta desde a juvenil.
Renata começou a jogar handebol no Colégio Imaculado Coração de Maria, em Olinda (PE), em 2010. Logo percebeu que queria jogar profissionalmente e foi para o tradicional Clube Português do Recife. No início de 2017, após uma boa temporada com a seleção juvenil, foi procurada por um agente espanhol que lhe apresentou a proposta para deixar o Brasil.
