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Nicolle 'CherryGumms' pede atitude de donos de jogos contra abusos no eSports

Dona da equipe Black Dragons, de Rainbow Six:Siege, Nicolle Merhy fez um apelo nesta quinta-feira, durante sua participação no Summit espnW, evento realizado na ESPN Brasil para celebrar o Dia Internacional da Mulher e os dois anos do portal espnW: ícone de eSports, 'Cherrygumms', como é conhecida, pediu que as marcas que produzem os jogos parem de 'fechar os olhos' para os abusos que acontecem diariamente no mundo online.

"Fomos procuradas por instituições querendo patrocinar a campanha #MyGameMyName, mas o principal são os donos dos jogos. a empresa produz o jogo, é dela. Tem estatuto de regras e uma delas é que não se pode falar mal de uma pessoa na internet. Tem que ter um controle maior por parte dessas marcas. Não podem simplesmente relatar o problema e deixar de lado. Tem que ter um setor especializado. Xenofobia, racismo... e as denúncias não são lidas."

Apesar de parecer mais inclusivo, o mercado de games sofre do grande mal do machismo. Enquanto mulheres já são 53,6% do público no Brasil, segundo a Pesquisa Game Brasil realizada em 2017, a maioria não escapa dos assédios e xingamentos quando jogam online.

De fato, um estudo publicado pela Universidade Estadual de Ohio (EUA), 100% das mulheres que jogam games por pelo menos 22 horas semanais já sofreram algum tipo de assédio. Para fugir disso, muitas jogadores acabam escondendo sua identidade ao escolherem nicknames neutros ou masculinos. E foi pensando exatamente nesta questão que surgiu a iniciativa #MyGameMyName.

Encabeçado pela ONG Wonder Women Tech (WWT) e em parceria com a Women Up Games, o projeto convidou youtubers gamers brasileiros para sentir na pele o que as mulheres enfrentam ao jogarem online. Os participantes foram incentivados a usarem nicks femininos - alguns deles até o nome de mães, irmãs e namoradas - em partidas online e gravarem o experimento.

"Caso grave de racismo? Leva para a polícia. Racismo, xenofobia? A pessoa tem que ser banida do jogo. Não pode voltar a jogar. As empresas tem que parar de fechar os olhos. É um universo duas vezes o tamanho de Hollywood. Não são meia dúzia de pessoas jogando. E tem de crianças a adolescentes jogando. A dona do jogo tem que parar de fechar os olhos e tomar uma providência."