A discussão sobre atletas transexuais no esporte está mais em alta do que nunca, desde que a oposta Tifanny se tornou a primeira trans a disputar a Superliga de Vôlei, pelo time feminino do Bauru. Outra jogadora que tem sido assunto sobre o tema é Carol Lissarassa, do vôlei de praia. E no último domingo, ela precisou jogar um torneio masculino, após ter sido vetada no feminino.
Carol – que fez parceria com a medalhista olímpica Juliana (bronze em Londres-2012) em um torneio de exibição em novembro do ano passado em Porto Alegre – se inscreveu para disputar a etapa de vôlei de praia de Cruz Alta (RS) do Circuito Verão Sesc de Esportes no feminino. No entanto, a organização não aceitou sua documentação e ela jogou no masculino, ao lado de Helio Lucena.
“Mesmo com toda a dificuldade de jogar em uma rede masculina e contra dois homens exalando testosterona, conseguimos chegar ao pódio. Helio Lucena, um dos atletas mais premiados do Rio Grande do Sul, obrigada pela tua paciência e seu respeito com minhas limitações. No meu ponto de vista, nossa atuação foi excelente, perdemos a semifinal em um jogo disputadíssimo contra os campeões da etapa com um placar de 21x19”, escreveu a jogadora em seu Instagram.
A próxima etapa do Circuito Verão Sesc de Esportes no Rio Grande do Sul será em Torres, no próximo domingo, 4 de março. Carol não poderá jogar no feminino, por conta do veto, nem no masculino, já que caiu na semifinal em Cruz Alta. No ano passado, foi vice-campeã da etapa de Ijuí da competição, jogando entre as mulheres. A jogadora tem atuado em competições femininas há cerca de três anos, desde que iniciou o processo de transição de gêneros.
Veja a publicação completa:
“Neste final de semana pela primeira vez na minha história trans dentro do voleibol disputei um campeonato na categoria masculina, é isso mesmo, após anos jogando no feminino, fui proibida de jogar. A organização do circuito Sesc 2018 de vôlei de praia se negou em aceitar a minha documentação, documentação que me habilitou em jogar por inúmeros campeonatos femininos após minha transição, inclusive o próprio Circuito SESC feminino 2017.
Mesmo com toda a dificuldade de jogar em uma rede masculina e contra 2 homens exalando testosterona conseguimos chegar ao pódio. Helio Lucena um dos atletas mais premiados do Rio Grande do Sul, obrigada pela tua paciência e seu respeito com minhas limitações, no meu ponto de vista nossa atuação foi excelente, perdemos a semifinal em um jogo disputadíssimo contra os campeões da etapa com um placar de 21x19.
Ganhei diversos campeonatos femininos e hoje fui proibida de jogar por ser trans, quando eu começar a ganhar os campeonatos masculinos qual será a desculpa para me parar? Testosterona abaixo de 0.10 nmol por litro de sangue? Ou excesso de hormônios femininos? O mundo pode tentar me parar, mas eu estou aqui para fazer história, tenho orgulho de ser quem eu sou, muitos vão falar que é homem, que é forte para as mulheres ou que não tem ataque forte para os homens.
Cada um é especial na sua forma de ser. Eu sou trans, eu sou mulher, eu sou a Carol Lissarassa, adoro minha orientação sexual e prefiro mil vezes ser vista por ser travesti do que simplesmente não ser lembrada, no masculino ou feminino eu vou continuar jogando vôlei, me ganham na bola, no braço, no jogo, mas não tentem me ganhar no preconceito!”
