Brasileira da patinação artística faz vaquinha virtual para levar pai à Olimpíada de Inverno

Isadora Williams vai defender o Brasil nos Jogos de PyeongChang Divulgação/CBDG

A alguns dias de estrear nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, Isadora Williams ainda tem como incerta a companhia de seu maior fã na viagem: seu pai, Charles. Primeira atleta do Brasil a garantir vaga na competição – em setembro do ano passado –, a patinadora tenta arrecadar fundos por meio de uma vaquinha online, criada em janeiro.

‘Help me get my dad to the Olympics’ (‘Ajudem-me a levar meu pai para a Olimpíada’) é o nome da campanha, que tem como meta conseguir US$ 5 mil (cerca de R$ 16 mil), custos estimados para pagar viagem e hospedagem. Por enquanto, o valor arrecadado é de US$ 310. Isadora entra em cena para a disputa individual feminina da patinação artística na Coreia do Sul no dia 21.

“Olá a todos. Com os Jogos Olímpicos chegando, eu adoraria, mais do que tudo, poder ter a minha família lá comigo, para me apoiar e torcer por mim enquanto disputo minha segunda Olimpíada. Meu pai não pode me assistir em Sochi (em 2014) e eu amaria que ele pudesse ir dessa vez. Tendo dito isso, os custos de viajar para a Coreia são extremamente altos e eu agradeço qualquer ajuda para que eu possa ter meu maior fã lá, comigo”, escreveu a patinadora.

Charles é o lado norte-americano da filha. A mãe, Alexa, é brasileira de Minas Gerais. Isadora nasceu em Marietta, no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, e mesmo tendo visitado o Brasil poucas vezes, disse aos pais, ainda criança, que queria defender o país.

Começou a patinar aos cinco anos e aos 13, depois que seu técnico enviou um vídeo à Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, foi convidada para defender a bandeira brasileira no Mundial Júnior de 2010, na Holanda.

“Minha mãe brincou comigo de um dia eu representar o Brasil e eu pensei ‘ok’. Quando fiz o salto duplo axel, que é muito difícil, pensei que era uma oportunidade de representar o país da minha mãe e dar um esporte novo aos brasileiros. Meus colegas nos Estados Unidos sempre me perguntam o porquê da minha decisão, dizem que é um país muito tropical, mas a Flórida também é. Quero incentivar crianças brasileiras a patinarem, quero ver esse esporte crescer”, disse ao espnW.

Isadora se tornou pioneira. Foi a primeira patinadora artística a ganhar uma medalha para o Brasil em uma competição internacional, com bronze no Golden Spin of Zagreb-2012. Dois anos depois, tornou-se a primeira atleta sul-americana a participar da competição olímpica da patinação artística, em Sochi – terminou na 30ª e última colocação.

Agora, em PyeongChang, as expectativas são maiores. Seu grande objetivo é avançar à segunda fase. No dia 21 de fevereiro, a partir das 22h (horário de Brasília), ela estreia no programa curto, em que a prova conta com 30 competidoras e cada uma tem no máximo 2min50 para fazer sua prova. As 24 melhores garantem vaga no programa longo, no dia 23, em que a coreografia não pode passar de 4min.