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Jornal: Ginasta McKayla Maroney recebeu R$ 4,1 mi para esconder abuso sexual

McKayla Maroney revelou abusos sexuais de médico da seleção Getty

Mais um capítulo veio à tona no escândalo de abuso sexual dentro da seleção de ginástica artística feminina dos Estados Unidos. Em denúncia feita nessa quarta-feira em um tribunal de Los Angeles, o advogado de McKayla Maroney, John Manly, afirma que a campeã olímpica (Londres-2012) teria sido coagida a assinar um contrato de confiabilidade no valor de US$ 1,25 milhão (R$ 4,1 milhões) para não tornar pública a agressão que sofreu por parte do médico Larry Nassar.

A compra do silêncio no valor milionário foi revelada nesta quinta-feira pelo jornal ‘The Wall Street Journal’. O advogado confirma que a ginasta entrou voluntariamente no acordo. No entanto, alega que ela teria feito isso em um momento em que estava emocionalmente traumatizada.

"Eu quero que as pessoas compreendam que era uma criança e não tinha escolha. Ela não conseguia raciocinar. Eles [Federação de Ginástica dos EUA] estavam dispostos a sacrificar a saúde e o bem-estar de uma das ginastas mais famosas do mundo porque não queriam que o mundo soubesse que eles estavam protegendo um médico pedófilo."

Maroney se manifestou pela primeira vez em outubro do ano passado, acusando o ex-médico da Federação de Ginástica dos EUA de abusá-la sexualmente desde os 13 anos de idade – hoje, ela tem 22. Ela contou que os abusos de Larry Nassar continuaram até sua aposentadoria, em 2016.

Outras atletas da seleção norte-americana deram sequência às denúncias, como Aly Raisman e Gabby Douglas. A Federação dos EUA e Comitê Olímpico do País estão sendo processados por pais de ginastas e ex-ginastas que acusam as entidades de acobertarem a violência.

Em nota divulgada nessa quarta-feira, a federação manifestou que apoia a iniciativa de atletas em denunciarem os abusos sexuais de Nassar e lamentou a acusação de Maroney de que a entidade é que teria iniciado o acordo milionário para que ela ficasse em silêncio.

"Em 2016, o advogada de McKayla na época, Gloria Allred, nos procurou solicitando que a entidade participasse do processo de mediação confidencial. O acordo incluiu uma cláusula de não divulgação mútua. Em todo momento, McKayla foi representada por Allred, que negociou e aprovou ativamente o acordo assinado pela atleta."

"Embora a federação americana de ginástica esteja desapontada com a acusação de hoje, aplaudimos McKayla e outros que falam contra comportamentos abusivos – incluindo os atos desprezíveis de Larry Nassar. Queremos trabalhar juntos para ajudar a encorajar e empoderar atletas a falar contra o abuso.”

No início do mês, Larry Nassar foi condenado a 60 anos de prisão por três acusações envolvendo imagens de abuso sexual a crianças em seu computador. Ele recebeu 20 anos de detenção por cada acusação durante audiência em um tribunal em Michigan. Em janeiro, ele receberá a sentença pelos crimes de abuso sexual contra as ginastas.