Quanto dinheiro os principais clubes do futebol brasileiro investem no futebol feminino? Com o gancho do Dia Internacional da Mulher, comemorado mundialmente nesta sexta-feira (8), a ESPN buscou respostas – e encontrou poucas.
Desde 2019, a CBF instituiu uma regra que exige dos 20 times que disputam o Campeonato Brasileiro a manutenção de uma equipe feminina. Sem dúvida uma evolução, mas insuficiente para diminuir a desigualdade de orçamentos entre homens e mulheres.
Dos 25 clubes procurados pela ESPN, apenas oito confirmaram o valor exato ou estimado do orçamento previsto para a temporada 2024. E um deles, o Ceará, até já anunciou o fechamento da categoria para privilegiar a equipe masculina. Veja abaixo:
Ferroviária: R$ 14 milhões
Internacional: R$ 9,5 milhões
América-MG: R$ 5 milhões
Real Brasília: R$ 4,5 milhões
Juventude: R$ 1,8 milhão
Ceará: R$ 1,4 milhão
Fortaleza: R$ 1,2 milhão
Criciúma: R$ 880 mil
Esses valores, claro, são bastante inferiores ao que se gasta com futebol masculino. Um exemplo disso é o Internacional, que turbinou o orçamento para os homens em aproximadamente R$ 100 milhões da temporada passada para a atual. No feminino, o acréscimo foi de R$ 1,8 milhão apenas.
No restante, mais incógnitas do que respostas claras. A começar por Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras, que divulgaram as projeções orçamentárias, mas sem discriminar os valores específicos do futebol feminino.
O clube paulista, por exemplo, salienta que a categoria se sustenta com receitas próprias e diferentes do time masculino - na camisa, por exemplo, há um patrocínio exclusivo, da Esportes da Sorte -, enquanto o Galo passa por uma reestruturação por conta de mudanças programadas pela SAF.
Recentemente, o clube ampliou o contrato com a Betano, patrocinadora máster que agora vai divulgar sua marca também na equipe feminina. O acordo salta para R$ 18 milhões, mas sem especificar quanto entrará na modalidade.
Além dos três, o Santos informou à ESPN que trabalha com um orçamento de R$ 593 mil mensais na folha de pagamento do futebol feminino, que inclui 44 funcionários. Não há, porém, informação de qual o investimento total, o que deve mudar em 2024 por causa do rebaixamento da equipe masculina à Série B do Brasileiro.
Já Corinthians, São Paulo, Grêmio, Bahia, Athletico-PR, Sport e Red Bull Bragantino informaram que não divulgam dados financeiros de nenhuma categoria. Botafogo, Cruzeiro e Vasco garantiram o aumento da verba, mas sem detalhar valores, enquanto Fluminense, Avaí/Kindermann e Vitória sequer deram retorno à reportagem.
A nota triste fica por conta do Ceará, que abriu mão de disputar a Série A2 do Campeonato Brasileiro e fechou as atividades do time feminino. A justificativa é a "readequação orçamentária" para direcionar o foco ao time masculino, cujo grande objetivo do ano será voltar à elite nacional.
Já no topo da lista de investimento entre os clubes que responderam à reportagem, a Ferroviária tem parte de seus recursos vindo de um patrocínio máster exclusivo para o time feminino, do Galera.bet, que é parceira do clube desde 2023 e acabou de renovar contrato até 2026.
"A Ferroviária é uma das grandes forças do interior paulista e sempre teve a preocupação de investimentos em futebol feminino. Esses valores são muito importantes para o galera.bet, e é com esse mesmo pensamento e filosofia que pretendemos continuar apoiando a modalidade”, disse Marcos Sabiá, CEO da empresa.
