Zagueira da seleção sub-20 analisa estilo de jogo de companheira de clube e fala sobre sua adaptação no futebol espanhol
Lauren Leal, ex-jogadora do São Paulo e estrela da seleção sub-20, deixou o futebol brasileiro no fim de 2021 e hoje atua pelo Madrid CFF, da Espanha, jogando ao lado de Rikke Madsen, jogadora dinamarquesa que entra em ação neste sábado, às 16h (de Brasília), contra a seleção espanhola, pela Eurocopa Feminina, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Companheiras de clube, Lauren e Rikke Madsen se enfrentam diariamente nos treinamentos. Em entrevista à ESPN, a brasileira destacou os pontos fortes da atleta.
‘Rikke é muito rápida, explosiva, forte. A principal característica é a velocidade, é bem difícil marcar no treino, ela é muito rápida e forte’.
Trajetória no São Paulo
Com cinco anos de base, Lauren estreou aos 17 anos no profissional e construiu uma carreira sólida no elenco principal tricolor, se consolidando como titular absoluta e sendo eleita como a melhor zagueira do Campeonato Paulista.
Em dezembro de 2021, ela deu adeus ao São Paulo após conquistar a Ladies Cup contra o Santos, no Allianz Parque, e embarcou em um sonho. Prestes a disputar a Copa do Mundo sub-20, ela fala sobre sua adaptação no Madrid e os próximos desafios que almeja para sua carreira.
Cria da base, a zagueira era uma das jogadoras mais identificadas do elenco. Multicampeã vestindo as cores do tricolor, seu sucesso no elenco profissional foi meteórico e logo se tornou uma das principais atletas.
Aos 19 anos, ela recebeu uma proposta do Madrid e decidiu dar o passo que a maioria dos jogadores e jogadoras de futebol sonham: jogar na Europa. O São Paulo, por sua vez, tentou segurar a jogadora com uma boa proposta. No entanto, a escolha de Lauren foi jogar numa das ligas mais disputadas do mundo.
“Foi uma coisa muito diferente porque joguei praticamente minha vida inteira no São Paulo, era um ambiente em que eu conhecia muitas pessoas, tinha contato maior com todo mundo, me sentia à vontade e confortável. Ir para um lugar diferente, muito nova e com a incerteza se daria certo ou não, foi sair da minha zona de conforto totalmente”.
Primeiros passos no futebol espanhol
Apesar da pouca idade, a jogadora adquiriu bastante experiência nos gramados brasileiros, mas isso não fez sua adaptação na Espanha ser mais fácil. Acostumada com a velocidade do futebol daqui, ela confessa que essa é a maior dificuldade que enfrentou ao chegar em outro continente.
"A maior diferença é a velocidade do jogo, você tem que ter as ações muito rápidas e pensar mais rápido, essa foi a maior diferença e dificuldade, ainda estou me adaptando, mas já está melhor do que quando cheguei".
Jogando ao lado de Antonia Silva, Gabi Nunes, Kerolin, Monica Hikmann e Daiane, Lauren contou com ajuda das brasileiras para entender o novo idioma. Estudando espanhol desde antes de ir para a Europa, ela ainda tem dificuldades para falar, mas já entende bem o que dizem as colegas.
Lauren é uma das figurinhas carimbadas das convocações para a seleção brasileira, dificilmente ficando fora de alguma. Desde cedo, sua carreira nas categorias de base é repleta de conquistas. Além disso, ela já chegou a faturar o Troféu do Torneio Internacional de Manaus pela seleção principal, ao lado de Marta e Formiga.
Com a Copa do Mundo sub-20 pela frente, a atleta sabe que o caminho não é simples, mas garante que o foco é levantar a taça.
"Vamos estrear contra as vice-campeãs do mundo sub-20 e contra as atuais campeãs sub-17, é a geração que foi campeã. São jogos muito difíceis e você tem que vencer para continuar na competição, todo jogo será o nosso maior desafio. A gente espera chegar na final e ser campeãs, é nosso objetivo".
A ótima trajetória de Lauren faz parte do novo momento que vive o futebol feminino brasileiro. Além do talento indiscutível, a jogadora faz parte de uma geração que teve acesso às categorias de base desde cedo, tanto dos clubes, quanto das seleções, diferentemente do que viveram grandes atletas como Marta, Cristiane e sua maior referência no esporte: Erika, do Corinthians.
A defensora é uma das grandes revelações do país e hoje busca conquistar seu espaço no futebol europeu. Disputar a Champions League e estar entre as melhores zagueiras do mundo são objetivos da atleta.
“Sonho em conquistar o máximo de coisas possíveis, jogar nos melhores times, nas melhores ligas, disputar a Champions, ser campeã de uma Copa do Mundo. Com certeza um dia talvez ser a melhor zagueira do mundo, estar na lista, quem sabe. Ver o futebol feminino crescendo e sendo valorizado”.
