Um papo sobre SUS no aeroporto de Moscou: o dia que percebi que Ronaldo também era Fenômeno fora de campo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Março de 2006. Um dia antes, a seleção brasileira havia feito o amistoso mais sem sentido na ‘era caça-níqueis’ da CBF. Como bem estampou o Estadão, jogar no inverno de Moscou, com 17 graus negativos, era uma "ideia estupidamente gelada", em uma referência ao slogan da cervejaria que patrocinava o time nacional.

Mas foi nessa fria viagem que tive a experiência de viver com Ronaldo Fenômeno um dia inesquecível.

| Ronaldo relembra drible absurdo que deu pelo Real e brinca com Djalminha: 'Eu que inventei; esse você nunca viu' |


Saguão de embarque do aeroporto de Moscou. Na pista, parecia haver mais de um metro de neve acumulada. Era raro um avião decolar ou aterrissar.

Desta vez, a CBF não havia fretado um avião para levar os jogadores de volta para as cidades de seus clubes na Europa. Por coincidência, o voo em que a Folha de S. Paulo, onde eu trabalhava, me colocou era o mesmo que levaria a maior parte dos jogadores e a comissão técnica até Frankfurt, de onde cada um iria para seu destino final.

E, claro, o voo atrasou. Para desespero de Ronaldo. Ele não parava de reclamar da 'economia' da CBF. Impaciente, andava de um lado para o outro e apelava para a máquina que fornecia salgadinhos e refrigerantes.

Cansado do tédio da longa espera, ele resolveu até bater um papo com os jornalistas que também esperavam o voo.

E foi nessa conversa, que deve ter durado algo como 15 minutos, que percebi que o Fenômeno não era algo só dentro do campo. Eu estava em Yokohama quando Ronaldo fez dois gols na final da Copa do Mundo. Mas foi no aeroporto de Moscou que o camisa 9 me impressionou mais.

Ronaldo durante a Copa de 2002
Ronaldo durante a Copa de 2002 Getty Images

Ronaldo sempre falou que gostava de ler jornais, mas não a parte de esporte. E não era mentira.

Em Moscou, ele falou sobre o mercado de petróleo. Mas o mais impressionante, e não me lembro por que o assunto surgiu, foi notar que ele sabia tudo sobre o SUS, o sistema de saúde público brasileiro que, apesar de todos os seus problemas, é algo que todos aqui deveriam se orgulhar.

O Fenômeno sabia falar como o sistema era financiado e relatou seus problemas. Desde que surgiu no Cruzeiro, imagino que nem ele e nem seus familiares precisaram usar o SUS. Mas que fenomenal foi saber quem alguém tão rico e famoso como ele se preocupava com a saúde de brasileiros com pouco, ou nenhum, dinheiro no bolso.

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Força do Boca na Bombonera contra brasileiros na Libertadores já é mais mito do que verdade

Paulo Cobos
Paulo Cobos

A Bombonera é o estádio mais mítico da América do Sul. Quem já esteve lá em um jogo do Boca, ficou de queixo caído com a atmosfera do estádio.

Vale a foto e a experiência. Mas começa a ser mito a propalada força do time mais popular da Argentina contra rivais brasileiros na Libertadores em sua casa.

O Boca tem um aproveitamento, óbvio, bom na Bombonera diante de times brasileiros. Mas nada espetacular.

Jogadores de Corinthians e Boca Juniors discutem em campo
Jogadores de Corinthians e Boca Juniors discutem em campo ALEJANDRO PAGNI/AFP via Getty Images

Depois do empate contra o Corinthians nesta terça-feira, mesmo com um jogador a mais em boa parte do segundo tempo, são 30 jogos contra um time do Brasil pela Libertadores.

Foram 16 vitórias, 8 empates e 6 derrotas, com um aproveitamento de 62%.

Bom?

Uma comparação com um dos grandes brasileiros na Libertadores deixa claro que a Bombonera não é tudo isso.

O São Paulo realizou 16 duelos contra clubes argentinos no Morumbi pela competição, com 11 triunfos, 4 empates e apenas 1 derrota. O aproveitamento de 77% é muito superior ao registrado pelo Boca na sua casa diante de brasileiros.

Recentemente, o time de Buenos Aires é ainda mais sofrível contra equipes do Brasil como mandante: venceu apenas um dos últimos cinco duelos.

Como visitante,  o Boca flerta com a mediocridade contra clubes brasileiros, com apenas nove vitórias em 30 jogos e aproveitamento de 41%.

Antes de ficar achando que a Bombonera vai assustar, o Boca Juniors, maior clube da América do Sul, precisa encontrar um forma de ter receitas mais próximas a dos grandes clubes brasileiros.

Na temporada 2021/2022, o clube tinha um orçamento equivalente a pouco mais de R$ 300 milhões. Para 2022, o Corinthians estima ter mais de R$ 500 milhões para gastar.

Dinheiro assusta mais que a Bombonera.


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Mbappé no Real Madrid é tapa na cara no sonho de grandeza do PSG (e de Neymar)

Paulo Cobos
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Virou questão de dias, talvez horas. Mbappé vai ser mesmo jogador do Real Madrid. O PSG, segundo informações da ESPN britânica, jogou a toalha na tentativa de renovar o contrato do craque francês.

Poucas negócios no futebol dos últimos anos tiveram o mesmo impacto que terá a ida de Mbappé para o clube espanhol.

Pelo lado esportivo, nem se fale. Campeão espanhol e finalista da Champions, o Real Madrid terá agora o maior candidato a mais vezes ganhar o prêmio de melhor jogador do mundo nos próximos dez anos.

Mbappé embarcando para Madri
Mbappé embarcando para Madri PSG

Do outro lado, o PSG vai perder seu melhor jogador, e sem receber nem um euro em troca, já que ele vai embora ao final de seu contrato.

Mas é na questão de poder que a ida de Mbappé para o Real mais impressiona. 

Maior clube do mundo, o Real reafirma o posto de ser um time desejado pelos maiores atletas do mundo. Mbappé poderia ganhar tanto ou até mais dinheiro no PSG. Teria como exigir o posto de maior estrela do elenco.

Só que preferiu mudar para Madrid e ficar mais próximo de ganhar a Champions.

Para o PSG, a dor é muito maior além do campo.

Ao ser preterido por Mbappé, o clube leva um tapa na cara na sua pretensão bilionária de entrar para o grupo dos maiores times do mundo, o que só vai conseguir ganhando uma Champions.

Mbappé era a peça vital nesse projeto de poder. Sem ele, o PSG mostra um sinal de fraqueza institucional. Para seguir forte, vai ter que pagar muito para atrair grandes jogadores.

Para os jogadores que ficam, o futuro não é nada animador.

Neymar foi para o PSG com o desejo de ganhar Champions e virar o melhor do mundo. Para isso, tinha em Mbappé, craque e disposto a aceitar o papel de escudeiro, o parceiro ideal.

Sem o camisa 7 ao seu lado, terá que acreditar em Messi, entrando no final de carreira e com apenas mais um ano de contrato, para atingir seu objetivos.

Mbappé escolheu o caminho mais fácil para acumular taças. PSG e Neymar terão que fazer um muito mais difícil para atingir a glória. 


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Por que Salah falar que é o 'melhor atacante do mundo' não é coisa de mascarado, mas também não é verdade

Paulo Cobos
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Salah jogou a modéstia no lixo. Em entrevista para um TV, após ganhar o prêmio de melhor jogador da temporada pelos jornalistas ingleses, ele declarou: "Se você me comparar com qualquer jogador da minha posição, no meu time ou no mundo, você vai achar que eu sou o melhor". 

Na boca de 99,99% de qualquer jogador de futebol, uma frase como essa seria um exemplo perfeito de máscara (alguém falou em Ibrahimovic?),

Não no caso de Salah.

Salah em ação pelo Liverpool
Salah em ação pelo Liverpool James Gill/Getty Images

Elegante dentro e fora de campo, o egípcio tem mesmo razão de ficar magoado com as escolhas recentes dos prêmios de melhor do mundo. Deve ser duro ver Cristiano Ronaldo ou Messi, em decadência, na sua frente em listas dos últimos anos.

Entendo ele verbalizar a mágoa falando que é o melhor atacante do mundo, o que ele realmente já foi em algum momento. 

Salah ainda tem tanto carisma que é impossível ter qualquer tipo de antipatia por ele.

O único erro da falta de modéstia do atacante do Liverpool foi o tempo da frase.

Hoje, é impossível o apontar como melhor atacante do mundo.

Por desempenho, Benzema em sua temporada arrasadora no Real Madrid é inquestionável. Também vejo Mbappé na frente de Salah atualmente.

Salah pode ganhar a Champions com o Liverpool, mas ficar fora da Copa do Mundo com o Egito também pesa.

Pela idade, e também por dificilmente ter a chance de jogar uma outra Copa no auge, vai ser difícil Salah ser o "melhor do mundo". Uma pena. 

 Southampton x Liverpool: Coutinho anotou GOLAÇO ABSURDO no duelo em 2015; RELEMBRE


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Riqueza de astros sobe pelo elevador; a dos clubes, pela escada: lista de ricaços da 'Forbes' é alerta para o futebol

Paulo Cobos
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Em 2012, a lista dos dez atletas mundiais que mais ganhavam dinheiro (contando salários e patrocínios) da revista "Forbes" tinha apenas um jogador de futebol.

Cristiano Ronaldo ocupava um "modesto" nono lugar, com faturamento de US$ 42,2 milhões, pouco menos da metade do mais rico, o boxeador Floyd Mayweather Jr. 

Dez anos depois, o top 10 dos ricaços do esporte tem nada menos do que três jogadores de futebol, e nas quatro primeiras posições: Messi é o primeiro, Cristiano Ronaldo, o terceiro, Neymar, o quarto. 

Neymar e Messi antes de clássico Brasil x Argentina
Neymar e Messi antes de clássico Brasil x Argentina Getty

Nada contra essas estrelas ganhando muito dinheiro. Além disso, o futebol é o esporte mais popular do planeta.

Mas a lista da "Forbes" serve como um alerta para o futebol. 

Enquanto a riqueza dos astros sobe pelo elevador, a dos maiores clubes do mundo vai pela escada.

Messi é em 2022 o atleta mais bem pago do mundo faturando US$ 130 milhões, um crescimento de quase 200% em relação a Cristiano Ronaldo em 2012, então o futebolista que mais ganhava.

Vamos agora às receitas dos clubes, segundo dados do estudo anual da consultoria Deloitte. 

Na temporada 2011/2012, o Real Madrid liderou o ranking, com faturamento, pelo câmbio atual, de US$ 533 milhões. 

No ranking de 2020/2021, quem ficou em primeiro foi o Manchester City, com receitas de US$ 671 milhões, um crescimento de apenas 26% do que o Real faturava quase dez anos antes. 

OK. A pandemia derrubou os ganhos do clube. Mas na última temporada sem os efeitos da Covid, a 2018/2019, o Barcelona faturou 64% mais que o Real de 2012, um crescimento bem mais modesto do que o faturamento de Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar. 

E para essas estrelas a pandemia não significou menos dinheiro no bolso. 

O argentino, o português e o brasileiro ganharam mais grana em 2022 do que em 2018, antes do vírus.

Dá medo de pensar que um dia um jogador de futebol seja mais rico que um clube como o Real Madrid.

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Tite flertou com super Flamengo de 2019 e desfalcou clube; agora, os esquece para a Copa

Paulo Cobos
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Rodrigo Caio, Gérson, Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabigol. A espinha dorsal do Flamengo que encantou o Brasil em 2019 esteve (alguns mais, outros menos) depois nas convocações de Tite para a seleção brasileira.

Muitas vezes, para desespero dos flamenguistas, desfalcando o clube ou fazendo os jogadores enfrentarem maratona de partidas.

Agora, perto da Copa, Tite não chamou ninguém do Flamengo multicampeão de 2019.

É justo?

Time do Flamengo em 2019 antes de jogo contra o Grêmio na Libertadores
Time do Flamengo em 2019 antes de jogo contra o Grêmio na Libertadores Alexandre Vidal / Flamengo

Ninguém vai discutir sobre Rodrigo Caio, Everton Ribeiro e Bruno Henrique. O primeiro sofreu com lesões. O segundo, mesmo sendo chamado com insistência por Tite, despencou de produção. Bruno Henrique enfrenta uma concorrência que não pode competir no ataque.

Restam Gérson e Gabigol.

O meia teve algumas chances, com desempenho irregular. Após um início tímido no Olympique de Marselha, passou a jogar bem na França.

Mas nessa estou com Tite. Os veteranos europeus são melhores e o palmeirense Danilo, enfim convocado, é uma opção melhor.

Sobrou Gabigol. Numa lista em que foram chamados oito atacantes, o maior artilheiro do futebol brasileiro nos últimos anos ficou de fora.

O camisa 9 do Flamengo nunca repetiu, nas muitas chances que teve com Tite, o desempenho do clube. 

Nessa, não vou com Tite e fico com o  colega da ESPN Marcos Almeida em provocação logo após a convocação desta quarta-feira. "Com a seleção perdendo a final da Copa, você olha no banco e prefere quem para entrar: Gabriel Martinelli ou Gabigol?"

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Se despedindo de Tite e Guardiola, Gabriel Jesus é top 5 na injustiça das cornetas brasileiras

Paulo Cobos
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"Secretário de lateral". "Centroavante que não sabe fazer gol". 

Gabriel Jesus é fácil top 5 na lista dos jogadores cornetados de forma mais injusta no futebol brasileiro nos últimos dez anos.

Como se a verdade do futebol estivesse apenas nas estatísticas, o atacante revelado no Palmeiras, principalmente depois da Copa de 2018, teve que ouvir várias críticas estapafúrdias e ver memes bizarros na Internet depois de atuações pela seleção brasileira e pelo Manchester City.

Pep Guardiola e Gabriel Jesus durante jogo do Manchester City
Pep Guardiola e Gabriel Jesus durante jogo do Manchester City Getty Images

Bastava um atacante marcar um punhado de gols no Brasil ou até em uma liga menor na Europa para que Tite fosse questionado por quase sempre convocar Gabriel Jesus.

O talento e a importância do camisa 9 do Manchester City nunca foram definidos por uma tela com seus números nos jogos.

Não que eles sejam ruins. Um jogador que fez 234 partidas e marcou 95 gols com a camisa de um dos clubes mais fortes do mundo já tem argumentos a favor para ressaltar seu talento.

Gabriel Jesus é taticamente um dos jogadores mais inteligentes surgidos no Brasil nos últimos anos. "Marca" o lateral por que isso é necessário. Pode jogar na área, pelos lados do campo. Abre espaço para quem vem de trás. Sabe passar a bola.

Tite e Guardiola, os únicos treinadores que ele teve na seleção e no City, sabem muito bem isso.

Em 2022, ele deve se despedir dos dois. Tite já anunciou que deixa a seleção depois da Copa do Qatar. 

No City, com a chegada de Haaland, ele vai perder espaço e seu nome já está no mercado, com o Arsenal mostrando forte interesse.

Outros técnicos vão conhecer e dar os créditos que as estatísticas, e cornetas brasileiras, nunca deram a Gabriel Jesus.

Guardiola diz que não pode falar sobre Haaland no City até que acordo esteja fechado; VEJA




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Jorge Jesus fez de Paulo Sousa o técnico mais difícil de ser demitido pelo Flamengo

Paulo Cobos
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Se achava que teve uma grande ideia ao resolver dar um ultimato ao Flamengo se oferecendo para voltar ao clube, Jorge Jesus viu o tiro sair pela culatra.

Ao pisar na ética justamente com um compatriota, o português multicampeão com o rubro-negro tornou Paulo Sousa um treinador muito mais difícil de ser demitido do que os outros sucessores de Jesus: Domènec Torrent, Rogério Ceni e Renato Gaúcho.

E olhe que provavelmente Sousa tem o pior trabalho inicial dos quatros.

Jorge Jesus x Paulo Sousa
Jorge Jesus x Paulo Sousa Divulgação Flamengo

Os resultados são ruins: já perdeu o Carioca e a Supercopa.  O time até cria, mas sofre para colocar a bola dentro do gol. A defesa é insegura demais. Algumas decisões são inexplicáveis, como fazer um rodízio entre um goleiro de seleção (Santos) e um iniciante inseguro (Hugo).

Mas Jesus fez o milagre. Se Sousa fosse demitido nesta segunda-feira, após perder para o Botafogo e terminar a rodada do Brasileiro na 14a colocação, seria apenas mais uma demissão na máquina de triturar treinadores que é o futebol brasileiro.

Só que mandá-lo embora agora não seria apenas precipitado. Seria também não resistir à chantagem e passar por cima das mentiras de Jorge Jesus sobre o interesse do Flamengo nele no final do ano passado.

Demitir Sousa e contratar Jesus é admitir que o treinador é maior que o clube. E ainda daria munição a um ex-presidente que armou todo esse circo para Jesus depois de ser um dos responsáveis por colocar o Flamengo na bancarrota financeira.

Será que o Flamengo vai resistir?

Paulo Sousa diz que respeita Jorge Jesus, cita Carpegiani e afirma: 'Que tenha paz consigo mesmo'



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Atlético-MG deve quase R$ 500 milhões a seus mecenas; sem eles, estaria muito pior

Paulo Cobos
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O valor exato não está no balanço financeiro, publicado nesta quinta-feira. Mas é possível saber quanto o Atlético-MG deve aos seus quatro mecenas, os 4Rs: Rubens Menin, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador.

No documento, o clube aponta um crescimento de 6% na sua dívida líquida, que chegou a R$ 1,312 bilhão, a maior do Brasil. Apresenta ainda outras duas versões: R$ 1,235 bilhão, desconsiderando alguns itens, e R$ 1,184 bilhão depois da saída do clube do Profut já em 2022.

Levando em conta o número principal, que reflete a situação de dezembro de 2021, o Atlético-MG deve algo como R$ 472 milhões para seus mecenas, a maior parte desse dinheiro para a família Menin.

Hulk em jogo do Atlético-MG
Hulk em jogo do Atlético-MG Pedro Souza/Atlético-MG

No balanço, o clube traça um perfil de seu endividamento. E aponta que 36% de sua dívida é "não onerosa", ou "oriunda de empréstimo dos apoiadores e investimento em atletas".  Assim se chega aos R$ 472 milhões.

Na abertura do seu balanço, o presidente do Atlético-MG agradece os 4Rs. Com razão.

Não sei como esse mecenato vai acabar: via de regra isso não é bom para qualquer clube de futebol.

Mas o fato é que o Atlético-MG estaria numa situação muito pior se não devesse quase R$ 500 milhões para seus torcedores ricaços.

Com o esquadrão montado com o dinheiro dos mecenas, o clube virou protagonista e disparou suas receitas, que superaram os R$ 500 milhões, mais da metade disso obtido com dinheiro de TV e premiações por títulos.

Assim, hoje a dívida do Atlético-MG equivale a 2,6 vezes a sua receita anual. Em 2020, esse índice era de 2,9.

E o Atlético-MG ainda pode ter um outro patamar com seu novo estádio, que será inaugurado em 2023.

Mecenas nunca deveriam ser a solução para um time de futebol. Mas, no caso do Atlético-MG, sem eles o clube estaria agonizando.


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Gigante em campo, Jorge Jesus fica minúsculo ao se oferecer com ultimato ao Flamengo

Paulo Cobos
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Em conversa com o jornalista Renato Maurício Prado, Jorge Jesus não apenas se ofereceu para voltar ao Flamengo, que tem contrato com seu compatriota Paulo Sousa até dezembro de 2023.

O comandante de um dos maiores times rubros-negros da história deu um verdadeiro ultimato para o clube . 

"Quero voltar, sim. Mas não depende só de mim. Posso esperar até pelo menos o dia 20. Depois disso, tenho que decidir minha vida".

Jorge Jesus durante Flamengo x Fluminense, pela final do Carioca
Jorge Jesus durante Flamengo x Fluminense, pela final do Carioca Gazeta Press

A declaração aconteceu na casa de um ex-presidente do Flamengo, enquanto o time jogava pela Libertadores contra o Talleres.

Tenho convicção que Jesus fez essa e outras declarações, como criticar o futebol do time de Sousa, de forma absolutamente premeditada.

Parece claro agora que sua viagem ao Brasil não foi de férias, para curtir o Carnaval carioca.

Jesus cavou um emprego como nenhum outro treinador fez em um grande clube brasileiro até hoje.

Fez isso com um colega empregado. E que vai sofrer uma pressão ainda maior agora que o treinador que virou ídolo da torcida se ofereceu para assumir o clube praticamente imediatamente.

Em um momento que o futebol brasileiro vive uma era de violência inédita.

Jorge Jesus foi um gigante como treinador do Flamengo. Provavelmente o melhor trabalho de um técnico na história do clube.

Toma agora uma atitude de alguém minúsculo com comportamento tão mesquinho, covarde. E faz o Flamengo refém de suas vontades e caprichos. Triste.

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Camisa do Real Madrid é desculpa que cai do céu para Guardiola, caseiro e amarelão na Champions

Paulo Cobos
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vitória épica na semifinal da Champions 2021/2022 contra o Manchester City só vai aumentar a lenda do maior clube do mundo.

Mais uma vez o Real Madrid virou um jogo que parecia perdido para novamente estar na final da maior competição de clubes do planeta. E dá-lhe agora discursos de que a camisa do clube espanhol pesa como nenhuma outra. O que é verdade, assim como a do City não é lá essas coisas.

Narrativas que servem com perfeição para ofuscar outro fracasso de Guardiola na Champions, competição que conquistou duas vezes, ambas com o Barcelona de Messi e a última no já distante ano de 2011.

Pep Guardiola na partida entre Real Madrid x Manchester City pela semifinal da Champions League
Pep Guardiola na partida entre Real Madrid x Manchester City pela semifinal da Champions League Alex Gottschalk/vi/DeFodi Images via Get

Como escreveu Julio Gomes no portal UOL logo depois do jogo no Santiago Bernabéu, o "Manchester City deu uma das maiores pipocadas da história do futebol. E Guardiola fez a parte dele nisso". 

O treinador catalão, que mesmo sem ganhar outras Champions segue sendo o melhor do século, não pode colocar a culpa no peso da camisa por seus fracassos nos últimos dez anos na competição.

Quando comandava o gigante Bayern, foi eliminado por Real Madrid e Barcelona, mas também pelo Atlético de Madrid.

Pelo City, já foi desclassificado duas vezes pelo Chelsea e pelos intermediários Monaco e Lyon.

No clube inglês, também virou um treinador caseiro na Champions. Em Manchester, o City tem um aproveitamento de 86% na competição. Fora ou em campo neutro, a performance despenca para 56%.

Na atual edição, o time já havia suado contra o Atlético após vencer bem em casa para depois sofrer em Madrid, como aconteceu contra o Real.

Guardiola não pode culpar apenas os jogadores pelos fracassos de seus times na Champions. Ele acumula erros de planejamento e substituições ruins.

Currículo imperdoável para um gênio como ele no maior campeonato do mundo.


Inacreditável! Aguero e Tévez ficam revoltados com o segundo gol de Rodrygo, que forçou a prorrogação entre Real Madrid e Manchester City; VEJA as reações



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Palmeiras consegue em 2022 o mais difícil: ser o clube mais invejado do Brasil

Paulo Cobos
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Ganhar títulos acontece com muitos clubes. Ter bons jogadores também. Ser bem administrado é mais difícil no futebol brasileiro, mas até que acontece. Encantar é muito raro. Admirar o técnico do seu rival também.

A combinação desses cinco itens é algo que acontece poucas vezes na história.

 Até o ano passado, o Palmeiras tinha títulos. Muitos bons jogadores. Era um clube com administração eficiente.

Mas seu futebol pragmático passava longe de encantar. Abel Ferreira parecia ser amado apenas pelos palmeirenses.

Abel Ferreira comemora a conquista da Recopa pelo Palmeiras
Abel Ferreira comemora a conquista da Recopa pelo Palmeiras EFE/Sebastião Moreira

Chegou 2022 e a coisa mudou. O time que antes era um show de eficiência passou a dar espetáculos. Não cola dizer que as goleadas na Libertadores são fruto da fragilidade dos rivais, como no massacre contra o Independiente Petrolero nesta terça-feira. 

Muitos clubes brasileiros estrelados penam até para empatar contra frágeis times sul-americanos.

O Palmeiras ganhou o Paulista e a Recopa jogando muito bem. Tritura o Corinthians em todos os clássicos. Fez um belo jogo no Maracanã contra o Flamengo.

Abel Ferreira, além da excelência de seu trabalho no campo, passou a ser a voz mais crítica e necessária do futebol brasileiro, colocando o dedo na ferida de todos os problemas da modalidade no país.

Multicampeão, estrelado, rico, encantador. Eu tenho inveja do Palmeiras. Queria que meu time fosse como o esquadrão de Abel Ferreira.

Raphael Veiga anotou hat-trick contra o Independiente Petrolero; VEJA todos os gols


         
     


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Mais do que acham seus críticos: projetando o tamanho de Diego no Flamengo quando deixar o clube

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Diego Ribas fala em continuar no Flamengo depois de dezembro, quando acaba seu contrato. Mas é cada vez mais evidente que a relação com o clube, iniciada em 2016, está com os dias contados e não deve emplacar 2023.

Muita coisa ainda pode acontecer nesta temporada, com o rubro-negro ganhando mais títulos ou tendo um ano de fracassos.

Mas, independente do que acontecer, já tenho opinião formada sobre qual será o tamanho do camisa 10 na história do Flamengo quando deixar o clube.

Diego em ação pelo Flamengo
Diego em ação pelo Flamengo Gilvan de Souza/Flamengo

Diego perdeu pênaltis decisivos em jogos do Flamengo. Foi muito irregular, alternando bons momentos e outros muito ruins. Acho lamentável querer generalizar a imprensa ao dizer que muita gente na área debochou de sua lesão.

Só que futebol não é só o que acontece no campo.

Diego teve papel importante na conquista da Libertadores de 2019, especialmente na decisão contra o River.

Mas o que me faz acreditar que Diego terá um papel muito maior do que acham seus críticos na história do Flamengo é sua liderança.

Seja como capitão, quando joga, ou no banco de reservas fica claro que o meia tem ascendência positiva sobre os companheiros. Se todo treinador do Flamengo sempre pareceu confiar nele, Diego faz um bom trabalho nos treinos.

E, nas derrotas (que foram muitas na primeira metade se sua passagem pelo Flamengo), Diego teve sempre muita coragem, aparecendo para falar enquanto os melhores jogadores do time corriam para o vestiário.

Em 2019, antes das glórias do título, Diego foi o primeiro jogador do Flamengo a dar entrevista depois da tragédia do Ninho do Urubu.

Diego vai estar entre os grandes da história do Flamengo. Não tenho dúvida.

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'A carreira é minha, quem manda sou eu': alguém precisa lembrar Pedro de seu contrato com o Flamengo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Pedro até tentou ser cuidadoso com as palavras para falar de sua situação no Flamengo após a vitória contra o Altos, neste domingo, pela Copa do Brasil.

Mas, depois de um longo silêncio, deixou claro seu desconforto com a reserva e os poucos minutos que ganha em campo do técnico Paulo Sousa.

"As pessoas querem ditar o que eu devo fazer ou não. A carreira é minha, quem manda sou eu", afirmou o centroavante, para depois completar. "No meio do ano a gente conversa, vê o que é melhor para todos nós", afirmou Pedro, prometendo "dar a vida enquanto estiver no Flamengo". 

Pedro comemora golaço no Maracanã
Pedro comemora golaço no Maracanã Alexandre Vidal / Flamengo

Pedro tem razão em dizer que é ele quem manda na sua carreira. Mas parece não saber que existe um outro lado na relação e que tem um contrato assinado com o Flamengo até 2025.

Não consta que o clube carioca tenha qualquer débito com o jogador, o que poderia fazer que ele fosse à Justiça por uma rescisão contratual.

Assim, Pedro só sai do Flamengo antes de 2025 com o aval da diretoria do clube carioca em uma negociação. Ou que algum clube pague a multa rescisória de pouco mais de R$ 500 milhões, o que nenhum time do mundo vai pagar por ele.

No seu desabafo no Piauí, Pedro deve apostar mais na "conversa do meio ano" para mudar sua situação. Bradar que "quem manda é ele" não funciona agora. Pelo menos em um clube como o Flamengo.



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Abel e agora Diniz: Fluminense aposta em técnicos opostos, mas que muita gente adora torcer contra

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Abel Braga e Fernando Diniz não poderiam ser mais diferentes como treinadores de futebol.

O primeiro, veterano de 69 anos e uma montanha de títulos no currículo, é bem conservador na ideia de jogo. Diniz, 21 anos a menos e ainda em busca de um título importante, é muito mais ousado com sua obsessão pela troca de passes. 

Fernando Diniz lamenta lance nos tempos de São Paulo
Fernando Diniz lamenta lance nos tempos de São Paulo Mauro Horita / Gazeta Press

Opostos na forma de pensar o jogo, Abel e Diniz têm algo em comum que causa reflexão no momento em que o Fluminense demite o veterano e contrata Diniz para comandar sua equipe.

O clube carioca vai na sequência com dois treinadores que, por motivos diferentes, são profissionais que causam um prazer mórbido em seus detratores quando fracassam.

Abel virou uma espécie de símbolo do futebol utrapassado. Suas derrotas são celebradas como se elas fossem barreiras derrubadas para uma suposta evolução do futebol brasileiro. Tolice: o barato do esporte mais popular do planeta é que existem formas diferentes de jogar e vencer.

Com Diniz, a secadeira é ainda maior. Nunca vi um treinador que gera tanta satisfação em seus críticos quando é demitido por resultados ruins com ele (no caso dele até mais na imprensa do que na torcida).

Diniz e seu tiki taka se tornaram algo intragável para muita gente. A ousadia do treinador, ainda que quase sempre não dê resultado, é visto como um devaneio de um maluco.

Abel e Diniz são analisados muito mais pelo jeito de pensar do que pelos resultados. Nos tropeços, são massacrados. Nas vitórias, diminuídos. Isso precisa mudar.

VEJA como foi a 1ª passagem de Fernando Diniz no Fluminense




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Prêmios por títulos quase igualam dinheiro da TV do Corinthians: o massacre do Palmeiras sobre rivais paulistas nas finanças

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Os quatros grandes paulistas divulgaram de forma oficial seus balanços financeiros detalhados de 2021.

E fica claro o massacre que o Palmeiras impõe atualmente a Corinthians, São Paulo e Santos no faturamento.

Turbinado por dois títulos da Libertadores no mesmo ano (a edição 2020 foi decidida em janeiro de 2021), o Palmeiras deixou para trás seus maiores rivais com folga impressionante nas receitas obtidas com o futebol.

Abel Ferreira comemora a conquista da Recopa Sul-Americana pelo Palmeiras
Abel Ferreira comemora a conquista da Recopa Sul-Americana pelo Palmeiras Cesar Greco/Palmeiras

Somando as receitas do futebol profissional e amador, o Palmeiras faturou R$ 863 milhões, contra R$ 448 milhões do Corinthians, R$ 417 milhões do São Paulo e R$ 370 milhões do Santos.

No detalhamento do faturamento, fica mais evidente como o time de Abel Ferreira está em outro patamar.

Com patrocínios, o Palmeiras arrecadou R$ 176 milhões, praticamente o mesmo que os três rivais juntos: foram R$ 126 milhões para o Corinthians, R$ 33 milhões do São Paulo e R$ 39 milhões do Santos.

Com direitos de TV, o Palmeiras ficou perto do Corinthians, o que antes não acontecia. Foram R$ 243 milhões com esse item. O time do Parque São Jorge conseguiu R$ 266 milhões. O São Paulo teve R$ 195 milhões e o Santos R$ 139 milhões.

A diferença é que o dinheiro da televisão representa pouco mais de um quarto de todas receitas palmeirenses, e mais da metade das corintianas.

Vendendo jogadores, o Palmeiras conseguiu R$ 120 milhões, só um R$ 1 milhão a menos que o São Paulo e bem mais que os R$ 28 milhões obtidos pelo Corinthians. O Santos faturou R$ 107 milhões negociando atletas.

Mas o que mais impressiona é quanto o Palmeiras conseguiu ganhando títulos.

Foram R$ 258 milhões em premiações em 2021, contra R$ 48 milhões do São Paulo. O Corinthians soma o programa de sócio torcedor e verbas de loterias no item premiação, e ainda assim só arrecadou R$ 13 milhões. O Santos não detalha isso.

Um massacre que pode aumentar ainda mais o abismo esportivo atual.

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Os motivos para Benzema estar perto de superar Messi e Ronaldo e fazer maior Champions da história

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Karim Benzema está a dois jogos de fazer a maior Champions League de um atleta na história.

Além do título com o Real Madrid,  ele precisa de mais três gols para igualar Cristiano Ronaldo como o maior artilheiro em uma edição da mais importante competição de clubes do mundo.

O francês já tem 14 gols na Champions 2021/2022. Ronaldo marcou 17 vezes na temporada 2013/2014, quando foi campeão com o Real Madrid batendo o rival de cidade Atlético na decisão.

Benzema em ação com a camisa do Real Madrid
Benzema em ação com a camisa do Real Madrid Getty Images

Título e artilharia são essenciais, mas Benzema tem outros argumentos robustos para se transformar no maior jogador em uma edição de Champions.

Ele faz história já com 34 anos. Depois que completou essa idade, Ronaldo nunca fez mais do que seis gols em uma Champions. Messi, hoje também com 34, nunca passou de cinco tentos nas últimas três temporadas.

Benzema já fez nove gols nesta edição do torneio europeu na fase de mata-mata. E enfrentado só gigantes: PSG, Chelsea e Manchester City. Com mais um, iguala Cristiano Ronaldo, que marcou dez vezes no mata-mata de 2016/2017.

Por fim, o argumento mais importante.

O atacante francês arrebenta em um time que está longe de ser uma máquina. O atual Real Madrid é um time com vários jogadores em baixa, como Militão e Kross. Não encanta. Tem uma defesa problemática.

Vinícius Jr. joga como nunca jogou, mas ainda não é um parceiro como o próprio Benzema foi para Cristiano Ronaldo no Real Madrid ou Xavi, Iniesta, Suárez e Neymar foram para Messi no Barcelona.

Se o Real ganhar a Champions, Benzema não será só o craque. Mas um herói jamais visto na competição.

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Hulk e Gabigol provam que é muito mais fácil fazer besteira do que coisa boa no Twitter

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Algum sábio cunhou uma frase que adoro repetir para os jornalistas mais novos que trabalham comigo: "Nunca vi ninguém ganhar aumento ou ser promovido por uma tuitada. Mas vi um monte de gente perder o emprego por uma tuitada". 

Gabigol e Hulk não vão perder o emprego pela troca de farpas nesta segunda-feira no Twitter, como vi acontecendo com colegas jornalistas que, no calor de uma notícia, gastaram os poucos caracteres disponíveis de um tuíte eu um post polêmico.

Mas também não vão ganhar aumento. Muito pelo contrário.

Gabigol, do Flamengo, e Hulk, do Atlético-MG
Gabigol, do Flamengo, e Hulk, do Atlético-MG Marcelo Cortes/Flamengo | Pedro Souza/At

A batalha de dois dos maiores ídolos do futebol brasileiro é a prova que é muito mais fácil fazer besteiro do que algo bacana quando se vai ao Twitter com cabeça quente para polêmicas baratas.

Gabigol começou a discussão ironizando uma entrada violenta de Hulk em rival no jogo contra o Coritiba. 

"(Eu levaria) Cartão vermelho, 25 jogos de suspensão... E (iria) direto para a delegacia por agressão HAHAHAHAHAHA", escreveu.

Hulk logo respondeu. 

"Meu foco é aparecer para a mídia dando o meu melhor dentro de campo e ajudando minha equipe, e não pegar embalo em alguém que ter muito mais moral do que eu a nível mundial para aparecer", retrucou o atleticano

Logo chegou a tréplica do flamenguista, concordando com um seguidor que escreveu que "Hulk sentiu à toa" e explicou que o flamenguista "estava falando sobre arbitragem, se não sobre Hulk em si".

"Interpretação de texto não está tendo", escreveu o camisa 9.

A ironia inicial de Gabigol foi exagerada. Além do lance de Hulk não ter sido para expulsão, foi algo bem infantil comparar o que acontece com ele ao feito por outro atleta profissional.

A resposta de Hulk foi ainda mais fora do ponto. Ficar comparando sua carreira internacional com a de Gabibol pelo Twitter chegou perto do ridículo.

A tréplica de Gabigol tornou a questão uma rixa que fez a festa das redes sociais, sites e programas esportivos.

De novo. Gabigol e Hulk não vão perder o emprego pelas tuitadas tolas. Mas perderam a razão. O bom senso. A compostura. Pura tolice.

Gabigol x Hulk: troca de farpas entre astros de Flamengo e Atlético-MG gera debate no ESPN FC; VEJA



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Barcelona deve 'culpar' seu charme por Camp Nou ter virado paraíso de turistas e torcidas rivais

Paulo Cobos
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O torcedor raiz do Barcelona está enfurecido. Não se conforma que pelo menos 25 mil torcedores do Eintracht Frankfurt foram ao Camp Nou nesta quinta-feira, em jogo que acabou vencido pelo time alemão e eliminou o clube catalão da Liga Europa.

Alguns culpam a diretoria por ter trocado o apoio maciço da sua torcida em troca de alguns milhões de euros da torcida alemã.

Parte da acusação é injusta. Há muito tempo o Camp Nou tem milhares de espectadores que são meros turistas ou muitas vezes torcedores de rivais: recentemente, muita gente comemorou um gol de Cristiano Ronaldo em um clássico contra o Real Madrid.

Torcedores nos arredores do Camp Nou
Torcedores nos arredores do Camp Nou Getty Images

Muitos desses "forasteiros" foram ao estádio por que sócios do Barcelona revendem seus ingressos da temporada toda, em um negócio bastante lucrativo.

Mas com quase tudo nesse vida, é uma questão de demanda e oferta.

O Barcelona deve "culpar" seu próprio charme por seu estádio ter virado um santuário para turistas e torcedores rivais.

A cidade é um polo turístico internacional. Em 2019, o último ano antes da pandemia, 12 milhões de turistas estrangeiros visitaram a cidade, bem mais do que os 7,6 milhões que foram a Madri.

O lugar é lindo. o clima é uma benção. A experiência de aliar isso com um jogo de futebol é fantástico. Não consigo imaginar 25 mil torcedores do Eintracht Frankfurt irem até Manchester ou Liverpool para um jogo de quartas de final da Liga Europa.

Por fim, o clube Barcelona fez um trabalho muito bem feito para ser admirado no planeta todo (basta ver quantos garotos brasileiros têm uma camisa de Messi).

Quem não sonha em estar no Camp Nou para um grande jogo?

O Barcelona é o clube mais charmoso do mundo em uma cidade linda. Isso tem um preço no futebol. Eu acho que vale a pena pagar.

Golaço de Borré, dois de Kostic e pintura de Busquets: veja como foi a vitória do Eintracht Frakfurt sobre o Barcelona na Europa League

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Emboscada na Imigrantes, cara a cara tenso em sítio: obrigado Rincón por me 'formar' jornalista

Paulo Cobos
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Freddy Rincón, que morreu nesta quarta-feira aos 55 anos depois de um trágico acidente de carro na Colômbia, era um craque. Muita gente pode contar com mais categoria para os mais jovens como ele era bom.

Minha lembrança nesse dia triste vai ser outra.

Rincón foi um dos personagens do futebol que mais me ajudou na minha formação prática em jornalismo.

Em 1997, eu era um novato na redação da "Folha de S. Paulo".  E o colombiano tinha acabado de chegar no Corinthians.

No início, os resultados foram ruins. E isso resultou em uma quase tragédia.

Rincón em ação com a camisa do Corinthians
Rincón em ação com a camisa do Corinthians Acervo Gazeta Press

Após uma derrota na Vila Belmiro para o Santos, em outubro de 1997, cerca de 40 torcedores com camisas da Gaviões da Fiel armaram uma emboscada contra o ônibus que levava à delegação corintiana de volta para São Paulo na madrugada.

Com paus e pedras, em plena rodovia dos Imigrantes (km 45), eles levaram terror para os jogadores e Rincón acabou ferido.

Foram dias ajudando a produzir infográficos de como foi o ataque, ouvindo a polícia.

Aprendi que, no Brasil,  jornalismo esportivo não é só bola. Você precisa estar pronto para as missões bem diferentes a cada dia. E também a nunca mais confiar em torcida organizadas.

No ano seguinte, em 1998, o Corinthians, com a chegada de Vanderlei Luxemburgo, se transformou.

O time começou a ganhar títulos em uma época de ouro que culminou com o Mundial de 2000. Rincón brilhava.

Naquele tempo, o contato entre imprensa e jogadores era muito diferente do atual, em que basicamente só um jogador fala após os treinos no esquema de entrevista coletiva. E com os atletas seguindo quase sempre uma cartilha para evitar qualquer polêmica.

O Corinthians de Rincón treinava no Parque São Jorge. Nos momentos decisivos, em Atibaia, no campo de um hotel ou em um sítio na mesma cidade de um célebre conselheiro do clube: José Romão.

Quando o treino acabava, os repórteres podiam entrar em campo e conversar com qualquer jogador disposto a falar (e naquela tempo quase todos sempre estavam).

Rincón assustava. Gigante, muitas vezes parecendo mal humorado e pronto para rebater uma pergunta mal feita, era o maior desafio em um elenco em que sobravam personalidades fortes, como Marcelinho, Vampeta e Edílson.

Tomei coragem. Respirei fundo e perguntei algo (não vou lembra com exatidão) sobre algum problema com a diretoria corintiana. Ele deu um sorriso irônico, e respondeu sem rodeios.

Descobri que Rincón era um ótimo entrevistado. Falava das brigas com Marcelinho, Edílson. Reclamava muito de decisões da diretoria. Quando acabava o treino, ele era um alvo preferido.

Obrigado, Rincón. Pelo que jogou e por me fazer um jornalista melhor.

Ídolo do Corinthians, Rincón morre aos 55 anos; relembre sua carreira

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Quanto custa e quanto ganha: Villarreal que derruba gigantes não tem nada de coitadinho

Paulo Cobos
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O Villarreal, sediado em uma cidade de 50 mil habitantes, é a melhor história da Champions League 2021/2022.

Longe das primeiras colocações do Espanhol, ocupa hoje apenas a sétima posição, o clube do uniforme todo amarelo está nas semifinais do principal campeonato de clubes do mundo, depois de eliminar os gigantes Juventus, nas oitavas de final, e Bayern de Munique, nas quartas.

Evidente que o Villarreal nem de perto tem o dinheiro dos times que eliminou e os que ainda vai enfrentar na Champions, mas não dá para dizer que o clube veste o uniforme de coitadinho.

Jogadores do Villarreal comemorando classificação à semifinal da Champions League
Jogadores do Villarreal comemorando classificação à semifinal da Champions League Twitter/@VillarrealCF

Começando por seu sucesso europeu significar muito dinheiro.

Na temporada passada, quando ganhou a Europa League, o clube, de acordo com seu balanço oficial, recebeu da Uefa 31,477 milhões de euros, ou R$ 159 milhões pelo câmbio atual.

Muito mais dinheiro europeu vai entrar este ano. Só pelo desempenho até agora na Champions, o Villarreal já garantiu 59,458 milhões de euros (R$ 301 milhões).

Mesmo caindo nas semis, o time ainda vai receber uma bolada do "market pool", um fundo da Uefa de 300 milhões divididos de acordo com o tamanho do mercado de TV e audiências dos clubes de cada país.

A grana da Champions vai cobrir praticamente metade do orçamento do  Villarreal para esta temporada, de 138, 775 milhões de euros, R$ 703,6 milhões pelo câmbio atual, bem mais do que as receitas de gigantes brasileiros, como Corinthians e São Paulo.

Na temporada passada, o clube ainda faturou 74 milhões de euros com direitos de TV e 16 milhões de euros com publicidade.

E quanto custa o elenco do Villarreal?

Sempre pelo balanço oficial do clube, na temporada passada o clube gastou com salários de seus jogadores e comissão técnica quase 70 milhões de euros, ou mais de R$ 350 milhões, o que está longe de ser uma merreca até para os padrões europeus.

Segundo o site Transfermarkt, o Villarreal investiu 54,5 milhões de euros em contratações para esta temporada. 

O clube é muito bem administrado e anda com as próprias pernas, mas no desespero pode apelar para a fortuna pessoal do seu dono.

Fernando Roig está na lista dos homens mais ricos da Espanha, segundo a revista "Forbes",  com uma fortuna de 1,5 bilhão de euros, ou mais de R$ 7,5 bilhões. Mais ricaço é seu irmão e sócio, Juan Roig, dono de 4,2 bilhões de euros (mais de R$ 20 bilhões).

Champions: Villarreal faz festa absurda no vestiário após eliminar o Bayern de Munique; VEJA

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