Flamengo, assume as minas! A internet pede (e sua grandeza também)

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

Na noite dessa sexta-feira (01), torcedores do Flamengo e pessoas envolvidas com o futebol feminino puxaram a hashtag #FlaAssumeAsMinas no Twitter com intuito de 'fazer barulho' e chamar a atenção para a categoria rubro-negra. É, pois é, por incrível que pareça, o Flamengo, que busca uma tríplice coroa, que tem elenco recheado de estrelas - no masculino -, não assume como deveria a equipe feminina.

Para início de conversa: não é que o Flamengo seja o único do país a não dar uma prioridade ao futebol feminino, longe disso, mas a ação nas redes sociais partiu por parte da torcida rubro-negra. Por isso o recorte.

O Flamengo tem sim um time, mas o comando se dividiu por muitos anos com a Marinha (parceria que começou em 2015).  Até por isso, nos torneios, o clube era apresentado como Flamengo/Marinha. Claro, não há nada de errado com a Marinha, não é esse o ponto. Inclusive para começar um projeto, parcerias ajudam a dar um norte e o primeiro passo. 

A questão agora, depois de muitos anos, é sobre tratar a modalidade com mais profissionalismo e 'colocar debaixo da asa' de uma estrutura gigante como a do clube carioca. Independentemente de ter ou não parceria, é sobre dar mais atenção ao futebol feminino. Ter por ter não é a ideia. 

É sobre tomar as rédeas do time e, dada as devidas proporções, investir no elenco (não, ninguém está pedindo o mesmo $$ do masculino no feminino). O Flamengo tem tamanho e estrutura para brigar por título nacional e continental - coisa que não acontece. As forças, atualmente, se dividem em Corinthians, Ferroviária, Palmeiras... Grêmio, Inter e Santos também sempre aparecem o no cenário.

Treino do time feminino do Flamengo
Treino do time feminino do Flamengo Paula Reis/Flamengo

Com  a torcida que tem, com o momento que vive, com o tamanho que tem, o Flamengo deveria olhar para suas atletas e enxergar o mercado do futebol feminino como algo muito positivo para marca e para história da entidade. Os clubes na Europa já acordaram e alguns no Brasil também.

O trabalho do Corinthians, por exemplo, pode servir de inspiração. Uma equipe que começou com a parceria Corinthians/Audax, mas que depois o alvinegro assumiu e passou a fazer um trabalho brilhante, construindo uma hegemonia no futebol brasileiro, fechando patrocinadores próprios e cedendo diversas atletas à seleção brasileira.

Abaixo, alguns tuites que explicam e reforçam o pedido: #FlaAssumeAsMinas :





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A verdade que precisa ser dita sobre Marta, Cristiane e Formiga

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

Se você abriu o link esperando algum tipo de corneta ou “opinião impopular polemiquinha”, sinto muito. O texto está mais para um desabafo e uma homenagem do que qualquer outra coisa.

A eliminação do Brasil para o Canadá nas Olimpíadas de Tóquio me deixou emotiva (mais do que já sou, o que é impressionante), pensei, rascunhei e apaguei esse texto trinta vezes. Mas não consegui não colocar para fora.

Formiga se despediu dos Jogos Olímpicos, Marta e Cris também estão próximas de encerrarem seus ciclos na seleção. Escrever isso parece até delírio…

Como assim? Futebol feminino sem essas três? Olimpíada sem Formiga? Como pensar em um cenário pós-trio?

Acho que escrevo este texto até para fazer a minha própria ficha cair. 

Cristiane, Marta e Formiga
Cristiane, Marta e Formiga Getty Images

Claro que essas atletas não precisam que uma jornalista mineira de 23 anos diga o quanto elas são especiais e o quão importante elas são. Mas, mesmo sem precisar de qualquer tipo de validação, quero colocar o coração pra fora.

Se não fosse por essas três talvez esse texto, esse blog, essa jornalista nem existisse. 

Sempre joguei futebol, muito por influência do meu pai, um torcedor fanático. Mas nunca tive um ídolo. Gostei de vários jogadores, admirava a qualidade, mas nunca foi AQUELA coisa, sabe?

Sofri muito na escola por ser a-menina-do-futebol. Sorte que tive apoio de amigos e família.

Até que um dia eu conheci Marta, Formiga e Cristiane. Até que um dia eu entendi que eu não precisava querer ser Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Eu podia sonhar em ser elas.

A paixão pelo futebol me aproximou, naturalmente, do futebol feminino e de Marta, Cris e Formiga. 

Olimpíadas: Brasil perde para o Canadá nos pênaltis e Mariana Spinelli analisa eliminação do time de Marta


Quando entrei no jornalismo esportivo, me voltei pro futebol feminino porque aprendi com elas a importância da força da mulher no esporte, da luta, da voz, da representatividade.

No momento, choro feito um neném escrevendo o texto porque pensar no fim desse ciclo é também pensar no fim de uma história que faz parte de mim.

O relato é pessoal, sobre Mariana Spinelli, mas sei que mudando alguns contextos, essa também é a história de tantas outras.

Marta, Cris e Formiga mereciam uma medalha de ouro. Mereciam muito. Só a gente sabe o tanto que sonhamos com a cena. Mas elas não PRECISAM disso para estarem na prateleira mais alta. Qual o preço de entrar para história?

Para essas três, o meu muito obrigada. Espero que de alguma forma a mensagem de carinho de tantas pessoas aqueçam seus corações. Foi um prazer ver vocês nos Jogos e azar da Olimpíada que não teve a honra de tê-las no lugar mais alto do pódio. 

Obrigada, trio. Vocês mudaram a minha vida.

Formiga se despede das Olimpíadas de Tóquio, mas entra para a história como 1ª jogadora de futebol a disputar 7 Jogos Olímpicos

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Canadá 0 (4) x (3) 0 Brasil: Os problemas que já eram óbvios e a dor de quem sabe que poderia ser diferente

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

Claro que escrevo este texto com olhos cheios d’água. Antes de qualquer coisa, torço  pra essa seleção com todo meu coração. A eliminação de hoje foi uma facada, não porque o Brasil jogou tão bem e amassou o adversário. Foi uma facada porque a seleção já apresentou futebol melhor. A gente sabe que dava.

Mas o que vimos hoje não tem muito o que defender. Canadá era um velho conhecido, que nunca havia vencido o Brasil sob comando da Pia. Mas nada disso entra em campo ou pelo menos não entrou.

Precisamos falar sobre os erros da Pia. Respeito todo contexto de desenvolvimento do futebol feminino no país - que tem que ser levado em conta. Mas o futebol também precisa ser analisado e algumas coisas poderiam ter sido diferentes.

Bruna Benites na lateral-direita não funcionou e não havia funcionado nos outros jogos. Brasil perdeu ofensivamente e a jogadora não compensou defensivamente. Era uma escolha da Pia desde o início.

Bárbara não comprometeu no jogo contra o Canadá, mas a renovação do gol é um pedido antigo.

A treinadora também demorou para mexer. Duda estava visivelmente cansada, e Andressa Alves só entrou no fim do jogo. O meio de campo muito espaçado pedia mudanças, a insistência em ligação direta não resultou em absolutamente nada.

No livro de Megan Rapinoe, ela cita uma certa “teimosia” de Pia nas ideias: “Pia could be a little bit inflexible”, traduzindo, Pia podia ser um pouco inflexível. E isso ficou visível no jogo.

Não é culpa de A ou B, mas tecnicamente os erros precisam ser apontados. Não tem uma culpada, tem um grupo. 

Faltou perna, faltou troca de passes e faltou intensidade.

Sei que não faltou vontade e desejo, e sei que as atletas sonharam com isso. Eu tenho muito orgulho dessa seleção, mas as críticas e os erros também precisam ser apontados.

Se tivéssemos caído para Holanda, Suécia ou Estados Unidos, eu até entenderia. O gosto que fica é que dava mais. É a dor de quem sabe que poderia ter sido diferente.

É óbvio que o trabalho segue e não tem apenas coisas ruins, claro que não. É uma roda que começa a girar agora no futebol brasileiro, com seriedade na seleção e desenvolvimento do torneio nacional. Vamos colher os frutos, apontando os erros, corrigindo e sempre, sempre, acreditando.

Pia Sundhage, durante jogo entre Canadá e Brasil nas quartas de final do futebol feminino em Tóquio
Pia Sundhage, durante jogo entre Canadá e Brasil nas quartas de final do futebol feminino em Tóquio Getty Images

Fonte: Mariana Spinelli

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Canadá 0 (4) x (3) 0 Brasil: Os problemas que já eram óbvios e a dor de quem sabe que poderia ser diferente

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Cristiane fora das Olimpíadas é coerente com as incoerências de Pia na seleção feminina

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

Deixarei bem clara a minha opinião já na primeira linha para não sobrar margem pra dúvida: Cristiane deveria ter sido convocada. De toda forma, entendo se você não concorda comigo. O que eu não entendo é a lógica da Pia, que é quem efetivamente decide as coisas.

A não convocação de Cristiane para os Jogos Olímpicos de Tóquio é coerente quando Pia explica a intensidade do jogo,  parte física que não é a ideal e tooooda aquela argumentação que já ouvimos.

Pia explica ausência de Cristiane em convocação para a Olimpíada: 'Outras jogadoras vão ajudar a equipe'; assista

Realmente, avaliando os números da Cris na temporada com a camisa do Santos, eles são ruins: 1 gol em 12 jogos - como jornalista, não esconderei dados. Quero que cheguem a uma conclusão livremente.

Mas aí eu pergunto: todas as convocadas de Pia estão na prateleira A do futebol brasileiro? As peças chamadas realmente estão acima de qualquer outra que ficou de fora? Não há incoerência?

Com todo respeito à história da goleira Bárbara - que me fez chorar feito um neném na disputa de pênaltis no Mineirão nas quartas de final dos Jogos do Rio em 2016 -, mas as atuações da arqueira em clube e seleção não a credenciam para uma titularidade inquestionável. O que Lelê - chamada, mas que deve ficar no banco - fez pelo clube não é levado em conta? Ora bolas.

Bruna Calderan não vale para a lateral direita? E o meio de campo pouco criativo não pedia um teste de Gabi Zanotti?

Nada disso aconteceu. Por que então a avaliação para Cristiane se difere de outras?

Mais uma vez reforço: você, torcedor, lendo isso pode ser supercoerente nos argumentos, se você convocasse e, de forma coerente, me explicasse a ausência da Cris, show de bola.

Voltando ao campo...

Para mim, Cristiane deveria estar. Não só pela incoerência, mas pelo que ela também pode entregar em campo. Não é saudosismo vazio, nostalgia, apego ou qualquer palavra que queira usar - talvez um pouco, admito.

Cristiane, em ação pela seleção brasileira feminina em fevereiro de 2021
Cristiane, em ação pela seleção brasileira feminina em fevereiro de 2021 Getty

Cristiane é a maior artilheira da história em Jogos Olímpicos (considerando homens e mulheres). São 14 gols. Além disso, mesmo “baleada” por lesão na Copa do Mundo de 2019, ela se tornou a jogadora mais velha a marcar um hat-trick no Mundial (na partida contra a Jamaica).

Subestimar a capacidade da mamãe Cris de botar a bola na casinha chega a ser surreal para mim. Mesmo que não esteja em seu auge mais.

“Poxa, Mari, mas no Santos ela não está fazendo isso. O aproveitamento é baixíssimo.”

Ok, mas já ouviu aquele papo de “jogador de clube e jogador de seleção”? Pois é. Cristiane é jogadora de seleção. A amarelinha potencializa a atacante. Um exemplo disso: Estados Unidos. As atletas que compõem a seleção número um do mundo não jogam o que têm capacidade em seus clubes (maioria atua na NWSL). São jogadoras de seleção, que crescem em um grande palco, assim como Cristiane.

Outro exemplo das norte-americanas: Vlatko, técnico da equipe, utiliza Carli Lloyd (38 anos!) como opção de camisa 9. Alex Morgan é a dona do posto, mas Lloyd é a reserva de confiança, experiência e qualidade no banco.

Talvez, Cristiane não fosse titular da equipe. Tudo bem. Mas, até pela quantidade de bola na área que a seleção cruzou nos últimos amistosos, tê-la em campo faria sentido.

Mas, fora isso, pense no cenário: mata-mata das Olimpíadas. Jogo truncado, marcação bem encaixada, nada fluindo. A bola parada vira arma. Aí entra Cristiane.

Com Marta e Formiga, Pia Sundhage convoca seleção feminina para a Olimpíada de Tóquio; assista

Um cabeceio, um rebote na confusão na pequena área, um pivô bem feito e tudo resolvido. 

Além de tuuuudo isso que argumentei, adiciono mais um ponto importantíssimo: liderança.

Olimpíada é “tiro curto”. Em poucos jogos, o pódio é definido. O psicológico conta muito. Ter alguém como Cris no vestiário tem um peso enorme. Cris entrar em campo no fim de um jogo nervoso que o placar não está definido tem uma importância enorme. 

Enfim, se você chegou até aqui, espero que tenha compreendido meu ponto de vista. De toda forma, respeito o trabalho da Pia e sua visão de futebol, mas também me dou o direito de discordar de algumas coisas.

Futebol é isso. No fim das contas, que venha o ouro olímpico. Pela Pia, pela seleção, por Marta e Formiga, pelas atletas convocadas, pelo futebol feminino em nosso país, pela torcida e, claro, pela Cris.

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Brasil dá sinais 'suecos' com Pia no comando. E o que isto significa?

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

A seleção brasileira feminina venceu a Rússia por 3 a 0 no amistoso preparatório para os Jogos Olímpicos. Bruna Benites, zagueira, fez dois gols- essa informação é importante - e  Andressa Alves também deixou o dela.

O time comandado por Pia Sundhage, sueca, dá claros sinais "suecos" no seu estilo de jogo. Mas isso é bom? Então, há uma notícia boa e uma ruim.

Começo pela boa: a consistência defensiva, típica da Suécia. Uma das preocupações da treinadora era construir uma equipe segura defensivamente, corrigir os erros bobos que ocorriam e ganhar corpo no setor. Isso ela fez. Rafaelle é a dona da zaga e, no amistoso, teve Bruna Benites como companheira. 

Pia conseguiu implementar uma mentalidade mais aguerrida na seleção, com todas marcando e protegendo o gol de Bárbara - que, para mim, é o elo fraco desse setor defensivo. Mas já desisti de falar sobre as goleiras brasileiras,  e Pia já deixou bem clara sua preferência.

Mas, agora, a notícia "ruim": o setor ofensivo. O Brasil ainda está testando e tentando encontrar o encaixe. Marta longe do gol não rende como pode, Debinha se desdobra em campo e Lud não tem o espaço para correr como tem no Atletico de Madrid.

O meio de campo perde muito (muito!) sem Luana Bertolucci, que está fora dos Jogos Olímpicos por causa de lesão. Andressinha deve ser a nova dupla de Formiga, mas ainda falta criatividade no setor.

O lado 'sueco' ofensivo brasileiro é o abuso em cruzamentos. Por isso disse que a informação dos gols da Bruna Benites era importante: duas bolas paradas e zagueira aproveitou a subida para balançar as redes. Isso é ótimo, claro. Ser impiedoso quando tem a chance da bola parada é uma arma, mas não pode ser a única. 

Há mais talento a ser aproveitado com a bola no pé das atletas do Brasil. No jogo contra a Rússia, a equipe cruzou demais, foi um dos únicos recursos do time. 

A Suécia é uma seleção alta, mais 'pesadona', de um porte físico diferente e, logo, a bola aérea é um perigo mesmo. Já a seleção brasileira pode render mais em velocidade, troca de passes e criação pelo meio.

Tamires trabalhou muito na lateral-esquerda e foi o escape ofensivo, cruzando - com muita qualidade, diga-se de passagem- diversas vezes a bola na área.

O gol de Andressa Alves também nasceu de uma bola que cruzou a área.

A seleção brasileira está em evolução, mas ainda pode melhorar. O futuro é promissor e Pia parece não ter pressa para resolver tudo 'de qualquer jeito'. O trabalho pede paciência e correções. 

Segunda-feira a seleção entra em campo novamente e encara o Canadá. Será o último teste antes de Tóquio.

Jogadoras da seleção feminina brasileira de futebol reunidas antes do amistoso contra a Rússia
Jogadoras da seleção feminina brasileira de futebol reunidas antes do amistoso contra a Rússia Richard Callis/CBF
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A queda do Lyon na Champions e o título do Barcelona: dor de cabeça e preocupação para hegemonia dos Estados Unidos

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

Mais uma edição da Champions League feminina chegou ao fim e, dessa vez, com  feitos históricos: o primeiro é a ausência do Lyon no pódio (heptacampeão e vencedor das últimas cinco edições de forma consecutiva) e o segundo é o título inédito do Barcelona, que se tornou o primeiro clube a ter uma Liga dos Campeões no masculino e feminino. Com o sucesso de audiência, de qualidade no futebol praticado e alcance do torneio, o correto seria todo mundo estar feliz, mas... 

Pensando no desenvolvimento da modalidade, os Estados Unidos precisam - já dizia Carla Diaz - abrir os olhos, e o recado é muito claro: o futebol feminino cresce a passos largos na Europa.

A queda da hegemonia do Lyon é o primeiro indício. Não há apenas um clube dominante no continente mais. Apenas um clube que investe, contrata e vence. A competitividade já vinha aumentando há tempos, mas estourou nesta temporada quando a equipe francesa foi eliminada pelo grande rival PSG. Conclusão: o futebol na França não é de um time só.

Mas aí o PSG foi eliminado pelo Barcelona, que conquistou o torneio pela primeira vez em na história. O time catalão já havia disputado a final em 2019, caiu nas semis em 2020 e, agora, levantou a 'orelhudinha' em 2021. Conclusão: não é só na França que se concentra a força da modalidade. 

Como isso afeta os Estados Unidos, o 'monstro' dos torneios de seleções? O tetracampeão mundial? As quatro vezes campeãs olímpicas? 

Pois bem, as respostas estão nos primeiros quatro parágrafos. O futebol feminino avança como um furacão na Europa e não vejo um limite próximo. Culturalmente o futebol é mais forte no continente (em termos de fanatismo, história e relação com os países), do que com os EUA. Naturalmente, o peso das camisas das equipes europeias é diferente. Financeiramente uma hora isso vai pesar. Pensa comigo: camisas com mais história + uma base de fãs já consolidada + rivalidade + clubes milionários por causa do futebol masculino + respeito mundial... Bom, a conta não é muito difícil de entender.

É verdade que os Estados Unidos ainda são os favoritos nos Jogos Olímpicos, por exemplo, mas, para a Copa de 2023, já vejo a hegemonia mais ameaçada. Bem mais ameaçada.

[]

Voltemos para 2019, na Copa da França.

As norte-americanas não tiveram vida fácil com a Espanha nas oitavas de final, nem com a França nas quartas e muito menos com a Inglaterra na semi (todos os jogos terminaram 2x1, alguns com diversos sustos). A régua das outras seleções já havia subido à época.

Para manter a hegemonia, os EUA (leia-se a Confederação) precisam tornar a liga nacional mais atraente - e não só uma panela para desenvolvimento de universitárias - e deixar as atletas de elite disputarem torneios ao redor do mundo. Não dá para manter tudo 'debaixo da asa'. 

E o crescimento do futebol feminino não fica restrito à Europa. O próprio desenvolvimento da modalidade no Brasil, com o fortalecimento do Brasileirão feminino, também promete gerar frutos a serem colhidos futuramente.

Mas, no fim, quem ganha é a gente. A graça do futebol está na imprevisibilidade. Saber quem vai ser campeão mesmo antes do torneio começar não faz bem para ninguém. Os Estados Unidos que se organizem porque 2023 promete aquilo que O Grande Pensador Rômulo Mendonça sempre diz: O CAOS! 

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No hay distancia! Barcelona tem o ingrediente necessário para disputar uma final de Champions feminina: raiva

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

Ainda tomada por adrenalina após o jogo entre Barcelona e PSG pela semifinal da Champions League feminina, tento explicar a fórmula do sucesso das catalãs. 


         

    

Martens faz dois, Barcelona vence o PSG de Formiga e está na final da Champions League feminina


A vitória por 2x1 em cima das francesas comprova algo dito pela camisa 11 do Barça, Alexia Putellas, após a eliminação na última temporada da UWCL contra o Wolfsburg: ‘No hay distancia’. A jogadora estava - com razão - muito brava após a queda na competição. Time podia ter ido mais longe. Não havia mais uma enorme distância entre o Barcelona e as grandes equipes europeias, o time, para ela, estava 100% pronto. Eu discordo. 

A derrota na última temporada colocou o último ingrediente que faltava para o Barcelona se firmar na Europa: raiva e sangue nos olhos. A competição engasgada na garganta. Vontade, raça, entrega.

Comparando o futebol das catalãs, que foram goleadas pelo Lyon na final de 2018/19, com o time que vai para a final agora, eu digo tranquilamente: Hay muita distancia.

Mapi León é uma fortaleza na zaga, Alexia comanda o meio, Patri é um cão de guarda, Jenni Hermoso é gol, Aitana é o futuro, Paños é um paredão no gol.

A evolução da equipe de Lluis Cortés é absurda e ele sabe disso. A comemoração após o apito final deste domingo, que garantiu a vaga na grande decisão, foi mais um descarrego, um desabafo, um grito que estava há muito tempo preso dentro do time.

Jogadoras do Barça comemoram vaga na final da Champions
Jogadoras do Barça comemoram vaga na final da Champions Getty

Triste por não ver Formiga, do PSG, em uma final de Champions, mas não há como negar e não se encantar com a história do Barcelona. 

Uma final antecipada...o futebol tem dessas. Alguém tinha que avançar.

A decisão é no dia 16 de maio, Chelsea e Bayern disputam a outra vaga.

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Entrevistei uma ex-Fifth Harmony! Ally Brooke reage à teoria Taylor Swift-Corinthians, cita Neymar e monta halftime show dos sonhos no Super Bowl

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

Torcedora do San Antonio Spurs, apaixonada com o ambiente da NBA e telespectadora assídua de Super Bowls, Ally Brooke, cantora e ex-membro do grupo Fifth Harmony, contou um pouco da sua relação com o esporte e como tudo isso se mistura com a cultura pop.

Natural de San Antonio, Texas, e em carreira solo desde 2018, você pode ter a visto na NBA. Mas, como? 

Em entrevista exclusiva à ESPN, Ally se declarou para o público brasileiro, falou de Neymar, halfitme show do Super Bowl, Spurs, Serena Williams e muito mais.


         
    

Ally Brooke, ex-Fifth Harmony, diz qual atleta gostaria de ser e monta show dos sonhos no Super Bowl com Dua Lipa no setlist

NBA

Como já citado no texto, a artista é torcedora dos Spurs e, apesar da baixa estatura (1,52m), Ally já esteve presente em partidas da liga de basquete norte-americana… cantando, é claro. 

“Não sou uma especialista em basquete e nem sei muito de técnica, mas eu amo assistir aos jogos in loco. Amo basquete, futebol, futebol americano… é muito divertido e sinto falta demais. Sou do Texas e os Spurs são herois para nós. Cantei o hino nacional no primeiro jogo que recebeu a torcida no estádio por lá após a bolha. Um clima familiar, caseiro… eu amo!”

MÚSICA E FUTEBOL

Traçando um paralelo com a indústria da música, que ainda é muito machista, com o futebol, Ally lamentou que as mulheres ainda precisam lutar e brigar por espaços que deveriam ser de igualdade. 

Para cantar ou para jogar, o talento deveria bastar.

“Qualquer um deveria fazer o que gosta. Se é cantar, se é jogar… especialmente mulheres. Se você tem a paixão pelo esporte, pelo futebol, você deveria ter a chance de fazer isso e seguir seus sonhos”.

Quando o assunto é futebol brasileiro, Ally não sabe muito, mas um nome ela reconhece... 

‘NEYMAR? O JOGADOR? É CLARO QUE CONHEÇO!’, disse a cantora muito empolgada.

“Se quiser me chamar para um jogo… eu topo! Não existe ‘multidão’ melhor do que uma multidão brasileira em um estádio de futebol”. 


Ally durante apresentação
Ally durante apresentação Manny Hernandez/Getty Images
SUPER BOWL

Como mexicana-americana, o Super Bowl LIV foi muito marcante para a artista. Além de ter sido sediado em Miami, Flórida, cidade com grande quantidade de latinos, as apresentações do show do intervalo foram de duas inspirações para Ally: Shakira e Jennifer Lopez.

“Aquela apresentação foi muito significativa, por tudo envolvido: minhas duas referências, latinas.... para mim foi uma das melhores apresentações do halftime show na história”, declarou.

Veja a resposta completa e uma imitação IMPECÁVEL da Shakira abaixo


         

    

Ally Brooke revela 'surto' com show de J-Lo e Shakira no Super Bowl, valoriza cultura latina e tira onda imitando colombiana

PROJETOS E BRASIL

Além de cantar, agora Ally também é escritora. Recentemente seu livro ‘Em Busca de Harmonia’ chegou ao Brasil com tradução em português.

“Uma das coisas mais difíceis de escrever o livro foi ser vulnerável, compartilhar minhas inseguranças, as coisas complicadas que passei na indústria como jovem e no Fifth Harmony. Compartilhei também as memórias de quando perdi alguém que amava, foi muito difícil. É difícil ainda até de ler esses capítulos porque parte meu coração, mas ao mesmo tempo me dá forças. Consigo ver tudo que passei, superei, como sou forte…”

E é notório o brilho nos olhos da artista quando ela cita o carinho e a relação com fãs brasileiros. 

“O Brasil é minha base de fãs mais forte. Sei que o momento da pandemia não é fácil, mas fiquem firmes. Vocês têm tantas pessoas rezando por vocês e mandando coisas boas e pensamentos. Amo vocês e mando o maior abraço virtual de todos. Não posso esperar até o dia de visitar vocês logo, vocês são os meus amores!”

Durante a entrevista, Ally foi apresentada à ‘Teoria Taylor Swift e Corinthians’ e recebeu o convite para ser a ‘artista da sorte’ de algum clube brasileiro.


         
    

Ally Brooke reage à teoria de Taylor Swift e Corinthians, dá risada e manda recado para clubes brasileiros

Sobre seu novo álbum, a cantora não quis entregar muita coisa, apenas disse que está por vir e que o público ficará satisfeito com o material - e, claro, que não vê a hora de trazer uma tour para o Brasil.

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Champions feminina: nomes ‘pouca mídia e muita bola’ pra ficar de olho em Barcelona x PSG

Mariana Spinelli
Mariana Spinelli

Para a estreia deste blog, apresento a vocês algumas jogadoras que não recebem tanto holofote, mas ‘comem’ a bola na Europa. Claro, se você acompanha assiduamente o futebol feminino, os nomes não serão muita surpresa.

Todas de Barcelona e Paris Saint-Germain, que duelam por uma vaga na decisão da Champions League feminina neste domingo (25), às 10h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo do ESPN App. E a promessa é de jogaço!

Formiga que me perdoe, mas a equipe espanhola faz meus olhos brilharem por vários motivos: além das atletas, o sangue nos olhos por ter a competição ‘entalada’ na garganta pela eliminação frustrante na última temporada.

Rolfoe marca, Wolfsburg supera o Barcelona e vai à final da Champions League feminina


"Não há distância", disse Alexia Putellas, uma das craques do Barça, após a derrota para o Wolfsburg ano passado (assista no vídeo acima). E não há mesmo mais distância entre a catalã e as outras equipes europeias.

Vamos aos nomes: Lieke Martens, Putellas, Hermoso e Mapi Leon são as mais conhecidas, seguidas nas redes sociais e com mais destaque internacional. Mas, com pouca mídia e muita bola, destaco Aitana Bonmatí.

A meia de 23 anos, camisa 14 do Barça, é um motor para a equipe. Inicia jogadas, chega bem na área, finaliza com qualidade… Vale olhar diferente para a atleta em campo neste domingo.

Na última temporada, quando comentei a Champions, Aitana ainda não era titular indiscutível, Hamraoui e Patri Guijarro eram as volantes da equipe. Mas logo o técnico Cortés entendeu que a vaga na ‘meiuca’ catalã seria dela. Sorte dele. E do time.

Do lado do PSG, meu coração é de Formiga e Luana - que não estará em campo por causa de lesão -, mas tirarei isso do caminho para trazer outros nomes para vocês.

No gol, Tiane Endler, a melhor do mundo na posição na minha visão, não é novidade para ninguém. 

Na zaga, vale ficar de olho em Irene Paredes. A espanhola, inclusive, é especulada no Barcelona, já que tem contrato acabando nos próximos meses. 

Geyoro, autora de um dos gols que eliminou o Lyon (atual pentacampeão e, ao todo, dono de sete títulos da Champions), também precisa ser destacada. 

Putellas e Patri, jogadoras do Barcelona
Putellas e Patri, jogadoras do Barcelona Getty Images
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