Racha de clubes e Lei do Mandante podem deixar cenário devastador no futebol

Erich Beting
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Diego Costa posa com a taça do Brasileirão conquistada pelo Atlético-MG
Diego Costa posa com a taça do Brasileirão conquistada pelo Atlético-MG Pedro Souza/Atlético-MG

O racha deflagrado entre os clubes das Séries A e B do Brasileirão, exemplificado pela divisão em dois grupos distintos que discutem a fundação de uma Liga de Clubes, pode gerar um efeito devastador para o futebol no médio prazo.

O cenário de ruptura entre as entidades, somada à mudança recente de legislação, com a entrada da Lei do Mandante, pode levar a um cenário em que os dirigentes ficarão cada vez mais separados em grupos, em vez de se unirem para constituir uma única liga.

Sim, ainda é um cenário hipotético. Mas, por enquanto, ele aparece como o mais factível. De um lado ficarão os fundadores da Libra. Do outro, os clubes do Forte Futebol e outros que eventualmente queiram fazer frente.

Todos com seus argumentos para pender para um ou outro lado, mas com uma coisa em comum: nenhuma necessidade de reduzir a pedida e se chegar a um acordo. Por que isso acontece?

A sensação de que a Lei do Mandante dá poder ao time para negociar pelo menos 50% dos seus jogos, quando antes ele tinha de obrigatoriamente conversar com o adversário para ter um acordo para a transmissão da partida, faz com que o dirigente siga “peitando o sistema” até o final.

Só que essa situação já se provou um desastre na Itália e na Espanha, países em que a concentração de receita de mídia em pouquíssimos clubes gerou um desequilíbrio esportivo enorme que ainda tem suas consequências.

Na Itália, com uma legislação que permitia a “Lei do Mandante”, Inter, Juventus e Milan negociavam junto com outros 11 clubes os direitos de mídia do Italiano. Do outro lado, ficavam seis clubes que vendiam sua cota para outras TVs. O resultado? O trio de grandes, que liderava as negociações, ficavam com 75% da receita de mídia. E o restante que lutasse por uma parte dos direitos. Isso só foi acabar com a instituição da venda unificada de direitos, após os clubes quebrarem pela falta de receita.

Na Espanha, o modelo era similar ao atual no Brasileirão. Os clubes vendiam por conta própria os direitos, sem aglutinar em grupos e com direito apenas sobre os jogos em que era o mandante. Assim, Barcelona e Real Madrid tinham 80% do valor de mídia. O restante? Que lutasse.

Isso durou até o Sevilla decidir promover um boicote e proibir transmissão de seus jogos. Em um ano em que o Barcelona foi campeão, o jogo decisivo não foi mostrado por nenhuma emissora, porque o Sevilla se recusou a liberar a transmissão da partida, acusando o sistema de prejudicar os menores, por mais performance esportiva que ele tivesse.

O caso foi a gota d’água para o governo intervir e exigir da LaLiga uma negociação coletiva de direitos. Desde então, os espanhóis ganham muito mais da venda de direitos de mídia, inclusive Barcelona e Real. Ao mesmo tempo, a distância dos mais ricos para os menos ricos ficou cada vez menor. Se a proporção era de 1 para 18, hoje está em 1 para 3,5 vezes o valor recebido.

Por aqui, a Lei do Mandante é usada como argumento vitorioso dos clubes do Forte Futebol para “peitar o sistema”. Como fizeram o “Clube dos 6” da Itália ou o Sevilla lá atrás. O resultado dessa desunião foi a desvalorização constante dos direitos de mídia e o enfraquecimento dos clubes e do futebol como um todo.

A Lei do Mandante não dá mais poder aos clubes. Ela permite ainda mais desunião e a falsa sensação de poder. É esse o maior risco do futuro do futebol brasileiro nesse instante. Em breve, será preciso o governo intervir mais uma vez para consertar o erro cometido em junho de 2020, ao fazer a medida provisória que resultou na Lei do Mandante.

Mundialmente está comprovado que somente a venda coletiva de direitos é eficiente para aumentar a arrecadação dos clubes e evitar um desequilíbrio esportivo. Tanto dos grandes quanto dos pequenos. Se o cenário é ruim hoje, poderá ficar muito pior num futuro próximo. E não será por falta de aviso.

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O recado português ao futebol brasileiro

Erich Beting
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Liga Portugal lançou a campanha pedindo menos ódio no futebol
Liga Portugal lançou a campanha pedindo menos ódio no futebol Divulgação

Calma, assíduo leitor, não vou aqui discorrer mais uma vez sobre o sucesso dos treinadores do Além-mar nas terras tupiniquins. Não se afobe, você que chegou agora, porque apesar de ser fã de Abel Ferreira e Jorge Jesus (sim, é possível gostar de ambos!), não é sobre os portugueses que têm conquistado a América nos últimos anos que vou falar.

O ponto aqui é a campanha que a Liga Portugual fará no próximo final de semana chamada de "Mais futebol, menos ódio". Nas redes sociais, a liga permanecerá em silêncio de sexta até segunda-feira. Ou melhor, fará postagens para tentar conscientizar o fã de como o ódio tem se manifestado pelo conteúdo on-line.

A ideia é mostrar que temos extrapolado o campo da paixão e caminhado para o da insanidade.  No afã de vermos nossos times vitoriosos, temos nos tornado criminosos. E esse é um problema que deveria ser abraçado cada vez com mais afinco por quem trabalha no futebol. 

Há alguns anos decidimos abraçar o bordão "não é só futebol" para tentar explicar as coisas boas que o esporte costuma trazer para as pessoas. Exemplos de inclusão, fraternidade, diversidade, emoção, etc. foram usados aos montes para tentar mostrar que a paixão pelo futebol consegue extrapolar o campo de jogo e se transforma num fator de sociabilização das pessoas. 

O problema é que temos levado o futebol ao extremo da seriedade. Fazemos do resultado do jogo a coisa mais importante que pode existir. E a paixão, que deveria nos proporcionar alegria e distração, transforma-se num elemento de segregação, raiva, violência. Está na hora de trocar o bordão. 

Os portugueses preferiram adotar o mais futebol e menos ódio, mas aqui no Brasil é hora de abraçarmos o lema "É SÓ FUTEBOL". Não temos de levar tão a sério a frustração da derrota. Nem agir com o fígado sobre aquilo que está em nosso coração. 

Perder faz parte do jogo. Ser roubado é duro, mas infelizmente é da vida. Errar é de todos. Os acertos do outro também podem existir. Por que, no futebol, não toleramos a imprevisibilidade? Por que levamos tão a sério a derrota? Por que culpamos o outro e queremos aniquilá-lo quando perdemos?

Já xinguei - e ainda xingo - muito. Já discuti e briguei em campo e fora dele. Já fui expulso como torcedor no jogo do filho (e não faz tanto tempo assim). Mas todo dia que acordo penso, e muito, que precisa ser só futebol. 

Vivemos uma bomba-relógio no futebol brasileiro. Os exemplos que comprovam isso não faltam. E continuamos a olhar para o tsunami chegando sem sair do lugar, ou preferindo acreditar que ele não é tão avassalador assim. É hora de mudarmos o fio. Afinal, é só futebol. O recado pelos portugueses está dado. Resta a nós também abraçar essa causa.

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SAF melhora mercado, mas está longe de ser realidade no Brasil

Erich Beting
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Exevcutivos da 777 Partners em visita ao Vasco, no começo deste ano - Foto: Divulgação/Vasco
Exevcutivos da 777 Partners em visita ao Vasco, no começo deste ano - Foto: Divulgação/Vasco []

Na última semana, o mercado brasileiro “celebrou” o primeiro aniversário da Lei da SAF. Aprovada em 6 de agosto de 2021, a legislação incentiva a criação de empresas separadas da área social dos clubes e, assim, facilita a entrada de investidores no futebol. Um ano depois de a lei ter sido aprovada e quase dez meses após sua promulgação (no dia 5 de outubro), o fluxo de investimentos ainda engatinha no Brasil, mas algumas melhorias já são sentidas.

Essa é a opinião de um dos executivos que está atento a essa movimentação no mercado. O blog conversou com Claudio Pracownick, ex-executivo do Flamengo e hoje CEO da agência Win The Game, sócia do fundo de investimentos BTG. Para o executivo, a SAF traz um movimento de melhoria na gestão dos clubes que talvez não viesse se a nova lei não tivesse aparecido e permitido que três grandes clubes anunciassem a entrada de investidores: Cruzeiro, Botafogo e Vasco.

“No final das contas a SAF é um início de um marco regulatório, mas ela não resolve o problema do futebol brasileiro. O que ficou mais claro é que a SAF é meio, não é fim. Quem tinha razão eram os torcedores de balanço. A solução efetivamente é o equilíbrio financeiro. A SAF é um meio que ajuda para que esse equilíbrio seja atingido. É um novo pensamento que parece permear todas as relações com os stakeholders desse mercado. Não são só os dirigentes que estão percebendo a necessidade de mudança e se adaptando a elas. Patrocinadores, entidades, torcedor começa a enxergar finanças dos clubes”, afirmou Pracownick.

Para o executivo, os negócios dos três grandes até agora foram até certo ponto surpreendentes. Afinal, as vendas foram concretizadas rapidamente, até por uma questão de necessidade.

“O torcedor exige a venda do clube para sanar problemas históricos. Nenhum dono ou sócio-proprietário do clube ganhou nada com esses negócios. O valuation (valor da venda) foi zero. Os clubes têm uma dívida enorme em que o comprador se comprometeu a assumir e com a própria gestão quitá-la. Então ainda não existe valuation. A primeira fase foi essa, de venda dos clubes endividados. Estima que foram comprometidos R$ 1,5 bilhão nessa história”, disse o executivo, que condena a forma como os negócios foram feitos.

“Boa parte das transações aconteceu com transparência (das informações) apenas para um grupo menor. Essas operações, se realizadas no âmbito de uma empresa de capital aberto, não teriam ocorrido. A transparência não foi total. Conceitualmente é indesejável, mas esse é o perigo da discussão dos fins justificarem os meios. Alguns números são conhecidos, os passivos são bem conhecidos, mas não se sabe quanto de fato foi investido”.

O executivo ainda acredita que as SAFs não trarão solução mágica para a performance esportiva dos clubes.

“A SAF é solução de longo prazo. Não existe aquele investidor que virá, colocará dinheiro e o clube vai ganhar tudo. O mercado carece de informação boa, relevante, consistente. São projetos de longo prazo. O marco regulatório é muito bom, mas tem lacunas que precisam ser preenchidas. Fair Play Financeiro e Licenciamento são questões que ainda precisam ser organizadas”.

Pracownick acredita que haverá uma nova fase de investimentos nos próximos meses. Em vez de aqueles que estão buscando a oportunidade de comprar um grande ativo muito endividado, a hora é da chegada de investidores que não se preocupam com a performance em campo, mas com o lucrativo mercado de formação e venda de jogadores.

“Vem uma leva, que eu imaginava que viria primeiro, que é a de investidores que virão para comprar clubes menores para explorar a formação de talentos. São transações de valores menores, com menos problemas políticos, menos problemas de passivo. São negócios com o olhar na formação de jogadores. Aí não interessa tamanho de torcida, localização do clube. Interessa se tem a certificação da CBF ou a possibilidade de ter o selo de clube formador rapidamente. Essa é a onda que eu vejo chegando”.

Num terceiro momento, o executivo acredita que haverá a entrada de investidores em clubes que já estejam bem estruturados financeiramente e precisam de injeção de dinheiro para dar o grande salto. Um dos indícios para isso, segundo ele, é a criação da liga de clubes. A Win The Game está ligada à Libra, que reúne atualmente 12 times, sendo cinco deles os de maior torcida do país: Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco.

“A SAF ajuda na liga porque ela é um elemento a mais nessa discussão. Ela traz para a mesa de negociação das ligas investidores que têm clareza de que isso é necessário, além de trazer um elemento cultural diferente. Tem clubes inclusive que não fizeram essa transação (de entrada de sócio na SAF) porque enxergam que vai ter a liga e, assim, vai ter a SAF e ele poderá vender melhor”.

Pracownick acredita que o após a criação da liga do Brasileirão poderemos chegar a um outro momento na vida das SAFs, que é a entrada de clubes para a Bolsa de Valores, movimento que já esteve em outros mercados, como o inglês.

“Com o advento da liga espero uma leva com outros tipos de investidores, que levaria para a quarta leva, que seria a de abertura de capital. Essa onda vai chegar, mas não começou a se formar. Está ali no horizonte de tempo”, afirma.

Enquanto esse futuro não chega, Pracownick diz que o “ouro” no futebol está na produção de conteúdo digital. Tanto que a Win The Game trabalha nisso até com mais afinco do que na busca por clubes para serem comprados ou investidores dispostos a investir.

“A WTG trabalha com a parte financeira, sem dúvida. A curto e médio prazos essa é uma fonte de receita, sim. Mas a médio e longo prazos, o nosso negócio está na transformação digital dos clubes e na geração de novas receitas. O mato está tão alto nisso e tem tanta oportunidade... Os clubes são analfabetos digitais. Tem uma quantidade de propriedades digitais que estão escondidas. Isso vai acontecer, já estamos trabalhando para as SAFs e para os clubes que não virarem. Essa é a grande oportunidade de médio e longo prazo”, afirmou.

Como já havia dito várias vezes por aqui, as SAFs precisam ser muito bem estudadas antes de se tornarem realidade. Isso não é defender o modelo antiquado de gestão do futebol brasileiro, mas preparar o clube para não cair num conto de fadas. Como Pracownick lembrou, não existe solução mágica. O caminho é melhorar a gestão. E, para isso, não adianta só abrir um CNPJ novo. É preciso trazer toda uma nova cultura para o futebol brasileiro.

A SAF pode ajudar nisso, sem dúvida, mas o caminho para uma transformação é longo. E não depende, necessariamente, de o clube virar uma empresa.

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Desafio do esporte é saber ganhar dinheiro com o digital

Erich Beting
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Vasco apresentou, nesta quarta-feira (3), um relatório digital em que mostra como o clube tem trabalhado suas propriedades on-line. O documento traz informações sobre o trabalho realizado pelo departamento de marketing em relação tanto ao crescimento da presença do clube nas redes sociais quanto nas ações de relacionamento com o torcedor que foram feitas nos últimos meses.

Em entrevista à Máquina do Esporte, Vitor Roma, vice-presidente de marketing do clube, afirmou que o desafio agora é encontrar o dinheiro dentro desse meio. “Ninguém fez esse negócio virar bem até agora. Existe muita espuma, muita história e pouco dinheiro", declarou o executivo (leia aqui a reportagem completa).

Roma é preciso ao analisar a situação.  Desde 2011, quando a TV do Santos no YouTube começou a fazer sucesso com Neymar, que os clubes passaram a dedicar tempo e dinheiro na montagem de estruturas para preencher suas plataformas digitais. Naquela época, mostrávamos na Máquina que o desafio era conseguir fazer esse crescimento digital ser convertido em dinheiro.

Uma década depois, o dilema segue o mesmo. O esporte não sabe fazer dinheiro com o digital. Por mais seguidores que existam, por mais engajamento e por mais conteúdo que seja produzido, o esporte segue com a lógica de venda pautada pelo patrocínio. Quando os gestores perceberem que o verdadeiro dinheiro pode estar atrelado à venda de mídia, não de patrocínio, o negócio provavelmente começará a ficar rentável. 


         
     

Hoje, no Brasil, raros são os clubes que possuem um plano de mídia para ser apresentado a agências de publicidade. O caso do Vasco é um exemplo claro de como o departamento digital é hoje vital na estratégia do clube, mas segue sendo tratado como um apoio ao marketing e ao futebol, sem ganhar a independência que lhe daria dinheiro. 

O grande barato do esporte é entender que, antes de ser esporte, uma entidade é uma poderosa empresa de mídia. É assim que os Estados Unidos enxerga e trabalha o conteúdo há mais de 70 anos. O mais impressionante é perceber que o esporte no restante do mundo não consegue seguir esse modelo... 

Foto usada pelo Vasco em 7 de maio para lembrar os 97 anos da 'Resposta Histórica'
Foto usada pelo Vasco em 7 de maio para lembrar os 97 anos da 'Resposta Histórica' Divulgação/Vasco da Gama
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Luva de Pedreiro reforça "guerra das marcas" em ano de Copa do Mundo

Erich Beting
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Iran Ferreira, o Luva de Pedreiro, na sede da Adidas, em São Paulo
Iran Ferreira, o Luva de Pedreiro, na sede da Adidas, em São Paulo Fernando Veras/Divulgação/Adidas

Iran Ferreira, o Luva de Pedreiro,  anunciou nesta segunda-feira (1°) que é o novo contratado da Adidas. Grande nome das redes sociais desde o meio do ano passado, o influenciador é a resposta dada pela marca alemã no duelo com a Nike pela atenção do fã de futebol em ano de Copa do Mundo. 

A contratação do "Luva" foi a resposta dada pela marca das três listras ao perder seus principais influenciadores, os apresentadores do canal Desimpedidos, que no começo do ano encerrou a parceria para assinar com a marca americana.

Por trás do negócio está uma disputa grande entre as duas empresas pelo torcedor em ano de Copa do Mundo. Enquanto a Adidas tem o Mundial e Messi como principais "ativos", a Nike conta com a Seleção Brasileira e Cristiano Ronaldo. Na primeira Copa sem o grande astro da seleção, a marca americana conseguiu tirar o Desimpedidos da rival, ganhando como trunfo ter a maior empresa produtora de conteúdo no ambiente digital "vestindo" a camisa do Brasil no Mundial.

Já a Adidas repete o que fez, com muito sucesso, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Em busca do fã nas redes, ela foi atrás de quem está em alta. Com foco cada vez maior nos vídeos curtos, a empresa decidiu apostar em Iran, que produzirá conteúdo em parceria com a empresa. 

“Esse é um ano muito especial para a marca, repleto de grandes eventos e momentos para todos os apaixonados por futebol e esporte de maneira geral. A chegada do Luva de Pedreiro para o nosso time de embaixadores reforça nossos investimentos no Brasil e nos deixa ainda mais próximos do público jovem que se diverte com a irreverência e autenticidade de seus conteúdos reconhecidos globalmente”, disse João Meyer, diretor sênior de marketing da Adidas Brasil, ao justificar o acordo.

Como parte do negócio, o influenciador participará de eventos como Champions League e Copa do Mundo, além de fazer uma visita à sede da Adidas na Alemanha. O jogo da Copa do Mundo já começou faz tempo para as marcas esportivas. E, nesse tabuleiro, a disputa pelos influenciadores digitais promete ser acirrada.


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Tamanho não é documento em relação às torcidas

Erich Beting
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Torcida do Flamengo no Maracanã
Torcida do Flamengo no Maracanã Chris Brunskill/Getty Images

Saiu mais um ranking com a pesquisa sobre "tamanho de torcida" no Brasil. Naturalmente, o Flamengo lidera a lista, seguido, agora mais distante da margem de erro, pelo CorinthiansSão Paulo e Palmeiras estão tecnicamente empatados pela margem de erro, assim como diversos outros clubes. A divulgação do levantamento Globo/Ipec suscitou de novo o debate sobre a veracidade das pesquisas. 

Mais uma vez, para variar, caminhamos para o lugar errado no debate. Toda nova pesquisa gera velhos debates. E continuamos nos distanciando do que realmente vale se discutir. 

É realmente o tamanho da torcida que importa?

Saber quem é o dono da maior torcida não altera em nada o negócio do futebol. Ou melhor. Alteraria, se os clubes estivessem com departamentos de marketing estruturados para buscar extrair o máximo de consumo possível do seu torcedor/fã. Aí, sim, ter maior torcida significaria, necessariamente, ter maior receita com venda de produtos licenciados, com a oferta de serviços, com contratos de mídia e patrocínio, etc.

O problema é que, por aqui, até mesmos nossos dirigentes se perdem dentro do discurso de que ter maior torcida impacta diretamente no negócio. A pergunta seguinte que qualquer empresa que esteja realmente preocupada em investir num clube faz, ao ouvir que o tamanho de sua torcida é grande, é saber quem são esses torcedores. 

E é aí que o negócio já começa a engasgar. O tamanho da torcida não é o documento que o mercado compra para um patrocínio. Cada vez mais é quem, não quantos, que fazem a diferença no projeto de patrocínio esportivo de uma empresa. Ainda mais quando vamos destrinchar os hábitos dos torcedores dentro dessas pesquisas de tamanho de torcida e percebemos que, mais do que o título chamativo de quem é maior, a confusão sobre quem e como consome levar a relação a uma nova realidade. 


Não é por acaso que surgem oscilações nessas pesquisas. Com o Flamengo ganhando quase tudo desde 2019, ao passo que o Corinthians caiu em performance, o distanciamento entre os dois clubes é natural. Assim como a maior aproximação do Palmeiras ao São Paulo. Não são as vitórias que constroem as torcidas, mas a resposta à pergunta "Para qual time você torce?" oscila conforme o momento do time e o sentimento de orgulho do torcedor.

É legal para o debate do torcedor saber quem é o dono da maior torcida. Mas é completamente infrutífero, para o negócio, saber quem é maior. Tamanho não é documento. Ainda mais na realidade de pouco conhecimento de fato sobre os hábitos de consumo do torcedor como é regra no Brasil.

O tamanho da torcida de um time não fará um torcedor gostar mais ou menos do time dele. Até porque, convenhamos, nunca existirá time maior que aquele para o qual ele torce...

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Fred, Deyverson e o raro tratamento dado a ídolos no Brasil

Erich Beting
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Fred comemora gol pelo Fluminense no Brasileirão
Fred comemora gol pelo Fluminense no Brasileirão Lucas Merçon / FFC

Na última segunda-feira (4), o Fluminense anunciou a criação de um site especial para celebrar os últimos dias de Fred com a camisa 9 do Tricolor carioca. Ainda no embalo dos 4 a 0 sobre o Corinthians no final de semana, a plataforma foi lançada para relembrar momentos do atacante pelo clube e servirá como gatilho para a criação de diversas ações para o torcedor.

Na noite do mesmo dia, o Allianz Parque, em São Paulo, recebeu cerca de 200 torcedores palmeirenses para se encontrarem com o atacante Deyverson, que no último dia 30 de junho deixou de ser oficialmente jogador do Palmeiras. Promovido pelo próprio estádio onde o Alviverde joga, o evento foi uma espécie de despedida não-oficial para o herói da Libertadores de 2021.

Os dois episódios mostram como o Brasil ainda não conseguiu obter a cultura de tratar bem os seus ídolos. Fred e Flu possuem uma relação tão apaixonada que o mínimo que se pode esperar do clube é a concessão de diversas homenagens e, claro, aumento de geração de receitas com essas atividades. Mas ainda assim é pouco o que se pode fazer perto do potencial que existe de relacionamento entre as duas partes. Vale lembrar o frenesi que foi o retorno de Fred às Laranjeiras por meio de uma viagem de bicicleta durante a pandemia. 

Já o Palmeiras conseguiu ter em Deyverson um ídolo improvável, após uma primeira passagem conturbada pelo clube. É curioso notar, porém, que foi o Allianz Parque quem soube render homenagem (e faturar com um dia em que não haveria movimento no estádio) ao "Menino Maluquinho" palmeirense. O clube já havia prestado uma protocolar reverência ao atacante por meio de suas mídias no último dia de trabalho dele na Academia de Futebol. 

O que é curioso notar é que o futebol brasileiro não percebeu o quanto deixa de ganhar de dinheiro ao não adotar o ídolo para si. Combustível que reacende ainda mais a paixão do torcedor pelo clube, o ídolo é subexplorado na grande maioria dos times brasileiros. Não produzimos eventos com os atletas, não buscamos parcerias para lançamento de produtos, deixamos tudo praticamente à mercê do campo. Isso faz com que a gangorra da idolatria oscile conforme o desmpenho do time.

Só quando entendermos que o ídolo precisa ser constantemente trabalhado pelo clube é que teremos mais respeito pelo próprio esporte. Fred e Deyverson mostraram, nesta semana, que existe interesse do torcedor em consumir o ídolo. Só é preciso oferecer produtos para eles.

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Caso Luva de Pedreiro expõe o vale-tudo do mundo dos empresários

Erich Beting
Erich Beting


A polêmica envolvendo o influenciador Iran Ferreira, conhecido como Luva de Pedreiro, é uma exposição clara de como é o 'vale-tudo' que circunda o mundo dos empresários, sejam eles de celebridades da internet, como é o caso do 'Luva', sejam eles jogadores de futebol ainda em formação. Iran e Allan de Jesus, seu antigo empresário, agora lavam a roupa suja publicamente, expondo situações em que ambos podem estar com a razão, ou nenhum deles.

E esse é o principal ponto de debate. Da mesma forma que o caso mostra como a falta de profissionalismo na gestão de carreira pode atrapalhar o futuro de um negócio, ele evidencia que o mercado brasileiro ainda é muito imaturo na gestão de imagem de celebridades, especialmente no esporte. 

As redes sociais catapultaram os influenciadores. Isso fez com que, em diversos segmentos, surgissem empresas especializadas em gerenciar a imagem dessas pessoas. Busca por acordos de patrocínio é geralmente a porta de entrada para criar esse relacionamento. Diversas agências estão hoje por trás de grandes nomes das redes, ajudando a construir a imagem dos influenciadores e a ampliar o faturamento a partir de projetos com as marcas.


         
     

Curiosamente, no mercado esportivo, a existência de agentes de atletas fez com que esse fenômeno dos agentes de influenciadores digitais do esporte não se proliferasse de forma tão rápida. Praticamente não existe uma agência especializada em cuidar dessas pessoas. Recentemente, Casimiro anunciou acordo com uma empresa que atua em diversas áreas, mas não com a imagem de influenciadores. Da mesma forma, outras personalidades têm trabalhado na maioria das vezes por conta própria para gerenciar suas carreiras - e suas postagens.

Isso acontece, também, porque boa parte dos influenciadores está ligada ao segmento da mídia ou ao esporte. Quase todos os ícones que despontaram são atletas ou ex-atletas, jornalistas ou, de alguma forma, sempre produziram conteúdo nas redes sociais desde cedo. Iran Ferreira talvez tenha sido a primeira celebridade vinda completamente de fora desse mercado. E, com isso, viu sua vida profissional se tornar caso de Justiça.

É, a grosso modo, uma situação que acontece com muitos atletas ainda jovens que firmam contratos com empresários que foram ajudá-lo no começo da carreira. Nem sempre quem está ao lado tem o preparo para fazer acontecer. Ou a maturidade de trabalhar com o cliente de forma a separar completamente o vínculo de acreditar quando ninguém estava por perto da relação que precisa ser profissional.

Não existe, ainda, um mercado maduro de gestão de imagem de personalidades no universo do esporte. O caso do Luva de Pedreiro é a síntese dessa situação. Aconteceu com Iran, poderia ter acontecido com qualquer um. O que precisaria, na verdade, é que não houvesse tanto 'vale-tudo' na relação entre agente e agenciado. 

Iran Ferreira, o Luva de Pedreiro, é uma das sensações das redes sociais do momento
Iran Ferreira, o Luva de Pedreiro, é uma das sensações das redes sociais do momento Reprodução/Twitter/@luvadepedreiro

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Quanto vale um patrocínio?

Erich Beting
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O Athletico Paranaense decidiu romper unilateralmente o contrato de patrocínio máster da EstrelaBet depois de descobrir que a marca de apostas pagaria ao clube pela cota praticamente o mesmo valor que o Internacional receberá para ceder a omoplata da camisa do time masculino e o espaço máster do time feminino por uma temporada.

O desfecho infeliz para o negócio levanta o debate: afinal, quanto vale um patrocínio?

O Athletico não pode querer comparar o valor de seu patrocínio máster com o do Inter em outro espaço no time masculino e no máster do feminino. Além disso, não se pode comparar os dois times em tamanho de torcida. Da mesma forma, é impossível querer colocar na mesma prateleira clubes que possuem exposição completamente diferente na mídia.

Após confusão em Coritiba x Palmeiras, delegado responsável pede torcida única no próximo clássico; VEJA!

         
     

E aí é que entra o principal ponto de discussão.

O Furacão paga o preço das escolhas de mídia que fez no começo da temporada, ao decidir peitar o sistema e ficar sem seus jogos em casa transmitidos na TV paga ou no pay-per-view. Com isso, a exposição de mídia do clube, hoje, consegue ser menor do que a do time feminino do Inter, que aparece com mais frequência na mídia tradicional.

Mais do que a performance dentro de campo - em que hoje o Furacão é incomparavelmente melhor que a do Inter -, o que determina o valor de um patrocínio são diversos itens que estão muito além da bola.

Exposição de marca, tamanho e engajamento de torcida e, claro, propriedades envolvidas na negociação são itens muito mais importantes de serem considerados na hora de determinar o valor de um patrocínio.

O Athletico poderia ter passado sem essa, ainda mais depois de ter assinado um contrato. Resta saber se o clube, além de ficar sem mais de R$ 10 milhões no caixa, terá de pagar uma multa pelo rompimento do acordo. 

Athletico Paranaense rompeu o contrato com a EstrelaBet após jogar uma partida com a marca na camisa
Athletico Paranaense rompeu o contrato com a EstrelaBet após jogar uma partida com a marca na camisa Divulgação/Athletico

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Maior segredo do Palmeiras foi adotar o modelo europeu na gestão do elenco de futebol

Erich Beting
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Abel Ferreira comemora a conquista da Recopa pelo Palmeiras
Abel Ferreira comemora a conquista da Recopa pelo Palmeiras EFE/Sebastião Moreira

O Palmeiras deitou e rolou sobre o Botafogo na noite de quinta-feira (9) e voltou a assumir a liderança do Campeonato Brasileiro. Mais uma vez, o time de Abel Ferreira foi ofensivo e consolidou a “nova fase” do time, bastante criticado em 2021 por ter um pequeno repertório de jogadas a se apresentar e por marcar poucos gols.

Mas o que mudou no Palmeiras de 2022 em relação ao de 2021?

O “plano perfeito” de Abel, campeão da Conmebol Libertadores passando por São Paulo, Atlético-MG e Flamengo, deu ao treinador a moral que precisava para implementar, dentro do Palmeiras, o modelo europeu de gestão de um elenco de futebol.

No começo da temporada, muitos torcedores e alguns jornalistas criticaram a “lentidão” do Palmeiras em se reforçar. Na prática, o que o clube fez foi ir ao mercado para repor peças. Saíram jogadores mais experientes e que dificilmente teriam a chance de ser titular em 2022 para entrarem atletas até os 25 anos de idade e com potencial para jogar sem o time perder tanta performance.

Hoje, o Palmeiras trabalha praticamente com dois times de 11 jogadores e com mais, no máximo, oito jogadores reservas, quase todos eles atletas das categorias de base. Abel roda seu elenco, mas com apenas dois grupos de atletas muito bem definidos. Se eventualmente um deles se machuca, como é o caso atualmente do volante Jaílson, o treinador recorre a jogadores das categorias de base para completar seu time.

Ao adotar essa estratégia, o Palmeiras acaba ganhando duas vantagens em relação aos demais rivais brasileiros

A primeira delas é a do aumento de competitividade entre os jogadores. Não existe chance de o atleta ficar “encostado”, o que faz com que ele sempre tenha de estar pronto para jogar. Isso o deixa motivado, ao mesmo tempo em que amplia a chance de melhorar a performance em campo.

O segundo fator que faz a diferença é financeiro. Sem inchar o elenco, o gasto com folha salarial é reduzido. Abel deu a pista sobre esse tipo de pensamento naquela entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura, em que criticou a postura de clubes brasileiros em vender jovens talentos e contratar, no lugar, veteranos em fim de carreira. Essa era a regra do Palmeiras até 2020, quando o treinador desembarcou no Allianz Parque.

É curioso notar, também, um outro benefício da estratégia palmeirense. Com a manutenção de jogadores por mais tempo dentro de um elenco “enxuto” para os padrões brasileiros, os atletas têm mais chance - e tempo - de mostrar resultado. As temporadas que fazem até agora Gustavo Scarpa, Marcos Rocha e Zé Rafael são exemplos que comprovam essa máxima. Cada atleta tem um tempo diferente de maturação. Se o clube respeitar isso, terá sempre a chance de “recuperar” jogadores. O ganho é esportivo e, no médio prazo, até financeiro, dependendo de como ele for negociado. 

 O sucesso do Palmeiras dentro de campo precisa ser visto não apenas como mérito de um excepcional treinador. Mas como resultado de toda uma mudança de mentalidade dentro do clube. E talvez esse tenha sido o maior mérito até agora de Leila Pereira na presidência alviverde. O modelo europeu de gestão do time de futebol palmeirense não foi alterado com a mudança do comando do clube.  

         

    

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Maior segredo do Palmeiras foi adotar o modelo europeu na gestão do elenco de futebol

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Dorival no Flamengo e o modo de looping eterno do futebol brasileiro

Erich Beting
Erich Beting
Dorival Junior ficou 2 meses à frente do Flamengo durante o Campeonato Brasileiro de 2018
Dorival Junior ficou 2 meses à frente do Flamengo durante o Campeonato Brasileiro de 2018 Gilvan de Souza/Flamengo

Ao que tudo indica, nas próximas horas Dorival Junior deverá ser efetivado como treinador do Flamengo. A contratação do treinador, que vinha fazendo um bom trabalho no Ceará, é uma tentativa desesperada do Rubro Negro de reencontrar o rumo, perdido antes mesmo da chegada conturbada de Paulo Sousa ao comando do time, em janeiro deste ano.

Há dois anos e meio, pouco depois de conquistar a América e tentar ganhar o mundo contra o Liverpool, o Flamengo parecia viver em 'Oto Patamar', como eternizou Bruno Henrique. Um time recheado de estrelas que encantava dentro de campo, estraçalhava recordes e conquistava o Brasileirão e a Copa Libertadores em dois dias. Fora de campo o Mengão parecia ser o exemplo a ser seguido.

O sucesso de Jorge Jesus e cia. ajudou a abrir os olhos de diversos outros clubes para a necessidade de refrescarmos os ares das direções técnicas. A sequência do Palmeiras de Abel Ferreira fez aumentar a legião estrangeira nos bancos de reservas Brasil adentro. Após a saída indesejada de Jesus, o Flamengo tentou um estrangeiro e fracassou. Buscou Rogério Ceni e foi novamente campeão brasileiro. Depois, naufragou com Renato Gaúcho. E decidiu voltar a uma aposta do exterior.

O fiasco com Paulo Sousa, que foi mais um treinador a não domar o vestiário rubro-negro, faz o clube voltar para a aposta nacional. Vai dar certo? É uma incógnita, assim como foi com Jorge Jesus lá em 2019, que acabou abençoado pela pausa da Copa América. 

O problema é que o Oto Patamar do Flamengo virou pó. O clube é mais do mesmo. Aposta, como todos os demais dirigentes, em trabalhos que tragam resultados imediatos. Sem adotar, dentro do clube, um processo. O Palmeiras, até achar Abel Ferreira, vivia na mesma toada. Entrava e saía temporada um treinador novo era contratado e, pouco tempo depois, rifado.

O Flamengo agora aposta em Dorival Junior. O mesmo Dorival que foi chamado para encerrar o trabalho no clube em 2018, depois de mais uma troca de treinador por conta de um desempenho abaixo do esperado em campo. O mesmo Dorival que fez um acordo de R$ 13 milhões com o Flamengo em novembro de 2019 pelo fim de débitos existentes desde 2012...

O futebol brasileiro vive num looping eterno. 

Dorival Junior embarca em aeroporto de Belo Horizonte para ir assinar com o Flamengo; VEJA
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Brasil retrocede mais 30 anos com divisão da liga em dois grupos

Erich Beting
Erich Beting
Dirigentes de 25 clubes se reuniram na CBF e sacramentaram o racha entre os clubes brasileiros
Dirigentes de 25 clubes se reuniram na CBF e sacramentaram o racha entre os clubes brasileiros CBF

Quem acompanha o blog sabe que, há alguns meses, já havíamos apontado por aqui que a tendência que existia nos bastidores da bola era da divisão em dois blocos de clubes para negociar os direitos comerciais do Campeonato Brasileiro das Séries A e B

O racha, que até então era iminente, mas não claro, virou realidade na tarde de quarta-feira (8), quando cerca de um ano após os clubes anunciarem o "rompimento" com a CBF e a "criação imediata de uma liga", 25 dessas agremiações estiveram representadas por seus presidentes, na sede da mesma CBF, anunciando a criação de um grupo para ser "opositor" da Libra, que tem outros 13 clubes reunidos e pretendia ser a Liga do Futebol Brasileiro.

O racha entre os clubes é a síntese do despreparo do dirigente esportivo brasileiro. Ao acharem que, num grupo de 25 e outro de, no máximo, 15, os clubes estarão mais fortes para negociar seus direitos, nossas cartolas furadas atuam para derrubar de vez qualquer tentativa de evolução do futebol como negócio no país. Pior ainda. Depois da implosão do Clube dos 13, lá em 2010-2011, da criação da "Lei do Mandante" em 2020-2021, esse foi o terceiro passo para regredirmos cerca de 30 anos na questão da venda de propriedades comerciais de uma competição.

O modelo que o Brasil tenta implementar agora, com venda de direitos dividida em dois grupos distintos, é aquele que naufragou o futebol da Espanha e da Itália nos anos 90 e primeira década de 2000. A mídia sempre pagou menos pela transmissão dos jogos, ao passo que a disparidade de arrecadação entre os clubes só se acentuou ao longo dos anos. Nos dois países, foi preciso que o governo interviesse e exigisse a negociação em conjunto com todos os clubes dos direitos para que as coisas começassem a se reorganizar. 

Por aqui, a legislação atual impede a interferência estatal na criação de uma liga. Será que precisaremos nos enterrar ainda mais no poço para mudar a mentalidade dos clubes? Do jeito que o cenário caminha para a liga partida em dois, o buraco é ainda mais baixo.

Nesse cenário, quem se diverte é a CBF. Corremos o risco de, em 2024, sem os clubes se organizarem, a entidade chamar para si a responsabilidade de organizar e vender o Campeonato Brasileiro. Dado o sucesso da Copa do Brasil do outro lado, essa parece ser, por incrível que pareça, a melhor alternativa para o futebol no Brasil. Ou a menos pior... 


         

    

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Copa do Brasil conseguiu se tornar o principal produto do futebol brasileiro

Erich Beting
Erich Beting

As redes sociais estão pulsando neste momento. Os principais portais têm em suas páginas de abertura notícias sobre o tema. Todos estamos, de alguma forma, repercutindo quais são os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil, que só começam em duas semanas. Um evento numa tarde vazia de terça-feira foi o suficiente para colocar todos em discussão sobre quem vai entrentar quem, quais os duelos mais esperados, etc.

O fato é que a Copa do Brasil, que tinha tudo para ser o evento secundário do calendário do futebol brasileiro, se transformou hoje no principal produto do país. Com remuneração atrelada unicamente à performance do time na competição, o torneio ganhou ares de "Eldorado" para clubes e torcedores, ganhando assim maior atenção da mídia e, naturalmente, dos patrocinadores.

Não é apenas o formato mata-mata, que aumenta a imprevisibilidade, que torna a competição tão atrativa. Nenhum outro campeonato no Brasil tem um trabalho tão organizado de gestão da comunicação e dos patrocínios quanto a Copa do Brasil. Mas por que isso acontece?

Festival de clássicos estaduais e Flamengo x Atlético-MG: veja os confrontos das oitavas de final da Copa do Brasil

         
     

Há vários anos que a CBF delega a uma agência a gestão comercial do torneio. A entidade vende (e muito bem) o contrato de mídia e delega para um terceiro a responsabilidade de fazer dinheiro com o campeonato. Isso obriga a Klefer, que é a agência responsável pela gestão comercial do torneio, a ter de trabalhar para que o negócio valha a pena. 

Na prática, o modelo que funciona na Copa do Brasil é o que destoa quando o assunto é o Brasileirão. Se, na competição eliminatória, todas as vendas são centralizadas, no torneio em pontos corridos a adoção do "cada um por si" na venda das propriedades comerciais é um desespero para quem compra, para quem vende e para quem consome.

No fim das contas, o que existe na Copa do Brasil é um interesse conjunto de vender bem o torneio e fazer com que ele seja o mais emocionante possível, já que isso garante mais atratividade para o público, para a mídia e para as marcas. E, quando o produto fica bem organizado, até mesmo o sorteio de confrontos das oitavas de final vira um evento a ser visto e repercutido pelo torcedor e pela imprensa.

Ainda mais depois de garantir histórias tão fantásticas já nas oitavas de final na edição deste ano, a Copa do Brasil conseguiu assegurar o posto de principal competição do país por pelo menos mais uma temporada.

Não é o modelo de disputa de uma competição que faz dela um grande produto. Logicamente que isso ajuda. Mas o sucesso da Copa do Brasil tem, por trás, a adoção de um modelo comercial parecido com o das ligas americanas e das principais competições europeias. O que prova que basta ter vontade para que o negócio tenha sucesso.

Galo comemora título da Copa do Brasil
Galo comemora título da Copa do Brasil Pedro Souza /Atlético-MG

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Marcas trocam patrocínio por intervenções urbanas

Erich Beting
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Nike montou quadra no Parque do Ibirapuera para celebrar 50 anos
Nike montou quadra no Parque do Ibirapuera para celebrar 50 anos Divulgação/Nike

A notícia não é das melhores para quem busca patrocínio. Mas, nos últimos meses, uma tendência começa a ser vista no mercado. Diversas marcas começaram a adotar uma nova estratégia de patrocínio. Em vez de buscar eventos ou propriedades que tenham grande alcance de mídia, as empresas têm colocado dinheiro em projetos de intervenção urbana, que não têm grande exposição de marca, mas asseguram um relacionamento direto com o consumidor.

Esse modelo começou nos primeiros meses de retorno da pandemia. A plataforma de investimentos Genial, que tem o ex-tenista Gustavo Kuerten entre os acionistas, apostou em quadras de beach tennis para patrocinar. O crescimento da prática do esporte e o sucesso da estratégia fizeram outras marcas irem atrás, patrocinando os "beach clubes" que têm surgido em vários centros urbanos.

Agora, Centauro e Nike, ambas dentro do guarda-chuva do Grupo SBF, passaram a investir em quadras públicas. A Centauro fechou com a Vitacon um projeto para colocar quadras em espaços de grande concentração urbana, como a avenida Paulista, em São Paulo. E a Nike inaugurou, neste final de semana, alguns espaços dentro do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

“Ao longo dos últimos 50 anos, a Nike sempre defendeu os atletas e o esporte, e seguiremos fiéis a esse princípio. Mas esse não é um momento de olhar só para trás: é um momento para buscar inspiração no nosso passado e ressignificar o esporte para uma nova geração. Os novos equipamentos esportivos são resultado de uma parceria que visa incentivar que a prática esportiva se torne um hábito diário na vida das pessoas. O Ibirapuera já é um polo esportivo muito importante para a cidade, e queremos contribuir para que seja ainda mais frequentado pelos amantes de esporte”, disse Gustavo Viana, diretor de marketing da Nike, para a Máquina do Esporte.

A visão é clara. A marca precisa que as pessoas pratiquem esportes para vender mais. Assim, em vez de apoiar os grandes, é mais barato, e eficiente, investir na base, no dia a dia da prática esportiva. 

Para quem vende patrocínio, essa é uma notícia preocupante. Mas, ao mesmo tempo, abre um leque muito maior de opções para quem busca um investidor. O jogo está mudando bastante. É necessário observar o que as marcas estão fazendo para saber como adequar seu produto a isso. Uma coisa é certa. Para vender, é preciso criar conexão com as pessoas. Do contrário, as marcas buscarão, cada vez mais, caminhar por pernas próprias.

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Caos da final da Champions mostra como ingleses lideram gestão de torcedores no mundo

Erich Beting
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Policial usa gás de pimenta antes da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid
Policial usa gás de pimenta antes da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid Getty Images

O caos envolvendo polícia francesa, torcedores do Liverpool e a final da UEFA Champions League mostrou como os ingleses, hoje, estão à frente de todo o mundo no que diz respeito ao gerenciamento de multidões durante grandes eventos esportivos.

A bagunça no entorno da entrada dos ingleses no estádio Saint-Denis é o grande assunto da mídia francesa nesta segunda-feira (30). Uma das indagações feitas pelos jornalistas é se Paris está pronto para abrigar os Jogos Olímpicos daqui a dois anos se a polícia mostrou enorme despreparo num teste relativamente mais simples que foi a final da Champions.

Os franceses estão indignados com as cenas de violência policial, com as imagens de torcedores pulando o alambrado do estádio para entrar a tempo de ver o jogo e com os relatos de que houve diversos casos de furtos no meio da confusão na entrada para o estádio.

Nesse contexto, é fundamental ler o que Joao Castelo-Branco, correspondente da ESPN em Londres, ponderou em sua conta no Twitter. Existe toda uma cultura de torcer na Inglaterra que precisa ser observada e analisada antes de sair apontando os dedos para quaisquer lados. E, ao que tudo indica, essa inabilidade dos franceses em planejarem que o comportamento do torcedor inglês seria diferente daquele que eles estão acostumados foi o estopim para o caos.

A Inglaterra tem, há décadas, uma polícia especializada em cuidar de multidões em eventos esportivos. Os policiais já sabem como o torcedor se comporta, de que forma é possível conter as barbáries dos hooligans e como fazer com que a experiência de ir a um jogo de futebol seja a mais agradável possível em meio a tantas diversidades.

A UEFA poderia ter intermediado um diálogo entre policiais franceses e ingleses antes da partida para prever melhor como seria o comportamento do torcedor no jogo. Afinal, foi só de um lado da torcida que houve problema. E, definitivamente, a polícia britânica deveria exportar pelo mundo seu conhecimento em gestão de torcedores nos estádios. É inegável que a Inglaterra está à frente de qualquer outra nesse quesito.

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A precaução da Uefa jogou contra ela na final da Champions

Erich Beting
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A final mais aguardada do futebol atrasada em quase 1h por diversos problemas de segurança na entrada de torcedores no estádio. Como seria nossa reação se isso acontecesse na América do Sul?

Muito possivelmente não teríamos vivenciado o problema que a Uefa teve com a final da Champions League entre Real Madrid e Liverpool se fosse uma partida em torneios sul-americanos. E o motivo é um só.

Quando vimos, alguma vez, um jogo sul-americano começar atrasado porque o torcedor não conseguiu entrar no estádio?

A Uefa retardou o começo de seu jogo mais importante na temporada para tentar preservar a relação com o torcedor que comprou ingresso mas, por diferentes motivos, não conseguiu chegar no horário marcado para a partida.

         
     

É prematuro dizer se a Uefa acertou ou errou ao tomar tal atitude. Mas é interessante ver como a entidade mostrou que seu torcedor que pagou ingresso para ver a final está à frente até mesmo dos contratos publicitários e de TV que pagam a maior parte dessa conta. Além disso, a entidade não se preocupou com um eventual prejuízo de imagem pelo atraso do início da partida.

No fim das contas, os acontecimentos em Paris não podem ficar por isso mesmo. A Uefa precisa entender que é inadmissível um atraso tão grande sem qualquer motivação do imponderável. A precaução da Uefa em atender o torcedor com ingresso jogou contra ela na final da Champions. Resta saber qual resposta ela dará para tamanho vexame.

Policial usa gás de pimenta antes da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid
Policial usa gás de pimenta antes da final da Champions League entre Liverpool e Real Madrid Getty Images
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Lista dos mais ricos do mundo mostra força de futebol e basquete

Erich Beting
Erich Beting
PSG foi campeão francês em 2021-22 com seu trio badalado formado por Messi, Neymar e Mbappé
PSG foi campeão francês em 2021-22 com seu trio badalado formado por Messi, Neymar e Mbappé FRANCK FIFE/AFP via Getty Images


Na última semana, a revista Forbes divulgou a lista dos atletas mais bem pagos de 2021. Após alguns anos e graças a um polpudo contrato com o PSG, o argentino Lionel Messi voltou a ser o atleta que mais ganhou dinheiro com salários e patrocínios na temporada. O ranking é completado por Cristiano Ronaldo, Neymar, LeBron James e Stephen Curry nas cinco primeiras posições. 

O resultado evidencia dois fatores: o primeiro é o reflexo da pandemia nos ganhos de atletas de esportes individuais. Tenistas, boxeadores e lutadores de MMA caíram na lista, já que seus eventos foram cancelados e eles não possuem um salário fixo como os atletas dentro de clubes.

O segundo fator importante a ser ressaltado é o quanto a popularidade de basquete e futebol vai interferir no resultado da lista da Forbes. 

Os dois esportes, não por acaso os dois mais populares do planeta, devem dominar por vários anos o topo da lista da Forbes. 

Com salários cada vez mais turbinados pelos novos contratos de mídia assinados pelos clubes, os atletas de futebol e basquete sobrarão nas listas. Da mesma forma, a presença maciça nas redes sociais ajuda a levar mais dinheiro para esses astros com ações publicitárias.

Nunca o futebol e o basquete ganharam tanto dinheiro. Nunca seus atletas ganharam tanto como agora. A lógica da grana no esporte segue a da popularidade das modalidades e dos atletas. A pandemia só veio acentuar essas diferenças. 

No ano que vem, com mais dinheiro entrando nos clubes e novos contratos sendo firmados, a lista deve ter novas mudanças. Mbappé e Haaland deverão subir ao Top 10. Resta saber se o basquete conseguirá acompanhar o ritmo.

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Debate sobre contratações de PSG e City deveria ir além do Fair Play Financeiro

Erich Beting
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Halaand escolheu o Manchester City entre várias opções para seguir a carreira, enquanto Mbappé preferiu continuar no Paris Saint-Germain e adiar o sonho de infância de defender o Real Madrid. Decisões que foram motivadas, logicamente, por dinheiro e por projeto esportivo, e que reacenderam o debate sobre o Fair Play Financeiro.

Inconformados com o descalabro da proposta feita pelo PSG para manter sua jovem estrela, o Real Madrid e a LaLiga ameaçam recorrer à Uefa para investigar o time comandado pelo governo do Qatar.

O problema é que, ao que tudo indica, o PSG usou a tática de Tom Brady e as franquias por onde jogou na NFL. Para burlar o teto salarial imposto pela liga de futebol americano, o grande astro da modalidade costuma ter um salário fixo baixo e um bônus atrelado à performance altíssimo. Assim, seus times conseguem contratar outros jogadores e permanecer quase sempre no topo.

Mbappé no PSG e Haaland no City
Mbappé no PSG e Haaland no City ESPN

Aparentemente, foi isso que o PSG fez com Mbappé. Um salário alto, mas dentro da realidade financeira do clube e sem ferir a proposta de Fair Play imposta pela Uefa. Mas o francês recebeu uma bonificação altíssima para apenas colocar sua assinatura no contrato por mais três temporadas.

Pode-se condenar a conduta moral dessa prática, mas aparentemente ela não tem nada de ilegal. E ela servirá para reacender todo o debate sobre os novos ricos da bola e sua capacidade quase ilimitada de pagar muito aos jogadores.

Na última lista divulgada pela Forbes dos atletas mais bem pagos do mundo, o futebol passou a dominar o top 5. Em 2023, possivelmente Mbappé se tornará o atleta que mais fatura no esporte mundial. De longe, porém, o francês não está entre os que mais geram retorno publicitário. Mas por trás do “fico” dele em Paris está um enorme projeto do governo do Qatar para o mercado europeu.

Da mesma forma, o Manchester City e seus donos de Abu Dhabi estão fissurados no projeto de serem campeão da Europa pela primeira vez. A contratação de Haaland é quase que um xeque-mate para que o objetivo seja alcançado. 

Muito mais do que questionar o Fair Play Financeiro, o futebol deveria se colocar uma outra pergunta. Até quando ele aceitará, sem qualquer restrição, ser um brinquedo de bilionários que querem usar o esporte como plataforma para alcançar outros propósitos?

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Moisés e as 'razões para acreditar' num futebol diferente

Erich Beting
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Moisés, atacante do Fortaleza, em ação contra o Fluminense
Moisés, atacante do Fortaleza, em ação contra o Fluminense Divulgação/Fortaleza

Seu time é o último colocado do campeonato, não conquistou nenhuma vitória em sete rodadas e vê a cada nova partida aumentar o risco de ter uma temporada aterrorizante. Mesmo assim, Moisés, atacante do Fortaleza, preferiu parar o lance em que disputava contra Nino, zagueiro do Fluminense, que sofreu um estiramento muscular quando saiu para disputar corrida contra o adversário.

O que Moisés fez é digno de ganhar o Prêmio Fair Play do ano no futebol mundial. O ato do jogador foi de completo respeito. Não só pelo adversário, mas pelo jogo em si.

Talvez um dos maiores problemas que o Brasil enfrenta no combate à violência no futebol é o desrespeito que existe pelo jogo. Queremos vencer a qualquer custo, sem respeitar oponentes, arbitragem ou quem quer que seja.

Em vez de nos preocuparmos em preservar o espírito do jogo, ficamos obcecados pelo resultado. Dessa forma, moemos técnicos, jogadores, comentaristas e árbitros a cada nova rodada em que as coisas não acontecem conforme o desejado.

Moisés foi o sopro de esperança no meio dessa selvageria que vivemos no futebol, em especial no Brasil. O atacante do Fortaleza entendeu que não valia a vitória a qualquer preço. Soube ter respeito pelo princípio do jogo, que é colocar 11 atletas de cada lado e aquele que tiver maior qualidade sairá vencedor.

A mudança na qualidade do futebol apresentado por aqui passa, necessariamente, por uma mudança de mentalidade em quem trabalha e consome o esporte. Moisés nos dá razão para acreditar que a transformação é possível.

Há cinco anos, Rodrigo Caio foi execrado do São Paulo ao corrigir um erro do juiz Luiz Flávio de Oliveira, que havia dado cartão amarelo para o atacante Jô, do Corinthians, acreditando que ele houvesse pisado no pé do goleiro rival Renan Ribeiro. Rodrigo explicou que ele havia pisado sem querer no pé do companheiro de time. O cartão foi retirado, Jô seguiu jogando e não foi afastado da segunda partida da semifinal do Paulistão entre os dois times, já que aquele seria seu terceiro cartão amarelo. O acontecimento acabou rotulando Rodrigo Caio, que saiu pela porta dos fundos para o Flamengo, onde foi bicampeão brasileiro e da Libertadores.

Cinco anos depois, é a vez de Moisés tentar dar o exemplo para todo o futebol brasileiro de como se comportar. Será que agora estamos maduros para entender que, no fundo, o resultado de um jogo é o que menos importa?

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Vítor Pereira, Liverpool, Corinthians e o choque de realidade no futebol brasileiro

Erich Beting
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“Eu também queria treinar o Liverpool, mas não posso. Se você perguntar para mim, eu ia correndo treinar o Liverpool. Com todo respeito ao Corinthians, mas o Liverpool é o Liverpool”.

A frase usada por Vítor Pereira, técnico do Corinthians, para justificar a ausência do atacante Roger Guedes do jogo contra o São Paulo caiu como uma bomba no meio futebolístico brasileiro. O modo sincerão ativado pelo treinador português foi visto por uma parte da mídia e por grande parte dos torcedores alvinegros como uma ofensa ao clube.

Vítor Pereira, Paulo Sousa, Luís Castro e Abel Ferreira têm protagonizado, sistematicamente, respostas desse tipo em entrevistas coletivas pós-jogo ou em entrevistas pontuais. É um choque de sinceridade a um futebol acostumado a jogos de cena, de entrevistadores e entrevistados, há várias décadas.

Vítor Pereira foi sincerão ao dizer que trocaria o Corinthians pelo Liverpool
Vítor Pereira foi sincerão ao dizer que trocaria o Corinthians pelo Liverpool Seskim Photo/MB Media/Getty Images

A invasão de treinadores estrangeiros ajuda a mudar um pouco a maneira como encaramos o futebol no Brasil. A revolta a uma opinião sincera de Vítor Pereira mostra que não estamos preparados para o óbvio: o futebol no Brasil está num nível inferior à Europa. E não há nada de errado em aceitar isso.

Isso não significa ter uma visão tacanha de inferioridade, mas a humildade em reconhecer que é preciso trabalhar – e muito – para que consigamos igualar os níveis de futebol aplicados na Europa.

Começamos a fazer essa mudança a partir da aceitação dos treinadores estrangeiros. Eles estão mais bem preparados e atualizados do que os nossos.

Temos, agora, de ter ouvidos para escutar. Para quem trabalha no futebol, o Corinthians não é maior do que o Liverpool. E obrigatoriamente quem quiser ter sucesso na carreira pode almejar, sem ofender ninguém, trabalhar num dos maiores clubes do mundo atualmente.

Vítor Pereira nega ter problemas com Róger Guedes e explica ausência do atacante: 'Dificuldade nos treinos'

O primeiro passo para mudar a realidade do futebol brasileiro é aceitar o patamar em que ele se encontra. A presença de treinadores do exterior no país se dá por eles perceberem que há uma oportunidade de treinar equipes de ponta, conhecer mais de perto a realidade do maior exportador de pé-de-obra do mundo e, claro, ganhar bastante dinheiro. Mas ficar no dia a dia do futebol brasileiro requer muita renúncia e muito esforço. Tanto que Jorge Jesus não quis ficar, assim como Jorge Sampaoli saiu na primeira oportunidade mais concreta de ir para a Europa.

O Brasil é uma escola para os treinadores de fora, e temos de aproveitar para aprender bastante com esses professores como mudar a nossa realidade. Não é errado querer treinar os maiores da Europa. Qualquer jogador brasileiro deseja jogar lá fora, por que um treinador não iria querer o mesmo? Para terminar, vale a reflexão. Se Vítor Pereira fosse treinador do basquete do Corinthians, ele estaria errado em dizer que desejaria treinar o Los Angeles Lakers?

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Flamengo mostra como a política pode ruir qualquer projeto de um clube

Erich Beting
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O Flamengo garantiu na terça-feira (17), com relativa tranquilidade, uma vaga nas oitavas de final da Conmebol Libertadores. Dois dias depois, o clima dentro da Gávea é caótico. Uma queda de braço entre o goleiro Diego Alves e o treinador Paulo Sousa tirou qualquer harmonia dentro do Rubro-Negro, e hoje o foco está em tudo que é lugar, menos no que realmente importa, que é o campo.

Essa bagunça toda acontece meses depois de o Flamengo se tornar o primeiro clube do Brasil a faturar R$ 1 bilhão numa temporada. Como pode uma entidade que consegue gerar tanto dinheiro assim estar, internamente, uma bagunça?

O Flamengo escancara um problema que mina qualquer projeto de longo prazo dentro do futebol brasileiro. As interferências políticas, quase sempre, levam a gestão para um caminho de descontrole em questão de tempo, e sem desempenho esportivo, entramos num espiral de mudanças constantes que fazem com que o campo e, consequentemente, o torcedor, sofram bastante.

Hoje existem dois erros conceituais dentro do Flamengo.


         
     

O primeiro, crônico, o de que só porque o time tem dinheiro ele sempre vai ter de ser campeão do que for disputar. Esse é um trabalho de comunicação que precisa ser feito na Gávea para limpar essa pressão de jogadores, dirigentes e torcedores. O clube tem sempre de competir entre os melhores. Ganhar é consequência de um ambiente relativamente tranquilo e de estar em melhor momento na hora decisiva. Tudo isso, porém, demanda planejamento.

O segundo envolve a direção do clube, que se pauta pela política, em vez do negócio. Uma mostra disso veio recentemente, quando os sócios-torcedores de fora do Rio de Janeiro foram praticamente impedidos de interferir na vida política do clube.

Enquanto se pautar pela manutenção de status e indicação política para cargos-chaves do clube, o Flamengo ficará extremamente dependente da política para prosperar. Ou do resultado esportivo para aliviar a pressão do caldeirão político. Um dos maiores segredos de clubes associativos na Europa foi de isolar a política de dirigentes eleitos da gestão de dia a dia. Recentemente, Palmeiras e Grêmio conseguiram atingir esse status. Prova de que não é isso que, necessariamente, trará desempenho esportivo. Mas que ajuda, sem dúvida ajuda...

Paulo Sousa ao lado de Marcos Braz, Rodolfo Landim e Bruno Spindel
Paulo Sousa ao lado de Marcos Braz, Rodolfo Landim e Bruno Spindel Twitter Oficial do Flamengo

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