O caso Bruninho e Jaílson e a falta de cultura esportiva no Brasil

Erich Beting
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Jaílson durante jogo entre Palmeiras e Bahia, pelo Brasileirão
Jaílson durante jogo entre Palmeiras e Bahia, pelo Brasileirão Cesar Greco/Ag Palmeiras

Aos 9 anos de idade, Bruno, jogador das categorias de base do Santos, mas antes de tudo um torcedor santista, gravou um vídeo e postou em sua rede social para pedir desculpas a torcedores do Peixe. O motivo não foi um gol perdido ou algo que ele tenha feito como atleta do time sub-10 do Alvinegro.

O torcedor Bruno pediu e ganhou a camisa de Jaílson, goleiro reserva do Palmeiras, depois do clássico entre os dois times, no último domingo. Ao fazer isso, foi hostilizado por torcedores que estavam na Vila Belmiro e não se conformaram em ver uma criança pedindo a camisa do time rival a um jogador profissional.

A situação foi deplorável. Além de revelar algumas das enormes falhas que temos enquanto sociedade, ela escancara um problema genuinamente brasileiro. Não temos qualquer formação cultural esportiva.

Eu lembrei exatamente de uma situação que vivi quando tinha 9 anos de idade. O Corinthians havia sido campeão paulista de 1988. Na terça-feira, o poster com a ficha técnica de todos os jogadores do Timão chegava às bancas em São Paulo. Fui até lá comprar o pôster. Não para pendurar no meu quarto verde e branco. Mas para poder recortar as fichas e arquivar, fanático que eu era em conhecer os jogadores, saber peso e altura, quantos jogos e gols ele havia marcado, etc.

O jornaleiro, corintiano fanático, me entregou a revista com um sorriso e um brilho nos olhos e disse. "Aê, corintiano, toma aí". Ele ficou com cara de interrogação quando eu respondi. "Que corintiano nada! Eu sou palmeirense!". Ainda mais para um Palmeiras amargando uma fila de títulos que já tinha 12 anos, a minha atitude era completamente estranha.

Cheguei em casa, contei a história dando risada e meu pai não questionou a compra. Pelo contrário, entendeu que eu queria saber mais sobre futebol. E passou, mais uma vez, a me contar histórias do Santos de Pelé, do Flamengo campeão do mundo com Zico e, claro, do Palmeiras de Dudu e Ademir da Guia. Também comentamos sobre aquele cara que parecia ser um craque do Guarani, mas era meio gordinho, um tal de Neto.

Desde cedo fui incentivado, em casa, a gostar de consumir esporte. A conhecer atletas, a respeitar os grandes jogadores, a saber que o time de coração é muito importante, mas ver um grande time de futebol jogar, independentemente da cor da camisa, é de um prazer indescritível.

Naquela época essa era uma atitude relativamente normal. Lembro de conversar sobre futebol com os amigos, mas sem deixar de ter a zoação pelas derrotas. Dos anos 90 para cá, porém, começamos a criar uma cultura que incentiva a rivalidade. Tanto nas casas quanto, principalmente, na mídia. Incentivamos as pessoas a torcerem pelos times, não pelo esporte.

Existe uma parcela de gente que condena quem goste de assistir ao futebol europeu. Ou que tenha um time do coração que é da Europa. O que dirá, então, daquele que apenas curte futebol, independentemente da camisa que veste?

Pedir uma camisa de um time a um jogador profissional do time rival não significa "virar a casaca". Pelo contrário, mostra um respeito enorme pelo rival e, acima de tudo, uma paixão pelo futebol. O caso Bruninho e Jaílson evidencia essa característica pavorosa do brasileiro.

Não somos ensinados a ganhar cultura esportiva. Somos incentivados a torcer por um time e odiar tudo o que é feito pelos outros. Isso é o primeiro passo para a barbárie tomar conta de nossos estádios e nossas redes sociais quando temos de falar sobre esporte.

Futebol é uma arte. E precisamos aprender, desde pequenos, a conhecer e respeitar qualquer artista da bola. 

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Criptomoeda pode ser pesadelo em vez de solução para o esporte

Erich Beting
Erich Beting

Nesta semana, o Crystal Palace, da Inglaterra, decidiu acionar na Justiça a Iqoniq, patrocinadora do clube, mas que não pagou € 820 mil pela exposição da marca na camisa do time que tem participação acionária de John Textor, o novo dono do Botafogo.

A Iqoniq é o pesadelo da vez no esporte da Europa. Na mesma semana, além do time de Textor, LaLiga, a Roma, o Olympique de Marselha, a Euroliga de basquete e a equipe McLaren de Fórmula 1, entre outras entidades esportivas, ficaram boquiabertos com o anúncio de que a Iqoniq entrou em falência.

O caso ilustra bem o quanto a febre das empresas de criptomoedas no patrocínio esportivo poderá fazer com que o que era para ser solução se transforme em pesadelo.

Do charuto às conversas nos bastidores: Jorginho abre o jogo sobre como era trabalhar com Eurico Miranda no Vasco

         
     


O mercado de cripto ainda é muito nebuloso. Sem regulamentação, ele vive de uma oscilação maior que a da bolsa de valores. Assim, empresas que podem ser grandiosas num dia se transformam em enormes devedoras no dia seguinte.

Foi, mais ou menos, o que ocorreu com a Iqoniq. Em 2020, a empresa recebeu um aporte de € 200 milhões de um fundo de investimentos de Luxemburgo. Com a verba, correu para o patrocínio esportivo, fechando diversos contratos e apostando na exposição da marca e ações nas redes sociais como ferramenta para crescer seu negócio.

Nem dois anos depois, o que era o sonho de ser uma das maiores empresas de criptomoeda do mundo naufragou. E, agora, o esporte tenta receber o que ficou para trás. Da mesma forma, torcedores que compraram cripto com a Iqoniq, amparados pela credibilidade que o patrocínio a seu time de coração trazia, viram o investimento se perder no garimpo obscuro das criptomoedas.

É fundamental que o esporte entenda a importância de sua marca numa relação de patrocínio. Ver a promessa de qualquer dinheiro entrar no caixa é ótimo, mas saber que nem tudo o que reluz é ouro é muito mais importante.

A credibilidade que o esporte empresta a uma marca é um bem que não pode ser desprezado durante uma negociação. E as empresas de criptomoedas, que enxergaram no esporte o atalho para ganhar relevância e atrair consumidores, precisam ser muito bem analisadas antes de qualquer patrocínio ser fechado. Do contrário, o que era um sonho vai virar, rapidamente, um tremendo pesadelo...

Jogadores da Roma posam com a marca da Iqoniq nas mangas, em 2020
Jogadores da Roma posam com a marca da Iqoniq nas mangas, em 2020 Divulgação/AS Roma

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Infantino me fez desistir da ideia de Copa do Mundo a cada dois anos

Erich Beting
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Já tinha escrito por aqui o porquê de eu ser a favor de uma Copa do Mundo a cada dois anos. Fiz um longo texto para tentar defender o que muita gente considera indefensável. Minha visão é de que, com a Copa bienal, as seleções voltam a ser relevantes no cenário mundial com mais frequência do que apenas a cada quatro anos.

A FIFA bem que tentou mostrar argumentos técnicos para balizar sua visão. Eu mesmo, ao escrever meu texto, lancei mão de diversas razões financeiras para tentar defender o projeto. A verdade é que a Copa bienal, porém, é um ultraje ao futebol. Não pelo fato de “banalizar” o Mundial, como muitos argumentam, mas porque nesta semana Gianni Infantino, o infame presidente da FIFA, escancarou que o projeto não trará benefício algum para o futebol.

Ao dizer que a Copa do Mundo a cada dois anos conseguiria fazer com que a imigração de africanos para a Europa diminuísse, Infantino foi absolutamente pedante e, pior ainda, desprovido de qualquer noção de bom senso. A fala do presidente da FIFA entra para os anais de declarações completamente desnecessárias de dirigentes importantes do futebol. 

A Copa do Mundo até pode ter um relativo impacto econômico, mas ela estará longe de significar uma mudança brusca para milhares de pessoas que precisam abandonar sua terra natal para arriscar a vida numa travessia marítima que pode resultar, num cenário um pouco menos desastroso, na deportação para o país de origem.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, na abertura do 67º Congresso em Manama
Gianni Infantino, presidente da Fifa, na abertura do 67º Congresso em Manama Getty

A Copa do Mundo a cada dois anos não muda a vida de ninguém, a não ser no jogo de força econômica do futebol. A FIFA teme perder relevância e, logicamente, receita, com o avanço de campeonatos como a Champions League, a Premier League e a LaLiga. O problema é que, em vez de ir ao centro do debate e criar um projeto que melhore todo o sistema do futebol, tanto para quem é grande quanto para quem é pequeno, a FIFA assume uma pedante posição de salvadora da pátria de todos os problemas do mundo moderno quando, na verdade, o que ela quer é ficar com a maior fatia do bolo.

A Copa a cada dois anos pode ser um tremendo produto que eleve a qualidade do futebol e, principalmente, dê protagonismo para as seleções nacionais de forma constante. Essa deveria ser a real preocupação do presidente da FIFA. Em vez de achar que a entidade é capaz de reduzir a imigração de africanos para a Europa, Gianni Infantino deveria descer do pedestal e se preocupar em criar condições para o futebol ser realmente um agente transformador da sociedade.

A Copa bienal, da forma como é pensada, é um projeto que não pode existir. 

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Sucesso na base do Palmeiras mostra que resultado vem depois de muito tempo

Erich Beting
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Endrick em ação pelo Palmeiras na Copinha
Endrick em ação pelo Palmeiras na Copinha Fabio Menotti/Palmeiras

O Palmeiras disputa, nesta terça-feira (25), pela terceira vez na história, a final da Copa São Paulo de Futebol Junior. Um dos únicos títulos de categoria de base que falta para o clube paulista pode finalmente ser conquistado pelas “Crias da Academia”.

Mesmo que a vitória palmeirense não saia, uma coisa é certa. O resultado que o clube tem neste 2022 na base é fruto de uma decisão interna tomada pela diretoria em 2014, quando muitos dos meninos do atual time começavam a pensar em tentar seguir carreira.

Foi depois que Paulo Nobre assumiu a presidência do Palmeiras que as categorias de base começaram a mudar de rumo no clube. Quando Gabriel Jesus foi o desafogo técnico palmeirense na campanha do título brasileiro em 2016, o Palmeiras celebrava um raro sucesso de um jogador vindo da base no time principal.

Com um trabalho focado em detecção de talentos em todo o Brasil, em uso de tecnologia e investimento em infraestrutura, o Palmeiras revolucionou suas categorias de base nos últimos sete anos. Agora, colhe os frutos desse investimento, com as “Crias da Academia” recheando o time principal bicampeão da América e o estigma de o time não ter “Copinha” no currículo muito próximo de acabar.

Isso sem falar no quanto esse investimento na base pode trazer retorno financeiro a partir da negociação dos jogadores depois de despontarem no profissional.

O Palmeiras mostra que sucesso na base só acontece depois de muito tempo de investimento. E, mais do que isso, de que é preciso criar um mecanismo para transformar a detecção e formação de talentos num processo dentro do clube para poder colher os louros desse investimento no futuro.

Mundialmente está claro que investir na base é meio caminho para o sucesso de um time de futebol. O Palmeiras mostra, porém, que é preciso de muito tempo para que esse trabalho dê resultado. 


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A faca da vergonha

Erich Beting
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Jogadores do Palmeiras comemoram o gol da vitória contra o São Paulo
Jogadores do Palmeiras comemoram o gol da vitória contra o São Paulo Angelo Salvioni/Palmeiras

Incredulidade. Indignação. Revolta. E, no final das contas, vergonha.

Esperei quase três horas para finalmente tentar escrever, com um pouco mais de calma, o texto sobre o que aconteceu no São Paulo 0x1 Palmeiras na semifinal da Copa São Paulo de Juniores. Era necessária a pausa para tentar esperar entender o que de fato tinha acontecido para surgir, no meio de uma já deplorável cena de invasão de campo por torcedores interessados em bater em jogadores adversários que sequer tinham feito algo contra o time rival, uma faca dentro da Arena Barueri.

Na hora, o sentimento foi de incredulidade. Como poderia um torcedor entrar no estádio com uma faca? Depois, veio a indignação. Como pode um torcedor invadir o gramado para intimidar um jogador de menos de 21 anos de idade e, pior ainda, possivelmente portando uma faca? Depois de ver o árbitro Matheus Delgado Candançan simplesmente não encerrar a partida para a qual ainda faltavam dois minutos, permitindo que a torcida que causou toda a barbárie ainda tivesse a chance de ver seu time não ser eliminado, veio a revolta. Não pela possibilidade de o jogo mudar. Mas pela banalização da violência. Ainda mais por se tratar de um campeonato de juniores e de uma situação em que não tinha acontecido qualquer provocação dos jogadores palmeirenses aos são-paulinos.

No fim das contas, o sentimento que fica é o da vergonha. Vergonha por trabalhar com esporte no Brasil. Vergonha por ver como incentivamos, na mídia e nas redes sociais, a violência. Vergonha por ver que a Polícia Militar é absurdamente incompetente para cuidar do torcedor. Vergonha por ver que a Federação Paulista de Futebol é uma piada. Entidade que tenta aparentar moderna, mas que há 30 anos não se preocupa com o básico: transformar os campeonatos que organiza em eventos amigáveis para os torcedores. Vergonha por ter de vir aqui e escrever não sobre o jogo de dois times que mostraram, com atletas ainda juniores, extrema qualidade técnica e tática, numa partida que teve de tudo um pouco.

É uma vergonha o que aconteceu na Arena Barueri no sábado. Mais vergonhoso ainda é saber que os verdadeiros responsáveis por permitir tamanha barbárie seguirão “trabalhando” com futebol. Talvez seja preciso um desastre como o vivido pelos ingleses em 1985 para o futebol brasileiro aprender. Talvez nem isso seja suficiente.

O único caminho para evoluirmos no futebol do Brasil é passar a tratá-lo como um espetáculo que tem como objetivo entreter as pessoas por meio de um evento de extrema qualidade técnica. Enquanto isso não acontecer, seguiremos a dar tanta importância para o resultado, e não para o espetáculo, que vamos seguir achando normal torcedores armados invadirem o gramado nos jogos em que seus times não estejam com o resultado esperado. Os jogadores de Palmeiras e São Paulo deram um show na Arena Barueri. Pena que dirigentes, policiais e torcedores não sabem qual é o seu papel dentro de um jogo.

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A camisa de Jesus mostra o oceano que nos separa da Europa

Erich Beting
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E-mail marketing do City trazia mensagem personalizada para os fãs brasileiros
E-mail marketing do City trazia mensagem personalizada para os fãs brasileiros Reprodução

Tenho o costume de assinar diversos e-mails marketing dos grandes clubes europeus e de times do esporte americano. A ideia, mais do que lotar a minha caixa de entrada, é ver de que forma esses clubes trabalham a comunicação com seus torcedores.

Entre outras comunicações, as que mais achei legal foram o e-mail de aniversário personalizado com Marcelo e os brasileiros do Real Madrid cantando parabéns a você e do Orlando Magic, da NBA, convidando para comprar um pacote de viagem e ir ver um jogo do time sem precisar pagar pelo ingresso.

Nesta sexta-feira (21), recebi um e-mail marketing do Manchester City que mostra como existe um abismo dos clubes daqui em relação aos de lá de fora. A comunicação é sempre em inglês, e o conteúdo é de um boletim semanal com resumo de notícias, impressões pré-jogo, entrevista do Guardiola e tudo mais. Desta vez, porém, o título já dizia: “Win a signed Jesus shirt”.

Decidi abrir para ver como eu ganharia uma camisa autografada por Gabriel Jesus. A surpresa veio no meio do e-mail. A promoção está quase no pé da mensagem. E escrita em português! Claramente, foi uma ação focada exclusivamente para os usuários brasileiros cadastrados na base do City.

É a típica ação que ajuda a fisgar o torcedor. E a fidelizar o consumidor além-mar. A grata surpresa pelo e-mail recebido se transformou, pouco tempo depois, em decepção. Não pelo City, mas pelo que fazemos com o nosso torcedor aqui no Brasil.

Também assino os boletins de alguns clubes brasileiros. Ou melhor. Tento assinar. São poucos os que aceitam um cadastro sem eu ter de pagar por algum serviço. Menos ainda são os clubes que têm o costume de me mandar informações sobre o que acontece no dia a dia dele.

Justiça seja feita, nos últimos três meses o Atlético-MG melhorou bastante a comunicação com sua base de fãs. Não tem nada tão específico como o que foi feito pelo City, o Real Madrid ou o Orlando Magic. Mas é alguma coisa.

É um primeiro passo para começarmos a tratar melhor o nosso torcedor. Como costumo dizer, nenhum torcedor é obrigado a consumir o time. É preciso convencê-lo de que vale a pena investir nessa paixão. Ainda estamos a muito mais do que um oceano de distância dos grandes clubes europeus. E a camisa autografada de Jesus é só mais um indício disso.

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É urgente a regulamentação das apostas no Brasil

Erich Beting
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Divulgação
Divulgação Apostas esportivas ainda não foram regul

Nesta semana, a FA, federação de futebol da Inglaterra, anunciou uma investigação sobre um jogador do Arsenal que recebeu o cartão amarelo durante um jogo da Premier League. O motivo? As casas de apostas do país apontaram que houve um volume acima do usual de apostas para aquele jogador receber um cartão amarelo durante aquela partida.

O caso começou a levantar, mais uma vez, a discussão sobre até onde vai o limite para termos um jogo limpo dentro do complexo jogo das apostas.  

É um costume cultural da Inglaterra apostar em qualquer coisa. Desde qual será o próximo escândalo do primeiro-ministro até quem vai tomar cartão amarelo num jogo. Isso faz com que, por lá, a discussão sobre estabelecer mecanismos de controle do mercado sempre esteja à frente de qualquer outro país no mundo.

Em 2006, a Itália foi alvo de um escândalo envolvendo jogadores e apostas. Desde 1981, quando estourou o primeiro escândalo da loteria local, envolvendo até o herói da Copa de 82 Paolo Rossi, que o país impede que atletas façam apostas. O veto, porém, não era estendido aos familiares dos atletas. Entre os estrelados envolvidos no escândalo estava Gianluigi Buffon, que viu seu irmão ganhar milhares de euros em gols sofridos por ele em jogos que já estavam ganhos pela Juventus. Na mesma época, o mundo do tênis foi abalado por diversos escândalos envolvendo atletas que entregavam jogos e apostadores de máfias de locais como Rússia e Hong Kong.

Desde então, diversas empresas começaram a surgir com uma única função: vigiar as apostas e os atletas. As próprias casas contratam os serviços de inteligência para mapear como estão sendo feitos os jogos, quais os comportamentos dos atletas durante o evento, a origem das apostas, etc. Foi por causa disso que os ingleses, agora, decidiram investigar um cartão amarelo recebido por um jogador do Arsenal durante uma partida da Premier League.

Aqui no Brasil, depois de Michel Temer apagar as luzes de seu governo-tampão com um decreto permitindo as apostas esportivas, o que fez com que pipocassem diversas marcas no patrocínio ao esporte, o governo de Jair Bolsonaro está deitado em berço esplêndido sobre a criação das regras do jogo das apostas no país.

Basicamente o que o Brasil fez foi permitir que as apostas aconteçam, mas não determinamos como atuarão essas empresas no país. Há três anos que essas empresas têm investido no esporte brasileiro. Agora, ao que tudo indica, o governo quer criar a regulamentação do jogo. Isso gerou uma corrida para abrir empresa e tentar abocanhar uma fatia do mercado antes que a farra acabe.

São diversas marcas que estão no Brasil com patrocínios esportivos, em especial relacionados ao futebol. São empresas de origem desconhecida e que aguardam a regulamentação para adaptar seus negócios no país às novas regras.

O problema é que, até isso acontecer, a aposta é feita no Brasil sem qualquer supervisão. Pior ainda, algumas dessas marcas têm entrado no mercado tendo jogadores em atividade como garoto-propaganda. É crônica de tragédia anunciada. Não entramos aqui nem na desconfiança sobre a idoneidade do atleta, mas é impossível não pensar que qualquer suspeita que possa aparecer vá gerar um enorme problema para o clube, o atleta, a competição que ele disputar e a empresa. Considerando que as apostas estão liberadas, mas não regulamentadas, para quem vai sobrar o problema?

É urgente que o Brasil crie a regulamentação para as apostas esportivas. Até porque isso deverá gerar ainda mais dinheiro para os clubes e o próprio governo. Com um mero cartão amarelo num jogo na Inglaterra percebemos quão perigoso pode ser esse mercado sem regras.

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Futebol no Brasil tem bastante patrocínio, mas do jeito errado

Erich Beting
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Na última sexta-feira (14), o instituto Ibope Repucom divulgou seu mapeamento anual do patrocínio nas camisas de futebol dos clubes brasileiros. Sempre relacionado ao ano anterior, o ranking procura mostrar quais marcas estiveram nos uniformes dos clubes brasileiros.

A lista mostra um dado curioso. Em média, nossos clubes da Série A do Brasileirão tiveram, cada um, quase 9 marcas diferentes estampadas em suas camisas. É um número que indica algumas peculiaridades do nosso mercado.

A primeira delas é de que não temos problema de falta de marca querendo investir no futebol. Foram 172 empresas que se relacionaram com os clubes ao longo de 12 meses. É bastante coisa!

Mas esse levantamento mostra também o lado ruim dessa história. Temos muitas empresas, mas será que elas realmente estão fechando acordos de patrocínio ou, em vez disso, procuram uma compra de mídia relativamente barata para justificar seu investimento em marketing?

Não há espaço, num uniforme de clube de futebol, para 9 marcas. Ainda mais que, considerando ainda o escudo do time, temos um total de dez diferentes empresas, estampando suas logomarcas às vezes mais de uma vez, num curto espaço de visibilidade.

O problema é que o mercado vende, exatamente, exposição de marca para o patrocinador. Os clubes geralmente mostram que colocar a verba num pedaço da camisa, do meião, do calção ou até do número do uniforme é mais “barato” do que fazer uma campanha de mídia em TV aberta ou fechada no Brasil.

E as empresas, acostumadas no país a mensurar o investimento em mídia como parte nobre de uma campanha de marketing, aceita esse discurso e passa a pagar para ter sua marca exposta, nem que seja no dedo esquerdo do pé de um lateral-direito reserva do grande time que joga a Série A. E, pior ainda, limitam o investimento a esse aporte, sem fazer qualquer ação direta para o torcedor de seu time patrocinado.

Diego Souza, do Grêmio, e Renato Augusto, do Corinthians, disputam jogada
Diego Souza, do Grêmio, e Renato Augusto, do Corinthians, disputam jogada LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

No final das contas, os patrocinadores do futebol deveriam ser nomeados de compradores de mídia do futebol. Eles não patrocinam o clube. Eles compram um espaço dentro do uniforme. E o retorno desse investimento é medido pelo relatório de exposição de marca que o mesmo Ibope Repucom fornece.

Mas o que a marca fez com os milhares ou milhões de torcedores daquele clube? Qual comunicação ou produto ela ofereceu para a torcida, para o sócio ou mesmo para os atletas do time?

Patrocinar é fazer um constante exercício de conversa com o time e a torcida patrocinados. Não é apenas colocar a marca no uniforme e contabilizar os minutos que ela apareceu na TV. Não é assim que se constrói uma marca. Muito menos é assim que se consegue fazer uma grande promoção para aumentar vendas.

Ao ver o relatório do Ibope, a conclusão é óbvia: há mais empresa do que espaço para aparecer no futebol brasileiro. No fim das contas, o descontão que a marca tem para aparecer na mídia ao patrocinar o clube talvez não seja tão eficiente quanto gastar o mesmo dinheiro mas ter um programa regular dentro da TV oficial daquele time.

Patrocinar dá trabalho. Só expor a marca no uniforme não é patrocínio. É gasto errado em mídia. Temos bastante patrocínio no futebol brasileiro, mas ele é feito de uma maneira totalmente equivocada...

 

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Djokovic já perdeu o Australian Open. Será que jogará fora sua carreira?

Erich Beting
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Novak Djokovic durante a final do Australian Open em 2020
Novak Djokovic durante a final do Australian Open em 2020 Getty

O segundo cancelamento do visto de Novak Djokovic para permanecer na Austrália joga ainda mais lenha numa fogueira que pode começar a significar o fim da carreira de um dos mais brilhantes tenistas que já existiram. 

Djokovic tem total direito de pensar como quiser e de ser a favor ou contra qualquer vacina. Mas sua liberdade tem como limite o respeito à liberdade e à vida dos outros. E é isso o que mais pega em toda a novela que envolve a presença dele em solo australiano, mais do que o debate sobre se ele tem o direito ou não de ser contra a vacina ou se ele joga ou não na Austrália nos próximos dias.

Esqueça a questão da vacinação. Ao admitir que não se vacinou e que estava com Covid no dia 16 de dezembro, o tenista sérvio teve de admitir que cometeu um crime e um ato completamente absurdo de desrespeito com o próximo.

O crime foi ter mentido no formulário de imigração na Austrália. Djoko ainda tentou usar o mesmo argumento dos jogadores da Argentina naquele malfadado episódio do jogo com o Brasil que não aconteceu em 2021. Quem preencheu não fui eu, erraram em meu nome. Não interessa. Se você assina o documento, não faz diferença quem o preencheu.

O ato desrespeitoso de Djokovic foi, mesmo sabendo que tinha testado positivo para o Covid, continuar saindo de casa. Registros do tenista sem máscara abraçado crianças num evento no dia 17 de dezembro, um dia após o resultado do teste ter saído, são um acinte a milhões de vidas que foram perdidas por conta da pandemia. Repito. Djokovic tem o direito de não se vacinar. Mas ele não tem o direito de, contaminado com uma doença que virou um problema de saúde mundial, sair de casa e expor ao risco outras pessoas, que não sabem de seu estado de saúde.

A novela mundial que se desenrola em Melbourne desde 5 de janeiro é só um triste espetáculo de uma história errada do começo ao fim. E que já fez Djokovic perder o Australian Open. Mesmo se conseguir reverter a decisão do ministro da Imigração australiano e entrar em quadra para o torneio, a pressão que cairá sobre o tenista poderá fazer dele até um campeão, mas sem valor para muita gente.

Rio Open já declarou que não haverá exceção para tenistas não-vacinados em participar do torneio. Muitos outros devem seguir o mesmo caminho. Assim, torna-se grande a chance de Djoko não conseguir competir este ano em muitos lugares. Até porque o desgaste provocado no caso do Australian Open deve fazer com que muitos organizadores repensem sua estratégia de permissão de visto às pessoas.

Outro ponto que Djokovic vai precisar repensar. Até agora, nenhum patrocinador se manifestou sobre o caso. Mas será que Asics, Lacoste e outras marcas concordam em ter como garoto-propaganda uma pessoa que sabe que está doente e vai participar de eventos sociais, colocando em risco, inclusive, a saúde de crianças?

Independentemente de estar ou não na quadra, Djokovic já perdeu o Australian Open. Seu jogo, agora, é para manter a carreira em alta. Para isso, precisará fazer um exame de consciência sobre respeito ao próximo. Um dos valores que o tênis tenta passar a seus atletas desde criança.

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Onde está nossa capacidade de inovação no esporte?

Erich Beting
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Nesta quinta-feira (13) começa, no Rio de Janeiro, a Rio Innovation Week, um evento de quatro dias que abordará a inovação em diversos segmentos da sociedade. Um dos painéis abordará o esporte, sendo promovido pela Arena Hub, centro de negócios que tenta se transformar no maior polo de inovação no esporte brasileiro.

O evento é uma forma de alguns grandes batalhadores do mercado tentarem mostrar que já temos soluções inovadoras para serem aplicadas por clubes, entidades esportivas e competições no país. São ideias que já estão aí, foram desenvolvidas e falta, literalmente, campo de jogo para colocar em prática.

Nesta quarta-feira, na Máquina do Esporte, publicamos duas matérias sobre eventos que acontecem daqui a algumas semanas e que têm investido em inovação como forma de entregar um melhor serviço aos torcedores, aos patrocinadores e, na ponta final, gerar mais negócios para o organizador.

Djokovic faz primeiro treino na Austrália após liberação da Justiça para permanecer no país

         
     


O Australian Open decidiu lançar uma série de NFTs, os tais tokens não-fungíveis, com bolas alusivas à competição, mas que foram desenhadas por artistas. A graça do NFT é vender um artigo 100% digital, exclusivo e que só uma pessoa pode comprar. O que vale isso? A relíquia, o exclusivismo, a graça de ser portador de algo só seu a vida toda.

Mas o que fez os organizadores do torneio? Criar um NFT de qualquer coisa relacionada a esporte é hoje uma febre mundial. Como criar o desejo de compra 6.700 bolas de tênis virtuais para os torcedores? Aí entrou a inovação. Uma parceria com outra empresa que mapeou o tamanho de uma quadra de tênis e, assim, decidiu que cada bola será responsável por um quadradinho de menos de 20cm² da superfície de jogo. Assim, cada bola que pingar naquele lugar atualizará, imediatamente, uma estatística do jogo a que ela se refere na NFT. Ter a bola não é a única vantagem. A relíquia passará a ser daquele ponto. Isso deve elevar o valor do token. E, claro, a receita do Australian Open com a ação.

Já na China, o governo que bancou praticamente todo o exorbitante custo de organização dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022 decidiu que usará o evento como uma plataforma de testes para uma nova tecnologia que se pretende implementar no país.

Os atletas poderão usar uma moeda virtual que foi criada pelo Banco Central chinês como meio de pagamento dentro das arenas olímpicas. Ou seja. Com alguns milhares de usuários, o governo testará uma nova tecnologia a ser implementada para sua população bilionária em questão de meses. É o prenúncio da chegada das empresas de criptomoeda aos grandes eventos.

E o Brasil no meio disso? Enquanto não transformarmos o esporte numa plataforma de testes para a inovação, continuaremos a perder grandes oportunidades e, no fim das contas, receita. Ter um evento em que apresentamos ideias é muito legal. Resta saber se o esporte estará lá para escutar, ou seguiremos pregando no deserto, sem fazer chegar à ponta final a inovação. Inovar é preciso. Para isso, é preciso criatividade e vontade de correr riscos. Essas duas características, infelizmente, ainda passam longe da realidade do esporte brasileiro.

Bola virtual criada pelo Australian Open terá inserção de dados em tempo real
Bola virtual criada pelo Australian Open terá inserção de dados em tempo real Divulgação/AO

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Clube profissional não é o que corta gastos, mas o que investe no torcedor

Erich Beting
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Leila Pereira reunida com os funcionários no retorno do time do Palmeiras às atividades
Leila Pereira reunida com os funcionários no retorno do time do Palmeiras às atividades Cesar Greco / Palmeiras

Leila Pereira, antes mesmo de completar o primeiro mês na presidência do Palmeiras, tem se mostrado irritada com as cobranças dos torcedores nas redes sociais por contratações estreladas para o clube. Ronaldo, em seu primeiro ato no Cruzeiro, foi duramente cobrado pela torcida por dispensar o goleiro-bandeira Fábio, após 16 anos de serviços prestados e perto de completar mil jogos pelo time celeste.

Como justificativa para tais atos, Palmeiras e Cruzeiro dizem que não vão “cometer loucuras”, e que a primeira preocupação que existe é com a saudabilidade financeira do caixa, mais do que qualquer outra coisa.

Isso leva uma parte das pessoas a defender a tal “profissionalização” do futebol, confundindo corte de gastos com medidas corretas de gestão. É curioso notar que, muitas vezes, quando as empresas de mídia realizam os seus cortes de pessoal, que no jargão jornalístico chamamos de “passaralho”, os jornalistas solidarizam-se com os colegas demitidos e não adotam o discurso da profissionalização, que geralmente é usado pela diretoria do jornal para justificar as demissões.

Esse talvez seja o grande erro cometido atualmente na análise do que o Cruzeiro fez com Fábio e de como o Palmeiras está lidando com a reposição de jogadores. Não, é claro que os clubes estão certíssimos em preservar as finanças e não fazer nenhuma atitude fora de uma lógica financeira.

Mas o que é ser profissional dentro de um clube de futebol?

O Cruzeiro, dado o tamanho de Fábio, tinha totais condições de manter o ídolo sem prejudicar as finanças. Ainda mais tendo como novo dono Ronaldo, que fez um excelente trabalho de marketing junto com o Corinthians em 2009 para jogar pelo clube paulista.

O corte de gastos não é necessariamente sinônimo de profissionalismo de um clube.

Pelo contrário. Um clube profissional sabe como elevar as receitas para manter o ídolo dentro de casa, ou para trazer grandes jogadores. Para isso, porém, é preciso que haja um incansável trabalho de vendas. Tanto para prospectar novos parceiros quanto para preservar os que estão com o clube. Além disso, o departamento de marketing precisa trabalhar para criar iniciativas que gerem receita para a instituição a partir do consumo dos torcedores.

No Brasil, temos muita dificuldade para entender o conceito de profissionalismo no esporte, especialmente na área de marketing. Temos a mania de considerar que o marketing é quem capta patrocínios, e de que o sócio-torcedor é o único meio de o fã consumir o clube.

O profissionalismo de um clube é trabalhar para que o torcedor ajude a pagar as contas, especialmente aquelas relacionadas à manutenção de times vencedores. O Cruzeiro poderia oferecer para Fábio um contrato de trabalho de 12 meses, com um valor fixo mais baixo que o teto do clube, um plano de metas de performance esportiva e outro de performance marqueteira. Fábio, junto com Ronaldo, poderia ser o porta-voz do torcedor cruzeirense, levando-o a consumir encontros com o ídolo, jogo de despedida, programa novo de associação, fan token, etc. O jogador teria uma participação em cada negócio.

No Palmeiras, a maior esperança que a chega de Leila Pereira traz é uma reviravolta no marketing passivo que caracteriza o clube desde 2015. A saída de Roberto Trinas do departamento sinaliza que novos ares podem soprar no Allianz Parque. Até agora, porém, quase nada de novo foi visto. O clube que mais venceu nos últimos cinco anos no futebol brasileiro continua a não fazer nada além de tentar captar torcedores para o Sócio Avanti. Nenhum produto foi lançado, nenhuma ação de relacionamento foi pensada, nenhum jogador é utilizado para realizar uma campanha diferente de engajamento do fã.

O clube será profissional não é o que corta gastos. Isso é o mínimo a ser feito dentro de qualquer ramo de negócio que quer ser saudável financeiramente. O clube é profissional quando cria mecanismos para o torcedor consumi-lo. O maior investimento que precisa ser feito é na paixão do fã. 

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Clube profissional não é o que corta gastos, mas o que investe no torcedor

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Cruzeiro não demitiu Fábio. Ele demitiu seu torcedor!

Erich Beting
Erich Beting

O Cruzeiro decidiu que Fábio não vai continuar mais no clube. O jogador que mais vezes vestiu a camisa cruzeirense e que, em 2022, seguisse o curso natural da última década, completaria 1.000 partidas com a número 1 do time celeste.

O Cruzeiro errou? Sem dúvida. Mas o erro maior não foi com o goleiro. Foi com sua torcida.

Esportivamente, os dias de Fábio no Cruzeiro já estavam naturalmente contados. O atleta não rende mais o mesmo que anteriormente, mesmo tendo cadeira cativa no gol do time. Sua aposentadoria era algo relativamente natural de acontecer. Tudo era uma questão de conduzir bem o processo.

Financeiramente, os dias de Fábio no Cruzeiro já tinham passado da conta. Literalmente. O clube deve para o jogador, que já havia afirmado que se enquadraria no novo limite salarial imposto pela diretoria que acaba de comprar o time para continuar a defender as cores do clube.

Torcedores do Cruzeiro eram representados por Fábio dentro de campo
Torcedores do Cruzeiro eram representados por Fábio dentro de campo Gazeta Press

Por que, então, não chegar a um acordo bom para ambas as partes? Numa negociação tudo pode acontecer. E, pelo que foi possível depreender dos comunicados oficiais dos dois lados, faltou entender o que poderia ser feito. O clube ofereceu para Fábio jogar só o Campeonato Mineiro e se despedir. O goleiro queria seguir até o fim do Brasileirão. Não era uma questão, então, financeira, mas de objetivos esportivos.

Se o desfecho não foi o esperado, pior ainda foi a forma como o fim da relação foi anunciada. O clube, calado, e Fábio atirando nas redes sociais. A resposta veio só na manhã desta quinta-feira, numa nota oficial em que o clube alfineta o ídolo, preocupando-se em mostrar só o seu lado nessa história e batendo na tecla de que é obrigatória uma readequação financeira.

O que Ronaldo e seus executivos parecem não entender é que o que une um torcedor a um clube não é o equilíbrio financeiro, mas o desequilíbrio de uma paixão. O torcedor não quer saber se o caixa está superavitário, mas sim se ele tem motivos para sonhar com o seu time.


Fábio, claro, era um desses motivos. Era o representante do cruzeirense em campo. Era aquele que não abandonou o time na Série B. Era o resquício do orgulho ferido de um clube maltratado por vários desmandos. O que faz o novo executivo que compra o clube em seu primeiro ato? Demite o torcedor!

Um dos maiores benefícios de comprar um clube “na baixa”, como aconteceu agora com o Cruzeiro, é exatamente trazer junto dessa compra toda uma história e, principalmente, uma torcida. Esse, aliás, foi um dos pontos que Ronaldo exaltou ao anunciar sua chegada ao clube: a força dos torcedores.

O problema é que, numa de suas primeiras atitudes como donos do clube, a nova diretoria cruzeirense simplesmente decide demitir o maior ídolo e um dos poucos motivos para o torcedor manter acesa a chama da paixão que o une ao Cruzeiro. O clube-empresa só será a salvação do futebol quando quem estiver no comando trabalhar para que ele seja mais clube do que empresa. No primeiro teste para isso, Ronaldo mandou a bola para fora depois de ter deixado o goleiro fora da jogada. Literalmente... 

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Djokovic e o mito do superatleta

Erich Beting
Erich Beting

A retenção de Novak Djokovic na imigração australiana pode acabar com um “final feliz” para o sérvio, com ele tendo a permissão de ingressar no país e disputar o Australian Open mesmo não tendo sido vacinado contra a Covid-19.

Mas o estrago que toda a situação causa para a sua imagem para muito além do mundo do tênis é um excelente alerta para os atletas em geral. Quase sempre, os grandes ícones do esporte são tratados como uma espécie de super-herói, que está acima do bem e do mal por conta de suas proezas esportivas.

Uma coisa precisa ficar clara na cabeça de quem é atleta. A sua profissão não é melhor ou maior do que a de ninguém, assim como a do jornalista também não é. O atleta rala muito para conseguir chegar ao topo, assim como qualquer profissional em seu ramo de atividade. Novak Djokovic não está acima das leis australianas. Por mais que o Aberto da Austrália tenha liberado o sérvio para competir, ele tem de antes passar pelas autoridades sanitárias do país para onde vai.

Você pode concordar ou não com a conduta contra a vacina e de negação à doença que Djoko sempre teve. Isso não vem ao caso. O tenista não cumpriu com as regras básicas de ingresso ao país, ele precisa sofrer as consequências de seus atos.

Não é por ser o maior vencedor do Australian Open, ou por ser o melhor tenista da atualidade que Djokovic está acima de qualquer outro. Aliás, exatamente por ser tão vencedor em solo australiano que ele deveria ser o primeiro a dar um bom exemplo e mostrar gratidão a um país que sempre o acolheu tão bem.

Ao se colocar acima dos outros, Djoko joga fora exatamente a imagem de vencedor que construiu com muito esforço dentro de quadra. O mito do superatleta é o maior erro que um atleta pode cometer contra ele mesmo.

A retenção dentro do aeroporto australiano, no fim das contas, pode ser o menor dos problemas que Novak Djokovic terá de encarar. A opinião pública que já tinha torcido o nariz para ele quando quis organizar o Adria Tour em meio à pandemia e teve de cancelar o torneio por um surto de Covid agora tem ainda mais motivos para se colocar contra o sérvio. Nenhum interesse individual está à frente do coletivo. E Djoko, como atleta, deveria ter isso como regra.

Novak Djokovic durante a final do Australian Open em 2020
Novak Djokovic durante a final do Australian Open em 2020 Getty

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O Cruzeiro apertou os cintos. Sem um dono, isso seria possível?

Erich Beting
Erich Beting

Vanderlei Luxemburgo e comissão técnica demitidos. Alexandre Mattos dispensado antes mesmo de assinar pré-contrato, mas não sem antes inflar o elenco com nove jogadores. O Cruzeiro começa a viver uma nova realidade agora que tem um dono. E as primeiras medidas tomadas pelo grupo comandado por Gabriel Lima no time celeste são aquelas típicas atitudes que só um clube com dono é capaz de fazer.

O Cruzeiro não só estava quebrado pelas gestões passadas, mas vinha sendo dilacerado pela atual gestão. Se Ronaldo não tivesse chegado, ele viveria um 2022 de “aposta total” para tentar regressar à Série A do Campeonato Brasileiro e, no ano seguinte, teria de descobrir como se virar para reordenar o caixa, a casa e, claro, as expectativas dos torcedores caso o “Plano A” não desse certo.

Pelo que vinha fazendo neste mês de dezembro, a diretoria cruzeirense tinha literalmente jogado para o alto qualquer preocupação com a saúde financeira do clube e o longo prazo. O acerto com Mattos, conhecido por inflar elencos e, da quantidade, extrair desempenho esportivo, era o primeiro indicador disso. A manutenção de uma comissão técnica cara era outra forma de mostrar que não havia qualquer preocupação com as finanças e que a volta à Série A era tida como única alternativa para o clube.


Sérgio Santos Rodrigues, presidente cruzeirense, já havia abandonado o discurso que o alçou ao cargo mais alto do clube. A preocupação deixou de ser com o futuro do Cruzeiro, mas com a própria imagem.

Aqui não faço uma crítica às atitudes do presidente, mas apenas a constatação do fato.

Esse é um dos maiores problemas dos clubes associativos. O dirigente máximo, geralmente, é pressionado a gastar mais do que arrecada para tentar fazer com que o desempenho esportivo eleve sua imagem dentro daquele grupo de pessoas que o conduziram à presidência.

O ego do dirigente é, em boa parte, responsável pela gastança desenfreada do futebol. Não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Inclusive nos clubes em que há um dono. Ou haveria outra forma de justificar o que gastaram PSG, Manchester City e Chelsea ao longo das últimas décadas a não ser um interesse desesperado por performance esportiva?

A diferença é que, num clube associativo, não há quem pague a conta de tamanho prejuízo. Ou melhor. Há. Só que esse responsável é a instituição, que encontra diversos meios para postergar o pagamento das dívidas enquanto contrai novos débitos para tentar o desempenho a qualquer preço do presente.

Explicar o que acontece no futebol brasileiro é simples. O dirigente do clube é um médico que entra no centro cirúrgico com um paciente à beira da morte. Quase sempre esse médico vai para a cirurgia dizendo que o paciente não só vai sobreviver como vai passar as férias na praia.


Ronaldo chegou como um médico que, primeiro, faz de tudo para o paciente sobreviver. Isso só é possível com dirigentes que tenham o controle pleno do clube ou apoio político suficiente para fazer o que for necessário para o clube sobreviver.

Antes de voltar à Série A, o Cruzeiro tem de entender e aceitar que está na Série B e, para isso, atuar dentro de patamares financeiros da Segundona. Qualquer dirigente comprometido com o futuro do clube deveria fazer isso, mas são poucos os que aceitam a nova realidade.

O Cruzeiro apertou os cintos. Será que, se não tivesse um dono, isso seria possível? Recentemente, só o Flamengo de Bandeira de Mello e o Grêmio foram capazes de assimilar uma situação dessas e trabalhar pensando primeiro no fluxo de caixa para depois olhar o desempenho dentro de campo. Prova de que não é preciso virar empresa para fazer isso, mas de que é preciso ter uma coragem que quase nunca é vista num ambiente tão recheado de egos como o do futebol.

Vanderlei Luxemburgo foi dispensado do comando do Cruzeiro
Vanderlei Luxemburgo foi dispensado do comando do Cruzeiro Celio Junior/AGIF/Gazeta Press

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O Cruzeiro apertou os cintos. Sem um dono, isso seria possível?

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Jorge Jesus e Cuca são técnicos "bomba-relógio"

Erich Beting
Erich Beting

A busca por treinadores de futebol no Brasil ganhou novos contornos nas últimas horas, quando Cuca decidiu pedir demissão do Atlético-MG na noite de segunda-feira (27) e Jorge Jesus, na manhã seguinte, foi demitido pelos próprios jogadores do Benfica, que se rebelaram contra o treinador.

Pouco depois de o Flamengo gerar uma guerra no futebol polonês por tirar da seleção nacional que ainda tenta a vaga na Copa do Mundo o treinador Paulo Sousa, o cenário de busca por um técnico do Rubro Negro ganhou novos contornos dramáticos com a “liberação” de Jesus e a possibilidade, agora, de o treinador desembarcar em Minas Gerais para treinar o Galo.

O fato é que, durante uma semana, Marcos Braz e Bruno Spindel, executivos de futebol do Flamengo, negociaram no mar revolto dos agentes de treinadores. Tentaram de todas as formas assinar com Jesus, mas acabaram preferindo Paulo Sousa depois do jogo de cena envolvendo o supercampeão de 2019. E, agora, olham Jesus se livrar do Benfica e abrir um caminho possível para o Galo, invertendo-se o cenário de dois anos atrás, quando foi o Atlético quem sondou Jesus, mas viu o Flamengo fechar com o técnico.

O que Jesus e Cuca têm em comum é a aura do supertécnico. São profissionais extremamente competentes, mas que colecionam saídas conturbadas por onde passam.

Cuca, há cinco anos, não faz um trabalho que dure mais de um ano por onde passa. Quem contrata o treinador já deveria saber que, quando dezembro chega, ele sempre tem “problemas familiares”. E volta sempre a trabalhar em março, em outro clube. Tem sido assim quase todo ano desde o título brasileiro com o Palmeiras, em 2016.

Jesus, por sua vez, até costuma fazer trabalhos mais longevos. Mas, a cada temporada que passa, seu relacionamento com os grupos de jogadores é 8 ou 80. O treinador que surgiu dando uma nova cara para o futebol português no final da década de 2000 hoje é visto mais como problema do que solução em seu país de origem. Tanto que a volta ao Benfica foi cercada de polêmica e, menos de um ano depois, a situação dentro do vestiário ficou insustentável para o treinador.

No fim das contas, Cuca e Jesus representam aquilo que há de mais instável para o planejamento de um clube de futebol. Pessoas intensas, competentes, mas que são uma caixinha de surpresas em relação ao futuro. Além disso, hoje atingiram um status que fazem com que seus salários sejam astronômicos.

A pergunta que sempre fica, para mim, é do que você espera de um treinador de futebol. Será que vale o risco de ter um líder que seja imprevisível dentro e fora de campo? É esse o risco do supertécnico.

Ele pode levar uma torcida do céu ao inferno em questão de horas. Isso pode trazer retorno no curto prazo, mas o que será que fica como legado depois disso?

Se você fosse presidente de um clube, apostaria num supertécnico ou buscaria alguém que tivesse um histórico de bons resultados, mas num prazo mais longo de trabalho? O futebol brasileiro, historicamente, prefere a primeira opção. Ela, afinal, sempre é a solução mais fácil. O torcedor fica eufórico ao ver um grande comandante chegar, a mídia foca tudo em cima do supertécnico e, no fim, se tudo der errado, a instabilidade é tanta que a demissão é vista como única saída possível. Jorge Jesus e Cuca estão disponíveis no mercado. Quem quer uma bomba-relógio para ser treinador?

Desde 2016 que Cuca chega ao final do ano e pede demissão de um clube
Desde 2016 que Cuca chega ao final do ano e pede demissão de um clube Pedro Souza / Atlético

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Botafogo e Cruzeiro não vão ganhar dinheiro com a SAF

Erich Beting
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Ronaldo Fenômeno comprou o Cruzeiro
Ronaldo Fenômeno comprou o Cruzeiro Divulgação XP

Neste Natal, voltei receber o carinho da torcida após o anúncio de mais um investidor disposto a entrar no futebol brasileiro, com a sinalização do negócio do Botafogo com o americano John Textor, que passará a ser acionista majoritário da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) criada para recuperar financeiramente o clube e transformá-lo numa empresa.

A recordação, claro, é do texto que escrevi aqui pouco antes de Ronaldo comprar o Cruzeiro, no primeiro grande negócio amparado na nova legislação que permite a criação das SAFs: “Não há mais compradores de clubes no futebol mundial”.

Nem 15 dias depois desse texto e já são dois os clubes brasileiros que encontraram um investidor. O ponto, porém, segue o mesmo que abordei naquele texto do dia 14 de dezembro. Existem pessoas que querem investir, claro, mas não são “salvadores da pátria”, como o próprio Ronaldo fez questão de frisar ao falar sobre o que aconteceria com o Cruzeiro.

Até agora, Botafogo e Cruzeiro foram vendidos sem o clube receber nenhum valor por esses negócios. Sim, é isso mesmo o que você leu. Atolados em dívidas, os clubes conseguiram o compromisso dos investidores de aportarem, durante um período pré-determinado pelos contratos, cerca de R$ 400 milhões no negócio. Ou seja, o clube não verá um centavo desse investimento, o que torna impossível determinar qual é o real “valor” dele.

Além disso, não necessariamente, os R$ 400 milhões serão injetados no time de futebol. O melhor exemplo disso é com Ronaldo no Cruzeiro. O novo dono aportará cerca de R$ 80 milhões para quitar as dívidas cruzeirense que estão registradas na FIFA e que, caso não sejam pagas, provocarão sanções esportivas para o clube, como o não-registro de jogadores e até a perda de pontos e eventual rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro.

Não adianta o torcedor e a mídia se empolgarem e especularem quais os investimentos que serão feitos com esses R$ 400 milhões, muito menos acreditar que o valor do clube é a soma da dívida existente com o aporte que será feito. Boa parte desse aporte irá para cobrir exatamente essas dívidas, outra parte será investida em infraestrutura ou reestruturação do clube.

Na prática, Botafogo e Cruzeiro foram compras baratas dos investidores. Investimento de longo prazo, que pode ser quitado com o próprio desempenho do negócio e que, no final das contas, fará com que os clubes sejam saudáveis financeiramente.

Para torcidas que viram seus times serem dilapidados nas últimas décadas com gestões temerárias, para dizer o mínimo, é um alento saber que agora tem um dono que vai exigir maior controle dos gastos e, claro, priorizar a saudabilidade financeira do negócio. No caso do futebol, ter um negócio rentável implica, necessariamente, em montar times competitivos para buscar aumento de receitas e, com isso, reinvestir o dinheiro no projeto para tornar o clube maior e faturar numa possível revenda.

Isso não significa, porém, que os donos de Botafogo e Cruzeiro vão aportar milhões em contratações e montar supertimes prontos para disputar títulos. Mais ainda. Não necessariamente essa será a realidade do clube depois de as dívidas terem sido sanadas.

Como diz o famoso meme: “Torcedores, calma!”. Ser um clube-empresa não significa ter um megainvestidor torrando dinheiro a fundo perdido em jogadores estrelados. Ainda mais no Brasil. O futuro é muito menos empolgante do que parece. E é melhor conter a euforia para que a frustração não seja tão grande...  

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Flamengo tem uniforme mais valioso do Brasil: são R$ 100 milhões em patrocínios

Erich Beting
Erich Beting
Uniforme do Flamengo atinge o status de mais valioso do Brasil em 2022
Uniforme do Flamengo atinge o status de mais valioso do Brasil em 2022 Alexandre Vidal/Flamengo

O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou, na noite da última quarta-feira (22), os contratos de patrocínio de Havan, ABC da Construção e PixBet. Os três patrocinadores farão com que o Rubro Negro consiga um feito. Terá o uniforme mais valioso do Brasil em 2022, com oito contratos de patrocínio que somarão mais de R$ 100 milhões aos cofres do clube.

A PixBet é a grande novidade na camisa para 2022. A marca de apostas que decidiu invadir o mercado brasileiro (tem outros sete times, entre eles o Vasco) pagará R$ 24 milhões por ano para estar na omoplata da camisa flamenguista. É, em valores absolutos, o segundo maior contrato de patrocínio, perdendo apenas para o banco BRB, que ocupa a cota máster, de maior exposição na camisa.

O acordo foi o que assegurou para o Flamengo o status de camisa com maior valor de patrocínio no país. Desde o ano passado, quando contratou Rafael Ganem, um executivo da área comercial da Globo, para cuidar de novos contratos de patrocínio, que o Fla vem escalando um negócio atrás do outro.

Foram acordos com Mercado Livre (costas da camisa), Havan (manga), Moss (meia) e ABC (calção) que começaram a fazer o Flamengo reduzir a distância que tinha para o Palmeiras, com o seu acordo de exclusividade para a dupla Crefisa e FAM ao valor de R$ 81 milhões ao ano.

Os negócios, aliás, mostram como o mercado brasileiro ainda dá à exposição uma enorme importância para fechar um acordo de patrocínio. Hoje, oito empresas diferentes estão no uniforme do Flamengo. No Palmeiras, apesar de serem só dois patrocinadores, Crefisa e FAM espalham suas logomarcas pelo uniforme alviverde, numa desnecessária superexposição e sobreposição de marcas.

Isso gera retorno? A gente lembra, de cabeça, quem são os patrocinadores do Flamengo?

Infelizmente, a exposição de marca ainda é a principal “moeda” que o mercado usa para medir o retorno de um investimento em patrocínio. No mundo ideal, o Flamengo teria um uniforme que valeria R$ 100 milhões em patrocínios, mas com, no máximo, duas marcas expostas na camisa. E o Palmeiras teria os mesmos R$ 81 milhões de Crefisa e FAM, porém com uma marca em cada espaço disponível.

Foi assim que o mercado europeu conseguiu melhorar o valor pago ao patrocínio da camisa e fez crescer o número de parceiros que se associam tendo outras propriedades para dialogar com o torcedor.

Exposição é fundamental. E o Flamengo mostrou isso ao conquistar, ainda em 2021, o melhor valor somado de patrocínio de uniforme do futebol brasileiro. 


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Há um comprador do Cruzeiro, mas não um bilionário excêntrico

Erich Beting
Erich Beting
Ronaldo Fenômeno comprou o Cruzeiro, mas e agora?
Ronaldo Fenômeno comprou o Cruzeiro, mas e agora? Divulgação XP

Há quase uma semana, fiz um longo discurso aqui no blog de como seria difícil para o Cruzeiro conseguir encontrar um investidor, mesmo criando a figura jurídica da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e dando ao comprador o direito de ter controle majoritário sobre todas as decisões do clube.

Meu texto era uma ponderação ao discurso ameaçador de Pedro Mesquita, da XP Investimentos, para convencer o Conselho do Cruzeiro a entregá-lo para um comprador, dizendo que era isso ou o negócio não daria certo. O sucesso da operação cruzeirense com a entrada de Ronaldo como dono da SAF, porém, reforça um pouco o que ponderei naquele texto e que o torcedor deverá ver ser colocado em prática nos próximos anos.

A XP tinha, na manga, um comprador para o Cruzeiro. E por isso pressionou o Conselho para que a SAF fosse projetada da forma como queria quem estava comprando, não quem estava vendendo. Tanto que o mesmo Pedro Mesquita foi às redes sociais para anunciar a chegada de Ronaldo de forma surpreendente na manhã de sábado.

Só que o conto de fadas precisa deixar de estar na cabeça do torcedor a partir de agora. O próprio Ronaldo já fez questão de colocar um freio na empolgação do fã:

“Entendo todo entusiasmo com a notícia, mas a verdade é que temos muito trabalho pela frente. Não vou botar dinheiro, queimar dinheiro. A caminhada é longa”.

Essa foi uma das frases que pincelei entre diversas outras que Ronaldo proferiu em seus canais oficiais nas últimas horas. O Fenômeno quer tentar fazer algo que, aqui no Brasil, só Flamengo, Palmeiras, Grêmio e, agora, Atlético-MG, fizeram. Racionalizar a gestão e, a partir disso, recuperar o time em campo. Mas a tarefa dele é bem mais complicada, e ser um milionário dono do time muda muito pouco isso.

O Flamengo tinha um cuidado financeiro durante toda a gestão Bandeira de Mello. O clube colocava boa parte da receita para pagar dívidas e deixava o investimento no time de futebol em segundo plano. Com isso, foi duramente criticado pela torcida por não ganhar nada dentro de campo. O Palmeiras se livrou do passado de dívidas num aporte de R$ 150 milhões de Paulo Nobre que zerou as dívidas do clube e, com estádio novo e patrocinador pagando mais do que o clube valia, recolocou o time na rota dos títulos. O Grêmio, assim como o Flamengo, reorganizou a casa, ganhou títulos importantes como Copa do Brasil e Libertadores, mas, neste ano, viu o projeto degringolar dentro de campo e acabou rebaixado. O ano de 2022 é uma incógnita. O Atlético-MG só chegou ao 2021 vitorioso ao ver um grupo de empresários pagar todas as dívidas de curto prazo do clube e, tal qual os donos bilionários europeus, investir mais do que o clube é capaz de gerar de receita na contratação de um time estrelado.

O trabalho de Ronaldo será conseguir unir o que esses outros quatro clubes fizeram para reconduzir o Cruzeiro à Série A e, então, a partir disso, recomeçar o trabalho de engrandecimento do clube. A péssima notícia é que, hoje, a geração de receitas do clube é quase nula. Na Série B, sem patrocínios graúdos, o Cruzeiro é um clube sem fluxo de caixa. Para piorar, o terceiro ano seguido na Segundona cobra o preço na capacidade de fazer mais dinheiro.

Se a expectativa do torcedor cruzeirense era de que o CNPJ novo do clube significasse entrada de receita para investir no time, pode esquecer. Não há mais quem faça isso no futebol mundial. Nem mesmo o Newcastle, comprado pelo fundo do governo ditador da Arábia Saudita, tem muita expectativa de que isso vá acontecer. Além da enorme concorrência por espaço no futebol inglês, a Uefa está cada vez mais escaldada para impedir o aparecimento de novos ricos inflacionando e modificando o mercado, depois do combo Chelsea (2003), Manchester City (2010) e PSG (2017). O fair play financeiro está cada vez mais esperto para brecar investimentos fora de propósito.

Ronaldo é, portanto, a prova de que o que escrevi no dia 14 não está totalmente errado. Aquele investidor que chega num clube para colocar dinheiro a fundo perdido não existe mais. O Fenômeno chega com a mesma cautela que Eduardo Bandeira de Mello teve ao assumir o Flamengo. Pregou um discurso de que o clube é um gigante maltratado e que precisará de muito trabalho para se reerguer e voltar a ser protagonista.

Ronaldo faz um bom trabalho no Real Valladolid? Jornalista espanhol analisa erros e acertos do dono 'fenomenal'


A diferença, porém, é que o Cruzeiro está na Série B e tem uma base de fãs três vezes menor que a do Flamengo. E isso significa ter muito menos potencial de geração de receitas no curto prazo. E, para piorar o cenário ao torcedor cruzeirense, Ronaldo não é dono só do clube brasileiro. 

O risco que existe hoje para o Cruzeiro é que ele se transforme num clube médio que gere muitos bons jogadores para serem utilizados pelo Valladolid e, em seguida, revendidos a peso de ouro no futebol europeu. Ronaldo terá, nesse negócio, um resultado financeiro fenomenal. E o torcedor cruzeirense precisa estar preparado para isso. Como potencial de geração de receitas, o Valladolid é um clube com muito mais força do que o Cruzeiro atualmente.

O que o torcedor precisa entender é que o milagre do investidor bilionário que devolverá o protagonismo para o seu time de coração não existe. E, para se ter um bom negócio, é preciso primeiro investir em equilíbrio nas finanças. Num clube que fatura muito pouco, equilíbrio significa reduzir o aporte em atletas e priorizar o fluxo de caixa. Ronaldo já deixou claro que seu primeiro objetivo é o equilíbrio da gestão do clube.

É quase improvável que o Cruzeiro ascenda tão rapidamente agora quanto Ronaldo conseguiu ao vestir a camisa celeste dentro de campo. O tempo de retomada será longo. E o resultado poderá estar muito longe daquilo que o torcedor acredita hoje que será.

Ronaldo diz que a compra do Cruzeiro é um dia histórico para o futebol brasileiro. Talvez seja o começo do fim do mito de que a transformação de um clube em empresa resolve todos os problemas e devolve o protagonismo ao time dentro de campo. A maior chance que existe, hoje, é de que o futuro do Cruzeiro seja de equilíbrio, não de protagonismo. E que outros clubes de grande torcida passem pelo mesmo caminho, tendo de se acostumar a terem donos de um negócio lucrativo, que não signifique, necessariamente, um time vencedor dentro de campo.

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Há um comprador do Cruzeiro, mas não um bilionário excêntrico

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Midiática, Leila Pereira é o fato novo que o Palmeiras precisava para 2022

Erich Beting
Erich Beting

Leila Pereira concedeu, na última quinta-feira (16), sua primeira entrevista como presidente do Palmeiras. Cheia de sorrisos e sacadas irônicas, a nova mandatária alviverde, primeira mulher a ocupar a cadeira de presidente no clube, deu uma mostra do que pode vir pela frente.

E o futuro pode ser bastante interessante. Logicamente temos de ponderar que talvez não tenha havido melhor momento para alguém chegar à presidência do Palmeiras. Com duas Libertadores e uma Copa do Brasil conquistadas apenas neste ano, Leila chega sem sombra na presidência.

Leila Pereira anuncia permanência de Abel Ferreira no comando do Palmeiras em 2022: 'Tenho certeza que ele está muito feliz'


         
     


E, mais do que isso, chega tendo trabalhado durante cerca de cinco anos sua imagem como “Tia Leila”, apelido que ela adora e que provavelmente se transformou em seu maior personagem nesta caminhada rumo ao posto de ser presidente do clube.

Ficou claro que Leila, como presidente, terá mãos de ferro. Ela opina em contratação, ela já provoca mudanças no departamento de marketing, ela já afirma que quer o torcedor ajudando ativamente na construção de um clube que vai tentar “pintar o mundo de verde”.

Leila chegou com o discurso que o torcedor quer ouvir, mas mantendo o pé no chão que caracterizou o clube nesse 2021 histórico. Mas o que é curioso em tudo o que ela fala e se posiciona é perceber que ela é um presidente de clube que simplesmente não faz questão de mostrar que entende de futebol.

Ao falar sobre o calendário do time, tropeçou nas datas, disse não ter certeza quando a equipe jogava. Também se esqueceu do nome de Marcelo Lomba, goleiro contratado para ser reserva de Weverton. Não está preocupada em pontuar quem é o jogador dos sonhos, não dá mostras de que quer ser alguém “boleira”.

Pelo menos no primeiro discurso, a impressão que fica é de que ela quer mais curtir o prestígio da personagem “Tia Leila” do que realmente ser um presidente de time de futebol que acha que entende mais de bola do que quem trabalha no dia a dia desse negócio.

E, claramente, isso pode ser excelente para o Palmeiras. Ter um presidente que vá defender a instituição sem entrar nos pormenores do jogo em si pode elevar o debate sobre o que realmente vale no futebol. Logicamente que, numa eventual pressão por maus resultados, a biruta pode virar e o negócio desandar, fazendo com que a primeira impressão seja colocada para escanteio. Mas só de ver a forma como Leila conseguiu dobrar a mídia e a torcida nessa primeira entrevista mostra que o futebol poderá respirar novos ares com ela na presidência. A forma como Tia Leila domina a oratória era tudo o que o Palmeiras precisava neste momento para manter o futebol sem pressão da mídia e da torcida. 

Leila Pereira comemora ao ser eleita presidente do Palmeiras
Leila Pereira comemora ao ser eleita presidente do Palmeiras Fabio Menotti/Palmeiras

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Midiática, Leila Pereira é o fato novo que o Palmeiras precisava para 2022

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Midiática, Leila Pereira é o fato novo que o Palmeiras precisava para 2022

Erich Beting
Erich Beting
Leila Pereira comemora ao ser eleita presidente do Palmeiras
Leila Pereira comemora ao ser eleita presidente do Palmeiras Fabio Menotti/Palmeiras

Leila Pereira concedeu, na última quinta-feira (16), sua primeira entrevista como presidente do Palmeiras. Cheia de sorrisos e sacadas irônicas, a nova mandatária alviverde, primeira mulher a ocupar a cadeira de presidente no clube, deu uma mostra do que pode vir pela frente.

E o futuro pode ser bastante interessante. Logicamente temos de ponderar que talvez não tenha havido melhor momento para alguém chegar à presidência do Palmeiras. Com duas Libertadores e uma Copa do Brasil conquistadas apenas neste ano, Leila chega sem sombra na presidência.

E, mais do que isso, chega tendo trabalhado durante cerca de cinco anos sua imagem como “Tia Leila”, apelido que ela adora e que provavelmente se transformou em seu maior personagem nesta caminhada rumo ao posto de ser presidente do clube.

Ficou claro que Leila, como presidente, terá mãos de ferro. Ela opina em contratação, ela já provoca mudanças no departamento de marketing, ela já afirma que quer o torcedor ajudando ativamente na construção de um clube que vai tentar “pintar o mundo de verde”.

Leila chegou com o discurso que o torcedor quer ouvir, mas mantendo o pé no chão que caracterizou o clube nesse 2021 histórico. Mas o que é curioso em tudo o que ela fala e se posiciona é perceber que ela é um presidente de clube que simplesmente não faz questão de mostrar que entende de futebol.

Ao falar sobre o calendário do time, tropeçou nas datas, disse não ter certeza quando a equipe jogava. Também se esqueceu do nome de Marcelo Lomba, goleiro contratado para ser reserva de Weverton. Não está preocupada em pontuar quem é o jogador dos sonhos, não dá mostras de que quer ser alguém “boleira”.

Pelo menos no primeiro discurso, a impressão que fica é de que ela quer mais curtir o prestígio da personagem “Tia Leila” do que realmente ser um presidente de time de futebol que acha que entende mais de bola do que quem trabalha no dia a dia desse negócio.

E, claramente, isso pode ser excelente para o Palmeiras. Ter um presidente que vá defender a instituição sem entrar nos pormenores do jogo em si pode elevar o debate sobre o que realmente vale no futebol. Logicamente que, numa eventual pressão por maus resultados, a biruta pode virar e o negócio desandar, fazendo com que a primeira impressão seja colocada para escanteio. Mas só de ver a forma como Leila conseguiu dobrar a mídia e a torcida nessa primeira entrevista mostra que o futebol poderá respirar novos ares com ela na presidência. A forma como Tia Leila domina a oratória era tudo o que o Palmeiras precisava neste momento para manter o futebol sem pressão da mídia e da torcida. 

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Final da Copa do Brasil mostra como Brahma aprendeu com a Heineken

Erich Beting
Erich Beting

Como fazer para um patrocínio não cair em esquecimento? Na noite da última quarta-feira, a final da Copa do Brasil serviu para a Brahma mostrar que aprendeu com uma de suas maiores concorrentes, a Heineken, a trabalhar o patrocínio no futebol de forma a tocar a alma do torcedor.

A marca preparou uma festa diferente de qualquer uma já feita no mercado brasileiro para celebrar a conquista do título do Atlético Mineiro. Montou um bar no centro do gramado da Arena da Baixada em que os jogadores e comissão técnica do Galo foram “servidos” para comemorar o título, basicamente repetindo o gesto do torcedor atleticano pelo Brasil adentro.

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Para isso, a Brahma precisou ter “a final perfeita”.  A marca é patrocinadora não apenas da Copa do Brasil, mas também dos dois Atléticos. Assim, a festa foi “abraçada” por todos. Logicamente que o time vice-campeão não participou da iniciativa, mas a farra dos jogadores do Galo rendeu a ação que a marca precisava para reforçar seu novo posicionamento no futebol.

Desde o ano passado que a Brahma percebeu que é preciso fazer do patrocínio uma oportunidade de gerar novas experiências para o torcedor em vez de ser só um bom negócio de mídia. Durante décadas, a Brahma estacionou o dinheiro da ativação do patrocínio que já fazia no futebol nas placas de publicidade estática e na transmissão da TV.

Com isso, reforçou o status de “cerveja do futebol” no Brasil.  Faltava à marca, porém, ir além nessa relação. A passividade da atuação contrastava diretamente com o patrocínio “pulsante” que a Heineken tem na Champions League, em que marca e competição são praticamente sinônimo.

A Brahma parece ter finalmente acordado para o real poder que o futebol tem para conectar o consumidor. Ser apenas uma marca que aparece por muitos minutos na televisão é interessante, mas com o passar do tempo ela vira só mais uma na mente das pessoas. O futebol é uma plataforma ilimitada para a inovação. É isso que faz o esporte ter cada vez mais patrocínio pelo mundo. É isso o que falta para um novo salto nos valores a serem arrecadados pelo futebol no Brasil.

Vargas, do Atlético, comemora o bicampeonato da Copa do Brasil no bar dentro do campo
Vargas, do Atlético, comemora o bicampeonato da Copa do Brasil no bar dentro do campo Divulgação

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