Quando o futebol se transforma em uma incrível aula de história

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A região de Nagorno-Karabakh, localizada entre Azerbaijão e Armênia, é um território disputado pelos dois países há décadas. Internacionalmente é reconhecida como parte integral do Estado azeri, mas na prática é controlada pela República de Artsakh - que, por sua vez, também faz parte do território do Azerbaijão. No final de 2020, os conflitos se intensificaram novamente e as nações, com o apoio da Rússia, assinaram um tratado de paz. A tensão, de qualquer modo, permanece na região.

E qual é a relação possível entre a guerra que acontece em uma montanhosa região do Cáucaso, já quase na Ásia, e as competições da UEFA?

Mapa da região onde se encontra Nagorno-Karabakh
Mapa da região onde se encontra Nagorno-Karabakh Riskline

Nesta sexta-feira, em Istambul, antiga Constantinopla, aconteceu o primeiro sorteio da fase de grupos da Conference League, cuja final inaugural será em Tirana, na Albânia. A competição foi criada por Aleksandr Ceferin, presidente da entidade europeia, para incluir os clubes de nações menos poderosas ao cenário internacional. No evento desta sexta, havia um único impedimento de cruzamentos de times: Alashkert, da Armênia, e Qarabag, do Azerbaijão, por causa do conflito entre os países, não poderiam cair na mesma chave. Especificamente no caso do Qarabag, a guerra obrigou o clube a se mudar para a capital Baku e transformou seu local de origem, Agdam, em uma cidade fantasma.

Esse é apenas um exemplo da importância e do valor, além do futebol, que os torneios continentais possuem. O esporte será sempre o principal assunto, afinal de contas é um jogo, mas é possível buscar mais conhecimento com os muitos exemplos de geopolítica e história presentes nos confrontos.

Ainda na Conference, o PAOK é uma aula de história permanente. O clube foi fundado em 20 de abril de 1926 em Tessalônica por refugiados da guerra Grego-Turca (1919-22), expulsos de Constantinopla. Milhões de pessoas envolvidas em um dos episódios tristes da história europeia no século passado, a troca de populações entre Grécia e Turquia. O PAOK caiu no grupo F, ao lado de Copenhagen (Dinamarca), Slovan Bratislava (Eslováquia) e o histórico Lincoln Red Imps, primeiro clube de Gibraltar - território com pouco mais de 30 mil habitantes - a alcançar uma fase de grupos da UEFA.

A política ainda é vista na presença de Israel como país-membro da entidade europeia, ao invés da asiática. Como nações árabes não reconhecem o estado de Israel, jogos de futebol entre equipes dos países do Oriente Médio com os israelenses seriam impossíveis. Maccabi Tel-Aviv e Maccabi Haifa estão na Conference e enfrentarão, respectivamente, LASK Linz, da Áustria, e Union Berlim, da Alemanha, em seus grupos. 

Crianças judias refugiadas da II Guerra jogam bola em uma cidade na Holanda
Crianças judias refugiadas da II Guerra jogam bola em uma cidade na Holanda JTC

Se algum professor de história se interessar, a introdução à Segunda Guerra Mundial em sala de aula pode ser feita, até mesmo, pelo futebol. O Slavia Praga, que está na mesma chave do Maccabi Haifa e também jogará na Berlim Oriental, foi fechado na década de 1940 pelos nazistas durante a invasão ao território tcheco.

As histórias prosseguem e são muitas, as quais certamente contaremos nas próximas semanas nas transmissões dos canais ESPN e FOX Sports, além do Star+. E não estão restritas à Conference League. Basta olhar para os grupos sorteados na Europa League e aguardar confrontos como Olympiacos x Fenerbahçe e Spartak Moscou x Legia Varsóvia, além da possibilidade de Estrela Vermelha x Dinamo Zagrebe e Rangers x Celtic nas fases de mata-mata.

O futebol é muito mais do que um jogo porque, para muitos, se torna a melhor forma de expressão da própria identidade.

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Barcelona com problemas, Vinicius Júnior decidindo... Estamos sem manchetes em LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Dembélé aos poucos vai retornando ao Barcelona
Dembélé aos poucos vai retornando ao Barcelona Barcelona

Brincamos no jornalismo esportivo que, quando mesmo assunto se repete várias vezes, "estamos sem manchetes". Basicamente é isso o que aconteceu em LaLiga na 15a rodada. O Barcelona, em seu longo e doloroso processo de reconstrução com Xavi, venceu sua partida, mas o bom futebol ainda está distante. Já o Real Madrid, em jogo que valia a liderança contra o Sevilla, ganhou com gols da dupla Karim Benzema e Vinicius Júnior, com destaque para o brasileiro e seu golaço no finalzinho.

Quem fugiu um pouco do padrão desta temporada, mas nem tanto assim, foi o Atlético de Madrid. Fora de casa goleou o Cádiz por 4 a 1 - segundo vitória por margem de três gols da equipe de Diego Simeone nesta temporada do Campeonato Espanhol. Abaixo está o resumo das dez partidas.

Athletic 2x2 Granada

Um jogo completamente maluco abriu a rodada de LaLiga na sexta-feira. Athletic e Granada empataram em 2 a 2 em uma partida com muitas chances dos dois lados, que poderia ter terminado com qualquer resultado. No primeiro tempo, após sair atrás no placar, a equipe de Robert Moreno melhorou e virou o placar de maneira merecida, jogando taticamente espelhada ao 4-4-2 de Marcelino García Toral. No segundo tempo, os bascos reagiram, pressionaram bastante, conseguiram o empate e quase viraram em lances que Luis Maximiniano (apesar do gol contra marcado) salvou. No final, com a expulsão de Iñigo Martínez, o Granada ainda teve oportunidade para fazer o terceiro. Enfim, jogo totalmente aberto, que no final das contas rendeu ao Athletic a quinta rodada consecutiva sem vitória.

LaLiga: Athletic Bilbao e Granada empatam em jogo emocionante marcado por gol contra bizarro; VEJA os melhores momentos




Alavés 1x2 Celta

A vitória tranformou a série de três empates seguidos em quatro rodadas de invencibilidade para o Celta, enquanto o Alavés perdeu pela primeira vez após cinco partidas. Santi Mina fez 1 a 0 para os visitantes e Joselu, com o sétimo gol dele em LaLiga, empatou para os donos da casa. Foi um jogo bem aberto, com 13 finalizações do Alavés e oito do Celta, que teve mais posse de bola com 58%. No segundo tempo, já com o gramado de Mendizorroza branco pela neve que caiu em Vitoria-Gasteiz, Iago Aspas perdeu um pênalti aos 25 minutos, mas marcou no rebote do goleiro Fernando Pacheco.

Alavés 1 x 2 Celta: veja os melhores momentos do jogo de LaLiga




Valencia 1x1 Rayo Vallecano

Um pênalti convertido por Carlos Soler aos nove minutos colocou o Valencia na frente. A partir daí, a sensação de LaLiga buscou o empate com Isi Palazón no segundo tempo e teve mais posse de bola (58%) e mais finalizações (12x8, 6x4 no alvo) no final das contas. O Rayo teve mais uma vez desfalques importantes, como Radamel Falcao García e Randy Nteka, e depois do empate correu muitos riscos. Na prática, Stole Dimitrievski impediu o segundo gol valenciano. Terceiro empate seguido para o Valencia, sexta posição na tabela para a equipe de Vallecas.

La Liga: Valencia empata em 1 a 1 com o Rayo Vallecano; veja os melhores momentos




Mallorca 0x0 Getafe

Na transmissão da ESPN Argentina, ao final do primeiro tempo, a equipe de transmissão citou Jean-Paul Sartre, “o ser e o nada”, para explicar o primeiro tempo nulo ofensivamente de Mallorca e Getafe. Somente os donos da casa tiveram finalizações certas na partida, apenas duas, apesar de um gol incrivelmente perdido por Mathias Olivera para o Getafe. Partida mais fraca tecnicamente da rodada de LaLiga.

Mallorca 0 x 0 Getafe: veja os melhores momentos do jogo de LaLiga




Villarreal 1x3 Barcelona

Os resultados estão aparecendo, mas o bom futebol ainda está bem distante do Barcelona. Em um jogo marcado por atuação muito ruim da arbitragem, o Barça venceu o Villarreal e manteve 100% de aproveitamento em LaLiga sob o comando de Xavi. Com pouco mais de um minuto, Dani Parejo deveria ter sido expulso por entrada violenta em Sergio Busquets. Além disso, houve um pênalti escandaloso para o Villarreal, cometido por Gerard Piqué que bloqueou uma finalização com o braço, não marcado por César Soto Grado. Fora tudo isso, a boa notícia para o Barça - que manteve a variação tática de três zagueiros quando atacava e 4-1-4-1 sem a bola - foi Philippe Coutinho, que entrou aos 35'/2T, jogou bem, sofreu um pênalti e converteu a cobrança. O Submarino Amarelo tem somente três vitórias após 14 rodadas.

Barcelona bate Villarreal por 3 a 1 com gols de De Jong, Memphis e Coutinho e mantém 100% na ‘Era Xavi’ em LaLiga




Betis 3x1 Levante

O primeiro hat-trick de Juanmi garantiu a vitória ao Betis, de virada, contra o Levante, e é um prêmio pela ótima temporada do atacante de 28 anos, que chegou a oito gols. Muito superior do início ao fim, a equipe de Sevilha só conseguiu marcar no segundo tempo, mas os números do jogo ajudam a entender o domínio: 60% de posse de bola e 26 a oito em finalizações. Nos dois primeiros gols de Juanmi, duas assistências de Willian José. O Beti, comandado por Manuel Pellegrini, está bem consolidado na briga por vagas em competições continentais.

LaLiga: Com hat-trick de Juanmi, Betis vence o Levante de virada e entra no G4




Espanyol 1x0 Real Sociedad

Terrível sequência da Real Sociedad, com uma única vitória nos últimos seis jogos em todas competições. Isso fez com que o time se complicasse na Europa League, onde precisará vencer o PSV, em casa, para avançar, e a distanciou da liderança de LaLiga - são 29 pontos em 15 jogos, quatro pontos a menos que o Real Madrid e uma partida a mais. O Espanyol, que venceu com gol do venezuelano Yángel Herrera aos 32 minutos do segundo tempo, continua com a boa campanha neste retorno à primeira divisão. 

Com gol de Yangel Herrera, Espanyol vence a Real Sociedad em LaLiga; veja o lance




Cádiz 1x4 Atlético de Madrid

A goleada foi toda construída no segundo tempo. Na primeira etapa, duas boas chances para o Atlético, mas um jogo bastante travado pelo Cádiz. O primeiro gol só saiu aos 11 minutos da segunda etapa, com Thomas Lemar, fundamental na criação do meio-campo colchonero - neste lance, aparecendo na grande área para finalizar de cabeça cruzamento de yannick Carrasco. A partir daí o jogo ficou mais aberto e o Atleti marcou mais dois gols, até sofrer o primeiro com Antony Lozano em mais uma falha de Jan Oblak na temporada. Matheus Cunha entrou bem na partida, aos 28'/2T, com um gol e uma assistência.

LaLiga: Goleiro franga, Cunha marca e Atlético de Madrid goleia o Cádiz; veja os melhores momentos



Real Madrid 2x1 Sevilla

Primeiro tempo de alto nível técnico, com muitas chances de gols dos dois lados. Rafa Mir abriu o placar, quase fez 2 a 0 e Lucas Ocampos mandou um lindo chute no travessão. Os merengues reagiram e, contra a marcação baixa do Sevilla, tinham Éder Militão e David Alaba com muito espaço para construírem; em uma finalização do brasileiro, Bono rebateu mal e Karim Benzema marcou. Na segunda etapa, o Real Madrid assumiu mais o protagonismo e no final pressionou muito em busca da vitória, que veio com um golaço de Vinicius Júnior, que agora soma nove gols na temporada de LaLiga, dois a menos que seu parceiro de ataque. Julen Lopetegui completou 100 jogos em LaLiga como treinador, com 55 vitórias, 24 empates e 21 derrotas - jamais venceu Real Madrid e Barcelona.

Vinicius Jr. tira golaço da cartola, e Real Madrid vence Sevilla de virada; veja os melhores momentos



Osasuna 1x1 Elche

Dois gols nos primeiros 20 minutos decretaram o empate entre Osasuna e Elche, em Pamplona. Antre Budimir fez de pênalti logo aos sete minutos para os bascos, enquanto Fidel empatou para os visitantes aos 19. O Osasuna não sabe o que é vitória há seis rodadas, enquanto o Elche não soma três pontos há sete. 

Budimir marca e Osasuna sai na frente com pênalti ‘bobo’, mas Elche empata com ‘redenção’ de Fidel; VEJA os gols



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Pela primeira vez, expatriados são maioria nas cinco grandes ligas europeias

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Cinco brasileiros estão no elenco atual do Real Madrid
Cinco brasileiros estão no elenco atual do Real Madrid D

Em 26 de dezembro de 1999, em pleno Boxing Day inglês, o Chelsea chamou a atenção de todos no país. Pela primeira vez na Inglaterra, um time era escalado sem qualquer jogador nacional, composto exclusivamente de 11 estrangeiros entre os titulares. Na época, o diretor do clube, Colin Hutchinson, afirmou que o Chelsea era um "clube continental jogando futebol na Europa". Os Blues venceram o Southampton naquele dia por 2 a 1, com dois gol do atacante norueguês Tore Andre Flo. De lá para cá, escalações com 100% de atletas estrangeiros se tornaram comuns pelo continente.

A própria terminologia mudou. Com a Lei Bosman em vigor desde dezembro de 1995 e o crescimento da União Europeia, apesar do Brexit, as fronteiras caíram também no futebol. Com isso, diversos jovens trocam de clube e país ainda na base, tendo toda, ou parte, da formação como jogador de futebol fora de seu país natal. Na prática, portanto, são estrangeiros, mas não entram na categoria de expatriados no futebol. Essa diferenciação é importante para entender os dados divulgados pelo CIES Football Observatory, centro de estudos do futebol localizado na Suíça. De acordo com o levantamento demográfico da entidade, pela primeira vez na história há mais expatriados nas cinco grandes ligas europeias do que jogadores formados nos clubes locais.

Premier League, LaLiga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1 possuem 50,1% de expatriados nos elencos. O estudo analisou 31 ligas de primeira divisão na Europa, contabilizando 12.141 jogadores de 473 clubes. Para serem incluídos no levantamento, os atletas precisavam constar na relação principal de suas equipes em 1o de outubro deste ano e terem jogado ao menos uma partida nesta temporada ou em cada uma das duas últimas. Goleiros reservas são as exceções a esta regra e também entraram na contagem. A média obtida em todo continente é menor (41,9%), mas retoma o índice de 2019 pré-pandemia, após pequena queda no ano passado (41,2%). Quando o CIES Football iniciou esse levantamento demográfico em 2009, a média nestas 31 ligas nacionais era de 34,8% de expatriados.

Base x Mercado

Há o efeito econômico e a correlação com a formação de novos jogadores. Campeonatos onde os clubes têm maior poder de investimento buscam mais talento estrangeiro e acabam dando menos espaço para atletas da base. Nas cincos grandes ligas europeias, por exemplo, apenas 14,2% dos elencos, na média, são de jogadores formados no próprio clube - para entrar nesta categoria, o atleta precisa ter passado ao menos três temporadas entre 15 e 21 anos no clube atual; a média do continente ficou em 18%. Nas dez ligas analisadas com pior ranking na UEFA, o índice sobe para 22,4% e os expatriados caem para 33%.

Outra consequência direta é a manutenção a longo prazo de jogadores no elenco. Ingleses, espanhóis, alemães, italianos e franceses trocam, em média, 31,6% de seus atletas a cada temporada, sem contar a promoção dos jovens da base. Na parte de baixo do ranking, a movimentação de mercado sobe para 42,5% - Ekstraklasa (Polônia), Allsvenskan (Suécia), Premier League (Belarus), Super Liga (Sérvia), Eliteserien (Noruega), A PFG (Bulgária), Super Liga (Eslováquia), 1.SNL (Eslovênia), NB I (Hungria) e Veikkausliiga (Finlândia). A pandemia provocou, na temporada passada, redução do índice no geral em toda Europa, caindo de 43,2% em 2019 para 40,9% em 2020 e 40,4% neste ano.

Exemplos práticos

Há extremos em todas pesquisas deste tipo. O clube, por exemplo, com a maior porcentagem de expatriados no elenco fica na Grécia, onde a média na liga nacional é de 60,2%. Não há na Europa equipe com mais jogadores formados fora do próprio clube do que o Aris, com 88,5%. Três brasileiros fazem parte do elenco da equipe de Tessalônica: o goleiro Denis, ex-São Paulo e Ponte Preta, o zagueiro Fabiano, ex-Chapecoense, Cruzeiro e Palmeiras, e o volante Lucas Sasha, que surgiu como promessa na base do Corinthians. O clube é uma Torre de Babel, com atletas oriundos de quase todos os continentes do planeta, com exceção da Oceania.

"Falamos em inglês. Inevitavelmente alguns grupos se formam, principalmente o pessoal que vem da África e que fala francês. Depois tem muitos argentinos e espanhóis, que ficam falando espanhol. Somos em três brasileiros e falamos o nosso português, mas quando todo mundo quer se juntar e tem algo para falar, tem que ser em inglês. Bom para nós, que acabamos aprendendo um pouco de cada língua. Sou um cara muito curioso, gosto de aprender outras culturas, pergunto bastante", conta Lucas Sasha, jogador do Aris desde 2019. Antes, o meio-campista passou por CSKA Sofia e Ludogorets, na Bulgária, e pelo Hapoel Tel Aviv, em Israel.

Lucas defende o Aris desde 2019 e está fora do Brasil há uma década
Lucas defende o Aris desde 2019 e está fora do Brasil há uma década Divulgação

Esse meio multi-cultural de um vestiário como do Aris promove muitas trocas entre os atletas, mas também acaba gerando algumas barreiras. "Realmente há muita diferença cultural, são culturas completamente diferentes, religiões diferentes, costumes diferentes. O mais importante é saber respeitar o limite do próximo. Digo isso para mim mesmo, porque sou um cara muito brincalhão e sei que muitas vezes uma brincadeira que eu faça com uma pessoa, não pode ser feita com outra. Aprendi isso na marra, brincando e a pessoa falando 'assim não'. É necessário respeitar o limite de cada um, saber até onde pode ir. Não apenas com brincadeiras, mas no dia a dia com os mais variados assuntos. Como no mundo todo, não é mesmo? Saber respeitar o espaço de cada um", completa Lucas.

Representantes das cinco grandes ligas estão muito próximos do Aris também. A Udinese perdeu a primeira posição apenas por 0,5%, enquanto o Atlético de Madrid ficou com 82,6% de média, bem acima do padrão de LaLiga (38,1%). Mais casos notórios são de Paris Saint-Germain (75%), Lille (76%) e Sevilla (64,3%). Por outro lado, somente três dos 473 times pesquisados não possuem qualquer jogador expatriado em seus elencos atuais: Paksi, da Hungria, Desna, da Ucrânia, e o mais óbvio de todos, pela política de utilização apenas de jogadores de origem basca, Athletic Bilbao. Em termos de ligas nacionais, a Sérvia é quem menos dá espaço para expatriados, somente 16,2% de todos atletas nos 16 clubes da primeira divisão.

Quando o assunto é utilização da base, nenhum clube supera o Zilina, quarto colocado no último Campeonato Eslovaco. Atualmente, 79,2% do elenco é formado por atletas formados em suas categorias menores, valor 56% acima do que se constata na Eslováquia, que mesmo assim apresenta a menor média de idade nas equipes, apenas 24,53. Nas cinco grandes ligas, também sem surpresas, o líder é o Athletic Bilbao com índice de 56%; entre todos os campeonatos analisados, a maior média ficou com a Noruega (29,2%) e a menor com a Turquia (8,5%). Há também 39 clubes que não possuem jogadores da própria base, e o que mais chamou atenção neste quesito foi a presença de três representantes de LaLiga: Getafe, Granda e Elche. O último caso tem gerado bastante polêmica na Espanha; o Elche pertence ao empresário argentino Christian Bragarnik, que tem investido muito em jogadores de seu próprio país e contrantando, inclusive, sócios de seu negócio - caso de Darío Benedetto.

Estabilidade merengue

Desde a temporada 2014-15, quando Toni Kroos trocou o Bayern pelo Real Madrid, o meio-campo merengue tem sido formado pelo alemão ao lado de Casemiro e Luka Modric. Além dos três, outros atletas importantes permanecem no elenco madridista há muito tempo, como Marcelo desde 2007 e Karim Benzema desde 2009. Tudo isso colabora sensivelmente para que a média de permanência no atual elenco do Real seja 4,21 anos por jogador. O valor é bem superior ao que se tem em LaLiga (1,66). Ainda na Espanha, mais especificamente no país Basco, o Athletic aparece novamente no levantamento do CIES Football com índice de 4,56 anos por atleta. Alguns exemplos opostos também podem ser obtidos território espanhol; o Sevilla, com sua política de muitas contratações e vendas, obteve média de 2,11, enquanto o Elche, já citado acima, ficou com 1,84.

Exemplos de estabilidade na Itália e na Alemanha são Sassuolo (4 anos) e Borussia Mönchengladbach (4,54 anos), enquanto em todo continente nenhum clube supera o CSKA Moscou e sua média de 4,83 anos por jogador no elenco atual. Mário Fernandes, brasileiro naturalizado russo, por exemplo, está no clube moscovita desde 2012, quando foi negociado pelo Grêmio por 15 milhões de euros. Sem falar, é claro, no goleiro Igor Akinfeev, de 35 anos, formado no próprio CSKA, desde 2002 na equipe profissional e recordista histórico de partidas. O extremo oposto ao CSKA Moscou também está no Leste Europeu, com o glorioso Dinamo Brest, de Belarus, que mantém seus jogadores no elenco em média por apenas um ano.

Há situações distintas também e de fácil explicação. Quando analisados os índices na comparação com a média do respectivo campeonato, três clubes da Premier League aparecem no top 10: Brentford, Norwich e Watford. São justamente os três que conquistaram o acesso para a Premier League nesta temporada e, com isso, fizeram mais investimentos em reforços. Isso fez com que a média de permanência no clube dentro do atual elenco caísse bastante. Já que o assunto é a Premier League, há ainda o caso do Burnley que possui a maior média de idade dos jogadores do atual elenco entre todos 473 clubes analisados, com 29,91 anos.

Processo migratório

No final das contas, mais uma vez o futebol reflete a sociedade. Esse alto fluxo migratório entre jogadores também acontece nos mais variados setores e níveis sociais, por motivos diversos e nem sempre valoráveis. Em 2016 a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o Pacote Global para Migração. Naquele ano, através da Declaração de Nova Iorque, como ficou conhecido o documento, os objetivos do acordo internacional foram divulgados: tratar todos os aspectos da migração internacional, incluindo as questões de tipo humanitário, de desenvolvimento e de direitos humanos, contribuir para a  governança mundial e fortalecer a cooperação sobre o tema, criar un marco legal para uma cooperação internacional integral que beneficie aos migrantes à mobilidade humana e seguir o plano marcado pela Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável e o Plano de Ação de Adis Abeba da Terceira Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento.

Na prática, porém, como temos visto nos últimos anos, a situação migratória na Europa tem provocado desastres humanitários. O futebol também tem suas histórias ruins envolvendo migração. Como quase sempre acontece no esporte mais praticado do mundo, os olhares globais se voltam para as transferências milionárias e os grandes clubes. No entanto, bem além das centenas de milhões de euros que circulam nas mãos de empresários, dentro de todos os números levantados pelo CIES Football há rostos e relatos de muita dificuldade também.

A trajetória de Vicente de Paula na Europa tem sido de muita dificuldade
A trajetória de Vicente de Paula na Europa tem sido de muita dificuldade D

Vicente de Paula, lateral brasileiro de 25 anos, defende atualmente o VPK-Ahro Shevchenkivka, na segunda divisão ucraniana. Em entrevista neste ano ao podcast Futebol no Mundo, ele lembrou das dificuldades que enfrentou em suas primeiras experiências europeias, quando passou pelo Bylis Ballsh, do futebol albanês em 2020. "Antes de ir para a Albânia me alertaram sobre alguns riscos, mas quando você tem um sonho, acaba ficando cego. Quer apenas jogar, não quer saber mais de nada. Quando cheguei lá foi horrível. Fui contratado através de outro agente, que me prometeu muitas coisas. Ele e o presidente. Assim que eu pisei na Albânia foi tudo diferente, começando pelo contrato. Prometeram apartamento, salários em dia e nada disso aconteceu. Foi muito constrangedor pra mim. O presidente mentiu em tudo".

O que aconteceu com Vicente acontece com vários outros atletas pelo mundo. "Quando cheguei no clube, o alojamento era horrível, e o combinado era que eu ficasse lá por três dias até alugarem meu apartamento. Não havia aquecedor no alojamento e lá faz muito frio. Conversei com um colega do time, argentino, que me levou para morar com ele. Fiquei um mês na casa dele, que me ajudou muito, inclusive com dinheiro. Até hoje não me pagaram os salários", completa. Porém, o pior ainda estava por vir, quando recebeu a notícia de que não havia mais esperança na cura de sua mãe. "Os médicos avisaram que minha mãe tinha mais uma semana de vida, por causa do câncer. Conversei com o presidente para voltar ao Brasil e poder ver minha mãe, o último adeus. O presidente foi muito ignorante, disse que eu não poderia voltar ao Brasil porque não retornaria depois à Albânia". Pouco depois disso, durante a pandemia e através de uma agência de jogadores no Brasil, que acionou a embaixada brasileira, ele conseguiu deixar a Europa.

Em maio deste ano, eram 1287 jogadores brasileiros espalhados pelo mundo. Mais do que qualquer outra nacionalidade.

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Na rodada de estreia de Xavi, os destaques foram todos do Real Madrid

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Antes da sequência de três partidas sem vitória no final de setembro e início de outubro - empate em 0 a 0 com o Villarreal e derrotas para Sheriff Tiraspol e Espanyol - o Real Madrid dava mostras de principal favorito ao título de LaLiga. Os resultados ruins devolveram o time "apenas" à condição de um dos favoritos, em mais uma temporada extremamente equilibrada do Campeonato Espanhol. De lá para cá são seis vitórias e um empate em todas competições, novamente com alto nível de jogo e excelentes desempenhos individuais.

Neste final de semana os merengues golearam o Granada por 4 a 1 e assumiram a liderança de LaLiga com 30 pontos em 13 partidas, graças ao empate entre Real Sociedad e Valencia. Na rodada de estreia de Xavi, o destaque mais uma vez foi o atacante brasileiro Vinicius Júnior, que assumiu a vice-artilharia do campeonato. Além disso, Toni Kroos deu duas assistências, Luka Modric mostrou todo seu talento novamente e Casemiro permanece extremamente regular no meio-campo do Real Madrid.

Benzema, Modric e Vinicius contruíram um belo gol para o Real Madrid, anotado pelo brasileiro
Benzema, Modric e Vinicius contruíram um belo gol para o Real Madrid, anotado pelo brasileiro Real Madrid

Confira abaixo resumos dos dez jogos da 14ª rodada de LaLiga.

Levante 0x0 Athletic

A chuva deixou o gramado do Ciutat de València quase impraticável no final do jogo. Choveu muito em Valência, o que prejudicou bastante a partida. Mesmo assim, o próprio Marcelino García Toral admitiu a falta de força ofensiva de sua equipe. Apesar de possuir a melhor defesa de LaLiga com apenas oito gols sofridos, o ataque é o pior entre os 13 primeiros colocados com 11 gols marcados, média inferior a um por jogo. O Levante segue sua sofrível jornada na temporada, que nada mudou com a chegada do técnico Javier Pereira: é o único time que ainda não venceu em LaLiga e ele se tornou o pior técnico estreante pelo clube (duas derrotas e três empates).

Levante e Athletic Bilbao empatam por 0 a 0 em LaLiga em noite de brilho dos goleiros; veja os melhores momentos




Celta 1x1 Villarreal

Resultado ruim para as duas equipes, já que o Celta permanece próximo à zona de rebaixamento e o Villarreal não consegue alcançar a parte de cima da tabela. De qualquer modo, partida bem disputada, com dois times que gostam da posse de bola e jogam ofensivamente; os números ajudam a mostrar isso: 57% de posse para o Celta e 30 finalizações no total, com 18 para o Villarreal. O primeiro gol saiu em falha de Matías Dituro, que soltou a bola nos pés de Dani Parejo, que apenas rolou para Alberto Moreno marcar na pequena área. O empate também surge de um vacilo de goleiro, desta vez Gerónimo Rulli, que rebateu chute de Fran Beltrán (o 1 do 4-1-3-2 do Celta) para o meio da área e Brais Méndez aproveitou.

Com Thiago Galhardo em campo, Celta de Vigo empata com Villarreal em 1 a 1; veja os melhores momentos




Sevilla 2x2 Alavés

Assim como em Valência no dia anterior, muita chuva em Sevilha; o que prejudicou bastante o jogo dos donos da casa. Com 68% de posse de bola, o Sevilla saiu atrás no placar, com o gol marcado por Víctor Laguardia aos cinco minutos, mas buscou o empate com Lucas Ocampos. Porém, em um polêmico pênalti marcado pelo árbitro Alejandro Muñiz no final do primeiro tempo - a bola bate no braço de Ocampos, que estava na barreira em cobrança de falta -, Joselu fez o segundo do Alavés. Com o gramado bastante encharcado, o Sevilla teve muitas dificuldades para criar ofensivamente no segundo tempo, mas mesmo assim conseguiu o empate aos 47 minutos com Ivan Rakitic. Os comandados de Julen Lopetegui seguem com fortíssima campanha: oito vitórias, quatro empates e somente uma derrota.

Em um jogo molhado, Rakitic marca nos acréscimos e Sevilla empata com o Alavés; veja os melhores momentos




Atlético de Madrid 1x0 Osasuna

Com alguns dos sul-americanos que jogaram a Data FIFA no banco, Diego Simeone mudou o Atlético. Variou taticamente na linha de defesa, alternando entre cinco e quatro jogadores: Mario Hermoso foi lateral em muitos momentos, deixando Yannick Carrasco à frente na segunda linha de marcação. Thomas Lemar ganhou liberdade para avançar no meio-campo, se posicionando na altura do campo ao lado de Ángel Correa. Antoine Griezmann foi o atacante central. Bom jogo do Atleti, mas novamente com enorme dificuldade em tranformar as chances criadas em gol. Tanto é que venceu novamente no sufoco, graças à cabeçada de Felipe aos 42 minutos do segundo tempo após cobrança de escanteio. De qualquer modo, três pontos importantíssimos após o empate sofrido para o Valencia na rodada passada.

Com gol do brasileiro Felipe, ex-Corinthians, Atlético de Madrid vence o Osasuna; veja



Barcelona 1x0 Espanyol

A confiança voltou às arquibancadas do Camp Nou. Na estreia de Xavi como treinador do Barcelona, mais de 70 mil torcedores apoiaram a equipe no dérbi com o Espanyol. Precisarão de paciência, de qualquer modo, porque o time ainda apresentou velhos problemas, mesmo vencendo por 1 a 0. Xavi lançou o garoto Ilias Akhomach aberto na direita em seu 4-3-3 e no intervalo o substituiu pelo marroquino Abdessamad Ezzalzouli; o primeiro de 17 anos e o segundo de apenas 19. Dois exemplos do que está por vir no Barça, com aproveitamento dos garotos e recuperação da ideia de jogo culé. Em campo, o Espanyol poderia tranquilamente ter empatado. Raúl de Tomás desperdiçou oportunidades que, nesta temporada, não vem perdendo. O único gol saiu de pênalti, polêmico, convertido por Memphis aos três minutos do segundo tempo.

LaLiga: Memphis Depay marca, e Barcelona vence o Espanyol na estreia de Xavi 



Getafe 4x0 Cádiz

Demorou para vencer, mas agora o Getafe soma duas vitórias nas três últimas rodadas de LaLiga. Não marcava quatro gols em um jogo desde 1o de dezembro de 2019, quando goleou o Levante no Campeonato Espanhol por 4 a 0. Coincidentemente, com o 4 a 0 deste domingo sobre o Cádiz, deixou a lanterna da competição para o Levante. Apesar da posse de bola pouco menor (47%), o Getafe criou bem mais no ataque, com 17x10 em finalizações e 8x2 no alvo - os três primeiros gols foram todos em cabeçadas. Aos poucos o bom técnico Quique Sánchez Flores vai melhorando a equipe da grande Madri, que sentiu muito a saída de José Bordalás.

LaLiga: VEJA os melhores momentos da goleada do Getafe sobre o Cádiz 



Granada 1x4 Real Madrid

Vitória tranquila de um Real Madrid muito confiante. Toni Kroos foi deciviso no primeiro tempo com duas assistências e Vinicius Júnior mais uma vez brilhou no ataque - desta vez com um gol, muitos dribles e uma expulsão conquistada (Monchu). O alemão e o brasileiro foram os protagonistas em uma tarde de boa atuação coletiva. No primeiro gol, Vinicius recupera a bola no meio-campo e Kroos dá a assistência para Marco Asensio. O Granada, de Robert Moreno, após levar dois gols em 25 minutos, subiu as linhas do 4-4-2 e deu campo para os merengues jogarem. Descontou com Luis Suárez, após Vinicius perder a bola no meio, mas não aguentou a força adversária na segunda etapa. LaLiga tem velho novo líder.

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Elche 0x3 Betis

Quinto colocado de LaLiga, o Betis confirmou o favoritismo e venceu bem o Elche, que permanece na zona de rebaixamento. O resultado derrubou o técnico Fran Escribá, demitido pelo clube da província de Alicante. Além do mais, os comandados de Manuel Pellegrini se recuperam de duas derrotas seguidas bem pesadas (0x3 Atlético e 0x2 no dérbi com o Sevilla). E olha que o Betis não teve total controle do jogo, com 42% de posse de bola e menos finalizações no total (nove contra 14); o que fez a diferença foi o incrível aproveitamento nas chances criadas, com três gols marcados em quatro arremates certos nos primeiros 30 minutos. Quando perdeu Héctor Bellerín, expulso aos 22 minutos do segundo tempo, a vitória já estava encaminhada e aí o Elche foi com tudo para o ataque.

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Real Sociedad 0x0 Valencia

Partida com pouquíssimas chances claras de gol. Na prática, apenas a Real Sociedad realmente criou para abrir o placar ainda no primeiro tempo. O Valencia apresentou muito pouco ofensivamente, e mesmo quando esteve com um jogador a mais em campo (desde 31'/2T com a expulsão de Aritz Elustondo) permaneceu com enorme dificuldade em ameaçar o gol de Álex Remiro - que não fez qualquer defesa difícil no jogo, diferentemente de Jasper Cillessen que teve que trabalhar bem mais. No final das contas, partida decepcionante pela expectativa que havia antes do confronto entre Imanol Alguacil e José Bordalás.

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Rayo Vallecano 3x1 Mallorca

Na falta do protagonista Radamel Falcao García, que ficou no banco ainda sem as melhores condições físicas, Óscar Trejo assumiu o protagonismo do Rayo Vallecano.  Um gol, uma assistência (sete agora, lidera LaLiga ao lado de Benzema) e lindas jogadas do meia argentino na vitória por 3 a 1 sobre o Mallorca. Campanha incrível do Rayo como mandante: cinco vitórias e um empate jogando em Vallecas. Andoni Iraola tem o time nas mãos, bem organizado com e sem a bola na variação do 4-2-3-1 para o 4-4-2. Já o Mallorca, soma agora seis rodadas sem vitória - time sente muito a falta de Takefusa Kubo.

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Casemiro fala sobre Vinicius Jr., trio com Kroos e Modric e necessidade de jogos perfeitos na Copa

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Aos 29 anos, Casemiro vive o apogeu da carreira. Experiente, titular indiscutível do Real Madrid e da seleção brasileira, o meio-campista se prepara para os próximos compromissos do Brasil pelas eliminatórias. No último sábado (6), esteve em campo na vitória merengue sobre o Rayo Vallecano por 2 a 1, resultado que manteve o Real na segunda posição de LaLiga. Jogo marcante para o jogador, que alcançou a marca de 200 na competição.

Antes da viagem para se unir aos comandados de Tite, Casemiro respondeu as perguntas da ESPN sobre seu atual momento na carreira e também de alguns dos seus companheiros em Madri. Como por exemplo Vinicius Júnior, de temporada incrível, e Karim Benzema, acumulando recordes e mais recordes pelo clube espanhol. Na carreira como madridista são 301 partidas no geral, com 204 vitórias e 30 gols, incluindo alguns bem decisivos - como na final da Champions League de 2016-2017 contra a Juventus.

Os jogos do Real Madrid, de Casemiro, por LaLiga, você assiste AO VIVO pela ESPN no Star+. O time volta a campo pela disputa nacional no domingo 21 de novembro, contra o Granada, às 12h15 (horário de Brasília), fora de casa em compromisso pela 14ª rodada.   

Casemiro é o terceiro brasileiro com mais jogos pelo Real Madrid (301), atrás apenas de Marcelo (532) e Roberto Carlos (527). Ao lado do atual lateral-esquerdo, compartilha a condição de jogador nascido no Brasil com mais títulos de Champions (quatro). Isso sem falar nos três Mundiais, duas LaLigas, duas supercopas europeias...

São 200 jogos em LaLiga, dois títulos conquistados e momentos memoráveis. Qual foi a partida mais marcante para você?
Quando eu cheguei ao Real Madrid Castilla eu sonhava jogar pelo time principal, mas nunca imaginava que poderia construir uma trajetória tão importante dentro do clube. Por conta disso eu valorizo cada jogo com essa camisa e fica muito difícil escolher um único jogo. Todos os jogos pelo Real Madrid são importantes e encaro cada um como se fosse o meu primeiro.

Você tem dimensão do seu tamanho na história do Real Madrid? Afinal, além dos títulos conquistados e dos números acumulados, você forma com Toni Kroos e Luka Modric um trio de meio-campistas inesquecível para o madridismo.
Procuro não pensar nisso. É um privilégio jogar tantos anos no maior clube do mundo e acho que só terei a dimensão do que consegui construir quando tudo isso acabar um dia. Sobre jogar ao lado do Luka Modric e do Toni Kroos é um privilégio. Vou levar para a minha vida inteira o fato de ter atuado tanto tempo ao lado deles e vou contar para os meus netos que pude jogar com dois jogadores excepcionais, dois ícones do futebol.

O Real Madrid tem jovens jogadores em destaque, mas acima de tudo uma base muito experiente, da qual você faz parte e que já joga junto há muito tempo. O que mudou no time com a saída de Zinédine Zidane e o retorno de Carlo Ancelotti?
Cada treinador tem seu método de trabalho e felizmente estamos tendo uma ótima adaptação ao método do Carlo Ancelloti, assim como tivemos por muito tempo com o Zidane. Mas quero destacar um ponto em especial que encanta muito em relação ao Ancelotti. É um senhor de 62 anos, com mais de 40 anos no futebol e que já conquistou tudo, mas é incrível a determinação de vencer e de nos ensinar com toda a sua experiência a cada dia.

Vinicius Júnior é hoje o jogador brasileiro em melhor fase na Europa?
O que posso dizer é que o Vinicius vive seu melhor momento, uma fase especial e além disso é jovem, tem um potencial de crescimento muito grande.

Karim Benzema merece a Bola de Ouro?
É um privilégio jogar ao lado do Karin Benzema e torço muito para que ele ganhe Bola de Ouro. 

As saídas de um símbolo do clube, como Sergio Ramos, e de Raphaël Varane, campeão mundial com a França, têm sido minimizadas pelo nível de atuação de Éder Militão e a chegada de David Alaba. Você também é parte fundamental na estrutura defensiva da equipe. O que mais contribui para o entrosamento da nova defesa merengue?
Sergio Ramos e Varane são dois ícones da história do Real Madrid, mas acredito que o Militão e o Alaba estão muito bem e se entrosaram rapidamente pela qualidade que possuem. O Militão já vinha tendo um papel importante na temporada passada e o Alaba é um jogador excepcional, com uma carreira fantástica.

Há muitas temporadas se discute quem é o melhor volante, ou meio-campista defensivo, do futebol mundial. A discussão sempre fica entre você e N'Golo Kanté. Quem é o melhor jogador da posição?
Prefiro que você responda essa (risos), mas gosto de lembrar que o Kanté, apesar de ser um jogador extraordinário, vem jogando no Chelsea em uma outra posição, com mais liberdade para chegar ao ataque, e o primeiro volante é o Jorginho. Vale lembrar também que há outros jogadores de altíssimo nível nessa função, como o Busquets e o Fabinho. Mas só pelo fato de ser citado como um dos melhores já fico feliz e sigo trabalhando para evoluir cada vez mais.

É comum ouvir que a posição de goleiro foi a que mais evoluiu no futebol. A sua posição, no entanto, também passou por enorme transformação nas últimas décadas. Nos grandes clubes da Europa, já não há espaço para o "volante brucutu", que apenas desarma. Toda construção de jogo do Real Madrid, por exemplo, começa na saída em três contigo e os dois zagueiros. Você considera que, assim como sua posição, evoluiu no entendimento do jogo?
Acho importante lembrar que no passado tivemos jogadores como Mauro Silva, César Sampaio, Dunga, Makélélé, Gilberto Silva, entre outros, que eram primeiros volantes e tinham muita qualidade para jogar. Ou seja, não estamos inventando nada, talvez só resgatando um pouco dessas características e valorizando novamente essa posição. Sobre o entendimento do jogo é um ponto que procuro evoluir cada vez mais e a experiência é importante para isso. É claro que jogando em um clube como o Real Madrid, ao lado de grandes jogadores, fica mais fácil de melhorar em todos os aspectos. 

Sobre seleção brasileira, apesar da derrota na final da Copa América para a Argentina, o domínio do Brasil nas eliminatórias tem sido incrível. Na prática, sob o comando de Tite os números da equipe são impecáveis. A seleção brasileira está, atualmente, no grupo das seleções mais fortes do mundo ou precisa melhorar nos próximos meses para alcançar, por exemplo, a França até a Copa de 2022?
Acredito que estamos no caminho certo e acho que os números mostram isso. É claro que as pessoas esperam sempre jogos bonitos da Seleção, como foi o último, por exemplo, e esse também é o nosso objetivo, mas não é possível fazer isso sempre. Mas acredito que temos um trabalho consistente e que pode evoluir ainda mais nesse ano que falta até a Copa. Sabemos que temos que chegar à Copa do Mundo para fazer sete jogos perfeitos. 

Casemiro foi campeão da Copa América de 2019 com a seleção brasileira
Casemiro foi campeão da Copa América de 2019 com a seleção brasileira Lucas Figueiredo / CBF
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Casemiro fala sobre Vinicius Jr., trio com Kroos e Modric e necessidade de jogos perfeitos na Copa

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Real Sociedad vai se manter na briga pelo título de LaLiga até o final?

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Essa é a pergunta de um milhão de euros, ou melhor, cerca de 160 milhões de euros já que o assunto é LaLiga Neste domingo, a Real Sociedad venceu o Osasuna por 2 a 0 e se manteve na liderança do Campeonato Espanhol, agora com 28 pontos em 13 rodadas. Após a derrota na estreia para o Barcelona, a equipe basca não perdeu mais em LaLiga.

Na temporada passada, a Real Sociedad também liderou no início da competição. No entanto, lesões de alguns dos seus principais jogadores derrubaram rapidamente o time da primeira posição. O quinto lugar na classificação final ficou de bom tamanho pelo desempenho, principalmente nos confrontos diretos com Sevilla, Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid. Agora a história parece ser diferente.

Januzaj marcou o segundo gol na vitória da Real Sociedad por 2 a 0 sobre o Osasuna
Januzaj marcou o segundo gol na vitória da Real Sociedad por 2 a 0 sobre o Osasuna Real Sociedad

David Silva, Alexander Isak, Ander Barrenetxea, entre outros já se machucaram, perderam jogos, mas a Real Sociedad não perdeu rendimento. Imanol Alguacil conseguiu, até aqui, mesmo com os desfalques, manter sua equipe com a mesma intensidade ofensiva e a característica regularidade defensiva - o ataque é o quarto melhor de LaLiga e a defesa a terceira menos vazada com dez. Além disso, apresenta variação tática, deixando em vários momentos o 4-3-3 de lado para usar dois centroavantes, com a entrada de Alexander Sorloth. Apesar da derrota para o Barça, empatou com Atlético e Sevilla; enfrentará o Real Madrid em 4 de dezembro, em San Sebastián. Esse será um confronto decisivo para demonstrar as reais pretensões bascas.

O Real Madrid, que tem uma partida a menos e está com 27 pontos, evolui a cada jogo, mesmo sem brilhar. Vinicius Júnior e Karim Benzema somam 17 gols, menos apenas que Robert Lewandowski e Serge Gnabry (19) nas cinco grandes ligas europeias. Passa a impressão de equipe mais regular, em uma temporada totalmente aberta na Espanha. Com a irregularidade do Atlético, que no papel é o time mais forte, a disputa fica mais equilibrada também considerando o Sevilla, que é outro time que está com uma partida a menos e 27 pontos.

No entanto, se deixarmos de lado a briga pelo título e pensarmos em classificação para a próxima Champions, a vantagem da Real é olhar o Barcelona bem distante neste momento. Situação que, naturalmente, pode mudar com a chegada de Xavi, mas fora os culés, é improvável que Betis, Rayo Vallecano, Athletic ou Osasuna entrem nessa disputa. Vale lembrar também, que a Real Sociedad está na Europa League e briga pela classificação para a próxima fase com PSV e Monaco.

Abaixo está o resumo da 13a rodada de LaLiga.

Athletic Bilbao 0x1 Cádiz

O Athletic voltou a decepcionar. Após boa sequência de resultados e um empate emocionante com a Real Sociedad na última rodada, a equipe do técnico Marcelino García Toral, mesmo com 70% de posse de bola, fez outro jogo ruim em LaLiga e perdeu para o Cádiz por 1 a 0. Esta foi apenas a segunda vitória do time comandado por Álvaro Cervera, conquistada graças ao gol solitário marcado por Salvi logo aos seis minutos.


         
     

Espanyol 2x0 Granada

Na rodada passada, o Espanyol garantiu ao Getafe sua primeira vitória na temporada; nesta, não vacilou e confirmou o favoritismo contra o Granada. Para variar, Raúl de Tomás marcou mais um gol (sétimo dele) e foi decisivo no 2 a 0, contra um adversário que também criou boas oportunidades. No final das contas, o Granada terminou a partida com maior posse de bola (57%) e mais finalizações (18 x 17).


         
     

Celta 3x3 Barcelona

Xavi terá muito trabalho pela frente. No segundo e último jogo de Sergi Barjuán como técnico interino, o Barcelona abriu 3 a 0 e levou o empate do Celta no segundo tempo, com o gol decisivo marcado por Iago Aspas aos 51 minutos. A equipe de Vigo pressionou muito na segunda etapa e foi bem superior, tendo inclusive maior posse de bola que os catalães (52%). Para piorar para o Barça, Ansu Fati sofreu uma lesão muscular e deve ficar fora por algumas semanas.


         
     

Alavés 2x1 Levante

Está mais do que confirmada a reação do Alavés. São três vitórias e um empate nas quatro últimas rodadas, sequência que colocou o time na 14a posição. Joselu é o maior responsável com os dois gois diante do Levante e cinco dos oito que a equipe de Vitoria-Gasteiz marcou até aqui. Aos poucos o Alavés vai se colocando em uma situação mais condizente com o time que tem. Por outro lado, o Levante permanece como único time que ainda não venceu na temporada de LaLiga.


         
     

Real Madrid 2x1 Rayo Vallecano

O dérbi madrilenho entregou o que se esperava: um grande jogo. Venceu o melhor time, que tem mais talento e criou mais oportunidades, mas que não soube "matar" a partida e levou sufoco no final. O trio de ataque madridista funcionou muito bem, com Asensio-Benzema-Vinicius; o brasileiro quase marcou um golaço, arrancando com a bola no meio-campo. O Rayo melhorou na segunda etapa com as substituições de Andoni Iraola e viu Falcao García entrar, marcar e sair machucado depois de 11 minutos. 


         
     

Villarreal 1x0 Getafe

Eram quatro rodadas em LaLiga sem vitória e uma semana que começou com a possível saída de Unai Emery para o Newcastle. Finaliza com vitórias sobre  Young Boys, pela Champions, e Getafe, pelo Campeonato Espanhol, além da certeza de continuidade do treinador. De qualquer modo, o Submarino Amarelo precisa jogar mais; ganhou sem grande atuação contra o Getafe, que na rodada passada vencera pela primeira vez na temporada e pouco criou contra o Villarreal - somente cinco finalizações na partida. 


         
     

Valencia 3x3 Atlético de Madrid

Depois da emoção em Barcelona no sábado, o Valencia foi o responsável pela partida espetacular de domingo. O Atlético fez 1 a 0 com Luis Suárez (14o dele contra os Ches, sua principal vítima na carreira), no primeiro tempo, em bela jogada trabalhada com Antoine Griezmann e Ángel Correa - Atleti no 3-4-3 mais uma vez. Os colchoneros levaram o empate no início da segunda etapa, mas logo na sequência marcaram dois gols (um golaço de Griezmann) e retomaram a vantagem. Já nos acréscimos, Hugo Duro marcou duas vezes e garantiu a igualdade. Foi a primeira vez na história de LaLiga, que o Atlético com Diego Simeone como treinador não ganha um jogo após abrir dois gols de vantagem.


         
     

Osasuna 0x2 Real Sociedad

Não era um bom jogo da Real Sociedad, que mais uma vez não conseguiu marcar no primeiro tempo - isso aconteceu em 11 das 13 partidas. O Osasuna, já na etapa final, tinha as melhores chances e chegava com perigo no ataque. Isso até 27 minutos, quando Mikel Merino finalizou de fora da área, a bola desviou e nada pôde fazer Sergio Herrera. A partir daí a equipe basca foi bem superior e ampliou dez minutos depois com Adnan Januzaj, cobrando pênalti que ele mesmo sofreu. Mais uma vitória e manutenção da liderança de LaLiga garantida.  


         
     

Mallorca 2x2 Elche

Mais uma partida de LaLiga decididas nos acréscimos. O Elche perdeu a chance de voltar para casa com três pontos, graças ao gol marcado por Pablo Maffeo aos 50 minutos do segundo tempo. Resultado, no final das contas, ruim para as duas equipes, que não vencem há quatro rodadas - pior para o Elche, primeiro na zona de rebaixamento. O atacante argentino Lucas Boyé marcou os dois gols dos visitantes e chegou a quatro na temporada.

Betis 0x2 Sevilla

Primeiro tempo muito bom, com chances para os dois lados. O Sevilla esteve melhor desde o início, assumindo o controle com maior posse de bola, mas foi ameaçado pelo Betis. Tudo mudou com a expulsão de Guido Rodríguez, que recebeu o segundo cartão amarelo aos 45 minutos. No intervalo Manuel Pellegrini sacou Willian José, colocou William Carvalho, reorganizou o meio-campo, mas levou o 1 a 0 logo aos dez em um golaço de Marcos Acuña. Jogando no 4-2-3-1, com Ivan Rakitic como meia avançado, o Sevilla dominou até o fim e fez o segundo com a ajuda de Héctor Bellerín.

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Conheça o treinador alemão que lamentou o 7 a 1

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

"Depois de 25 minutos de jogo, fui dormir com raiva. Não aguentava mais". Esse poderia ser o relato de algum torcedor brasileiro apaixonado pela seleção, que sofreu uma de suas maiores decepções naquele fatídico 8 de julho de 2014, data do 7 a 1. No entanto, a frase é de um treinador alemão de futebol. Há explicação para isso.

Aos 38 anos, Andre Visser mora no Brasil desde novembro de 2019. Filho de mãe brasileira, se acostumou a passar férias por aqui até decidir, também pelos negócios da família, fixar residência em terras tupiniquins. Andre foi jogador profissional na Alemanha e em Portugal, goleiro de times menores, mas com passagem pela equipe B do Eintracht Frankfurt. Parou cedo de jogar, aos 23, após quatro cirurgias no braço. Então se dedicou aos estudos, alcançando a Licença A da UEFA para treinadores. Já com a formação profissional para treinar, trabalhou na base da federação alemã (DFB) do sub-15 ao sub-18 e em clubes pequenos da região de Bremen, onde nasceu.

Andre Visser mora no Brasil desde 2019
Andre Visser mora no Brasil desde 2019 Vitor Recla | Rio Branco

"Sempre foi um sonho viver aqui, e um belo dia fechei os olhos e decidi me mudar com meus dois cachorros", lembra Andre, que mora atualmente em Linhares, no Espírito Santo, com os parentes brasileiros. A família carrega também outros DNAs importante do futebol no sangue; por parte do pai, alemão, há ascendência holandesa, assim como italiana por parte da mãe. No início deste ano, aceitou o convite para comandar o Rio Branco no Campeonato Capixaba e na Copa do Brasil. Antes disso, não pensava em lidar diretamente com futebol, estava disposto a abrir uma consultoria empresarial. No entanto, em Linhares souberam de "um alemão que trabalha com futebol", como ele mesmo explica, e ele passou a colaborar amigavelmente com o Linhares Futebol Clube em 2020. Por conta dessa relação surgiu o interesse do Rio Branco, e é uma boa história para contar.

"O presidente do Rio Branco me ligou no dia 31 de dezembro de 2020. Eu achei que era uma pegadinha, quando começou a falar sobre treinar o time. Estava reunido com a família, churrasco, uma ou duas caipirinhas, achei que era uma brincadeira dos meus amigos. Pedi para me ligar no dia seguinte, e ele me ligou às 9h30. Aí comecei a entender que era verdade, porque ninguém ligaria tão cedo no primeiro dia do ano". A partir daí o acerto foi rápido e fácil, apesar da enorme dificuldade do clube pela falta de estrutura no departamento de futebol.

Os resultados apareceram rapidamente. Trabalhou no grupo de jogadores com Paulinho, ex-Flamengo, e se surpreendeu com o interesse dos atletas em aprenderem novas ideias. Nos quatro primeiro jogos, três vitórias e uma derrota; incluindo o triunfo sobre o Sampaio Corrêa, da Série B, por 2 a 1 pela Copa do Brasil, garantindo a inédita classificação para a segunda fase do torneio. Andre, porém, teve que interromper o seu trabalho logo após essas quatro partidas por ter pego COVID; e seu quadro se tornou mais grave por ser diabético, tendo inclusive que ser internado.

Thiago Silva relembra derrota por 7 a 1 para a Alemanha


  


         
 


    

 

Após se recuperar totalmente, a diretoria do Rio Branco o procurou novamente no segundo semestre, mas com o time em situação ruim na Série B. A equipe tinha apenas quatro pontos em seis jogos; já nas três primeiras partidas com Andre Visser, o Rio Branco somou cinco pontos. Nos dois derradeiros jogos, no entanto, duas derrotas selaram a eliminação. Logo na sequência, um pouco de futebol brasileiro na vida do técnico de futebol: "Quando aceitei o convite para retornar ao Rio Branco, me foi prometido um elenco forte e autonomia no trabalho, porém, nas últimas semanas isso não aconteceu. Não chegaram contratações e a gestão do clube tem optado por não renovar com jogadores importantes da equipe. Tem faltado organização e o elenco está cada vez mais enxuto. Como não tem sido feito o que foi combinado, optei pelo meu desligamento, explicou na época Andre.

Contatos já surgiram nos últimos meses, mas nada foi concretizado. Andre Visser segue observando o futebol brasileiro e acumulando experiências. "Quarta divisão na Alemanha é equivalente à Série B ou C no Brasil. Taticamente e tecnicamente com certeza, na parte física acho que os times brasileiros são superiores". Andre reclama da postura dos treinadores brasileiros que viu atuarem, acredita que brigam muito com os jogadores e pouco os orientam em campo. "Mantenho contato com meus jogadores do Rio Branco até hoje. Um elenco com jogadores top, acho que se trabalhássemos com esse grupo da primeira à última rodada na Série D a classificação era garantida".

Foram poucos jogos do Rio Branco sob o comando de Andre Visser neste ano
Foram poucos jogos do Rio Branco sob o comando de Andre Visser neste ano Vitor Recla | Rio Branco

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O brilho e a estabilidade do Real Madrid passam por Vinicius Júnior e Casemiro

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Dez jogadores brasileiros começaram a partida entre Real Madrid e Shakhtar Donetsk, nesta quarta-feira, pela Champions League. Fernando, pelo lado ucraniano, foi o único a marcar, mas quem brilhou foi Vinicius Júnior, mais uma vez. Deu as duas assistências para os gols marcados por Karim Benzema, que definiram a vitória merengue por 2 a 1.

Não há no futebol mundial um atacante brasileiro em melhor fase do que Vini Júnior. São 15 jogos na temporada, contando LaLiga, com nove gols e sete assistências. Bem além dos números, protagonismo e confiança de sobra para ser um dos destaques merengues. Muito disso passa pela forma como atua sob o comando de Carlo Ancelotti, e acima de tudo pela sequência recebida, algo que não acontecia com Zinédine Zidane e não acontece com Tite na seleção brasileira. Vinicius ainda tem apenas 21 anos e muito a melhorar.

Vinicius Jr. na Champions League: os números do craque do Real Madrid no principal torneio da Europa

         
     

No 4-3-3 estabelecido por Carleto em Madri, joga aberto pelo lado esquerdo e é a válvula de escape da equipe. Em vários momentos de recuperação de bola, os jogadores do Real Madrid imediatamente acionam o atacante brasileiro para puxar o contra-ataque na velocidade, até mesmo Thibaut Courtois. Com campo para jogar, é quase imparável neste momento no um contra um. Taticamente, também tem que fechar o lado do campo no 4-1-4-1, mas há uma peça fundamental no equilíbrio tático e nas coberturas: Casemiro.

Se o atacante brasileiro é quem brilha ao lado de Benzema, o meio-campista defensivo se destaca pela incrível regularidade. Contra o Shakhtar, Casemiro alcançou a marca de 300 jogos oficiais pelo Real Madrid - fica atrás apenas de Roberto Carlos e Marcelo. Contra o Shakhtar foi responsável por dois desarmes, uma interceptação, um passe decisivo, cinco lançamentos certos e 88,5% de acerto nos passes. Desde 2015-16 forma ao lado de Luka Modric e Tony Kroos uma trinca de meio-campo histórica no clube com três títulos de Champions e dois de LaLiga.

Se a confiança adquirida por Vinicius Júnior tem sido fundamental nesta temporada, Casemiro, aos 29 anos, vive um momento de plenitude na carreira. Domina completamente o setor do campo onde atua, joga com a cabeça erguida, parece saber os próximos movimentos de seus adversários para se antecipar a eles. Na prática, há muitos anos, disputa com N'Golo Kanté a condição de melhor do mundo na posição de meio-campista defensivo. Com Carlo Ancelotti, assim como era com Zidane, é um dos pilares da equipe em todas fases do jogo; desde a saída de bola em três, passando pelos lançamentos para os atacantes e a força defensiva.

Pelo nível de jogo apresentado pelo Real Madrid na temporada, há times que estão jogando mais; Bayern e Liverpool são os exemplos mais evidentes. LaLiga, no entanto, está totalmente aberta e, a cada rodada, os merengues passam a impressão de evolução. Na Champions League, ninguém em sã consciência duvida do Real Madrid. E muito de tudo isso passa pelos pés de Casemiro e Vinicius Júnior.

Benzema e Vini Jr: a dupla poderosa do Real Madrid
Benzema e Vini Jr: a dupla poderosa do Real Madrid Twitter Real Madrid

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Outra rodada para mostrar o equilíbrio e a disputa aberta pelo título desta temporada de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A Real Sociedad permanece na liderança de LaLiga
A Real Sociedad permanece na liderança de LaLiga Real Sociedad

Na região sul de Madrid, no barrío obrero de Vallecas, deu a lógica. Por mais incrível que possa parecer, a vitória do Rayo Vallecano, em casa, contra o Barcelona era uma aposta segura. A boa equipe do técnico Andoni Iraola manteve aproveitamento de 100% como mandante em cinco jogos e derrubou Ronald Koeman no Barça. Outro resultado que passou bem longe de ser surpreendente foi o empate do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, com o Osasuna. Por mais que tenham jogado muito mais, os merengues pararam na organização defensiva dos comandados de Jagoba Arrasate, sétimos na tabela.

Somem a isso mais um tropeço do Atlético de Madrid, outra vitória da Real Sociedad, outro empate do Sevilla e a confirmação do ótimo momento vivido pelo Betis e temos uma disputa excelente pelas primeiras posições depois de 11 rodadas de LaLiga. Há times com um jogo a menos ainda, graças aos adiamentos ocorridos devido às Datas FIFA. De qualquer modo, cinco times somam apenas uma derrota, cada, até aqui: Real Sociedad, Real Madrid, Sevilla, Atlético e Athletic. Na outra ponta da tabela, Getafe e Levante são os únicos que ainda não venceram e ocupam a zona de rebaixamento com um limitado time do Cádiz.

Confira abaixo o resumo das dez partidas da rodada.

Alavés 1x0 Elche


Terceira vitória do Alavés na temporada, segunda seguida, resultado que tira a equipe da zona de rebaixamento e a aproxima, inclusive, do próprio Elche na tabela. A estratégia do técnico Javi Calleja, de pouca posse de bola (38%) funcionou. O time sofreu apenas quatro finalizações, sendo uma única no alvo, e teve 16 a favor (cinco corretas). Calleja montou sua equipe no 4-3-3, variando para o 4-1-4-1 sem a bola contra o 4-4-2 bem estabelecido do, agora, pressionado Fran Escribà. O único gol da partida, marcado pelo senegalês Mamadou Loum, saiu aos dois minutos do segundo tempo, em uma jogada clássica de bola parada: cobrança de escanteio, desvio na primeira trave e finalização na segunda. A curiosidade do lado do Elche é que, de todos argentinos do elenco (sete), desta vez apenas Lucas Boyé - que marcara nos dois jogos anteriores - foi titular.

Espanyol 1x1 Athletic

O empate em 1 a 1 ampliou a invencibilidade de Espanyol e Athletic para quatro rodadas, ocupando a décima e a oitava posições respectivamente. Para variar Raúl de Tomás marcou (de pênalti, desta vez), sexto dele, se igualando a Mikel Oyarzabal como jogadores espanhóis com mais gols na temporada de LaLiga até aqui - só que aos 48 minutos do segundo tempo foi expulso e será desfalque contra o Getafe, fora de casa. Do outro lado, Iñaki Williams vai engrenando e soma agora três gols.

Villarreal 3x3 Cádiz


Se na Champions League o Villarreal luta pela classificação para as oitavas de final, em LaLiga a campanha é decepcionante. Duas únicas vitórias em dez partidas, seis empates (maior marca ao lado do Levante) e uma modesta 13a posição. Foi um jogaço contra o Cádiz, com direito a hat-trick de Choco Lozano para a equipe da Andaluzia e gol de Danjuma aos 50 minutos do segundo tempo para garantir o empate para o Submarino Amarelo. Aliás, o atacante holandês, contratado ao Bournemouth por 25 milhões de euros, é a melhor notícia para o Villarreal nesta temporada.

Mallorca 1x1 Sevilla


Erik Lamela começou a carreira no Sevilla bem demais. Foram três gols nas duas primeiras partidas, garantindo vitórias sobre Rayo Vallecano e Getafe nas duas rodadas iniciais de LaLiga. Depois disso, nada mais... Até esta quarta-feira, quando empatou para o difícil jogo com o Mallorca, nas Ilhas Baleares com um golaço. Resultado que mantém a irregularidade do Sevilla, que ainda não conseguiu vencer por mais que duas rodadas seguidas. Já o Mallorca, depois do embalo inicial, soma agora apenas um triunfo nas últimas oito partidas.

Rayo Vallecano 1x0 Barcelona


Jamais um barcelonista ficará feliz com uma derrota, mas... Ao menos o 1 a 0 para o Rayo Vallecano, com o quarto gol de Radamel Falcao García em seis partidas pela equipe, garantiu a demissão do técnico Ronald Koeman. Já não havia condições para a permanência do holandês desde o 2 a 0 para o Atlético de Madrid. Na despedida, armou o Barça no 4-2-3-1, deu mais uma chance a Philippe Coutinho, viu Memphis perder um pênalti no segundo tempo e vai embora sem deixar saudades na Catalunha como treinador - sua história como jogador importante do clube é eterna.

Betis 4x1 Valencia


A goleada do Betis aponta para dois fatos muito claros neste momento de LaLiga: o time de Manuel Pellegrini pratica um futebol de alto nível e o Valencia, de José Bordalás, já não é o mesmo das rodadas iniciais. Borja Iglesias marcou duas vezes e correspondeu positivamente à titularidade. Os Ches tiveram desfalques importantes, como Carlos Soler e Maxi Gómez; a última vitória do Valencia foi no longínquo 12 de setembro, justamente um 4 a 1 também, contra o Osasuna.

Real Madrid 0x0 Osasuna


Houve um time em campo superior ao outro e esse foi o Real Madrid. Vinicius Júnior foi muito acionado pelo lado esquerdo e criou diversas chances de gol. Parecia, no entanto, aquele tipo de jogo que se tivesse 270 minutos não sairia gol de qualquer modo. Os madridistas tiveram 75% de posse de bola no 4-3-3 definido por Carlo Ancelotti, mas acertaram o alvo apenas três vezes. Foram pouquíssimo ameaçados pelo Osasuna, mas apesar da estatística mostrar nenhum finalização certa dos visitantes, a melhor chance da partida foi em um contra-ataque da equipe de Pamplona que parou na trave - oficialmente, bola na trave conta como finalização errada. Vale destacar a titularidade de Eduardo Camavinga e o jogo abaixo do que vimos em suas primeiras apresentações. Tanto é que foi, mais uma vez, substituído no intervalo com cartão amarelo recebido - oscilação normal para um garoto de apenas 17 anos que trocou o Rennes pelo gigante madrilenho.

Celta 0x2 Real Sociedad


A tentativa de reação do Celta na temporada parou na líder de LaLiga. Após vencer bem o Getafe por 3 a 0 na rodada passada, a equipe de Eduardo Coudet teve outra boa atuação, com mais posse de bola (57% x 43%) e finalizações (14 x 11) que a adversária, mas pagou o preço da baixa eficiência ofensiva - algo notório no time até aqui. Alexander Isak marcou mais uma vez e Aritz Elustondo, no final do jogo, garantiu a sétima vitória em 11 partidas da Real Sociedad, que não perde desde a estreia.

Granada 1x1 Getafe

Em seu terceiro jogo à frente do Getafe neste retorno, Quique Sánchez Flores permanece sem vitória - assim com toda equipe. O empate, no entanto, também foi ruim para o Granada, primeiro fora da zona de rebaixamento, e aumenta a pressão sobre o técnico Robert Moreno por um desempenho melhor da equipe. E olha que a partida foi dominada pelos donos da casa, que tiveram 77% de posse de bola.

Levante 2x2 Atlético


Outro tropeço do Atlético de Madrid, resultado bem ruim para um time que briga pelo bicampeonato nacional. Javier Pereira comandou o Levante apenas pela terceira vez e, assim como Sánchez Flores, também não venceu ainda - assim como toda equipe. Antoine Griezmann abriu o placar para o Atleti e Matheus Cunha marcou seu primeiro gol como colchonero; só que do outro lado o norte-macedônio Enis Bardhi anotou dois gols de pênalti, algo inédito em sua carreira.

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Outra rodada para mostrar o equilíbrio e a disputa aberta pelo título desta temporada de LaLiga

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Rodada de El Clásico teve maior média de gols desde 2017 em LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A saída de Lionel Messi e a falta de grandes contratações deixou LaLiga nesta temporada com menos destaque entre as grandes ligas europeias. De certa maneira, pela situação financeira do Barcelona e mesmo com o Atlético de Madrid forte, há clima de "temporada de transição". Isso pela expectativa da chegada de Kylian Mbappé e também de maior força econômica dos clubes espanhóis a partir de 2022-23 com o acordo entre a liga e o fundo de investimentos CVC. Tecnicamente, a competição permanece em alto nível, mas a grande quantidade de empates em 0 a 0 vinha sendo um destaque negativo. São 12 jogos sem gols até aqui, 13,9% do total; maiores números entre as cinco grandes ligas nacionais da Europa.

A décima rodada quebrou totalmente o padrão estabelecido em LaLiga nesta temporada. Foram 38 gols em dez partidas, com média altíssima de 3,8 por jogo, marca obtida pela última vez na rodada seis da temporada 2017-18. De qualquer modo, além das estatísticas, aconteceram grandes confrontos como o incrível Sevilla 5x3 Levante, além dos ótimos empates em 2 a 2 entre Valencia e Mallorca e também Atlético de Madrid e Real Sociedad. Tudo isso, claro, sem falar no maior clássico do futebol mundial, que aconteceu no domingo e terminou com vitória merengue.

Kroos, Vinicius e Alaba comemoram o gol marcado pelo jogador austríaco no clássico com o Barcelona
Kroos, Vinicius e Alaba comemoram o gol marcado pelo jogador austríaco no clássico com o Barcelona Real Madrid

Confira abaixo resumo de cada uma das dez partidas desta goleadora rodada de LaLiga. E confira rápido, porque a próxima rodada já começa nesta terça.

Osasuna 1x1 Granada

Chimmy Ávila marcou pela segunda rodada seguida, aos poucos vai recuperando a boa forma física e também goleadora. No entanto, o Osasuna, mesmo tendo finalizado muito mais do que o Granada (17x9), pagou o preço no final do jogo do aproveitamento ruim nas chances criadas. Aos 45 minutos do segundo tempo, Ángel Montoro, que entrara pouco antes, marcou um lindo gol, chutando da intermediária e encobrindo o goleiro Sergio Herrera. O Granada de Robert Moreno segue mal na tabela, apenas o 16o, com uma vitória em nove rodadas. Já o Osasuna é o sexto, apesar de ter a série de três vitórias seguidas encerradas.


         
     


Valencia 2x2 Mallorca

Após o ótimo início de temporada, o Valencia já não vence há seis rodadas em LaLiga. No sábado, ainda comemorou o empate em 2 a 2 com o Mallorca pelas circunstâncias. Jogando no Mestalla, e com Carlos Soler no banco, os Ches levaram 2 a 0 no primeiro tempo. Soler, acompanhando de Omar Alderete e Marcos André, saíram do banco no intervalo e foram fundamentais na reação, alcançada apenas nos acréscimos (48 e 53), com os gols marcados por Gonçalo Guedes e José Gayà. O Mallorca, ainda sem Takefusa Kubo, lesionado, teve Kang-in Lee com assistência e cartão vermelho no início da segunda etapa.


         
     


Cádiz 0x2 Alavés

Foram 23 finalizações do Cádiz, quatro no alvo, contra o Alavés: recordes desta temporada de LaLiga para um time que não conseguiu marcar. Melhor para os bascos, que venceram apenas a segunda partida na temporada de LaLiga e se aproximaram justamente do adversário da Andaluzia na tabela. O Alavés soma seis pontos e está a um da saída da zona de rebaixamento e, consequentemente, do Cádiz. Joselu marcou os dois gols da equipe e foi a três no Campeonato Espanhol; são quatro gols do Alavés na temporada, sendo que o outro foi marcado pelo zagueiro Laguardia na vitória sobre o Atlético de Madrid. Joselu ainda alcançou uma marca histórica: segundo jogador do Alavés em LaLiga a marcar 25 gols; o outro é Javi Moreno com 29.


         
     


Elche 2x2 Espanyol

Teve gol dos argentinos do Elche e de Raúl de Tomás para o Espanyol, e no final das contas as duas equipes empataram em 2 a 2 no sábado e se mantiveram em posições intermediárias na tabela. E foi um jogo bem aberto, com chances para os dois lados, o que é possível de constatar também pelas estatísticas finais: foram 12 finalizações do Elche e 20 do Espanyol, sendo sete a sete no alvo.


         
     


Athletic 2x1 Villarreal

Mais uma vez, Iker Muniain foi decisivo para o Athletic. De pênalti marcou o gol da vitória aos 32 minutos do segundo tempo, mas foi acima de tudo uma referência ofensiva dentro de campo. Como mandante, o Athletic venceu três de seus últimos quatro jogos, mesma marca obtida nos 12 anteriores e iniciais de Marcelino García Toral como treinador da equipe em LaLiga. Enquanto os bascos subiram para a oitava posição, o Villarreal caiu para a 13a com 11 pontos em nove jogos, somente duas vitórias.


         
     


Sevilla 5x3 Levante

Jogo com mais gols desta temporada nas cinco grandes ligas europeias, a vitória do Sevilla por 5 a 3 foi um jogo extremamente agitado. Tanto é que os oito gols saíram em somente 30 finalizações, quase um terço do total resultou em gols. Nenhum jogador do Sevilla marcou mais de um gol ou deu mais de uma assistência, tudo ficou bem dividido. Pelo Levante, que somou a segunda derrota em duas partidas com Javier Pereira como técnico, viu o doblete de José Luis Morales.


         
     


Barcelona 1x2 Real Madrid

O melhor time jogou melhor e venceu. Simples assim. O Real Madrid mereceu a vitória em El Clásico contra o Barcelona, no Camp Nou. Grande partida de Vinicius Júnior e enorme atuação de David Alaba. O Real não fez um jogo brilhante, mas sabia exatamente como se movimentar e o que fazer diante da pressão catalã. Armou-se no tradicional 4-3-3, com a variação defensiva do 4-1-4-1, e aguardou os erros do Barça com as invenções de Ronald Koeman, que ainda acredita em Óscar Mingüeza no duelo com Vinicius. Muitas vezes, a impressão que passa é que Koeman arma o Barcelona no 4-3-3 forçado, contra sua vontade - que é fazer a linha de cinco defensores. Enfim, vitória merecida de um time superior, apesar da vantagem de apenas um gol no placar.


         
     


Betis 3x2 Rayo Vallecano

Dois dos times mais agradáveis de se ver jogar em LaLiga nesta temporada se enfrentaram no domingo, em Sevilha, com vitória do Betis por 3 a 2 sobre o Rayo Vallecano. Nos últimos dez jogos, contando Europa League, os comandados de Manuel Pellegrini somam sete vitórias, dois empates e somente uma derrota. Já a equipe de Vallecas perde fôlego após o excelente início, com a segunda derrota nas três últimas rodadas - ambas como visitante; como mandante segue com 100% de aproveitamento. Willian José marcou de novo, quarto dele na temporada pelo Betis.


         
     



Atlético 2x2 Real Sociedad

Desta vez no 4-3-3, o Atlético foi superado pelo ótimo time da Real Sociedad no primeiro tempo. Mesmo sem Mikel Oyarzabal, machucado, Imanol Alguacil preparou muito bem sua equipe taticamente, variando do 3-4-1-2 na fase ofensiva para o 4-4-2 ou 4-5-1 na defensiva - e com dois centroavantes na frente, Alexandr Isak e Alexander Sorloth. Apenas no segundo tempo, com as alterações feita por Diego Simeone e a retomada da linha de cinco defensores, o Atleti reagiu, melhorou e merecidamente conseguiu o empate - com dois gols de Luis Suárez. São 25 pontos somados após estar perdendo seus jogos, melhor marca entre todos clubes das cinco grandes ligas europeias em todo ano de 2021.


         
     


Getafe 0x3 Celta

Parecia que o Celta teria mais um bom jogo, com domínio da posse de bola, controle do ritmo da partida e... Perderia ou no máximo empataria. Em um intervalo de quatro minutos no segundo tempo, entre 10 e 13 minutos, duas grandes jogadas de Brais Méndez renderam os gols marcados por Santi Mina e Iago Aspas. A partir daí e da expulsão de Djéne, tudo ficou mais fácil. Thiago Galhardo entrou e ainda deu linda assistência para Santi Mina definir o placar. Vale destacar mais uma vez a boa atuação de Fran Beltrán como o "1" do 4-1-3-2 de Eduardo Coudet na vaga no lesionado Renato Tapia. Pelo Getafe, segunda partida com Quique Sánchez Flores, segunda derrota - segue sem vencer e com apenas dois pontos na lanterna.


         
     



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Rodada de El Clásico teve maior média de gols desde 2017 em LaLiga

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Não foi um domingo qualquer

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Definitivamente, não foi um domingo qualquer. Da Península Ibéria à Escandinávia, das ilhas britânicas ao sul dos Balcãs, da Europa central ao leste europeu, o Velho Continente viveu um domingo especial no futebol. Foram pelo menos 11 clássicos espalhados em nove países, com grandes jogos e muita história para contar.

Dois dos maiores jogos possíveis foram disputados na Espanha e na Inglaterra. No Camp Nou, o melhor time jogou melhor e venceu El Clásico; a vitória por 2 a 1 do Real Madrid sobre o Barcelona aumenta a vantagem merengue em LaLiga e a diferença entre os times na temporada. São quatro vitórias seguidas dos madridistas em todas competições, melhor marca no confronto desde 1965. 

Veja os gols de Barcelona x Real Madrid


         
     


Enquanto isso, em Old Trafford, o Liverpool escancarou a vantagem de possui força coletiva ao invés de apenas individualidades no 5 a 0 sobre o Manchester United; Mohamed Salah alcançou a inédita marca na história dos Reds de dez jogos seguidos marcando. Um domingo para Ronald Koeman e Ole Gunnar Solskjaer esquecerem.

Na Itália, dois empates em duas partidas que movem o país de norte a sul. O Derby d'Italia terminou em 1 a 1 e com gol de empate da Juventus com a Inter marcado aos 44 minutos do segundo tempo em Milão. Já no Derby del Sole, Roma e Napoli não saíram do zero - o que tirou o aproveitamento perfeito dos napolitanos na temporada da Serie A e, após o 6 a 1 do Bodo/Glimt, foi um bom resultado para os romanos. Aliás, vale destacar os números de Edin Dzeko: sete gols em dez jogos nesta temporada, mesma marca atingida com a camisa da Roma em 2020-21, mas em 27 partidas.

Os alemães tiveram um clássico menos conhecido na rodada da Bundesliga, o encontro entre Colônia e Bayer Leverkusen, um dos dérbis da região da Renânia, no oeste do país. Movimentado empate em 2 a 2, com o Leverkusen abrindo dois gols de vantagem com menos de 20 minutos e levando o empate com dois gols de Anthony Modeste no segundo tempo. Situação bem diferente do que aconteceu em Marselha com o empate em 0 a 0 entre Olympique e Paris Saint-Germain. Luan Peres titular, Gerson saindo do banco no time de Jorge Sampaoli; Neymar, Lionel Messi e Kylian Mbappé titulares nos parisienses. Sobre o argentino, quatro jogos da Ligue 1 e nenhum gol - pior sequência para abrir uma temporada desde 2005-06 (seis partidas para marcar o primeiro gol).

Veja os melhores momentos de Olympique x PSG


         
     



Por outro lado, duas das goleadas mais marcantes do final de semana na Europa aconteceram em clássicos. Na Holanda, os dois maiores vencedores da Eredivisie se enfrentaram em Amsterdã e o Ajax fez 5 a 0 no PSV, com mais um gol de Antony. Vale lembrar que, na abertura da temporada, a equipe de Eindhoven levou a Supercopa holandesa com uma goleada por 4 a 0 sobre o rival. Já na Rússia, a goleada virou atropelamento: 7 a 1 para o Zenit, em São Petersburgo, contra o Spartak Moscou; também com gol brasileiro, marcado por Claudinho.

Grécia e Dinamarca também tiveram rodadas nas respectivas Superligas marcadas por jogos tradicionais. O Olympiacos recebeu o PAOK e venceu por 2 a 1, jogo marcado por muitas confusões em anos recentes e enorme rivalidade entre as regiões de Pireus e Tessalônica; atual campeão, o Olympiacos não perde no Campeonato Grego desde abril, quando foi batido justamente pelo PAOK. O placar foi o mesmo do Dérbi de Copenhagen, que terminou com vitória do Brondby sobre o Copenhagen. Daqui duas semanas, os dois derrotados nos clássicos se enfrentam pela Conference League.

Veja os gols de United x Liverpool!


         
     



Por fim, mas não menos importante, Londres foi palco mais uma vez de um de seus tantos dérbis. Vitória do West Ham, no Estádio Olímpico, por 1 a 0 sobre o Tottenham, gol marcado por Mikhail Antonio; resultado que coloca os Hammers na quarta colocação da Premier League após nove rodadas, atrás apenas de Chelsea, Liverpool e Manchester City. Por mais domingos de futebol assim; ou segundas, terça, quartas...

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O Real Madrid está melhor, mas o Barcelona já esteve pior

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A goleada sobre o Shakhtar Donetsk recolocou a temporada do Real Madrid na rota certa. Após a conturbada semana de empate com o Villarreal e derrotas para Sheriff Tiraspol e Espanyol, os merengues voltaram a jogar bem, após perderem a invencibilidade na Champions e em LaLiga, e tiveram grande atuação na Ucrânia.

Na comparação direta com seu grande rival, o Real Madrid tem desempenho melhor na temporada do que o Barcelona. No entanto, os culés já estiveram piores. No mesmo período da "crise" blanca, o sonoro 3 a 0 para o Benfica teria derrubado Ronald Koeman se o clube tivesse uma solução imediata, além de estar em uma situação financeira melhor para bancar a demissão do holandês. Na sequência o 2 a 0 para o Atlético de Madrid mostrou times em estágios bem diferentes, mas o Barça conseguiu reagir com as vitórias sobre Valencia, com rendimento muito bom, e Dinamo Kiev, rendimento ruim.

Fato é que há um time claramente melhor que o outro para El Clásico deste domingo entre Barcelona e Real Madrid. Mesmo jogando no Camp Nou, pelo que mostrou até agora, há bem mais dúvidas sobre os catalães do que sobre os madrilenhos.

Nas duas últimas vitórias, Koeman teve menos margem de manobra para inventar. Voltou a escalar o time no 4-3-3 e não mudou as funções tradicionais dos jogadores em campo. Assim, Sergi Roberto foi lateral, Frenkie de Jong formou a trinca de meio-campo com Gavi, substituindo o lesionado Pedri, e Busquets mais recuado. Memphis, sem Luuk de Jong em campo, joga centralizado e se entende muito bem com os companheiros. A única mudança maior criada pelo técnico holandês foi a utilização de Sergiño Dest como atacante pela direita, o que funcionou até agora - diferentemente de De Jong como meia aberto no 4-2-3-1, a insistência pelo 3-5-2 em jogos grandes, a inexplicável contratação e as consequentes escalações de Luuk de Jong e 54 cruzamentos na área com Gerard Piqué como centroavante. Há ainda um risco enorme para o Barcelona, e que devolveria a Koeman margem de manobra, caso Jordi Alba, com dores no tornozelo, não possa entrar em campo.

Barcelona x Real Madrid: quem está melhor entre Casemiro e Busquets? Compare os craques em destruir e construir

De qualquer modo, Ansu Fati tem sido desequilibrante desde que retornou de lesão. Contra o Valencia foi titular pela primeira vez nesse retorno e marcou; diante do Dinamo começou no banco, já que ainda não está 100% fisicamente, entrou no intervalo e mais uma vez foi bem, apesar da partida fraca de todo time. Nesta semana, o atacante de 18 anos acertou a renovação de contrato com o Barcelona até 30 de junho de 2027, com cláusula de rescisão de 1 bilhão de reais - mesmo valor de Pedri. Outra novidade, mais discreta do que Ansu Fati, é Philippe Coutinho. O brasileiro, saindo do banco, tem recuperado a boa forma e vai, aos poucos, subindo o nível de seu jogo. Hoje é um jogador de rotação no elenco.

Este El Clásico, porém, tem outros brasileiros como grandes destaques. Nenhum deles maior do que Vinicius Júnior. São 11 jogos, sete gols e cinco assistências em 833 minutos para o ex-atacante do Flamengo em toda temporada. Assumiu protagonismo graças à confiança do técnico Carlo Ancelotti, correspondida em campo com ótimas atuações. Hoje é um jogador, ainda com apenas 21 anos, mais seguro em campo e inteligente nas movimentações ofensivas. Defensivamente entrega o que o treinador pede na recomposição pelos lados. Aliás, na parte tática, Ancelotti afirmou nesta semana que o time precisa jogar no 4-3-3 para render. Tem sido a base tática do Real Madrid neste temporada, apesar da variação que já aconteceu para o 4-4-2. Diferentemente de Koeman, o italiano inventa pouco - quase sempre com Federico Valverde.

Vinicius Jr. diz como lida com críticas exageradas no Real Madrid e revela que trabalha até de madrugada: 'Para estar 100%'


Ainda sobre os brasileiro, Casemiro permanece como um dos pilares no meio-campo, que deve ter Luka Modric e Toni Kroos em sua formação tradicional e histórica. Marcelo é reserva de Ferland Mendy, sendo que os dois voltaram justamente contra o Shakhtar, aliviando os problemas defensivos, já que na direita Dani Carvajal pode até ser relacionado, mas ainda sem as melhores condições dará lugar a Nacho na linha com os ótimos Éder Militão e David Alaba. Em outras rodadas, Eden Hazard ganhou várias oportunidades, mas a tendência é que Rodrygo comece jogando pela direita - apesar de ter sido titular apenas duas vezes neste Campeonato Espanhol. Tudo isso sem falar na temporada absurda de Karim Benzema, com nove gols e sete assistências em LaLiga.

O duelo de imposição de estratégias será bem interessante. Barcelona e Real Madrid são os dois times desta temporada de LaLiga que jogam mais "alto", com suas linhas bem adiantadas. O Barça lidera em posição média global no campo (50,8m) e também na distância para a linha defensiva 40,9), seguido pelos merengues nos dois índices (49,1m e 39,6m). E mesmo em um período tão conturbado, mesmo que a crise maior tenha passado, o Barcelona ainda é o time de LaLiga com maior média de posse de bola (64,7%). Com índice de 56,4%, o Real Madrid é somente o sexto nesse ranking, mas o primeiro em gols marcados (22), média de finalizações por jogo (17). É um time que sabe jogar muito bem em transição, explorando a velocidade de seus atacantes de beirada. Vinicius, por exemplo, apresentou até aqui o segundo maior pico de velocidade em uma partida com 35,1km.

Vini Jr. e Ansu Fati
Vini Jr. e Ansu Fati Getty Images

Por outro lado, a defesa madridista tem sofrido muitos gols, já são dez em apenas oito partidas. Em média, o time permite 10,6 finalizações contra Thibaut Courtois por partida, média intermediária na competição. E olha que tudo isso acontece mesmo com Casemiro no top 10 de recuperações por jogo (8,6), sendo 38% delas no campo de ataque, e Éder Militao com índice de 70% de duelos aéreos vencidos.

Será também o primeiro El Clásico com público desde 1o de março de 2020. O Camp Nou poderá utilizar novamente 100% de sua capacidade para um dos maiores jogos possíveis de futebol no planeta. E o primeiro desde o adeus de Lionel Messi ao Barcelona, no entanto, com ou sem o argentino, o desempenho culé tem sido ruim em casa nos clássicos: nos últimos dez disputados, três vitórias dos mandantes, quatro empates e três vitórias do Real Madrid.

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O Real Madrid está melhor, mas o Barcelona já esteve pior

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Esperança na Catalunha e história emocionante na vitória do Osasuna foram destaques da nona rodada de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A nona rodada de LaLiga deu esperanças ao torcedor do Barcelona, mais uma vez. A vitória por 3 a 1 sobre o Valencia apresentou bons sinais, mas a dúvida sobre a regularidade da equipe em alto desempenho permanece. Ronald Koeman não inventou muito, jogou no 4-3-3 desejado pelos torcedores e ainda promoveu a estreia de Sergio Agüero. Novamente Ansu Fati foi o destaque. O jogo no Camp Nou foi o grande destaque de um final de semana esvaziado no Campeonato Espanhol, mas não o único.

Por causa da Data FIFA, Granada x Atlético de Madrid e Real Madrid x Athletic foram adiados. Isso deu a chance à Real Sociedad de assumir a liderança isolada de LaLiga, bastava vencer o Mallorca em casa - o que aconteceu, com muita emoção. São seis vitórias, três empates e apenas uma derrota (para o Barça, na estreia), 20 pontos somados. Sem falar na emocionante história de Juan Carlos Unzué, que inspirou o Osasuna.

Ansu Fati foi o destaque na vitória do Barça
Ansu Fati foi o destaque na vitória do Barça LaLiga

Além disso, antes do resumo dos oito jogos e entre sábado e segunda-feira, um dado bastante relevante sobre a competição: na semana passada o CIES Football Observatory divulgou levantamento sobre a distância média percorrida pelos jogadores de linha de 31 campeonatos pelo mundo desde o ano passado; LaLiga lidera com 103,7km, o que demonstra a alta intensidade dos jogos na Espanha. Entre as cinco grandes ligas, a Premier League é aquela que mais se aproxima com 100,8km. Para exemplo de comparação ainda: o Campeonato Brasileiro é a pior liga nacional nesse quesito, com 95,8km.

Real Sociedad 1x0 Mallorca


Enquanto recupera alguns jogadores, perde outros. O drama das lesões permanece na Real Sociedad, mas diferentemente da temporada passada, o desempenho não cai mesmo com tantos desfalques. Sem Mikel Oyarzabal, seu melhor jogador, a equipe venceu o Mallorca por 1 a 0 no sábado e assumiu a liderança de LaLiga, se aproveitando também dos jogos a menos de Atlético de Madrid, Real Madrid e Sevilla. 

Alexander Sorloth e David Silva foram novidades no banco de reservas, enquanto Alexander Isak foi a notícia entre os titulares. Faltou pontaria aos dois times, apenas três finalizações certas em 90 minutos (2x1 para os bascos); a posse de bola foi totalmente dividida, 50% para cada lado. Tudo isso com a Real Sociedad com dez jogadores desde 47 minutos do primeiro tempo, após o segundo cartão amarelo recebido por Aihen Muñoz. Em um jogo de poucas oportunidades, coube ao jovem Julen Lobete garantir a vitória da Real Sociedad aos 45 do segundo tempo, com colaboração do goleiro Manolo Reina. Na próxima rodada tem Atlético de Madrid x Real Sociedad.

Levante 0x0 Getafe


Apenas pela segunda vez na história de LaLiga, dois técnicos estrearam no mesmo jogo já com a temporada em andamento. Javier Pereira e Quique Sánchez Flores iniciaram suas jornadas em Levante e Getafe, respectivamente, com um empate sem gols na Comunidade Valenciana. Resultado que mantém as duas equipes na zona de rebaixamento e como únicas que ainda não venceram no Campeonato Espanhol após nove rodadas.

O Levante entrou em campo no 4-3-3 e teve um pouco mais de posse (53%), mas finalizou menos (6x14, 2x4 no alvo); já o Getafe se armou no 4-4-2 e explorou muito o jogo pelo lado com Carles Aleña e Mauro Arambarri. Foi no final das contas foi o 12o empate em 0 a 0 de LaLiga, maior número total entre as cinco grandes ligas da Europa.

Rayo Vallecano 2x1 Elche


Jogos do Rayo Vallecano e do Elche na temporada de LaLiga têm sido bem movimentados. O confronto entre os dois no final de semana correspondeu às expectativas. A vitória por 2 a 1 do Rayo deixa a equipe do técnico Andoni Iraola na sexta posição, enquanto o Elche e sua legião de argentinos ocupam apenas a 14a posição na tabela. 

Com Radamel Falcao García no banco, poupado pelo desgaste da Data FIFA, Sergi Guardiola começou como referência no ataque do Rayo, que fez 1 a 1 aos 26 minutos com Mário Hernández, estreante na primeira divisão, após Lucas Boyé abrir o placar para os visitantes. No segundo tempo, Iraola trocou seu atacante central: tirou Guardiola e colocou o francês Roger Nteka em campo aos 17. Três minutos depois, acertou belo chute de fora da área e definiu a quinta vitória do Rayo Vallecano em nove rodadas.

Celta 0x1 Sevilla


O gol de Rafa Mir, aos nove minutos do segundo tempo, foi o único na vitória do Sevilla sobre o Celta. Atuação abaixo do potencial dos comandados de Julen Lopetegui, enquanto Eduardo Coudet acumulou mais uma derrota em LaLiga. O Celta buscou mais o gol, com 14 finalizações contra oito dos visitantes, mas como tem sido praxe nesta temporada, péssima pontaria da equipe galega (somente três certas.

Pouco antes do gol, Suso e Thomas Delaney entraram nas vagas de Ivan Rakitic e Óliver Torres, melhorando o Sevilla, que jogou como sempre no 4-3-3, desta vez com Nemanja Gudelj à frente da defesa, contra o 4-1-3-2 do Celta, que teve Fran Beltrán como "1" na vaga de Renato Tapia, desfalque. Quem teve atuação bastante apagada foi Iago Aspas, o que ajuda a entender o jogo ruim do Celta no geral.

Villarreal 1x2 Osasuna


Na véspera do jogo, o ex-jogador do Osasuna e treinador Juan Carlos Unzué conversou com o elenco. Unzué, que é de Pamplona e começou na base do clube, foi diagnosticado com a doença do neurônio motor (doença de Lou Gehrig) no início de 2020. "Quando chega a derrota, ou um dia ruim ou uma sessão de treinamento em que nada sai do seu jeito, lembre-se de mim, esse cara na sua frente que há pouco estava treinando como você e agora está em uma cadeira de rodas", disse ele. "Não quero transmitir tristeza, muito pelo contrário, aliás, fico sempre mais feliz quando se pode dizer 'eu tentei' do que 'se eu tivesse feito isso ou aquilo'. Isso é o que realmente te corrói."

As palavras de Unzué inspiraram o Osasuna que conseguiu uma vitória incrível contra o Villarreal, fora de casa - a quarta como visitante na temporada de LaLiga. Lucas Torró abriu o placar aos 26 minutos, mas Gerard Moreno empatou para o Submarino Amarelo aos dez do segundo tempo em um belo voleio - primeiro gol dele na temporada. O Villarreal vinha de duas vitórias e um empate com o Real Madrid, estava embalando na competição. A história do jogo mudou definitivamente com a entrada do atacante argentino Chimmy Ávila em campo aos 37. Nas últimas temporadas ele sofreu muito com lesões, perdendo quase a totalidade de jogos da equipe. Cinco minutos depois de sua entrada, aproveitou vacilo da defesa e após 651 dias voltou a comemorar um gol no Campeonato Espanhol. Ao final do jogo, Jagoba Arrasate chorou ao comentar o impacto das palavras de Juan Carlos Unzué em sua equipe.

Barcelona 3x1 Valencia


Mais uma vez o Barcelona deu sinais de recuperação na temporada. O grande problema tem sido a falta de sequência na esperança criada... Enfim, a partida contra o Valencia, no Camp Nou, foi uma das melhores da temporada de LaLiga até aqui. Jogo de alto nível, com variações tática, estilos diferentes e muitas chances criadas dos dois lados.

Ronald Koeman armou o Barça no 4-3-3 com uma grande novidade: Sergiño Dest na segunda linha pelo lado direito, mantendo Sergi Roberto como lateral - funcionou muito bem. Sem Pedri, Gavi começou com Frenkie de Jong e Sergio Busquets na trinca de meio-campo, mas o grande destaque mesmo foi Ansu Fati. O jovem atacante recupera a melhor forma a cada jogo. Philippe Coutinho entrou em seu lugar no segundo tempo, jogou bem e voltou a marcar um gol após quase um ano; vale destacar também a estreia de Sergio Agüero nos últimos minutos.

José Bordalás escalou o Valencia no 4-3-3 no primeiro tempo, com variação para o 4-1-4-1 na fase defensiva. No intervalo voltou ao tradicional 4-4-2, deslocando Carlos Soler da faixa central para o lado e avançando Gonçalo Guedes. Os Ches fizeram boa partida, tiveram chance de empatar, mas não aproveitaram as chances criadas. No final das contas, terceira derrota para um dos times da parte de cima da tabela (Real Madrid e Sevilla foram os outros). Enquanto o Barcelona segue em sua montanha russa de desempenho.

Alavés 0x1 Betis


Parecia que o 13o empate em 0 a 0 de LaLiga aconteceria, até o momento em que Joaquín, do alto de seus 40 anos, foi à linha de fundo aos 44 minutos do segundo tempo e deu a assistência para Borja Iglesias marcar o gol da vitória do Betis sobre o Alavés. Duas das três substituições do técnico Manuel Pellegrini na segunda etapa, que melhoraram o time e garantiram três pontos importantíssimos. Já o Alavés, de Javi Calleja, somou a oitava derrota na temporada de LaLiga.

Partida histórica também para Joaquín, que ao entrar em campo completou 623 jogos por LaLiga, quinto em todos os tempos. O líder é o ex-atacante Nino, com 709, contando primeira e segunda divisões - LaLiga, na prática, é o nome oficial das duas competições, com diferença no naming rights.

Espanyol 2x0 Cádiz

A posição de centroavante, ou atacante central, tem rendido muitos debates na Espanha nos últimos anos. Entre todas opções, uma que ainda não foi utilizada e ganha força é Raúl de Tomás. O atacante de 27 anos do Espanyol marcou seu quarto gol na temporada de LaLiga e ajudou na terceira vitória da equipe, 2 a 0 contra o Cádiz em Barcelona. Entre jogadores espanhóis, apenas Mikel Oyarzabal com seis gols marcou mais vezes do que R.d.T.

Resultado muito justo para uma equipe que buscou o ataque do início ao fim, contra um adversário muito fechado - como sempre acontece no Cádiz de Álvaro Cervera, que marcou no 4-1-4-1 com Fali à frente da defesa. Apenas no final os visitantes saíram mais para o ataque, mas tiveram uma única finalização certa em 90 minutos contra seis do Espanyol.

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Esperança na Catalunha e história emocionante na vitória do Osasuna foram destaques da nona rodada de LaLiga

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Dinamarca na Copa e a força média dos europeus

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A seleção dinamarquesa não é uma das favoritas ao título da Copa do Mundo. A equipe do técnico Kasper Hjulmand, formada por jogadores como Kasper Schmeichel, Simon Kjaer, Pierre-Emile Hojbjerg e Yussuf Poulsen, não é uma das melhores atualmente no futebol de seleções. No entanto, é um time que demonstra de maneira clara a força média dos europeus.

Atualmente há um bloco grande de seleções com condições de vencer o próximo Mundial. Não há um time que esteja "sobrando". No papel, os franceses possuem a melhor equipe e poderiam ficar com o status de número um, mas a última Euro foi um baque enorme - minimizado com o título recente na Nations League. Os italianos, campeões da Euro, voltaram à condição de protagonistas. Espanhóis e alemães evoluem, belgas e ingleses possuem talento de sobra, portugueses e argentinos têm Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, além de ótimos elencos, enquanto o Brasil segue competitivo, apesar de tantas críticas.

Torcedores dinamarqueses celebram a classificação para a Copa de 2022
Torcedores dinamarqueses celebram a classificação para a Copa de 2022 DFBfodbold

Ao vencer a Áustria por 1 a 0 na terça-feira, com um gol do ótimo Joakim Maehle, a Dinamarca assegurou classificação para a Copa de 2022, juntando-se ao Catar e à Alemanha como os três países já garantidos na competição. A campanha no Grupo F é irrepreensível, com oito vitórias em oito jogos, 27 gols marcados e nenhum sofrido. Fez tudo isso contra Escócia, Israel, Ilhas Faroe e Moldávia, além dos austríacos já citados. Não esqueçamos que essa mesma seleção dinamarquesa caiu apenas nas semifinais da última Eurocopa para a Inglaterra, superando um grupo com Bélgica, Finlândia e Rússia e deixando pelo caminho no mata-mata País de Gales e República Tcheca. Tudo isso depois de superar a quase tragédia com Christian Eriksen na derrota para os finlandeses.

Nas últimas cinco partidas pelas eliminatórias, todas disputadas após a Euro, a equipe variou bastante taticamente. O 4-3-3 foi o esquema tático mais utlizadao, em 30% do tempo total de jogo; a variação ocorreu para esquemas com linha de cinco defensores:  5-4-1 em 23%, 3-4-1-2 em 20% e 3-4-3 em 10% (dados do Wyscout). A média de posse de bola ficou em 61,9%, marca característica dessa equipe; em passes por ação defensiva, ou seja, o número de passes que o adversário troca antes da sua recuperação de posse, ficou em 9,2. Sobre recuperar a posse através de pressão, a Dinamarca nesses cinco jogos conseguiu índice de 19,6% no último terço do campo e 48,4% no segundo - Poulsen, o atacante central da equipe, teve o maior número de recuperações no último terço com 13. Índices que ajudam a entender o conceito de controle de jogo a partir da posse de bola, estabelecido pelo técnico Kasper Hjulmand.

Aos 49 anos e com sucesso no futebol dinamarquês, Hjulmand comandou o Nordsjaellan em duas oportunidades, entre 2011 e 2014 e 2016-19, com uma passagem pelo Mainz (ALE) entre elas, onde substituiu Thomas Tuchel. O primeiro e único título dinamrquês na história do clube, fundado em 2003, foi com ele no comando na temporada 2011-12. No ano passado, deixou o Nordsjaelland em acordo com a diretoria e em julho assumiu a seleção, após longas trajetórias de seus antecessores. O norueguês Age Hereide ficou no cargo entre dezembro de 2015 e junho de 2020, enquanto Morten Olsen foi treinador da Dinamarca nos 15 anos anteriores. O anúncio de Hjulmand aconteceu um ano antes de ele efetivamente assumir o time no lugar de Hereide após a disputa da Euro, tudo feito com enorme planejamento e transparência. Porém, com o adiamento da competição para 2021, a federação dinamarquesa optou por manter a troca para a data programada.

Contra a Áustria entraram em campo no 3-4-3 Kasper Schmeichel, Andreas Christensen, Simon Kjaer e Jannik Vestergaard; Daniel Wass, Pierre-Emile Hojbjerg, Thomas Delaney e Joakim Maehle; Andreas Olsen, Yussuf Poulsen e Mikkel Damsgaard. Saíram do banco nos 90 minutos Kasper Dolberg, Jens Stryger Larsen, Mathias Jensen e Christian Noregaard. O gol marcado por Maehle, lateral da Atalanta, saiu aos oito minutos do segundo tempo, após linda jogada de Delaney, do Borussia Dortmund. A partida foi totalmente dominada pelos dinamarqueses, que se impuseram desde o início contra David Alaba, Marcel Sabitzer e companhia austríaca.

A seleção dinamarquesa é um dos melhores exemplos da força média do futebol europeu. Na prática, times considerados do segundo escalão, que não entram na lista de favoritos ao título, mas possuem qualidade e organização tática para enfrentarem qualquer adversário, mesmo sem grandes estrelas do futebol mundial. Dos 23 dinamarqueses convocados para a última Data Fifa, por exemplo, 18 atuam nos cinco principais campeonatos nacionais da Europa (Premier League, LaLiga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1). Especificamente o caso dinamarquês precisa ser ainda mais valorizado, porque a equipe perdeu seu principal jogador e grande referência, Christian Eriksen, que ainda se recupera do procedimento cirúrgico em seu coração.

A Croácia, atual vice-campeã mundial, é outro bom exemplo dessa força média que torna o futebol europeu de seleções mais forte e mais competitivo do que em outras regiões do globo. Claro que equipes como Liechtenstein, San Marino e Armênia, recentemente usada por Tite em uma coletiva de imprensa, jogam o nível para baixo, mas para essas seleções há outras como Suécia, Rússia, Sérvia, Noruega, Suíça... E a Dinamarca talvez seja o mais forte exemplo de todos.

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Dinamarca na Copa e a força média dos europeus

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Enquanto discutimos seleção brasileira e final da Nations League, a Alemanha ganha força para a Copa do Mundo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A vitória sobre a Romênia por 2 a 1 não foi brilhante. A seleção alemã saiu atrás no placar e conseguiu a virada apenas na reta final, mesmo com volume de jogo bem superior - foram 22 finalizações, seis no alvo, e 77,3% de posse de bola. De qualquer modo, foi a quarta vitória em quatro jogos da Alemanha sob o comando de Hansi Flick, com mais uma nas três últimas rodadas das eliminatórias europeias garante vaga na Copa do Mundo de 2022.

O mundo do futebol olha com enorme atenção a final da Nations League entre Espanha e França, neste domingo (10); discute a longevidade da seleção belga, o talento abundante  da inglesa e a força coletiva da Itália, atual campeã da Eurocopa; destaca a invencibilidade argentina de 23 jogos e ressalta a competitividade da brasileira, 100% nas eliminatórias sul-americanas. Enquanto isso, sem alarde, os alemães olham para o próximo ano, de Mundial no Catar, com expectativa bastante positiva de crescimento.

Final da Nations League tem Espanha de Ferran Torres x França de Mbappé; veja e compare a temporada dos atacantes

Após 15 anos de Joachim Löw, a transição para o próximo treinador poderia ser um enorme problema para a DFB, a federação de futebol alemã. Os conflitos de Hansi Flick no Bayern de Munique, no entanto, recolocaram a Mannschaft, como é chamada a seleção pelos alemães, no caminho certo. Desde sempre Flick era o sucessor natural de Löw, mas a rota foi alterada no meio do caminho e, graças ao trabalho ruim de Niko Kovac na Baviera, o jovem treinador teve a oportunidade de retomar a carreira de treinador. O resto da história no Sabener Strasse já é bem conhecida.

Ao assumir a seleção alemã em pleno caminho para 2022, Hansi Flick se viu obrigado a acelerar alguns processos. E com enorme vantagem na comparação com qualquer outro treinador nessa situação: ele já conhece muito bem todos os seus jogadores. Seja pelo período como assistente de Löw entre 2006 e 2014, seja pela passagem como diretor Esportivo da DFB de 2014 a 2017, ele tem canal direto com todos os atletas. Isso tem sido destacado na imprensa alemã, a forma como a comunicação está mais aberta entre comissão técnica e elenco. Além disso, toda base alemã do Bayern está ali também.

O começo da era Flick não foi como ele desejava. A vitória por 2 a 0 sobre Liechtenstein mostrou que havia muitos problemas para serem resolvidos, mas jamais um deles foi falta de talento. Há de sobra. Duas goleadas, 6 a 0 na Armênia e 4 a 0 na Islândia, fizeram o torcedor sorrir novamente com o bom desempenho da Mannschaft. O 2 a 1 contra a Romênia comprova a rota certa.

A base tática e a renovação logo ali no banco

O 4-2-3-1 é a base tática dessa velha/nova seleção alemã. Esquema simples e bem executado, fugindo das variações malucas que Joachim Löw vinha tentando nos últimos meses para tentar recolocar o time nos trilhos. A ideia tática é similar ao que Flick executou de maneira extremamente vitoriosa no Bayern, sem grandes segredos. Contra os romenos, Serge Gnabry e Leroy Sané foram os atacantes de lado, com Timo Werner na referência central e Marco Reus como "armador". 

As aspas estão colocadas no termo armador porque, na prática, ele é muito mais um segundo atacante, com liberdade de movimentação - e também pelas próprias características individuais. No segundo tempo, Thomas Müller entrou em seu lugar, assim como Kai Havertz como atacante central na vaga de Werner - ponto de maior preocupação para a torcida alemã atualmente. Müller também é um segundo atacante, que pisa na área e marca gols - está com 39 pela seleção alemã, a três de Michael Ballack na artilharia histórica. A renovação está logo ali no banco, com Karim Adeyemi (19 anos), Florian Wirtz (18) e Jamal Musiala (18).

O meio de campo ficou sob responsabilidade de dois dos melhores do mundo em suas posições: Leon Goretzka e Joshua Kimmich, que carregam o entrosamento do Bayern para a seleção - e Florian Neuhaus está no banco, como ótima opção. A defesa ainda inspira preocupação; Jonas Hofmann tem se tornado uma opção para a direita, enquanto Thilo Kehrer preencheu o lado esquerdo contra os romenos, guardando o lugar para Robin Gosens. Hansi Flick foi determinante na Copa do Mundo de 2014 na escolha pela improvisação de Benedikt Höwedes na lateral-esquerda e o retorno de Philipp Lahm para a direita. Na zaga, Antonio Rüdiger e Niklas Süle podem não ser os melhores do mundo, mas são dois atletas que atuam no mais alto nível do futebol mundial.

Há sete meses, em uma noite de Duisburg, a Macedônia do Norte venceu a Alemanha por 2 a 1 em um resultado histórico e impactante. Nesta segunda (11), receberá os alemães em situação bem diferente. Como o próprio técnico Blagoja Milevski admite, a seleção alemã agora está melhor com Hansi Flick. "Os jogos recentes da Alemanha mostraram claramente que o estilo e a forma como o time trabalha mudaram completamente em relação ao período anterior, bem mais agressivo, com mais velocidade e disciplina nas partidas."

E a tendência é que essa evolução persista a ponto de colocar a Alemanha como uma das favoritas ao título na próxima Copa do Mundo não pela sua história, mas sim pelo futebol apresentado em campo. Evidentemente, é um time que precisa ser testado contra adversários do seu tamanho, mas o caminho correto foi recuperado.

Thomas Müller marcou o gol da vitória sobre a Romênia
Thomas Müller marcou o gol da vitória sobre a Romênia DFB

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Entrevistas como a de Mbappé diminuem margem para quem quer apenas criar polêmica

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Kylian Mbappé deu longa entrevista ao jornal L'Équipe, publicada nesta terça-feira (5), na qual fala abertamente sobre todos os temas que, nas últimas semanas, renderam polêmicas. Na segunda já havia conversado também com a rádio RMC e abordado muitas dessas questões.

O atacante do PSG foi claro e direto. Respondeu perguntas sobre o desejo de sair do clube, a intenção de se transferir para o Real Madrid, o objetivo de disputar os Jogos Olímpicos de 2024, a reclamação sobre Neymar, a disponibilidade de correr mais por Lionel Messi. Cada um desses tópicos rende, por si só, debates e mais debates nas redes sociais e nos programas esportivos, mas quando o jogador se pronuncia dessa maneira reduz a margem para quem quer apenas criar polêmicas ao invés de interpretar os fatos.

Mbappé dando as boas-vindas a Messi no PSG
Mbappé dando as boas-vindas a Messi no PSG Reprodução/ Twitter/@KMbappe

"O clube decidiu não me vender e está tudo bem. Segui jogando em agosto e não tive nenhum problema com isso. Sigo em um grande time e em um lugar onde fui e sou feliz. Por que queria ir? Pensei que minha aventura havia terminado, queria descobrir outra coisa. Se tivesse saído no verão, teria sido apenas para o Madrid. Sair era o passo seguinte lógico na minha carreira", garantiu Mbappé na conversa com o jornal francês, principal de esportes do país.

Não disfarçou, não inventou desculpas, não criou falsos inimigos. Foi claro nas intenções, honesto com todos os torcedores e respondeu de maneira transparente. "Em nenhum momento me comportarei mal, pensando que não me deixaram sair. Amo muito o futebol e tenho muito respeito pelo PSG", completou. Como os torcedores costumam sempre cobrar, foi e está sendo, como suas estatísticas na atual temporada provam, extremamente profissional.

Será então jogador do Real Madrid após o término do contrato, ao final desta temporada? Todos que conhecem minimamente futebol sabem que a verdade de ontem já não é a mesma de hoje, e foi exatamente isso que Mbappé disse, com essas palavras. Ele sabia, desde a frustrada negociação, que era necessário esclarecer os fatos para evitar ainda mais especulações. Evidentemente, nem todos fatos são amenizados com palavras, como no caso da relação com Nasser Al Khelaifi, máximo mandatário do PSG. "Quando seu presidente diz publicamente que você não se vai e que não vai sair livre... Fiquei preocupado, não vou mentir. Se não saio livre, o que acontecerá?, disse a mim mesmo. Quando sua ambição é sair e tem que ficar, não está contente, mas mudei a mentalidade rapidamente".

Aliás, inclusive já alertou seu próximo clube, ou atual com novo contrato, que estará nas Olimpíadas em Paris. "Os Jogos Olímpicos de 2024 serão uma prioridade para mim. Mesmo que isso signifique incluir em meu contrato, eu não hesitaria".

Por fim, sobre Lionel Messi e Neymar, em temas variados, Mbappé também respondeu aos questionamentos e tirou as dúvidas de milhões de pessoas com tranquilidade. "Quando se tem Messi no seu time, sabe que precisa fazer um pouco menos para estar lúcido para marcar. Se tiver que ir, vá. Não há problema, é uma hierarquia estabelecida. Eu aceito correr quando Messi estiver caminhando, não há problema. É o Messi de qualquer modo!". Essa talvez seja a declaração que mais cause barulho, e uma questão que o técnico Mauricio Pochettino terá que resolver taticamente, mas era extremamente importante falar sobre o tema ao invés de se esquivar. Assim como saber se a chegada do argentino teve alguma influência nos fatos seguintes: "Não, eu já havia tomado minha decisão e pensei muito bem".

Já com Neymar a questão foi tratada de maneira bem simplista, como deveria ser mesmo. Na vitória sobre o Montpellier por 2 a 0, após o brasileiro dar uma assistência para Julian Draxler, o Canal+ flagrou Mbappé reclamando com Idrissa Gueye no banco de reservas. "Sim, eu o chamei de 'clochard', porque não estava contente com um passe. São coisas que acontecem o tempo todo no futebol. Por isso, logo depois, quando estourou, falei com ele sobre isso. Acontece porque queremos ganhar. Isso é tudo, não há problema". Lembra-me outra situação, alardeada na imprensa mundial, mas já esquecida pela atual excelente parceria entre os dois jogadores em questão: Karim Benzema e Vinicius Júnior. Ninguém mais fala sobre o "desentendimento" entre os dois... Em tempo, o termo “clochard”, na tradução literal para o português, significa “mendigo”. Porém, é usado informalmente para uma pessoa provocar a outra, zoar para usar algo mais informal, e nesse caso, o mesmo utilizado por Mbappé, ganha conotação de “vagabundo”.

Enfim, por mais entrevistas claras e objetivas como essa de Kylian Mbappé. E também por mais opiniões baseadas em fatos e menos achismos.

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Primeira derrota do Real Madrid, vitória do Atleti, tropeço do Sevilla... LaLiga segue sem favorito

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Muitos nem se lembram mais, mas a estreia do Barcelona, com vitória sobre a Real Sociedad e bom futebol, gerou esperança. Passadas oito rodadas, resta apenas desilusão na Catalunha com o trabalho de Ronald Koeman. Isso graças, também, ao 2 a 0 convincente do Atlético de Madrid, que fez sua melhor partida na temporada de LaLiga, no melhor estilo Diego Simeone.

Some a isso à primeira derrota do Real Madrid e temos um Campeonato Espanhol sem favorito. Pelo que vinham jogando, os merengues mereciam tal condição, mas ainda era muito cedo para qualquer afirmação definitiva. Sevilla e a própria Real Sociedad desperdiçam chances de provar que podem, realmente, brigar pelo topo. Com isso, três times somam 17 pontos após oito jogos (Real Madrid, Atlético e Real Sociedad), enquanto o Sevilla, com uma partida a menos, aparece na quarta posição com 14. Curiosamente, apenas um ainda não perdeu: o Villarreal, que por outro lado é quem mais empatou (cinco vezes).

Espanyol impôs a primeira derrota ao Real Madrid nesta temporada de LaLiga
Espanyol impôs a primeira derrota ao Real Madrid nesta temporada de LaLiga Espanyol

Confira abaixo resumos dos dez jogos do final de semana na elite espanhola.

Athletic 1x0 Alavés

Mais do que a importante vitória para o Athletic, que não vencia há três rodadas em LaLiga, foi a incrível marca atingida por Iñaki Williams. No 1 a 0 sobre o Alavés, em Bilbao, o atacante formado na base do Athletic chegou a 203 jogos seguidos no Campeonato Espanhol, recorde absoluto da competição. A última vez que o jogador esteve fora de uma partida dos leones foi em 20 de abril de 2016! Em campo, o Athletic contou com boa atuação de Iker Muniain, que trabalhou muito bem entre as linhas de marcação do Alavés no 5-4-1, além do gol marcado por Raúl García aos 44 minutos do primeiro tempo para ganhar e subir na tabela.


Osasuna 1x0 Rayo Vallecano

Desta vez o efeito Falcao García não funcionou. Pela primeira vez após quatro jogos, o camisa 3 do Rayo Vallecano não marcou e a equipe foi batida, em Pamplona, pelo Osasuna por 1 a 0. O primeiro gol em LaLiga do jovem lateral-esquerdo Manu Sánchez, 21 anos, emprestado pelo Atlético de Madrid, garantiu a quinta posição para o Osasuna com 14 de 24 pontos conquistados. Os comandados de Andoni Iraola não acertaram o gol defendido por Sergio Herrera, mesmo equilibrando a posse de bola - os donos da casa tiveram 51%. No final das contas, mais uma partida de LaLiga definida nos acréscimos (46'/2T).


Mallorca 1x0 Levante

Com Rafael Nadal nas arquibancadas, o Mallorca venceu o Levante com um gol ainda discutido pelos jogadores. Após jogada ensaiada de escanteio curto, a bola foi levantada na área e Idrissi Baba e Ángel Rodríguez subiram juntos; pelas imagens, a impressão é que Baba também toca na bola, mas a cabeçada que dá direção ao gol é de Ángel - que ficou com o nome no marcador oficial. O Levante teve a chance do empate em polêmico pênalti marcado pelo árbitro Alejandro Muñiz, após a bola bater no braço de Jordi Mboula. Na cobrança, aos 40 minutos do segundo tempo, o veterano José Luis Morales cobrou nas mãos de Manolo Reina - que voltou a ser titular, após a chance dada ao eslovaco Dominik Greif na última rodada. Apenas Levante e Getafe ainda não venceram na temporada de LaLiga.


Cádiz 0x0 Valencia

Desde a goleada sobre o Osasuna, há quase um mês, o Valencia não venceu mais. Derrotas para Real Madrid e Sevilla e empates com Athletic e Cádiz colocaram a equipe com os pés no chão, como bem pedia José Bordalás antes de começar essa sequência negativa. E olha que contra o Cádiz, o Valencia, ainda sem Carlos Soler, mereceu a vitória, pressionando muito mais; teve 68% de posse de bola, com 16 finalizações a favor e apenas duas contra. O atacante brasileiro Marcos André, que marcou seu primeiro gol pelos Ches na rodada passada, foi titular pela primeira vez. Pelo Cádiz, nenhuma surpresa pela ideia fechada de jogo, mesmo atuando em casa; o goleiro argentino Jeremías Ledesma foi o melhor jogador do time.


Atlético de Madrid 2x0 Barcelona

O Atlético foi muito superior ao Barcelona, mesmo sem se esforçar tanto. Os colchoneros executaram a estratégia definida por Diego Simeone praticamente à perfeição: marcaram no 5-3-2, jamais com linhas altas; aproveitaram-se da pressão sobre o adversário para explorar, com assustador aproveitamento, as falhas cometidas e marcar os gols, sem serem ameaçados efetivamente. Do outro lado, ainda impressiona como Ronald Koeman é incapaz de apresentar soluções ao Barcelona; pelo contrário, aumenta os problemas a cada rodada, buscando soluções sem sentido - como escalar Frenkie de Jong como meia aberto pela direita no 4-2-3-1.


Elche 1x0 Celta

Finalmente saiu o primeiro gol de Darío Benedetto com a camisa do Elche! Após sete partidas, o atacante argentino marcou e garantiu a segunda vitória da equipe na temporada de LaLiga. Jogo equilibrado com o Celta, que vinha de duas vitórias consecutivas, decidido em recuperação de bola do Elche no campo de ataque, que pegou a defesa do Celta desorganizada. A assistência do ótimo Fidel encontrou Benedetto livre na grande área para finalizar aos quatro minutos do segundo tempo. Mais uma vez, a equipe de Vigo demonstrou enorme dificuldade nas finalizações: foram dez, mas apenas uma no gol defendido por Kiko Casilla.


Espanyol 2x1 Real Madrid

A primeira derrota do Real Madrid na temporada de LaLiga acendeu o alerta para Carlo Ancelotti. Isso porque, somada à surpresa contra o Sheriff pela Champions e o empate na última rodada com o Villarreal, deixa os merengues sem vencer há três partidas. Taticamente foi um Real Madrid diferente, com variação de 4-1-3-2 para 4-4-2, dependendo do posicionamento de Toni Kroos - muitas vezes atrás de Luka Modric; David Alaba jogou como lateral-esquerdo e Eduardo Camavinga como um meia pela esquerda também. No segundo tempo, com Rodrygo em campo no lugar do francês, o 4-3-3 voltou. Foi um jogo mais aberto do que se imaginava, e o Espanyol aproveitou muito bem as oportunidades que criou com suas oito finalizações, quatro no alvo.


Getafe 1x1 Real Sociedad

A única finalização certa do Getafe abriu o placar para a equipe aos 40 minutos, com Sandro Ramírez. A Real Sociedad foi obrigada a correr atrás e, mais uma vez com Mikel Oyarzabal, que marcou seu sexto gol na temporada de LaLiga, empatou no segundo tempo. Os bascos tiveram maior posse de bola, com 62%, e buscaram a vitória, mas no final das contas permitiram a Míchel conquistar o primeiro ponto do Getafe. Resultado ruim para a Real Sociedad, mesmo com todos os desfalques que se tornaram comuns já, porque havia chance de assumir a liderança isolada do Campeonato Espanhol.


Villarreal 2x0 Betis

Como já citado no texto, apenas o Villarreal permanece invicto em LaLiga, mas conquistou somente sua segunda vitória em sete jogos. Com dois gols de Arnaut Danjuma, uma das melhores contratações da temporada na Espanha, o Submarino Amarillo bateu o bom time do Betis, treinado por Manuel Pellegrini, por 2 a 0. Partida bem disputada, com duas equipes que valorizam a posse de bola - dividida em 58,2% para o Villarreal e 41,8% para o Betis. O jogo marcou também o retorno de Iborra aos gramados, 294 dias após sofrer grave lesão de ligamentos no joelho.


Granada 1x0 Sevilla

Por partidas como esta, que o Sevilla não é considerado um candidato ao título. Tem pontuação para tal, time fortíssimo, mas vacila muito em jogos menores. Assim como o Getafe, o Granada marcou com sua única finalização certa de três tentadas. Praticamente não atacou, tanto é que teve índice de xG de míseros 0,06. O Sevilla acumulou chances desperdiçadas, Julen Lopetegui colocou em campo todas suas opções ofensivas, de nada adiantou - e no final ainda perdeu Diego Carlos expulso. Assim, Robert Moreno venceu pela primeira vez como técnico em LaLiga.

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Primeira derrota do Real Madrid, vitória do Atleti, tropeço do Sevilla... LaLiga segue sem favorito

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Retorno triunfal de Ansu Fati recupera a esperança do barcelonismo; Real Sociedad e Rayo Vallecano também são destaques na rodada

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Contando os acréscimos, foram pouco mais de 13 minutos em campo. Suficientes para Ansu Fati tocar 16 vezes na bola, dar nove passes, sofrer um pênalti não marcado e anotar o terceiro gol do Barcelona. Depois da derrota para o Bayern e os empates com Granda e Cádiz, o Barça voltou a vencer e a jogar bem.

A sétima rodada de LaLiga viu ainda a invencibilidade do Atlético de Madrid cair, o Real Madrid não vencer, a Real Sociedad subir na tabela, o surpreendente Rayo Vallecano, de Falcao García, confirmar a condição de surpresa de LaLiga e o Celta fechar a jornada com a segunda vitória seguida.

Ansu Fati voltou e marcou o terceiro gol do Barcelona no final de semana
Ansu Fati voltou e marcou o terceiro gol do Barcelona no final de semana Barcelona

Alavés 1x0 Atlético

Enorme vitória do Alavés, primeira na temporada de LaLiga. A equipe basca não batia o Atlético desde maio de 2003 pelo Campeonato Espanhol (12 jogos). Já o Atleti perdeu a invencibilidade com outra atuação ruim, bem abaixo da expectativa e do potencial desse time comandado por Diego Simeone. Mais uma vez o time madrilenho teve enormes dificuldades ofensivas, criou pouquíssimas chances efetivas de gol.

O Alavés entrou em campo no 5-4-1 e assim permaneceu, bem fechado, do início ao fim. Fez 1 a 0 com a cabeçada de Víctor Laguardia aos quatro minutos, em cobrança de escanteio, e no segundo tempo, com o Atlético em cima, perdeu três ótimas oportunidades em contra-ataques para matar o jogo de vez. O Atleti começou no 3-5-2 e mudou para o 4-4-2 depois do intervalo. Tem sido uma constante em jogos nesta temporada do Atleti: começa com linha de cinco defensores e troca para quatro, ou o contrário. O desempenho continua bem abaixo, e desta vez não houve salvação nos últimos minutos. Rodrigo de Paul jogou bem; Antoine Griezmann e Yannick Carrasco foram mal.

Valencia 1x1 Athletic

No duelo do 4-4-2 de José Bordalás e Marcelino García Toral, tudo igual no Mestalla. Resultado justo pelo volume de jogo das duas equipes, que criaram oportunidades de gol, marcaram uma vez cada e proporcionaram um jogo bem agitado em Valência. O empate impediu, também, a terceira derrota seguida dos Ches (Real Madrid e Sevilla), que seria um duro baque nas pretensões do clube após o ótimo início de temporada. Os bascos se recuperaram após o tropeço em Bilbao contra o Rayo Vallecano.

Mesmo sem contar com Carlos Soler, o Valencia manteve a força ofensiva que tem apresentado, desta vez com Yunus Musah e Hugo Duro pelos lados do campo, além de Gonçalo Guedes e Maxi Gómes na frente. O Athletic usou o quarteto ofensivo titular formado por Yuri Berenguer, Iker Muniain, Iñaki Williams e Raúl García. Quando Iñigo Martínez marcou para os visitantes aos 24 minutos do segundo tempo, o Valencia era melhor. A expulsão infantil de Maxi Gómez aos 37 passou a impressão de placar definido, mas coube ao brasileiro Marcos André, que entrara aos 25, empatar aos 50 e anotar seu primeiro gol pelos Ches.

Sevilla 2x0 Espanyol

Sem alarde e com uma partida a menos que o Real Madrid, o Sevilla chegou a 14 pontos em LaLiga e se coloca três atrás do líder da competição. A vitória por 2 a 0 sobre o Espanyol teve alguns sustos, mas começou a ser construída cedo, logo aos 13 minutos, com o gol marcado por Youssef En-Nesyri e assistência de Jesús Navas. Julen Lopetegui rodou o elenco, pensando no confronto com o Manchester United pela Champions League; Fernando, por exemplo, foi poupado e cedeu lugar a Thomas Delaney no meio-campo.

O primeiro susto veio aos 25 minutos, com o gol marcado por Raúl de Tomás, corretamente anulado por impedimento. Melhor em campo, mas com um adversário que também saiu para o ataque (53% x 47% de posse de bola), o Sevilla criava as melhores oportunidades. A equipe da Andaluzia teve índice de xG de 1,46, contra 0,85 do adversário. Só que houve um segundo susto com a expulsão de Delaney. O dinamarquês recebeu cartão amarelo aos 20 minutos do segundo tempo, aplaudiu ironicamente o árbitro González Fuertes, que estava de costas e foi avisado pelo assistente, e recebeu o segundo cartão amarelo, consequentemente o vermelho depois. Mesmo com um a mais em campo, o Espanyol não ameaçou o gol de Bono e ainda levou o segundo aos 42, com Rafa Mir, que substituiu o lesionado En-Nesyri.

Real Madrid 0x0 Villarreal

Muito do que vinha funcionando na temporada merengue, desta vez não funcionou. Vinicius e Karim Benzema não se destacaram, as laterais foram um enorme problema com Federico Valverde e Nacho e o empate em 0 a 0 com o Villarreal acabou sendo um resultado justo. Principalmente pelo primeiro tempo do Submarino Amarelo, superior ao do Real Madrid, com mais posse de bola e mais chances criadas. Foi também um ótimo duelo tático nos 90 minutos.

Unai Emery armou o Villarreal no 4-3-3 na fase ofensiva, mas com variação para o 4-4-2 na defensiva. Já Carlo Ancelotti também começou no 4-3-3 com a bola, mas manteve o tradicional 4-1-4-1 na fase defensiva. Depois ambos mudaram com substituições, assumindo o 4-4-2 até o final. Apesar da falta de gols, foi uma bela partida disputada no Santiago Bernabéu para quase 25 mil pessoas. Destaques para Geronimo Rulli, que fez ótimas defesas, Arnaut Danjuma, perigosíssimo no ataque amarelo, e David Alaba, melhor em campo e fundamental na construção de jogo - só que poderia ter sido deslocado para a lateral, deixando Nacho na defesa.

Mallorca 2x3 Osasuna

Quatro rodadas sem vitória tiraram o Mallorca da parte de cima da tabela de LaLiga. Neste domingo, em casa, sofreu o primeiro gol do jogo, virou ainda no primeiro tempo, mas levou a virada na segunda etapa. Grande vitória do Osasuna, a terceira seguida como visitante. Foi um dos melhores jogos do final de semana na Espanha, com cinco gols e muitas chances dos dois lados - 29 finalizações no total, 17 x 12 para os donos da casa.

Take Kubo foi desfalque no Mallorca, que promoveu a estreia do goleiro eslovaco Dominik Greif, mandando Manolo Reina para o banco. Pelo Osasuna, Chimmy Ávila foi titular, mas não conseguiu marcar. Vale destacar o golaço de falta de Iñigo Pérez, aos 13 minutos do segundo tempo, para deixar o placar em 2 a 2. No final, a vitória veio com Javi Martínez aos 43.

Barcelona 3x0 Levante

A torcida do Barcelona precisava de boas notícias. Após uma semana terrível, o Barça jogou bem, venceu sem dificuldades o Levante por 3 a 0 e ainda teve o tão aguardado retorno de Ansu Fati aos gramados, após dez meses. Além disso, viu os jovens de La Masía terem papel determinante no resultado, com Gavi e Nico González como titulares, aproveitando os desfalques (Frenkie de Jong, Pedro, Sergi Roberto, Ousmane Dembélé, Martin Braithwaite...). Ronald Koeman, que cumpriu o primeiro jogo de suspensão, ficou nas arquibancadas se comunicando com Henrik Larsson no banco, o qual passava as instruções para Alfred Schreuder.

Em campo tudo funcionou muito bem. Contra o 4-4-2 de Paco López, o Barcelona jogou no 4-2-3-1, com Memphis pela esquerda e Gavi na direita, cortando para dentro, e Luuk de Jong centralizado; Philippe Coutinho era um meia avançado. Ainda com problemas nas laterais, pelos desfalques, Sergiño Dest permaneceu improvisado na esquerda e Óscar Mingueza fez a direita. Dois gols nos primeiros 15 minutos tiraram o peso da pressão que havia no Camp Nou sobre os jogadores, que atuaram de maneira mais leve no restante da partida. O grande destaque acabou sendo Ansu Fati, que entrou aos 36 minutos do segundo tempo, no lugar de Luuk de Jong, e marcou dez minutos depois. Domínio absoluto do Barça nos 90 minutos, ótima volta do novo camisa 10.

Real Sociedad 1x0 Elche

Importante resultado da Real Sociedad contra o Elche, mais uma vez bastante desfalcada de jogadores importantes como David Silva e Alexander Isak. Na temporada passada, após o ótimo início, o rendimento da equipe caiu muito por causa dos desfalques. Nesta, Imanol Alguacil tem conseguido somar pontos, mesmo com todos os problemas e lançando jovens, como foram os casos de Beñat Turrientes (19 anos) no meio-campo e Julen Loblete (21) no ataque, titulares pela primeira vez - e no caso de Beñat, estreia em LaLiga.

No primeiro tempo, apesar da maior posse de bola e controle do ritmo de jogo pela Real Sociedad, foi o Elche que esteve mais perto de marcar, com uma bola na trave, um contra-ataque desperdiçado por Lucas Pérez e um ótimo chute de longe de Pablo Piatti. Já na segunda etapa, a equipe basca colocou a bola no chão e passou a ser bem mais perigosa - e mesmo assim Darío Benedetto mandou uma finalização no travessão. Mikel Oyarzabal perdeu, assim como na rodada anterior, um gol feito. Ao menos se redimiu aos 36, em falha terrível do zagueiro chileno Enzo Roco, que não conseguiu cortar um lançamento. Gol da vitória, mais três pontos, segunda posição na tabela.

Rayo Vallecano 3x1 Cádiz

O efeito Falcao García é imediato no Rayo Vallecano. Terceira vitória seguida com gol do colombiano, que desta vez foi titular. Grande partida também de Isi Palazón, que participou das jogadas dos dois primeiros gols e depois fez um golaço de fora da área já no finalzinho, para definir o 3 a 1 sobre o Cádiz - que venceu apenas uma vez na temporada até aqui. Os números ajudam a entender a superioridade do time de Vallecas, que teve 59% de posse de bola e finalizou 13 vezes, contra seis do adversário da Andaluzia, mesmo número de arremates certos do Rayo.

Betis 2x0 Getafe

Após marcar pela primeira vez com a camisa do Betis na rodada passada, Willian José foi o principal responsável pela vitória por 2 a 0 sobre o Getafe com dois gols marcados. Resultado que deixa a equipe da região de Madri como a pior de LaLiga até aqui: sete derrotas em sete partidas e saldo de -10; o técnico Míchel corre enorme risco de ser o primeiro demitido na temporada espanhola. O Betis foi superior do início ao fim da partida e confirma sua condição de time para estar na parte de cima da tabela, de olho na briga por Europa e Conference League.

Celta 1x0 Granada

Importantíssima vitória do Celta, a segunda consecutiva na temporada, que manteve o Granada na zona de rebaixamento - algo que não acontecia desde maio de 2017, quando caiu para a segunda divisão. Do início ao fim os jogadores de Chacho Coudet foram melhores, sempre bem organizados no 4-1-3-2. É bem verdade que a equipe teve muita dificuldade para transformar a enorme superioridade na posse de bola 73% em chances de gol.

O time melhorou com as alterações do técnico argentino, principalmente com Denis Suárez na vaga de Fran Beltrán no intervalo. Passou a ter mais profundidade e a trabalhar melhor a posse no último terço do campo, contra o 4-4-2 bem fechado montado por Robert Moreno. Iago Aspas perdeu um pênalti, em grande defesa do ótimo Luis Maximiano, que acabou se machucando no lance que gerou a penalidade. Seu reserva, Aarón, não conseguiu segurar o chute cruzado de Denis Suárez aos 49 minutos da etapa final.

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Retorno triunfal de Ansu Fati recupera a esperança do barcelonismo; Real Sociedad e Rayo Vallecano também são destaques na rodada

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Massacre merengue, estreia do Villarreal e outro jogo ruim do Barça na rodada de LaLiga

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Encaixada no meio de semana e entre duas rodadas das competições continentais, a sexta jornada de LaLiga foi marcada por goleadas, grandes atuações individuais e também muitas mudanças nas equipes titulares. Na maior parte dos casos, alterações decididas pela questão física.

O Real Madrid brilhou, o Atlético sofreu e venceu, o Barcelona sofreu e empatou e o Villarreal finalmente venceu em LaLiga. Confira o resumos das dez partidas.

Ronald Koeman foi expulso no empate do Barcelona com o Cádiz
Ronald Koeman foi expulso no empate do Barcelona com o Cádiz Barcelona

Getafe 1x2 Atlético de Madrid

Luis Suárez é um monstro de jogador. Dois gols e importantíssima vitória do Atlético sobre o Getafe, para recuperar confiança e demonstrar a Diego Simeone novos caminhos. O treinador argentino optou pelo 4-4-2 de início, com Kieran Trippier e Renan Lodi nas laterais - foram muitos desfalques também: Koke, Lemar, Kondogbia e João Félix. Antoine Griezmann jogou um pouco atrás de Luis Suárez, com apoio de Ángel Correa, que abria o corredor na direita para Marcos Llorente. Foi um primeiro tempo de pouca criatividade e uma falha pouquíssimo usual de Jan Oblak, que resultou no gol de Stefan Mitrovic

Na segunda etapa, com as entradas de Rodrigo de Paul, Matheus Cunha e Mario Hermoso, o Atleti melhorou muito, também com a saída de Griezmann. Passou para o 3-4-3, liberando Llorente e Carrasco (não foi bem de novo) como alas. Luis Suárez permaneceu na referência e foi melhor acompanhado por Matheus e Correa. Após a expulsão de Carles Aleña, o volume de jogo dos colchoneros aumentou demais. Vitória bastante merecida, que amplia a invencibilidade contra o Getafe para 20 partidas em todas competições - não perde desde 6/nov/2011, ou seja, jamais com Diego Simeone.


         
     

Levante 0x2 Celta

Após um primeiro tempo muito ruim, provavelmente um dos piores de LaLiga na temporada, Levante e Celta disputaram bons 45 minutos. Todas as chances, boas jogadas e os gols da primeira vitória da equipe galega aconteceram no segundo tempo. Jogando em casa, o Levante poderia ter aberto o placar e depois empatado, se Roger Martí não estivesse em uma jornada infeliz: perdeu um gol incrível com o placar em 0 a 0 e depois um pênalti (mal marcado com o auxílio do VAR) com 0x1.

Eduardo Coudet fez uma mudança no meio-campo, tirando Denis Suárez e colocando Fran Beltrán, sem alterar seu 4-2-3-1. Contou com uma falha de Róber Pier na saída de bola para recuperar a bola no campo de ataque e Iago Aspas marcar. A defesa do Levante, que teve Shkodran Mustafi como titular pela primeira vez, cometeu mais algumas falhas, e em uma delas, no final, Brais Méndez marcou belo gol. Vamos ver se, daqui em diante, o Celta inicia uma reação em LaLiga (recebe o Granada). O Levante segue sem vencer.


         
     

Athletic 1x2 Rayo Vallecano

É o melhor início de temporada do Rayo Vallecano na primeira divisão desde 2000-01, quando o time era treinado por Juand Ramos e somou 12 pontos nas seis primeiras rodadas. Agora, com Andoni Iraola, são dez pontos conquistados e um bom futebol apresentado. A vitória sobre o Athletic, em San Mamés, é impactante pelo resultado em si, fora de casa, mas também pelo bom desempenho - do time, como conjunto, e de alguns jogadores, indidualmente. Radamel Falcao García, em sua segunda partida pelo Rayo e saindo do banco mais uma vez, marcou e garantiu a vitória.

Pouquíssimas chances foram criadas no primeiro tempo. O primeiro gol surge da marcação alta do Rayo, recuperação de bola com Sergi Guardiola e finalização de Álvaro García. O técnico Iraola mudou a equipe, rodou o elenco e ainda teve o desfalque de Óscar Trejo no meio-campo. O Athletic, com dificuldade de criação, conseguiu o empate com mais um gol que surge dos pés de Iker Muniain na temporada: cobrança de falta, cruzamento na área, cabeçada contra de Pathé Ciss. Na segunda etapa, o jogo ficou mais aberto, com maior posse de bola do Rayo (53%). O gol da vitória saiu aos 51 minutos, com dois jogadores que haviam entrado pouco antes: Bebé cobrou falta na área e Falcao cabeceou.


         
     

Sevilla 3x1 Valencia

O Sevilla vinha de três empates seguidos, contando a partida pela Champions League contra o Red Bull Salzburg, e precisava de uma boa atuação. Conseguiu em apenas 22 minutos. Foi o tempo necessário para abrir 3 a 0 no Valencia, com muita movimentação e força ofensiva. Levou um gol aos 31, com Hugo Duro, mas controlou bem a partida e mereceu a vitória - já os valencianos somam a segunda derrota seguida, após o 1x2 para o Real Madrid.

Julen Lopetegui armou o time no 4-3-3, com Joan Jordán, Fernando e Papu Gómez na trinca de meio-campistas. O ataque teve formação inédita com Erik Lamela, Rafa Mir (marcou seu primeiro gol pelo Sevilla) e Lucas Ocampos, que começou jogando pela primeira vez na temporada. Foi também a estreia de Gonzalo Montiel na lateral-direita, substituído no segundo tempo por Jesús Navas, e autor do segundo gol. Duro choque de realidade para o Valencia, que já sonhava com uma temporada europeia novamente.


         
     

Espanyol 1x0 Alavés

Raúl de Tomás, ou como leva na camiseta RdT, precisou marcar três vezes para conseguir um gol. Após gols anulados com auxílio do VAR, de pênalti aos nove minutos do segundo tempo ele decretou a primeira vitória do Espanyol neste retorno à primeira divisão. O Alavés, por outro lado, segue sem somar um único ponto até aqui. Pior: ocupa a lanterna, mesmo com um jogo a menos que o Getafe, que também apenas perdeu, por causa do saldo de -10 gols.

Em campo, o Espanyol teve mais posse de bola (53%) e mais finalizações também (10 x 7). Partida com alto número de faltas, 32 no total. Wu Lei, que entrou no segundo tempo e ainda não marcou na temporada, perdeu um gol incrível, no último lance, cara a cara com Pacheco.


         
     

Villarreal 4x1 Elche

Com um jogo a menos e quatro empates seguidos, finalmente o Villarreal estreou nesta temporada de LaLiga, como bem descreveu o jornal Marca. Conquistou a primeira vitória com goleada, 4 a 1 contra o Elche, de Fran Escribà, ex-técnico do Submarino Amarelo. Yeremi Pino, Manu Trigueros, Arnaut Danjuma e Alberto Moreno marcaram os gols para Unai Emery, que fez algumas mudanças na equipe titular..

Mandi começou na defesa ao lado de Pau Torres, Dani Parejo voltou ao meio-campo e Paco Alcácer teve as companhias de Danjuma e Pino no ataque do 4-3-3. Já no Elche, Darío Benedetto e Javier Pastores, duas das principais contratações da equipe, começaram no banco e entraram no segundo tempo. Vitória tranquila do Villarreal, com 60% de posse de bola e 9 x 3 nas finalizações certas. 


         
     

Real Madrid 6x1 Mallorca

Enorme atuação do Real Madrid, melhor da temporada. Superior ao Mallorca do início ao fim, com rotações na equipe titular promovidas por Carlo Ancelotti, que descansou alguns jogadores, entre eles Casemiro. Vinicius e Rodrygo foram titulares pelo lado no 4-3-3, que teve Eduardo Camavinga como volante recuado. A estrela da noite foi Marco Asensio, que voltou a ter oportunidade como titular e marcou três gols contra o clube que o formou - atuando como um dos meias centralizados. Pra variar, quem foi bem demais novamente foi Karim Benzema. Mais dois gols e duas assistências para o atacante francês, que soma agota oito e sete, respectivamente, na temporada.

Pelo Mallorca, nada funcionou. Takefusa Kubo, desta vez centralizado na armação do 4-2-3-1, foi substituído no intervalo; Matthew Hoppe nada fez no ataque; apenas Lee Kang-in conseguiu jogar um pouco, marcando gol inclusive. Cabe ao técnico Luis García Plaza recolocar o time nos trilhos e seguir com o bom início de retorno em LaLiga. Do lado merengue, liderança da competição e melhor futebol jogado entre as 20 equipes.


         
     

Granada 2x3 Real Sociedad

Ótimo jogo entre Granada e Real Sociedad, com vitória basca por 3 a 2. Com muitos desfalques por lesões, como Nacho Monreal fora desde o início da temporada, e recém-machucados, casos de Alenxader Isak, Ander Barrenetxea e David Silva, coube a Mikel Merino e Mikel Oyarzabal assumirem o protagonismo do jogo para a Real Sociedad, que foi melhor durante os 90 minutos.

Do outro lado, um adversário que vinha de empate com o Barcelona, no Camp Nou, e que não mudou a estratégia de marcação forte e transição. Os números finais da partida ajudam a entender a superioridade da Real Sociedad, que por outro lado vacilou muito na defesa: 62% de posse de bola e 20 x 8 em finalizações, com 11 x 2 no alvo. São cinco jogos de invencibilidade para os comandados de Imanol Alguacil.


         
     

Osasuna 1x3 Betis

Jogo de muitas chances para os dois lados, com 27 finalizações no total, sendo 16 para o Betis, que venceu fora de casa o Osasuna por 3 a 1. Segunda vitória seguida como visitante da equipe que, em Sevilha, tem tropeçado. O resultado deixa o Betis na oitava posição, com nove pontos em seis jogos. O Osasuna segue oscilando, alternando vitórias e derrotas após dois empates em 0 a 0 nas duas rodadas iniciais.

Juanmi tem feito ótima temporada, marcou em Pamplona e chegou a quatro gols, contando a Europa League. Willian José fez o terceiro do Betis, em contra-ataque, com o Osasuna buscando o empate - primeiro gol dele com a camisa verdiblanca.

Cádiz 0x0 Barcelona

Outro jogo ruim do Barcelona, mais pressão sobre Ronald Koeman. Com muitos desfalques novamente, o Barça entrou em campo com Yusuf Demir, Luuk de Jong e Memphis no ataque, além de Frenkie de Jong, Sergio Busquets e o jovem Gavi no meio-campo. A defesa contou com o Óscar Mingueza como lateral-direito e Sergiño Dest improvisado na esquerda, já que não havia mais laterais-esquerdos no elenco com as lesões de Jordi Alba e Alejandro Baldé. Primeiro tempo muito fraco, com o Cádiz jogando dentro da sua proposta de marcação e contra-ataque no 4-4-2.

Na segunda etapa, o Barcelona voltou com outra atitude, bem mais movimentação e um pouco mais de profundidades. Deixou o jogo melhor, dando mais espaços para o Cádiz também. Com a injusta expulsão de Frenkie de Jong, os donos da casa cresceram nos minutos finais e pressionaram bastante. Mesmo com o erro da arbitragem, a atuação culé merece ser criticada, assim como algumas decisões de Koeman - que ainda foi expulso no final. Ter Stegen foi fundamental para evitar a derrota e Philippe Coutinho saiu bem do banco de reservas. Já Luuk de Jong teve outra atuação apagadíssima e Memphis perdeu muitas chances.


         
     

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Com Piqué de centroavante e 54 cruzamentos na área, Barcelona empatou em casa com o Granada

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

No fechamento da quinta rodada de LaLiga, o Barcelona teve uma de suas piores atuações nos últimos anos. No Camp Nou com pouco mais de 27 mil pessoas nas arquibancadas, empatou em 1 a 1 com o Granada em noite heróica de Ronald Araujo.

A rodada teve ainda vitória de virada do Real Madrid sobre o Valencia, que deixou a equipe merengue isolada na liderança de LaLiga. Confira abaixo resumos dos dez jogos - a sexta rodada já começa nesta terça-feira.

Barcelona e Granada empataram em 1 a 1 no Camp Nou, com 27 mil torcedores nas arquibancadas
Barcelona e Granada empataram em 1 a 1 no Camp Nou, com 27 mil torcedores nas arquibancadas Barcelona

Celta 1x2 Cádiz

 

 

Jogo muito bom no Balaídos, que abriu a quinta rodada de LaLiga. Primeira vitória do Cádiz na temporada, e primeira de outras que acontecerão com o mesmo roteiro: muita marcação e bom aproveitamento dos erros adversários. Esse é o Cádiz do técnico Álvaro Cervera, que começou no 4-1-4-1 na fase defensiva e terminou com linha de cinco defensores. Fez 2 a 0 no primeiro tempo com um gol em jogada de bola parada e outro em rebote de um polêmico pênalti marcado - e, na minha avaliação, gol irregular por o lateral Alfonso Espino pisou na linha da grande área, o que configura invasão.

Já o Celta tem um péssimo início de temporada, com quatro derrotas em cinco rodadas. Havia enorme necessidade de somar três pontos na sexta-feira por jogar em casa e contra um adversário que tem como objetivo principal, a permanência em LaLiga - antes perdera para Atlético, Athletic e Real Madrid. Eduardo Coudet viu um time inoperante no primeiro tempo se transformar na segunda etapa, contando também com suas substituições - principalmente Nolito, que entrou muito bem. Diminuiu, criou várias oportunidades, teve 78% de posse de bola, mas parou na trave ou no goleiro argentino Jeremías Ledesma, eleito melhor em campo. 

Rayo Vallecano 3x0 Getafe

 

 

Foi uma tarde de sábado muito especial em Vallecas. Diante de seus torcedores, o Rayo Vallecano venceu o rival regional Getafe por 3 a 0 e comemorou a segunda vitória na temporada. Além disso, a torcida ainda celebrou a tão aguardada estreia de Radamel Falcao García, que saiu do banco aos 26 minutos e marcou aos 36. Já o Getafe permanece sem vencer em LaLiga, ainda carente de José Bordalás e com um trabalho bastante contestável do técnico Míchel.

Em campo a posse de bola ficou totalmente equilibrada, 50% para cada lado, assim como o número de finalizações (11 x 13). O aproveitamento do Rayo, no entanto, foi excepcional com três gols marcados em cinco arremates certos. Aos poucos a equipe do técnico Andoni Iraola vai encorpando e jogando bem. Bebé foi titular, de maneira merecida após as últimas boas atuações; Óscar Trejo mantém o nível alto no meio-campo; Dimitrievski tem sido um goleiro bem seguro; e agora, com a chegada de Falcao, o time ganha mais uma boa opção para o ataque, além do francês Roger Nteka.

Atlético de Madrid 0x0 Athletic

 

 

Diego Simeone mudou o time. Com os desfalques de Thomas Lemar e Koke, Geoffrey Kondogbia e Rodrigo de Paul começaram entre os titulares; além disso, Renan Lodi voltou a ganhar oportunidade na ala esquerda do 3-5-2, que teve Ángel Correa e Antoine Griezmann no ataque. Não funcionou. O Atlético foi apático no ataque e praticamente não criou chances de gol no primeiro tempo, enquanto o Athletic, sempre bem organizado no 4-4-2 de Marcelino García Toral, não correu grandes riscos.

No segundo tempo, cinco mudanças para cada lado e um jogo bem mais aberto. O Atlético aumentou a pressão e passou a tocar melhor a bola no ataque, já com Luis Suárez e Yannick Carrasco em campo, além de Héctor Herrera. Marcos Llorente mandou uma bola na trave, só que o Athletic teve as duas melhores chances da partida: dois gols perdidos por Iñaki Williams e Asier Villalibre. João Félix, que também entrou na segunda etapa, foi expulso e deixou o Atleti com um a menos nos últimos 15 minutos, mas não mudou muito o cenário. Empate sem gols, segundo consecutivo contando a Champions League, e algumas vaias no Wanda Metropolitano.

Elche 1x1 Levante

 

 

Na estreia de Javier Pastore, que entrou no segundo tempo, o Elche não conseguiu vencer o Levante em casa pela quinta rodada de LaLiga. O empate em 1 a 1, no final das contas, é um resultado ruim para as duas equipes, já que o Levante ainda não ganhou e o Elche vinha da primeira vitória na rodada passada. Lucas Pérez marcou pela segunda partida seguida, aos 33 minutos, mas o veterano José Luis Morales deixou tudo igual aos dez do segundo tempo - em uma das seis finalizações certas, que obrigaram Kiko Casilla a trabalhar bastante.

Alavés 0x2 Osasuna

 

 

O Alavés está com uma partida a menos que o Getafe, mas o mesmo aproveitamento na temporada de LaLiga: 0%. O Osasuna, fora de casa, impôs a quarta derrota para a equipe de Vitoria-Gazkeis e subiu para a sétima posição. David García e Roberto Torres, cobrando pênalti, marcaram para o time comandado por Jagoba Arrasate, que teve menor posse de bola (44%), mas arriscou mais a gol (13 x 8 nas finalizações, 5 x 3 no alvo) dentro da proposta de transição - o jogador do Osasuna com o maior número de passes foi o lateral-direito Nacho Vidal, com somente 38.

Mallorca 0x0 Villarreal

 

 

Unai Emery mexeu no time titular do Villarreal, até mesmo pela sequência pesada de jogos desde o final de semana passado. Danjuma foi titular no ataque, Dani Parejo ganhou descanso no meio campo, Francis Coquelin ficou responsável pela saída de bola... E mais uma empate, o quarto em quatro jogos disputados pelo Submarino Amarelo na competição. O Mallorca, de ótima campanha até aqui, se armou no 4-4-2, acertou o gol defendido por Gerónimo Rulli apenas uma vez e saiu de campo satisfeito com o ponto conquistado, contra um adversário tecnicamente superior.

Real Sociedad 0x0 Sevilla

 

 

Pela qualidade das duas equipes, havia bastante expectativa para um bom jogo entre Real Sociedad e Sevilla. No final das contas, o 0 a 0 foi decepcionante, mas não surpreendente. No total, foram 22 finalizações - 11 para cada lado, assim como quatro certas para cada equipe. Sem David Silva, lesionado, Imanol Alguacil optou por armar o time com quatro atacante e a entrada de Alexander Sorloth para atuar ao lado de Alexander Isak, com Portu e Mikel Oyarzabal pelos lados. De qualquer modo, sequência pesada para os espanhóis que também estão nas competições continentais, casos de Real Sociedad e Sevilla.

Betis 2x2 Espanyol

 

 

Um dos jogos mais emocionantes da quinta rodada de LaLiga aconteceu no estádio Benito Villamarín. O Espanyol fez 1 a 0, levou a virada do Betis e buscou o empate aos 52 minutos do segundo tempo. Willian José marcou pela primeira vez pelo Betis, que buscou muito mais o gol do que a equipe de Barcelona: foram 23 finalizações contra apenas nove do Espanyol (mesmo número de finalizações certas do time de Sevilha). Apesar da comemoração no final, o Espanyol ainda não sabe o que é vencer no Campeonato Espanhol. Já o Betis perdeu a oportunidade de vencer pela terceira vez seguida e subir na tabela.

Valencia 1x2 Real Madrid

 

 

Em um dos jogos mais aguardados da rodada, no duelo entre José Bordalás e Carlo Ancelotti, o técnico italiano comemorou muito no final. Virada e vitória emocionante do Real Madrid no Mestalla sobre o Valencia por 2 a 1, que deixou a equipe merengue como líder isolada de LaLiga após cinco rodadas. Para completar, mais uma grande atuação da dupla Viniciuss Júnior e Karim Benzema.

O 4-4-2 foi repetido no Real Madrid, com Federico Valverde e Vinicius pelos lados, Luka Modric e Casemiro por dentro, tendo Eden Hazard como segundo atacante ao lado de Benzema. A rigidez tática do Valencia foi mantida, mas com a força na transição ofensiva apresentada nesta temporada. Hugo Duro colocou os donos da casa à frente aos 21 minutos do segundo tempo e depois o Valencia tentou se defender até o final com todas suas armas. Vinicius marcou aos 41 e Benzema virou aos 43, com assistência do brasileiro.

Barcelona 1x1 Granada

 


 


No sufoco, o Barcelona salvou um ponto em pleno Camp Nou contra um adversário que ainda não venceu em LaLiga. O gol marcado por Ronald Araujo, melhor em campo, garantiu o empate em 1 a 1 com o Granada em noite de muitas críticas a Ronald Koeman, que optou por terminar a partida com Gerard Piqué como centroavante. Foi uma atuação muito ruim do Barça, que piora a imagem do time após o 3 a 0 do Bayern e aumenta as dúvidas sobre a capacidade do treinador.

O Barcelona voltou ao 4-3-3, com os jovens Alejandro Baldé e Yusuf Demir ganhando oportunidades entre os titulares, assim como Philippe Coutinho. Com dois minutos já perdia por 1 a 0, e apenas no final do primeiro tempo reagiu - já com Mingueza na lateral-direita e Sergiño Dest improvisado na esquerda, após a lesão de Baldé. No segundo tempo colocou Luuk de Jong e Riqui Puig em campo, além de Piqué no ataque. No final das contas, em um dos 54 cruzamentos na área, a bola achou a cabeça de Araujo. Único jogador que se salvou em um (mais) dia de absoluta falta de inspiração barcelonista. Em muitos momentos, o Barcelona parecia um catado de jogadores lançando a bola para o ataque.

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Ayrton Lucas prevê enorme dificuldade na Europa League em grupo com Legia Varsóvia, Napoli e Leicester

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A fase de grupos da Europa League começa nesta quarta-feira com um jogo isolado e bastante pesado no Leste Europeu. O Spartak recebe, em Moscou, o Legia Varsóvia, da Polônia, pela primeira rodada do Grupo C. Em campo, certamente, estará escalado pelo técnico Rui Vitória na equipe russa o lateral brasileiro Ayrton Lucas.

Apesar da tradição de jogadores brasileiros no maior campeão russo, há apenas Ayrton no elenco atual. Desde 2018 no clube, o ex-lateral-esquerdo do Fluminense está muito bem adaptado ao país. Acostumado também aos torneios continentais, tem agora a Europa League pela frente. Antes da estreia, conversou com exclusividade com o blog.

O Spartak Moscou recebe o Legia Varsóvia, nesta quarta-feira (15), em sua estreia na Europa League. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+. Clique aqui e veja mais informações. 

Ayrton Lucas defende o Spartak Moscou desde 2018
Ayrton Lucas defende o Spartak Moscou desde 2018 Di

O Spartak Moscou está no Grupo C da Europa League, chave complicada com Legia Varsóvia, Leicester e Napoli. Qual é a expectativa do clube diante de tamanha dificuldade?

Sabemos que estamos em um grupo muito forte, mas a gente vem de uma vitória no Campeonato Russo, o que nos dá um um pouco mais de confiança para fazer uma estreia boa na Europa League e ir em busca dessa vitória, que nos daria ainda mais confiança e seria o começo perfeito pra fazer um bom campeonato e quem sabe buscar a classificação.

O que vocês sabem sobre o primeiro adversário, também muito tradicional no Leste Europeu, o Legia?
A gente sabe que é uma equipe forte, só de estar disputando a Europa League já prova que é uma grande equipe e não só nesse primeiro jogo, mas todos os jogos vão ser difíceis. Vamos treinar na terça, um dia antes da partida, então vamos estudar os pontos fortes e fracos deles, o que podemos explorar e com muita concentração vamos buscar colocar isso em campo para buscar a vitória.

Premier League: Manchester City vence o Leicester fora de casa; veja os melhores momentos


         
     


Com a chegada de Rui Vitória, o que mudou na ideia de jogo do Spartak e o dia a dia de treinamentos?

O Rui Vitória é um treinador vitorioso, respeitado e pra mim me ajuda muito pela questão da língua. Não tivemos um começo muito bom de campeonato, mas temos muita confiança nele, estamos vindo de uma vitória e quem sabe daqui pra frente possamos manter essa sequência de bons resultados, para que no final da temporada a gente esteja comemorando títulos.

O Spartak é o maior campeão russo de todos os tempos, com 22 títulos. Há muita pressão para derrubar o Zenit e voltar a ser campeão após cinco anos?
Sim, o Spartak é o maior campeão da Rússia, mas já faz um tempo que não somos campeões. Com certeza pensamos em ser campeões, não começamos bem a temporada, mas ainda está no início e só depende da gente para melhorar e encontrar o caminho das vitórias para brigar pelos títulos, que é o que o Spartak merece. Temos que seguir trabalhando forte, com muita concentração nos jogos e sempre buscando as vitórias para quem sabe acabar com essa sequência do Zenit.

Esta é sua quinta temporada no Spartak. Quais são seus planos para a sequência da carreira?
Já estou há bastante tempo aqui, estou sempre jogando, que é o que todo jogador busca. Esse ano vou ter a chance de disputar a Europa League, nos outros anos joguei apenas a pré, então espero que seja uma temporada muito iluminada, que seja uma das melhores temporadas da minha vida, porque jogar Europa League é o sonho de qualquer pessoa, então é a realização de mais um sonho para mim. Espero terminar essa temporada com um título, vamos muito concentrados para fazer bons campeonatos, pois além da Europa League também tem a Copa da Rússia e o Campeonato Russo, e ser campeão é o que todo atleta quer.

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