O feito de Stephen Curry vai muito além dos números

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Dizem que Stephen Curry entrou para a história da NBA ao estabelecer a marca de 2.977 chutes certeiros de três pontos ao encestar cinco das 14 bolas tentadas na vitória de ontem (14) do seu Golden State sobre o New York Knicks (105 a 96) em pleno Garden nova-iorquino. Pelo fato de o milestone ter sido conquistado no  Madison, que é tido no planeta basquete como a meca do esporte da cesta, dizem, a festa foi ainda maior. Curry superou Ray Allen, detentor da melhor performance até então com 2.973 cestas certeiras de três ao longo da carreira.

Números.

A grandeza do feito de Curry, todavia, não está nos números. Não se prenda a eles. Não se deixe escravizar por eles. Eles são importantes, é claro, mas não é o mais importante, especialmente nesse caso.

Curry escreve um novo capítulo na rica história do basquete não por conta desta nova marca estabelecida.  A grandeza do feito de Curry está no fato de que ele mudou o jeito de se jogar basquete. Por causa de seus arremessos precisos de três pontos, o seu Golden State ganhou três títulos dos últimos sete disputados — e poderia ter vencido outros se Klay Thompson (seu grande companheiro de quadra) não tivesse se lesionado tanto. Por causa dos seus enlouquecedores arremessos triplos os outros times perceberam que se não utilizassem essa arma (letal) eles não teriam futuro no jogo.

Tudo por causa de Curry e seus empolgantes arremessos de três, que num primeiro momento pareceram amalucados, mas que agora, com o passar do tempo, todos perceberam que esta é a nova ordem no basquete mundial. Time que não tem arremessadores precisos de três não chega a lugar nenhum.

A obsessão é tão grande que até os pivôs têm que arremessar de três. Caso contrário, esquentarão o banco e terão poucos minutos em quadra. Nikola Jokic arremesa de três; Joel Embid arremessa de três; Kristaps Porzingis arremessa de três; Nikola Vucevic arremessa de três. Exemplos.

Outra estratégia, também por causa dessa nova maneira de se jogar basquete, é usar os alas de força no lugar dos pivôs. Por quê? Porque são mais ágeis e estão à disposição para os arremessos longos. Ou então, por conta de sua leveza, eles abrem o garrafão e permitem que armadores e alas infiltrem e façam bandeja na maior moleza do mundo. Mas se houver uma dobra para dificultar a infiltração, alguém estará livre , atrás da linha dos três, normalmente, para receber o passe e... pimba!

A mania pelas bolas de três (criadas por Curry, não se esqueçam) é tão grande que alguns times usam alas para fazer a posição do pivô. PJ Tucker fez isso no ano passado com o campeão Milwaukee. LeBron James faz o mesmo no Lakers e Kevin Durant no Brooklyn.

Por conta desse novo jeito de jogar basquete (valorização das bolas longas, determinada por Stephen Curry, faço questão de frisar uma vez mais), aqueles velhos pivôs do tipo Kareem-Abdul Jabbar, Wilt Chamberlain, Shaquille O´Neal e Bill Russell tornaram-se obsoletos. Daqui a pouco serão peças de museu. Não caberão mais no jogo atual.

Portanto, como se vê, Curry não fez história ontem. Curry vem fazendo história. Ele mudou o jeito de se jogar basquete. Esse é o seu maior feito. Por isso,  ele vai entrar para a história. E não porque acertou um número X bolas de três ao longo de sua carreira.

O que Curry vem fazendo nada tem a ver com números.

Stephen Curry faz mais história na NBA
Stephen Curry faz mais história na NBA Ezra Shaw/Getty Images



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Erros da arbitragem impedem que o Santos lidere o Brasileiro

Fábio Sormani
Fábio Sormani

É inacreditável e inaceitável o que a arbitragem está fazendo com o Santos neste começo de Campeonato Brasileiro. Nada menos do que cinco pontos a mais poderiam ser adicionados à pontuação do time no torneio não fossem os equívocos que vocês saberão abaixo.

1) Na primeira rodada do Brasileirão, no empate em 0 a 0 contra o Fluminense, houve um pênalti claro no último minuto dos acréscimos do zagueiro Nino em cima do atacante Angulo e que foi ignorado pelo árbitro Anderson Daronco (RS);

2) Na vitória sobre o Coritiba, o pênalti marcado contra o Santos pelo árbitro Wagner do Nascimento Magalhães (RJ), cometido por Zanocelo, foi equivocado segundo a totalidade de analistas de arbitragem;

3) Na derrota para o São Paulo, um lateral confuso originou um pênalti para o Tricolor (que resultou no gol da vitória são-paulina) e na mesma partida o árbitro Pedro Vuaden (RS) não marcou uma penalidade sobre Madson;

4) E neste sábado (21), no empate diante do Ceará em 0 a 0, um gol de Léo Baptistão foi incorretamente anulado pelo árbitro Sávio Pereira Sampaio (DF) para marcar uma falta de Julio em Zé Roberto, quando fica claro que um puxou o outro e nada deveria ser marcado.

O jogo contra o Fluminense terminou empatado, mas poderia ter acabado com vitória santista. O Santos venceu o Coritiba; portanto, o pênalti mal marcado não interferiu no resultado final. A derrota contra o São Paulo poderia ter sido um empate. E o empate contra o Ceará poderia ter sido uma vitória.


         
     

Ou seja, como disse na abertura deste texto, nada menos do que cinco pontos poderiam estar atualmente na conta santista neste Campeonato Brasileiro. E ao invés de 11, o time poderia estar com 16 e na liderança do campeonato.

Uma vergonha o que os erros da arbitragem fazem com o futebol brasileiro — em especial com o Santos neste Brasileirão. Árbitros ruins, aparentemente mal preparados, que decidem jogos por conta de seus equívocos e que, ao final das 38 rodadas, podem determinar o campeão e os quatro rebaixados, por exemplo.

Algo tem que ser feito. Do jeito que está, não dá.

Atuações:

João Paulo — No nível de excelência de sempre. Nota 8.
Madson
— Faltou-lhe coragem para desafiar a marcação adversária e buscar o fundo. Nota 4.
Maicon — Mais uma atuação de primeiro-ministro. Nota 8.
Bauermann — Portou-se como o consiglieri de Maicon. Nota 8.
Lucas Pires — Deu a assistência do gol mal anulado de Baptistão, é verdade, mas precisa caprichar mais nos cruzamentos, pois tem deixado a bunda dos adversários dolorida. Nota 6.
Fernández — Onipresente. Nota 8.
Zanocelo — Fazia uma ótima partida quando inexplicavelmente foi substituído. Nota 8.
Baptistão — O melhor atacante santista. Fez o gol (mal anulado) e deu trabalho à zaga adversária. Assim como Zanocelo, foi absurdamente substituído. Nota 8.
Angulo — O gol que ele perdeu no início do segundo tempo foi ridículo na mesma proporção de seu futebol. Nota 1.
Marcos Leonardo — Não pega na bola, perde gols incríveis (como no primeiro tempo) e permanece em campo os 90 e tantos minutos que duram um jogo. Nota 1.
Julio — Um atacante não pode ser escalado porque ajuda na marcação. Um atacante tem que ser escalado porque sabe atacar. Nota 1.
Rwan — Apagadíssimo. Nota 2.
Goulart — Atrapalhadíssimo. Nota 2.
Lucas Braga — Invisível. Nota 2.
Sandry — Atabalhoado. Nota 2.
Lucas Barbosa — Enrolado. Nota 2.

Léo Baptistão, atacante do Santos, durante empate com o Ceará, na Arena Barueri, pelo Brasileirão
Léo Baptistão, atacante do Santos, durante empate com o Ceará, na Arena Barueri, pelo Brasileirão Ivan Storti/Santos F.C.
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A vergonhosa reivindicação de prêmios dos jogadores do Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani
Jogadores do Santos antes de partida contra o Goiás, pelo Brasileirão
Jogadores do Santos antes de partida contra o Goiás, pelo Brasileirão Ivan Storti/Santos FC

Leio no site do jornal A Tribuna que o Santos deve premiação aos jogadores referentes aos dois últimos Campeonato Paulista. Não, você não leu errado, é isso mesmo. O time quase foi rebaixado em ambas competições, tendo escapado do vexame da queda na última rodada, e os jogadores reclamam o não pagamento de prêmios.

Prêmios? Os jogadores deveriam se envergonhar do que apresentaram em campo nesses dois últimos campeonatos. Deveriam se envergonhar do futebol ordinário mostrado. Deveriam se enrubescer de pedir essas premiações.

Uma instituição como o Santos jogar dois Paulista para não ser rebaixado?!?!

Ainda de acordo com A Tribuna, os jogadores reclamam também o não pagamento de prêmios por terem vencido no ano passado Cianorte e Juazeirense pela Copa do Brasil, bem como os jogos referentes ao torneio deste ano.

Isto, entre outras questões, é que faz os clubes estarem à beira da falência.

Como eu sempre digo, salário de jogador de futebol é para perder, pois quando ganha tem que receber prêmio.

Inacreditável; ou, se você preferir, uma vergonha.

Em tempo: o Santos informa que salários e direitos de imagem estão em dia.

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Em novo passeio, Santos está nas oitavas da Copa do Brasil

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Santos voltou a passear na Vila Belmiro. Depois de ter goleado o Cuiabá por 4 a 1 no último domingo (8), desta vez a vítima foi o Coritiba: 3 a 0. A vitória significou a classificação para as oitavas-de-final da Copa do Brasil, o que garantiu preciosos R$ 3 milhões como prêmio (no jogo de ida, os curitibanos venceram por 1 a 0).

O jogo desta quinta-feira (12) foi resolvido em apenas 19 minutos, mas é bom frisar que foram os primeiros 19 minutos do segundo tempo, pois na etapa inicial, embora o time tivesse tido 64% de posse de bola e finalizado dez vezes, o gol não saiu. A bem da verdade, apenas uma grande chance foi criada nos 45 minutos iniciais: uma cabeçada para fora do atacante Leo Baptistão.

Veio o segundo tempo e o torcedor ficou apreensivo, pois nenhuma modificação foi feita. Esperava-se que Ricardo Goulart desse lugar para alguém, uma vez que, novamente, a grande contratação do Santos para esta temporada voltou a jogar um futebol pequeno.

Foi então que aos três minutos da etapa final o zagueiro Leandro Castán fez uma falta violenta e absolutamente desnecessária em cima de Marcos Leonardo. Da cobrança desta falta saiu o gol de Marcos Leonardo, gol que (desculpem o clichê) abriu a porteira para a vitória e a classificação santista.

Aos 16 minutos Madson fez de cabeça o segundo gol (excelente assistência de Lucas Pires, a sexta dele na temporada, que o torna o principal garçom do time neste 2022) e três minutos depois Rodrigo Fernández fez um golaço em um foguete de canhota de fora da área.

 


Dali em diante o Santos meio que tirou o pé do acelerador e deixou o tempo passar, entre olés e uma ótima finalização de Rwan Seco que o goleiro Muralha espalmou e uma chance desperdiçada por Marcos Leonardo que se enrolou com a bola depois de ótimo passe de Angulo, que o deixou na cara do gol.

No último texto que escrevi sobre o Santos disse que a torcida terá missão importante nesta temporada, que é necessário ela tirar a bunda do sofá e ir para o estádio fazer o seu papel. E que se isso acontecer, a temporada terá um doce sabor.

Quase 14 mil torcedores estiveram presentes na Vila Belmiro (13.962 para ser exato) e ajudaram a empurrar o time para a vitória, contagiando os jogadores com seus cânticos, pressionando a arbitragem quando necessário e intimidando o adversário o tempo todo. Não é fácil jogar na Vila: ela é pequenina, é verdade, mas a arquibancada é muito perto do campo e a pressão é grande demais.

Portanto, o torcedor precisa fazer o papel dele: ir ao estádio e lotá-lo sempre. Jogar para menos de 14 mil pessoas por partida é inaceitável. E torno a falar: se a torcida fizer o papel dela, a temporada será surpreendente e saborosa, pois ninguém, depois que o Campeonato Brasileiro do ano passado terminou, dava nem um tostão furado sequer pelo Santos — nem eu, reconheço.

O time é hoje o segundo colocado no Brasileiro (melhor ataque e melhor defesa), está nas oitavas-de-final da Copa do Brasil (já acumulou R$ 7,67 milhões em premiações) e só depende de si para seguir em frente na Copa Sudamericana (fará os dois últimos jogos em casa).

O retrospecto recente do Santos é muitíssimo bom. Dos últimos seis jogos, o time teve um aproveitamento de 72,2%, pois venceu quatro, empatou um e perdeu apenas um, a polêmica derrota para o São Paulo no Morumbi. Nesta meia dúzia de partidas, o time marcou 13 gols (2,2 por jogo) e sofreu apenas quatro (0,67), tendo um saldo de nove gols.

O desempenho na Vila Belmiro, sob a gestão do técnico Fabián Bustos é perfeito. Em seis jogos, seis vitórias. A missão agora é melhorar a performance fora de casa, pois o argentino só conseguiu vencer uma partida das nove disputadas, com quatro derrotas e outro quarteto de empates. Isso dá um aproveitamento de apenas 26%. Tem que melhorar.

Domingo o Santos volta a jogar fora da Vila Belmiro. O desafio acontecerá em Goiânia, onde enfrentará o Goiás, que historicamente complica a vida dos santistas. Em 51 partidas, foram 19 vitórias do Santos, 16 dos goianos e 16 empates. O mais sofrido deles ocorreu em fevereiro de 1974, quando, em pleno Pacaembu e vencendo por 4 a 0 até os nove minutos do segundo tempo, permitiu o empate ao Goiás em 4 a 4. O Santos jogou com Cejas, Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Vicente e Zé Carlos; Clodoaldo (Roberto) e Léo Oliveira; Mazinho, Nenê, Pelé e Edu. Dá pra imaginar isso com uma equipe que tinha Pelé em campo? Não dava. Oito meses depois Pelé despediu-se do Santos.

Depois do Rei vieram Robinho e Neymar. E mais 16 títulos: uma Libertadores, uma Conmebol, uma Recopa Sul-americana, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, um Rio-SP e nove Paulistas. Engana-se, portanto, quem diz que a história do Santos se resume a Pelé. A história é riquíssima dos primórdios até os dias atuais. E o torcedor deveria se orgulhar disso sendo mais parceiro do time, lotando sempre as arquibancadas da Vila Belmiro.

Santos se classificou para as oitavas da Copa do Brasil
Santos se classificou para as oitavas da Copa do Brasil Ivan Storti/Santos FC


Atuações

João Paulo — Viu o jogo dentro de campo. Nota 5.

Madson — Abandonado pelo sistema de Bustos (joga sozinho pelo lado direito), ainda assim conseguiu fazer um gol. Nota 7.

Velázquez — Outra atuação segura. De um chute seu nasceu o primeiro gol marcado por Marcos Leonardo. Nota 7.

Bauermann — Infalível quando foi exigido. Nota 8.

Lucas Pires — Outra grande atuação do garçom santista. Nota 8.

Rodrigo Fernández — Joga demais. O melhor em campo. Nota 9.

Zanocelo — Muito ativo e cada vez mais confiante. Nota 7.

Ricardo Goulart — Parece que desaprendeu a jogar futebol. Nota 4.

Baptistão — Assistência para o gol de Fernández e movimentação incessante. Nota 8.

Marcos Leonardo — Segue apanhando da bola, mas segue igualmente fazendo gols, e isso é o que importa. Nota 8.

Julio — Incrível, jogou bem! Nota 8.

Angulo — Deu uma assistência para Marcos Leonardo fazer o que seria o quarto gol, mas o camisa 9 apanhou da bola. Nota 6.

Sandry — Opa, lembrou o velho Sandry! Nota 7.

Rwan Seco — Jogou fora da posição e mesmo assim quase fez um belo gol. Nota 6.

Camacho — Jogou pouco tempo. Sem nota.

Felipe Jonatan — Idem.

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Jorge Jesus mente no Brasil e causa indignação em Portugal

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Jorge Jesus mentiu no programa "Bem Amigos" do SporTV na última segunda-feira (9). E sua mentira repercutiu muito mal em Portugal. O mundo futebolístico português está indignado.

E qual foi a mentira? Foi em dado momento do programa, quando Jesus disse o que vocês vão ler no próximo parágrafo...

"Eu vou dizer uma frase que o Guardiola disse há alguns anos. Ele disse assim: 'Quem quiser saber o que é defender bem, olhem para a equipe do Benfica'. Quem era o treinador do Benfica? Eu". 

Mentira. O treinador do Benfica era Rui Vitória.

Flamengo perdeu a oportunidade de construir uma hegemonia? F90 debate se Jorge Jesus deixou 'legado' no clube

         
     

O derretimento de Guardiola ao Benfica de Vitória deu-se por conta do enfrentamento entre Benfica e Bayern (então dirigido pelo treinador catalão). Na entrevista coletiva antes do jogo da volta, em Lisboa, que terminou empatado em 2 a 2 e garantiu os alemães nas semifinais da competição europeia (o jogo de ia acabou 1 a 0 para o Bayern), Guardiola declarou o seguinte: "(O Benfica) É a melhor organização defensiva que há na Europa neste momento. Mas não é uma equipe defensiva, pelo contrário. Coloca a linha defensiva muito alta e pressiona sem parar. Não deixa espaço entre linhas, não cabe um fio de cabelo entre as duas linhas mais recuadas".


Guardiola falou mais: "As pessoas não veem a liga portuguesa, nem na Alemanha, nem em Espanha, nem na Inglaterra, e por isso ninguém dá valor ao Benfica, mas digo que é uma equipa digna de (Arrigo) Sacchi (ex-treinador italiano)".

Em seu livro "A Evolução" (Editora Grande Área), escrito por Martí Perarnau, Guardiola voltou a mencionar o sistema defensivo do Benfica de Rui Vitória e não de Jorge Jesus.

Atualmente desempregado (dirigiu o Spartak Moscou na temporada passada), Vitória postou na tarde desta quarta-feira em seu Twitter uma foto dele cumprimentando Pep Guardiola antes de uma das partidas entre os Encarnados e o Bayern de Munique válida pelas quartas-de-final daquela Champions League.

Uma foto, uma simples foto; uma singela foto. A desmentir Jorge Jesus. Vitória respondeu ao ex-treinador do Flamengo sem proferir nem uma palavra sequer. Neste caso, uma foto que vale mais do que mil palavras.

Jorge Jesus
Jorge Jesus Getty Images
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Corinthians? Que nada, a surpresa do Brasileiro é o Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Melhor ataque e melhor defesa do Brasileiro, segundo colocado na competição. O Santos é a grande surpresa do torneio depois de suas primeiras cinco rodadas.

Os santistas marcaram dez gols no campeonato (único time a ter dois dígitos) e sofreram quatro (melhor marca ao lado de Corinthians, Bragantino, Internacional e Flamengo).

Alguém esperava isso? Nem eu.

O Santos é um dos melhores times do Brasileiro? No momento, sim; numa análise mais profunda, não.

Vítor Pereira, do Corinthians, e Fabián Bustos, do Santos
Vítor Pereira, do Corinthians, e Fabián Bustos, do Santos Ricardo Moreira/Zimel Press/Gazeta Press

Muito desses números tem a ver com a goleada imposta ao Cuiabá nesse domingo (8) por 4 a 1, na Vila Belmiro, resultado esse que fez o técnico Fabián Bustos conquistar sua quinta vitória consecutiva como mandante ou, se você preferir, cem por cento de aproveitamento como anfitrião desde que o argentino assumiu o comando técnico.

Na goleada diante do Cuiabá (até então a melhor defesa do campeonato com apenas dois gols sofridos e cem por cento de aproveitamento como visitante), o Santos surpreendeu pela sua eficiência, pois foi cirúrgico no tempo em que durou a partida. Foi efetivo quando teve que ser, sofreu quando teve que sofrer.

E em nenhum momento mostrou fraqueza; ao contrário.

A vida num campeonato tão intenso como o Brasileiro não é fácil. A competição é fogo, todos nós sabemos. É um parto, pois dura cerca de nove meses. Os que estão na frente hoje podem estar na rabeira amanhã. É preciso saborear os momentos e ter a clareza de que o futuro ninguém sabe.

O Brasileiro é complicado. Paro ganhá-lo, é preciso ter elenco (o Santos não tem), um time bem estruturado (o Santos não tem), um treinador acima da média (o Santos pode ser que o tenha, mas isso não sabemos no momento) e a casa em ordem (isso o Santos tem).


Dá pra ser campeão? Nem pensar, pois há times que têm tudo isso e que não estão nos holofotes e que amanhã poderão desfrutar destas luzes que o Santos desfruta no momento. Mas...

Do jeito que o campeonato começou, o Santos mostra, principalmente aos seus torcedores, que a disputa não será lá em baixo. Ela tem tudo para ser lá em cima. E pela primeira vez na governança de Andrés Rueda, pois desde que o atual presidente assumiu o Santos disputou campeonatos para não ser rebaixado.

Agora pode ser diferente.

E a torcida terá papel importante: é necessário tirar a bunda do sofá e ir para o estádio fazer o seu papel. Sete mil pessoas na Vila Belmiro são inaceitáveis. Os jogadores, a comissão técnica e todos que estão envolvidos no futebol estão cumprindo o papel que lhes cabe. A torcida precisa fazer o dela. Se isso acontecer, o campeonato terá outro sabor.

Atuações

João Paulo — Sem culpa no gol. E não fez nada demais durante a partida. Nota 6.

Madson — Assistência para o primeiro gol e boa qualidade. Nota 6.

Velázquez — Partida segura. Nota 6.

Bauermann — Idem. Nota 6.

Lucas Pires — Precisa melhorar a defesa. O gol do Cuiabá saiu em um vacilo seu, meu caro. Nota 4.

Rodrigo Fernández — Defendeu e atacou com precisão e muita luta. Nota 8.

Zanocelo — Pouco produziu. Nota 4.

Baptistão — Jogou pra burro! Nota 8.

Goulart — Apático. Nota 3.

Julio — Começou como Ribery e terminou como... deixa pra lá. Nota 2.

Marcos Leonardo — Continua apanhando da bola, mas pelo menos está fazendo gols. Nota 5.

Lucas Braga — Burocrático. Nota 3.

Sandry — Invisível novamente. Nota 2.

Camacho — E daí? Nota 4.

Angulo — Um gol e uma assistência. Sensacional. Nota 8.

Rwan Seco — No meu time seria titular. Nota 8.

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Aleluia, Santos venceu fora de casa!

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Finalmente o Santos de Fabián Bustos venceu fora de casa. 1 a 0 na Universidad Católica do Equador com um gol do atacante Rwan Seco aos 47´2T.

Venceu, mas novamente não convenceu. Desta vez, há bons motivos para justificar o futebol pobre do time santista: a altitude de Quito, o gramado bem irregular e um time repleto de reservas, que foram a campo por conta do desgaste dos titulares.

Se com os titulares o Santos não convence ninguém quando joga fora de casa, imagina com os reservas. Foi o que aconteceu.

A Católica dominou o jogo todo e teve 66% de posse de bola. Arrematou 22 vez contra o gol brasileiro (o Santos chutou apenas cinco bolas). Trocou 605 passes (324 dos santistas) e viu os brasileiros terem um aproveitamento infame de 74% (aí entra a questão do gramado ruim, pois os jogadores estão acostumados a jogar na Vila Belmiro e em relvados brasileiros que são de excelente qualidade).

A vitória serve para dar calma ao grupo de uma maneira geral: jogadores, comissão técnica e todos que estão envolvidos com o futebol. Pois foi fora de casa, o que (como já vimos) não havia acontecido no governo de Bustos.

A cada jogo que passa fica mais claro que houve um grande equívoco nas contratações de Jujhan Julio e Bryan Angulo. Os dois até agora não jogaram nada, absolutamente nada. E ficam tomando espaço de garotos da base, como Rwan Seco, que ontem, mais uma vez, mostrou que não pode ser tão desprezado por Bustos como vem sendo.

Quanto ao treinador, uma salva de palmas para ele por ter colocado o lateral-esquerdo Lucas Pires no meio, quando todos imaginavam que ele iria ser o defensor e Felipe Jonatan o meia. Lucas tornou os contra-ataques realidade e de seus pés saiu, por exemplo, o passe para o gol.

O Santos agora só depende de si para seguir na Copa Sudamericana. Fará os dois próximos jogos em casa: La Calera (18) e Banfield (24). Se vencer ambos, poderá guardar a calculadora na gaveta.

Rwan Seco comemora gol pelo Santos
Rwan Seco comemora gol pelo Santos Flickr/SantosFC

Atuações

John — Voltou depois de mais de um ano fora. Seu único erro foi uma saída do gol que quase cede empate ao adversário. Nota 5.
Auro — Seguro defensivamente. Nota 5.
Velázquez — Desta vez não cometeu falhas grotescas. Nota 5.
Bauermann — Muito bem e ainda evitou o empate dos equatorianos. Nota 8.
Felipe Jonatan — Fraco. Nota 3.
Camacho — Cumpriu seu papel. Nota 5.
Sandry — Ainda irreconhecível. Nota 3.
Maranhão — Não equivocou-se como de costume. Nota 5.
Pirani — Nada justifica sua escalação, seja como titular ou reserva. Nota 2.
Lucas Barbosa — Uma decepção. Nota 3.
Angulo — Horrível! Nota 0.
Lucas Braga — Burocrático, como sempre. Nota 3.
Rwan Seco — Mostra claramente, a cada atuação, que tem qualidades técnicas, inteligência de jogo e poder de fogo bem acima da média dos jogadores que atuam na sua zona de ação. Nota 8.
Marcos Leonardo — Pouca movimentação e irritantes passes errados. Nota 3.
Lucas Pires — Jogou 32 minutos como meia. Excelente. Uma tremenda promessa que tem tudo para se tornar uma grande realidade. Nota 8.
Zanocelo — Jogou pouco. Sem nota.

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Palmeiras de hoje é encantador porque é diferente do Palmeiras de ontem

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Perguntinha simples e objetiva para os palmeirenses: qual Palmeiras te agrada mais, o atual ou aquele que fazia um gol e recuava?

É sobre isso que sempre verteu minhas críticas ao técnico Abel Ferreira. Ele tem um elenco em mãos que possibilita jogar assim: pra frente, pressionando, fazendo gols e intimidando adversários, a ponto de hoje ninguém duvidar que o Palmeiras é o melhor time do Brasil.

O que foi campeão da Libertadores não era. Naquela época, o melhor time do Brasil era o Atlético-MG, que só foi eliminado (e invicto) pelo Palmeiras por conta do regulamento.

O Palmeiras de hoje, não; o Palmeiras de hoje é encantador

Abel está pensando fora da casinha e descobrindo que há um mundo vasto e inexplorado que seu time pode percorrer. Um mundo encantador, daquele dos contos de fada, que sempre terminam com final feliz.

Jogadores do Palmeiras comemoram gol pela Conmebol Libertadores
Jogadores do Palmeiras comemoram gol pela Conmebol Libertadores Cesar Greco/Palmeiras
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Palmeiras de hoje é encantador porque é diferente do Palmeiras de ontem

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Falta de critério da arbitragem faz o Santos ser derrotado pelo São Paulo

Fábio Sormani
Fábio Sormani

         
    

Mais uma vez (e são muitas) a arbitragem tornou-se o tema central depois de uma partida de futebol aqui no Brasil. Nossa arbitragem é fraca, infelizmente. Árbitros mal preparados, sem personalidade, suscetíveis a todo o tipo de pressão porque têm receio de tudo e de todos. E o resultado é tudo o que vemos depois que a maioria das partidas terminam: pouco se fala do jogo; muito se reclama da precariedade da nossa arbitragem.

E foi isso o que aconteceu novamente nesta segunda-feira (2) depois da vitória do São Paulo sobre o Santos por 2 a 1, no Morumbi. Os santistas reclamaram que o árbitro Leandro Pedro Vuaden (RS) teve participação direta na vitória são-paulina. Tudo por causa de um lateral! Vuaden, reclamam os santistas, primeiro marcou um lateral para o Santos e depois mudou para o São Paulo. E os jogadores ficaram confusos ficaram e se esqueceram de marcar. Alisson, atacante do São Paulo, espertamente, cobrou o lateral e dele saiu o pênalti que deu a vitória aos são-paulinos.

O Santos tem reclamado muito da arbitragem — e com razão.

Contra o Fluminense houve um pênalti do zagueiro Nino em cima do atacante Angulo, no minuto final da partida e o VAR não chamou Anderson Daronco (RS) para dar uma espiada no lance. Contra o Coritiba Wagner do Nascimento Magalhães (RJ) marcou um pênalti para os paranaenses onde todos os comentaristas de arbitragem disseram que não foi — e o VAR, novamente, não chamou o árbitro. No jogo diante do São Paulo, o lateral Madson foi agarrado dentro da área durante uma cobrança de escanteio e o VAR não alertou Vuaden para ver o lance.

Mas no lance do pênalti para o São Paulo (que foi, é bom deixar isso bem claro), o VAR disse para o árbitro olhar o lance no monitor. Vuaden foi, olhou e marcou o pênalti que ele não havia marcado.

Isso, claro, tem deixado indignado todo santista, seja ele jogador, comissão técnica, jornalista ou torcedor. Por que nos lances a favor do Santos o VAR não é acionado e no lance contra ele é?

Dois pesos, duas medidas.

João Paulo, goleiraço do Santos, depois da partida, disse que tudo o que vem acontecendo contra o Santos é uma "palhaçada". Corre o risco de ir a julgamento e ser suspenso. Mas ele tem razão, porque essa falta de critério é de fato enigmática.

O Santos perdeu, saiu reclamando e a lambança da arbitragem, infelizmente, impede que se fale do jogo.

Marcos Leonardo disputa bola durante San-São
Marcos Leonardo disputa bola durante San-São Flickr/Santos FC

O jogo

Mas eu gostaria de falar: pela primeira vez o Santos fez uma partida decente como visitante neste 2022.

Jogou de igual para igual com o São Paulo, que abriu o marcador com Calleri aos 10'1T e só voltou a finalizar contra o gol santista aos 36'1T. Ou seja, passou quase meia hora sem fazer absolutamente nada. É bem verdade que o Santos também não produzia ofensivamente, mas aquele sufoco que o time costuma levar quando joga como visitante, desta vez não aconteceu. O Santos controlou o jogo e no finalzinho do primeiro tempo Marcos Leonardo empatou.

Jogo controlado mesmo jogando com um a menos, pois Jhojan Julio e nada era a mesma coisa. Aqui eu quero abrir um parêntese pra dizer que Edu Dracena, executivo de futebol do Santos, tem a obrigação de chamar o técnico Fabián Bustos em sua sala e perguntar para ele por que Julio é titular. É legítima essa atitude, pois, como responsável pelo futebol do clube, Dracena é chefe de Bustos e, como chefe de Bustos, ele tem o direito de perguntar e, com isso, dará direito de Bustos se explicar. Mas acho que não haverá explicação técnica alguma, pois Julio é indefensável.

Veio o segundo tempo e à exceção dos dez primeiros minutos, o Santos voltou a jogar de igual para igual contra o São Paulo. Até que aos 37 minutos saiu a jogada que tanta polêmica causou.

O jogo estava controlado, poderia ter acabado em igualdade. E, torno a dizer, finalmente o Santos fez uma partida digna fora de casa.

Isso dá esperança ao torcedor. Esperança de que o trabalho frutifique e o futebol melhore e, com a melhora, venham as vitórias que farão o Santos disputar um campeonato digno, o que não ocorre há quase duas temporadas.

Mas, para isso, Bustos precisa sacar Julio do time neste momento.

Atuações

João Paulo — Sem culpa nos gols, e ainda fez duas defesas incríveis no começo do segundo tempo. Nota 7.
Madson — O primeiro gol do SP saiu do seu setor, mas ele foi envolvido pela indecisão do zagueiro Maicon, que ameaçou ir para evitar o cruzamento de Patrick e não foi. Madson, corretamente, estava na cobertura de Maicon, como zagueiro. Nota 5.
Maicon — Falhou no primeiro gol do São Paulo. De resto, fez novamente uma partida muito segura. Nota 4.
Velázquez — Fraquíssimo! Nota 1.
Lucas Pires — Bom primeiro tempo; mau segundo tempo. Foi juvenil no lance do lateral que originou o pênalti para o SP. Nota 3.
Rodrigo Fernández — Marcou sozinho e sozinho ninguém faz sucesso. Nota 4.
Felipe Jonatan — Sem comentários. Nota 0.
Zanocelo — Cumpriu sua missão, que era proteger o lado direito da defesa, mas não teve brilho com a bola nos pés. Nota 4.
Julio — Horrível! Nota 0.
Baptistão — Deu a assistência no gol e jogava bem, até que cansou. Nota 5.
Marcos Leonardo — Fez o gol santista, mas esteve envolvido na jogada que originou o lateral para o SP que terminou no pênalti. Ao invés de dar um tapa na bola e partir para o contra-ataque, ficou esperando a falta, que não veio. Nota 4.
William Maranhão — Discreto. Nota 2.
Lucas Braga — Apático. Nota 2.
Angulo — Jogou apenas onze minutos e mesmo assim conseguiu pegar no sono. Nota 0.
Ricardo Goulart — Quando entrou, aos 27'2T, deu a impressão de que não dormia havia uma semana. Nota 0.

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Falta de critério da arbitragem faz o Santos ser derrotado pelo São Paulo

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Ninguém esperava, mas Santos vence América e assume liderança do Brasileiro

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Foi o melhor jogo do Santos sob o comando de Fabián Bustos. A vitória de 3 a 0 diante do América-MG, neste domingo (24), justificou finalmente o período em que o treinador argentino ficou com o time. Até então, as duas semanas de intertemporada foram infrutíferas, pois o time jogou mal até mesmo quando venceu.

Neste domingo, não; neste domingo, o time dominou os mineiros do começo ao fim do jogo e poderia ter feito mais do que três gols. Mas melhor do que a atuação ofensiva foi a defensiva, o grande calcanhar de aquiles do time. O Santos foi consistente atrás, a ponto de o goleiro João Paulo, o herói santista dos últimos jogos, ter quase que passado despercebido diante dos pouco mais de 10 mil torcedores que estiveram na Vila Belmiro (ótimo público para os padrões santistas) e de outros tantos que assistiram pela televisão.

Santos vence América-MG com dois gols de Zanocelo e um de Marcos Leonardo na Vila Belmiro; VEJA


         
     

Maicon, novamente, comandou a defesa. Seguro, bem posicionado, tempo de bola perfeito, ótimo no jogo aéreo; enfim, foi o baluarte da zaga santista. E foi bem coadjuvado por Bauermann. Os laterais (Madson e Lucas Pires) mostraram-se igualmente firmes.

Com uma zaga eficiente, muito bem protegida por Rodrigo Fernández, o time encheu-se de coragem para atirar-se à frente, ciente de que atrás a rapaziada iria garantir. E a vitória foi construída assim: atacantes audaciosos, meio-campo seguro e criativo, todos contagiados pela solidez defensiva.

Um, dois, três. A zero. E o Santos assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro, algo que não ocorria desde 2019, quando o time era dirigido por Jorge Sampaoli.

Quanto tempo vai durar? Ninguém sabe. Mas, como disse o poeta Vinícius de Moraes em seu "Soneto de Fidelidade", que seja infinito enquanto dure.

Ah, sim, ninguém imaginava que isso pudesse ocorrer.

Ninguém.

Atuações

João Paulo — Duas defesas e mais nada. Pouco para quem está acostumado a fazer uma dúzia delas por partida. Nota 7.
Madson — Ninguém se criou pelo seu setor. E melhorou no apoio. Nota 7.
Maicon — O primeiro-ministro que o Santos tanto precisava. Nota 9.
Bauermann — O consigliere perfeito para Maicon. Nota 8.
Lucas Pires — Seu melhor jogo como titular do time adulto. Perfeito no apoio e na marcação. Nota 9.
Rodrigo Fernández — Mais uma grande atuação, ótimo na proteção à zaga e no auxílio ao ataque. Nota 8.
Zanocelo — Dois gols e muita eficiência com a bola nos pés. Nota 9.
Leo Baptistão — Dá a velocidade que o time precisa. Desperdiça poucas bolas. Nota 8.
Ângelo — Precisa melhorar seu repertório de dribles, atacar mais as linhas e ser mais rápido. E, claro, fazer gols, pois é atacante. Nota 6.
Marcos Leonardo — Foi muito bem na cabeçada que originou o primeiro gol. Na sequência, perdeu um gol incrível. Vamos ver como será nas próximas partidas. Nota 8.
Julio — Horrível! Nota 2.
Lucas Braga — Ainda alheio ao jogo. Apenas uma boa jogada, já perto do final da partida. Nota 3.
Marcos Guilherme — Por que joga se será dispensado? Por que ele e não Lucas Barbosa? Nota 2.
Angulo — Atrapalhado. Nota 2.
Ricardo Goulart — Longe daquele jogador que a gente sabe que ele é. Nota 3.
William Maranhão — Pouco jogou. Nota 2.

Marcos Leonardo festeja gol do Santos contra o América-MG pelo Campeonato Brasileiro
Marcos Leonardo festeja gol do Santos contra o América-MG pelo Campeonato Brasileiro Ivan Storti/Santos FC

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Santos continua a envergonhar e a preocupar seus torcedores

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Santos continua jogando um futebol assustadoramente ruim. Isso mesmo depois de Fabián Bustos ter ficado com o time durante duas semanas apenas a treinar.

O time continua espaçado na defesa e no ataque, sem força defensiva e ofensiva e o resultado dessa pobreza tática num time que tem um elenco no máximo mediano é um futebol, como disse acima, assustador de ruim.

Depois dessa intertemporada de 15 dias, o Santos fez cinco partidas: duas vitórias (3x2 Universidad Católica-EQU e 2x1 Coritiba), um empate (0x0 Fluminense) e duas derrotas (0x1 Talleres e 0x1 Coritiba).

Neste quinteto de jogos (as vitórias foram em casa e os demais confrontos, fora), o time chutou apenas 49 bolas no gol adversário, o que dá uma média de 9,8 finalizações por partida. Quando joga fora de casa, os números decrescem: 21 arremates em um trio de partidas, o que faz a média cair para exatos sete chutes por jogo.

Em nenhum desses embates o Santos chutou mais que o adversário, mesmo jogando na Vila Belmiro. No máximo, conseguiu igualar: 13 a 13 contra a Católica equatoriana.

Diante do Fluminense, o Santos chegou ao ponto de chutar apenas três (!!!) bolas no gol adversário. Ontem (20), na derrota para o Coritiba no Paraná, dobrou: seis chutes a gol — o que também é ridículo em se tratando do time que mais fez gols na história do futebol brasileiro.

Definitivamente, este não é o DNA santista.


         
     

Em contrapartida, os oponentes deitam e rolam na zaga santista: o time praiano viu seus adversários chutarem 101 vezes contra o seu gol nestas cinco partidas, o que dá uma média de 20,2 fuzilamentos por jogo. Quando é fora de casa, a situação piora: 22 chutes contra a meta de João Paulo, que tem sido um herói.

Tudo isso, como também disse acima, é reflexo de um time mal treinado. Mas a culpa de Bustos tem limites, pois os jogadores também precisam ser cobrados.

Numa fala reflexiva depois da derrota diante do Coritiba, o zagueiro Maicon afirmou: "O Santos não pode jogar dessa maneira. Um time apático, sem vontade".

Ele colocou o dedo na ferida, pois é aí que entra a responsabilidade dos jogadores para essas atuações lamentáveis que estamos assistindo: eles têm sido frouxos, omissos, apáticos, desinteressados, não têm demonstrado atitude em campo e aceitam passivamente a imposição ofensiva dos adversários e não se incomodam em serem marcados.

Uma tragédia.

Por conta disso tudo e também por hospedar em seu elenco jogadores que não têm condição alguma de vestir a camisa santista, o que temos visto é um time pavoroso, que, neste momento, envergonha e preocupa o seu torcedor, que se apega na esperança de que, brevemente, com o passar dos jogos, a equipe engrene, passe a vencer e a confiança seja restaurada.

Infelizmente, pelo que temos visto, não há o menor indício de que isso ocorrerá pelo menos brevemente.

Fabián Bustos durante partida do Santos contra o Coritiba, no Couto Pereira, pela Copa do Brasil
Fabián Bustos durante partida do Santos contra o Coritiba, no Couto Pereira, pela Copa do Brasil Ivan Storti/ Santos F.C.
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Santos continua a envergonhar e a preocupar seus torcedores

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Cuca rechaça proposta do Inter e diz que só volta a trabalhar no ano que vem

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Cuca foi procurado pela direção do Internacional para ocupar o cargo de treinador, disse uma fonte ao blog. O ex-técnico do Atlético-MG disse não ao convite alegando  que neste momento está vivendo uma espécie de ano sabático

O time gaúcho demitiu na tarde desta sexta-feira (15) o técnico uruguaio Alexander Medina por conta dos maus resultados. O Colorado foi eliminado na primeira fase da Copa do Brasil pelo Globo (equipe do Rio Grande do Norte), que está na Série D do Campeonato Brasileiro, e nas semifinais do Campeonato Gaúcho pelo Grêmio (foi a sexta eliminação consecutiva para o rival). Na Copa Sul-Americana, obteve dois empates em dois jogos, o último deles nessa quinta-feira (14), em casa, contra o Guaireña, do Paraguai, debutante em competições internacionais. Na estreia do Campeonato Brasileiro, perdeu para o Atlético-MG em Belo Horizonte por 2 a 0.

Que isso goleirão? VEJA os gols do empate entre Internacional e Guaireña pela Sul-Americana

Ainda segundo esta mesma fonte, no segundo semestre deste ano Cuca irá visitar clubes em Itália, Inglaterra e França - reforçando o que ele mesmo disse à ESPN dia 7 deste mês. Os clubes ainda não foram definidos, mas o treinador brasileiro quer observar treinos, estruturas físicas e conversar com managers.

E finalmente estará no Catar para acompanhar presencialmente a Copa do Mundo, que acontecerá entre novembro e dezembro.

Portanto, Cuca, atual campeão brasileiro e da Copa do Brasil, só voltará a trabalhar no ano que vem, cumprindo exatamente o que disse aos dirigentes do Atlético-MG quando deixou o clube no final do ano passado.

Cuca diz que só voltará a trabalhar em 2023
Cuca diz que só voltará a trabalhar em 2023 Pedro Souza / Atlético


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Cuca rechaça proposta do Inter e diz que só volta a trabalhar no ano que vem

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Fabián Bustos: duas semanas para isso???

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Foi assustador, Fabián Bustos.

Duas semanas de treinos para isso? Escalar um time com três zagueiros e dois volantes? Improvisar novamente o irritante Marcos Guilherme na ala direita? Promover o retorno do ultrapassado Felipe Jonatan? Tudo isso para enfrentar o Banfield, um time mediano da Argentina?

Três zagueiros, dois volantes e nenhum meia para armar o jogo. E Ricardo Goulart, lógico, mal pegou na bola. O time inexistiu no ataque. No primeiro tempo teve 58% de acerto nos passes! No segundo, melhorou um pouquinho: 65%. Terminou a partida com aproveitamento ridículo de 62%. Time grande não pode ter um desempenho tão insignificante assim num fundamento tão importante.

Fabián Bustos na estreia do Santos na Copa Sul-Americana
Fabián Bustos na estreia do Santos na Copa Sul-Americana Ivan Storti/Santos FC

O time só melhorou quando o sistema dos três zagueiros foi desfeito (aos 15 minutos do segundo tempo; ou seja, depois de uma hora de jogo) e Rwan Seco entrou para ser o 9 e Ricardo Goulart, que era o 9, passou a ser o 10. Ajudou também quando o ineficaz William Maranhão deu seu lugar para Vinícius Zanocelo. Coisas óbvias que o mais boçal observador de futebol vê. Mas Fabián Bustos não conseguiu ver — isso depois de ter treinado o time por duas semanas!

Os jogadores?

Claro que eles também têm culpa. Aceitaram passivamente a imposição de jogo de um time medíocre. Reagiram pra valer apenas quando o adversário ficou com um jogador a menos, quando faltavam pouco mais de cinco minutos para o final da partida. E tecnicamente foram muito mal (o percentual de aproveitamento de passes, mostrado acima, ilustra o que eu digo).

Como tem sido usual nesta administração Andrés Rueda, o Santos voltou a irritar seu torcedor. Irritar e a preocupar.

A derrota desta terça-feira (5) na Argentina para o inexperessivo Banfield por 1 a 0 na estreia da Sul-Americana mostrou mais uma vez que esse time é sim candidato ao rebaixamento no Campeonato Brasileiro se ele não reagir rapidamente. Seria o quarto campeonato seguido que o Santos entraria para não ser rebaixado.

Duas semanas de treinos para mostrar um futebol de time de quarta divisão do mais obscuro campeonato do planeta.

Inacreditável.

Santos leva golaço e perde na estreia da Copa Sul-Americana; VEJA


         
     

Atuações

João Paulo — Falhou no gol. Maicon estava na bola e fez o corte. Se JP estivesse onde deveria estar, teria feito a defesa. Nota 3

Bauermann — Joga pela esquerda e foi escalado na direita. Atrapalhou-se todo. Nota 2

Maicon — Cometeu uma falha grotesca que quase redundou em gol. Decepcionante. Nota 2

Kaiky — Perdido em campo. Nota 2

Marcos Guilherme — Mais uma vez improvisado, não teve culpa por ter decepcionado novamente. Nota 1

Rodrigo Fernández — Dos estreantes, foi o melhor. Lutou atrás e na frente. Nota 3

William Maranhão — Um horror! Nota 0

Felipe Jonatan — Nulo. Nota 0

Lucas Barbosa — Não encontra eco em campo. Nota 3

Ricardo Goulart — Isolado em campo. Nota 3

Lucas Braga — Outra atuação pífia. Nota 1

Velázquez — Desta vez não comprometeu. Nota 3

Rwan Seco — Deu vida ao ataque, não pode ser reserva nesse time. Nota 3

Madson — Errou cruzamentos simples. Nota 1

Zanocelo — Entrou e também deu vida ao time. Nota 3

Pirani — Jogador de futebol profissional não pode furar a bola que ele furou e que se não tivesse furado poderia ter determinado o empate do Santos. Nota 1.

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Fabián Bustos: duas semanas para isso???

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Rodrigo Fernández, volante do Guaraní do Paraguai, deve ser novo reforço do Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Depois de acertar com William Maranhão, o Santos está perto de anunciar outro volante: Rodrigo Fernández, do Guaraní do Paraguai.

O jogador está apalavrado com o Peixe e viria por empréstimo de um ano com opção de compra. Fernández é uruguaio de Montevidéu e completou 26 anos no dia 3 de janeiro passado. Tem 1,72m e é destro.

Copa Sul-Americana: Santos encara ex-adversário do Flamengo; argentino e equatoriano completam grupo


Começou a carreira no Danúbio do Uruguai em 2016 e três anos depois transferiu-se para o Guaraní. Sua melhor temporada foi em 2020, quando em 31 jogos marcou três gols e deu três assistências. Embora seja volante de contenção, ele acumula em pouco mais de seis anos de carreira apenas dois cartões vermelhos, de acordo com o site Transfermarkt, que também mostra que ele é econômico nos cartões amarelos: 57.

Fernández disputou três vezes a Copa Sul-Americana (17, 18 e 19) e três vezes a  Conmebol Libertadores(20, 21 e 22).

Rodrigo Fernández, volante do Guaraní
Rodrigo Fernández, volante do Guaraní Twitter/@ClubGuarani


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Rodrigo Fernández, volante do Guaraní do Paraguai, deve ser novo reforço do Santos

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Bia Haddad foi um arraso; Maria que o diga

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O primeiro set, ela cedeu com muita resistência (4-6). Poderia ter até vencido, depois de um primeiro game ofertado a Maria que nos preocupou.

Depois a batalha de fato começou. Bia foi grande; gigantesca. 

Maria achou. Achou; só achou. E por ter achado, se perdeu. Se deu mal.

Dali para frente Bia arrasou. Amassou. Atropelou. E de forma inteligente. Deu corda para a grega se enforcar. Não havia motivo para ser diferente. E quando quis, entre voleios no terceiro set, humilhou a helênica com precisão cirúrgica.

Bia fechou os dois sets seguintes em 6-1 e 6-2.


         
     

Um arraso.

Bia Haddad venceu a número três do mundo, Maria Sakkari, no WTA de Miami, por 2 sets a 1. Um tremendo resultado. Mas é o começo de uma história que tem tudo para ser gigantesca.

Domingo tem mais. A ESPN pelo Star+ vai mostrar. E o Brasil, bem brasileiro, há de vibrar.

Você está em grande forma, Bia. É possível! Só depende de você.

Acredite!

Bia Haddad Maia comemora vitória sobre Maria Sakkari em Miami
Bia Haddad Maia comemora vitória sobre Maria Sakkari em Miami Getty

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Bia Haddad foi um arraso; Maria que o diga

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O maior adversário do Santos no momento é o Conselho Gestor

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Santos escapou do rebaixamento no Campeonato Paulista (!) ao vencer ontem (19) o Água Santa por 3 a 2 na Vila Belmiro. Foi o terceiro campeonato seguido que isso ocorreu. Foi a terceira vez seguida que a instituição envergonhou seus torcedores e colocou-se nesta situação constrangedora. Todas elas, é bom dizer, ocorreram na gestão do presidente Andres Rueda.

Ele não é o único culpado disso. Ele também é culpado disso. Os culpados dessa conjuntura toda são os membros do Comitê de Gestão. Dele fazem parte, além de Rueda, as seguintes pessoas: José Carlos de Oliveira, Dagoberto Oliva, José Berenguer, Rafael Leal, Thomaz Lopes Côrte Real, Vitor Loureiro Sion e Walter Schalka. Essas pessoas, além de não entenderem nada de futebol, travam o Santos. Edu Dracena, ontem, depois do jogo, deixou claro, não exatamente nestas palavras, mas algo do tipo: "Comitê de Gestão, me deixe trabalhar, me deixe contratar".

O tal CG tem vetado contratações sugeridas por Dracena. Com base no quê? Qual o conhecimento dessas pessoas de futebol?

Dizem que temos 210 milhões de treinadores no Brasil. Mentira. Tanto é mentira que estamos buscando técnicos de fora para trabalharem em nossas equipes. A esmagadora maioria dos torcedores não entende patavina de futebol. E nesse universo encontram-se José Carlos de Oliveira, Dagoberto Oliva, José Berenguer, Rafael Leal, Thomaz Lopes Côrte Real, Vitor Loureiro Sion e Walter Schalka. Além do presidente Rueda.

Dracena foi contratado (e acertadamente, diga-se) para dar um norte ao time. Dracena entende de futebol. Foi jogador. Está nesta vida há trinta anos. Ele sim pode dizer o que deve e o que não deve ser feito no futebol do Santos. Mas não adianta nada ele se debruçar no assunto, passar noites sem dormir pensando no que deve ser feito, estudando nomes de jogadores e treinadores, vendo vídeos, conversando com empresários, clubes e jogadores se, depois disso tudo, quando ele elabora um projeto com uma lista de reforços, ela chega nas mãos do CG e ele veta quase tudo o que Dracena apresentou. Como base no quê? No "entendimento" deles de futebol? Piada, pois, como sabemos, o conhecimento deles do jogo e do mundo do futebol é nenhum.

Então, dá no que dá: reforços não chegam, por conta disso jogadores são puxados prematuramente da base para jogarem no adulto, queimando etapas e jogando-os desnecessariamente num mundo ao qual eles ainda não estão preparados para estar. E o resultado é esse: terceiro torneio seguido que o Santos entra para evitar o rebaixamento.

Rueda e o tal do CG dizem que o Santos não tem dinheiro. Verdade, dinheiro é raridade na Vila Belmiro. Mas Rueda entendeu apenas metade de seu trabalho como presidente. Ele tem que pagar contas, isso é certo, mas para pagar contas ele precisa de dinheiro. E o maior ativo de um clube para a geração de receitas é seu time de futebol. Se ele for competitivo, vai estar sempre disputando as melhores posições e, consequentemente, amealhando mais dinheiro. Se o time é medíocre (como é esse do Santos), vai estar sempre entre os últimos e lá não vai conseguir as premiações abundantes que são oferecidas àqueles que são competitivos. Sem falar em potenciais parceiros que ao verem a situação em que o Santos se encontra, fogem dele, pois não querem de jeito nenhum associar seu nome a um time medíocre.

Portanto, CG, trabalhe onde você tem que trabalhar (na geração de receitas) e pare de meter o bedelho onde você não deve meter (aprovar ou vetar contratações). Ajudem Dracena, criem receitas. Ajudem o Santos, torne-o novamente um time competitivo.

Andres Rueda em partida do Santos na Vila Belmiro
Andres Rueda em partida do Santos na Vila Belmiro Ivan Storti/Santos FC

Raios

Não há raios nessa geração de jogadores do Santos. A maioria da mídia santista  tem que parar com essa bobagem. O último raio foi Neymar. Antes dele, Robinho. Antes de Robinho, Pelé. Nem Rodrygo é raio.

Essa molecada que acabou de subir ou está subindo da base para o time principal são jogadores comuns. Não tem nenhum fora da curva. Precisam, portanto, trabalhar muuuuuuuuuuuuito se quiserem se inserir no seleto rol dos jogadores que merecem ser olhados com admiração. Têm que treinar com o afinco de Cristiano Ronaldo, que não tem a qualidade inata de Messi e Neymar, mas que se transformou num dos maiores de todos os tempos exatamente porque trabalhou com obsessão e afinco. E se superou.

A mídia santista dizia maravilhas de Kaio Jorge. Onde ele está? Ângelo, Marcos Leonardo e Kaiky são a bola da vez. Ao ouvirem e lerem (equivocados) elogios sobre seu futebol, eles se acham diferenciados — o que não é verdade. E deixam de trabalhar, porque entendem serem pontos fora da curva, o que é mentira.

Amigo não é aquele que te dá tapinha nas costas. Amigo é aquele que te diz o que tem se ser dito.

Portanto, molecada, trabalhe, treine, se esforce, pois vocês não são ninguém ainda. E se não trabalharem, jamais serão.

O jogo

Quanto ao jogo de ontem, mais uma vez o Santos de Fabián Bustos mostrou-se eficiente no ataque e débil na defesa. Nos últimos dois jogos, seis gols marcados e cinco sofridos. Não dá para sofrer cinco gols de Ferroviária e Água Santa. São dois times que brigavam também para não serem rebaixados.

Uma coisa é sofrer cinco gols em  jogos contra Flamengo, Atlético-MG e Palmeiras, outra coisa é sofrer essa quantidade de gols de equipes frágeis.

O primeiro tempo do Santos foi muito bom; o segundo foi no padrão Fábio Carille.

Atuações

João Paulo — Sem culpa nos gols, e, mais uma vez, salvou outros. Nota 8.
Auro — É assustador o futebol que ele tem mostrado. Nota 2.
Kaiky — Completamente perdido na marcação. O gol marcado melhora sua avaliação. Nota 4.
Bauermann — Mais uma atuação ruim; pior ainda: foi expulso. Nota 1.
Lucas Pires — Precisa urgentemente dedicar-se mais à marcação. Nota 3.
Camacho — Jogou um pouco melhor do que nas últimas partidas. Nota 3.
Zanocelo — Um guerreiro. Está em todas as partes tentando ajudar. E fez um golaço. Nota 7.
Ricardo Goulart — Ah se existissem outros Ricardos Goularts... Nota 7.
Lucas Barbosa — Ótimo primeiro tempo; caiu no segundo como todo o time. Nota 5.
Marcos Leonardo — Será que iniciou ontem nova sequência sem marcar? Nota 2.
Lucas Braga — Precisa corrigir essa ciclotimia que o vem caracterizando. Primeiro tempo muito bom; segundo, apagado. Nota 5.
Velázques — Jogou pouco tempo. Sem nota.
Sandry — Mais uma atuação apagada. Nota 2.
Sánchez — Nulo. Nota 1.
Baptistão — Esforçado. Nota 3.
Rwan Secco — Pouco pegou na bola. Nota 3.

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Com um futebol encantador, Abel Ferreira mostra que (se quiser) não é mais do mesmo

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Palmeiras derruba Corinthians com Danilo decisivo e segue com campanha absurda no Paulistão; VEJA os gols


Foi uma aula palmeirense ontem à noite (17) no Alianz Parque. Os 2 a 1 diante de um Corinthians atordoado não contam o que foi realmente o jogo. O Palmeiras, no ardor da partida, foi sempre superior ao seu maior rival histórico.

Não se deixem enganar pelos números apresentados por pelos aplicativos. Eu consegui com meu velho amigo PVC dados do Footstats que esquadrinham a posse de bola por camadas do campo.

Ontem, durante o confronto, todos os aplicativos indicaram posse de bola muito maior do Corinthians, basicamente 65% a 35%. Mas são números mentirosos, porque são preguiçosos, uma vez que não foram desmembrados.

Vamos, portanto, usar os dados do Footstats para enxergar a realidade do jogo de ontem. Segundo eles, o Corinthians teve 62,6% de posse de bola (sobrando ao Palmeiras 37,4%). Olhando assim, sem qualquer profundidade, pode-se chegar à conclusão que o Corinthians dominou o jogo e o Palmeiras foi um time dominado.

Mentira.

Desses 62,6% de posse, apenas 37,5% foram no ataque. Ou seja: do total de posse de bola do Corinthians, 62,5% foram na defesa, numa zona do campo onde o Corinthians não machucava o Palmeiras.

No todo, o Palmeiras não teve mesmo mais posse de bola do que o Corinthians, mas ele marcou na frente, impedindo que o adversário progredisse, jogasse do jeito que gosta, no campo oponente, com jogo apoiado por triangulações laterais e centrais, trocando a bola de modo a desequilibrar a defensiva inimiga, como fez contra a Ponte Preta na goleada de 5 a 0 no último final de semana.

Sempre deixei claro nos meus comentários que aprecio a inteligência de Abel Ferreira, mas o que eu não aprovo é como ele a usa. Ele poderia usá-la para construir ao invés de desconstruir, o que, se o fizesse, ajudaria na evolução do jogo, assim eu entendo.

Abel Ferreira durante jogo entre Palmeiras e Corinthians, pelo Paulista
Abel Ferreira durante jogo entre Palmeiras e Corinthians, pelo Paulista Cesar Greco/Ag Palmeiras

Mas ontem, não; ontem, Abel defendeu-se atacando, com suas peças adiantadas, lá na frente, perto da área adversária. Vitor Pereira, o também português treinador corintiano, ficou seguramente abobalhado com o que viu em campo. Não esperava (nem eu) essa intensidade do Palmeiras. E nem contava que essa postura fosse tão duradoura como foi, pois o preparo físico é fundamental para que se execute esse tipo de estratégia (e aqui eu congratulo o preparador físico palmeirense, Marco Schiavo, o Magu, pois ele deixou os jogadores tinindo a ponto de eles executarem o que Abel planejou).

Abel não é gênio; gênio é Pep Guardiola. Mas o português poderia ser como o espanhol o é, pois ele tem tutano também. Abel poderia ser mais do que é se ele usasse a sua grandeza intelectual para fazer do jogo algo mais vistoso. O Palmeiras de ontem foi encantador; o Palmeiras que ganhou do São Paulo não foi.

Espero ver mais Palmeiras como o de ontem e menos aquele Palmeiras que jogou contra o São Paulo.

Foi realmente encantador e inesperado o que aconteceu ontem no Alianz Parque. Flamengo e Atlético que se mexam, pois o Corinthians já viu que ainda não é páreo para o Palmeiras.

Bola cheia

Danilo, meio-campista palmeirense, que jogador extraordinário. Foi o nome da partida. Anulou Renato Augusto (o principal jogador adversário), sofreu o pênalti que originou o primeiro gol do Palmeiras e fez o da vitória. Tite convocou Artur para a seleção, por que não Danilo???

Bola murcha

Renato Augusto foi completamente dominado por Danilo. E foi também a segunda vez que isso ocorreu em um clássico. Primeiro contra o São Paulo, ontem contra o Palmeiras. A pergunta que fica é: um jogador fora de série pode se deixar marcar tão facilmente pelos seus marcadores? Será que não estamos superestimando os dotes de Renato Augusto?


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Com um futebol encantador, Abel Ferreira mostra que (se quiser) não é mais do mesmo

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Fluminense tem que colocar o coração de lado e contratar um treinador

Fábio Sormani
Fábio Sormani

É difícil falar de Abel Braga — por todos os motivos que a gente conhece. Mas eu não posso me furtar a comentar o trabalho dele como técnico do Fluminense, pois faz parte da minha profissão, e eu devo satisfações não só a mim mesmo, mas a quem me emprega e aos leitores e fãs de esporte que me acompanham.

Abel tem grande culpa na eliminação do Fluminense ontem (16) na Conmebol Libertadores. Sentou no resultado obtido no Maracanã na semana passada (vitória de 3 a 1). Achou que o placar seria suficiente para garantir a vaga em Assunção diante do Olímpia, um tricampeão de Libertadores que está em sua 36ª participação deste que é o mais importante torneio de clubes do nosso continente. Os paraguaios estão acostumados com ele, sabem como disputá-lo, enquanto o Fluminense, que nunca ganhou um título oficial internacional (é o único dos grandes do nosso futebol a não vencer), disputava apenas a sua oitava edição da Libertadores. Praticamente um novato na competição, que ainda não tem o entendimento correto de como se comportar em duelos desse tipo.

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Voltemos ao Abel.

Ele colocou o Fluminense na defensiva ontem à noite na capital paraguaia. Esqueceu de atacar. Esqueceu de jogar bola. Esqueceu de armar uma estratégia para machucar o adversário. Um gol feito obrigaria os paraguaios a marcarem três; dois e eles teriam que fazer quatro. E diante desses adversários, obstinados, acostumados a pelejar na Libertadores, se você não jogar bola, pode se dar mal. E foi o que aconteceu.

O Fluminense não pode jogar diante de ninguém do jeito que jogou ontem: acuado, acovardado, temoroso, medroso, dando bicos na bola para onde o nariz estava apontado. O Fluminense é um campeão brasileiro, e o Brasil é um dos grandes do futebol mundial. O Fluminense não jogou bola num apinhado Defensores Del Chaco — e deu no que deu.

A desclassificação da Libertadores jogou o Fluminense na Sul-Americana. Isso não é um consolo, isso significa que o Flu vai ter a oportunidade de disputar um título internacional que (como sabemos) ele não tem. E que, se vencê-lo, vai disputar a Recopa Sul-Americana contra o vencedor da Libertadores e ele poderá amealhar seu segundo título oficial internacional — e de quebra se garante na Libertadores do ano que vem ao vencer a Sula.

Mas para isso acontecer há que se fazer modificações. Como disse acima, é difícil falar de Abel Braga por todos os motivos conhecidos. Mas eu não posso me deixar influenciar por eles, pois, a partir do momento que Abel escolheu continuar na profissão, ele está sujeito a críticas. E é o que eu vou fazer neste momento: Abel não está na prateleira de cima dos treinadores do nosso futebol. Ele está lá embaixo, onde, diga-se, estão quase todos. Se eu fosse o presidente do Fluminense (Mario Bittencourt) não pensaria duas vezes em procurar um treinador fora do Brasil para comandar esse que é um dos melhores elencos do nosso futebol e que pode, sim senhor, ganhar um título nesta temporada. E um título internacional.

O Fluminense investiu pesado em seu elenco para entregá-lo a um treinador que, hoje, dos times grandes, só trabalha no Fluminense e no Internacional — e por razões sentimentais. E, convenhamos, você não pode comandar o futebol deixando-se levar por razões sentimentais. Futebol atualmente é muito mais do que isso. A ciência não pode e nem deve ser colocada em segundo plano por conta da batida do seu coração.

Abel Braga, técnico do Fluminense, eliminado pelo Olímpia na Libertadores
Abel Braga, técnico do Fluminense, eliminado pelo Olímpia na Libertadores Gazeta Press


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Fluminense tem que colocar o coração de lado e contratar um treinador

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Meia do Shakhtar está perto de ser novo reforço do Flamengo

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Flamengo está perto de fechar com o meia Marcos Antônio. O jogador pertence ao Shakhtar Donetsk é um dos muitos que estavam no futebol da Ucrânia e que neste momento ficaram livres para sair do país por conta da invasão da Rússia e da guerra que se instaurou no território ucraniano.

Segundo fontes de dentro do Flamengo, o jogador assinaria um contrato de empréstimo até o final do ano, com preço fixado em 5 milhões de euros (R$ 28,2 milhões no câmbio desta terça-feira, 15) por 50% dos direitos econômicos.

Marcos Antônio em jogo do Shakhtar Donetsk pela Champions League
Marcos Antônio em jogo do Shakhtar Donetsk pela Champions League Anatolii Stepanov / Getty Images

Marcos Antonio é baiano de Poções e tem 21 anos. Começou na base do Athletico-PR e passou pelas seleções sub-17, sub-20 e sub-23 do Brasil. 

Em sua primeira temporada no Shakhtar (2018/19) conquistou o título ucraniano e a Copa da Ucrânia. Temporada passada foi campeão da Supercopa da Ucrânia. Com a seleção brasileira ele levantou o troféu de campeão Sul-Americano Sub-17 disputado no Chile em 2017, tendo jogado ao lado de Vinícius Júnior e Lincoln, ex-atacantes do Flamengo. 

Assim como fez com Willian, Fernandinho, Fred, Douglas Costa entre outros brasileiros, o Shakhtar contratou Marcos Antonio com o objetivo de ter ganho não apenas em campo, mas financeiro também. 

A invasão russa na Ucrânia, todavia, fez com que os planos do Shakhtar com Marcos Antonio fossem frustrados. E quem pode sair ganhando com isso é o Flamengo, pois o moleque é bom de bola.

Sormani diz que Vidal é 'superestimado' e opina sobre possível negócio com o Flamengo: 'Não abriria mão do Andreas Pereira para ter ele'


         
     
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A diferença do Corinthians de VP para o Palmeiras de Abel

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Vitor Pereira fez o que Abel Ferreira nunca fez. Com apenas dois jogos no comando do Corinthians, o que se viu em campo ontem (12) em Itaquera na goleada de 5 a 0 diante da Ponte Preta, foi um time audacioso, insinuante, corajoso, com fome de gols, coisa que Jorge Jesus, outro português, fez no Flamengo e deixou a nação insaciável.

Não sobrou na boca do corintiano o gostinho do quero mais. Ele se fartou com o futebol ofensivo, cheio de brilho, que finalmente seu time mostrou, um time que tem Renato Augusto, Paulinho e Willian e ótimos coadjuvantes que não vem ao caso mencionar neste momento.

Nas mãos de Sylvinho o time era travado; sob o comando de Fernando Lázaro, burocrático. Com VP, o Corinthians mostrou-se um time cheio de alternativas, que jogou num 4-1-4-1 bem avançado, o que instou Cássio a agir com os pés em algumas situações, situação essa que nunca o deixou confortável, mas que ontem não o deixou aflito (e nem ao torcedor); viu-se também (especialmente no primeiro tempo) um time com várias movimentações que não se via até então, como a constante troca (correta) de passes de modo a desequilibrar a defesa adversária. 

Esse foi um dos grandes segredos. O outro (talvez o principal) foi a escalação de Mosquito na direita no lugar de Giuliano

Com isso, o Corinthians deixou de ser desnivelado, penço para a esquerda (onde fica Willian) e um deserto na direita (onde deveria ficar Giuliano). Com os dois atacantes de beirada, o Corinthians de VP passou a variar seu jogo sem perder a qualidade, uma vez que Mosquito é um ótimo jogador, mas subestimado por muitos. Sua presença em campo, ontem, comprovou isso uma vez mais, pois de seus pés nasceram não apenas um gol (o terceiro), mas também jogadas que enlouqueceram os defensores ponte-pretanos.

Vitor Pereira fez o que Abel Ferreira nunca fez, pois Ferreira é adepto do defensivismo (e não há nada de errado em ser retranqueiro), uma escola que eu não aprecio. Se ele fosse o técnico do Corinthians, ontem, depois que Renato Augusto fez 1 a 0 aos 15 minutos do primeiro tempo, teria mandado seus jogadores recuarem para marcar duramente em seu campo, roubar a bola do adversário e explorar os contra-ataques valendo-se da velocidade de alguns de seus atacantes. Esse Palmeiras vive no risco, pois dá a possibilidade de o adversário o machucar, mas só não o machuca, admito, porque essa retranca é danada de boa (tanto assim que o time só sofreu um gol no Campeonato Paulista até o momento que escrevo este texto). VP, em contrapartida, faz do ataque a sua defesa. A ideia é simples: quanto mais eu tenho a bola, menos o adversário a tem, e quanto menos ele a tem, menos risco de sofrer um gol eu corro. 

Essa é a filosofia de Pep Guardiola, por exemplo. O catalão fica contrafeito, incomodado, irritado quando vê a bola nos pés do adversário. Ele exige que seus comandados a tirem do oponente o mais rápido que puder. Era assim no Barcelona e no Bayern, é assim no City. VP é assim também. E isso me agrada. Futebol, para mim, tem que ser jogado desta maneira, pois isso faz o jogo crescer, mudar de patamar. A retranca é burra no sentido de que estaciona o futebol e não o deixa flertar com o novo, com a criatividade ofensiva (que exige mais intelecto do que a defensiva), que embeleza o jogo e cativa o torcedor.

Os resultados obtidos por Abel Ferreira são ótimos. Ninguém discute. Mas eu não estou analisando resultados, estou analisando o futebol jogado. E o futebol jogado pelo Palmeiras é feio, pobre, rococó. É o chamado mais do mesmo. O que o Corinthians mostrou na goleada de ontem foi um estilo de jogo que se aproxima do estilo de Guardiola, de Klopp, de Jesus e também de Jorge Sampaoli no Santos. Time posicionado no campo de ataque a maior parte do tempo, alugando a metade da cancha adversária, provocando êxtase e não apreensão em seus torcedores (sim, pois o time está sempre pronto para finalizar e marcar e não a se defender e evitar o gol adversário). Os adeptos desses times ficam sempre na expectativa de que outro gol pode sair — como saíram ontem em Itaquera.

Vai ser sempre assim? Só o tempo dirá se o que se viu ontem será uma constante ou um ponto fora da curva. Espero que a primeira alternativa seja a correta, pois, se isso se confirmar, teremos um Corinthians supercompetitivo e que estará sempre brigando por coisas grandes. E se isso acontecer, quando o final do ano chegar, VP terá seguramente seu contrato renovado e Adenor Bachi, o Tite, irá aportar em outras plagas, porque, infelizmente, tem muita gente que olha apenas para o resultado e não para o futebol jogado.

Quinta-feira (17) teremos o encontro entre esses dois diferentes portugueses. Palmeiras x Corinthians no Allianz Parque. Um jogão, que deve parar o país. Mas não se esqueçam de uma coisa: o Palmeiras de Abel é um time pronto, que joga junto há um ano e meio; o Corinthians de VP está sendo montado e que tem menos de um mês de trabalho de campo. 

Os portugueses Vítor Pereira e Abel Ferreira
Os portugueses Vítor Pereira e Abel Ferreira Peter Leone/Ofotografico/Gazeta Press |
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Com futebol assustador, Santos se classifica nos pênaltis

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Foi uma classificação sofrida, com muita garra, com um jogador a menos, num gramado pavoroso, mas foi assustador o que se viu na noite desta terça-feira (8). O Santos saiu perdendo, buscou o empate (1 a 1) com um jogador a menos e, nos pênaltis, se classificou para a terceira fase da Copa do Brasil ao eliminar o Fluminense piauiense em Teresina.

O Santos foi prejudicado pela arbitragem, pois teve um gol sonegado pelo assistente Edevan de Oliveira Pereira. Marcos Leonardo não estava impedido quando tocou a bola para o gol, mas o fato é que se ele não põe o pé a bola entraria no chute de Ricardo Goulart e não teria como o gol ser anulado. Foi guloso e desatento.

O campo de jogo, volto a dizer, é um pasto. E aqui vai novamente um alô para a CBF: que tal cuidar dos gramados dos times que estão nas séries C e D e parar de gastar dinheiro com bobagens?

O Santos foi prejudicado pela arbitragem e pelo gramado, mas nada disso justifica o que se viu em campo. Primeiro, a infeliz ideia de uniformizar o time todo preto, não provocando contraste com o uniforme escuro do Flu piauiense. Por que não entrar com o uniforme branco, o tradicional, o número um, o mais bonito do planeta, aquele que é associado ao Santos imediatamente? De quem foi a infeliz ideia do uniforme escuro? No segundo tempo, o Santos veio de branco e, como que inspirado por ele, melhorou um pouquinho.

Quanto ao técnico Fabián Bustos, que finalmente debutou como comandante santista, não dá para julgar seu trabalho com apenas uma semana à frente do clube. Seria injusto e desleal. Mas o que se viu foi mais do mesmo. Talvez por ainda não ter conhecimento do time e dos jogadores, o argentino preferiu repetir o que vinha sendo feito, algo, aliás, que não vinha dando certo.

Mesma escalação, mesmo posicionamento, mesmas substituições... Menos uma, é importante frisar: Bustos retirou o inofensivo Marcos Leonardo e adiantou Goulart. Pronto! Com o 10 de 9, o Santos empatou e poderia até ter vencido se Camacho (sempre os mesmos...) não tivesse sido expulso.

Jogadores do Santos comemoram gol na Copa do Brasil
Jogadores do Santos comemoram gol na Copa do Brasil Ivan Storti/Santos FC

Vamos aguardar pelos próximos passos. O Santos retorna na madrugada desta quarta-feira e provavelmente os jogadores ganharão folga, pois a viagem ao Piauí é longa. Folga nesta quarta, mas terá a quinta, sexta e o sábado para se preparar para o duelo contra o Palmeiras, domingo, 18h30, no Alianz Parque.

Algo tem que ser mostrado neste jogo. Até porque serão mais dias de trabalho, o gramado do estádio palmeirense é sintético (por isso excelente) e o Palmeiras terá apenas um dia para se arrumar para o clássico, pois na quinta joga (10) contra o São Paulo.

Espero por modificações no time. Por exemplo: alguém no lugar de Kaiky, alguém no lugar de Camacho, alguém no lugar de Marcos Guilherme. Além disso, eu sacaria do time Ângelo e Marcos Leonardo.

Atuações

João Paulo — Novamente o melhor jogador do time. Nota 8.
Balieiro — Improvisado mais uma vez, pouco rendeu. Foi bem substituído no intervalo. Nota 2.
Kaiky — Se não preservarem esse menino, ele será queimado. Tem potencial, mas deveria estar jogando em sua categoria e não no time de cima, onde não tem maturidade para estar. Nota 2.
Bauermann — Inseguro. Poderia ter feito algo melhor no gol do Fluminense. Nota 3.
Lucas Pires — Continua deixando a desejar na marcação e no ataque não foi o mesmo de outras partidas. Nota 4.
Camacho — Sem comentários. Nota 0.
Sandry — Voltou a jogar mal. Foi igualmente bem substituído no intervalo. Nota 2.
Ricardo Goulart — Mais uma atuação consistente. Fez dois gols, mas um deles foi-lhe tirado por Marcos Leonardo. Nota 8.
Ângelo — Indolente. Nota 2.
Marcos Leonardo — Sexto jogo seguido sem marcar. Pior: tirou o gol que era de Ricardo Goulart. Foi só ele sair que o time melhorou ofensivamente. Nota 1.
Marcos Guilherme — Sem comentários. Nota 0.
Auro — visivelmente fora de fora e de ritmo. Nota 1.
Zanocelo — Lutou muito. Nota 4.
Pirani — Perdeu o pênalti na disputa final, mas seu passe para Goulart empatar a partida foi primoroso. De resto, indolente, assim como Ângelo. Nota 4.
Lucas Barbosa — Está pedindo passagem. Não pode ser reserva do Ângelo. Nota 5.
Lucas Braga — Não pode ser reserva do Marcos Guilherme. Nota 3.

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