Ainda dá tempo, mas é preciso que Rueda tire a bunda da cadeira e demita Fábio Carille

Fábio Sormani
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O Bahia bateu a Chapecoense (3 a 0) na noite deste domingo (24), saltou para a 15ª posição e empurrou o Santos para a zona do rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Nesta segunda-feira (25), o Grêmio joga em Goiânia contra o Atlético e o Sport vai a São Paulo enfrentar o Palmeiras. Se ambos ganharem, jogam o Santos para a penúltima colocação do campeonato.

A situação é dramática — mas faltam ainda onze rodadas. Dá para escapar da humilhação do rebaixamento, que seria inédito na história santista.

Dá pra escapar se quem dirige o clube tirar a bunda da cadeira, deixar de ser omisso e ir para o vestiário e sentir o cheiro do suor dos jogadores. Ver os uniformes fedorentos jogados no chão, olhar para as chuteiras esfoladas, as ataduras e esparadrapos esgarçados caídos num canto e constatar que as toalhas umedecidas que enxugaram os corpos dos atletas servem de tapete para eles se trocarem. E, principalmente, ser tomado pelo silêncio constrangedor do vestiário que se mistura ao vapor da água quente que cai dos chuveiros. Assim é um vestiário de um time perdedor e desesperado. Assim é o vestiário do Santos nos últimos tempos. Assim foi depois da derrota de sábado, em plena Vila Belmiro, diante do América-MG (2 a 0), quando todos esperavam pelos três pontos que dariam ao time um respiro na tabela de classificação e aos jogadores e à comissão técnica confiança para seguir o trabalho. Mas a vitória não veio; pior do que isso: o que apareceu foi uma derrota para um time que, assim como o Santos, briga para não ser rebaixado.

Fabio Carille durante treinamento do Santos
Fabio Carille durante treinamento do Santos Ivan Storti/Flickr/Santos F.C.

Andrés Rueda, o presidente do Santos, tem que tirar a bunda da cadeira e ir para o vestiário depois dos jogos. Mas ele não vai. Aliás, nunca foi. Se fosse, veria um aposento lúgubre. Rueda nunca molhou seus sapatos no chão alagado e úmido do vestiário para conversar com os jogadores, para procurar saber o que está acontecendo. Rueda parece não se sentir confortável naquele ambiente. Deve preferir o conforto de sua sala no segundo andar do centenário Urbano Caldeira, sentado em sua cadeira de presidente, onde ele dribla o suor por conta do ar-condicionado que funciona a todo o vapor, evitando que o sexagenário comandante do clube sue em bicas por conta do calor que sufoca Santos nesta época do ano.

O calor que sufoca Santos Rueda consegue driblar, o que ele não está sabendo driblar é a sufocante situação do Santos.

A impressão que dá é que Rueda pensa apenas nos números, mas não é apenas assim que se dirige um clube de futebol. Não se pode olhar apenas para os números e dar as costas para o time. Como disse, ainda dá tempo; faltam onze rodadas. São 33 pontos em disputa. O Santos tem 29 neste momento. Se conseguir meio ponto a mais do que a metade deles (17), escapa do rebaixamento. Chega a 46 e, segundo os matemáticos, com essa pontuação não cai.

O que fazer para isso acontecer? Ninguém tem a fórmula exata; todos dão sugestões imaginando o melhor para o clube. A minha? Demitir imediatamente o técnico Fábio Carille. Sim, sim, eu sei que dois outros treinadores já passaram pelo clube e nada fizeram, muito provavelmente por conta do elenco fraquíssimo — talvez o pior da história riquíssima do Santos. Mas não dá para trocar o elenco — e mesmo que fosse possível, seria impossível porque não há dinheiro para isso. Então, algo tem que ser feito. Que se demita Carille, porque ele não consegue fazer nada, absolutamente nada, para tornar o time competitivo. De seus nove jogos dirigindo o time, consequiu apenas uma vitória, quatro empates e quatro derrotas. Um aproveitamento trágico de 25,9%. Três gols marcados e dez sofridos. Nunca esperei nada do Carille, mas não imaginei que fosse ser tão assustador assim. Carille não conhece o básico do futebol. Escala mal, mexe mal e deve treinar mal também. Um desastre.

O que se comentou depois da derrota para o América é que Carille entregou o cargo. Não é verdade; fontes seguras me disseram que ele não jogou a toalha. Ele, provavelmente, ensimesmado, completamente desarticulado da realidade, deve imaginar que pode tirar o Santos dessa situação. Não acredito.  O futuro do Santos está nas mãos de Andrés Rueda. Dele e de seu Comitê Gestor, que parece ser tão incapaz quanto. Dele, do CG e do gerente de futebol Jorge Andrade, outro curioso que está alimentando a gula da areia movediça em que o Santos se encontra.

Ainda dá tempo; faltam onze rodadas. Mas do jeito que está, o Santos não escapa. Se algo for feito, de repente pode-se achar a luz no fim do túnel ao invés da escuridão do fundo do poço. Primeiro é a demissão de Fábio Carille; depois, bem depois pensa-se nos estúpidos que contaminaram o Santos neste ano com suas boçalidades.



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Arrascaeta fica! Mas o DM do Flamengo tem que garantir sua presença em campo

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Flamengo renovou com Arrascaeta. Serão mais quatro temporadas garantidas com a camisa 14 do rubro-negro — a menos que surja nesse período de tempo uma proposta milionária do futebol do exterior. Mas isso a gente não sabe.

O que a gente sabe é que, felizmente para o Flamengo e para o futebol brasileiro, Araxxxxxca (que é como o flamenguista se refere a ele nas redes sociais) fica.

Agora, não adianta nada renovar com o uruguaio de 27 anos se você não puder contar com ele. Neste 2021 que recém acabou, Arrascaeta entrou em campo 35 dos 75 jogos que o Flamengo jogou. Menos da metade: 46,6%.

Fim da novela! Flamengo anuncia renovação de contrato com Arrascaeta até 2026



Arrascaeta renovou. Palmas para a direção flamenguista. A meta agora é outra: descobrir o que se passa no seu departamento de saúde que vive cheio e cujos clientes não arredam pé de lá de jeito nenhum.

Há vários exemplos para se dar mencionando o ano que passou. Rapidamente, cito Pedro, Filipe Luís, Rodrigo Caio, David Luíz e o próprio Arrascaeta, jogadores que foram para o DM flamenguista e lá ficaram um tempo razoável. E o foram, em alguns casos, porque não houve um cuidado necessário destinado a eles.

Flamengo tem um timaço. Tem agora um treinador que se afigura como diferenciado. Tem diretores que trabalham de maneira competentíssima também. Tem grana no caixa. Tem uma torcida gigantesca. Tem uma mídia atuante. Enfim, todos os ingredientes que te permitem transformar a receita do papel num bolo apetitoso; ou seja, num time vencedor.

Mas torno a dizer: os jogadores têm que estar bem física e tecnicamente para entrarem em campo para conquistar vitórias e consequentemente campeonatos.
A vocação do Flamengo é de time vencedor. Mas para que isso ocorra, todos, repito, TODOS, os departamentos têm estar afinado. E no momento, o departamento de saúde do Flamengo desafina.

Arrascaeta e sua camisa 14, uma das mais vendidas pelo clube
Arrascaeta e sua camisa 14, uma das mais vendidas pelo clube Alexandre Vidal / Flamengo
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Novak Djokovic e a derrota de um fenômeno para a burrice

Fábio Sormani
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Novak Djokovic foi deportado da Austrália por não ter se vacinado contra a Covid-19. Não vai participar do Australian Open que começa nesta segunda-feira (17) e vai até o dia 30 de janeiro, com transmissão ao vivo dos canais Disney. Com isso, o sérvio perde a oportunidade para tentar bater o recorde de Grand Slam conquistados, pois no momento tem 20 títulos ao lado de Roger Federer e Rafael Nadal. Djokovic sai como o grande derrotado do esporte neste começo de 2022.

Os australianos dão um exemplo ao mundo de como um país deve se comportar diante de uma pandemia que já dizimou mais de 5,5 milhões de pessoas em todo o planeta. Negacionistas e antivacinas não têm espaço por lá, são tratados como devem ser tratados; ou seja: isolados, afastados, ignorados, deportados, banidos, discriminados, segregados, chutados; enfim, escolha o que melhor se aplica a essas pessoas nefastas que infelizmente contaminam o bem-estar social e impedem que o mundo seja melhor do que ele, infelizmente, o é.

Djokovic sai marcado desse episódio. Perdeu muitos fãs. Deveria perder seus patrocinadores. Deveria ser banido de todos os torneios enquanto não se vacinar e desculpar-se perante o mundo por sua posição antivacina. Djokovic tem que entender que ele só é Djokovic porque se vale da posição que conquistou com muito esforço e talento, diga-se, e que o fez entrar no mundo daqueles que não se pertencem mais, e, por isso, influenciam pessoas querendo ou não. Não há escolha nesse caso. Você se torna exemplo (para o bem ou para o mal) para muitos. Djokovic está neste mundo porque escolheu, e, ao escolher, deveria saber que há tributos a serem pagos e os cidadãos desse mundo que ele vive não estão medindo esforços para combater esse vírus letal. Ele deixou de ser o Novak que nasceu em Belgrado há 34 anos. Hoje ele é o tenista número um do mundo, abraçado por milhões de fãs. Só no Instagram ele tem mais de 10 milhões de seguidores, onde a maioria se espelha em suas atitudes. Ele não se pertence mais, torno a dizer, ele é do mundo, insisto, porque escolheu esse caminho. E quem escolhe esse caminho tem que entender isso: perde-se a identidade e torna-se cidadão de todos. Seus gestos não pertencem mais ao anonimato; seus gestos influenciam pessoas, porque ele é admirado, idolatrado, amado, exatamente por ser quem é. Morasse Djokovic num bairro qualquer de Belgrado e fosse um profissional comum, não influenciaria milhões. Suas opiniões e posições diriam respeito a ele próprio e, talvez, aos poucos que o circundariam. Por isso, ao ser quem é e numa época de sofrimento mundial, ajudar no combate ao vírus maldito é necessário; ignorá-lo é um crime que se pratica contra a humanidade.


Disse Scott Morrison, primeiro ministro australiano ao decidir pela expulsão de Djokovic do país oceânico: "Os australianos fizeram muitos sacrifícios durante a pandemia e esperam justamente que os resultados desses sacrifícios sejam protegidos". Stephen Lloyd, advogado do governo no julgamento que decidiu pela expulsão do tenista do país, ponderou em sua argumentação: "Com ou sem razão, ele está endossando uma visão antivacina". E isso os australianos não querem e nem admitem. Em outras palavras, não vai ser um negacionista que vai jogar na lata do lixo todo o esforço de um país que luta incansavelmente para mitigar os danos do vírus e retomar o ritmo de vida de outrora, quando todos podiam sair despreocupadamente de casa para trabalhar, estudar e se divertir. A maioria das pessoas que habita o planeta tem se esforçado para vencer essa pandemia. Elas estão se sacrificando e não pode um personalidade confusa dessas que vai influenciar pessoas e mudar a rota de uma estrada que vem sendo percorrida com muito sacrifício em direção à retomada da normalidade.

É um perigo dar voz a gente dessa laia, pois elas contaminam como vírus, são parceiras da Covid-19, abrem caminho para que o vírus se propague, pois, ao não se vacinarem e defenderem a não-vacinação, pregam deixar portas e janelas abertas de suas casas para que o inimigo entre sem qualquer resistência. Negar a eficácia da vacina, aprovada pelo mundo científico, através de estudos e muita dedicação, noites sem dormir, dias alimentando-se economicamente para não se perder tempo à procura da resposta que todos esperam, negar a eficácia da vacina, que tem diminuído dramaticamente os estragos da Covid-19, é ignorância pura, é jogar na rede uma bolinha que pingou na sua quadra e se apresentou propícia para um smash vencedor, smash esse que ajuda a pavimentar a estrada rumo às vitórias e aos títulos.

Djokovic deixa a Austrália derrotado. Perdeu para si próprio. É muita burrice.

Novak Djokovic durante a final do Australian Open em 2020
Novak Djokovic durante a final do Australian Open em 2020 Getty
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Vinícius Zanocelo contrasta com a mediocridade que permeia o mundo do futebol

Fábio Sormani
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Vinicius Zanocelo em coletiva do Santos
Vinicius Zanocelo em coletiva do Santos Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Interessantíssimo o texto que o site GE publica neste sábado (15) com o título "Vinicius Zanocelo aposta em analista de desempenho particular para evoluir e brilhar no Santos". A matéria fala que o jogador santista, além dos treinos diários, contratou a OutlierFC, empresa especializada em "análise tática individual para jogadores, treinadores, clubes e agentes".

Em outras palavras, o que Zanocelo faz é o que todo jogador deveria fazer: estudar o jogo para crescer na profissão, o que possibilitará melhorar seu desempenho e, consequentemente, destacar-se.

Leiam esse parágrafo do texto assinado pelo jornalista Bruno Giufrida: "Nós fazemos uma análise do meu próximo jogo, mostrando os pontos que eu tenho que tomar cuidado e os pontos que eu posso levar vantagem durante a partida. Nós falamos sobre o jogo anterior também, sobre o que eu fiz de bom e posso manter e o que eu posso melhorar para as próximas partidas. Isso sempre de acordo com a forma que o nosso time joga, também. É importante dizer que não há conflito entre o meu trabalho com o Santos e a Outlier".

Como se vê, Zanocelo não perde tempo com bobagens. Ao invés de ir para baladas, cercar-se de aproveitadores ou entupir a cabeça com bobagens do tipo Big Brother, Zanocello estuda o jogo para compreender, entre outras coisas, os movimentos que ele tem que fazer na nova posição (passou de meia para volante), como debilitar adversários e tirar proveito disso, possibilitando ajudar o time a encontrar vitórias e, se possível, títulos, que andam escassos nos tempos atuais pelas bandas da Vila Belmiro.

Evidentemente que ele não está apartado das tendências de seu tempo, mas é comedido nas redes sociais, onde é possível ver postagens bem espaçadas e discretas. Ver que nas férias passadas ele foi para a França visitar Paris, os alpes franceses e a Disney parisiense (ele ainda é uma criança, tem apenas 20 anos). Foi atrás de diversão, mas foi procurar também o saber. Numa de suas fotos, ao lado da esposa, ele aparece do lado de fora do Museu do Louvre, onde provavelmente enamorou-se pela Mona Lisa de Leonardo Da Vinci.

Zanocelo é um ser humano diferenciado da grande maioria (não importa a profissão), que se encaixa majoritariamente na categoria dos medíocres, aqueles que são facilmente tragados pelos modismos ou pelo deslumbramento dos tempos atuais, que andam mais vazios do que jamais se pode supor.

LeBron James, quatro vezes campeão da NBA por três times Miami Heat, Cleveland Cavaliers e Los Angeles Lakers, seu time atual), assiste por conta própria jogos dos adversários para saber como eles atacam, quais jogadas são mais utilizadas, qual é o ponto forte da zaga adversária e o que fazer para machucar essa defesa.

Michael Jordan, seis vezes campeão da NBA, considerado o maior jogador de basquete de todos os tempos, no segundo Three Peat do Chicago Bulls jogava de maneira completamente diferente do primeiro. No primeiro, MJ era explosão pura; no segundo, tinha um jogo de perímetro, pois o corpo já não era mais o mesmo e não dava para abrir na força as defesas adversárias. Isso foi concluído através de estudos, da apreciação de vídeos, de conversas e análises com preparadores físicos e treinadores, que mostravam a mudança de seu corpo da primeira para a segunda fase da idade adulta.

Se Ronaldinho Gaúcho tivesse feito isso, poderia ter entrado para a história do futebol como o segundo maior jogador de todos os tempos, atrás apenas de Pelé. Se Neymar se dedicasse como Zanocelo se dedica, talvez já tivesse sido eleito o melhor do mundo. Mas são dois personagens que representam bem os tempos atuais, que se deixaram/deixam levar pelas distrações da vida, fisgados que foram facilmente por terem mentes ociosas que refletem num comportamento medíocre como seres humanos.

Zanocelo está emprestado ao Santos pela Ferroviária até maio do ano que vem. De acordo com o contrato, o Santos terá de pagar € 2 milhões ao time de Araraquara para ficar com 60% dos direitos econômicos do jogador. Não vale; é muito dinheiro.

Não vale pelo menos neste momento, mas do jeito que esse menino de 1,85 m, nascido em Santo André (Grande São Paulo) tem encarado a vida e a profissão, brevemente vai valer não apenas esses € 2 milhões, mas muito mais euro do que se possa imaginar agora.

Um jogador a ser admirado no vestiário pelos companheiros e no campo pelos adversários, pois Zanocelo mostra que além do talento que a genética lhe deu, é possível crescer, melhorar, evoluir, através dos estudos, da dedicação e do amor ao que se faz e, consequentemente, a si próprio.

Um raro exemplo a ser seguido.

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Ricardo Goulart finalmente fecha com o Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

A novela acabou. Depois de quase duas semanas de negociações, o atacante Ricardo Goulart disse sim e firmará um vínculo de dois anos com o Santos. O sim foi dado na noite desse sábado (8), mais precisamente às 22h30.  É a primeira grande contratação da gestão Edu Dracena como executivo de futebol do clube, no qual jogou por seis anos e levantou a taça de campeão da Conmebol Libertadores em 2011. O contrato será assinado  neste domingo (9).

Presidente do Fluminense explica por que desistiu do atacante Ricardo Goulart: ‘Optamos por sair da negociação’

         
     


Goulart, de 30 anos, chega para jogar no ataque santista. Pode atuar enfiado ou mesmo flutuando atrás do centroavante, como um meia.

Dos grandes do futebol brasileiro, o Santos é o que menos se movimentou até o momento neste mercado de verão. Foi o que menos se movimentou porque não tem o mesmo poder de fogo (entenda-se dinheiro) dos demais. O clube está tentando sair de uma situação pré-falimentar, bem comandado nesta área que está pelo presidente Andrés Rueda, que, se vem bem quando administra as finanças santistas, ajudou a desgraçar a qualidade do time ao contratar gente sem habilidade e experiência para comandar o setor antes de Edu Dracena chegar. E o resultado foi o desempenho vergonhoso da temporada passada, quando o time brigou para não cair no Paulista e no Brasileiro.

É a primeira 'grande' contratação - antes, o clube já tinha fechado com o zagueiro Eduardo Bauermann, ex-América-MG, e o meia Bruno Oliveira, que estava no Vitória, mas pertence a Caldense-MG. Outras deverão vir. O primeiro passo é o mais difícil quando não se sabe andar — e o Santos estava estático. Agora é caminhar, mas com comedimento, porque o mar ainda não está para peixe. O Santos ainda deve muito na praça. Mas com um time um pouco mais competitivo, com a camisa que tem, pode brigar mais em cima na tabela do Brasileiro e tentar surpreender em torneios mata-mata. E se isso acontecer, ganhará prêmios em dinheiro, prêmios esses que ajudarão o time no ano que vem, quando, espera-se, o clube esteja mais saudável financeiramente e, consequentemente, mais competitivo fora de campo para também o ser dentro dele.

Ricardo Goulart, a primeira grande contratação do Santos para esta temporada
Ricardo Goulart, a primeira grande contratação do Santos para esta temporada Getty Images
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As Caixas de Pandora do Santos

Fábio Sormani
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No Santos há várias Caixas de Pandora e todos os dias abre-se uma.  A última a ser aberta revelou que o atacante Weslley Patati tem contrato com o clube até o final deste ano.

Quem é Patati? Patati é um menino da base do Santos que está jogando a Copa São Paulo de Futebol Júnior e que já teve algumas convocações para a seleção brasileira. Na vitória desta quinta-feira (6/1), ele teve ótima atuação. Entrou no intervalo da partida que estava empatada em zero contra o Rondoniense e e marcou dois gols, deu uma assistência e sofreu um pênalti (desperdiçado por Rwan Seco). Foi o nome do jogo em apenas 45 minutos. Como Patati tem contrato com o clube até o final deste ano, no meio deste 2022 ele pode assinar com quem quiser. Pode acontecer um troço desses? Pode, tanto pode que acontece e não é o primeiro caso. O caso Patati é mais um semelhante ao de Marcos Leonardo, que se assemelhou ao de Kaio Jorge.

Por que chegou-se a esta situação? Porque gente inábil cuida da base do Santos. Felipe Gil é o atual coordenador das categorias de base do clube. Que está no Santos porque foi contratado por Jorge Andrade, que esteve no Santos porque foi contratado pelo presidente Andrés Rueda, que demorou para contratar gente do ramo e dispensar os que lá estavam.

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É inegável o trabalho de Rueda quando o assunto são as finanças do clube. O Santos vive situação crítica, de pobreza, que vem sendo solucionada pelo atual presidente. Mas ele foi muito mal na condução do futebol em seu primeiro ano como presidente. Colocou gente despreparada para gerir o departamento e o resultado é esse que estamos vendo e vimos: time brigou para não ser rebaixado no Paulista e no Brasileiro. A situação começou a ser solucionada com a chegada do ex-jogador Edu Dracena, em outubro passado, Dracena que foi o capitão do time que conquistou a Libertadores em 2011. Ele foi contratado para ser o executivo de futebol. Com a chegada de Dracena, o Santos, que se encontrava no Z-4 do Brasileiro, fez uma campanha espetacular e terminou a competição na 10ª colocação. Agora ele faz o possível e o impossível para montar um time decente para esta temporada para evitar os perrengues da passada.

Mas está difícil.

Está difícil porque o clube não tem dinheiro e sem dinheiro não tem como brigar por contratações (vide o caso do meia Nathan, que preferiu deixar o Atlético-MG e jogar no Fluminense porque o time carioca ofereceu um contrato mais vantajoso). As contratações do Santos até o momento resumem-se a dois nomes: o zagueiro Eduardo Bauermann, ex-América-MG (que assinou um pré-contrato antes da chegada de Dracena) e Bruno Oliveira, um meia que jogou a Série B pelo Vitória e foi rebaixado com o time baiano para a Série C.

O Santos lutou por Nathan — não conseguiu. Luta agora, por exemplo, para ter Ricardo Goulart, mas até agora não conseguiu fechar com o jogador, que pede um dinheiro que o Santos não tem como pagar e que tenta, através de engenharias financeiras, encontrar alguma resposta para resolver essa equação. Mas não está fácil, pois Rueda não quer endividar ainda mais o clube, que neste ano que passou conseguiu bons resultados financeiros, a ponto de a dívida ter diminuído. Por conta disso, Dracena tem um X para gastar. Se entregar todo esse dinheiro nas mãos de apenas um jogador, não terá como atender os pedidos do técnico Fábio Carille, que já solicitou um lateral-esquerdo, um reserva para a direita, um volante e um centroavante.

Weslley Patati, autor de dois gols do Santos na partida contra a Ferroviária pela Copinha
Weslley Patati, autor de dois gols do Santos na partida contra a Ferroviária pela Copinha Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Dracena está metido numa enrascada. Ele come e dorme pensando na montagem do time profissional. Por conta disse, não teve tempo até o momento para olhar com cuidado para a base. De repente, é surpreendido com essa notícia do Patati.

E sabe o que será feito? Será feito o que Dracena já disse que será feito, e eu repito: Patati, se não renovar o contrato, ficará jogando na base e o profissional perderá a oportunidade de ter um menino da Vila no seu quadro, um menino que pode ser a solução de alguns problemas, como a história tem nos mostrado. Dracena não quer valorizar jogador no time de cima, amadurecê-lo, para que ele assine contrato com outro time e vá embora, como ocorreu com Kaio Jorge e pode ocorrer com Marcos Leonardo. Dracena está certo. Se isso tivesse sido feito no passado, o presente do Santos seria outro e o futuro menos preocupante.

Uma providência Dracena já tomou: ligou para Branco, coordenador das categorias de base da seleção brasileira, e pediu: "Fale comigo antes de convocar um jogar do Santos". Com isso Dracena quer evitar que outros abacaxis caiam em suas mãos quando ele está tentando se livrar da batata quente que a ele foi jogada em outubro passado quando el foi contratado para gerir o futebol do Santos.

O estresse do executivo de futebol, o estresse de Edu Dracena não é pequeno. Nesta quinta-feira foi diagnosticado com Covid. Está assintomático, mas está cansado porque está difícil solucionar os problemas de um time problemático, problemático porque não tem dinheiro, foi sucateado na base e contou com profissionais que fizeram um péssimo trabalho enquanto estiveram no clube.

Rueda precisa tomar cuidado, senão Dracena pode ser a nova Caixa de Pandora do clube.

Abre os olhos, Rueda!

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Quando o dinheiro fala mais alto do que os títulos de campeão

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O ano era 1991. O Los Angeles Lakers tinha acabado de perder a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan, que ganhava seu primeiro anel de campeão na maior liga de basquete do planeta. Obsessivo, extremamente competitivo, Magic Johnson, líder do time angelino, já perto do final da carreira, queria ganhar mais um título. Seria o sexto. Mas, para que isso fosse possível, a franquia teria que se reforçar. James Worth, seu grande parceiro, já dava mostras de fadiga física e mental.

Magic tinha que renovar o contrato e se ele pedisse muito não sobraria dinheiro para contratar o jogador que ele queria para jogar ao lado dele, para fazer a diferença. O cara se chamava Terry Teagle, um ala que jogava no Golden State Warriors e já tinha nove anos de experiência na liga. Vinha de sua melhor temporada, com média de 16,1 pontos por jogo. Como se sabe, na NBA tem o teto salarial e os times, a grosso modo, não podem ultrapassá-lo sob pena de multas ou não-contratação. Então, para contratar Teagle, o Magic teria que renovar por menos do que ele ganhava. Magic estava milionário. E o que ele fez? Topou ganhar não a mesma coisa, mas menos para que o Lakers contratasse Teagle. E a contratação foi feita.

Magic Johnson, no ano de 1981, com sua inseparável camisa 32 dos Lakers
Magic Johnson, no ano de 1981, com sua inseparável camisa 32 dos Lakers Manny Millan/Sports Illustrated via Gett

Lakers não ganhou o campeonato (o Chicago seria bicampeão) e nem na final chegou, pois o Phoenix Suns foi o campeão da Conferência Oeste. Mas o mais importante dessa história é a postura do atleta. É óbvio que todos querem ganhar dinheiro, independente da profissão, mas a realização profissional é igualmente importante. Magic estava rico, mas queria ganhar seu sexto anel. Aquilo era mais importante para ele do que engordar a sua já gorda conta bancária.

Conto essa história porque isso cai bem no caso de muitos jogadores de futebol que estão milionários e pensam mais na conta bancária do que na sala de troféus de suas mansões. São jogadores realizados financeiramente. Mas títulos engordam a carreira profissional de todo atleta. Fazem mais diferença — no caso desses jogadores milionários — do que dinheiro no banco. Infelizmente, eles não pensam assim. Não abrem mão de nem um centavo sequer, contaminados que são, em muitos casos, por empresários igualmente gananciosos, que deveriam olhar também para os troféus de seus jogadores que, por extensão, seriam deles também.

Sendo assim, amigo leitor/torcedor, muitas vezes uma contratação não vem não por causa da inabilidade de um dirigente, mas sim por conta deste pensamento mercantilista que permeia o cérebro de atletas e empresários.


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A falência dos treinadores brasileiros

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Dos times da elite do futebol brasileiro, mais Fortaleza, Bragantino e América-MG, que estão na Conmebol Libertadores, temos o total de 16 equipes. Seis dessas equipes são dirigidas por treinadores são estrangeiros e dez são brasileiros. Esta situação inédita (quase 40% de gringos) é a prova cabal da falência dos atuais treinadores brasileiros. Vocês não acham muito? Notem na lista abaixo que os principais times do nosso futebol são dirigidos, em sua maioria, por técnicos estrangeiros. Nenhum time brasileiro, com posses, hoje em dia, corre atrás de treinador tupiniquim. O Atlético-MG, que perdeu Cuca (nosso melhor técnico no momento, mas instável emocionalmente), busca contratar Jorge Jesus. Se não der certo, vai continuar à procura de um gringo. Brasileiro? Não tem no mercado alguém capaz de comandar a máquina atleticana, campeã nacional em seus dois torneios (Brasileiro e Copa do Brasil).

Esta situação não surgiu do nada. O descrédito dos nossos treinadores dá-se porque eles, ao longo das últimas décadas, repousaram a bunda nas cadeiras que fazem parte da conhecida dança e, acomodados por conta desta situação, não se atualizaram; ao contrário, fecharam-se em copas e, arrogantes, diziam não precisar estudar e nada a ter a aprender com treinadores de fora; os melhores, diga-se.

Treinador brasileiro perdia emprego aqui, arrumava outro ali, até que o técnico dali fosse demitido. E o técnico dali se empregava quando o técnico de acolá saía. E o técnico de acolá se arrumava indo para o time que técnico daqui o procurava. E formou-se um círculo vicioso, técnica que perpetua a mesmice e impede a evolução — no caso, do conhecimento dos nossos treinadores, preguiçosos e arrogantes.

Renato Gaúcho, que até há dois anos era tido por muitos como o sucessor de Tite na seleção brasileira, que parecia ser um sopro de pureza no ar poluído do universo dos nossos treinadores, hoje está desempregado. Ficou carimbado com a assertiva: "Quem precisa aprender, estuda (cursos da CBF) ou vai pra Europa; quem não precisa, pode tirar férias na praia. Eu não preciso, porque me garanto. Falo isso e muitos criticam".

Por conta desta soberba, de seu jeito antipático de ser e por conta de seus últimos anos ruins no Grêmio e do fracasso no Flamengo, hoje, ninguém o procura; ninguém o quer. Ao invés de aproveitar essa geladeira na qual foi colocado para estudar, assistir jogos dos principais campeonatos europeus — até mesmo do argentino —, todos transmitidos pelos canais Disney, diga-se, ele, Renato, deve estar na praia jogando futevôlei e se bronzeando. Europeus e argentinos, ao contrário, debruçam-se em livros, vídeos, estatísticas e, obsessivos, procuram aprimorar o conhecimento e, quem sabe, descobrir algo novo.

A saída com três jogadores, por exemplo, recuando-se o volante para ajudar os dois zagueiros, é conhecida por "Saída Lavolpiana". Sabem por quê? Porque foi criada pelo técnico argentino Ricardo La Volpe. Um argentino, friso. Uma sacada que impressionou Pep Guardiola, que a utilizou em seus times, uma saída de bola que ele, Guardiola, elogiou e destacou em seu livro "Guardiola Confidencial".

Esta é a nossa triste realidade quando o assunto são nossos treinadores. Cabe a eles mudar esse status quo. Mas é preciso se esforçar, estudar, mergulhar na profissão à procura do saber, do novo. Enquanto isso não acontece, a Polícia Federal dos aeroportos internacionais brasileiros continuarão carimbando passaportes de técnicos estrangeiros que aqui desembarcam não para descansar e aproveitar as nossas praias, mas sim para trabalhar, ocupando vagas que poderiam ser de brasileiros se eles o fizessem por merecer. Mas, infelizmente, não merecem.


Atlético-MG: sem treinar, mas à procura de um gringo
Cruzeiro: Paulo Pezzolano (uruguaio)
Inter: Alexander Medina (uruguaio)
Grêmio: Vagner Mancini
Athlético-PR: Alberto Valentim
Flamengo: Paulo Sousa (português)
Fluminense: Abel Braga
Vasco: Zé Ricardo
Botafogo: Enderson Moreira
Palmeiras: Abel Ferreira (português)
São Paulo: Rogério Ceni
Corinthians: Sylvinho
Santos: Fabio Carille
Fortaleza: Juan Pablo Voyvoda (argentino)
Red Bull Bragantino: Maurício Barbieri
América-MG: Marquinhos Santos

Abel Ferreira, português que dirige o Palmeiras e ganhou duas Libertadores seguidas
Abel Ferreira, português que dirige o Palmeiras e ganhou duas Libertadores seguidas Cesar Greco / Palmeiras
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A falência dos treinadores brasileiros

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O feito de Stephen Curry vai muito além dos números

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Dizem que Stephen Curry entrou para a história da NBA ao estabelecer a marca de 2.977 chutes certeiros de três pontos ao encestar cinco das 14 bolas tentadas na vitória de ontem (14) do seu Golden State sobre o New York Knicks (105 a 96) em pleno Garden nova-iorquino. Pelo fato de o milestone ter sido conquistado no  Madison, que é tido no planeta basquete como a meca do esporte da cesta, dizem, a festa foi ainda maior. Curry superou Ray Allen, detentor da melhor performance até então com 2.973 cestas certeiras de três ao longo da carreira.

Números.

A grandeza do feito de Curry, todavia, não está nos números. Não se prenda a eles. Não se deixe escravizar por eles. Eles são importantes, é claro, mas não é o mais importante, especialmente nesse caso.

Curry escreve um novo capítulo na rica história do basquete não por conta desta nova marca estabelecida.  A grandeza do feito de Curry está no fato de que ele mudou o jeito de se jogar basquete. Por causa de seus arremessos precisos de três pontos, o seu Golden State ganhou três títulos dos últimos sete disputados — e poderia ter vencido outros se Klay Thompson (seu grande companheiro de quadra) não tivesse se lesionado tanto. Por causa dos seus enlouquecedores arremessos triplos os outros times perceberam que se não utilizassem essa arma (letal) eles não teriam futuro no jogo.

Tudo por causa de Curry e seus empolgantes arremessos de três, que num primeiro momento pareceram amalucados, mas que agora, com o passar do tempo, todos perceberam que esta é a nova ordem no basquete mundial. Time que não tem arremessadores precisos de três não chega a lugar nenhum.

A obsessão é tão grande que até os pivôs têm que arremessar de três. Caso contrário, esquentarão o banco e terão poucos minutos em quadra. Nikola Jokic arremesa de três; Joel Embid arremessa de três; Kristaps Porzingis arremessa de três; Nikola Vucevic arremessa de três. Exemplos.

Outra estratégia, também por causa dessa nova maneira de se jogar basquete, é usar os alas de força no lugar dos pivôs. Por quê? Porque são mais ágeis e estão à disposição para os arremessos longos. Ou então, por conta de sua leveza, eles abrem o garrafão e permitem que armadores e alas infiltrem e façam bandeja na maior moleza do mundo. Mas se houver uma dobra para dificultar a infiltração, alguém estará livre , atrás da linha dos três, normalmente, para receber o passe e... pimba!

A mania pelas bolas de três (criadas por Curry, não se esqueçam) é tão grande que alguns times usam alas para fazer a posição do pivô. PJ Tucker fez isso no ano passado com o campeão Milwaukee. LeBron James faz o mesmo no Lakers e Kevin Durant no Brooklyn.

Por conta desse novo jeito de jogar basquete (valorização das bolas longas, determinada por Stephen Curry, faço questão de frisar uma vez mais), aqueles velhos pivôs do tipo Kareem-Abdul Jabbar, Wilt Chamberlain, Shaquille O´Neal e Bill Russell tornaram-se obsoletos. Daqui a pouco serão peças de museu. Não caberão mais no jogo atual.

Portanto, como se vê, Curry não fez história ontem. Curry vem fazendo história. Ele mudou o jeito de se jogar basquete. Esse é o seu maior feito. Por isso,  ele vai entrar para a história. E não porque acertou um número X bolas de três ao longo de sua carreira.

O que Curry vem fazendo nada tem a ver com números.

Stephen Curry faz mais história na NBA
Stephen Curry faz mais história na NBA Ezra Shaw/Getty Images



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A imponência de um gigante chamado Palmeiras

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Com Deyverson 'herói improvável', Palmeiras é tricampeão da Libertadores; veja as melhores imagens da final


O Palmeiras foi gigante. Venceu um campeonato em que apenas palmeirenses acreditavam que fosse possível. Mesmo assim, diga-se, muitos achavam que não ia ser possível.

O Palmeiras foi gigante porque foi estrategista, enquanto seu adversário viveu na crença do país e de seus fanáticos torcedores de que era o melhor e que por isso venceria. Não venceu porque...

O Palmeiras foi gigante. Preparou-se para a decisão. Humildemente aceitou o fato de que era inferior ao seu adversário. Preparou-se assim, para reagir e não agir, pois agir significaria se expor e em se expondo, poderia ser derrotado. Não o foi porque foi inteligente.

O Palmeiras foi gigante porque seu técnico foi inteligente, ao contrário do técnico adversário. Abel Ferreira trouxe uma estratégia para o campo de jogo; enquanto o Renato Gaúcho não mostrou nada de novo, nenhuma surpresa, nenhuma nova cartada, acreditou apenas no potencial técnico de seus jogadores. Numa decisão dessa grandeza, era muito pouco — como o foi —, porque do outro lado estava Abel, o pensador, que pensou debruçou-se a estudar seu adversário e pensar em armadilhas para capturar o inimigo.

De Danilo a Deyverson: relembre TODOS os gols do Palmeiras na Libertadores 2021


O Palmeiras foi gigante. Não precisou torrar milhões de reais para encorpar-se ainda mais. Encorpou-se ainda mais por conta da inteligência de seu treinador e a dedicação obstinada de seus jogadores. Abel fechou os ouvidos àqueles que queriam isso e aquilo, que não se conformaram com o time reserva que entrou em campo para enfrentar (e perder) o São Paulo. Abel olhou para o presente, respeitou o passado, mas não se rendeu a paixão dos palmeirenses a Dudu, que jogaria para o time e não o time para ele, como sempre aconteceu antes da era Abel Ferreira. Dudu nunca foi o principal artista da companhia aos olhos do português. Por isso foi sacrificado e substituído na etapa final da final (Palmeiras 2 x 1 Flamengo, Palmeiras campeão da Libertadores), enquanto que Rony, que muitos não dão nada a ele, foi mantido em campo lutando, porque era preciso lutar, como lutou Gustavo Scarpa, que jogou de lateral-esquerdo (e não de ala, faço questão de frisar) ajudando a compor a linha de cinco, como Mayke que acabou titular no lugar de Marcos Rocha (suspenso) e tornou-se não apenas o lado direito da linha de cinco, mas também o desafogo quando era possível desafogar(lembram do primeiro gol?). E já que falei no Dudu, curvo-me à sua dedicação e humildade, abrindo mão de seu status de estrela aos olhos palmeirenses, para jogar lá atrás, fechando o lado direito da segunda linha, que às vezes era de três, às vezes de quatro, não comportando-se como uma prima donna, aceitando seu papel, que não era o principal, porque no Palmeiras de Abel ninguém tem papel principal; todos são importantes, como importante se tornou Raphael Veiga, até então um patinho feio que chegou bonito do Coritiba, que não foi aproveitado corretamente por nenhum outro treinador que passou pelo Alianz, e que por isso acabou sendo emprestado ao Athlético Paranaense, voltou ao Palmeiras, voltou a ser esquecido, até que Abel chegou, chegou para aflorar o talento de um talento que técnicos brasileiros não conseguiram enxergar.

Felipe Melo comemora a conquista da Libertadores pelo Palmeiras
Felipe Melo comemora a conquista da Libertadores pelo Palmeiras EFE/Raúl Martínez

O Palmeiras foi gigante, como gigante foi Gustavo Gómez, o melhor zagueiro paraguaio que eu vi atuar em mais de cinco décadas vendo o futebol. Jogou pelo lado direito (e não pela esquerda, como o faz habitualmente), porque a esquerda do Flamengo é que oferecia mais perigo. Deu suporte a Mayke (o reserva que se tornou titular, lembra-se?), fechou o setor e só não foi perfeito porque os cariocas fizeram seu gol por ali, mas isso não reduz em nada o gigantismo do paraguaio, o melhor zagueiro em atividade no Brasil. E tem a molecada da base, como esse Danilo, que corre sem se cansar, porque se comporta como um adulto que conhece todos os atalhos do campo, que chateia o adversário que tem a bola por conta de sua presença constante a importuná-lo, que sai feito um rojão de seu campo defensivo em direção ao ofensivo e pisa na área adversária normalmente desmarcado, pois quem tem que o marcar não sabe de suas qualidades e, quando descobre, não tem pernas para correr atrás dele. Dele e de Patrick de Paula, outro moleque porreta de bom, que desarma, arma, chuta, que não se entrega jamais.

O Palmeiras é gigante. É gigante porque teria muito mais pra falar e tornaria esse texto longuíssimo, mas não quero torrar mais a sua paciência, querido leitor, tomando ainda mais o seu tempo para encher ainda mais a bola (merecidamente) desse tricampeão da América.

O Palmeiras foi, é e sempre será gigante.

 

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A história de um menino branco que se apaixonou pelo preto

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Eu tinha uns cinco, seis anos, no máximo, quando o descobri. Só se falava dele. A sala de casa era onde mais se falava dele. Mas quando eu saía, ia para a rua, brincar ou acompanhar meu pai, onde a gente ia também praticamente só se falava dele.

Aos sete anos eu o vi pela primeira vez. Estava eu sentado num sofá no hall de entrada de um hotel de Bauru, interior de São Paulo, caderninho e uma caneta em punho, esperando que ele passasse e me desse um autógrafo. Eu já tinha conseguido alguns outros, mas era o dele que eu queria. Fiquei lá, incansável, esperando pela sua chegada. Até que ele apareceu. A porta do elevador se abriu e dele saiu aquele preto que estava todo de branco. Levantei rapidamente do sofá para ir em sua direção. Mas, aos sete anos, era um toquinho de gente, e fui engolido por uma floresta de pernas, daqueles outros que também só falavam dele e, assim como eu, estavam à espera dele. Para um autógrafo, um aperto de mão, um simples tocar ou então ser eternizado por uma Kodak Rio 400 (naquele tempo não havia celular e selfie era uma palavra que não existia no vocabulário de ninguém).

Pelé no milésimo gol, em 1969
Pelé no milésimo gol, em 1969 Getty Images

Pacientemente ele atendeu a todos. Apertou mãos, retribuiu toques nas costas ou ombros, tirou uma, duas, no máximo três fotos e autografou vários cadernos, inclusive o meu. Sim, ele me viu, perdido naquela floresta de pernas. Eu apenas olhei para ele; ele olhou para mim, assinou meu caderninho, devolveu minha caneta, sorriu e passou a mão na minha cabeça de cabelos pretos, escorridos, ao contrário do dele, que era também preto como o meu, mais era cabelo de preto, como o do meu amigo Ivo, filho do Porcino, vizinho de casa, com quem eu andava de bicicleta, jogava bolinha de gude e futebol, Ivo que também tinha um cabelo diferente do cabelo dos brancos, assim como ele, nem pior nem melhor, nem mais bonito ou mais feio, apenas diferente, assim como a cor da sua pele, da palma de sua mão, que eram mais escuras que as minhas. Pareciam mais bonitas; sim, eram mais bonitas, concluí; ou melhor, senti. E não tem nada nesse mundo que supere um sentimento.

Vê-lo foi uma sensação indescritível. Ter o seu autógrafo foi como ser reconhecido. Sentir sua mão na minha cabeça foi como uma benção.

Horas depois eu o vi novamente. Continuava todinho de branco, mas desta vez de calção e chuteiras. Meiões e uma camisa com o número 10. O contraste do preto com o branco o tornava ainda mais lindo, parecia transformá-lo em uma divindade, que contava com aquela esfera de couro marrom, que ele controlava com os pés, às vezes com a cabeça, para a consagração total.

Veja também "Reflexões" na ESPN:


Eles fez dois gols. Seu time venceu por 4 a 1 o time da minha cidade, por quem eu tinha um grande carinho, mas não tão grande quanto o meu amor por aquele time de maioria preta, que contrastava com o branco, que balizou minha vida daquele dia até os atuais.

Quem era o preto por quem eu estava apaixonado? Ora, é preciso dizer? Mas se você não faz a menor ideia eu digo: aquele preto encantador, que parou guerras, alertou governos para não se esquecer das crianças, que conquistou o mundo com sua genialidade, fez reis e rainhas a ele se curvarem, bateu recordes até hoje inigualáveis, aquele preto admirável atendia pelo nome de Pelé.

Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra é celebrado hoje no Brasil. Dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, o maior líder negro que lutou incansavelmente contra o sistema escravagista em nosso país, um sistema que ainda não desmoronou por completo, mas que, com luta e perseverança de todos nós, irá ruir completamente em algum momento.

Que não seja preciso esperar outros quatro séculos. Que esse esse muro que ainda existe na cabeça de muitos seja tombado rapidamente. Para isso é preciso que a gente se engaje, lute, todos nós, não importa a cor, pois assim como Pelé se fez rei andando de branco com uma bola de couro marrom em seus pés pretos, podemos concluir que essa é uma luta de cores em favor talvez — e por vários motivos —  da mais bela delas: a preta.


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Um crime foi cometido com uma criança na Vila Belmiro

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Bandidos, vagabundos, marginais, covardes, canalhas, pulhas, infames, patifes, pusilânimes. Escolha o(s) adjetivo(s) que você quiser. Tem mais, muito mais, pois a nossa língua é riquíssima, vasta de palavras. Escolha o(s) adjetivo(s) que você quiser para apontar o dedo para esses lazarentos de espírito que no domingo foram ameaçar um pai e seu filho de apenas nove anos, na Vila Belmiro, tudo porque o menino, o Bruninho, de apenas nove anos, repito, um garoto apaixonado por futebol, pediu e recebeu de presente a camisa do goleiro Jailson, do Palmeiras. Linda, diga-se, a atitude de Jaílson, que presenteou o garotinho. Parabéns, Jaílson — e meus pêsames para esses calhordas, de caráter apodrecido, que hostilizaram o pai de Bruninho e o Bruninho e fez polícia intervir para proteger os dois, pai e filho, como se fossem bandidos.

Inacreditável.

Agora, pasmem: nesta terça (9), Bruninho gravou um vídeo se desculpando. Desculpando-se do quê? De ser uma criança? De ter uma alma pura? De ter o coração de uma criança, um coração desprovido de maldade? A mesma maldade que invólucra meninos e meninas quando eles se tornam homens e mulheres e os transformam em seres abjetos, desprezíveis, vergonhosos, indignos, torpes, ignóbeis, abomináveis, repulsivos e repugnantes (tem mais, muito mais adjetivos, pois a nossa língua é riquíssima)?

Gabigol autografa camisa do Flamengo para Bruninho, torcedor mirim do Santos que foi hostilizado na Vila Belmiro

         
     

Vários jogadores estão mostrando sua indignação com o crime cometido contra Bruninho. Pelé demonstrou em suas redes sociais toda sua solidariedade ao garotinho, lembrando que ele próprio, jogador e torcedor do Santos, também teve um ídolo palmeirense, o centroavante Vavá, que foi seu companheiro na conquista do Mundial de 1958 na Suécia. Disse Pelé: "Bruninho, você não precisa pedir desculpas por ser apaixonado por futebol. Nosso esporte é lindo, mas seria melhor se todos torcedores tivessem o seu coração". Demais, não é mesmo?  Gabigol autografou uma camisa do Flamengo e mandou para Bruninho — a cena está disponível na Fla TV. Neymar mandou a seguinte mensagem ao torcedor mirim do Santos que idolatra Jaílson (qual o problema, vagabundos?): “Bruninho, você é gigante, menino. Que personalidade de fazer esse vídeo, coisa que nenhum babaca que te xingou tem coragem de meter a cara”. A mensagem de Neymar está em seu Instagram.

Bruninho encontrou a solidariedade de muitos, desde os mais famosos aos mais humildes, aqueles anônimos que também se comoveram com o que viram através do vídeo feito por outro torcedor que presenciou a cena repugnante.

A pergunta que fica, agora, é: o Santos vai fazer alguma coisa para descobrir quem são esses marginais que ameaçaram o pai do Bruninho e o próprio Bruninho? Isso não pode passar em branco. O Santos não pode se calar diante desse fato repugnante. O problema maior, pelo que apurei, é que não há câmeras de televisão no setor onde o fato ocorreu. As que existem talvez não tenham imagens conclusivas para a identificação dos meliantes, pois ficam longe. Mas o Santos não pode se dar por vencido por conta disso. Tem que descobrir quem são esses canalhas e bani-los para sempre da Vila Belmiro. Se forem sócios, expulsá-los do quadro associativo santista.

Aliás, temos que bani-los, isto sim, de nossa sociedade, pois estamos cansados, fartos desses animais. Estamos cansados desses marginais, pois eles nos impedem de levarmos uma vida tranquila, digna. Que nos nos impedem de encontramos a paz para viver e dormir. Infelizmente, o ser humano vem fracassando desde que esse mundo foi criado. Isso que aconteceu domingo (7) na Vila Belmiro não foi um sinal dos tempos. Sempre foi assim. O ser humano, lamentavelmente, tem se mostrado um enorme equívoco — com raras exceções.

Triste.

OBS: Bruninho foi convidado pelo Santos para ir ao vestiário antes do jogo de amanhã (10) contra o Bragantino. Entrará em campo com os jogadores. Ganhará uma camisa autografada. Isso eu apurei com uma pessoa dentro do clube. Perguntei, todavia, ao departamento de comunicação do Santos quais medidas serão tomadas para se identificar os bandidos e qual a punição o clube vai dar a eles. Até o momento em que publico esse texto não recebi qualquer resposta. Assim que tiver, atualizo o texto.

Bruninho com a camisa do Santos
Bruninho com a camisa do Santos Divulgação/Santos FC
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Conversa com um amigo vascaíno

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Bom dia, Fernando.
Tudo bem?
E o Vasco, inacreditável!
Mais um ano na Série B — ao que tudo indica.
Olha o potencial do Vasco!!!
Seu patrimônio físico e de títulos.
O tamanho de sua torcida.
Localizado na cidade mais charmosa e uma das mais ricas do Brasil.
Definha feito um time qualquer.
Como pode isso?!?!?!?!?!

Fala, Sormani!
Incrível!
Concordo com você.
Em nenhuma rodada o Vasco ficou no G4.

Tudo por conta de incompetentes, Fernando.
Tudo por conta de incompetentes que por lá passaram e presidiram o clube por anos.
Desgraçaram o Vasco.

Pura verdade, mas o presidente atual, Jorge Salgado, é um cara muito sério.
Deu azar.
Dois anos na Série B.
Salgado é um cara muito rico, trabalha anos no mercado financeiro.
Dono de corretora.
É de família portuguesa rica.
Fez fortuna no mercado financeiro.
Peladeiro e vascaíno fanático desde sempre.
Mas errou nos treinadores e montagem de elenco.
Na Série B você tem que ter treinador de Série A.
Mas o cara tem administrado bem o Vasco.
Arrumou uns patrocínios bons.
Estamos com a camisa mais valorizada em termos de patrocínio do que quando estávamos na Série A.

Sabe o que eu acho, Fernando?
Presidente tem que fazer isso: cuidar do administrativo.
Não tem que montar time.
Tem que contratar um especialista no assunto pra fazer isso.
De preferência um ex-boleiro.
São raros os casos que não-boleiros conseguem montar times.
Quem contratou no Vasco?
Alexandre Pássaro.
Ex-boleiro?
Não.

Concordo com você, Sormani.
É mais um dândi no futebol.
Cheio de cursos aqui e ali, intercâmbios na Europa, especialização em Harvard.
Fala várias línguas.
Mas eu te pergunto: fala a língua do boleiro?

Pois é, se não for ex-boleiro, tem que ser como o Marcos Braz.
O Braz domina o vestiário.
Fala o que os boleiros entendem.
Entende os boleiros.

O Vasco é uma zona, Sormani.
A eleição do Vasco ficou sub judice mais de um ano.
Dois grupos reivindicando a presidência.
Clube muito dividido politicamente.
Uma zona, como eu falei.

***

E fomos, Fernando e eu, conversando sobre o Vasco, Vasco por quem o coração dele palpita. Por isso, ele, todo choroso, foi reclamando da situação, reclamando de jogadores que não poderiam vestir a camisa do Gigante da Colina, que tanto me marcou na infância, seja ela a branca ou a preta, mas eu gostava da meia toda zebrada. Era imponente, chamava a atenção. Fernando me falou: "Do time atual eu deixava o Vovô (Nenê) e o Cano. E o Riquelme e outros da base. Pra sair? Pra ontem: Marquinhos Gabriel, Zeca, Andrey e Vanderlei".

E fomos, Fernando e eu, conversando pelo WhatsApp, quando poderíamos estar numa mesa de bar, num ponto qualquer do Rio, de frente para o mar, bebericando uma cerveja, aproveitando a atmosfera da cidade.  Conversando, conversando, conversando.

Foi então que eu me dei conta de que a nossa conversa tinha acabado de me remeter a uma das mais belas canções da MPB: "Amigo É Pra Essas Coisas". Uma conversa de bar entre dois amigos, um que se deu bem na vida e o outro, lastimoso, reclamando dos percalços da vida e do infortúnio no amor.

Uma letra belíssima de Aldir Blanc. Um vascaíno que nos foi tirado recentemente por esse vírus maldito e que, se aqui estivesse, estaria sofrendo como se Rosa fosse o amor de sua vida.

Breiller defende Cano mesmo após pênalti perdido contra o Guarani: 'O Vasco estaria pior sem ele'





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Ah se tivesse vencido o Fluminense...

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Os torcedores do Flamengo devem ainda estar se martirizando por conta da derrota por 3 a 1 de sábado passado (23) no Maracanã diante do Fluminense. Derrota para um time que, quatro dias depois, esteve na Vila Belmiro e foi batido pelo Santos por 2 a 0, Santos que se encontrava na zona do rebaixamento do campeonato e que havia vencido uma das últimas quinze partidas!

Os rubro-negros não digeriram ainda o revés diante dos tricolores. Claro que ele está comemorando a vitória deste sábado (30) frente ao Atlético Mineiro (1 a 0) no mesmo Maracanã onde foi derrotado uma semana antes. Claro que comemora. Comemora porque vitória é vitória (quem gosta de perder?), porque tira o time de um incômodo jejum de quatro jogos sem vencer (duas derrotas e dois empates), porque dá alento para o futuro (decisão da Libertadores), porque melhora o astral do vestiário do time (leia-se Renato Gaúcho).

Mas que o torcedor ainda não digeriu a derrota para o Fluminense, isso não digeriu.

Encalço

Se o Flamengo tivesse batido o Fluminense (e essa era a lógica), descontando os jogos atrasados (vencendo-os, é claro), ficaria a apenas um ponto do líder. E isso colocaria muita pressão nos mineiros, um time que não está acostumado a conquistar títulos importantes. A história do Galo diz isso.

De todo o modo, a vitória deste sábado por 1 a 0 (gol do Michael), pode colocar fogo no campeonato, como disse o Antero Greco em seu blog (leia aqui). Pode, repito. E só vai colocar se o Galo ratear nos próximos jogos. Mas não é esse o perfil desse time. Todas as vezes que foi colocado nas cordas, os mineiros souberam reagir e construíram vitórias importantes. O ponto fora da curva foi a eliminação para o Palmeiras na Libertadores, uma injusta eliminação, diga-se, pois o time perdeu para o regulamento e não para o Palmeiras.

A tabela do Atlético não é nada complicada. Seus próximos três jogos serão em casa: Grêmio, América e Corinthians. Depois sai para enfrentar Bahia e Athlético-PR, que estará a quatro dias da decisão da Sul-americana e deve jogar com um time reserva. Depois recebe o Juventude, sai para enfrentar o Palmeiras (que estará a três dias da final da Libertadores; time reserva, óbvio), recebe Fluminense e Bragantino e encerra o campeonato jogando em Porto Alegre contra o Grêmio, que pode já estar rebaixado.

Seria uma tabela incômoda se Athlético-PR e Palmeiras estivessem focados no Brasileiro, mas não estarão. No Corinthians eu não confio. Resta o Bragantino. Fora de casa tem ainda o Bahia, que faz uma campanha melancólica.

O Atlético é o melhor time do Brasil no momento, mas que o calendário, que mistura competições, ajuda, isso ajuda.

Atlético só perde esse Brasileiro para ele mesmo.

Michael comemora gol da vitória do Flamengo
Michael comemora gol da vitória do Flamengo Gilvan de Souza/Flamengo

Perseguição

Dos onze jogos que o Flamengo terá até o fim do campeonato, cinco serão em casa: Atlético-GO, Bahia, Corinthians, Ceará e Santos. O único que pode criar algum problema (teoricamente, é bom dizer) é o Corinthians — embora eu não confie no Corinthians, como disse acima. Os demais são ganháveis, sem muito esforço.

Fora de casa o rubro-negro pega Athlético-PR, Chapecoense, São Paulo (reencontro com Rogério Ceni), Internacional, Sport e encerra sua participação contra o Atlético, em Goiânia. Tabela chata (leia-se São Paulo e Inter); digo chata porque o Flamengo, se quiser ser tri, não poderá perder mais ponto algum.

Ah se tivesse vencido o Fluminense...

Celeuma

Carlos Sartori, outro blogueiro da ESPN, causou um tumulto danado em seu texto recente onde ele defende a titularidade de Michael no Flamengo (leia aqui). Ótima discussão: Michael tem de ser mesmo titular desse time do Flamengo? Se sim, no lugar de quem?

Minha resposta: sim, Michael tem que ser titular neste momento.

No lugar de quem? Éverton Ribeiro.

Um amigo, na manhã deste domingo, flamenguista fanático, mandou-me a seguinte mensagem (entre tantas outras): "Pra vc ver o que é o futebol: Carille é campeão Brasileiro. É aquilo de estar no lugar certo no momento certo. Por isso que o E.Ribeiro é tetracampeão brasileiro".

Exagero dele? De jeito nenhum — penso eu.

E meu amigo completou: "Tem gente que nasceu com sorte de estar nos momentos certos em várias ocasiões da vida".

Perfeito.

Por isso, defendo a titularidade do Michael na vaga do Éverton Ribeiro. O tetracampeão brasileiro é um sortudo — embora tenha suas qualidades como jogador, obviamente; ele não é um zero à esquerda —, mas está longe de ser um jogador de seleção, coisa que ele é porque o técnico da seleção chama-se Tite.

Eu formaria o Flamengo, do meio para frente, desta maneira, neste momento: Arão e Andreas Pereira, com Arrascaeta (quando voltar) à frente deles, com liberdade de movimentação, e na frente Michael, Gabriel (Gabigol) e Bruno Henrique. Perde na marcação?; não creio, pois jogadores de hoje têm que ajudar quando não têm a bola. Perde na armação?; não creio, pois isso daria liberdade para Felipe Luís fechar e compor o meio-campo, numa movimentação que levaria naturalmente Arrascaeta para a esquerda (onde ele mais gosta de estar) para tabelar com Bruno Henrique, que também gosta de espaço (leia-se isolamento) para suas arrancadas estrondosas, que nem animal aguenta, como diz o João Guilherme, narrador da ESPN.

Gostaram do time que eu montei?

Vidro

Rodrigo Caio é um ótimo zagueiro, mas, infelizmente, é de vidro. Machuca-se demais. Por conta disso, não dá para confiar nele uma temporada toda. O Flamengo precisa urgentemente de dois beques: um central e um quarto-zagueiro. Esse é o calcanhar de Aquiles do Flamengo, muito mais do que Renato Gaúcho.

Reclamos

Jogadores do Atlético deixaram o gramado do Maracanã reclamando da cera do goleiro Diego Alves do Flamengo. Choro de perdedor? Depende do que se pretende ao discutir a questão. Reclamação por reclamação nada mais é do que choro de perdedor. Mas iniciar uma campanha para acabar com essas farsas que existem em campo (jogadores simulando lesões para ganhar tempo e impedir ataques adversários; demora na reposição da bola), isso é válido.

Mas é bom dizer que o que o Flamengo, na figura do Diego Alves, fez ontem nada mais é que um apêndice de um órgão doente, infectado por jogadores malandros que acham que ser malandro é ser esperto. Os que riram ontem vão chorar amanhã; os que choraram ontem vão rir amanhã.

Todos fazem isso. Portanto, nada a reclamar. Tampo os ouvidos para esses reclamos.

A menos que os jogadores estejam amadurecendo e queiram acabar com a malandragem.

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Apesar de Carille, Santos bate o Athletico e se distancia do Z4

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Santos teve dois adversários neste sábado (30) em Curitiba: o Athletico e Fábio Carille.

O técnico santista quase evitou que o time conseguisse sua segunda (e primeira) vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro. O Santos vencia o Athlético por 1 a 0 quando ele tirou de campo o atacante Diego Tardelli, que mais uma vez fazia uma grande partida. Carille fez o mesmo diante do Fluminense e Tardelli, na coletiva, depois do jogo, disse que não queria ter saído; ou seja, sentia-se em condições de ter continuado no jogo. Repetiu a dose no Paraná para colocar Raniel, que está visivelmente fora de forma e de ritmo de jogo. Isso aconteceu aos 26 minutos do segundo tempo, quando inexplicavelmente ele sacou um jogador que vinha jogando muito bem, combatendo a saída de bola adversária, deslocando-se à frente e servindo de opção de passe para os companheiros, protegendo bem a bola quando a tinha sob domínio, ajudando na defesa e impecável nos passes. Inexplicavelmente, repito, Tardelli saiu para a entrada de Raniel, que já foi analisado acima. Com esta alteração, o Santos passou a jogar com um a menos, pois Raniel não fez absolutamente nada: não conseguia controlar a bola que era-lhe entregue e não combatia os adversários quando era necessário.

Mas não ficou por aí: seis minutos depois, Carille aprontou mais uma: tirou o melhor jogador da partida, Marcos Guilherme, para a entrada do irreconhecível Carlos Sánchez, que nem de longe lembra aquele atleta que tornou-se ídolo de muitos torcedores. O uruguaio, assim como Raniel, está ausente dos jogos, infelizmente. Não marca, erra passes bobos, está lento; enfim, um a menos, assim como Raniel.

Em outras palavras, o Santos terminou a partida com nove jogadores defendendo incansavelmente a meta, evitando que os paranaenses empatassem e, quem sabe, virassem o jogo. Terminou com nove porque Raniel e Sánchez, torno a dizer, foram duas negações enquanto estiveram em campo.

Mesmo assim, o Santos venceu por 1 a 0.

Santos supera Athletico-PR no Campeonato Brasileiro
Santos supera Athletico-PR no Campeonato Brasileiro Ivan Storti/Santos

Sacadas

Fábio Carille também tem feito coisas boas, reconheço.

A colocação do zagueiro Robson para formar a trinca de beques ao lado de Danilo Boza e Emiliano Velázquez foi uma grande sacada do treinador. Deixar Marcos Guilherme solto também deu agilidade e opção ao time. E Lucas Braga, sem a bola, como lateral-esquerdo, também foi igualmente de bom entendimento. Outra coisa: ala é ala; ou seja, quando tem lateral, quem bate é o zagueiro da beirada e o ala serve de opção de recebimento da bola, ao contrário do que se vê no Brasil. Esta foi outra boa decisão de Carille.

Só resta agora a Carille não fazer bobagens com o jogo em andamento.

Tabela

Com a vitória e os resultados das outras partidas do sábado, o Santos foi nanar na 11ª colocação do Campeonato Brasileiro com 35 pontos ganhos, a cinco da zona do rebaixamento. Há duas rodadas, estava na 17ª posição, dentro do Z4.

O que duas vitórias não fazem...

Duas vitórias que foram conquistadas desde o debute de Edu Dracena como o executivo de futebol do Santos. Coincidência? Não creio. Elas são fruto da intervenção de Dracena no dia-a-dia do Santos. Ele esteve em Curitiba, junto com a delegação, dando-lhes apoio em todos os sentidos. Conversou com Carille e com os jogadores, contou-lhes histórias com finais felizes de seus tempos como jogador e o resultado final deixou a todos felizes.

O melhor

Há quem defenda João Paulo como o melhor jogador do Santos (e da partida) na vitória de 1 a 0 sobre o Athlético em Curitiba, mas eu fico com Marcos Guilherme. O baixinho fez de tudo enquanto esteve em campo. Pressionou a saída de bola do adversário, fez a saída de bola do Santos, apareceu nas duas beiradas, pelo meio e foi quem melhor surgiu como opção de passe para seus companheiros. Foi dele a assistência para Madson fazer o gol da vitória aos 4 minutos do segundo tempo.

Marcos Guilherme, o melhor em campo.

Goleador

Madson, mais uma vez, fez gol.

Na época de Fernando Diniz, era reserva de Pará. Com Fábio Carille, jogou até no sub-23, com a desculpa de que precisava recuperar o ritmo de jogo. Isso aconteceu diante do São Bernardo, pela Copa Paulista, no empate em 1 a 1 na Vila Belmiro. O lateral foi substituído aos 26 minutos da etapa final e deixou claro que estava em condições de jogar no time principal. Dois dias depois, o Santos entrou em campo para enfrentar o São Paulo, no Morumbi, e Carille preferiu improvisar Marcos Guilherme na posição. Nem sequer no banco Madson foi relacionado. Depois ficou no banco contra Grêmio, Atlético-MG, Sport e América-MG. Voltou a ser titular diante do Fluminense, quando marcou o primeiro gol e deu a assistência para Tardelli fazer o tento da vitória de 2 a 0 sobre os cariocas. Foi mantido no time principal no triunfo desse sábado diante do Furacão, em Curitiba. Foi dele, como já mencionei, o gol da vitória santista.

Vicente Matheus, inesquecível e folclórico presidente do Corinthians na década de 1970, costumava dizer: "Técnico não ganha jogo, mas perde". Carille tem atrapalhado, mas não está conseguindo derrotar o Santos.

Dicotomia

O que duas vitórias não fazem...

O Santos estava ameaçado de rebaixamento. Agora, ameaça aqueles que brigam por uma vaga na Libertadores. Se ganhar do Palmeiras, domingo próximo  (7) na Vila Belmiro, sonhar com uma vaga na fase inicial do mais importante torneio das Américas não será maluquice alguma. Para que isso seja possível, será muito importante que os torcedores continuem fazendo o que vêm fazendo: apoiando o time incondicionalmente e comprando todos os ingressos que foram disponibilizados. Ao que tudo indica, 100% da capacidade total estará liberado pela CBF para o jogo de domingo próximo.

Que a Vila Belmiro justifique, uma vez mais, o apelido e a fama de alçapão.

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Apesar de Carille, Santos bate o Athletico e se distancia do Z4

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Edu Dracena começa a arrumar a casa no Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Finalmente, depois de muito tempo, o torcedor do Santos teve uma ótima noite de sono. Dormiu bem. Com certeza deitou-se e as imagens do jogo serviram como os carneirinhos pulando a cerca, que as crianças, na literatura infantil, ficam contando até dormir.

Pela primeira vez nesta temporada o Santos jogou bem. E por isso bateu o Fluminense, ontem (27), na Vila Belmiro por 2 a 0, saindo, com isso, da zona do rebaixamento, que não é o lugar onde um time da envergadura do Santos deve figurar. Jamais. O Peixe pertence a outra parte da tabela, aquela que fica bem mais acima, onde os times que lá se encontram brigam por títulos.

Infelizmente, nesta temporada, tem sido assim. Assim o foi no Campeonato Paulista (um alerta ignorado pelo virgem presidente Andrés Rueda) e repete-se no Brasileiro. Mas, uma contratação, uma simples contratação, mas pontual e bem feita, começa a mudar tudo isso.

Edu Dracena

O ex-capitão santista, que levantou seis taças em sua passagem de cinco anos pela Vila Belmiro (entre elas a Copa do Brasil e a Libertadores), chegou e começou a arrumar a casa. O que pertencia aos quartos, lá foram colocados; decorações da sala estavam na cozinha; e a geladeira ficava aberta, desnecessariamente, gastando energia e estragando alimentos. Enfim, uma zona.

Dracena chegou, viu o caos estabelecido, chamou a todos e explicou como cada compartimento tem que estar e funcionar. Seus comandados, impressionados com sua estatura (não falo de seu 1,87 m, falo de sua experiência, liderança e inteligência), ouviram. Ouviram atentamente e fizeram tudo o que o icônico ex-jogador santista mandou fazer. Fizeram e tudo deu certo.

Quando eu falo "seus comandados", refiro-me a todos, jogadores, comissão técnica, departamento médico e administração — entenda-se presidente e seu Conselho Gestor.

Antes de Dracena, essas pessoas olhavam para André Mazzuco e Jorge Andrade de cima para baixo. Agora elas olham Dracena de baixo para cima. Faz muita diferença.

Santos vence o Fluminense na Vila Belmiro e Sormani destaca garra da equipe: 'Tem tudo a ver com o Edu Dracena'

De gala

A atuação do lateral-direito Madson (que as pessoas chamam de ala quando um time atua com três zagueiros, e foi assim que o Santos jogou ontem) foi de gala. Fez o primeiro gol, deu assistência para Tardelli debutar nas redes adversárias com a camisa santista, cabeceou uma bola que depois da defesa do goleiro do Fluminense, Marcos Felipe, acabou batendo no travessão, marcou muito bem quem apareceu pelo seu setor e foi referência em campo.

Jogou como havia muito tempo não jogava. O melhor do time.

Madson comemorando gol pelo Santos
Madson comemorando gol pelo Santos Ivan Storti/Santos FC

Fase ajuda

Quando as coisas estão dando certo, tudo dá certo. Estranho o que escrevi? Pode parecer que sim, mas refiro-me ao atacante Ângelo — e vocês vão entender.

O menino da Vila, que é tratado como uma nova joia por entusiasmados torcedores, entrou muito bem no jogo de ontem. E por que jogou bem? Simples, porque tudo dava certo para o Santos. Consequentemente, tudo deu certo para ele. Por isso escrevi que quando as coisas estão dando certo (para o time), tudo dá certo (Ângelo).

Poderia ter terminado o jogo com uma assistência se o atacante Raniel fosse um pouco mais rápido do que foi. Perto do fim do jogo, Ângelo enfileirou marcadores pela direita, cruzou na medida para Raniel, que não chegou inteiro na bola por conta, talvez, de sua grande inatividade, motivada por uma série de problemas de saúde que ele vem vivendo nos últimos tempos.

Carille destaca imposição do Santos na vitória sobre o Fluminense: 'Não vai dar para jogar bonito o tempo todo'

Rumo certo

Se a amostra de ontem for a forma na qual o time vai produzir seu futebol daqui para frente, o Santos não cai. Os resultados, na maioria das vezes, são reflexos da produção do time em campo. A vitória contra o Grêmio foi adquirida com as calças nas mãos, por isso não houve sequência. A de ontem foi conquistada com qualidade, com desempenho.

Por isso eu disse que se o desempenho do Santos de ontem for o que ele vai apresentar daqui para frente, não cai. Pode até perder (e isso deve ocorrer por conta da árdua tabela nos próximos jogos), mas vai ter um aproveitamento na casa dos 50% e não dos 30% como estava tendo.

Com 50% de aproveitamento até o final do campeonato, escapa do rebaixamento.

Perspectiva

O Santos sempre olhou seus adversários de cima para baixo. Olhava de baixo para cima porque a casa estava toda desarrumada.

Edu Dracena levou escadas para os jogadores e comissão técnica subirem e terem a oportunidade de olhar lá de cima para o cenário abaixo. Eles precisam de escadas porque não têm altura para olhar naturalmente os oponentes de cima para baixo. Hoje esta é a situação. Se eles vão crescer e dispensar a escada, só o tempo dirá. O importante é saber se alimentar, mas quem escolhe a comida é quem a coloca no prato. Os jogadores têm que saber selecionar o que comem.

Dracena mostrou o cardápio. Ontem todos se alimentaram bem. E o resultado veio.

Como será daqui para frente? Como eu disse, depende muito de qual garfo e colher você vai pegar para escolher o alimento certo para colocar no prato.



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Edu Dracena começa a arrumar a casa no Santos

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Edu Dracena se apresenta no Santos nesta quarta-feira e lutará contra o tempo

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Edu Dracena se apresenta nesta quarta-feira pela manhã (27) no Santos. Ele será, a partir de agora, o responsável pelo futebol do clube. No organograma, o executivo de futebol em substituição a André Mazzuco, que foi demitido nesta terça-feira (26). Junto com ele sai também Jorge Andrade, que ocupava o cargo de gerente de esportes, que ficará vago. E não há mesmo necessidade alguma de se contratar outra pessoa para esta gerência, uma vez que o clube está em estado de pobreza, como todos sabem. Economizar em tempo bicudos é sempre bom.

Dracena vai cuidar do que precisa ser cuidado, mas, é claro, vai sentir a situação para dar seus primeiros passos. Nesta quarta-feira, dividirá seu tempo com jogadores e comissão técnica, que estão concentrados no CT. Vai também se reunir com o presidente Andrés Rueda e membros do Conselho Gestor.  À noite estará na Vila Belmiro para assistir o jogo contra o Fluminense, às 19h.

Como disse no texto de ontem, repito agora: Dracena não chegará tomando decisões drásticas — até porque elas já foram tomadas por Rueda com as demissões de Mazzuco e Andrade.

Sormani elogia Felipe Melo no Palmeiras, sugere ida ao Santos e diz: 'Mercado não vai faltar'

         
     

Opinião

A partir de agora, não informo mais, a partir de agora eu vou opinar. Vamos lá, então...

Na minha opinião (repito, é minha opinião e não informação), Dracena deveria trocar o técnico Fábio Carille. A fragilidade tática do Santos é assustadora. O time já é ruim, pois os jogadores em sua grande maioria são fracos tecnicamente. Sendo assim, quando você junta um técnico ruim com jogadores ruins, a coisa fica pior ainda. É o caso.

A performance de Carille no Santos é desprezível. Em nove partidas, obteve apenas uma vitória. Perdeu quatro jogos e empatou outros quatro. Desempenho de medíocres 25,9%. A defesa (que diziam ser especialidade de Carille) sofreu dez gols (média de mais de um gol por jogo) e o ataque (que sempre foi o cartão de visitas do Santos) anotou apenas três (um funcionamento infame, de constranger até mesmo o mais tolerante de todos os tolerantes torcedores).

O Santos em campo não pode ser qualificado nem mesmo como um bando, pois um bando tem objetivos, por mais perniciosos que sejam. O Santos de Carille é uma ameba, pois não faz mal a ninguém. Não existe.

Não sei até que ponto Dracena, que trabalhou com Carille no Corinthians, pode ajudar o treinador a mudar este cenário desolador. Até porque não é função do executivo de futebol treinar e escalar o time. Dracena tem que pensar em outras coisas também. Quem tem que fazer isso é Fábio Carille. É claro, como disse no texto passado, que Dracena estará o tempo todo com todos. Estará no CT antes, durante e depois dos treinamentos. Estará nos vestiário antes, durante e depois das partidas. Isso será importante, pois uma coisa era o grupo e a comissão técnica olhar para André Mazzuco; outra coisa é olhar para Edu Dracena. Mas ele não vai treinar o time e nem escalá-lo. E nem dirigi-lo nos jogos. Isso é com Carille.

Você confia no Carille? Nem eu.

Tempo

Como tenho dito, ainda dá tempo. Como Carille vai dirigir o time nesta quarta-feira contra o Fluminense, não faltarão mais onze jogos para evitar o inédito e embaraçoso rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro. Faltarão, depois que o jogo contra o Fluminense acabar, dez jogos. Mas ainda dá tempo.

E tempo é o que Dracena precisa para sentir o ambiente. Mas não terá o tempo necessário para isso. Terá que ser rápido. Terá que ser cirúrgico. Isso porque Andrés Rueda e seus pares de Conselho Gestor, esperaram 27 (na verdade 28) rodadas para tomar uma decisão que deveria ter sido tomada assim que o Campeonato Paulista terminou e o Santos se livrou do rebaixamento (isso mesmo, rebaixamento no Campeonato Paulista!) na última rodada. Rueda e seus pares de CG demoraram 28 rodadas ou quase seis meses para agir, para tomar uma atitude contra o desgraçamento em que o time se encontrava e era visível a todos.

Não foi por falta de aviso. Este blog e vários outros jornalistas alertavam Rueda para o absurdo de se ter como braço direito Jorge Andrade e André Mazzuco. Agora eles correm contra o tempo.

Edu Dracena na Academia de Futebol
Edu Dracena na Academia de Futebol Cesar Greco/SE Palmeiras
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Edu Dracena se apresenta no Santos nesta quarta-feira e lutará contra o tempo

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Rueda começa a se mexer e convida Edu Dracena para gerenciar o futebol do Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Santos começa a se mexer para evitar a humilhação de um rebaixamento inédito para Série B do Campeonato Brasileiro. Edu Dracena, capitão em conquistas importantes como a  Copa do Brasil (2010) e Libertadores (2011), foi convidado  para gerenciar todo o futebol do clube, especial e principalmente o profissional. Edu ficará abaixo apenas do presidente Andrés Rueda que, contando também com a aprovação do Conselho Gestor, fez o convite e deu carta branca ao ex-jogador santista para fazer o que ele entender necessário para arrumar a casa.

O convite foi feito na tarde de ontem, segunda-feira (25), através de uma vídeo conferência. Dela participaram Rueda e os membros do CG. Edu Dracena deve responder ainda hoje, terça-feira (26)  se aceita ou não. A tendência é ele dizer sim. 

O presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, está ciente do convite santista, pois Dracena, que atualmente ocupa o cargo de assessor técnico no time alviverde, disse a Rueda que antes de iniciar qualquer conversação que ele deveria ligar ao comandante palmeirense. Rueda ligou e as negociações começaram.

Será o primeiro e talvez um dos mais importantes passos dados pela atual gestão santista para tentar corrigir erros grotescos e amadores que foram cometidos ao longo deste ano. Edu é um profissional sério. Sua carreira fala por ele. Foi capitão de todos os times por onde passou. Capitão e campeão. É um vencedor. Tem liderança. E é de gente assim que o Santos precisa. Com esse carisma. Mas não apenas vencedores, mas vencedores que saibam o que significa a marca Santos Futebol Clube. Edu sabe muito bem o que ela representa.

Veja também:

Seu trabalho não será apenas gerencial. Edu vai por a mão na massa. Estará todos os dias no CT. Estará ao lado do time em todos os jogos. Estará no vestiário antes, durante e depois das partidas. Disponibilizará aos jogadores e comissão técnica toda a sua experiência e liderança que o marcaram por todo esse tempo que ele vem vivendo no futebol.

Edu sabe muito bem que do jeito que está a tarefa será árdua para evitar o rebaixamento. Portanto, se ele disser "sim" ao convite santista, assumirá tomando algumas decisões. Mas para isso ele vai sentir o elenco e saber como ele está. Conversará igualmente com o técnico Fábio Carille e sua comissão técnica. Vai medir a temperatura no vestiário e nos bastidores para saber o que primeiro terá de fazer.

Agora é aguardar o passar das horas e esperar pela resposta de Edu Dracena. Como disse acima, a tendência é que ele aceite o convite. Pena que ele veio com um certo atraso. Mas, como diz o velho ditado, antes tarde do que nunca.

Ainda dá tempo: faltam onze rodadas para o final do campeonato. Os resultados dos dois jogos desta segunda-feira ajudaram o Santos: derrotas de Grêmio (0 a 2 para o Atlético-GO) e Sport (1 a 2 para o Palmeiras). Tomara que seja um presságio de que tudo vai começar a mudar.

Os resultados, o convite e o sim.

Edu Dracena comemora seu gol contra o Vasco, na Vila Belmiro
Edu Dracena comemora seu gol contra o Vasco, na Vila Belmiro Gazeta Press
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Parabéns, Pelé; e obrigado, Senhor, por tê-lo colocado entre nós

Fábio Sormani
Fábio Sormani

 Bom dia, Rei.

Queria estar ao seu lado para te desejar Feliz Aniversário. Mas não estou. Infelizmente. Queria não apenas te desejar feliz aniversário, mas queria também te dar um beijo e um abraço. Queria te beijar e abraçar como eu beijava e abraçava meu pai. Você não é meu pai, mas de uma certa maneira você é. Foi você, com a bola nos pés, quem me mostrou o futebol. Fez-me entender como ele deve ser jogado. E me deu paixão pelo jogo. Por sua causa eu não tenho paciência com pernas-de-pau. Porque eu te vi jogar. Você elevou o patamar do futebol. Antes de você era de um jeito; depois de você passou a ser de outro. Você deu velocidade ao jogo, mostrou a importância do preparo físico e de ter múltiplas funções em campo — até de goleiro você jogou! Hoje isso chama-se polivalente. Na sua época era curinga. Garrincha tratava seus marcadores como "João"; você os tratava como humanos. Há alguns jogadores geniais hoje em dia. Houve jogadores geniais depois que você parou. Mas são mortais — e o que eles fazem nada mais é do que versar sobre um tema que você criou. Estou esperando que alguém apareça para mudar o futebol como você mudou. Mas até agora, nada. Os gênios foram forjados por Deus. E não é toda hora que Ele perde seu tempo conosco, uma espécie que, parece, não deu certo. Ele manda pra cá, de tempos em tempos, alguém especial. Ele nos mandou Jesus, o maior de todos. Jesus é único. Estamos esperando que Ele volte. Enquanto isso não acontece, Deus nos manda Beethoven, Da Vinci, Miles etc — e você. Deus nos mandou você  para nos ensinar o que temos que aprender sobre o futebol, um substantivo que está longe de ser comum.

Pelé comemorando pelo Santos em 1969
Pelé comemorando pelo Santos em 1969 Getty Images

Parabéns, Pelé. Não vou pedir que Deus te proteja, porque Ele te mandou pra cá com uma missão: jogar futebol e alegrar o ser humano.  Você foi um dos escolhidos. Deus está — e sempre estará — ao seu lado. Triste daquele que não te viu jogar. E não o reconhece.

Te amo para sempre!


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Insatisfeitos com Renato Gaúcho e Cuca, que tal Carille no seu time?

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Vejo torcedores de Flamengo e Atlético-MG reclamando de Renato Gaúcho e Cuca. Risível. Querem o Fábio Carille? Que tal? É só passar na Vila Belmiro e pegar. Se não houver tempo, eu me comprometo a levá-lo, com meu carro, sem custo algum, à Gávea ou à Cidade do Galo.

Se Carille assumisse hoje Flamengo ou Atlético, esses mesmos torcedores iriam ver o que é bom para tosse. E seguramente depois de algumas rodadas, aos choramingos, iriam dizer: "Éramos felizes e não sabíamos".

Eu até entendo os flamenguistas, porque estão muito vívidas em suas memórias as conquistas de Jorge Jesus e daquele timaço que ele montou. Mas o que os torcedores rubro-negros se esquecem é que no primeiro semestre de 2020, ele já dava sinais de que aquele trabalho feito no segundo semestre de 2019 parecia ser um ponto completamente fora da curva. A carreira do Mister, aliás, mostra isso. Ele nunca fez em qualquer outro clube, em sua longeva carreira de treinador, o que ele fez naqueles seis meses mencionados acima. E seu trabalho deu sinal de queda no semestre seguinte, quando o Flamengo conseguiu a façanha de perder a Taça Rio para o Fluminense e, com isso, possibilitar a final do Campeonato Carioca, que era algo impensável dada a diferença dos rubro-negros para os tricolores e qualquer outro rival carioca.

Fábio Carille, técnico do Santos
Fábio Carille, técnico do Santos Ivan Storti/Santos FC

Mas há alguns pontos a se analisar que podem explicar a tendência de queda do trabalho de JJ. O relacionamento dele com o elenco dava sinais de desgaste (dê um google que vocês vão encontrar matérias falando sobre isso). Vejam esse trecho de um texto publicado pelo jornal "Extra" em dezembro passado: "A despedida de Jesus ocorreu num momento de desgaste com alguns jogadores. Nomes como Bruno Henrique e Gabigol já não lidavam bem com seu rigor. Principalmente o camisa 9, que em 28 de junho abandonou um treino após as cobranças do treinador com um desabafo: 'Para mim, deu'. No dia seguinte, durante a exibição de vídeos do Boavista, então o próximo adversário, Jesus perguntou a Gabigol na frente do grupo se ele tinha algo a dizer. Primeiro, o atacante balançou a cabeça negativamente. Em seguida, emendou: 'Cada um sabe de si'. A reunião acabou ali, e o camisa 9 não foi relacionado para o jogo".

Jornalistas portugueses que eu conheço dizem isso quando o tema em questão está sendo discutido. O Mister, segundo eles, é um "pain in the ass" (ou pé-no-saco, em bom português) Foi assim em seus trabalhos no Benfica e no Sporting. No começo, tudo é uma maravilha, mas a sequência do trabalho é desgastante demais por conta do gênio (temperamento e não capacidade intelectual) do JJ.

Outro ponto a se considerar atende pelo nome de Odair Hellmann, então treinador do Flu. Ele sabia como enfrentar Jorge Jesus. Mesmo com um elenco absurdamente  inferior, ele apresentava dificuldades ao Flamengo, a ponto de evitar que os rubro-negros ganhassem os dois turnos do frágil Campeonato Carioca e ser campeão sem a necessidade (até então impensável) de dois jogos finais (o que aconteceu).

Quanto a Cuca, o treinador do Galo passou um turno invicto no Brasileiro. Seu Atlético foi dobrado ontem (17) pelo seu homônimo goianiense. Uma derrota depois de 17 partidas, onde teve aproveitamento de 76,5% (11 vitórias e seis empates) em jogos envolvendo Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Uma derrota e torcedores começam a questionar o trabalho de Cuca. Ora, faça-me o favor! Menos, ok?; menos. Não dá para jogar bem o tempo todo. Haverá percalços, ainda mais num futebol onde joga-se demais e treina-se de menos.

Cuca e Gaúcho podem não ser (e não são) um Guardiola, Klopp ou Tuchel. Mas por aqui eles fazem a diferença — e como! São muito acima da média — que é bem medíocre.

Brasileirão: Flamengo pressiona, mas não consegue furar o bloqueio do Cuiabá; veja os melhores momentos

Flamenguistas e atleticanos amanheceram esta segunda-feira (18) aos prantos. Nem todos, é bom dizer; alguns. E esses quaisquer não passam de crianças mimadas. São cheias de querer, querem porque querem ganhar todas as partidas; se não ganham, se debulham em lágrimas, feito crianças mimadas, torno a dizer.

Estão insatisfeitos com Renato Gaúcho e Cuca, crianças? Peguem o Carille. Eu o levo até vocês, embrulhado para presente — se bem que o Dia das Crianças já foi, mas tudo bem. Vocês, creio, entendem o que estou falando.




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O ódio a Neymar e a adoração a Gabigol

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Por que Neymar é tão odiado por grande parte do torcedor brasileiro? Quatro neurônios são suficientes para chegar-se à resposta.

Neymar é produto de um time que não tem mídia e de pouca torcida. Se ele tivesse sido criado num Flamengo ou num Corinthians, o barulho contra ele seria infinitamente menor. Esses dois times, por exemplo, tiveram ídolos na seleção brasileira que fizeram muito menos do que Neymar vem fazendo (uso o gerúndio porque a carreira dele ainda não acabou), mas que não foram cobrados, à época, do jeito que se cobra Neymar hoje. Neymar bate recordes na seleção, apresenta números melhores do que outros celebrados jogadores de times de mídia e de massa, mas seus feitos são ignorados. O que enrijece minha fundamentação é que, quando se fala dos números do atacante do Paris Saint Germain, a mídia e a torcida levam em conta apenas sua performance na Europa, esquecendo o que ele fez no Brasil — ou melhor, no Santos, que não é um queridinho da mídia — onde ele ganhou uma Libertadores, uma Recopa Sul-americana, uma Copa do Brasil, e três Paulistas num período de quatro anos. Poderia ter conquistado um Brasileiro se convocações da seleção não o tivessem tirado do Santos por inúmeras partidas. Neymar é um usuário contumaz das redes sociais e suas postagens desagradam essa parcela de torcedores, aqueles odiosos ociosos. E desagrada por quê? Simplesmente porque ele é produto de um time que é subestimado pela mídia esportiva e seus torcedores, como não são tantos assim se comparados aos queridinhos, não aparecem em número suficiente para defendê-lo, como se faz, por exemplo, com Gabriel Barbosa, de quem falarei agora para fundamentar ainda mais o que digo. Gabriel (que a partir de agora chamarei de Gabigol, pois assim ele é conhecido) é cria do Santos, é tão atuante quanto Neymar nas redes sociais, leva uma vida tão desregrada quanto, mas não sofre os ataques que o Ney Júnior sofre. Por que não sofre? Porque são 40 milhões de flamenguistas a defendê-lo e 40 milhões a menos de odiosos a atacá-lo. Se do pulo que Gabigol deu do Santos para a Europa não houvesse nenhum outro time mais, se na Inter ele ainda estivesse, ganhando títulos e fazendo gols (como ocorre no Flamengo), ele estaria sendo perseguido por essas pessoas de vidinha vazia que passam a maior parte do tempo inutilizando-se através das redes sociais. O jeitão de Gabigol desagrada o status quo tanto quanto o de Neymar, de quem ele, Gabigol, diga-se é "parça". Mas como ele, insisto, é jogador do Flamengo, tem por trás de si 40 milhões de brasileiros a defendê-lo, e dentre esses 40 milhões de fanáticos existe a parte da mídia flamenguista que o defende com unhas e dentes, defesa essa que influencia o comportamento desses 40 milhões, coisa que eles não fariam se Gabigol não passasse por um time de massa do futebol brasileiro. Gabigol não é um Menino do Ninho, ele é um Menino da Vila, mas isso pouco importa, pois hoje ele veste o manto da Nação e isso garante a ele uma imunidade que Neymar não tem, pois Neymar pulou do Santos para a Europa e não é produto do Terrão, por exemplo. Tivesse Neymar sido gerado no Ninho ou no Terrão, ou, tivesse Neymar batido da Europa e fracassasse, como Gabigol fracassou, tivesse ele voltado do Velho Continente para a Gávea ou para o Itaquerão, tudo seria diferente.

Já disse várias vezes que acho o cidadão Neymar um bobão. Idem para Gabigol.

Mas não é disso que eu trato nesse texto. Como falei na abertura deste roteiro, se você tiver quatro neurônios — não precisa mais do que quatro, porque tudinho está bem explicado — você entenderá do que esse texto trata.

Parça

Todo mundo falou e eu também vou surfar nessa onda: Raphinha fez uma partida notável ontem (14) com a camisa do Brasil. Fez dois do quarteto de tentos anotados pelo selecionado brasileiro (4 a 1 foi o placar final diante do freguês Uruguai, em Manaus). Mais do que isso: mostrou qualidade, mostrou que joga mais bola do que a maioria dos limitados jogadores que estão no time do técnico Tite, mostrou que pode ser o "parça" de Neymar dentro de campo.

Ninguém faz sucesso sozinho. Pelé precisou de Coutinho e Pepe; Messi precisou de Xavi, Iniesta, Neymar e Suarez; Cristiano Ronaldo de um punhado de jogadores que ao seu lado estiveram no Manchester United, Real Madrid e Juventus. Ninguém faz sucesso sozinho, acreditem.

Se daqui para frente Raphinha mantiver esse nível de jogo nas demais partidas do Brasil, "SE" ele mantiver, repito, o Brasil tem chance de ganhar a Copa no ano que vem. Neymar sempre foi uma estrela solitária no meio de estrelas cadentes. Parece que apareceu um John Lennon, pois Paul McCartney era o melhor Beatle, assim como Neymar é melhor que Raphinha, mas Raphinha pode ser o Lennon de Neymar, e Lennon, convenhamos, foi um gênio também — só não sei se Raphinha será um gênio, mas se ele já for um George Harrison vai ajudar pra cacete.

Raphinha e Neymar, pareceira que pode levar o Brasil ao título Mundial
Raphinha e Neymar, pareceira que pode levar o Brasil ao título Mundial Lucas Figueiredo/CBF

 

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O ódio a Neymar e a adoração a Gabigol

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