Cuca merece mais respeito dos torcedores

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Esse texto vai para aqueles torcedores corneteiros que pouco entendem de futebol, que olham para o resultado e nada mais. Torcedores corneteiros que mesmo com o resultado bem à  frente do nariz não conseguem enxergar o óbvio, pois fazem questão de cultivar a estupidez ao invés da acuidade.

Vou falar do técnico Cuca, que é tratado por essa camada atrevida como um qualquer. O neologismo "Cucabol" é o exemplo mais bem acabado dessa insciência.

Se o Atlético-MG vencer o Santos hoje (13) à noite no Mineirão, Cuca atingirá a marca de 240 vitórias no Brasileiro com o formato de pontos corridos. Com seus atuais 239 triunfos, ele já lidera a lista dos treinadores com mais vitórias no Brasileirão de pontos corridos. Na sequência, completando o Top 10, aparecem Vanderlei Luxemburgo (223), Muricy Ramalho (213), Renato Gaúcho (184), Dorival Júnior (171), Abel Braga (156), Tite (151), Mano Menezes (148), Celso Roth (141) e Marcelo Oliveira (128).

Atlético-MG e Santos proporcionaram jogo fantástico de seis gols em ano de título dos paulistas; relembre

Cuca tem uma Libertadores com o Atlético-MG (2013), um Brasileiro com o Palmeiras (2016) e cinco títulos estaduais. Mas uma de suas maiores façanhas como treinador não se traduziu em título: o vice-campeonato da Libertadores com o Santos, na temporada passada (2020), Santos que tinha um elenco nada mais do que mediano e que teve seu desempenho potencializado pelo treinador em questão, a ponto de o time ter deixado pelo caminho Boca Juniors e Grêmio, não esse Grêmio de hoje que está na rabeira do Brasileiro, aquele outro Grêmio que sempre chegava entre os melhores e ganhava títulos.

Cuca está com a mão no título Brasileiro deste ano. Poderia estar na final da Libertadores, mas o traiçoeiro futebol assim não o quis e o Palmeiras, que jogou por apenas uma bola nos dois jogos entre eles, encontrou-a e se classificou. Cuca está nas semifinais da Copa do Brasil (seu adversário é o surpreendente Fortaleza) e com boas chances de ganhar o torneio.

Mesmo com um cartel recente desses (faço questão de frisar o "recente", porque há muitos treinadores que vivem atualmente da fartura de conquistas passadas porque o presente é árido), mesmo assim, Cuca é tratado com desdém por esses torcedores entediantes, que fazem da destilação do ódio nas redes sociais combustível para suas vidinhas vazias.

 

Cuca tem o melhor desempenho entre todos os treinadores no Brasileiro
Cuca tem o melhor desempenho entre todos os treinadores no Brasileiro Pedro Souza / Atlético
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A imponência de um gigante chamado Palmeiras

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Com Deyverson 'herói improvável', Palmeiras é tricampeão da Libertadores; veja as melhores imagens da final


O Palmeiras foi gigante. Venceu um campeonato em que apenas palmeirenses acreditavam que fosse possível. Mesmo assim, diga-se, muitos achavam que não ia ser possível.

O Palmeiras foi gigante porque foi estrategista, enquanto seu adversário viveu na crença do país e de seus fanáticos torcedores de que era o melhor e que por isso venceria. Não venceu porque...

O Palmeiras foi gigante. Preparou-se para a decisão. Humildemente aceitou o fato de que era inferior ao seu adversário. Preparou-se assim, para reagir e não agir, pois agir significaria se expor e em se expondo, poderia ser derrotado. Não o foi porque foi inteligente.

O Palmeiras foi gigante porque seu técnico foi inteligente, ao contrário do técnico adversário. Abel Ferreira trouxe uma estratégia para o campo de jogo; enquanto o Renato Gaúcho não mostrou nada de novo, nenhuma surpresa, nenhuma nova cartada, acreditou apenas no potencial técnico de seus jogadores. Numa decisão dessa grandeza, era muito pouco — como o foi —, porque do outro lado estava Abel, o pensador, que pensou debruçou-se a estudar seu adversário e pensar em armadilhas para capturar o inimigo.

De Danilo a Deyverson: relembre TODOS os gols do Palmeiras na Libertadores 2021


O Palmeiras foi gigante. Não precisou torrar milhões de reais para encorpar-se ainda mais. Encorpou-se ainda mais por conta da inteligência de seu treinador e a dedicação obstinada de seus jogadores. Abel fechou os ouvidos àqueles que queriam isso e aquilo, que não se conformaram com o time reserva que entrou em campo para enfrentar (e perder) o São Paulo. Abel olhou para o presente, respeitou o passado, mas não se rendeu a paixão dos palmeirenses a Dudu, que jogaria para o time e não o time para ele, como sempre aconteceu antes da era Abel Ferreira. Dudu nunca foi o principal artista da companhia aos olhos do português. Por isso foi sacrificado e substituído na etapa final da final (Palmeiras 2 x 1 Flamengo, Palmeiras campeão da Libertadores), enquanto que Rony, que muitos não dão nada a ele, foi mantido em campo lutando, porque era preciso lutar, como lutou Gustavo Scarpa, que jogou de lateral-esquerdo (e não de ala, faço questão de frisar) ajudando a compor a linha de cinco, como Mayke que acabou titular no lugar de Marcos Rocha (suspenso) e tornou-se não apenas o lado direito da linha de cinco, mas também o desafogo quando era possível desafogar(lembram do primeiro gol?). E já que falei no Dudu, curvo-me à sua dedicação e humildade, abrindo mão de seu status de estrela aos olhos palmeirenses, para jogar lá atrás, fechando o lado direito da segunda linha, que às vezes era de três, às vezes de quatro, não comportando-se como uma prima donna, aceitando seu papel, que não era o principal, porque no Palmeiras de Abel ninguém tem papel principal; todos são importantes, como importante se tornou Raphael Veiga, até então um patinho feio que chegou bonito do Coritiba, que não foi aproveitado corretamente por nenhum outro treinador que passou pelo Alianz, e que por isso acabou sendo emprestado ao Athlético Paranaense, voltou ao Palmeiras, voltou a ser esquecido, até que Abel chegou, chegou para aflorar o talento de um talento que técnicos brasileiros não conseguiram enxergar.

Felipe Melo comemora a conquista da Libertadores pelo Palmeiras
Felipe Melo comemora a conquista da Libertadores pelo Palmeiras EFE/Raúl Martínez

O Palmeiras foi gigante, como gigante foi Gustavo Gómez, o melhor zagueiro paraguaio que eu vi atuar em mais de cinco décadas vendo o futebol. Jogou pelo lado direito (e não pela esquerda, como o faz habitualmente), porque a esquerda do Flamengo é que oferecia mais perigo. Deu suporte a Mayke (o reserva que se tornou titular, lembra-se?), fechou o setor e só não foi perfeito porque os cariocas fizeram seu gol por ali, mas isso não reduz em nada o gigantismo do paraguaio, o melhor zagueiro em atividade no Brasil. E tem a molecada da base, como esse Danilo, que corre sem se cansar, porque se comporta como um adulto que conhece todos os atalhos do campo, que chateia o adversário que tem a bola por conta de sua presença constante a importuná-lo, que sai feito um rojão de seu campo defensivo em direção ao ofensivo e pisa na área adversária normalmente desmarcado, pois quem tem que o marcar não sabe de suas qualidades e, quando descobre, não tem pernas para correr atrás dele. Dele e de Patrick de Paula, outro moleque porreta de bom, que desarma, arma, chuta, que não se entrega jamais.

O Palmeiras é gigante. É gigante porque teria muito mais pra falar e tornaria esse texto longuíssimo, mas não quero torrar mais a sua paciência, querido leitor, tomando ainda mais o seu tempo para encher ainda mais a bola (merecidamente) desse tricampeão da América.

O Palmeiras foi, é e sempre será gigante.

 

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A história de um menino branco que se apaixonou pelo preto

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Eu tinha uns cinco, seis anos, no máximo, quando o descobri. Só se falava dele. A sala de casa era onde mais se falava dele. Mas quando eu saía, ia para a rua, brincar ou acompanhar meu pai, onde a gente ia também praticamente só se falava dele.

Aos sete anos eu o vi pela primeira vez. Estava eu sentado num sofá no hall de entrada de um hotel de Bauru, interior de São Paulo, caderninho e uma caneta em punho, esperando que ele passasse e me desse um autógrafo. Eu já tinha conseguido alguns outros, mas era o dele que eu queria. Fiquei lá, incansável, esperando pela sua chegada. Até que ele apareceu. A porta do elevador se abriu e dele saiu aquele preto que estava todo de branco. Levantei rapidamente do sofá para ir em sua direção. Mas, aos sete anos, era um toquinho de gente, e fui engolido por uma floresta de pernas, daqueles outros que também só falavam dele e, assim como eu, estavam à espera dele. Para um autógrafo, um aperto de mão, um simples tocar ou então ser eternizado por uma Kodak Rio 400 (naquele tempo não havia celular e selfie era uma palavra que não existia no vocabulário de ninguém).

Pelé no milésimo gol, em 1969
Pelé no milésimo gol, em 1969 Getty Images

Pacientemente ele atendeu a todos. Apertou mãos, retribuiu toques nas costas ou ombros, tirou uma, duas, no máximo três fotos e autografou vários cadernos, inclusive o meu. Sim, ele me viu, perdido naquela floresta de pernas. Eu apenas olhei para ele; ele olhou para mim, assinou meu caderninho, devolveu minha caneta, sorriu e passou a mão na minha cabeça de cabelos pretos, escorridos, ao contrário do dele, que era também preto como o meu, mais era cabelo de preto, como o do meu amigo Ivo, filho do Porcino, vizinho de casa, com quem eu andava de bicicleta, jogava bolinha de gude e futebol, Ivo que também tinha um cabelo diferente do cabelo dos brancos, assim como ele, nem pior nem melhor, nem mais bonito ou mais feio, apenas diferente, assim como a cor da sua pele, da palma de sua mão, que eram mais escuras que as minhas. Pareciam mais bonitas; sim, eram mais bonitas, concluí; ou melhor, senti. E não tem nada nesse mundo que supere um sentimento.

Vê-lo foi uma sensação indescritível. Ter o seu autógrafo foi como ser reconhecido. Sentir sua mão na minha cabeça foi como uma benção.

Horas depois eu o vi novamente. Continuava todinho de branco, mas desta vez de calção e chuteiras. Meiões e uma camisa com o número 10. O contraste do preto com o branco o tornava ainda mais lindo, parecia transformá-lo em uma divindade, que contava com aquela esfera de couro marrom, que ele controlava com os pés, às vezes com a cabeça, para a consagração total.

Veja também "Reflexões" na ESPN:


Eles fez dois gols. Seu time venceu por 4 a 1 o time da minha cidade, por quem eu tinha um grande carinho, mas não tão grande quanto o meu amor por aquele time de maioria preta, que contrastava com o branco, que balizou minha vida daquele dia até os atuais.

Quem era o preto por quem eu estava apaixonado? Ora, é preciso dizer? Mas se você não faz a menor ideia eu digo: aquele preto encantador, que parou guerras, alertou governos para não se esquecer das crianças, que conquistou o mundo com sua genialidade, fez reis e rainhas a ele se curvarem, bateu recordes até hoje inigualáveis, aquele preto admirável atendia pelo nome de Pelé.

Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra é celebrado hoje no Brasil. Dia 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, o maior líder negro que lutou incansavelmente contra o sistema escravagista em nosso país, um sistema que ainda não desmoronou por completo, mas que, com luta e perseverança de todos nós, irá ruir completamente em algum momento.

Que não seja preciso esperar outros quatro séculos. Que esse esse muro que ainda existe na cabeça de muitos seja tombado rapidamente. Para isso é preciso que a gente se engaje, lute, todos nós, não importa a cor, pois assim como Pelé se fez rei andando de branco com uma bola de couro marrom em seus pés pretos, podemos concluir que essa é uma luta de cores em favor talvez — e por vários motivos —  da mais bela delas: a preta.


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Um crime foi cometido com uma criança na Vila Belmiro

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Bandidos, vagabundos, marginais, covardes, canalhas, pulhas, infames, patifes, pusilânimes. Escolha o(s) adjetivo(s) que você quiser. Tem mais, muito mais, pois a nossa língua é riquíssima, vasta de palavras. Escolha o(s) adjetivo(s) que você quiser para apontar o dedo para esses lazarentos de espírito que no domingo foram ameaçar um pai e seu filho de apenas nove anos, na Vila Belmiro, tudo porque o menino, o Bruninho, de apenas nove anos, repito, um garoto apaixonado por futebol, pediu e recebeu de presente a camisa do goleiro Jailson, do Palmeiras. Linda, diga-se, a atitude de Jaílson, que presenteou o garotinho. Parabéns, Jaílson — e meus pêsames para esses calhordas, de caráter apodrecido, que hostilizaram o pai de Bruninho e o Bruninho e fez polícia intervir para proteger os dois, pai e filho, como se fossem bandidos.

Inacreditável.

Agora, pasmem: nesta terça (9), Bruninho gravou um vídeo se desculpando. Desculpando-se do quê? De ser uma criança? De ter uma alma pura? De ter o coração de uma criança, um coração desprovido de maldade? A mesma maldade que invólucra meninos e meninas quando eles se tornam homens e mulheres e os transformam em seres abjetos, desprezíveis, vergonhosos, indignos, torpes, ignóbeis, abomináveis, repulsivos e repugnantes (tem mais, muito mais adjetivos, pois a nossa língua é riquíssima)?

Gabigol autografa camisa do Flamengo para Bruninho, torcedor mirim do Santos que foi hostilizado na Vila Belmiro

         
     

Vários jogadores estão mostrando sua indignação com o crime cometido contra Bruninho. Pelé demonstrou em suas redes sociais toda sua solidariedade ao garotinho, lembrando que ele próprio, jogador e torcedor do Santos, também teve um ídolo palmeirense, o centroavante Vavá, que foi seu companheiro na conquista do Mundial de 1958 na Suécia. Disse Pelé: "Bruninho, você não precisa pedir desculpas por ser apaixonado por futebol. Nosso esporte é lindo, mas seria melhor se todos torcedores tivessem o seu coração". Demais, não é mesmo?  Gabigol autografou uma camisa do Flamengo e mandou para Bruninho — a cena está disponível na Fla TV. Neymar mandou a seguinte mensagem ao torcedor mirim do Santos que idolatra Jaílson (qual o problema, vagabundos?): “Bruninho, você é gigante, menino. Que personalidade de fazer esse vídeo, coisa que nenhum babaca que te xingou tem coragem de meter a cara”. A mensagem de Neymar está em seu Instagram.

Bruninho encontrou a solidariedade de muitos, desde os mais famosos aos mais humildes, aqueles anônimos que também se comoveram com o que viram através do vídeo feito por outro torcedor que presenciou a cena repugnante.

A pergunta que fica, agora, é: o Santos vai fazer alguma coisa para descobrir quem são esses marginais que ameaçaram o pai do Bruninho e o próprio Bruninho? Isso não pode passar em branco. O Santos não pode se calar diante desse fato repugnante. O problema maior, pelo que apurei, é que não há câmeras de televisão no setor onde o fato ocorreu. As que existem talvez não tenham imagens conclusivas para a identificação dos meliantes, pois ficam longe. Mas o Santos não pode se dar por vencido por conta disso. Tem que descobrir quem são esses canalhas e bani-los para sempre da Vila Belmiro. Se forem sócios, expulsá-los do quadro associativo santista.

Aliás, temos que bani-los, isto sim, de nossa sociedade, pois estamos cansados, fartos desses animais. Estamos cansados desses marginais, pois eles nos impedem de levarmos uma vida tranquila, digna. Que nos nos impedem de encontramos a paz para viver e dormir. Infelizmente, o ser humano vem fracassando desde que esse mundo foi criado. Isso que aconteceu domingo (7) na Vila Belmiro não foi um sinal dos tempos. Sempre foi assim. O ser humano, lamentavelmente, tem se mostrado um enorme equívoco — com raras exceções.

Triste.

OBS: Bruninho foi convidado pelo Santos para ir ao vestiário antes do jogo de amanhã (10) contra o Bragantino. Entrará em campo com os jogadores. Ganhará uma camisa autografada. Isso eu apurei com uma pessoa dentro do clube. Perguntei, todavia, ao departamento de comunicação do Santos quais medidas serão tomadas para se identificar os bandidos e qual a punição o clube vai dar a eles. Até o momento em que publico esse texto não recebi qualquer resposta. Assim que tiver, atualizo o texto.

Bruninho com a camisa do Santos
Bruninho com a camisa do Santos Divulgação/Santos FC
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Conversa com um amigo vascaíno

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Bom dia, Fernando.
Tudo bem?
E o Vasco, inacreditável!
Mais um ano na Série B — ao que tudo indica.
Olha o potencial do Vasco!!!
Seu patrimônio físico e de títulos.
O tamanho de sua torcida.
Localizado na cidade mais charmosa e uma das mais ricas do Brasil.
Definha feito um time qualquer.
Como pode isso?!?!?!?!?!

Fala, Sormani!
Incrível!
Concordo com você.
Em nenhuma rodada o Vasco ficou no G4.

Tudo por conta de incompetentes, Fernando.
Tudo por conta de incompetentes que por lá passaram e presidiram o clube por anos.
Desgraçaram o Vasco.

Pura verdade, mas o presidente atual, Jorge Salgado, é um cara muito sério.
Deu azar.
Dois anos na Série B.
Salgado é um cara muito rico, trabalha anos no mercado financeiro.
Dono de corretora.
É de família portuguesa rica.
Fez fortuna no mercado financeiro.
Peladeiro e vascaíno fanático desde sempre.
Mas errou nos treinadores e montagem de elenco.
Na Série B você tem que ter treinador de Série A.
Mas o cara tem administrado bem o Vasco.
Arrumou uns patrocínios bons.
Estamos com a camisa mais valorizada em termos de patrocínio do que quando estávamos na Série A.

Sabe o que eu acho, Fernando?
Presidente tem que fazer isso: cuidar do administrativo.
Não tem que montar time.
Tem que contratar um especialista no assunto pra fazer isso.
De preferência um ex-boleiro.
São raros os casos que não-boleiros conseguem montar times.
Quem contratou no Vasco?
Alexandre Pássaro.
Ex-boleiro?
Não.

Concordo com você, Sormani.
É mais um dândi no futebol.
Cheio de cursos aqui e ali, intercâmbios na Europa, especialização em Harvard.
Fala várias línguas.
Mas eu te pergunto: fala a língua do boleiro?

Pois é, se não for ex-boleiro, tem que ser como o Marcos Braz.
O Braz domina o vestiário.
Fala o que os boleiros entendem.
Entende os boleiros.

O Vasco é uma zona, Sormani.
A eleição do Vasco ficou sub judice mais de um ano.
Dois grupos reivindicando a presidência.
Clube muito dividido politicamente.
Uma zona, como eu falei.

***

E fomos, Fernando e eu, conversando sobre o Vasco, Vasco por quem o coração dele palpita. Por isso, ele, todo choroso, foi reclamando da situação, reclamando de jogadores que não poderiam vestir a camisa do Gigante da Colina, que tanto me marcou na infância, seja ela a branca ou a preta, mas eu gostava da meia toda zebrada. Era imponente, chamava a atenção. Fernando me falou: "Do time atual eu deixava o Vovô (Nenê) e o Cano. E o Riquelme e outros da base. Pra sair? Pra ontem: Marquinhos Gabriel, Zeca, Andrey e Vanderlei".

E fomos, Fernando e eu, conversando pelo WhatsApp, quando poderíamos estar numa mesa de bar, num ponto qualquer do Rio, de frente para o mar, bebericando uma cerveja, aproveitando a atmosfera da cidade.  Conversando, conversando, conversando.

Foi então que eu me dei conta de que a nossa conversa tinha acabado de me remeter a uma das mais belas canções da MPB: "Amigo É Pra Essas Coisas". Uma conversa de bar entre dois amigos, um que se deu bem na vida e o outro, lastimoso, reclamando dos percalços da vida e do infortúnio no amor.

Uma letra belíssima de Aldir Blanc. Um vascaíno que nos foi tirado recentemente por esse vírus maldito e que, se aqui estivesse, estaria sofrendo como se Rosa fosse o amor de sua vida.

Breiller defende Cano mesmo após pênalti perdido contra o Guarani: 'O Vasco estaria pior sem ele'





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Ah se tivesse vencido o Fluminense...

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Os torcedores do Flamengo devem ainda estar se martirizando por conta da derrota por 3 a 1 de sábado passado (23) no Maracanã diante do Fluminense. Derrota para um time que, quatro dias depois, esteve na Vila Belmiro e foi batido pelo Santos por 2 a 0, Santos que se encontrava na zona do rebaixamento do campeonato e que havia vencido uma das últimas quinze partidas!

Os rubro-negros não digeriram ainda o revés diante dos tricolores. Claro que ele está comemorando a vitória deste sábado (30) frente ao Atlético Mineiro (1 a 0) no mesmo Maracanã onde foi derrotado uma semana antes. Claro que comemora. Comemora porque vitória é vitória (quem gosta de perder?), porque tira o time de um incômodo jejum de quatro jogos sem vencer (duas derrotas e dois empates), porque dá alento para o futuro (decisão da Libertadores), porque melhora o astral do vestiário do time (leia-se Renato Gaúcho).

Mas que o torcedor ainda não digeriu a derrota para o Fluminense, isso não digeriu.

Encalço

Se o Flamengo tivesse batido o Fluminense (e essa era a lógica), descontando os jogos atrasados (vencendo-os, é claro), ficaria a apenas um ponto do líder. E isso colocaria muita pressão nos mineiros, um time que não está acostumado a conquistar títulos importantes. A história do Galo diz isso.

De todo o modo, a vitória deste sábado por 1 a 0 (gol do Michael), pode colocar fogo no campeonato, como disse o Antero Greco em seu blog (leia aqui). Pode, repito. E só vai colocar se o Galo ratear nos próximos jogos. Mas não é esse o perfil desse time. Todas as vezes que foi colocado nas cordas, os mineiros souberam reagir e construíram vitórias importantes. O ponto fora da curva foi a eliminação para o Palmeiras na Libertadores, uma injusta eliminação, diga-se, pois o time perdeu para o regulamento e não para o Palmeiras.

A tabela do Atlético não é nada complicada. Seus próximos três jogos serão em casa: Grêmio, América e Corinthians. Depois sai para enfrentar Bahia e Athlético-PR, que estará a quatro dias da decisão da Sul-americana e deve jogar com um time reserva. Depois recebe o Juventude, sai para enfrentar o Palmeiras (que estará a três dias da final da Libertadores; time reserva, óbvio), recebe Fluminense e Bragantino e encerra o campeonato jogando em Porto Alegre contra o Grêmio, que pode já estar rebaixado.

Seria uma tabela incômoda se Athlético-PR e Palmeiras estivessem focados no Brasileiro, mas não estarão. No Corinthians eu não confio. Resta o Bragantino. Fora de casa tem ainda o Bahia, que faz uma campanha melancólica.

O Atlético é o melhor time do Brasil no momento, mas que o calendário, que mistura competições, ajuda, isso ajuda.

Atlético só perde esse Brasileiro para ele mesmo.

Michael comemora gol da vitória do Flamengo
Michael comemora gol da vitória do Flamengo Gilvan de Souza/Flamengo

Perseguição

Dos onze jogos que o Flamengo terá até o fim do campeonato, cinco serão em casa: Atlético-GO, Bahia, Corinthians, Ceará e Santos. O único que pode criar algum problema (teoricamente, é bom dizer) é o Corinthians — embora eu não confie no Corinthians, como disse acima. Os demais são ganháveis, sem muito esforço.

Fora de casa o rubro-negro pega Athlético-PR, Chapecoense, São Paulo (reencontro com Rogério Ceni), Internacional, Sport e encerra sua participação contra o Atlético, em Goiânia. Tabela chata (leia-se São Paulo e Inter); digo chata porque o Flamengo, se quiser ser tri, não poderá perder mais ponto algum.

Ah se tivesse vencido o Fluminense...

Celeuma

Carlos Sartori, outro blogueiro da ESPN, causou um tumulto danado em seu texto recente onde ele defende a titularidade de Michael no Flamengo (leia aqui). Ótima discussão: Michael tem de ser mesmo titular desse time do Flamengo? Se sim, no lugar de quem?

Minha resposta: sim, Michael tem que ser titular neste momento.

No lugar de quem? Éverton Ribeiro.

Um amigo, na manhã deste domingo, flamenguista fanático, mandou-me a seguinte mensagem (entre tantas outras): "Pra vc ver o que é o futebol: Carille é campeão Brasileiro. É aquilo de estar no lugar certo no momento certo. Por isso que o E.Ribeiro é tetracampeão brasileiro".

Exagero dele? De jeito nenhum — penso eu.

E meu amigo completou: "Tem gente que nasceu com sorte de estar nos momentos certos em várias ocasiões da vida".

Perfeito.

Por isso, defendo a titularidade do Michael na vaga do Éverton Ribeiro. O tetracampeão brasileiro é um sortudo — embora tenha suas qualidades como jogador, obviamente; ele não é um zero à esquerda —, mas está longe de ser um jogador de seleção, coisa que ele é porque o técnico da seleção chama-se Tite.

Eu formaria o Flamengo, do meio para frente, desta maneira, neste momento: Arão e Andreas Pereira, com Arrascaeta (quando voltar) à frente deles, com liberdade de movimentação, e na frente Michael, Gabriel (Gabigol) e Bruno Henrique. Perde na marcação?; não creio, pois jogadores de hoje têm que ajudar quando não têm a bola. Perde na armação?; não creio, pois isso daria liberdade para Felipe Luís fechar e compor o meio-campo, numa movimentação que levaria naturalmente Arrascaeta para a esquerda (onde ele mais gosta de estar) para tabelar com Bruno Henrique, que também gosta de espaço (leia-se isolamento) para suas arrancadas estrondosas, que nem animal aguenta, como diz o João Guilherme, narrador da ESPN.

Gostaram do time que eu montei?

Vidro

Rodrigo Caio é um ótimo zagueiro, mas, infelizmente, é de vidro. Machuca-se demais. Por conta disso, não dá para confiar nele uma temporada toda. O Flamengo precisa urgentemente de dois beques: um central e um quarto-zagueiro. Esse é o calcanhar de Aquiles do Flamengo, muito mais do que Renato Gaúcho.

Reclamos

Jogadores do Atlético deixaram o gramado do Maracanã reclamando da cera do goleiro Diego Alves do Flamengo. Choro de perdedor? Depende do que se pretende ao discutir a questão. Reclamação por reclamação nada mais é do que choro de perdedor. Mas iniciar uma campanha para acabar com essas farsas que existem em campo (jogadores simulando lesões para ganhar tempo e impedir ataques adversários; demora na reposição da bola), isso é válido.

Mas é bom dizer que o que o Flamengo, na figura do Diego Alves, fez ontem nada mais é que um apêndice de um órgão doente, infectado por jogadores malandros que acham que ser malandro é ser esperto. Os que riram ontem vão chorar amanhã; os que choraram ontem vão rir amanhã.

Todos fazem isso. Portanto, nada a reclamar. Tampo os ouvidos para esses reclamos.

A menos que os jogadores estejam amadurecendo e queiram acabar com a malandragem.

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Apesar de Carille, Santos bate o Athletico e se distancia do Z4

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Santos teve dois adversários neste sábado (30) em Curitiba: o Athletico e Fábio Carille.

O técnico santista quase evitou que o time conseguisse sua segunda (e primeira) vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro. O Santos vencia o Athlético por 1 a 0 quando ele tirou de campo o atacante Diego Tardelli, que mais uma vez fazia uma grande partida. Carille fez o mesmo diante do Fluminense e Tardelli, na coletiva, depois do jogo, disse que não queria ter saído; ou seja, sentia-se em condições de ter continuado no jogo. Repetiu a dose no Paraná para colocar Raniel, que está visivelmente fora de forma e de ritmo de jogo. Isso aconteceu aos 26 minutos do segundo tempo, quando inexplicavelmente ele sacou um jogador que vinha jogando muito bem, combatendo a saída de bola adversária, deslocando-se à frente e servindo de opção de passe para os companheiros, protegendo bem a bola quando a tinha sob domínio, ajudando na defesa e impecável nos passes. Inexplicavelmente, repito, Tardelli saiu para a entrada de Raniel, que já foi analisado acima. Com esta alteração, o Santos passou a jogar com um a menos, pois Raniel não fez absolutamente nada: não conseguia controlar a bola que era-lhe entregue e não combatia os adversários quando era necessário.

Mas não ficou por aí: seis minutos depois, Carille aprontou mais uma: tirou o melhor jogador da partida, Marcos Guilherme, para a entrada do irreconhecível Carlos Sánchez, que nem de longe lembra aquele atleta que tornou-se ídolo de muitos torcedores. O uruguaio, assim como Raniel, está ausente dos jogos, infelizmente. Não marca, erra passes bobos, está lento; enfim, um a menos, assim como Raniel.

Em outras palavras, o Santos terminou a partida com nove jogadores defendendo incansavelmente a meta, evitando que os paranaenses empatassem e, quem sabe, virassem o jogo. Terminou com nove porque Raniel e Sánchez, torno a dizer, foram duas negações enquanto estiveram em campo.

Mesmo assim, o Santos venceu por 1 a 0.

Santos supera Athletico-PR no Campeonato Brasileiro
Santos supera Athletico-PR no Campeonato Brasileiro Ivan Storti/Santos

Sacadas

Fábio Carille também tem feito coisas boas, reconheço.

A colocação do zagueiro Robson para formar a trinca de beques ao lado de Danilo Boza e Emiliano Velázquez foi uma grande sacada do treinador. Deixar Marcos Guilherme solto também deu agilidade e opção ao time. E Lucas Braga, sem a bola, como lateral-esquerdo, também foi igualmente de bom entendimento. Outra coisa: ala é ala; ou seja, quando tem lateral, quem bate é o zagueiro da beirada e o ala serve de opção de recebimento da bola, ao contrário do que se vê no Brasil. Esta foi outra boa decisão de Carille.

Só resta agora a Carille não fazer bobagens com o jogo em andamento.

Tabela

Com a vitória e os resultados das outras partidas do sábado, o Santos foi nanar na 11ª colocação do Campeonato Brasileiro com 35 pontos ganhos, a cinco da zona do rebaixamento. Há duas rodadas, estava na 17ª posição, dentro do Z4.

O que duas vitórias não fazem...

Duas vitórias que foram conquistadas desde o debute de Edu Dracena como o executivo de futebol do Santos. Coincidência? Não creio. Elas são fruto da intervenção de Dracena no dia-a-dia do Santos. Ele esteve em Curitiba, junto com a delegação, dando-lhes apoio em todos os sentidos. Conversou com Carille e com os jogadores, contou-lhes histórias com finais felizes de seus tempos como jogador e o resultado final deixou a todos felizes.

O melhor

Há quem defenda João Paulo como o melhor jogador do Santos (e da partida) na vitória de 1 a 0 sobre o Athlético em Curitiba, mas eu fico com Marcos Guilherme. O baixinho fez de tudo enquanto esteve em campo. Pressionou a saída de bola do adversário, fez a saída de bola do Santos, apareceu nas duas beiradas, pelo meio e foi quem melhor surgiu como opção de passe para seus companheiros. Foi dele a assistência para Madson fazer o gol da vitória aos 4 minutos do segundo tempo.

Marcos Guilherme, o melhor em campo.

Goleador

Madson, mais uma vez, fez gol.

Na época de Fernando Diniz, era reserva de Pará. Com Fábio Carille, jogou até no sub-23, com a desculpa de que precisava recuperar o ritmo de jogo. Isso aconteceu diante do São Bernardo, pela Copa Paulista, no empate em 1 a 1 na Vila Belmiro. O lateral foi substituído aos 26 minutos da etapa final e deixou claro que estava em condições de jogar no time principal. Dois dias depois, o Santos entrou em campo para enfrentar o São Paulo, no Morumbi, e Carille preferiu improvisar Marcos Guilherme na posição. Nem sequer no banco Madson foi relacionado. Depois ficou no banco contra Grêmio, Atlético-MG, Sport e América-MG. Voltou a ser titular diante do Fluminense, quando marcou o primeiro gol e deu a assistência para Tardelli fazer o tento da vitória de 2 a 0 sobre os cariocas. Foi mantido no time principal no triunfo desse sábado diante do Furacão, em Curitiba. Foi dele, como já mencionei, o gol da vitória santista.

Vicente Matheus, inesquecível e folclórico presidente do Corinthians na década de 1970, costumava dizer: "Técnico não ganha jogo, mas perde". Carille tem atrapalhado, mas não está conseguindo derrotar o Santos.

Dicotomia

O que duas vitórias não fazem...

O Santos estava ameaçado de rebaixamento. Agora, ameaça aqueles que brigam por uma vaga na Libertadores. Se ganhar do Palmeiras, domingo próximo  (7) na Vila Belmiro, sonhar com uma vaga na fase inicial do mais importante torneio das Américas não será maluquice alguma. Para que isso seja possível, será muito importante que os torcedores continuem fazendo o que vêm fazendo: apoiando o time incondicionalmente e comprando todos os ingressos que foram disponibilizados. Ao que tudo indica, 100% da capacidade total estará liberado pela CBF para o jogo de domingo próximo.

Que a Vila Belmiro justifique, uma vez mais, o apelido e a fama de alçapão.

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Edu Dracena começa a arrumar a casa no Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Finalmente, depois de muito tempo, o torcedor do Santos teve uma ótima noite de sono. Dormiu bem. Com certeza deitou-se e as imagens do jogo serviram como os carneirinhos pulando a cerca, que as crianças, na literatura infantil, ficam contando até dormir.

Pela primeira vez nesta temporada o Santos jogou bem. E por isso bateu o Fluminense, ontem (27), na Vila Belmiro por 2 a 0, saindo, com isso, da zona do rebaixamento, que não é o lugar onde um time da envergadura do Santos deve figurar. Jamais. O Peixe pertence a outra parte da tabela, aquela que fica bem mais acima, onde os times que lá se encontram brigam por títulos.

Infelizmente, nesta temporada, tem sido assim. Assim o foi no Campeonato Paulista (um alerta ignorado pelo virgem presidente Andrés Rueda) e repete-se no Brasileiro. Mas, uma contratação, uma simples contratação, mas pontual e bem feita, começa a mudar tudo isso.

Edu Dracena

O ex-capitão santista, que levantou seis taças em sua passagem de cinco anos pela Vila Belmiro (entre elas a Copa do Brasil e a Libertadores), chegou e começou a arrumar a casa. O que pertencia aos quartos, lá foram colocados; decorações da sala estavam na cozinha; e a geladeira ficava aberta, desnecessariamente, gastando energia e estragando alimentos. Enfim, uma zona.

Dracena chegou, viu o caos estabelecido, chamou a todos e explicou como cada compartimento tem que estar e funcionar. Seus comandados, impressionados com sua estatura (não falo de seu 1,87 m, falo de sua experiência, liderança e inteligência), ouviram. Ouviram atentamente e fizeram tudo o que o icônico ex-jogador santista mandou fazer. Fizeram e tudo deu certo.

Quando eu falo "seus comandados", refiro-me a todos, jogadores, comissão técnica, departamento médico e administração — entenda-se presidente e seu Conselho Gestor.

Antes de Dracena, essas pessoas olhavam para André Mazzuco e Jorge Andrade de cima para baixo. Agora elas olham Dracena de baixo para cima. Faz muita diferença.

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De gala

A atuação do lateral-direito Madson (que as pessoas chamam de ala quando um time atua com três zagueiros, e foi assim que o Santos jogou ontem) foi de gala. Fez o primeiro gol, deu assistência para Tardelli debutar nas redes adversárias com a camisa santista, cabeceou uma bola que depois da defesa do goleiro do Fluminense, Marcos Felipe, acabou batendo no travessão, marcou muito bem quem apareceu pelo seu setor e foi referência em campo.

Jogou como havia muito tempo não jogava. O melhor do time.

Madson comemorando gol pelo Santos
Madson comemorando gol pelo Santos Ivan Storti/Santos FC

Fase ajuda

Quando as coisas estão dando certo, tudo dá certo. Estranho o que escrevi? Pode parecer que sim, mas refiro-me ao atacante Ângelo — e vocês vão entender.

O menino da Vila, que é tratado como uma nova joia por entusiasmados torcedores, entrou muito bem no jogo de ontem. E por que jogou bem? Simples, porque tudo dava certo para o Santos. Consequentemente, tudo deu certo para ele. Por isso escrevi que quando as coisas estão dando certo (para o time), tudo dá certo (Ângelo).

Poderia ter terminado o jogo com uma assistência se o atacante Raniel fosse um pouco mais rápido do que foi. Perto do fim do jogo, Ângelo enfileirou marcadores pela direita, cruzou na medida para Raniel, que não chegou inteiro na bola por conta, talvez, de sua grande inatividade, motivada por uma série de problemas de saúde que ele vem vivendo nos últimos tempos.

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Rumo certo

Se a amostra de ontem for a forma na qual o time vai produzir seu futebol daqui para frente, o Santos não cai. Os resultados, na maioria das vezes, são reflexos da produção do time em campo. A vitória contra o Grêmio foi adquirida com as calças nas mãos, por isso não houve sequência. A de ontem foi conquistada com qualidade, com desempenho.

Por isso eu disse que se o desempenho do Santos de ontem for o que ele vai apresentar daqui para frente, não cai. Pode até perder (e isso deve ocorrer por conta da árdua tabela nos próximos jogos), mas vai ter um aproveitamento na casa dos 50% e não dos 30% como estava tendo.

Com 50% de aproveitamento até o final do campeonato, escapa do rebaixamento.

Perspectiva

O Santos sempre olhou seus adversários de cima para baixo. Olhava de baixo para cima porque a casa estava toda desarrumada.

Edu Dracena levou escadas para os jogadores e comissão técnica subirem e terem a oportunidade de olhar lá de cima para o cenário abaixo. Eles precisam de escadas porque não têm altura para olhar naturalmente os oponentes de cima para baixo. Hoje esta é a situação. Se eles vão crescer e dispensar a escada, só o tempo dirá. O importante é saber se alimentar, mas quem escolhe a comida é quem a coloca no prato. Os jogadores têm que saber selecionar o que comem.

Dracena mostrou o cardápio. Ontem todos se alimentaram bem. E o resultado veio.

Como será daqui para frente? Como eu disse, depende muito de qual garfo e colher você vai pegar para escolher o alimento certo para colocar no prato.



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Edu Dracena se apresenta no Santos nesta quarta-feira e lutará contra o tempo

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Edu Dracena se apresenta nesta quarta-feira pela manhã (27) no Santos. Ele será, a partir de agora, o responsável pelo futebol do clube. No organograma, o executivo de futebol em substituição a André Mazzuco, que foi demitido nesta terça-feira (26). Junto com ele sai também Jorge Andrade, que ocupava o cargo de gerente de esportes, que ficará vago. E não há mesmo necessidade alguma de se contratar outra pessoa para esta gerência, uma vez que o clube está em estado de pobreza, como todos sabem. Economizar em tempo bicudos é sempre bom.

Dracena vai cuidar do que precisa ser cuidado, mas, é claro, vai sentir a situação para dar seus primeiros passos. Nesta quarta-feira, dividirá seu tempo com jogadores e comissão técnica, que estão concentrados no CT. Vai também se reunir com o presidente Andrés Rueda e membros do Conselho Gestor.  À noite estará na Vila Belmiro para assistir o jogo contra o Fluminense, às 19h.

Como disse no texto de ontem, repito agora: Dracena não chegará tomando decisões drásticas — até porque elas já foram tomadas por Rueda com as demissões de Mazzuco e Andrade.

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Opinião

A partir de agora, não informo mais, a partir de agora eu vou opinar. Vamos lá, então...

Na minha opinião (repito, é minha opinião e não informação), Dracena deveria trocar o técnico Fábio Carille. A fragilidade tática do Santos é assustadora. O time já é ruim, pois os jogadores em sua grande maioria são fracos tecnicamente. Sendo assim, quando você junta um técnico ruim com jogadores ruins, a coisa fica pior ainda. É o caso.

A performance de Carille no Santos é desprezível. Em nove partidas, obteve apenas uma vitória. Perdeu quatro jogos e empatou outros quatro. Desempenho de medíocres 25,9%. A defesa (que diziam ser especialidade de Carille) sofreu dez gols (média de mais de um gol por jogo) e o ataque (que sempre foi o cartão de visitas do Santos) anotou apenas três (um funcionamento infame, de constranger até mesmo o mais tolerante de todos os tolerantes torcedores).

O Santos em campo não pode ser qualificado nem mesmo como um bando, pois um bando tem objetivos, por mais perniciosos que sejam. O Santos de Carille é uma ameba, pois não faz mal a ninguém. Não existe.

Não sei até que ponto Dracena, que trabalhou com Carille no Corinthians, pode ajudar o treinador a mudar este cenário desolador. Até porque não é função do executivo de futebol treinar e escalar o time. Dracena tem que pensar em outras coisas também. Quem tem que fazer isso é Fábio Carille. É claro, como disse no texto passado, que Dracena estará o tempo todo com todos. Estará no CT antes, durante e depois dos treinamentos. Estará nos vestiário antes, durante e depois das partidas. Isso será importante, pois uma coisa era o grupo e a comissão técnica olhar para André Mazzuco; outra coisa é olhar para Edu Dracena. Mas ele não vai treinar o time e nem escalá-lo. E nem dirigi-lo nos jogos. Isso é com Carille.

Você confia no Carille? Nem eu.

Tempo

Como tenho dito, ainda dá tempo. Como Carille vai dirigir o time nesta quarta-feira contra o Fluminense, não faltarão mais onze jogos para evitar o inédito e embaraçoso rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro. Faltarão, depois que o jogo contra o Fluminense acabar, dez jogos. Mas ainda dá tempo.

E tempo é o que Dracena precisa para sentir o ambiente. Mas não terá o tempo necessário para isso. Terá que ser rápido. Terá que ser cirúrgico. Isso porque Andrés Rueda e seus pares de Conselho Gestor, esperaram 27 (na verdade 28) rodadas para tomar uma decisão que deveria ter sido tomada assim que o Campeonato Paulista terminou e o Santos se livrou do rebaixamento (isso mesmo, rebaixamento no Campeonato Paulista!) na última rodada. Rueda e seus pares de CG demoraram 28 rodadas ou quase seis meses para agir, para tomar uma atitude contra o desgraçamento em que o time se encontrava e era visível a todos.

Não foi por falta de aviso. Este blog e vários outros jornalistas alertavam Rueda para o absurdo de se ter como braço direito Jorge Andrade e André Mazzuco. Agora eles correm contra o tempo.

Edu Dracena na Academia de Futebol
Edu Dracena na Academia de Futebol Cesar Greco/SE Palmeiras
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Edu Dracena se apresenta no Santos nesta quarta-feira e lutará contra o tempo

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Rueda começa a se mexer e convida Edu Dracena para gerenciar o futebol do Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Santos começa a se mexer para evitar a humilhação de um rebaixamento inédito para Série B do Campeonato Brasileiro. Edu Dracena, capitão em conquistas importantes como a  Copa do Brasil (2010) e Libertadores (2011), foi convidado  para gerenciar todo o futebol do clube, especial e principalmente o profissional. Edu ficará abaixo apenas do presidente Andrés Rueda que, contando também com a aprovação do Conselho Gestor, fez o convite e deu carta branca ao ex-jogador santista para fazer o que ele entender necessário para arrumar a casa.

O convite foi feito na tarde de ontem, segunda-feira (25), através de uma vídeo conferência. Dela participaram Rueda e os membros do CG. Edu Dracena deve responder ainda hoje, terça-feira (26)  se aceita ou não. A tendência é ele dizer sim. 

O presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, está ciente do convite santista, pois Dracena, que atualmente ocupa o cargo de assessor técnico no time alviverde, disse a Rueda que antes de iniciar qualquer conversação que ele deveria ligar ao comandante palmeirense. Rueda ligou e as negociações começaram.

Será o primeiro e talvez um dos mais importantes passos dados pela atual gestão santista para tentar corrigir erros grotescos e amadores que foram cometidos ao longo deste ano. Edu é um profissional sério. Sua carreira fala por ele. Foi capitão de todos os times por onde passou. Capitão e campeão. É um vencedor. Tem liderança. E é de gente assim que o Santos precisa. Com esse carisma. Mas não apenas vencedores, mas vencedores que saibam o que significa a marca Santos Futebol Clube. Edu sabe muito bem o que ela representa.

Veja também:

Seu trabalho não será apenas gerencial. Edu vai por a mão na massa. Estará todos os dias no CT. Estará ao lado do time em todos os jogos. Estará no vestiário antes, durante e depois das partidas. Disponibilizará aos jogadores e comissão técnica toda a sua experiência e liderança que o marcaram por todo esse tempo que ele vem vivendo no futebol.

Edu sabe muito bem que do jeito que está a tarefa será árdua para evitar o rebaixamento. Portanto, se ele disser "sim" ao convite santista, assumirá tomando algumas decisões. Mas para isso ele vai sentir o elenco e saber como ele está. Conversará igualmente com o técnico Fábio Carille e sua comissão técnica. Vai medir a temperatura no vestiário e nos bastidores para saber o que primeiro terá de fazer.

Agora é aguardar o passar das horas e esperar pela resposta de Edu Dracena. Como disse acima, a tendência é que ele aceite o convite. Pena que ele veio com um certo atraso. Mas, como diz o velho ditado, antes tarde do que nunca.

Ainda dá tempo: faltam onze rodadas para o final do campeonato. Os resultados dos dois jogos desta segunda-feira ajudaram o Santos: derrotas de Grêmio (0 a 2 para o Atlético-GO) e Sport (1 a 2 para o Palmeiras). Tomara que seja um presságio de que tudo vai começar a mudar.

Os resultados, o convite e o sim.

Edu Dracena comemora seu gol contra o Vasco, na Vila Belmiro
Edu Dracena comemora seu gol contra o Vasco, na Vila Belmiro Gazeta Press
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Ainda dá tempo, mas é preciso que Rueda tire a bunda da cadeira e demita Fábio Carille

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Bahia bateu a Chapecoense (3 a 0) na noite deste domingo (24), saltou para a 15ª posição e empurrou o Santos para a zona do rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Nesta segunda-feira (25), o Grêmio joga em Goiânia contra o Atlético e o Sport vai a São Paulo enfrentar o Palmeiras. Se ambos ganharem, jogam o Santos para a penúltima colocação do campeonato.

A situação é dramática — mas faltam ainda onze rodadas. Dá para escapar da humilhação do rebaixamento, que seria inédito na história santista.

Dá pra escapar se quem dirige o clube tirar a bunda da cadeira, deixar de ser omisso e ir para o vestiário e sentir o cheiro do suor dos jogadores. Ver os uniformes fedorentos jogados no chão, olhar para as chuteiras esfoladas, as ataduras e esparadrapos esgarçados caídos num canto e constatar que as toalhas umedecidas que enxugaram os corpos dos atletas servem de tapete para eles se trocarem. E, principalmente, ser tomado pelo silêncio constrangedor do vestiário que se mistura ao vapor da água quente que cai dos chuveiros. Assim é um vestiário de um time perdedor e desesperado. Assim é o vestiário do Santos nos últimos tempos. Assim foi depois da derrota de sábado, em plena Vila Belmiro, diante do América-MG (2 a 0), quando todos esperavam pelos três pontos que dariam ao time um respiro na tabela de classificação e aos jogadores e à comissão técnica confiança para seguir o trabalho. Mas a vitória não veio; pior do que isso: o que apareceu foi uma derrota para um time que, assim como o Santos, briga para não ser rebaixado.

Fabio Carille durante treinamento do Santos
Fabio Carille durante treinamento do Santos Ivan Storti/Flickr/Santos F.C.

Andrés Rueda, o presidente do Santos, tem que tirar a bunda da cadeira e ir para o vestiário depois dos jogos. Mas ele não vai. Aliás, nunca foi. Se fosse, veria um aposento lúgubre. Rueda nunca molhou seus sapatos no chão alagado e úmido do vestiário para conversar com os jogadores, para procurar saber o que está acontecendo. Rueda parece não se sentir confortável naquele ambiente. Deve preferir o conforto de sua sala no segundo andar do centenário Urbano Caldeira, sentado em sua cadeira de presidente, onde ele dribla o suor por conta do ar-condicionado que funciona a todo o vapor, evitando que o sexagenário comandante do clube sue em bicas por conta do calor que sufoca Santos nesta época do ano.

O calor que sufoca Santos Rueda consegue driblar, o que ele não está sabendo driblar é a sufocante situação do Santos.

A impressão que dá é que Rueda pensa apenas nos números, mas não é apenas assim que se dirige um clube de futebol. Não se pode olhar apenas para os números e dar as costas para o time. Como disse, ainda dá tempo; faltam onze rodadas. São 33 pontos em disputa. O Santos tem 29 neste momento. Se conseguir meio ponto a mais do que a metade deles (17), escapa do rebaixamento. Chega a 46 e, segundo os matemáticos, com essa pontuação não cai.

O que fazer para isso acontecer? Ninguém tem a fórmula exata; todos dão sugestões imaginando o melhor para o clube. A minha? Demitir imediatamente o técnico Fábio Carille. Sim, sim, eu sei que dois outros treinadores já passaram pelo clube e nada fizeram, muito provavelmente por conta do elenco fraquíssimo — talvez o pior da história riquíssima do Santos. Mas não dá para trocar o elenco — e mesmo que fosse possível, seria impossível porque não há dinheiro para isso. Então, algo tem que ser feito. Que se demita Carille, porque ele não consegue fazer nada, absolutamente nada, para tornar o time competitivo. De seus nove jogos dirigindo o time, consequiu apenas uma vitória, quatro empates e quatro derrotas. Um aproveitamento trágico de 25,9%. Três gols marcados e dez sofridos. Nunca esperei nada do Carille, mas não imaginei que fosse ser tão assustador assim. Carille não conhece o básico do futebol. Escala mal, mexe mal e deve treinar mal também. Um desastre.

O que se comentou depois da derrota para o América é que Carille entregou o cargo. Não é verdade; fontes seguras me disseram que ele não jogou a toalha. Ele, provavelmente, ensimesmado, completamente desarticulado da realidade, deve imaginar que pode tirar o Santos dessa situação. Não acredito.  O futuro do Santos está nas mãos de Andrés Rueda. Dele e de seu Comitê Gestor, que parece ser tão incapaz quanto. Dele, do CG e do gerente de futebol Jorge Andrade, outro curioso que está alimentando a gula da areia movediça em que o Santos se encontra.

Ainda dá tempo; faltam onze rodadas. Mas do jeito que está, o Santos não escapa. Se algo for feito, de repente pode-se achar a luz no fim do túnel ao invés da escuridão do fundo do poço. Primeiro é a demissão de Fábio Carille; depois, bem depois pensa-se nos estúpidos que contaminaram o Santos neste ano com suas boçalidades.



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Parabéns, Pelé; e obrigado, Senhor, por tê-lo colocado entre nós

Fábio Sormani
Fábio Sormani

 Bom dia, Rei.

Queria estar ao seu lado para te desejar Feliz Aniversário. Mas não estou. Infelizmente. Queria não apenas te desejar feliz aniversário, mas queria também te dar um beijo e um abraço. Queria te beijar e abraçar como eu beijava e abraçava meu pai. Você não é meu pai, mas de uma certa maneira você é. Foi você, com a bola nos pés, quem me mostrou o futebol. Fez-me entender como ele deve ser jogado. E me deu paixão pelo jogo. Por sua causa eu não tenho paciência com pernas-de-pau. Porque eu te vi jogar. Você elevou o patamar do futebol. Antes de você era de um jeito; depois de você passou a ser de outro. Você deu velocidade ao jogo, mostrou a importância do preparo físico e de ter múltiplas funções em campo — até de goleiro você jogou! Hoje isso chama-se polivalente. Na sua época era curinga. Garrincha tratava seus marcadores como "João"; você os tratava como humanos. Há alguns jogadores geniais hoje em dia. Houve jogadores geniais depois que você parou. Mas são mortais — e o que eles fazem nada mais é do que versar sobre um tema que você criou. Estou esperando que alguém apareça para mudar o futebol como você mudou. Mas até agora, nada. Os gênios foram forjados por Deus. E não é toda hora que Ele perde seu tempo conosco, uma espécie que, parece, não deu certo. Ele manda pra cá, de tempos em tempos, alguém especial. Ele nos mandou Jesus, o maior de todos. Jesus é único. Estamos esperando que Ele volte. Enquanto isso não acontece, Deus nos manda Beethoven, Da Vinci, Miles etc — e você. Deus nos mandou você  para nos ensinar o que temos que aprender sobre o futebol, um substantivo que está longe de ser comum.

Pelé comemorando pelo Santos em 1969
Pelé comemorando pelo Santos em 1969 Getty Images

Parabéns, Pelé. Não vou pedir que Deus te proteja, porque Ele te mandou pra cá com uma missão: jogar futebol e alegrar o ser humano.  Você foi um dos escolhidos. Deus está — e sempre estará — ao seu lado. Triste daquele que não te viu jogar. E não o reconhece.

Te amo para sempre!


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Insatisfeitos com Renato Gaúcho e Cuca, que tal Carille no seu time?

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Vejo torcedores de Flamengo e Atlético-MG reclamando de Renato Gaúcho e Cuca. Risível. Querem o Fábio Carille? Que tal? É só passar na Vila Belmiro e pegar. Se não houver tempo, eu me comprometo a levá-lo, com meu carro, sem custo algum, à Gávea ou à Cidade do Galo.

Se Carille assumisse hoje Flamengo ou Atlético, esses mesmos torcedores iriam ver o que é bom para tosse. E seguramente depois de algumas rodadas, aos choramingos, iriam dizer: "Éramos felizes e não sabíamos".

Eu até entendo os flamenguistas, porque estão muito vívidas em suas memórias as conquistas de Jorge Jesus e daquele timaço que ele montou. Mas o que os torcedores rubro-negros se esquecem é que no primeiro semestre de 2020, ele já dava sinais de que aquele trabalho feito no segundo semestre de 2019 parecia ser um ponto completamente fora da curva. A carreira do Mister, aliás, mostra isso. Ele nunca fez em qualquer outro clube, em sua longeva carreira de treinador, o que ele fez naqueles seis meses mencionados acima. E seu trabalho deu sinal de queda no semestre seguinte, quando o Flamengo conseguiu a façanha de perder a Taça Rio para o Fluminense e, com isso, possibilitar a final do Campeonato Carioca, que era algo impensável dada a diferença dos rubro-negros para os tricolores e qualquer outro rival carioca.

Fábio Carille, técnico do Santos
Fábio Carille, técnico do Santos Ivan Storti/Santos FC

Mas há alguns pontos a se analisar que podem explicar a tendência de queda do trabalho de JJ. O relacionamento dele com o elenco dava sinais de desgaste (dê um google que vocês vão encontrar matérias falando sobre isso). Vejam esse trecho de um texto publicado pelo jornal "Extra" em dezembro passado: "A despedida de Jesus ocorreu num momento de desgaste com alguns jogadores. Nomes como Bruno Henrique e Gabigol já não lidavam bem com seu rigor. Principalmente o camisa 9, que em 28 de junho abandonou um treino após as cobranças do treinador com um desabafo: 'Para mim, deu'. No dia seguinte, durante a exibição de vídeos do Boavista, então o próximo adversário, Jesus perguntou a Gabigol na frente do grupo se ele tinha algo a dizer. Primeiro, o atacante balançou a cabeça negativamente. Em seguida, emendou: 'Cada um sabe de si'. A reunião acabou ali, e o camisa 9 não foi relacionado para o jogo".

Jornalistas portugueses que eu conheço dizem isso quando o tema em questão está sendo discutido. O Mister, segundo eles, é um "pain in the ass" (ou pé-no-saco, em bom português) Foi assim em seus trabalhos no Benfica e no Sporting. No começo, tudo é uma maravilha, mas a sequência do trabalho é desgastante demais por conta do gênio (temperamento e não capacidade intelectual) do JJ.

Outro ponto a se considerar atende pelo nome de Odair Hellmann, então treinador do Flu. Ele sabia como enfrentar Jorge Jesus. Mesmo com um elenco absurdamente  inferior, ele apresentava dificuldades ao Flamengo, a ponto de evitar que os rubro-negros ganhassem os dois turnos do frágil Campeonato Carioca e ser campeão sem a necessidade (até então impensável) de dois jogos finais (o que aconteceu).

Quanto a Cuca, o treinador do Galo passou um turno invicto no Brasileiro. Seu Atlético foi dobrado ontem (17) pelo seu homônimo goianiense. Uma derrota depois de 17 partidas, onde teve aproveitamento de 76,5% (11 vitórias e seis empates) em jogos envolvendo Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Uma derrota e torcedores começam a questionar o trabalho de Cuca. Ora, faça-me o favor! Menos, ok?; menos. Não dá para jogar bem o tempo todo. Haverá percalços, ainda mais num futebol onde joga-se demais e treina-se de menos.

Cuca e Gaúcho podem não ser (e não são) um Guardiola, Klopp ou Tuchel. Mas por aqui eles fazem a diferença — e como! São muito acima da média — que é bem medíocre.

Brasileirão: Flamengo pressiona, mas não consegue furar o bloqueio do Cuiabá; veja os melhores momentos

Flamenguistas e atleticanos amanheceram esta segunda-feira (18) aos prantos. Nem todos, é bom dizer; alguns. E esses quaisquer não passam de crianças mimadas. São cheias de querer, querem porque querem ganhar todas as partidas; se não ganham, se debulham em lágrimas, feito crianças mimadas, torno a dizer.

Estão insatisfeitos com Renato Gaúcho e Cuca, crianças? Peguem o Carille. Eu o levo até vocês, embrulhado para presente — se bem que o Dia das Crianças já foi, mas tudo bem. Vocês, creio, entendem o que estou falando.




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Insatisfeitos com Renato Gaúcho e Cuca, que tal Carille no seu time?

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O ódio a Neymar e a adoração a Gabigol

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Por que Neymar é tão odiado por grande parte do torcedor brasileiro? Quatro neurônios são suficientes para chegar-se à resposta.

Neymar é produto de um time que não tem mídia e de pouca torcida. Se ele tivesse sido criado num Flamengo ou num Corinthians, o barulho contra ele seria infinitamente menor. Esses dois times, por exemplo, tiveram ídolos na seleção brasileira que fizeram muito menos do que Neymar vem fazendo (uso o gerúndio porque a carreira dele ainda não acabou), mas que não foram cobrados, à época, do jeito que se cobra Neymar hoje. Neymar bate recordes na seleção, apresenta números melhores do que outros celebrados jogadores de times de mídia e de massa, mas seus feitos são ignorados. O que enrijece minha fundamentação é que, quando se fala dos números do atacante do Paris Saint Germain, a mídia e a torcida levam em conta apenas sua performance na Europa, esquecendo o que ele fez no Brasil — ou melhor, no Santos, que não é um queridinho da mídia — onde ele ganhou uma Libertadores, uma Recopa Sul-americana, uma Copa do Brasil, e três Paulistas num período de quatro anos. Poderia ter conquistado um Brasileiro se convocações da seleção não o tivessem tirado do Santos por inúmeras partidas. Neymar é um usuário contumaz das redes sociais e suas postagens desagradam essa parcela de torcedores, aqueles odiosos ociosos. E desagrada por quê? Simplesmente porque ele é produto de um time que é subestimado pela mídia esportiva e seus torcedores, como não são tantos assim se comparados aos queridinhos, não aparecem em número suficiente para defendê-lo, como se faz, por exemplo, com Gabriel Barbosa, de quem falarei agora para fundamentar ainda mais o que digo. Gabriel (que a partir de agora chamarei de Gabigol, pois assim ele é conhecido) é cria do Santos, é tão atuante quanto Neymar nas redes sociais, leva uma vida tão desregrada quanto, mas não sofre os ataques que o Ney Júnior sofre. Por que não sofre? Porque são 40 milhões de flamenguistas a defendê-lo e 40 milhões a menos de odiosos a atacá-lo. Se do pulo que Gabigol deu do Santos para a Europa não houvesse nenhum outro time mais, se na Inter ele ainda estivesse, ganhando títulos e fazendo gols (como ocorre no Flamengo), ele estaria sendo perseguido por essas pessoas de vidinha vazia que passam a maior parte do tempo inutilizando-se através das redes sociais. O jeitão de Gabigol desagrada o status quo tanto quanto o de Neymar, de quem ele, Gabigol, diga-se é "parça". Mas como ele, insisto, é jogador do Flamengo, tem por trás de si 40 milhões de brasileiros a defendê-lo, e dentre esses 40 milhões de fanáticos existe a parte da mídia flamenguista que o defende com unhas e dentes, defesa essa que influencia o comportamento desses 40 milhões, coisa que eles não fariam se Gabigol não passasse por um time de massa do futebol brasileiro. Gabigol não é um Menino do Ninho, ele é um Menino da Vila, mas isso pouco importa, pois hoje ele veste o manto da Nação e isso garante a ele uma imunidade que Neymar não tem, pois Neymar pulou do Santos para a Europa e não é produto do Terrão, por exemplo. Tivesse Neymar sido gerado no Ninho ou no Terrão, ou, tivesse Neymar batido da Europa e fracassasse, como Gabigol fracassou, tivesse ele voltado do Velho Continente para a Gávea ou para o Itaquerão, tudo seria diferente.

Já disse várias vezes que acho o cidadão Neymar um bobão. Idem para Gabigol.

Mas não é disso que eu trato nesse texto. Como falei na abertura deste roteiro, se você tiver quatro neurônios — não precisa mais do que quatro, porque tudinho está bem explicado — você entenderá do que esse texto trata.

Parça

Todo mundo falou e eu também vou surfar nessa onda: Raphinha fez uma partida notável ontem (14) com a camisa do Brasil. Fez dois do quarteto de tentos anotados pelo selecionado brasileiro (4 a 1 foi o placar final diante do freguês Uruguai, em Manaus). Mais do que isso: mostrou qualidade, mostrou que joga mais bola do que a maioria dos limitados jogadores que estão no time do técnico Tite, mostrou que pode ser o "parça" de Neymar dentro de campo.

Ninguém faz sucesso sozinho. Pelé precisou de Coutinho e Pepe; Messi precisou de Xavi, Iniesta, Neymar e Suarez; Cristiano Ronaldo de um punhado de jogadores que ao seu lado estiveram no Manchester United, Real Madrid e Juventus. Ninguém faz sucesso sozinho, acreditem.

Se daqui para frente Raphinha mantiver esse nível de jogo nas demais partidas do Brasil, "SE" ele mantiver, repito, o Brasil tem chance de ganhar a Copa no ano que vem. Neymar sempre foi uma estrela solitária no meio de estrelas cadentes. Parece que apareceu um John Lennon, pois Paul McCartney era o melhor Beatle, assim como Neymar é melhor que Raphinha, mas Raphinha pode ser o Lennon de Neymar, e Lennon, convenhamos, foi um gênio também — só não sei se Raphinha será um gênio, mas se ele já for um George Harrison vai ajudar pra cacete.

Raphinha e Neymar, pareceira que pode levar o Brasil ao título Mundial
Raphinha e Neymar, pareceira que pode levar o Brasil ao título Mundial Lucas Figueiredo/CBF

 

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O ódio a Neymar e a adoração a Gabigol

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O pronome que joga o Santos na lona

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Dava para ter vencido. O Atlético perdia em pleno Mineirão para o Santos por 1 a 0 e não ameaçava a meta do goleiro João Paulo. Até que...

Até que Balieiro, improvisado como zagueiro, numa bola fácil, que era para ter sido jogada pra lateral, ele cabeceou errado e mandou-a para escanteio. E do escanteio veio o pênalti que Nacho cobrou e empatou o jogo.

Cinco minutos depois, Wagner Palha, o outro beque do time, perdeu uma jogada no corpo para o atacante Sasha e da falta cobrada por Nacho, o beque Nathan  Silva cabeceou sem ser minimamente importunado por Palha e fez 2 a 1 pro Galo.

Mas não acabou por aí. Seis minutos depois, os mineiros fizeram o terceiro e derradeiro gol reflexo de um pênalti cometido por Emiliano Velázquez, o terceiro zagueiro que o técnico Fábio Carille colocou em campo, pênalti que foi feito porque Balieiro, sozinho, tendo várias opções, acabou chutando a bola em cima do atacante Calebe, que dominou o rebote e sofreu a falta dentro da área. Pênalti que João Paulo pegou, mas que Nacho aproveitou o rebote de seu erro e deu números finais ao jogo: Atlético 3 x 1 Santos.

Três gols, três falhas individuais.

Dava para ter vencido.

Dava para ter vencido se o volante Balieiro não fosse escalado como zagueiro (ele já é deficiente na sua posição, imagina improvisado), se Wagner Palha (que fez o gol salvador contra o Grêmio) não falhasse tanto como zagueiro, se Zanocelo não aparecesse como titular novamente (será que há interferência externa para que ele seja escalado?), se Marcos Guilherme não fosse improvisado como lateral, quando Madson (o titular da posição) não tivesse ficado mais um jogo no banco de reservas.

Cuca, sobre arbitragem em Atlético-MG x Santos: 'Se a gente passar todo o nervosismo para dentro, não vai resolver nada'


         
     

Há outros "ses". As coisas poderiam estar diferentes se Fábio Carille, o responsável por toda essa bagunça relatada acima, não fosse o técnico do Santos. Se antes dele Fernando Diniz não tivesse sido contratado. Se Jorge Andrade não fosse o responsável pela coordenação do futebol do Santos. Se a base não tivesse sido sucateada ao longo dos anos e produzisse jogadores melhores.

Mas o "se" principal é: tudo poderia ser diferente se o Santos tivesse sido comandado nas últimas gestões por verdadeiros gestores e não por bandidos travestidos de presidentes.

Dava para ter vencido, dava para ter sido campeão, dava para ter um time melhor, dava para arrecadar mais, dava para estar numa situação muito melhor, dava pra ser completamente diferente de tudo o que estamos vendo.

Só não dá por conta de todos esses "ses".

Fábio Carille, técnico do Santos
Fábio Carille, técnico do Santos Ivan Storti/Santos FC

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O pronome que joga o Santos na lona

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O VAR do bem e o VAR do mal; Carille inventando e o apoio dos torcedores ao Santos

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Santos conseguiu uma grandiosa vitória neste domingo (10) na Vila Belmiro. Venceu o Grêmio por 1 a 0 com um gol de Wagner Palha aos 47 minutos do segundo tempo. O gol do zagueiro, no entanto, foi anulado pelo assistente Thiago Rosa de Oliveira. Não fosse o VAR e o Santos não teria adicionado dois pontos à sua medíocre campanha neste Campeonato Brasileiro. Dois pontos que o tiraram da zona de rebaixamento, para onde foi mandado na noite deste sábado (9) depois das vitórias de Sport e Bahia.

Disse vitória grandiosa por conta do momento que o Santos vive. Seu novo treinador, Fábio Carille, ainda não tinha obtido nenhum triunfo no comando santista e por conta disso tudo a pressão massacrava os ombros e a mente dos jogadores e comissão técnica.

Mas a vitória, torno a dizer, se tivesse dependido da leitura do assistente Thiago Rosa de Oliveira, não teria acontecido. Ele anulou o gol do Palha, numa jogada que a mim não me pareceu difícil. Conversei com a Renata Ruel, ex-assistente e hoje um dos comentaristas de arbitragem dos canais Disney ao lado de Carlos Eugênio Simon. Como nunca fui assistente e muito menos árbitro principal, perguntei o que ela achou da anulação do gol.

"Falei no SportsCenter que não era lance difícil, que quem está na elite da arbitragem não pode errar um lance desse, pois a posição era legal e não era ajustada", disse-me Renata em mensagem mandada pelo WhatsApp.

Brasileiro: Santos consegue gol milagroso aos 47 do 2º tempo, respira e afunda o Grêmio; VEJA


Ou seja, o VAR, desta vez, fez justiça na Vila Belmiro, mas na quinta-feira passada (7)...

Na quinta-feira passada, no Morumbi, o VAR agiu mal mal ao querer ser mais realista que o rei. Induziu o experiente árbitro Rafael Claus a assinalar um pênalti a favor do São Paulo, que proporcionou aos anfitriões empatarem o jogo contra os visitantes (Santos). Agiu mal. Agiu mal porque ao contrário do lance deste domingo, onde não ficou dúvida nenhuma em relação ao posicionamento de Wagner Palha, a penalidade máxima dada por Claus suscitou dúvidas. O árbitro não tinha anotado nada no momento do lance. Chamado pelo VAR, marcou o pênalti que deu a igualdade aos são-paulinos, um 1 a 1 que ficou no marcador até o apito final.

Duas intervenções do VAR, uma para o bem, outra para o mal. Digo para o mal porque existe no Direito um princípio que dá ao réu o benefício da dúvida. Segundo o site jus.com.br, "em caso de dúvida razoável quanto à culpabilidade do acusado, nasce em favor deste a presunção de inocência, uma vez que a culpa penal deve estar plenamente comprovada". O réu no lance em questão era o Santos, que através do zagueiro Vinicius Balieiro teria colocado o braço propositalmente na bola, o que é proibido pelas regras do futebol.

Santos vence o Grêmio
Santos vence o Grêmio Ivan Storti/Santos

Mas, ao contrário do gol contra o Grêmio, onde todos puderam constar a posição legal de Palha, o pênalti cometido por Balieiro não obteve consenso na avaliação de quem milita no futebol. Por isso, não deveria ter sido marcado. In dubio pro reo.

Mas a penalidade foi marcada, o Santos sofreu um gol e o jogo acabou em empate por conta disso, um jogo em que ele poderia ter vencido e adicionado mais dois importantes pontinhos à sua pobre carteira produtiva deste Campeonato Brasileiro.

Dois exemplos de atuação do VAR. Como disse acima — e provo nestas linhas que juntas dão forma a esse texto —, um exemplo onde se vê como o VAR é bom e noutro onde ele foi meter o bedelho onde não devia.

Equívocos

O técnico Fábio Carille recebeu elogios depois da vitória do Santos sobre o Grêmio por 1 a 0. Segundo torcedores e jornalistas (nem todos, é bom dizer), Carille mexeu bem no time e por isso ele chegou à vitória. Discordo: pra mim ele corrigiu as bobagens que cometeu ao mandar a campo, como titulares, o atacante Marcos Guilherme como ala pela direita e o meia Zanocelo como ala pela esquerda. Com isso, o Santos não tinha qualquer profundidade pelos lados, algo importante quando se enfrenta um adversário que veio para jogar fechado sem a posse de bola para poder explorar os contra-ataques quando a tomasse do inimigo.

Pela direita, Carille poderia ter escalado Madson, que na terça-feira passada participou de uma partida pelo time alternativo do Santos pela Copa Paulista. Estava inteiro para o jogo. Mas ao invés de sair jogando, ficou esquentando o banco de reservas exatos 56 minutos. Do lado esquerdo, por mais que Felipe Jonatan esteja mal (e está mesmo), ele não é pior do que o improvisado Zanocelo, que nem na posição original consegue jogar bem — imagine improvisado. A alternativa para isso seria escalar Moraes, que. assim como Jontan, é jogador da posição.

Ao colocar Madson e Jonatan em campo (Jonatan entrou aos 16 minutos do segundo tempo, cinco minutos depois de Madson), o Santos passou a dominar o adversário, o que não ocorria até então. Martelou, martelou e chegou ao gol da vitória já nos acréscimos, gol esse que poderia ter saído bem mais cedo se Carille não tivesse inventado.

12º jogador

O torcedor do Santos merece rasgados elogios. Neste momento de dificuldade que o time enfrenta, ao invés de portar faixas com dizeres do tipo "Ou joga por amor ou joga por terror", o torcedor levou para a Vila Belmiro faixas de apoio e incentivo, do tipo "Reage Santos" ou "Santos é a minha vida". Um deles jogou sal grosso na cabine do VAR, inconformado com o pênalti marcado para o São Paulo na quinta-feira.  Foi emblemático. Ao invés de perseguir e tocaiar jogadores (a exceção foi o ocorrido depois da eliminação do time na Copa do Brasil pelo Athletico Paranaense, quando bandidos cercaram o carro do atacante Diego Tardelli e o ameaçaram de morte, atitude essa reprovada pela torcida, sendo que uma delas, uma organizada com sede em São Paulo, identificou três desses criminosos e denunciou-os à Polícia), a torcida tem ido ao CT apoiar os jogadores. Crianças portando cartazes encorajadores e torcedores empunhando bandeiras e entoando cânticos de incentivo apareceram na porta do CT antes dos jogos contra São Paulo e Grêmio, atitude essa reconhecida pelos jogadores que aplaudiram os torcedores. Não à toa o Santos não perdeu nenhum desses dois confrontos.

Ser o 12º jogador é comportar-se desta maneira. É ajudar. É apoiar. É incentivar. É mostrar que eles amam o clube independente de onde ele se encontra.

Eu jamais vou me esquecer de um cartaz levantado por um torcedor do Botafogo, na mesma Vila Belmiro, quando o time carioca foi jogar com o Santos praticamente rebaixado à Série B. O cartaz dizia: "Eu amo o Botafogo e não a Série A".

O amor de um torcedor por seu time tem que ser assim: incondicional.


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Flamengo contará com Gravatinha em Guayaquil

Fábio Sormani
Fábio Sormani

O Flamengo fez 18 jogos com Renato Gaúcho no comando. Em apenas duas oportunidades o time não marcou: nas derrotas para Internacional (0 a 4) e Grêmio (0 a 1) — ambas em casa. Fora de casa, portanto, o time sempre fez gol.

Ainda olhando em retrospecto o desempenho deste 'governo Portaluppi', o Flamengo empatou apenas uma vez: 1 a 1 contra o Ceará, em Fortaleza. Nas 15 outras contendas, o time carimbou as redes adversárias e ganhou. A média de tentos do Flamengo de Renato Gaúcho é de expressivos 2,9 gols por jogo, já que a equipe marcou 52 vezes nessa dúzia e meia de partidas.

Flamengo vence Barcelona-EQU com 2 de Bruno Henrique e sai na frente na semifinal da Libertadores; assista aos melhores momentos

O Flamengo venceu nessa quarta-feira (22) o Barcelona equatoriano por 2 a 0 pela semifinal da Conmebol Libertadores. O jogo do Maracanã — presenciado in-loco por 23.083 pessoas e renda de R$ 4.062.780,00 — mostrou mais uma vez o desnível do time rubro-negro para a esmagadora maioria das equipes do nosso continente — de um pólo a outro, diga-se.

O técnico argentino Fabián Bustos, que dirige os de Guayaquil, deixou o Maracanã com o seguinte sentimento: "Jogaremos (a partida da volta) com nossa torcida e no nosso campo, aonde nos sentimos mais cômodos e isso vai nos dar uma motivação extra. Estamos vivos." E qual foi o sentimento? De que é possível dobrar o Flamengo e ir para a final da Libertadores.

É possível? Em futebol nada é impossível, a gente bem sabe. Mas raciocinemos: se o Flamengo fizer um gol, um golzinho só (lembre-se que em apenas dois dos 18 jogos no reinado de Portaluppi o time não marcou, time este que tem uma média de 2,9 gols por jogo e que fora de casa não passou em branco nenhuma vez tendo marcado 26 gols em nove partidas, o que dá uma média também de 2,9 gols), então, como eu dizia, se o Flamengo fizer um gol, um golzinho só no jogo da próxima quarta-feira (29), que terá transmissão AO VIVO para assinantes Star+, obrigará os equatorianos a marcarem quatro vezes para se classificar à final.

O Flamengo de Renato já tomou quatro gols em um jogo? Como vimos acima, sim, na derrota para o Inter. Mas, convenhamos, aquilo foi um ponto completamente fora da curva, os números mostram isso.

Desta forma, eu vos digo, leitor, se é que você ainda está suportando esse texto e consequentemente meu raciocínio, eu vos digo que somente um aborto da natureza tira o Flamengo da final da Libertadores, embora em futebol, a gente bem sabe, tudo é possível. 

Recorrendo à literatura rodrigueana, acho que o Sobrenatural de Almeida não trocará o Flu pelo Fla na próxima quarta-feira. Quem vai dar as caras em Guayaquil, isto sim, será o Gravatinha.

Bruno Henrique comemora gol contra o América-MG
Bruno Henrique comemora gol contra o América-MG Alexandre Vidal / Flamengo


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Abel Ferreira e a cólera dos palmeirenses

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Não é apenas a torcida do Palmeiras que está uma fera com o futebol do time. Os dirigentes também, embora, publicamente, possam dizer o contrário.

Uma pessoa de dentro do clube me falou: "A gente não pode jogar do jeito que jogou". Ou seja: o Palmeiras não pode jogar feito time pequeno (como disse nota da torcida Mancha Alviverde depois do decepcionante empate em 0 a 0 no primeiro jogo da semifinal da Libertadores contra o Atlético-MG). O Palmeiras não pode jogar feito time pequeno tendo elenco de time grande.

O responsável (ou culpado, se você preferir) é Abel Ferreira, todos concordam. O técnico, ficou provado com o passar do tempo, é adepto da retranca. Já deixou isso bem claro ao dizer que prefere José Mourinho a Jorge Jesus, outros dois técnicos portugueses, assim como ele, sendo que Mourinho é conhecido por sua preferência às retrancas e Jesus fez do Flamengo um dos times mais encantadores dos últimos tempos no futebol brasileiro por conta do vistoso futebol ofensivo que o time carioca praticava nas mãos do português.

Seguramente os palmeirenses não esperavam por isso quando contrataram Abel Ferreira. Imaginavam que tinham adquirido um técnico astuto, moderno, admirador do futebol vistoso, ofensivo, oferecido pelos times dirigidos por Jesus, Pep Guardiola, Jurgen Klopp e Julian Nagelsmann, por exemplo.

A primeira impressão foi de que o tiro atingiu em cheio o alvo: o Palmeiras ganhou a Libertadores e a Copa do Brasil. Mas depois disso... Depois disso o time só perdeu o que disputou: Supercopa do Brasil, Recopa Sul-Americana, Campeonato Paulista e Copa do Brasil deste ano.

Mas as duas conquistas iniciais (ainda) trabalham a favor do português. O treinador tem uma estratégia de jogo e, neste momento, os dirigentes entendem que há que se respeitar. E o que trava o pensamento dissonante é exatamente essa gordura que o Abel conquistou com as duas conquistas iniciais. Disse-me essa mesma pessoa dentro do Palmeiras: "E se ele chega no jogo da volta e se classifica, o que a gente vai falar? Ano passado foi assim contra o River: ganhou fora, retrancou-se em casa, tomou dois gols, passou sufoco, mas conseguiu classificar (para a final)".

E na final o Palmeiras, também jogando pouco (aquele jogo foi o início da revelação), bateu o Santos por 1 a 0 e foi campeão da Libertadores. Dane-se que jogou mal; foi campeão.

Acontece que agora o time continua jogando mal e os resultados não aparecem. Se for eliminado na Libertadores, vai restar apenas o Brasileiro. E a situação no Brasileiro é complicada, pois a agremiação está a sete pontos do líder Atlético Mineiro, exatamente seu adversário nesta semifinal do torneio sul-americano.

E se tudo isso acontecer, o tiro que no primeiro momento atingiu o alvo no segundo vai sair pela culatra. Mas, a bem da verdade, isso nós não sabemos, apenas conjecturamos, pois só o tempo vai nos dar essa resposta.

Esse texto, conclui-se, não contém spoiler, pois spoiler revela o que se sabe e o futuro a Deus pertence. Esse texto apenas mostra que não é apenas a torcida que está colérica com o futebol que o Palmeiras joga; esse texto tem como objetivo mostrar que Abel Ferreira não goza mais da simpatia dos dirigentes do clube.

Abel Ferreira comanda o Verdão para reassumir liderança
Abel Ferreira comanda o Verdão para reassumir liderança Cesar Greco / Palmeiras
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O Santos definha e a grande mídia pouco se importa

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Não há clube mais mal tratado pela mídia do que o Santos. Quando digo mídia, refiro-me à grande mídia brasileira e, principalmente, à mídia paulistana. Elas pouco se importam com o Santos. Elas se lixam para o Santos.

O time está definhando no Campeonato Brasileiro, não vence há oito jogos, briga para não cair e não se ouve nenhum lamento nesses veículos de imprensa aos quais eu aponto o dedo. Nenhuma palavra de preocupação. Os (poucos) que falam, o fazem mecanicamente, como que a cumprir uma enfadonha missão que, para alívio deles, não passa de cinco míseros minutos.

O Santos, o maior time da história do futebol brasileiro, talvez o maior time da história do futebol mundial, pois nele jogou Pelé, o maior de todos os tempos, definha. Definha por conta de bandidos que ao longo de sua história foram responsáveis pelo comando do clube. Dilapidaram o patrimônio santista, roubaram descaradamente e pouco se fez ou se faz para punir esses desgraçados.

Marinho isola pênalti em Santos x Ceará após escorregada ‘brutal’ e fica desolado; assista

Quem olha a tabela de classificação do Campeonato Brasileiro, pode, ingenuamente, achar que a situação não é tão dramática assim, e que eu não passo de um fajuto profeta do apocalipse.  Afinal, o Santos está na 14ª colocação do torneio, a três posições do primeiro a ser rebaixado. Mas é dramática sim, senhor, pois o Santos está a apenas dois pontos da zona do rebaixamento.

Faltam 17 jogos para o Brasileiro acabar para o Santos. Nove dessas 17 partidas serão fora de casa — consequentemente, oito serão na Vila Belmiro.

O Santos tem 24 pontos. Os matemáticos dizem que com 44 se escapa do rebaixamento. Precisaria, portanto, de mais 20 pontos. Peguei a caneta e o papel, munido da tabela do campeonato, e comecei a projetar as partidas que o Peixe terá pela frente neste segundo turno do Campeonato Brasileiro.

Vamos calcular, santista — sim, santista, pois eu duvido que alguém que não seja santista esteja interessado nesse texto que eu vos escrevo. Portanto, eu sei que não muitos estão lendo, mas aos poucos que atingirei certamente estarei falando o que eles querem ouvir — e é isso o que importa para mim: conversar com um carente torcedor do Santos.

As contas

Como acabei de dizer, o time tem mais 17 partidas neste Brasileiro. Oito serão em casa, nove serão fora. O Santos precisa de mais 20 pontos para, segundo os matemáticos, escapar do rebaixamento — que seria inédito em sua gloriosa história.

Dos jogos em casa, o Santos TEM que vencer América-MG, Chapecoense, Fortaleza e Cuiabá. É permitido empatar com Fluminense, Grêmio e Red Bull Bragantino. Teremos aí 15 pontos. O outro confronto em casa será contra o Palmeiras e eu computo derrota neste embate.

Fora de casa, calculo que o time possa conquistar empates diante de Juventude, Sport e Atlético-GO — de quem, diga-se, tornou-se freguês como mandante. Se conseguir isso, chegará a 18 pontos. Ficam faltando mais dois. De onde arrancar?

Dos seis jogos como visitante que faltam, o Santos teria que amealhar dois míseros pontinhos contra um desses adversários: São Paulo, Athletico-PR e Internacional, pois diante de Flamengo, Atlético-MG e Corinthians, não creio que o time comandado pelo técnico Fábio Carille conseguirá alguma coisa.

É difícil? Sim, é difícil; mas não é impossível.

Marinho isola pênalti, e Santos e Ceará empatam sem gols pelo Brasileirão; veja os melhores momentos

Mesmo contando com o desprezo da grande mídia, mesmo situando-se numa pequena cidade litorânea, mesmo não estando numa capital, mesmo tendo uma torcida ausente, mesmo tendo pouco dinheiro, mesmo... mesmo diante de tudo isso, o Santos sempre foi gigante.

Eu sempre digo: time grande cai, gigante não cai.

Resta, pois, ao Santos, mostrar a todos que ele não é grande, como costumam desdenhar os torcedores adversários. Resta ao Santos mostrar que ele é — e sempre será — um gigante.

Marinho perdeu um pênalti no empate do Santos em 0 a 0 contra o Ceará sábado passado
Marinho perdeu um pênalti no empate do Santos em 0 a 0 contra o Ceará sábado passado Ivan Storti/Santos FC
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O Santos definha e a grande mídia pouco se importa

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Roger Machado tem que se ajudar, pois a sociedade não será tolerante com ele

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Roger Machado estreou como técnico do Fluminense num clássico contra o Flamengo, pelo Carioca, no dia 14 de março passado. Venceu por 1 a 0. Clube rubro-negro, diga-se, jogou com o time reserva. Mas não importa, ganhou; seria pior se tivesse perdido.

Nos 20 primeiros jogos de Roger como técnico da equipe tricolor, ele teve aproveitamento de exatos 65%. Muito bom. Sua campanha: 11 vitórias, 6 empates e 3 derrotas. Entre essas partidas, cinco foram pela Conmebol Libertadores, com ótimo desempenho:

1 x 1 River Plate-ARG (C)
2 x 1 Santa Fé-COL (F)
1 x 1 Júnior Barranquilla-COL (F)
2 x 1 Santa Fé-COL (C)
3 x 1 River Plate-ARG Fora (F)

De lá para cá, começou o desmoronamento do Flu. Foram outros 21 jogos, com aproveitamento de 47,6%: 8 vitórias, 6 empates e 7 derrotas.

Fluminense empata com Barcelona-EQU e é eliminado nas quartas da Libertadores; veja os melhores momentos

Nesse período, o time foi eliminado nessa quinta (19) pelo Barcelona de Guayaquil-EQU nas quartas da Libertadores e no Brasileiro está na 15ª colocação, com 17 pontos, dois a mais que o Sport, que é o primeiro time do Z4. O aproveitamento é de perigosos 37,8%.

O que fazer? O elenco não é ruim, longe disso. Poderia render muito mais do que rende.

Cair nas quartas da Libertadores para o Barcelona de Guayaquil não é nada de outro mundo. O que assusta é a campanha no Brasileiro, pontuada por goleadas diante de Athletico-PR (1 x 4) e Inter (2 x 4), derrotas para América-MG e Atlético-GO (ambas por 0 x 1), ter oferecido a primeira vitória ao Grêmio, que estava em cacos, na competição (0 x 1, em casa), isso sem falar no revés diante do Criciúma, em Santa Catarina, pela Copa do Brasil (1 x 2).

Infelizmente, a carreira do Roger tem sido assim. Por onde passa, começa bem, mas não consegue consolidar o trabalho, que se esfacela com o passar do tempo.

Embora não o conheça pessoalmente, gosto do Roger e do seu jeitão como pessoa. Torço por ele não apenas por isso, mas também por ele ser negro e lutar para tentar se estabelecer como treinador numa profissão dominada por brancos, na qual negros são olhados com desconfiança, fruto de uma sociedade impregnada por um racismo sistêmico.

Mas o Roger precisa resolver essa questão: ele precisa dar um upgrade na carreira. Ele precisa começar e terminar bem um trabalho. Caso contrário, vai sucumbir, até porque a sociedade é racista e não terá com ele a mesma boa vontade que tem com treinadores brancos.

Mas ele precisa se ajudar.

Roger Machado vive péssima sequência com o Fluminense
Roger Machado vive péssima sequência com o Fluminense Mailson Santana/Fluminense

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Roger Machado tem que se ajudar, pois a sociedade não será tolerante com ele

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Santos: Fernando Diniz piora o que já não é bom

Fábio Sormani
Fábio Sormani

Fábio Piperno, comentarista da "Rede Bandeirantes" de Rádio e TV, a quem admiro muito, fez uma observação no primeiro jogo das quartas da Sul-Americana entre Santos e Libertad que me chamou a atenção. E me chamou a atenção porque seu comentário é muitíssimo pertinente.

E o que disse Piperno? Que Fernando Diniz, técnico do Santos, é um treinador que inibe os jogadores em campo; é um comandante que amola o tempo todo seus jogadores; em outras palavras, é um técnico que enche o saco dos atletas e os deixa pilhados em campo.

Pura verdade: Diniz é um porre — eu constatei.

A pior coisa do mundo é trabalhar com um chefe que só cobra. Cobra e xinga. Xinga e exige. Exige mas não te ensina como lidar com os problemas. Ou seja: Diniz cobra dos jogadores desempenho que ele, como treinador, não mostra como realizar em campo.

Diniz é um técnico ruim. Sua carreira mostra isso.

Além de ruim, é chato. É um pé no saco.

Diniz fala sobre a eliminação do Santos!

 

         

 

    

E os jogadores do Santos, que já não são grande coisa, rendem menos do que podem render. Isso porque o treinador só amola, só aporrinha, só xinga seus comandados, só os humilha diante de todos. Constrangedor.

No empate contra o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro, Diniz, como de hábito, enchia o saco de todos dentro de campo. Até que Madson, que estava próximo a ele, depois de ser cobrado, respondeu: "Eu não sou robô". Isso foi relatado pelo repórter da televisão que transmitia o jogo. Muito provavelmente Madson gostaria de ter dito: "VTNC!"

De nada adianta Diniz aparecer para as entrevistas coletivas e poupar os jogadores, quando, durante a partida, ele os deixa pilhados, os expõem publicamente. Trabalhar assim torna-se insuportável.

Fernando Diniz, técnico do Santos
Fernando Diniz, técnico do Santos Ivan Storti/Santos

A impressão que me passa, depois de observar mais atentamente Diniz do lado de fora nesses dois jogos contra o Libertad, é que os jogadores do Santos não devem mais aturar o treinador. Piperno alertou — e com faro fino. No começo de um dia de trabalho, entrar no vestiário e dar de cara com Diniz deve causar desgosto — para dizer o mínimo.

O time é ruim porque o elenco é ruim. Poderia ser melhor se o técnico fosse tolerável. Sendo assim, o que é ruim fica pior ainda.


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Santos: Fernando Diniz piora o que já não é bom

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