O Corinthians segura o meia-Boca e torce por vitória do Deportivo Cáli

Antero Greco
Antero Greco


Amigo torcedor fiel, adianto que não sou especialista em cálculos e projeções; portanto, há o risco de eu me equivocar. Mas, se meus cálculos não falharem, será excelente para o Corinthians, se o Deportivo bater o Always Ready, no jogo de quinta-feira à noite, em Cáli. Daí, na última rodada, Cássio & companheiros precisarão apenas de empate, justamente contra os bolivianos do Always, para seguirem adiante na Libertadores, em primeiro ou em segundo lugar no Grupo E. 

Vamos fazer a projeção juntos. O Corinthians no momento lidera, com 8 pontos, contra 7 do Boca, 5 do Deportivo e 4 do Always. Se o Cáli vencer, vai para 8 também e tira o Always da parada. Na semana que vem, o Corinthians joga em casa; se fizer um ponto, sobe para 9 e aguarda o que rola na Argentina.

 Em Buenos Aires, o Deportivo visita o Boca e, independentemente do resultado, um dos dois cai fora. Isso porque o Deportivo pode ter 8, 9 ou 11 pontos, enquanto o Boca pode ter, na mesma sequência, 7, 8 ou 10. Fiz essa estimativa sem levar em conta a possibilidade de empate entre Deportivo e Always. Daí, as opções se abrem, a conta fica mais complicada e é melhor nem pensar nisso…

Quase complicada foi a vida alvinegra na noite desta terça-feira, em La Bombonera. O técnico Vitor Pereira inovou de novo, ao escolher uma formação com muitos jovens, a começar por Bambu, João Victor e Raul Gustavo para a zaga, além de Piton na ala direita, Du Queiroz no meio, Mosquito mais à frente. E completou com os veteranos Cássio, Fábio Santos, William e Jô, mais Maycon, que é novo e porém rodado. 

Um Corinthians teoricamente equilibrado, com experiência e leveza, para segurar qualquer pretensão do Boca se impor. Por um período deu certo, sobretudo porque ficou em vantagem, com o gol de Du Queiroz com 15 minutos. Mas, com o tempo, a estratégia começou a ruir. Embora o Boca de hoje esteja distante dos dias de glória, aos poucos se soltou, foi à frente, aproveitou-se de indecisões do sistema defensivo brasileiro, criou duas excelentes chances, antes de empatar  com Benedetto, aos 42.

VP percebeu a brecha, no segundo tempo, e fez três mexidas de uma vez, com a saída de Bambu, William e Maycon, para colocar Mantuan, Renato Augusto e Cantillo. Deu uma ajeitada, fechou novamente espaços para os argentinos e Cássio passou menos sustos. Só que o caldo quase entornou, por causa de falta de fairplay do Boca, ao não devolver bola colocada para fora por Cássio porque Fábio Santos estava machucado. 

O tempo fechou duas vezes, até sobrar vermelho para Cantillo. O árbitro uruguaio Christian Ferreyra foi bem caseiro, pois dava para presentear algum jogador local com o vermelho, de preferência Benedetto, que participou ativamente do bafafá.  

O Boca pressionou, com um a mais, teve chance com Sálvio, e ficou apenas na vontade. Claro que é time com história enorme na competição; mas, no momento, é bem meia-boca. O problema é avançar e crescer nas fases de mata-mata. O Corinthians passou bem, por teste complicado, mesmo sem futebol de encher os olhos. Importa que  cresce, amadurece, Vítor Pereira encontra alternativas e encaminha a vaga. Por ora, está no rumo correto, mas ainda há muito que aprimorar. 

Cássio tomou alguns sustos, embora não tenha sido muito exigido no jogo com o Boca Juniors
Cássio tomou alguns sustos, embora não tenha sido muito exigido no jogo com o Boca Juniors ESPN
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O Flamengo precisa de muita convicção, se acha que deve manter Paulo Sousa

Antero Greco
Antero Greco

O ambiente acalmou no Flamengo por duas semanas, tempo em que não viajou, ficou em casa e venceu vários jogos. Mas a poeira voltou a subir, neste domingo, com a derrota por 2 a 1 para o lanterna Fortaleza. Parte da torcida que foi ao Maracanã vaiou o time e sobretudo Paulo Sousa, antes e depois do jogo. O português não consegue conquistar o coração dos “adeptos” rubro-negros, e a direção precisará de muita convicção, se acha conveniente mantê-lo, independentemente das turbulências. 

Paulo Sousa mostra inquietação com os constantes experimentos no Flamengo. Desde que chegou, raras as vezes em que repetiu uma formação. E isso não ocorreu por diversos motivos e “ões”: contusões, suspensões, convocações e opções dele mesmo, no rodízio permanente a que submete o elenco. Este último aspecto, ele defende como necessidade, em função dos muitos torneios de que o clube participa ao mesmo tempo. Nada diferente do que fazem seus colegas. 

O problema do Flamengo não se resume às mexidas na escalação. Estas ocorrem e são inevitáveis em qualquer lugar. Concentra-se, em minha opinião, na indefinição de um time-base, na ausência de uma formação em que se podem detectar os titulares e substitutos imediatos. Algo rotineiro em qualquer time, mas que agora parece uma ofensa, na visão de muitos “professores”, que apelam para o chavão de que “todos são titulares”. 

Balela. Esse discurso funciona quando o técnico não tem clareza do que pretende com um time; ou, então, não tem confiança nos jogadores. O próprio Flamengo, com Jorge Jesus, tinha uma escalação que estava na ponta da língua dos torcedores. E se sabia, quase sempre, quem entraria, numa emergência. Cito JJ não porque sou uma “viúva” dele; mas porque esta crônica trata de Flamengo. Ou, se preferirem, cito Abel Ferreira, que tem um Palmeiras A para os grandes duelos, em que todos sabem quais serão os 11 a começarem os jogos. Depois, entram as alternativas…

Ter um time-base ajuda a definir estratégia, encorpa, dá confiança aos escolhidos e transmite ao torcedor a sensação de firmeza no trabalho. Paulo Sousa não passou isso, ainda, para seu público. Pior: o futebol da equipe não engrena, não encanta, não se mostra estável. As trocas, jogo a jogo, deixam mais dúvidas do que certezas. Para complicar, os resultados raramente são convincentes. 

Não vejo ainda terra arrasada no Flamengo, que está no páreo em três frentes - Copa do Brasil, Brasileiro e Libertadores. Claro que pode chegar em todas, assim como pode ficar a ver navios, como aconteceu no ano passado. Mas é inegável que a situação é preocupante, porque muito longe do ideal.  A inconstância aparece em todos os setores, e não é de agora. Não sou dos que espinafram treinadores por qualquer bobagem; também não sou dos que defendem permanência a qualquer custo. Paciência de torcedor e de cartola tem limite. 

A bola está com a direção rubro-negra: se a avaliação é a de que Paulo Sousa faz bom trabalho e o grupo apresenta potencial para crescimento, então que ele seja defendido com ênfase. Se a cartolagem ponderar que o português já errou a mão, então não deve esperar por catástrofes e tem de agir rapidamente na troca.  Uma dica. Quando treinador fala em "erros individuais", numa fase de instabilidade, abre uma brecha para perder o grupo.  E Paulo Sousa fez essa observação, após o jogo com o Fortaleza...

O momento é delicado e requer tato e bom senso, e igualmente segurança e rapidez nas decisões. Porque a cornetagem voltou a se fazer ouvir - e eu diria que, exageros à parte, com razão.  A situação voltou a ficar tensa para o "mister"... Se bem que o problema no Flamengo não se resume só a encontrar um técnico ideal.  Está cada vez mais com cara de que cabe uma mudança ampla.

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No empate dos favoritos Palmeiras e Atlético-MG, 'muito obrigado' quem diz é o líder Corinthians

Antero Greco
Antero Greco

Abel Ferreira 'detona' Wilton Pereira Sampaio e diz: 'Me sinto perseguido pelos árbitros brasileiros'

Ninguém - creio - nega que Palmeiras e Atlético-MG sejam dois dos fortes candidatos ao título do Brasileiro. Concorda comigo? A dupla tem elenco, cacife e retrospecto para levantar a taça. Os palestrinos tiveram essa alegria, na história recente, em 2016 e 2018; os mineiros são os campeões atuais. Iniciaram a rodada número 9 dividindo os dois primeiros lugares, com os mesmos 15 pontos. 

Pois bem, palmeirenses e atleticanos continuam com pontuação idêntica, só que agora com 16 para cada lado. Porém, quem festejou o empate por 0 a 0, na tarde deste domingo (5/6) no Allianz Parque, foi o Corinthians, que retomou a ponta, depois do 1 a 0 do sábado diante do Atlético-GO. A rapaziada de Vítor Pereira saltou para 18 pontos e olha para trás em busca dos concorrentes. 

Ou seja, o campeonato está equilibrado para chuchu, sem que ninguém consiga abrir longa dianteira. Ou, tampouco, engrenar com rapidez. E aí está o exemplo do Flamengo, outro protagonista de peso que não se acerta e que, de quebra, ainda concedeu ao Fortaleza a primeira vitória na competição, com os 2 a 1 no Maracanã. O bicampeão de 2019/20 tem 12 pontos, é o 10.º colocado e ainda pode cair uma ou duas posições, até o encerramento da rodada. 

Mas vamos ao jogo no antigo Parque Antártica. Equilibrado e intensamente disputado, como se previa. Porém, ficou abaixo na expectativa do ponto de vista técnico. Pelos jogadores em campo, era possível e justo esperar mais de equipes estreladas. Na prática, foram poucas as oportunidades de gol; tanto que Everson e Lomba apareceram poucas vezes. A rigor, a melhor chance surgiu no último lance do primeiro tempo, quando Navarro ficou livre na frente do goleiro do Galo e, talvez por achar que estivesse impedido, chutou para fora. 

No mais, o clássico foi um festival de divididas duras, jogadas truncadas, marcação implacável e criatividade baixa. Hulk, Nacho, Scarpa, Dudu, alguns dos principais cérebros de lado a lado, ficaram com desempenho normal - ou, melhor, aquém do habitual. Para complicar para os palmeirenses Raphael Veiga machucou-se numa arrancada e precisou sair no meio da etapa inicial. Essa é uma baixa para lamentar. 

Piquerez (esq), do Palmeiras, e Ademir, do Atlético-MG, disputam jogada
Piquerez (esq), do Palmeiras, e Ademir, do Atlético-MG, disputam jogada Cesar Greco/Ag Palmeiras

O duelo em São Paulo mostrou o quanto se equiparam essas equipes e como será difícil apontar favoritismo, se eventualmente vierem a encontrar-se nas quartas de final da Libertadores. Uma possibilidade real e prevista no chaveamento do certame sul-americano. Ambas são favoritas diante de Cerro Porteño e Emelec, respectivamente. Não apostaria seco em ninguém; mas isso fica para mais adiante. 

O Palmeiras sentiu a contusão de Veiga, mas não lamentou a ausência de Weverton, Gomez e Danilo, porque Lomba, Luan, Menino deram conta do recado; ou, no mínimo, não complicaram. Faltou-lhe eficiência nos contra-ataques e pecou por raras finalizações. O Atlético apostou em Ademir, Hulk, Sasha, na frente, para envolver a zaga verde; o trio, desta vez, foi anulado por Marcos Rocha, Murilo e Piquerez. O empate por 0 a 0 não foi obra do acaso, mas consequência da postura firme dos respectivos sistemas defensivos. Galo e Palestra, porém, continuam vivos.



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O Corinthians sofre com empatite, mas segura invencibilidade

Antero Greco
Antero Greco

O Corinthians não sabe o que é perder, desde os 3 a 0 para o Palmeiras, no dia 23 de abril. De lá para cá, são dez jogos de invencibilidade, com quatro vitórias e seis empates. Mas aí é que está o xis da questão. Cinco dessas igualdades vêm na sequência, na Libertadores e no Brasileiro. É a volta da empatite, “doença” que o acometia nos tempos em que era dirigido por Tite. A contrapartida é que, naquela base, foram muitas conquistas, de Libertadores a Mundial, passando por Série A. 

Empatar não é ruim, a depender das circunstâncias. Os mais recentes, por exemplo, incomodam, porque foram em casa e contra adversários tecnicamente mais frágeis. No meio da semana, houve desempenho criticável, no 1 a 1 com o Always Ready, pela Libertadores. Por pouco, os reservas bolivianos não aprontam em Itaquera. O mesmo 1 a 1 voltou a dar as caras, agora neste domingo (29/5), contra o América. Em ambos os casos, os visitantes saíram na frente, para susto da Fiel.

Torcida que prestigiou de novo - e aí é chover no molhado. Corintiano raramente abandona a equipe. Apoia, como fez na quinta e hoje, e corneta, após o apito final. Com razão, e não faço média com a galera. Tanto numa como noutra apresentação, a rapaziada de Vítor Pereira ficou em dívida pelo futebol apresentado. O treinador fez um monte de alterações, em busca de equilíbrio, e o máximo que conseguiu foi evitar derrotas constrangedoras. No torneio sul-americano, ficou em segundo na fase de grupos. No campeonato nacional, caiu para terceiro, embora tenha 15 pontos, assim como o líder Palmeiras e o vice Atlético-MG.


         
     

O jogo com o América foi de dar nos nervos em vários momentos. O Coelho chegou a ter domínio, em parte do primeiro tempo e também no segundo. Tanto que ficou em vantagem, com o gol de Aloísio, aos 21 minutos. (Antes o Cássio havia aparecido bem ao menos em duas ocasiões.) O empate só surgiu com Mosquito, aos 36, na base da insistência, do suor e menos de jogada bem elaborada. 

VP muda bastante o Corinthians, de um desafio para outro, sob a alegação de que precisa dosar energias do elenco. Concordo, em parte. Sinto falta de uma equipe-base, daquela formação que o torcedor sabe que é a “titular”, como tem o Palmeiras, para ficar em exemplo local e bem-sucedido. Talvez a única certeza é a de que o goleiro intocável é Cássio. Os demais rodam e rodam e rodam. Pode economizar pernas e pulmões, mas entendo que retarda entrosamento ideal. 

A novidade da vez foi a presença de Roger Guedes desde o início, junto com Willian, mas caindo mais pela direita. Como Willian saiu por contusão, então Roger teve oportunidade de flertar com o lado esquerdo, como prefere. No entanto, numa ponta ou na outra teve atuação regular - na média do restante do time. O Corinthians, na verdade, está muito mediano. Para ser protagonista, precisa de mais

Vítor Pereira mexeu de novo no Corinthians, que empatou o quinto jogo em seguida
Vítor Pereira mexeu de novo no Corinthians, que empatou o quinto jogo em seguida Getty Images
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Incrível! Raphael Veiga perde pênalti, mas o Palmeiras bate o Santos e voa

Antero Greco
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Ao menos que a memória me confunda, não há um jogador que não tenha desperdiçado um pênalti na vida. Principalmente aqueles que são os cobradores oficiais de suas equipes. Por mais certeiros que sejam, chega um dia em que são traídos por uma batida diferente, uma trave, uma escorregada, uma defesa do goleiro. Há um momento em que o infalível se mostra humano - e erra. 

Pois esse dia fatal chegou para Raphael Veiga. O maestro das penalidades máximas, um dos mais exímios que já vestiu a camisa verde, 24 gols em outras tantas oportunidades, falhou! Isso mesmo. A Vila Belmiro, encantada, mítica, antológica, pode colocar mais uma proeza em sua história repleta de lendas. No domingo, dia 29 de maio de 2022, o carrasco dos goleiros desperdiçou uma chance, em jogada na qual é artista incomparável. A bola beijou a trave direita. 

O jogo estava no 0 a 0, complicado para os dois lados. Um primeiro tempo em que houve equilíbrio, com o Santos um pouco mais ousado. O Palmeiras, com algumas baixas (Weverton e Danilo as principais), mais cauteloso, embora perigoso nos contragolpes. Na segunda parte, a turma da casa melhorou, rondou a área verde, assustou Marcelo Lomba com finalizações traiçoeiras. Dava a impressão de que mandaria para o espaço tabu recente - porém, incômodo - de não ganhar do tradicional adversário desde outubro de 2019. Quase três anos de seca no clássico. 


         
     

A sorte e o placar começaram a mudar com o pênalti desnecessário e sem graça cometido por Rodrigo Fernández em Marcos Rocha, já na metade da etapa final. Veiga vacilou, mas o Palmeiras renasceu, foi para cima e, após cobrança de escanteio, veio o gol decisivo: Gómez desviou de cabeça e a bola ainda resvalou na cuca de Lucas Pires, o que tirou qualquer possibilidade de reação de João Paulo.

O duelo mostrou que os palmeirenses entraram de vez na briga pelo título brasileiro, o que é esperado e lógico, pelo momento que vive, pelo elenco, pelo treinador. Depois de estreia desastrosa, com 3 a 2 para o Ceará, no Allianz Parque, agora são sete jogos sem perder, com três empates e quatro vitórias - três delas na sequência. Por alguns minutos, assumiu a liderança (antes de o Corinthians pegar o América). Não surpreende ninguém, se o Palmeiras ficar no bloco de cima. 

O Santos perdeu a primeira em casa, o técnico Fabián Bustos reclamou da arbitragem (sem motivo), viu o time dele estacionar nos 11 pontos. No entanto, há um aspecto positivo: o Santos hoje é melhor do que aquele que iniciou a competição. Diria mais: está com cara competitiva, o que não tinha na largada da temporada de 2022. 

Raphael Veiga, meia do Palmeiras, durante vitória em clássico contra o Santos, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão
Raphael Veiga, meia do Palmeiras, durante vitória em clássico contra o Santos, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão Cesar Greco/S.E. Palmeiras

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Guayaquil pode ter revanche de Palmeiras x Flamengo. Por que não?

Antero Greco
Antero Greco

Sei que o título desta crônica tende a provocar polêmica. Aliás, qualquer título despertaria celeuma, porque é impossível ocorrer consenso, quando se trata de futebol. E a temperatura sobe numa competição que, a partir das oitavas de final, toma outro formato, com duelos eliminatórios. A história da Taça Libertadores tem incontáveis exemplos de favoritos que tropeçaram nos mata-matas e de zebras que cresceram, surpreenderam e ao final levantaram o troféu. 

Isto posto, vamos lá, quero expor por que acredito na possibilidade de repetição do duelo de 27 de novembro passado, em Montevidéu, aquele que deu o tri ao Palmeiras, com 2 a 1 sobre o Flamengo - gol decisivo de Deyverson, no início da prorrogação. Trata-se de uma projeção e não de verdade definitiva. Se isso fosse, eu ganharia a vida como adivinho e não faria nunca mais plantões de madrugada como jornalista. Passaria meus dias na praia, com sol, camarão e água de coco. 

Libertadores: Pedro Ivo aponta dois brasileiros como os clubes com caminho mais difícil na competição

         
     

O caminho verde até a final, em teoria - e apenas no papel -, é menos complicado do que o do Flamengo. Mas ambos podem superar obstáculos. A rapaziada de Abel Ferreira, com a melhor campanha na fase de grupos, topará com o Cerro Porteño, tradicional concorrente paraguaio. Hoje, porém, não há como negar que o campeão da América é mais competitivo e tem sido letal diante de oponentes com menos potencial técnico. Se não ocorrer surpresa, segue para as quartas de final. 

Nessa fase, suponho, pode ter seu maior desafio, o Atlético-MG. Mesmo com altos e baixos, ao contrário de 2021, o campeão brasileiro tem elenco para despachar o Emelec, que ficou em segundo no grupo do Palmeiras e lhe deu algum trabalho. O Galo precisa, apenas, reencontrar o equilíbrio que tinha sob o comando de Cuca. Jogadores com qualidade não lhe faltam. 

Se assim for, o Atlético-MG tem condições de devolver a desclassificação na semifinal anterior. Mas, de novo, vejo hoje o Palmeiras como um time que sabe o que quer e como atingir objetivos na Libertadores. Mais adiante a história pode mudar, porque dependerá de como estarão os dois elencos. 

Num eventual avanço para a fase seguinte, a perspectiva é de que os palestrinos - se passarem - topem com o Estudiantes, no momento mais forte do que o Fortaleza, seu adversário nas oitavas, ou de Athletico-PR e Libertad. O choque com os argentinos embute perigo para o Palmeiras (ou mesmo para o Atlético-MG). Seria,  mais de meio século depois, oportunidade de vingar a perda da Libertadores de 1969. Na época, foram três duelos: 2 a 1 para o Estudiantes na Argentina, 3 a 1 para o Palmeiras em São Paulo; e 2 a 0 para os hermanos em Montevidéu. 

O outro lado

O caminho do lado do Flamengo parece mais cabuloso - está repleto de argentinos e são cinco campeões continentais. A turma de Gabigol tem uma casca de banana que é o Tolima, habituado a aprontar para cima de brasileiros. Porém, na técnica, sou mais o rubro-negro nas oitavas. Paulo Sousa precisa, no entanto, encontrar urgentemente uma formação próxima do ideal e que seja confiável. 

Na hipótese de ir para as quartas, terá parada dura contra Boca ou Corinthians. Vejo equilíbrio nesse tira-teima entre brasileiros e argentinos, que foi final em 2012. Embora não seja o melhor Boca dos últimos anos, a tradição, a tarimba em Libertadores podem fazer o diferencial para classificação. E, nas quartas, vejo de novo chances de o Flamengo superar um gigante do futebol mundial. 

Se este exercício de projeção se confirmar,  o Flamengo jogará na semifinal necessariamente contra outro argentino, pois nas oitavas estão marcados os clássicos Talleres x Colón e Vélez x River Plate. Não vislumbro o River caindo para nenhum desses rivais domésticos antes da semifinal. Numa hipotética revanche da final de 2019, a balança será bem calibrada. Ainda assim, minha preferência recai sobre o Flamengo, sobretudo se voltar a funcionar à perfeição o quarteto Everton, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol. Será dureza, disso não há dúvida.

Este texto pode soar como tendencioso - e não vou contestar, se pensar assim: uma coisa é imaginar cenários, outra é a realidade com a bola rolando. Não excluo ninguém de antemão, como observei logo no primeiro parágrafo. Apenas fiz um “exercício de futurismo”. Outras hipóteses de final, por exemplo? Vamos lá: Atlético x Flamengo, Atlético x Boca, Palmeiras x Boca, Palmeiras x River, Estudiantes x River, Estudiantes x Flamengo, Atlético x River, Estudiantes x Boca. Alternativas baseadas no que os times apresentaram na primeira fase - e só levei em consideração aqueles que mais chamaram a atenção até aqui. 

Dudu e Arrascaeta disputam bola na final da Libertadores
Dudu e Arrascaeta disputam bola na final da Libertadores César Greco/SE Palmeiras
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Corinthians por pouco não passa vergonha em casa na Libertadores

Antero Greco
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Amigo fiel, antes de cornetar o Corinthians faço autocrítica, pois fui dos que acharam que não haveria sufoco contra o Always Ready, no jogo desta quinta-feira (26/5), pela última rodada da fase de grupos da Taça Libertadores. Estava enganado. A rapaziada de Vitor Pereira não só teve dificuldade enorme, como correu risco de ver a zebra boliviana passear de novo, desta vez em Itaquera. Se isso tivesse acontecido, tchau tchau para a vaga nas oitavas. No fim, 1 a 1, a segunda colocação e vaias da torcida que quase lotou o estádio. 

VP optou por formação alternativa, o jeito moderninho de falar em mistão ou reserva. Na avaliação dele, provavelmente a tarefa não seria das mais árduas; para tanto, não valeria a pena desgastar atletas com os quais conta para desafios no Brasileiro. Isto posto, repetiu o que têm feito vários de seus colegas e deu espaço para a turma que não quer mofar no banco. Afinal, um pontinho bastava. 

Não vou nem tomar o tempo do amigo e resumo aqui o que aconteceu: o Corinthians pressionou, como era de se esperar e não passava de obrigação. Arriscou diversas finalização, algumas delas amortecidas pelo goleiro Galarza, um dos melhores em campo. (E goleiro está ali para isso mesmo.) Fez um gol com Adson, aos 18 minutos do primeiro tempo, e tomou o empate aos 43 (Borja). 

O gol antes do intervalo deu uma balançada na turma daqui. O Corinthians sentiu o peso da responsabilidade no segundo tempo, quando se lançou todo à frente, mais na base do “vamos ver o que acontece” do que consequência de estratégia e organização. O auxiliar Filipe Almeida, substituto de VP suspenso, mexeu de baciada, ao colocar ao mesmo tempo Willian, Jô e Renato Augusto, para dar mais clareza e método. 

Melhorou um pouco, mas prevaleceu o jeito bumba-meu-boi nos lances de ataque, a maior parte rebatidos como deu pelos zagueiros do Always. A torcida percebeu que a situação poderia piorar e pediu Roger Guedes. Foi atendida, porém à toa. O pivô de ruídos com o treinador principal não alterou o panorama nem o placar…

Ok que o importante era passar de turno, e isso o Corinthians conseguiu. Continua na corrida pelo bi da América, uma década depois da primeira vez em que levantou a taça. Pode seguir adiante, e dependerá de quem topará nas oitavas de final. Uma coisa, no entanto, preocupa: a inconstância alvinegra. A equipe oscila e VP demora para ter uma formação que considere ideal. As dúvidas seriam tantas assim para que não tenha um grupo que considere como titular?

Gol de Adson ajudou a garantir a classificação do Corinthians num jogo confuso com o Always Ready
Gol de Adson ajudou a garantir a classificação do Corinthians num jogo confuso com o Always Ready EFE
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Atlético-MG perde a longa invencibilidade. Que bom! Agora pode pensar só no título

Antero Greco
Antero Greco

Tolima cala o Mineirão e tira invencibilidade histórica do Atlético-MG na Libertadores; VEJA gols


Caro torcedor do Atlético-MG, admito que não gosto muito de certas estatísticas. Às vezes, se valorizam números, sequências e curiosidades como se fossem as coisas mais importantes do futebol. Posse de bola e invencibilidade, por exemplo, são duas que me incomodam. Dá-se mais valor para o percentual que um time apresenta de controle de jogo do que a eficiência, assim como se transforma série invicta como algo com valor maior do que taças conquistadas. 

Este segundo aspecto, sobretudo, com frequência soa uma bobagem que só serve como caça-cliques, para atrair audiência ou para mostrar simpatia por determinado clube. Nos últimos meses, o que mais ouvi foi a proeza histórica do Galo de acumular 14, 15, 16, 17, até chegar a 18 jogos sem perder na Libertadores. Claro que isso é bacana, mostra força do time e empolga. Porém, nessa conta há dois empates com o Palmeiras, no ano passado, que representaram desclassificação e fim do sonho do título. Troféu que foi, afinal, para o adversário paulista. 

Garanto que 99,99% dos torcedores do Atlético teriam trocado esse marco por uma vitória sobre o Flamengo, na final disputada em Montevidéu. Ninguém estaria preocupado em saber se a equipe está há um ou há 30 jogos sem perder. Vale é ficar no mais alto do pódio. Ou alguém lembra de derrotas para São Paulo, Newells Old Boys e Olímpia na caminhada do título inédito de 2013?

O que quis dizer nos parágrafos acima? Que a derrota por 2 a 1 para o Tolima, na noite desta quarta-feira (25/5), pode representar a arrancada para o bi sul-americano. Pode parecer besteira, numa hora em que o fã de Hulk, Nacho & Cia. está triste com a derrapada num Mineirão lotado e animado, falar em tom otimista. Mas tem de ser assim. O tropeço numa etapa em que isso não altera o rumo da classificação tem tudo para cair como lição e estímulo. 

Turco Mohammed, seus auxiliares e jogadores devem sentar-se diante de um telão, numa pausa entre jogos e treinos, e observar o que saiu fora do roteiro diante do esforçado Tolima. Podem detectar que houve espaços abertos entre os setores, que a defesa se expôs em alguns episódios (o do segundo gol colombiano, para citar um decisivo), que Nacho e Hulk ficaram muito distantes da área, que alguns jogadores não conseguem manter a regularidade do ano passado. Enfim, detectar pontos fracos, corrigi-los e aprimorar estratégia para os mata-matas. 

Tolima comemora após marcar sobre o Atlético-MG, pela Libertadores
Tolima comemora após marcar sobre o Atlético-MG, pela Libertadores EFE/Yuri Edmundo

Sei que, com cabeça quente, a cornetagem é quase inevitável. Sei, também, que o Galo sob a batuta de Cuca foi marcante, ainda mais por vencer o Brasileiro depois de meio século de espera. Porém, importa ter em vista o seguinte: o elenco é bom, competitivo, dos melhores da região. E o time está no bloco dos forte candidatos, ao lado de Palmeiras, Flamengo, River Plate. Sim, podem ocorrer surpresas…

Em resumo: que se esqueça essa obsessão de recordes vazios - maior número de gols marcados, melhor campanha em fases de grupos, invencibilidade etc et - e se feche o foco em ser letal, inteligente, prático até o duelo derradeiro em Guaiaquil. O Atlético pode, tem condições para isso. Agora mais leve, sem o peso de buscar recordes que, ao fim e ao cabo, não acrescentam troféus. 

 

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Fortaleza tem vitória e vaga para sacudir a poeira na Libertadores e no Campeonato Brasileiro

Antero Greco
Antero Greco


Meu amigo, fazia tempo que o Fortaleza devia uma alegria dessas para a torcida! O jogo com o Colo-Colo era decisivo e na casa do adversário. O empate servia para seguir adiante na Conmebol Libertadores. Mas havia risco de tropeço, diante de um adversário direto na luta pelo segundo lugar no Grupo F. Pois a rapaziada de Juan Pablo Vojvoda não negou fogo, lascou 4 a 3, na noite desta quarta-feira (25) e segue adiante em sua primeira - e histórica - participação na competição.

O Tricolor jogou com força e vontade, sobretudo no primeiro tempo, quando foi para o descanso com vantagem de 2 a 1, gols de Silvio Romero aos 2 e Moisés aos 24 minutos. Nem o gol contra de Ceballos abalou a turma. A diferença aumentou na segunda parte e virou goleada, com Moisés aos 8 e Pikachu aos 16 minutos. Daí vieram sustos, com a resposta chilena com Pavez aos 18 e Leonardo Gil aos 34.


         
     

Os 16 minutos restantes (coloco na conta os acréscimos) deram algum calor na moçada do Fortaleza, mas não a ponto de fazer com que perdessem a cabeça e, pior, a classificação para a etapa de mata-mata. Mesmo com um a mais, o Colo-Colo foi para cima, mas esbarrou num time que, enfim, recuperou a confiança. Em alguns momentos, vi o Leão com a garra e disposição da temporada de 2021. 

O resultado poderia ter sido mais folgado? Sim, e por um período foi assim mesmo. Porém, o que interessava era voltar da viagem a Santiago com o passaporte carimbado para a permanência na Libertadores. Isso o Fortaleza conseguiu e precisa ser comemorado. E que a vitória agora sirva como estímulo para a reação no Brasileirão. A lanterna não condiz com a qualidade e a capacidade desse grupo. A hora da virada, quem sabe?, chegou com o que aconteceu hoje no Chile. 

Yago Pikachu e Lucas Crispim comemorando vitória do Fortaleza sobre o Colo-Colo, no Chile, pela Conmebol Libertadores
Yago Pikachu e Lucas Crispim comemorando vitória do Fortaleza sobre o Colo-Colo, no Chile, pela Conmebol Libertadores Martin Bernetti/Getty Images

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Fortaleza tem vitória e vaga para sacudir a poeira na Libertadores e no Campeonato Brasileiro

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José Mourinho, Roma e a primeira grande conquista europeia

Antero Greco
Antero Greco

Roma, José Mourinho e a primeira grande conquista europeia

A Roma é time tradicional, mas com fama e conquistas - poucas - restritas à Itália. José Mourinho está no rol dos técnicos mais famosos do mundo. No entanto, já há tempos não tem trabalhos notáveis; alguns foram até interrompidos pela metade. Clube e treinador encontraram-se, no início da atual temporada, e a parceria virou sucesso, com a conquista da Conference League, competição europeia em sua primeira edição e que se juntou à Champions e à Liga Europa. 

A glória romanista e “mourinhista” veio na noite desta quinta-feira (25/5), no estádio de Tirana, capital da república que durante décadas, no século 20, teve o mais fechado regime comunista do continente. Com a maior parte do público formada por tifosi, a tropa de Rui Patrício, Spinazzola, Abraham & Cia levantou o troféu com a vitória por 1 a 0 sobre o Feyenoord, representante holandês que ostenta no currículo alguns dos principais títulos do futebol mundial. Zaniolo foi o herói. 


A taça é o auge da aposta que James Pallotta, o dono americano do clube, fez num técnico rodado e que andava meio à deriva, depois de faturar a Liga Europa com o Manchester United, em 2017, seu último momento de brilho. Mourinho moldou a equipe para ser competitiva, senão no plano doméstico (de novo, ficou no bloco de cima, mas logo saiu da briga pelo scudetto da Série A) ao menos no nível continental. E disso ele entende, pois também venceu a Champions, com o Porto, em 2004, quando despontava como o mais talentoso técnico de sua geração, e com a Internazionale, em 2010. Aliás, última vez em que um time italiano subiu ao pódio.

A Conference League não é o principal torneio da Europa, não tem o charme, o rendimento, o apelo da Champions; sequer faz sentido qualquer comparação. Ela surgiu como uma necessidade comercial e esportiva. A Uefa percebeu que havia mercado para o retorno de um terceiro campeonato de clubes - como nos tempos de Copa dos Campeões, Recopa e Copa da Uefa - e abriu concorrência e vagas. A aceitação foi imediata, com mais clubes empenhados em grana, fortuna e títulos. 

A Roma soube aproveitar-se da trajetória que percorreu, ao ficar à frente de Bodo/Glimt, Zorya e CSKA Sofia na fase de grupos. Depois, nas oitavas eliminou o Vitesse, pegou o Bodo/Glimt de novo nas quartas, livrou-se do Leicester nas semifinais e superou o Feyenoord no tira-teima no estádio Kombetare. Com direito a lágrimas, abraços efusivos, comemoração com a torcida, papel picado e volta olímpica. 

O grupo giallorosso volta para casa como uma tropa com missão cumprida, numa batalha simbólica, sem mortos e feridos; apenas, com atletas e dirigentes felizes. Para cair nos braços do povo, para rodar pela Cidade Eterna como nos tempos dos Césares vitoriosos, após jornadas pelo Mediterrâneo. A Roma inscreve o nome dela na lista dos italianos que têm taça com grife europeia para exibir. Ora, ora, estão pensando que isso se limita a Juventus, Inter e Milan, os poderosos do Norte? Ou como Parma, Napoli, Lazio, com algumas conquistas avulsas? A Roma agora faz parte desse elite. E Forza, Roma!

Agora, mais do que nunca, valem os versos de Antonello Venditti, o compositor popular e autor do hino da Roma. “Roma, Roma, Roma, coração desta cidade. Único e grande amor, de tanta e tanta gente, que você faz suspirar. Roma, Roma, Roma, nos deixe cantar. Desta voz, nasce um coro, são cem mil vozes de gente que você faz se apaixonar”. 

Muito lindo! 

José Mourinho e  Zaniolo, dois heróis romanistas do título da Conference League
José Mourinho e Zaniolo, dois heróis romanistas do título da Conference League Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Image
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Palmeiras na Libertadores-22 é sinônimo de show, gols, recordes

Antero Greco
Antero Greco

O Palmeiras tem sido um deboche na edição de 2022 da Taça Libertadores. Tomo emprestada a expressão consagrada pelo narrador e amigo João Guilherme porque é, até o momento, a que resume melhor a trajetória do tricampeão. A rapaziada de Abel Ferreira pulverizou adversários em seis jogos, com 25 gols marcados e apenas 3 sofridos. Um dos raros clubes a vencer todas as partidas da fase de grupos, e agora recordista em número de gols e de saldo. Forte candidato a outro título. 

A objeção de qualquer “anti” mais desavisado fala em “grupo fácil”, como forma de desmerecer a proeza de um time que, nos últimos anos, tem dominado o torneio continental com folga. Sim, é fato que os rivais estão abaixo do nível palestrino. Mas pergunto ao amigo que lê estas linhas: há, hoje em dia, alguma equipe que esteja acima? Flamengo, Atlético-MG, River, para citar três fortes concorrentes, também têm justas pretensões. Porém, não superam o atual dono da América e todas foram eliminadas pela tropa alviverde, em 2020 ou em 2021. Ficaram para trás. 

Libertadores: Scarpa faz hat-trick, Palmeiras goleia Deportivo Táchira e fecha grupo 100%; VEJA melhores momentos

         
     

O Palmeiras é melhor e mostra sabedoria, profissionalismo e atenção porque sabe aproveitar-se disso. Quantas vezes um favorito não fica pelo meio do caminho por desprezar os demais, por baixar a guarda? O próprio Palmeiras, e em Libertadores passadas, pagou o caro preço por vacilar. Sob a batuta de Abel Ferreira tem sido cirúrgico quando necessário (lembro as semifinais e a final de 21) e esbanjador, como em várias apresentações nos três anos de intenso brilho. 

Como na noite desta terça-feira (24/5), ao receber o Deportivo Táchira, no Allianz Parque. Não houve meio de os venezuelanos sequer colocarem as mangas de fora e tentarem uma proeza. O Palmeiras dominou do início ao fim, fez dois gols em cada tempo e confirmou a condição de melhor campanha desta etapa. Scarpa fez os dois iniciais (um frangaço do goleiro e uma cobrança de pênalti), Rony marcou o terceiro aos 11 minutos e Scarpa fechou a conta aos 22, também de pênalti. Entre dois gols e outros, Gutierrez descontou para o eliminado Deportivo.

Abel não está para brincadeira na Libertadores. Por isso, mais uma vez largou com o que tinha de melhor à disposição, exceto Danilo e Veiga (com Covid). Sinal claro do treinador português de que a liderança geral era prioridade, assim como a confirmação dos recordes. Scarpa foi o dono do jogo, pelos gols, movimentação, finalizações; outra peça fundamental no esquema. Navarro merece menção honrosa, bem como o goleiro Weverton, com duas excelentes defesas. 

A partir do mata-mata é outra conversa. Claro que há riscos para o Palmeiras. O mesmo raciocínio vale para os demais, ora bolas. O tri consecutivo pode não vir - e é do jogo. Mas que esse grupo tem perfil de fazer história, ah isso tem. E já provou. 

Scarpa comemora um de seus gols em goleada
Scarpa comemora um de seus gols em goleada Cesar Greco/SE Palmeiras
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Caro Vítor Pereira, pense: o Corinthians é maior do que o Liverpool!

Antero Greco
Antero Greco

Figuras de linguagem são bonitas, mas às vezes revelam atos-falhos e provocam saias-justas. É preciso cuidado para lidar com as palavras, sobretudo quando se está de cabeça quente. Como, por exemplo, depois de um clássico complicado contra um rival. Caso de Corinthians 1 x 1 São Paulo, da tarde de domingo (22)

A entrevista de Vítor Pereira, após o jogo, em Itaquera, é bom exemplo do que escrevi no parágrafo acima. As declarações do treinador continuam a dar o que falar. Em primeiro lugar, porque escancarou discordância com Róger Guedes, que estaria com postura individualista, o que o levou a deixá-lo na reserva. Na verdade, o atacante tem sido escanteado desde que revelou em público que não se sente confortável de jogar fora do setor em que se considera mais à vontade. 

Nessa estou com VP. A gente parte do pressuposto de que o técnico olha para o coletivo. E, por isso, considera que o lado em que Róger gosta de atuar está mais bem servido por Willian. Cá entre nós, não há comparação entre os dois: Willian, com trajetória longa e muitos serviços prestados, é bem melhor. Róger, portanto, que abra a mente, dê uma controlada no ego e não deixe escapar chance de brilhar em um clube importante. No Palmeiras e no Atlético-MG, creio, não sentem saudades dele.

Tem a outra parte da entrevista do Mister que me incomodou um pouco. Ao fazer comparação entre o que desejamos e o que a realidade nos impõe, Pereira tratou de usar-se como modelo. Sem rodeios, falou a respeito de um sonho. E reforçou: "Eu também queria treinar o Liverpool, mas não posso. Se você perguntar para mim, eu ia correndo treinar o Liverpool. Com todo respeito ao Corinthians, mas o Liverpool é o Liverpool."


         
     

Ok, entendo o fascínio, o tamanho, a caixa de ressonância que é o Liverpool, um dos mais míticos clubes europeus. Evidentemente, é uma honra ser lembrado para dirigir os Reds da terra dos Beatles. Praticamente um carimbo de qualidade para qualquer técnico. No entanto, a retórica de Pereira pode ser vista como uma gafe, algo como 'quero voos altos, mas me consolo com o que for possível'.

Brinquei em redes sociais, ao observar que 'aqui é Timão, ó gajo!'. Sei que não houve a mais tênue intenção de Pereira menosprezar a ocupação atual. E, segundo os que acompanham a rotina corintiana, ele trabalha com afinco. Porém, poderia ter evitado a referência a um clube estrangeiro, e ainda falar  que 'ia correndo', se pintasse um convite. Bastaria limitar-se ao Róger Guedes que todo mundo entenderia. 

Sem falso moralismo, sem buscar polêmica vazia, no lugar dele eu sempre falaria que meu local de emprego é o melhor do mundo. Pois isso faz com que mecanismos de nossa mente nos incentivem a sermos melhores, a atingirmos excelência nos desafios, sejam numa empresa de fundo de quintal, seja numa multinacional dessas que pretendem comprar o mundo. O mesmo vale para o futebol.  

Faço ainda outra leitura das palavras de Vítor Pereira. Ele quis ser modesto, talvez por não se considerar à altura do potente clube inglês. Ora, não deveria pensar dessa maneira. Não sou 'coach' nem nada. Mas, se fosse ele, botaria na cabeça que tem capacidade para qualquer desafio que lhe aparecer pela frente. E, para início de conversa, admitir que o Corinthians é grande! É maior, até,  do que o Liverpool ou qualquer time gringo.  Se for campeão de tudo por aqui,  um dia chegará ao Liverpool ou outro do portento do gênero. Quem sabe?

Vítor Pereira, técnico do Corinthians, durante clássico contra o São Paulo, na Neo Química Arena, pelo Brasileirão
Vítor Pereira, técnico do Corinthians, durante clássico contra o São Paulo, na Neo Química Arena, pelo Brasileirão Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
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Até onde podem ir Corinthians e São Paulo no Campeonato Brasileiro?

Antero Greco
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O Corinthians lidera, com 14 pontos, o São Paulo está em terceiro, com dois a menos. Ambos empataram por 1 a 1, em clássico equilibrado na tarde deste domingo, em Itaquera. A pergunta que fica, depois de sete rodadas, é: o que esperar de dois grandes vencedores nacionais na trajetória atual na Série A?

Resposta difícil, sobretudo porque o torneio começou com derrapadas de favoritos como Palmeiras, Flamengo e o campeão Atlético-MG. E porque nem corintianos tampouco tricolores despontavam como candidatos a protagonistas. E, no entanto, estes largaram bem, até além da projeção inicial. A questão é detectar se terão fôlego para manter-se no bloco principal até a arrancada final. 

O duelo na Neo Química Arena deixou esperanças e dúvidas para os dois lados; por isso, digo que é complicado cravar um prognóstico. O Corinthians, por exemplo, assustou no primeiro tempo, quando se viu dominado e só não foi tomar cafezinho no intervalo com placar muito desfavorável porque Cássio pegou demais. Na etapa final, porém, reagiu, anulou o rival, criou chances, empatou e poderia ter virado. 

Quadro semelhante, com cronologia invertida, se aplica ao São Paulo. O técnico Rogério Ceni armou bem o time na primeira metade, com sistema defensivo seguro e contragolpes certeiros. O gol de Calleri, nos descontos, foi a prova prática da boa estratégia. Na hora de tirar nota 10 e acabar com tabu de 15 jogos sem vencer na casa alvinegra, veio a queda brusca de desempenho, com o consequente empate e a frustração por escapar a chance de pular para a ponta da tabela. 

Corinthians e São Paulo tem pontos em comuns - o principal deles a oscilação e - ainda - a indefinição em torno de uma formação ideal. Há quem considere desnecessário, nos dias atuais, falar em “time titular”. Discordo. Acho importante o treinador ter bem claras uma formação principal e alterações imediatas. Facilita tudo. Tomem-se como exemplos recentes o Flamengo de JJ, o Palmeiras de Abel Ferreira e o Atlético-MG de Cuca. Em determinado momento, sabia-se quais eram as respectivas tropas de choque. E, não por acaso, todos se deram bem. 

Vitor Pereira e Rogério continuam a tatear e a experimentar, na busca do equilíbrio. O português percebeu que não pode ter, juntos, a maior parte dos veteranos; com isso, os utiliza bastante, mas alternadamente. Aposta em jovens, como Adson, autor do gol de empate. O resultado é um Corinthians que oscila, embora siga em frente em três campeonatos. 

Não muda muito o panorama para os lados de Rogério. No caso são-paulino, vários atletas experientes perderam espaço e têm sido utilizados em jogos “alternativos”. Jovens crescem, porém com altos e baixos. Isso inclui boa parte da turma contratada para a temporada. Tem gente que ainda não justificou o investimento.

O empate por 1 a 1 indica que Corinthians e São Paulo têm potencial para crescer. Para chegar ao título… bem, daí são outros 500. Por enquanto. 

Cássio jogou demais, foi um dos responsáveis pelo empate e no final nachucou o ombro esquerdo
Cássio jogou demais, foi um dos responsáveis pelo empate e no final nachucou o ombro esquerdo Marcello Zambrana/Agif/Gazeta Press

 

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O Palmeiras é hoje o time mais competitivo do Brasil

Antero Greco
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Já dizia o inesquecível Nicola Raccioppi, cartola verde dos mais simpáticos que conheci: 'Futebol é momento!'. Pois bem, não se pode nunca cravar com antecedência o que vai acontecer no fim de uma competição esportiva. Mas, por ora, um fato é incontestável: o time mais competitivo do Brasil é o Palmeiras.

 A equipe sob guia eficiente de Abel Ferreira não entra em disputas para ser figurante. Seja torneio doméstico, nacional ou internacional, lá está para ter papel de destaque. As duas Conmebol Libertadores, os dois Paulistas (um com Luxemburgo), a Copa do Brasil e a Recopa Sul-Americana conquistadas em apenas 20 meses confirmam a tese. Fora outro vice estadual e um vice Mundial…

Pois agora eis que o Palmeiras sobe também no Brasileiro. A estreia não foi bacana (3 a 2 para o Ceará, em casa), assim como os três empates em poucas rodadas. Mas a reação surgiu, com algumas vitórias - a mais recente os 3 a 0 diante do Juventude, na noite deste sábado (21), em Caxias (RS). Com 12 pontos, entrou no G-4, com 12 gols tem o melhor ataque e com apenas 5 sofridos possui a melhor defesa, ao lado do Santos. Ou seja, disse 'Presente!' na briga pelo título da Série A. 


         
     

Abel sabe da importância de um campeonato que ainda não ganhou e, por isso, mandou a campo o que tem de melhor, com três baixas inevitáveis: GÓmez, suspenso, Raphael Veiga com virose e Piquerez em recuperação. No mais, recorreu a seu bloco principal, com Weverton, Marcos Rocha, Danilo, Dudu e Cia. Não deu outra: o resultado foi construído com naturalidade e só não foi maior porque César pegou muito e evitou derrota mais constrangedora para  o Juventude.

O obstáculo foi superado pelo Palmeiras no estilo de sempre: intensidade e gol no início (Zé Rafael, aos 8 minutos), domínio, pressão e outro gol (Rony, aos 31). Na segunda parte, só manutenção das rédeas do jogo, novas chances e o terceiro gol (Gabriel Menino, aos 47). Weverton passou a maior parte do tempo saltando de um lado para o outro, em sua área, apenas para espantar o frio da serra gaúcha. 

O Palmeiras vai levar mais alguma taça, em 22, além daquela do Paulista? Não sei, não tenho bola de cristal nem converso com os astros. Porém, uma constatação se pode fazer, sem exagero: esse time é cascudo, o elenco está afinadíssimo com as ideias do treinador. Não por acaso hoje é duro para ser superado.

Em tempo: o Palmeiras disputou 34 jogos em 2022. Sabe quantas vezes perdeu? Três. Chelsea, São Paulo e Ceará…

Danilo, Zé Rafael e Rony comemorando gol do Palmeiras em vitória sobre o Juventude, no Alfredo Jaconi, pelo Brasileirão
Danilo, Zé Rafael e Rony comemorando gol do Palmeiras em vitória sobre o Juventude, no Alfredo Jaconi, pelo Brasileirão Cesar Greco/Ag. Palmeiras
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Está mais do que na hora de deixarem o Flamengo em paz

Antero Greco
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Mais até do que resultados, do que o Flamengo precisa atualmente é paz. Incrível como um time vitorioso, com elenco milionário e pretensões sempre altas, não consegue passar uma semana sem alguma polêmica para atrapalhar a rotina. A mais recente, como se sabe, foi aquela envolvendo o goleiro Diego Alves, o técnico Paulo Sousa e o gerente Bruno Spindel. O fogo só foi apagado (aparentemente), neste sábado (21/5), em entrevista coletiva com o treinador, o diretor e Marcos Braz.

Mas os ruídos de comunicação se fizeram notar antes do jogo, com algumas vaias para Sousa; durante, com xingamentos para Braz e o presidente Landin; e depois, com novas vaias, dessa vez, para a equipe, mesmo com a vitória por 1 a 0. A plateia também aplaudiu, claro; mas, com as vaias aqui e ali, tratou de mostrar descontentamento com a falta de sintonia entre os setores que compõem o futebol profissional do clube. Não faz sentido a balbúrdia interna.

Durante os 90 e tantos minutos, a equipe tratou de tirar um pouco da pressão. O resultado foi magro, porém o desempenho esteve acima de outras exibições recentes. O placar serviu para interromper série sem triunfos, fez o Flamengo subir alguns degraus na classificação e abaixa a poeira. Até quando é que não se sabe.

O Flamengo merecia mais do que o 1 a 0. Jogou para pelo menos ter uma diferença folgada; não uma goleada, longe disso. Ao menos 2 a 0 cairia bem. No primeiro tempo,  dominou o rival goiano, fez a vantagem (Pedro aos 16 minutos) e não sofreu sustos. Gabigol, um pouco mais recuado, foi um dos destaques, assim como o próprio Pedro. Na segunda parte, a intensidade caiu, foram poucas as finalizações. Paulo Sousa apelou para alterações e rodou o elenco. 

Talvez o Flamengo demore para estabilizar e ter um padrão definido, com o jeito que Paulo Sousa imagina. Isso acontecerá quando a enfermaria estiver vazia, quando os que retornaram estiverem no melhor de suas condições físicas (Rodrigo Caio, David Luiz, Filipe Luiz, Bruno Henrique e outros), quando houver continuidade na escalação. Até lá, haverá altos e baixos, com cobranças naturais de crítica e torcida. Mas, se houver união interna, será mais fácil atravessar períodos de turbulência.  Não pode é ter "fogo amigo". 

 

Paulo Sousa ouviu algumas vaias antes do jogo do Flamengo com o Goiás no Maracanã
Paulo Sousa ouviu algumas vaias antes do jogo do Flamengo com o Goiás no Maracanã Gilvan de Souza/Flamengo
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Torcedor do Atlético-MG tem direito de pedir Hulk na seleção. Joga muito

Antero Greco
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Não é de hoje que o torcedor do Atlético-MG sonha em ver Hulk na seleção brasileira. Quer dizer, não é todo torcedor; há os que entendem que a Amarelinha, atualmente, é sinônimo de estorvo para os clubes - e não deixam de ter razão. Em certo sentido, atrapalha mesmo. Assim como estão certos os que desejam ver o atacante no grupo que Tite vai levar para a Copa do Mundo no Qatar.  Ele é idolo da Massa Alvinegra, sentimento a ser respeitado sempre. 

A probabilidade de que isso se torne realidade é baixa. A não ser que o treinador nacional dê uma guinada inesperada em suas convicções, não há vagas, nem para Hulk nem para Raphael Veiga, dois atletas que atuam no Brasil e que jamais entraram em seus planos para a quinta tentativa de conquista do hexa. Tite tem inconfundível queda para atletas brazucas que atuam no exterior. E fim de papo. 

Isso não impede que se reconheça o valor de Hulk, que em 25 de julho fará 36 anos, tem entusiasmo de garoto e força como o herói verde das HQs. ele joga pra caramba, e não é de agora. O Atlético deu uma de suas maiores bolas dentro, nos últimos anos, ao investir no paraibano que fez carreira, fama e fortuna em andanças por Japão, Portugal, Rússia e China, antes de desembarcar em BH. De longe, foi o destaque nas campanhas dos títulos Brasileiro e da Copa do Brasil de 2021. Repete a dose, neste ano, com gols importantes no Estadual, no Brasileiro, na Conmebol Libertadores.


         
     

Os dois mais recentes vieram na noite desta quinta-feira (19), nos 3 a 1 sobre o Independiente del Valle, no Mineirão, pela quinta rodada da fase de grupos. Abriu a contagem aos 8 minutos do primeiro tempo, dobrou o placar aos 11 do segundo, fora o calor que deu nos zagueiros do time equatoriano. Cada vez que pegava na bola viu cena que há muito se repete: um monte de gente a cercá-lo. Hulk arrasta multidões a aplaudí-lo e a tentar segurá-lo em suas arrancadas. 

Hulk foi decisivo na vitória que matematicamente confirmou o que se sabia de antemão: o Galo seguiria adiante. Talvez não com a campanha que se supunha - tem 11 pontos, com dois empates -, mas sem maiores sustos. Foi assim neste duelo, em que não deu espetáculo, porém fez o suficiente para não deixar zebra livre. O Del Valle ainda diminuiu, com Vargas aos 36, mas Savinho fechou a conta aos 50 com um gol que vou te contar a beleza que foi! Uma obra de arte. 

O Atlético ainda oscila além do que se poderia prever para um grupo consolidado desde os tempos de Cuca. Certo que teve algumas baixas para hoje, entendo que 'Turco' Mohammed persegue modelo ideal e reconheço que nem todos estão no nível da temporada anterior. No entanto, o Galo pode - e deve - aprimorar-se, para voar e carimbar os prognósticos de protagonista no Brasileiro e na Libertadores.

Hulk comemorando gol pelo Atlético-MG sobre o Independiente Del Valle, pela Conmebol Libertadores
Hulk comemorando gol pelo Atlético-MG sobre o Independiente Del Valle, pela Conmebol Libertadores Pedro Souza/Atlético-MG

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Santos acerta um chute, na bacia das almas, vence e lidera

Antero Greco
Antero Greco

Amigo que me dá a honra de perder alguns minutos para ler esta crônica, não tem como fugir do lugar-comum e parafrasear Chacrinha, o Velho Guerreiro: o futebol é jogo que só acaba quando termina. Enquanto o juiz não der a última assoprada no apito não se deve falar que o placar esteja definido. Sempre pode acontecer algo.

Está aí a partida que Santos e Union La Calera fizeram na noite desta quarta-feira (18) na Vila Belmiro. Tudo, mas tudo mesmo, levava a crer que ambos ficariam num 0 a 0 embaraçoso para o time brasileiro. O tempo normal havia ido para o espaço, os cinco minutos de acréscimo idem, até que rompeu um daqueles bafafás típicos de duelos entre clubes sul-americanos. Empurra daqui, empurra dali, bolinho de jogadores e eis que o juiz expulsa Ramirez e Léo Baptistão. 

Depois de uns sete minutos de interrupção, o árbitro Jesus Valenzuela mandou recomeçar, com falta contra o Santos, que recuperou a bola, foi para o contragolpe e aí teve falta a seu favor. Bola levantada na área, rebote, chuveirinho de Sandry, que encontrou Lucas Barbosa livre, para ajeitar e marcar. Isso aos 57 minutos do segundo tempo! E depois ainda teve mais uns três minutos e outra confusão!

Santos venceu o La Calera na Vila Belmiro pela fase de grupos da Copa Sul-Americana
Santos venceu o La Calera na Vila Belmiro pela fase de grupos da Copa Sul-Americana Ivan Storti / Santos FC

Na prática, foi meia prorrogação para definir o resultado e a liderança santista no Grupo C, com 10 pontos, contra 8 do La Calera, que estava pra lá de satisfeito com o empate. A definição fica para a semana que vem, quando o Santos recebe o Banfield, lanterna com 4. O Calera pega a Universidad Catolica, do Equador, com 5.

O mais inacreditável foi o índice de aproveitamento do Santos. A estatística vai mostrar que ele teve um chute certo ao gol, com 100% de acerto. Mas não entram na conta várias bolas que cismaram de bater na trave... Bacana, emocionante, faz parte do fascínio do futebol. Tudo lindo. Mas o desempenho esteve aquém do esperado. O técnico Fabian Bustos viu a equipe dele ter dificuldade na criação e  sobretudo na pontaria. As alterações salvaram a noite, principalmente a entrada de Lucas Barbosa, aos 28 minutos da segunda etapa. 

Se considerarmos o lado prático e o aspecto psicológico, o resultado na Copa Sul-Americana anima, assim como a passagem de fase na Copa do Brasil e a reação no Brasileiro. O Santos apruma-se como pode, sacode a poeira e, como diria Zeca Pagodinho, deixa que a vida o leve. Mas, quem sabe para onde? Por ora, basta curtir um dia e um obstáculo saltado por vez. Haja adrenalina.

Sul-Americana: Já eliminado, Cuiabá vence o River Plate-URU fora de casa; VEJA gols


         
     
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O Palmeiras ganha a quinta em seguida na Libertadores. E segue contando…

Antero Greco
Antero Greco


Caro amigo, você, eu, a torcida do Palmeiras sabemos que a Conmebol Libertadores se divide em duas fases distintas, aquela de grupos e a de mata-matas. De uma para outra, a conversa muitas vezes muda de figura. Isto posto, vamos direto ao assunto: o bicampeão da América continua arrasador. Ninguém consegue parar a rapaziada de Abel Ferreira: em cinco rodadas, cinco vitórias - a mais recente o 1 a 0 sobre o Emelec, na noite desta quarta-feira (18) fria, no Allianz Parque. Melhor campanha geral.

O Palmeiras sobra na chave dele, que tem ainda Independiente Petrolero-BOL e Deportivo Táchira-VEN. E não adianta vir com papo de que é a mais fácil, os adversários estão abaixo, 'teve sorte no sorteio' e coisas do gênero. Pelo terceiro ano consecutivo, a turma verde segue roteiro impecável, diante dos mais variados adversários. Em 2020, foram 10 vitórias, 2 empates e uma derrota. Em 2021, acumulou 9 vitórias, 3 empates e também só uma derrota. Vai colocar defeito?

O que os números mostram? Que o Palmeiras impõe-se, seja lá qual o nível do obstáculo com o qual topa pela frente. Na edição de 2022, já são 21 gols, proeza raramente alcançada. Na história do campeonato, ocupa a sexta colocação no número de gols marcados (413) e é o único brasileiro dentre os dez primeiros. A marca sobe para 1,90 gol por partida, se for feita a média gol/jogos. O tricampeão tem lastro, tem 'pedigree' para disputar o troféu sul-americano. 


         
     

A campanha até aqui tem sido tão tranquila e sem sustos, que Abel decidiu mandar mistão a campo, no início de noite fria em São Paulo. Jogadores como Dudu, Zé Rafael e Raphael Veiga  entraram só na metade do segundo tempo - e para decidir. Como o gol não saísse, a tropa de elite foi convocada para resolver a questão. E não decepcionou: Danilo, em fase extraordinária e um dos poucos titulares escalados desde o início, marcou aos 29 minutos. Dali em diante, foi só deixar o tempo passar, com uma chance apenas para os equatorianos.

Mesmo enquanto teve muitos reservas, o Palmeiras dominou, criou oportunidades (Navarro e Rony estiveram na cara do gol) e não deixou o Emelec se engraçar. Abel pôde ver em ação Vanderlan, Atuesta, Menino, Kuscevicz, Jorge, que precisam estar com 'rodagem' em dia, porque, pelo visto, o time avançará com força nas três frentes - além da Libertadores, tem Copa do Brasil e Brasileiro. A torcida está nas nuvens, exceto alguns desmiolados que tentaram tumultuar o ambiente com emboscada contra Jorge, no começo da semana. Sempre tem um sem-noção…

Danilo e Rafael Navarro comemorando gol do Palmeiras, em vitória sobre o Emelec, pela Conmebol Libertadores
Danilo e Rafael Navarro comemorando gol do Palmeiras, em vitória sobre o Emelec, pela Conmebol Libertadores Cesar Greco/Ag. Palmeiras

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O Palmeiras ganha a quinta em seguida na Libertadores. E segue contando…

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Estão deixando o Botafogo e sua torcida sonharem… Que bom!

Antero Greco
Antero Greco

Meu amigo alvinegro, fazia tempo que não via a torcida tão animada com o Botafogo. Tinha até esquecido como era essa reação agradável. Agora, a maré é favorável, e todos procuram embarcar nela. No que estão certos. O time merece.

O Botafogo de início de gestão John Textor e comando do técnico Luís Castro dá esperança de retorno a tempos de glória. Por enquanto, se não de conquistas de títulos, pelo menos de desempenho honroso. Como acontece no começo do Brasileirão, após outra passagem pela Série B. Disputadas seis das 30 rodadas, eis que a turma da Estrela Solitária ocupa a quarta colocação, com 11 pontos, assim como o São Paulo, com um a menos do que o Atlético-MG e dois atrás do Corinthians

Botafogo vence Fortaleza de virada e sobe para o G-4 do Brasileirão

         
     


Não é pouco, algo para comemorar, mesmo que adiante se mostre glória passageira. Para quem viveu tanta angústia, estar no bloco de cima significa reviravolta daquelas. Para curtir o momento. Momento de ajuste e de alta, com cinco jogos de invencibilidade (3 vitórias e 2 empates), após estreia com derrota por 3 a 1 para o Corinthians. A imagem inicial se desfez com os resultados atuais. 

O Botafogo tem limitações, não ostenta esquadrão como concorrentes badalados nem consegue, ainda, sequência de apresentações fortes. Porém, encorpa, há jogadores que crescem, se ajustam ao esquema de Castro e contribuem para o astral pra cima, de confiança na Série A e também na Copa do Brasil

A prova de que o ajuste tende a melhorar veio na vitória por 3 a 1, de virada, sobre o Fortaleza, neste domingo (15/5). O Botafogo não foi exuberante, encontrou dificuldades diante de um rival bem mais entrosado (apesar da fase ruim) e ainda jogou com um a mais desde os 39 minutos do primeiro tempo (Ceballos foi expulso por dois cartões amarelos). No entanto, chamaram a atenção o empenho, o autocontrole e a paciência da equipe, sinal de que os jogadores assimilam o que Castro lhes pede.

Além da qualidade individual. Patrick de Paula, por exemplo, entrou no segundo tempo e, de falta, marcou o gol da virada, aos 43 do segundo tempo. No meio da semana, o ex-volante do Palmeiras tinha feito um dos gols nos 3 a 0 sobre o Ceilândia, pela Copa do Brasil. Antes dele, Erison tinha empate, ainda aos 41 do primeiro tempo, e Daniel Borges fechou a conta aos 49 da etapa final. Para o Fortaleza, Moisés marcou aos 14 do primeiro tempo. 

O Botafogo sonha e faz sua torcida ter esperança de ser feliz. Nenhum dos dois está errado. Que bom para o futebol que um dos clubes tradicionais dá sinais de ressurgimento. Todos ganharão com isso, incluída a concorrência. 

Erison comemora gol
Erison comemora gol Vitor Silva/Botafogo FR
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O Palmeiras retoma o bom caminho também no Campeonato Brasileiro

Antero Greco
Antero Greco

Palmeiras supera Red Bull Bragantino com gols de Danilo e Raphael Veiga; assista


Havia torcedor com uma pulguinha atrás da orelha por causa do início oscilante do Palmeiras no Brasileiro. Sobretudo depois de estreia com derrota para o Ceará e com três empates em cinco jogos. No entanto, eis que, na sexta rodada, o time de Abel Ferreira parece ter reencontrado o rumo certo, com vitória por 2 a 0 sobre o Bragantino, na tarde deste sábado (14/5), no Allianz Parque.

O treinador português não deu brecha para o azar e escalou o que tem de melhor, exceto Marcos Rocha, liberado para acompanhar nascimento de filho. No mais, foram a campo todos aqueles que, nos grandes momentos - como finais de Libertadores e Paulista -, ostentam a condição de titulares. Abel sabia da importância do jogo, e do peso do rival. Por isso, pediu esforço adicional para a tropa, que no meio de semana havia passado pela Juazeirense, na Copa do Brasil. 

E não se arrependeu. O Palmeiras foi melhor do que o Bragantino, do início ao fim. Poderia ter resolvido a questão ainda no primeiro tempo, quando teve diversas ocasiões para marcar, viu dois gols anulados e um confirmado - de Danilo, aos 30 minutos. E só resolveu de vez, aos 51 da etapa final, com gol de pênalti cobrado por… claro, ele, Raphael Veiga, infalível nesse quesito. 

A torcida que quase lotou o estádio palestrino saiu com a certeza de que, a partir de agora, a equipe do coração terá papel de protagonista na competição nacional, como era de se esperar. Qualidade não falta, entrosamento igualmente anda alta. A questão é: até quando o grupo aguenta o ritmo forte de ficar no topo em quase todos os torneios de que participa? Abel tem levantado o tema há bastante tempo. Por ora, projeções pessimistas não vingam, provavelmente porque a fase - que dura dois anos - é boa, a maré está a favor e isso injeta ânimo nos jogadores. 

Danilo comemora após marcar para o Palmeiras sobre o Red Bull Bragantino
Danilo comemora após marcar para o Palmeiras sobre o Red Bull Bragantino Cesar Greco/Ag Palmeiras

A tendência é a de que Abel dê folga para os mais cansados, na partida de quarta-feira contra o Emelec, de novo em casa. Com a vaga confirmada, com folga à frente, não há muito por que iniciar com carga total. Um respiro cai bem, já que no próximo sábado tem duelo verde, com o Juventude, no Sul. E o Palmeiras avisa que entrou de vez no Brasileirão. Para ter papel de destaque. 


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O São Paulo come pelas beiradas e avança em três frentes

Antero Greco
Antero Greco

Não se pode - ainda - cravar o São Paulo como favorito em nenhuma das competições de que participa. Aliás, não tem equipe que ostente essa condição. Porém, sem alarde, a tropa de Rogério Ceni cresce, avança, come pelas beiradas, seja no Brasileiro, como na Sul-Americana e na Copa do Brasil. Segue firme em frente, depois de já ter decidido o Paulistão deste ano. 

Copa do Brasil: São Paulo vence o Juventude e avança; VEJA gols

         
     

A classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil veio com uma boa exibição, na noite desta quinta-feira (12/5), nos 2 a 0 sobre o Juventude, na Arena Barueri. A opção de Rogério foi a de mandar a campo uma formação mista, como tem sido recorrente praticamente desde a primeira rodada do Estadual. Ele deu nova oportunidade para diversos jogadores que têm frequentado o banco de reservas. 

De quebra, arriscou até uma alteração tática, com formação com três zagueiros na etapa inicial (Arboleda, Leo e Diego Costa). A tática funcionou, o São Paulo se mostrou seguro, não passou sustos contra os gaúchos, como na partida de ida (perdia por 2 a 0 e reagiu), fez os dois gols (com Arboleda aos 27 do primeiro tempo e Igor Vinicius aos 23 do segundo) e carimbou a vaga sem sofrimento. 

Nem todo mundo foi bem. O uruguaio Gabriel Neves, por exemplo, teve desempenho opaco e foi substituído por Luan. Outro que jogou abaixo da média foi Rigoni, nem sombra do jogador ágil e decisivo de 2021. Ainda assim, houve melhora no rendimento geral, em relação a compromissos anteriores com o “mistão”. Bom para a estratégia de Rogério de rodar o elenco o máximo possível, já que o São Paulo não pretende, no momento, abrir mão de nenhum dos campeonatos. 

Cedo para avaliar até onde pode chegar. De qualquer forma, a perspectiva por ora é melhor do que a do início da temporada, depois de encerramento decepcionante no ano passado. O São Paulo lentamente tem um perfil delineado, que se mostra competitivo. Será campeão de algo? Esta não dá pra responder, nem com bola de cristal, porque o que resolve mesmo é a bola de couro. 

São Paulo comemora gol
São Paulo comemora gol Paulo Pinto/São Paulo
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