O São Paulo vai às compras, mas é prudente segurar a empolgação

Antero Greco
Antero Greco

Nos últimos dias vi, em mais de um lugar, comentários empolgados por causa das contratações que o São Paulo fez na largada de  2022. A chegada de Jandrei, Alisson, Rafinha, Patrick e Nikão arrancou previsões entusiasmadas, na base de “o melhor no mercado” ou “está pintando um grupo muito forte” para a temporada. 

As afirmações entre aspas não são mentirosas, tampouco representam uma verdade categórica ou são prova de excelência. O Tricolor é, de fato, um dos clubes que mais se mexem na tentativa de construir um plantel que dê opções ao treinador, no momento Rogério Ceni (a gente nunca sabe até quando um técnico fica num clube). Mas o fez por necessidade, porque o material que tinha em 2021 não agradou, ficou aquém das expectativas. A conquista do Campeonato Paulista foi doce ilusão. 

Daí a necessidade de a direção sair à cata de jogadores. O investimento desponta como obrigação e não sinal de que, com isso, o São Paulo supera rivais nesta fase de reformulação. Não cabe, por exemplo, comparação com Flamengo, Atlético-MG ou Palmeiras. Por uma razão óbvia e evidente; estes investiram pouco, ou quase nada, nestes primeiros dias de janeiro simplesmente porque não precisam. Os respectivos elencos já provaram sua capacidade de competição e decisão. Conmebol Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro estão aí para realçar essa constatação. 

 Na teoria, Ceni terá mais opções para montar time forte. É preciso ver como será na prática
Na teoria, Ceni terá mais opções para montar time forte. É preciso ver como será na prática DJALMA VASSÃO/Gazeta Press

O São Paulo precisava recuperar terreno - aliás, coloco o verbo no presente: precisa retomar o lugar histórico de protagonismo que lhe cabe. Insisto na tecla há pelo menos uns sete anos. Fui dos poucos na imprensa que lá atrás, por volta de 2015/16, alertava para a tendência preocupante de o Tricolor ocupar só papel secundário. Já me chamava a atenção a seca de títulos: desde o tri nacional de 06/07/08, a única taça nova no memorial no Morumbi fora a Copa Sul-Americana de 2012. Era pouco, e a seca estendeu-se até o Estadual do ano passado. Ainda é pouquíssimo. 

Entendo a esperança do são-paulino, e é inevitável. Quando o clube contrata, abre-se a perspectiva de sucesso. O torcedor precisa ter otimismo; caso contrário, não terá ânimo para seguir a equipe. No caso, o lado bom é a certeza de que vários chegaram para ser titulares, casos específicos de Rafinha, Patrick e Nikão. Se isso se confirmar, o investimento terá sido positivo. Não há nenhum fora de série; porém, são jogadores rodados e eficientes. 

No entanto, do lado de cá do balcão é necessária cautela. Não gosto de postura negativa, ranheta, que muitas vezes o cronista esportivo assume. Há aqueles para os quais nada está bom, nunca. Não jogo nesse time. Ao mesmo tempo, procuro encarar com prudência certa euforia, sobretudo no caso do São Paulo. Foram tantas as bolas foras, o clube entrou em inúmeras barcas furadas na última década que me levaram a ser cético. Basta olhar a quantidade de jogadores anunciados como “reforços” (não gosto dessa palavra) que não vingaram, ou basta ver a infinidade de técnicos que passaram pelo clube e foram triturados. 

Por isso, prefiro esperar alguns meses para construir um conceito mais sólido a respeito do que será o São Paulo de 2022. Espero escrever muitas crônicas elogiosas, desde que mereça. Fico na torcida para que, enfim, os dirigentes acertem e o time volte a ser relevante nos campeonatos de que participe. Está mais do que na hora da reação. 


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Até onde podem ir Corinthians e São Paulo no Campeonato Brasileiro?

Antero Greco
Antero Greco

O Corinthians lidera, com 14 pontos, o São Paulo está em terceiro, com dois a menos. Ambos empataram por 1 a 1, em clássico equilibrado na tarde deste domingo, em Itaquera. A pergunta que fica, depois de sete rodadas, é: o que esperar de dois grandes vencedores nacionais na trajetória atual na Série A?

Resposta difícil, sobretudo porque o torneio começou com derrapadas de favoritos como Palmeiras, Flamengo e o campeão Atlético-MG. E porque nem corintianos tampouco tricolores despontavam como candidatos a protagonistas. E, no entanto, estes largaram bem, até além da projeção inicial. A questão é detectar se terão fôlego para manter-se no bloco principal até a arrancada final. 

O duelo na Neo Química Arena deixou esperanças e dúvidas para os dois lados; por isso, digo que é complicado cravar um prognóstico. O Corinthians, por exemplo, assustou no primeiro tempo, quando se viu dominado e só não foi tomar cafezinho no intervalo com placar muito desfavorável porque Cássio pegou demais. Na etapa final, porém, reagiu, anulou o rival, criou chances, empatou e poderia ter virado. 

Quadro semelhante, com cronologia invertida, se aplica ao São Paulo. O técnico Rogério Ceni armou bem o time na primeira metade, com sistema defensivo seguro e contragolpes certeiros. O gol de Calleri, nos descontos, foi a prova prática da boa estratégia. Na hora de tirar nota 10 e acabar com tabu de 15 jogos sem vencer na casa alvinegra, veio a queda brusca de desempenho, com o consequente empate e a frustração por escapar a chance de pular para a ponta da tabela. 

Corinthians e São Paulo tem pontos em comuns - o principal deles a oscilação e - ainda - a indefinição em torno de uma formação ideal. Há quem considere desnecessário, nos dias atuais, falar em “time titular”. Discordo. Acho importante o treinador ter bem claras uma formação principal e alterações imediatas. Facilita tudo. Tomem-se como exemplos recentes o Flamengo de JJ, o Palmeiras de Abel Ferreira e o Atlético-MG de Cuca. Em determinado momento, sabia-se quais eram as respectivas tropas de choque. E, não por acaso, todos se deram bem. 

Vitor Pereira e Rogério continuam a tatear e a experimentar, na busca do equilíbrio. O português percebeu que não pode ter, juntos, a maior parte dos veteranos; com isso, os utiliza bastante, mas alternadamente. Aposta em jovens, como Adson, autor do gol de empate. O resultado é um Corinthians que oscila, embora siga em frente em três campeonatos. 

Não muda muito o panorama para os lados de Rogério. No caso são-paulino, vários atletas experientes perderam espaço e têm sido utilizados em jogos “alternativos”. Jovens crescem, porém com altos e baixos. Isso inclui boa parte da turma contratada para a temporada. Tem gente que ainda não justificou o investimento.

O empate por 1 a 1 indica que Corinthians e São Paulo têm potencial para crescer. Para chegar ao título… bem, daí são outros 500. Por enquanto. 

Cássio jogou demais, foi um dos responsáveis pelo empate e no final nachucou o ombro esquerdo
Cássio jogou demais, foi um dos responsáveis pelo empate e no final nachucou o ombro esquerdo Marcello Zambrana/Agif/Gazeta Press

 

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O Palmeiras é hoje o time mais competitivo do Brasil

Antero Greco
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Já dizia o inesquecível Nicola Raccioppi, cartola verde dos mais simpáticos que conheci: 'Futebol é momento!'. Pois bem, não se pode nunca cravar com antecedência o que vai acontecer no fim de uma competição esportiva. Mas, por ora, um fato é incontestável: o time mais competitivo do Brasil é o Palmeiras.

 A equipe sob guia eficiente de Abel Ferreira não entra em disputas para ser figurante. Seja torneio doméstico, nacional ou internacional, lá está para ter papel de destaque. As duas Conmebol Libertadores, os dois Paulistas (um com Luxemburgo), a Copa do Brasil e a Recopa Sul-Americana conquistadas em apenas 20 meses confirmam a tese. Fora outro vice estadual e um vice Mundial…

Pois agora eis que o Palmeiras sobe também no Brasileiro. A estreia não foi bacana (3 a 2 para o Ceará, em casa), assim como os três empates em poucas rodadas. Mas a reação surgiu, com algumas vitórias - a mais recente os 3 a 0 diante do Juventude, na noite deste sábado (21), em Caxias (RS). Com 12 pontos, entrou no G-4, com 12 gols tem o melhor ataque e com apenas 5 sofridos possui a melhor defesa, ao lado do Santos. Ou seja, disse 'Presente!' na briga pelo título da Série A. 


         
     

Abel sabe da importância de um campeonato que ainda não ganhou e, por isso, mandou a campo o que tem de melhor, com três baixas inevitáveis: GÓmez, suspenso, Raphael Veiga com virose e Piquerez em recuperação. No mais, recorreu a seu bloco principal, com Weverton, Marcos Rocha, Danilo, Dudu e Cia. Não deu outra: o resultado foi construído com naturalidade e só não foi maior porque César pegou muito e evitou derrota mais constrangedora para  o Juventude.

O obstáculo foi superado pelo Palmeiras no estilo de sempre: intensidade e gol no início (Zé Rafael, aos 8 minutos), domínio, pressão e outro gol (Rony, aos 31). Na segunda parte, só manutenção das rédeas do jogo, novas chances e o terceiro gol (Gabriel Menino, aos 47). Weverton passou a maior parte do tempo saltando de um lado para o outro, em sua área, apenas para espantar o frio da serra gaúcha. 

O Palmeiras vai levar mais alguma taça, em 22, além daquela do Paulista? Não sei, não tenho bola de cristal nem converso com os astros. Porém, uma constatação se pode fazer, sem exagero: esse time é cascudo, o elenco está afinadíssimo com as ideias do treinador. Não por acaso hoje é duro para ser superado.

Em tempo: o Palmeiras disputou 34 jogos em 2022. Sabe quantas vezes perdeu? Três. Chelsea, São Paulo e Ceará…

Danilo, Zé Rafael e Rony comemorando gol do Palmeiras em vitória sobre o Juventude, no Alfredo Jaconi, pelo Brasileirão
Danilo, Zé Rafael e Rony comemorando gol do Palmeiras em vitória sobre o Juventude, no Alfredo Jaconi, pelo Brasileirão Cesar Greco/Ag. Palmeiras
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Está mais do que na hora de deixarem o Flamengo em paz

Antero Greco
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Mais até do que resultados, do que o Flamengo precisa atualmente é paz. Incrível como um time vitorioso, com elenco milionário e pretensões sempre altas, não consegue passar uma semana sem alguma polêmica para atrapalhar a rotina. A mais recente, como se sabe, foi aquela envolvendo o goleiro Diego Alves, o técnico Paulo Sousa e o gerente Bruno Spindel. O fogo só foi apagado (aparentemente), neste sábado (21/5), em entrevista coletiva com o treinador, o diretor e Marcos Braz.

Mas os ruídos de comunicação se fizeram notar antes do jogo, com algumas vaias para Sousa; durante, com xingamentos para Braz e o presidente Landin; e depois, com novas vaias, dessa vez, para a equipe, mesmo com a vitória por 1 a 0. A plateia também aplaudiu, claro; mas, com as vaias aqui e ali, tratou de mostrar descontentamento com a falta de sintonia entre os setores que compõem o futebol profissional do clube. Não faz sentido a balbúrdia interna.

Durante os 90 e tantos minutos, a equipe tratou de tirar um pouco da pressão. O resultado foi magro, porém o desempenho esteve acima de outras exibições recentes. O placar serviu para interromper série sem triunfos, fez o Flamengo subir alguns degraus na classificação e abaixa a poeira. Até quando é que não se sabe.

O Flamengo merecia mais do que o 1 a 0. Jogou para pelo menos ter uma diferença folgada; não uma goleada, longe disso. Ao menos 2 a 0 cairia bem. No primeiro tempo,  dominou o rival goiano, fez a vantagem (Pedro aos 16 minutos) e não sofreu sustos. Gabigol, um pouco mais recuado, foi um dos destaques, assim como o próprio Pedro. Na segunda parte, a intensidade caiu, foram poucas as finalizações. Paulo Sousa apelou para alterações e rodou o elenco. 

Talvez o Flamengo demore para estabilizar e ter um padrão definido, com o jeito que Paulo Sousa imagina. Isso acontecerá quando a enfermaria estiver vazia, quando os que retornaram estiverem no melhor de suas condições físicas (Rodrigo Caio, David Luiz, Filipe Luiz, Bruno Henrique e outros), quando houver continuidade na escalação. Até lá, haverá altos e baixos, com cobranças naturais de crítica e torcida. Mas, se houver união interna, será mais fácil atravessar períodos de turbulência.  Não pode é ter "fogo amigo". 

 

Paulo Sousa ouviu algumas vaias antes do jogo do Flamengo com o Goiás no Maracanã
Paulo Sousa ouviu algumas vaias antes do jogo do Flamengo com o Goiás no Maracanã Gilvan de Souza/Flamengo
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Torcedor do Atlético-MG tem direito de pedir Hulk na seleção. Joga muito

Antero Greco
Antero Greco


Não é de hoje que o torcedor do Atlético-MG sonha em ver Hulk na seleção brasileira. Quer dizer, não é todo torcedor; há os que entendem que a Amarelinha, atualmente, é sinônimo de estorvo para os clubes - e não deixam de ter razão. Em certo sentido, atrapalha mesmo. Assim como estão certos os que desejam ver o atacante no grupo que Tite vai levar para a Copa do Mundo no Qatar.  Ele é idolo da Massa Alvinegra, sentimento a ser respeitado sempre. 

A probabilidade de que isso se torne realidade é baixa. A não ser que o treinador nacional dê uma guinada inesperada em suas convicções, não há vagas, nem para Hulk nem para Raphael Veiga, dois atletas que atuam no Brasil e que jamais entraram em seus planos para a quinta tentativa de conquista do hexa. Tite tem inconfundível queda para atletas brazucas que atuam no exterior. E fim de papo. 

Isso não impede que se reconheça o valor de Hulk, que em 25 de julho fará 36 anos, tem entusiasmo de garoto e força como o herói verde das HQs. ele joga pra caramba, e não é de agora. O Atlético deu uma de suas maiores bolas dentro, nos últimos anos, ao investir no paraibano que fez carreira, fama e fortuna em andanças por Japão, Portugal, Rússia e China, antes de desembarcar em BH. De longe, foi o destaque nas campanhas dos títulos Brasileiro e da Copa do Brasil de 2021. Repete a dose, neste ano, com gols importantes no Estadual, no Brasileiro, na Conmebol Libertadores.


         
     

Os dois mais recentes vieram na noite desta quinta-feira (19), nos 3 a 1 sobre o Independiente del Valle, no Mineirão, pela quinta rodada da fase de grupos. Abriu a contagem aos 8 minutos do primeiro tempo, dobrou o placar aos 11 do segundo, fora o calor que deu nos zagueiros do time equatoriano. Cada vez que pegava na bola viu cena que há muito se repete: um monte de gente a cercá-lo. Hulk arrasta multidões a aplaudí-lo e a tentar segurá-lo em suas arrancadas. 

Hulk foi decisivo na vitória que matematicamente confirmou o que se sabia de antemão: o Galo seguiria adiante. Talvez não com a campanha que se supunha - tem 11 pontos, com dois empates -, mas sem maiores sustos. Foi assim neste duelo, em que não deu espetáculo, porém fez o suficiente para não deixar zebra livre. O Del Valle ainda diminuiu, com Vargas aos 36, mas Savinho fechou a conta aos 50 com um gol que vou te contar a beleza que foi! Uma obra de arte. 

O Atlético ainda oscila além do que se poderia prever para um grupo consolidado desde os tempos de Cuca. Certo que teve algumas baixas para hoje, entendo que 'Turco' Mohammed persegue modelo ideal e reconheço que nem todos estão no nível da temporada anterior. No entanto, o Galo pode - e deve - aprimorar-se, para voar e carimbar os prognósticos de protagonista no Brasileiro e na Libertadores.

Hulk comemorando gol pelo Atlético-MG sobre o Independiente Del Valle, pela Conmebol Libertadores
Hulk comemorando gol pelo Atlético-MG sobre o Independiente Del Valle, pela Conmebol Libertadores Pedro Souza/Atlético-MG

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Santos acerta um chute, na bacia das almas, vence e lidera

Antero Greco
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Amigo que me dá a honra de perder alguns minutos para ler esta crônica, não tem como fugir do lugar-comum e parafrasear Chacrinha, o Velho Guerreiro: o futebol é jogo que só acaba quando termina. Enquanto o juiz não der a última assoprada no apito não se deve falar que o placar esteja definido. Sempre pode acontecer algo.

Está aí a partida que Santos e Union La Calera fizeram na noite desta quarta-feira (18) na Vila Belmiro. Tudo, mas tudo mesmo, levava a crer que ambos ficariam num 0 a 0 embaraçoso para o time brasileiro. O tempo normal havia ido para o espaço, os cinco minutos de acréscimo idem, até que rompeu um daqueles bafafás típicos de duelos entre clubes sul-americanos. Empurra daqui, empurra dali, bolinho de jogadores e eis que o juiz expulsa Ramirez e Léo Baptistão. 

Depois de uns sete minutos de interrupção, o árbitro Jesus Valenzuela mandou recomeçar, com falta contra o Santos, que recuperou a bola, foi para o contragolpe e aí teve falta a seu favor. Bola levantada na área, rebote, chuveirinho de Sandry, que encontrou Lucas Barbosa livre, para ajeitar e marcar. Isso aos 57 minutos do segundo tempo! E depois ainda teve mais uns três minutos e outra confusão!

Santos venceu o La Calera na Vila Belmiro pela fase de grupos da Copa Sul-Americana
Santos venceu o La Calera na Vila Belmiro pela fase de grupos da Copa Sul-Americana Ivan Storti / Santos FC

Na prática, foi meia prorrogação para definir o resultado e a liderança santista no Grupo C, com 10 pontos, contra 8 do La Calera, que estava pra lá de satisfeito com o empate. A definição fica para a semana que vem, quando o Santos recebe o Banfield, lanterna com 4. O Calera pega a Universidad Catolica, do Equador, com 5.

O mais inacreditável foi o índice de aproveitamento do Santos. A estatística vai mostrar que ele teve um chute certo ao gol, com 100% de acerto. Mas não entram na conta várias bolas que cismaram de bater na trave... Bacana, emocionante, faz parte do fascínio do futebol. Tudo lindo. Mas o desempenho esteve aquém do esperado. O técnico Fabian Bustos viu a equipe dele ter dificuldade na criação e  sobretudo na pontaria. As alterações salvaram a noite, principalmente a entrada de Lucas Barbosa, aos 28 minutos da segunda etapa. 

Se considerarmos o lado prático e o aspecto psicológico, o resultado na Copa Sul-Americana anima, assim como a passagem de fase na Copa do Brasil e a reação no Brasileiro. O Santos apruma-se como pode, sacode a poeira e, como diria Zeca Pagodinho, deixa que a vida o leve. Mas, quem sabe para onde? Por ora, basta curtir um dia e um obstáculo saltado por vez. Haja adrenalina.

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O Palmeiras ganha a quinta em seguida na Libertadores. E segue contando…

Antero Greco
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Caro amigo, você, eu, a torcida do Palmeiras sabemos que a Conmebol Libertadores se divide em duas fases distintas, aquela de grupos e a de mata-matas. De uma para outra, a conversa muitas vezes muda de figura. Isto posto, vamos direto ao assunto: o bicampeão da América continua arrasador. Ninguém consegue parar a rapaziada de Abel Ferreira: em cinco rodadas, cinco vitórias - a mais recente o 1 a 0 sobre o Emelec, na noite desta quarta-feira (18) fria, no Allianz Parque. Melhor campanha geral.

O Palmeiras sobra na chave dele, que tem ainda Independiente Petrolero-BOL e Deportivo Táchira-VEN. E não adianta vir com papo de que é a mais fácil, os adversários estão abaixo, 'teve sorte no sorteio' e coisas do gênero. Pelo terceiro ano consecutivo, a turma verde segue roteiro impecável, diante dos mais variados adversários. Em 2020, foram 10 vitórias, 2 empates e uma derrota. Em 2021, acumulou 9 vitórias, 3 empates e também só uma derrota. Vai colocar defeito?

O que os números mostram? Que o Palmeiras impõe-se, seja lá qual o nível do obstáculo com o qual topa pela frente. Na edição de 2022, já são 21 gols, proeza raramente alcançada. Na história do campeonato, ocupa a sexta colocação no número de gols marcados (413) e é o único brasileiro dentre os dez primeiros. A marca sobe para 1,90 gol por partida, se for feita a média gol/jogos. O tricampeão tem lastro, tem 'pedigree' para disputar o troféu sul-americano. 


         
     

A campanha até aqui tem sido tão tranquila e sem sustos, que Abel decidiu mandar mistão a campo, no início de noite fria em São Paulo. Jogadores como Dudu, Zé Rafael e Raphael Veiga  entraram só na metade do segundo tempo - e para decidir. Como o gol não saísse, a tropa de elite foi convocada para resolver a questão. E não decepcionou: Danilo, em fase extraordinária e um dos poucos titulares escalados desde o início, marcou aos 29 minutos. Dali em diante, foi só deixar o tempo passar, com uma chance apenas para os equatorianos.

Mesmo enquanto teve muitos reservas, o Palmeiras dominou, criou oportunidades (Navarro e Rony estiveram na cara do gol) e não deixou o Emelec se engraçar. Abel pôde ver em ação Vanderlan, Atuesta, Menino, Kuscevicz, Jorge, que precisam estar com 'rodagem' em dia, porque, pelo visto, o time avançará com força nas três frentes - além da Libertadores, tem Copa do Brasil e Brasileiro. A torcida está nas nuvens, exceto alguns desmiolados que tentaram tumultuar o ambiente com emboscada contra Jorge, no começo da semana. Sempre tem um sem-noção…

Danilo e Rafael Navarro comemorando gol do Palmeiras, em vitória sobre o Emelec, pela Conmebol Libertadores
Danilo e Rafael Navarro comemorando gol do Palmeiras, em vitória sobre o Emelec, pela Conmebol Libertadores Cesar Greco/Ag. Palmeiras

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O Corinthians segura o meia-Boca e torce por vitória do Deportivo Cáli

Antero Greco
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Amigo torcedor fiel, adianto que não sou especialista em cálculos e projeções; portanto, há o risco de eu me equivocar. Mas, se meus cálculos não falharem, será excelente para o Corinthians, se o Deportivo bater o Always Ready, no jogo de quinta-feira à noite, em Cáli. Daí, na última rodada, Cássio & companheiros precisarão apenas de empate, justamente contra os bolivianos do Always, para seguirem adiante na Libertadores, em primeiro ou em segundo lugar no Grupo E. 

Vamos fazer a projeção juntos. O Corinthians no momento lidera, com 8 pontos, contra 7 do Boca, 5 do Deportivo e 4 do Always. Se o Cáli vencer, vai para 8 também e tira o Always da parada. Na semana que vem, o Corinthians joga em casa; se fizer um ponto, sobe para 9 e aguarda o que rola na Argentina.

 Em Buenos Aires, o Deportivo visita o Boca e, independentemente do resultado, um dos dois cai fora. Isso porque o Deportivo pode ter 8, 9 ou 11 pontos, enquanto o Boca pode ter, na mesma sequência, 7, 8 ou 10. Fiz essa estimativa sem levar em conta a possibilidade de empate entre Deportivo e Always. Daí, as opções se abrem, a conta fica mais complicada e é melhor nem pensar nisso…

Quase complicada foi a vida alvinegra na noite desta terça-feira, em La Bombonera. O técnico Vitor Pereira inovou de novo, ao escolher uma formação com muitos jovens, a começar por Bambu, João Victor e Raul Gustavo para a zaga, além de Piton na ala direita, Du Queiroz no meio, Mosquito mais à frente. E completou com os veteranos Cássio, Fábio Santos, William e Jô, mais Maycon, que é novo e porém rodado. 

Um Corinthians teoricamente equilibrado, com experiência e leveza, para segurar qualquer pretensão do Boca se impor. Por um período deu certo, sobretudo porque ficou em vantagem, com o gol de Du Queiroz com 15 minutos. Mas, com o tempo, a estratégia começou a ruir. Embora o Boca de hoje esteja distante dos dias de glória, aos poucos se soltou, foi à frente, aproveitou-se de indecisões do sistema defensivo brasileiro, criou duas excelentes chances, antes de empatar  com Benedetto, aos 42.

VP percebeu a brecha, no segundo tempo, e fez três mexidas de uma vez, com a saída de Bambu, William e Maycon, para colocar Mantuan, Renato Augusto e Cantillo. Deu uma ajeitada, fechou novamente espaços para os argentinos e Cássio passou menos sustos. Só que o caldo quase entornou, por causa de falta de fairplay do Boca, ao não devolver bola colocada para fora por Cássio porque Fábio Santos estava machucado. 

O tempo fechou duas vezes, até sobrar vermelho para Cantillo. O árbitro uruguaio Christian Ferreyra foi bem caseiro, pois dava para presentear algum jogador local com o vermelho, de preferência Benedetto, que participou ativamente do bafafá.  

O Boca pressionou, com um a mais, teve chance com Sálvio, e ficou apenas na vontade. Claro que é time com história enorme na competição; mas, no momento, é bem meia-boca. O problema é avançar e crescer nas fases de mata-mata. O Corinthians passou bem, por teste complicado, mesmo sem futebol de encher os olhos. Importa que  cresce, amadurece, Vítor Pereira encontra alternativas e encaminha a vaga. Por ora, está no rumo correto, mas ainda há muito que aprimorar. 

Cássio tomou alguns sustos, embora não tenha sido muito exigido no jogo com o Boca Juniors
Cássio tomou alguns sustos, embora não tenha sido muito exigido no jogo com o Boca Juniors ESPN
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Estão deixando o Botafogo e sua torcida sonharem… Que bom!

Antero Greco
Antero Greco

Meu amigo alvinegro, fazia tempo que não via a torcida tão animada com o Botafogo. Tinha até esquecido como era essa reação agradável. Agora, a maré é favorável, e todos procuram embarcar nela. No que estão certos. O time merece.

O Botafogo de início de gestão John Textor e comando do técnico Luís Castro dá esperança de retorno a tempos de glória. Por enquanto, se não de conquistas de títulos, pelo menos de desempenho honroso. Como acontece no começo do Brasileirão, após outra passagem pela Série B. Disputadas seis das 30 rodadas, eis que a turma da Estrela Solitária ocupa a quarta colocação, com 11 pontos, assim como o São Paulo, com um a menos do que o Atlético-MG e dois atrás do Corinthians

Botafogo vence Fortaleza de virada e sobe para o G-4 do Brasileirão

         
     


Não é pouco, algo para comemorar, mesmo que adiante se mostre glória passageira. Para quem viveu tanta angústia, estar no bloco de cima significa reviravolta daquelas. Para curtir o momento. Momento de ajuste e de alta, com cinco jogos de invencibilidade (3 vitórias e 2 empates), após estreia com derrota por 3 a 1 para o Corinthians. A imagem inicial se desfez com os resultados atuais. 

O Botafogo tem limitações, não ostenta esquadrão como concorrentes badalados nem consegue, ainda, sequência de apresentações fortes. Porém, encorpa, há jogadores que crescem, se ajustam ao esquema de Castro e contribuem para o astral pra cima, de confiança na Série A e também na Copa do Brasil

A prova de que o ajuste tende a melhorar veio na vitória por 3 a 1, de virada, sobre o Fortaleza, neste domingo (15/5). O Botafogo não foi exuberante, encontrou dificuldades diante de um rival bem mais entrosado (apesar da fase ruim) e ainda jogou com um a mais desde os 39 minutos do primeiro tempo (Ceballos foi expulso por dois cartões amarelos). No entanto, chamaram a atenção o empenho, o autocontrole e a paciência da equipe, sinal de que os jogadores assimilam o que Castro lhes pede.

Além da qualidade individual. Patrick de Paula, por exemplo, entrou no segundo tempo e, de falta, marcou o gol da virada, aos 43 do segundo tempo. No meio da semana, o ex-volante do Palmeiras tinha feito um dos gols nos 3 a 0 sobre o Ceilândia, pela Copa do Brasil. Antes dele, Erison tinha empate, ainda aos 41 do primeiro tempo, e Daniel Borges fechou a conta aos 49 da etapa final. Para o Fortaleza, Moisés marcou aos 14 do primeiro tempo. 

O Botafogo sonha e faz sua torcida ter esperança de ser feliz. Nenhum dos dois está errado. Que bom para o futebol que um dos clubes tradicionais dá sinais de ressurgimento. Todos ganharão com isso, incluída a concorrência. 

Erison comemora gol
Erison comemora gol Vitor Silva/Botafogo FR
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O Palmeiras retoma o bom caminho também no Campeonato Brasileiro

Antero Greco
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Palmeiras supera Red Bull Bragantino com gols de Danilo e Raphael Veiga; assista


Havia torcedor com uma pulguinha atrás da orelha por causa do início oscilante do Palmeiras no Brasileiro. Sobretudo depois de estreia com derrota para o Ceará e com três empates em cinco jogos. No entanto, eis que, na sexta rodada, o time de Abel Ferreira parece ter reencontrado o rumo certo, com vitória por 2 a 0 sobre o Bragantino, na tarde deste sábado (14/5), no Allianz Parque.

O treinador português não deu brecha para o azar e escalou o que tem de melhor, exceto Marcos Rocha, liberado para acompanhar nascimento de filho. No mais, foram a campo todos aqueles que, nos grandes momentos - como finais de Libertadores e Paulista -, ostentam a condição de titulares. Abel sabia da importância do jogo, e do peso do rival. Por isso, pediu esforço adicional para a tropa, que no meio de semana havia passado pela Juazeirense, na Copa do Brasil. 

E não se arrependeu. O Palmeiras foi melhor do que o Bragantino, do início ao fim. Poderia ter resolvido a questão ainda no primeiro tempo, quando teve diversas ocasiões para marcar, viu dois gols anulados e um confirmado - de Danilo, aos 30 minutos. E só resolveu de vez, aos 51 da etapa final, com gol de pênalti cobrado por… claro, ele, Raphael Veiga, infalível nesse quesito. 

A torcida que quase lotou o estádio palestrino saiu com a certeza de que, a partir de agora, a equipe do coração terá papel de protagonista na competição nacional, como era de se esperar. Qualidade não falta, entrosamento igualmente anda alta. A questão é: até quando o grupo aguenta o ritmo forte de ficar no topo em quase todos os torneios de que participa? Abel tem levantado o tema há bastante tempo. Por ora, projeções pessimistas não vingam, provavelmente porque a fase - que dura dois anos - é boa, a maré está a favor e isso injeta ânimo nos jogadores. 

Danilo comemora após marcar para o Palmeiras sobre o Red Bull Bragantino
Danilo comemora após marcar para o Palmeiras sobre o Red Bull Bragantino Cesar Greco/Ag Palmeiras

A tendência é a de que Abel dê folga para os mais cansados, na partida de quarta-feira contra o Emelec, de novo em casa. Com a vaga confirmada, com folga à frente, não há muito por que iniciar com carga total. Um respiro cai bem, já que no próximo sábado tem duelo verde, com o Juventude, no Sul. E o Palmeiras avisa que entrou de vez no Brasileirão. Para ter papel de destaque. 


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O Palmeiras retoma o bom caminho também no Campeonato Brasileiro

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O São Paulo come pelas beiradas e avança em três frentes

Antero Greco
Antero Greco

Não se pode - ainda - cravar o São Paulo como favorito em nenhuma das competições de que participa. Aliás, não tem equipe que ostente essa condição. Porém, sem alarde, a tropa de Rogério Ceni cresce, avança, come pelas beiradas, seja no Brasileiro, como na Sul-Americana e na Copa do Brasil. Segue firme em frente, depois de já ter decidido o Paulistão deste ano. 

Copa do Brasil: São Paulo vence o Juventude e avança; VEJA gols

         
     

A classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil veio com uma boa exibição, na noite desta quinta-feira (12/5), nos 2 a 0 sobre o Juventude, na Arena Barueri. A opção de Rogério foi a de mandar a campo uma formação mista, como tem sido recorrente praticamente desde a primeira rodada do Estadual. Ele deu nova oportunidade para diversos jogadores que têm frequentado o banco de reservas. 

De quebra, arriscou até uma alteração tática, com formação com três zagueiros na etapa inicial (Arboleda, Leo e Diego Costa). A tática funcionou, o São Paulo se mostrou seguro, não passou sustos contra os gaúchos, como na partida de ida (perdia por 2 a 0 e reagiu), fez os dois gols (com Arboleda aos 27 do primeiro tempo e Igor Vinicius aos 23 do segundo) e carimbou a vaga sem sofrimento. 

Nem todo mundo foi bem. O uruguaio Gabriel Neves, por exemplo, teve desempenho opaco e foi substituído por Luan. Outro que jogou abaixo da média foi Rigoni, nem sombra do jogador ágil e decisivo de 2021. Ainda assim, houve melhora no rendimento geral, em relação a compromissos anteriores com o “mistão”. Bom para a estratégia de Rogério de rodar o elenco o máximo possível, já que o São Paulo não pretende, no momento, abrir mão de nenhum dos campeonatos. 

Cedo para avaliar até onde pode chegar. De qualquer forma, a perspectiva por ora é melhor do que a do início da temporada, depois de encerramento decepcionante no ano passado. O São Paulo lentamente tem um perfil delineado, que se mostra competitivo. Será campeão de algo? Esta não dá pra responder, nem com bola de cristal, porque o que resolve mesmo é a bola de couro. 

São Paulo comemora gol
São Paulo comemora gol Paulo Pinto/São Paulo
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O Atlético-MG melhora, mas demora a sair da fase de turbulência

Antero Greco
Antero Greco

O Atlético-MG foi uma das sensações do futebol nacional na temporada de 2021. Ganhou o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil com méritos, chegou à semifinal da Taça Libertadores e apareceu como a “terceira via” para romper o domínio de Flamengo e Palmeiras. Com perspectiva de repetir nesta temporada as façanhas do ano anterior, ou de ampliar seu poder. Até atendeu às expectativas ao vencer o Campeonato Mineiro e a Supercopa do Brasil. 

Esperam-se, portanto, sempre apresentações impecáveis do Galo, sob a batuta de Hulk, sua grande referência dentro de campo. Porém, não é o que tem acontecido.

Nacho Fernández 'sai em defesa' do trabalho de Mohamed no Atlético-MG: 'Os números são bons'

         
     

O Atlético vive um período de instabilidade, visível no desempenho e mais ainda nos resultados. Teve dois vacilos na Libertadores (empates com Del Valle e América) e agora alguns escorregões no Brasileiro, em que acumula três empates e uma derrota, além de duas vitórias iniciais. Nada catastrófico, com espaço para recuperação em ambas as frentes. Porém, preocupante, diante dos objetivos de direção, elenco e comissão técnica. 

O novo baque veio no 1 a 1 com o Bragantino, na noite desta quarta-feira (11/5), em no “Nabi Abi Chedid”. Justiça seja feita: mesmo sem Hulk, suspenso, o Galo esteve melhor do que na derrota para o América, criou oportunidades de gol, teve um pênalti a seu favor anulado. No entanto, falta o estalo do campeão, aquele toque mágico que o diferenciou dos demais no ano passado. 

O elenco é praticamente o mesmo, e portanto não dá para alegar desentrosamento. O problema está na oscilação de alguns jogadores, sob o comando do Turco Mohammed. O meio-campo, por exemplo, continua com Alan, Jair, Zaracho e Nacho Fernandez, quarteto impecável em 2021. Os dois primeiros andam sobrecarregados, Zaracho está aquém do que pode e Nacho segura a onda. Como consequência, a defesa tem ficado mais vulnerável e o ataque, dependente de Hulk, com Ademir, Keno, Sasha também sentindo os efeitos da fase irregular. 

Essa turbulência em vários momentos apareceu diante do Bragantino, que manteve vantagem dos 12 minutos do primeiro tempo (gol de Ytalo) até os 20 do segundo, quando Nacho Fernandez empatou. O Galo continua candidato a protagonista no Brasileiro, mas carece de afirmar-se e voltar aos trilhos. 

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Palmeiras avança na Copa do Brasil com gols de convocado para a seleção e de ignorado por Tite

Antero Greco
Antero Greco

Feliz o Palmeiras, pela variedade e qualidade de elenco. As alternativas à disposição de Abel Ferreira são tantas que, quando a situação aperta, na maioria das vezes aparece alguém para resolver. Pode ser um jogador convocado para a seleção - caso do volante Danilo -, ou de um injustiçado, como Raphael Veiga, que não encontra meios para encantar o técnico Tite. A dupla fez os gols de nova vitória por 2 a 1 sobre a Juazeirense e o avanço para as oitavas de final da Copa do Brasil.

Copa do Brasil: Palmeiras vence a Juazeirense com gols de Danilo e Veiga e vai às oitavas; VEJA

         
     

A parada não foi suave para a turma verde. Assim como no jogo disputado em Barueri, no dia 30 de abril, o time baiano soube segurar-se na defesa, deu certo calor ao rival paulista e obrigou o treinador português a manter por muito tempo a maior parte dos titulares. Por alguns minutos, se temeu até a possibilidade de virada, o que levaria a definição da vaga para a disputa dos pênaltis. E veio à memória o roteiro do ano passado, diante do CRB e a saída precoce do torneio. 

Abel não quis arriscar. Por isso, mesmo com a tropa cansada por tantos jogos decisivos nos últimos dois anos, colocou o que tem de melhor. O Palmeiras teve domínio de bola, mandou bola na trave (Dudu), mas só ficou em vantagem perto do intervalo, com o gol de Danilo. A vantagem murchou um pouco com o empate, que veio no gol de Nildo Petrolina, aos 5 da etapa final. O alívio definitivo veio com outro gol de pênalti do infalível Raphael Veiga, aquele ignorado pelo “professor” da seleção. 

O Palmeiras cumpriu o papel que lhe cabia, ou seja, de seguir adiante na competição da qual já tem quatro títulos, o último deles na edição de 2020. Porém, como tem acontecido com alguma frequência, os sinais de cansaço são evidentes. Essa rapaziada enfrenta ritmo alucinante, com tantas finais, conquistas e algumas decepções, em período tão curto, que parece um milagre que o Departamento Médico não viva superlotado.

 Abel sabe dos riscos, preocupa-se com as maratonas incessantes e se vira com mudanças constantes, mesmo durante as partidas. Só não consegue ser radical no rodízio porque sua equipe - que ironia! - é tão eficiente que a todo momento está a disputar algo importante.  

Raphael Veiga é abraçado após gol pelo Palmeiras na Libertadores
Raphael Veiga é abraçado após gol pelo Palmeiras na Libertadores Cesar Greco / Palmeiras
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O Fluminense também mostra como será difícil para o Palmeiras a caminhada no Brasileiro

Antero Greco
Antero Greco



O Palmeiras faz parte do seleto grupo de candidatos ao título brasileiro. Parece-me que não há dúvida a respeito. Afinal, tem elenco, qualidade, preparo e retrospecto para tanto. Por isso, quando entra em campo há expectativa sobre o que pode apresentar, independentemente do adversário. E, pela amostra das cinco primeiras rodadas, a caminhada em 2022 não será fácil para a turma de Abel Ferreira. 

A prova mais recente dos espinhos na vida alviverde apareceu no meio da tarde deste domingo, no clássico com o Fluminense, no Allianz Parque. O Tricolor foi osso duro de roer, assim como haviam sido anteriormente Goiás e obviamente Flamengo (ambos fora de casa) e Ceará (derrota na estreia). No fim das contas, o 1 a 1 se revelou outro indício de que, para brigar por nova taça, o Palmeiras terá de ser tão eficiente, além de sustentar mais fôlego, do que na Libertadores da América. 

Abel recorreu à força máxima, com a turma que destrói adversários no torneio continental. A largada foi boa, na base da pressão, de jogadas próximas da área de Fábio e de imposição. A impressão era de outra vitória e reação consolidada. O Fluminense sob nova direção tratou de apelar para cautela e autocontrole. Só a partir de metade do primeiro tempo, Fernando Diniz fez a equipe se soltar. O que tornou o jogo equilibrado, apesar de reclamação dos palmeirenses, numa dividida em que Fábio aparentemente tocou o pé de Rony. Nada de VAR para rever…

O Palmeiras não alterou postura na segunda parte do jogo, embora sem o ritmo intenso do início. Como sabe de sua força, continuou a insistir, criou ao menos duas boas oportunidades e abriu a contagem com Dudu. Pronto, o roteiro se encaminhava para outra rotineira vitória como mandante. Até Diniz mexer no time, torná-lo mais veloz e chegar ao empate, em contragolpe concluído por Cano. Empate que deixa os dois em zona do lusco-fusco da competição. 

Claro, é cedo para qualquer tipo de projeção, pois há “apenas” 33 rodadas pela frente. De qualquer modo, o que se percebe é a tendência a equilíbrio maior, na edição deste ano, com o crescimento de vários concorrentes (Fluminense, Botafogo, Bragantino, Corinthians, para citar alguns). Além disso, times que foram mais empenhados em decisões nas últimas temporadas tendem a pagar precocemente o preço do desgaste. O Palmeiras puxa esse bloco, que tem ainda Flamengo e Atlético-MG. Não é por acaso que o trio oscila neste momento. 

Dudu deixou a marca do artilheiro. Mas, junto com Veiga, desta vez não garantiu vitória para o Palmeiras
Dudu deixou a marca do artilheiro. Mas, junto com Veiga, desta vez não garantiu vitória para o Palmeiras Getty Images
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Atlético Mineiro precisa parar, respirar e retomar o fôlego perdido

Antero Greco
Antero Greco


O amigo torcedor do Atlético deve estar aborrecido - e com razão. O campeão mineiro, brasileiro, da Copa do Brasil e da Supercopa nacional não anda vingador e determinado como sempre. O elenco é praticamente o mesmo que encantou o País em 2021, mas ultimamente resultados e desempenho têm deixado a desejar. Acumulou alguns empates em duas frentes e agora, para piorar, perdeu o clássico para o América-MG por 2 a 1, neste sábado (7/5), pela quinta rodada da Série A.

Concordo que a oscilação seja motivo de preocupação. E, como sempre ocorre nessas circunstâncias, já começaram as comparações entre Cuca e Turco Mohammed. As cornetas alardeiam que, antes, o time era mais envolvente. Não vou contestar esse sentimento do torcedor, ainda mais que o retrospecto na largada em busca de outro título brasileiro conta com dois empates, duas vitórias e uma derrota. 

Mas, tentemos usar raciocínio e manter sangue frio, ao menos por um tempo. O Atlético-MG vem numa sequência forte de compromissos em diversas frentes. Eu sei, eu sei, outros adversários de peso também passam por fase intensa e talvez não oscilem tanto. O que não chega a ser uma verdade irrefutável. Flamengo e Palmeiras, por exemplo, não têm uma arrancada empolgante no Brasileiro. Ou seja: todo mundo enfrenta uns perrengues com o calendário apertado. 


         
    

O Atlético preocupa porque vem de uma série de jogos sem brilho, como nos empates com Goiás, Coritiba, com o próprio América e com o Independiente del Valle. Embora tenha elenco de primeira linha, para os nossos padrões, não mostra equilíbrio entre os setores. A defesa, um dos pontos altos na temporada passada, tem falhado, fora o fato de ficar exposta, por falhas no meio do campo. São dois setores que merecem olhar atento do treinador - e há tempo para isso. A turbulência ocorre em início de competições, com espaço para correções de rumo. 

Essas deficiências deram as caras no duelo desta tarde, no Independência. O primeiro gol, de Maidana, aos 6 minutos, veio de pênalti bobo cometido em reposição errada de bola. O segundo, o do desempate (Cáceres aos 35 da etapa final), só foi possível porque o Galo, àquela altura, estava muito aberto, em busca da virada. (Nacho Fernandez havia empatado aos 24). 

Ok, se o placar ficasse nos 2 a 2, ou em 1 a 1, não seria injusto. O Atlético criou chances para marcar, e parou em defesas importantes de Jailson. Mérito também para Vagner Mancini, que desta vez armou o América de forma eficiente para brecar o tradicional rival. Porém, o comportamento do campeão brasileiro no todo não empolgou. E isso coloca pulga atrás da orelha de seus admiradores. É preciso ficar atento, claro.

 No entanto, não vejo que a hora é de temor. Há espaço demais para recuperação e volta aos trilhos. Para tanto, o grupo precisa baixar a tensão, respirar e retomar fôlego. Sem traumas, sem ansiedade. Essa turma já mostrou do que é capaz.

Vagner Mancini armou América-MG de forma eficiente para brecar o Atlético-MG
Vagner Mancini armou América-MG de forma eficiente para brecar o Atlético-MG Vitória/Divulgação
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Abel Ferreira, Ademir da Guia, o Velho do Restelo e a Nova Academia

Antero Greco
Antero Greco

Dois personagens importantes no Palmeiras - Abel Ferreira e Ademir da Guia - levantaram duas questões interessantes para um breve bate-papo aqui com os amigos. O técnico português referiu-se ao “Velho do Restelo”, após a goleada por 5 a 0 sobre o Independiente Petrolero. O Divino craque viu na equipe atual a versão número 3 da Academia, tal a excelência do futebol apresentado e das conquistas alcançadas. 

Começo pelo nobre “mister” português. Na madrugada desta quarta-feira (4 /5), durante o SportSCenter última edição, na ESPN, esclareci o que quis dizer Abel. Como deve ter sido muito bom aluno, guardou na memória passagens de “Os Lusíadas”, a monumental obra de Luís de Camões, que exalta os feitos dos navegantes portugueses. A epopeia é de 1572, ou seja do século XVI, época do auge do ciclo de descobrimentos e das rotas desbravadas pelos lusos. 

O “Velho do Restelo” é personagem que aparece no Canto IV dos Lusíadas. Ele não bota fé na capacidade e no sucesso dos navegantes, que se lançavam ao mar em busca de caminhos e terras novas. Com o tempo, no imaginário popular o “Velho do Restelo” passou a representar sujeito pessimista, reacionário, que não acredita em inovações. E Abel critica aqueles que não confiam em suas estratégias. Em palavras simples e atuais: seria a Turma do Amendoim, o pessoal da corneta. 

Ora, ora, como dizia um antigo slogan da TV Cultura, de São Paulo: “Esporte também é Cultura!”...


Vamos à segunda parte, aquela abordada pelo maior camisa 10 da história do Palmeiras. Aliás, o maior ídolo alviverde, o insuperável e inigualável Ademir da Guia. Ele fez parte - diria que foi o centro - de duas versões da Academia, referência ao futebol bonito e refinado dos palestrinos em meados dos anos 60 e começo dos anos 70. O apelido era carinhoso e prova de respeito por formações distintas, mas que tiveram, dentre outros, Valdir de Moraes, Djalma Santos, Djalma Dias, Julinho, Servílio, Vává, Gildo e… Ademir - a primeira versão. Ou Leão, Eurico, Luís Pereira, Dudu, Edu, Leivinha, César e… Ademir - a segunda versão. 

O Divino anda tão encantado com a rapaziada de Abel que vê nela a versão número 3 da Academia. Com a devida permissão do mestre, ouso dizer que se trata da 4.ª versão, e concordo com a reverência. Esses moços de agora entrarão para a história. Não é pouca coisa conquistar, em 20 meses, duas Libertadores, dois Estaduais, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana, fora um vice Estadual e um vice Mundial. É proeza demais, inédita na história do clube. 

No entanto, a 3.ª versão existiu, e foi aquela dos anos 90, época da Parmalat. Durante um período também de conquistas, desfilaram, sob comando sobretudo de Luxemburgo e Felipão, astros do calibre de Cafu, Cleber, Evair, Edmundo, Edilson, Rincón, Alex, Djalminha, Luizão, Rivaldo, César Sampaio, Mazinho, Zinho. Roque Júnior, Roberto Carlos, Júnior. Uma galeria excepcional, que acumulou troféus como o Estadual, o Brasileiro, a Copa do Brasil, o Rio-SP, a Mercosul, a Libertadores…

Então, Ademir da Guia, meu ídolo maior e eterno, brindemos à saúde e glória da 4.ª versão da Academia. Não é por acaso que o Palmeiras tem esse epíteto (e vamos gastar uma palavra mais difícil, em homenagem ao Português impecável de Abel). 

Ademir da Guia levanta a bola da turma de Abel Ferreira e a vê como a nova Academia palmeirense
Ademir da Guia levanta a bola da turma de Abel Ferreira e a vê como a nova Academia palmeirense Reprodução ESPN
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Raphael Veiga guia o Palmeiras em outra goleada. Mas não tem nível para defender a seleção

Antero Greco
Antero Greco

Há hoje, no Brasil, dois jogadores que mantêm regularidade admirável: Hulk e Raphael Veiga. Ambos são determinantes para o sucesso de Atlético-MG e Palmeiras, respectivamente, e não é de agora. Em situação normal, seriam nomes certos em qualquer lista da seleção brasileira. Mas, pelo visto, parece que não “têm nível” para vestir a amarelinha sob o comando de Tite.

Deixo o Hulk um pouco de lado, pois ele pelo menos teve o gosto de disputar um Mundial, aquele de 2014 e de triste memória. Digamos, até, que está estágio bem avançado na carreira e tem uma trajetória louvável. Concentro-me no Veiga, 27 anos a serem completados em 19 de junho. Está naquela fase de maturidade, quando se firmam os grandes jogadores. Ideal, até, para uma Copa.

Este sonho, porém, não está ao alcance dele - a não ser que ocorra algo muito, muito estranho e fora do normal, uma reviravolta nas convicções do treinador. Veiga joga o fino da bola no Palmeiras, sem que isso mova um músculo da face de Tite. Não adianta fazer gols de todas as formas; pouco valem os passes, as assistências, os dribles, as tabelas; valor quase zero tem sua postura correta e disciplinada. Veiga, ao que tudo indica, não tem o perfil do atleta ideal para representar o País.

Raphael Veiga anotou hat-trick contra o Independiente Petrolero; VEJA todos os gols


         
     

“Ah, mas no lugar de quem ele iria?”, perguntam, aflitos, os recém-defensores de Tite. Sei lá no lugar de quem. Eu diria de qualquer um, porque lugar tem - basta o técnico desejar, acreditar e lhe dar uma oportunidade. Não digo que são cabeças de bagre os que têm sido regularmente chamados. No entanto, não vejo também nenhum foram de série intocável. Ok, ok, Neymar e mais nenhum.

Veiga é fruto do nosso vira-latismo endêmico. Como não joga na Europa, então não ostenta o rótulo de “selecionável”. Porque há muito vivemos um fenômeno que só escancara o complexo de inferioridade: passamos a acreditar no valor de nossas crias apenas quando batem asas e vão para “centros mais desenvolvidos”. Parece, também, que virou uma atitude antipatriótica, uma ofensa, elogiar quem joga no Brasil e imaginá-lo com a camisa da seleção. Que coisa!

Lembram do Artur? Comia a bola no Grêmio, todos o queriam na seleção e nada. Bastou ir para o Barcelona que, na sequência, foi chamado. Como se duas ou três partidas na Espanha o tivessem transformado em um galáctico. Tá bem, hoje está mais para fogo de palha na Juventus. Mas eu o usei só para reforçar minha tese. Não está na Europa? Então, meu filho, nada feito. Ficar no Brasil é mau sinal.

E assim, como um ‘jogadorzinho de clube”, Raphael Veiga comanda o Palmeiras em grandes jornadas. Nesta terça-feira (3 /5) fez os três primeiros gols nos 5 a 0 sobre o Independiente Petrolero, na Bolívia. Saiu aplaudido até por torcedores rivais. Saiu de cabeça erguida, discreto. Sem alarde, já tem duas Libertadores no currículo e é o maior artilheiro do time na história da competição. E não faz gols só contra rivais fracos. Veiga marcou no Brasileiro, na Copa do Brasil, no Mundial, no Estadual, contra os mais diversos tipos de oponentes.  Ou seja, é bom sempre, contra qualquer um. 

Mas infelizmente “não é jogador de seleção”, pois não joga no planeta Europa.

Raphael Veiga é abraçado após gol pelo Palmeiras na Libertadores
Raphael Veiga é abraçado após gol pelo Palmeiras na Libertadores Cesar Greco / Palmeiras

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Raphael Veiga guia o Palmeiras em outra goleada. Mas não tem nível para defender a seleção

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Edu Dracena erra ao defender o Santos com ameaças a Vuaden

Antero Greco
Antero Greco


Faz muito tempo que deixei de lado a tentação de dar lição de moral para quem quer que seja. Tenho falhas para caramba e não me sinto em condições de apontar o dedo para este ou aquele, como se eu fosse superior. Dito isto, vamos lá, curto e grosso: Edu Dracena errou, e feio, se de fato fez ameaças para Leandro Vuaden, que apitou na derrota do Santos por 2 a 1 para o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro

O árbitro relatou na súmula que, ao final do clássico disputado na noite de segunda-feira (2 /5), o dirigente santista lhe disse, entre outras coisas, que iria colocar “os nomes de vocês (da arbitragem) para a torcida pegar vocês na rua”. E, sempre segundo o juiz, não estaria com medo de consequências de suas palavras. “Pode me relatar. Estou cag* para vocês, seus vagabundos.”

Rueda reclama sobre arbitragem no clássico contra o São Paulo e dispara: 'Deixa eu ver se minha carteira está aqui'

A bronca maior de Dracena teria origem no lance que motivou o pênalti da vitória tricolor. Os santistas reclamam que o lateral, no meio do campo, era deles. Em vez disso, o quarto árbitro insistiu com o bandeirinha que a devolução em jogo seria para o São Paulo. Na sequência, veio o lançamento para a área, a falta e a punição, convertido em gol por Luciano. O tropeço fez o Santos sair da liderança. 

Entendo o nervosismo, a frustração, a irritação da turma do Santos. A jogada é polêmica, embora tenha se desenrolado na frente do quarto árbitro. Houve desconcentração dos santistas, ao mesmo tempo em que os são-paulinos foram rápidos na reposição de bola. Compreendo que havia muita adrenalina, porque faltava pouco tempo para o encerramento e o empate era bom resultado para o pessoal visitante, que nem fez uma grande partida…

Também não sou dos que põem a mão no fogo por qualquer um no futebol. Há raros “santos” nesse meio. Existem muitos mistérios, que vão além de nossa imaginação. Mas vai uma distância enorme entre a indignação de um profissional por causa de uma decisão controvertida e as ameaças. Se for verdade o que está escrito no relatório, Dracena foi leviano. Luta-se tanto contra a violência e um dirigente solta esse tipo de insinuação - que, aliás, nem insinuação é, é ameaça direta. Tampouco pode classificar de “vagabundos” pessoas que estão trabalhando; sujeitas a erro, sim, com o benefício da dúvida. Afinal, todos somos falíveis.  

Vuaden fez relatório duro a respeito de supostas ameaças de Edu Dracena
Vuaden fez relatório duro a respeito de supostas ameaças de Edu Dracena Gazeta Press

Dracena jogou bola, sabe dos riscos a que estão sujeitos os participantes desse circo, quando há fúria da torcida. Ele mesmo deve ter passado por saias-justas e situações delicadas, em fases ruins de equipes que defendeu. Vê a todo momento jogadores e cartolas sendo acuados por grupos radicais, até com ameaças de perseguição de parentes. Está o Cássio para confirmar… O futebol não pode, não deve andar lado a lado com o submundo do crime. 

Não pode, portanto, ter esse comportamento. Defender seu clube, com veemência, é correto e é o que se espera dele, na função de executivo de futebol. Nunca, porém, dessa maneira. Não contribuiu em nada, nem para a instituição que o emprega, e muito menos para o futebol.  Dracena é relativamente novato na novo função, tem o que aprender e o episódio pode servir para amadurecimento. Todos queremos futebol limpo e transparente, sem benefícios para ninguém, sem maracutaias. Principalmente que seja também sem violência. 



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Edu Dracena erra ao defender o Santos com ameaças a Vuaden

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O São Paulo dá choque de realidade no Santos. Mas também leva

Antero Greco
Antero Greco

O Santos andava todo animado, depois de apenas três rodadas, porque aparecia no topo do Brasileirão. Um começo pra lá de surpreendente e que dava ânimo para um grupo que há muito vive alguns atropelos. Mas eis que vem o encerramento da programação de fim de semana e… derrota para o São Paulo por 2 a 1 e a volta à realidade de um time que tende a ser, de novo, coadjuvante na Série A.

Claro que seria doideira cravar o destino de qualquer equipe neste momento, com 90 e tantos por cento ainda de competição para disputar. No entanto, alguns traços sobressaem. No caso do Santos, outra vez fica evidente que tem limitações no elenco e que o técnico Bustos terá dificuldade semelhante à de muitos de seus antecessores, ou seja, ter uma base titular forte e boas opções para mudanças.

O Santos, hoje, é homogêneo, mas para baixo. Para se ter uma ideia, as esperanças se concentram no jovem Ângelo, com talento e imaturo (pela pouca idade), e nos milagres de João Paulo, no gol. O rapaz em geral pega muito, gasta o uniforme a cada partida; porém, é pouco para tornar o time altamente competitivo. O restante é um bocado de jogadores medianos, com altos e baixos no desempenho. O duelo contra o Tricolor, na noite desta segunda-feira (2) deixou isso claro. 

Veja o gol de Luciano que definiu vitória do São Paulo contra o Santos


         
     

Mesmo assim, o Santos também representou um choque de realidade para o São Paulo. A trupe de Rogério Ceni ganhou em outra frente - depois de passar por testes na Sul-Americana e na Copa do Brasil -, mas mostrou que tem dificuldade diante de adversários que fazem marcação um pouco mais forte e têm boa arrancada para contragolpes. E o Santos é veloz nesse quesito, apesar de lhe faltar qualidade em finalizações. Caso contrário, teria dado mais calor no Morumbi…

Rogério continua a mesclar o máximo que pode, e com isso embaralha toda tentativa de se afirmar, sem risco de erro, que tem um time titular definido. O que começou hoje parece ser o mais próximo do ideal. Certo mesmo é que a principal arma continua a concentrar-se no “toca no Calleri que é gol”. O argentino é a grande referência no ataque e, embora perca oportunidades, confere com frequência. Não foi diferente no clássico, ao marcar aos 9 minutos do primeiro tempo. 

O São Paulo continua a emperrar em construção de jogadas e, também, ao deixar corredores abertos no meio-campo, que expõem a defesa. Brechas que podem ser fatais, diante de adversários com toque mais refinado e melhor pontaria. O que não é caso do Santos. A falha, por exemplo, resultou no gol de empate, marcado por Marcos Leonardo segundos antes do intervalo. Para tranquilizar, só aos 35 do segundo tempo veio a vitória, com o gol de pênalti marcado por Luciano. 

O Santos reclamou do árbitro Leandro Vuaden na marcação do pênalti - nem tanto pela falta, que ocorreu mesmo, mas por lateral em favor do São Paulo. Os santistas reclamavam que a bola era deles e não da turma da casa. O jogo, em todo caso, fez vislumbrar o que já apontei aqui em diversas ocasiões: os dois times têm mais fôlego e possibilidade de sucesso em torneios de mata-mata do que no Brasileirão

Velázquez e Calleri disputam bola durante clássico entre São Paulo e Santos
Velázquez e Calleri disputam bola durante clássico entre São Paulo e Santos Ivan Storti/Santos FC
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O São Paulo dá choque de realidade no Santos. Mas também leva

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Palmeiras sente cansaço na estreia (com vitória) na Copa do Brasil

Antero Greco
Antero Greco

Só maluco, "anti" ou gozador para deixar de reconhecer que a fase do Palmeiras é excelente, com tantas finais e tantas taças levantadas nos últimos dois anos. Encheu também os bolsos, com os prêmios recebidos. Não é por acaso que, na base do dia sim, dia não, o time esteja em ação. Em geral, com resultados satisfatórios. Mas tem hora em que até máquinas de jogar bola cansam. 

Fadiga esteve presente na partida em que o Palmeiras bateu a Juazeirense, na noite deste sábado (30/4), na Arena Barueri. A vitória por 2 a 1, de virada, diante de um rival da Série D do Brasileiro, foi apertada, ajustada e suada. O campeão da América dominou, teve posse de bola, foi à frente, porém encontrou dificuldade, seja pela forma como o rival se comportou, seja pelo excesso de compromissos. 

Abel Ferreira apelou para a estratégia habitual de misturar titulares com reservas, para poupar fôlego e pernas de todo mundo. Nem poderia ser diferente, já que na terça a parada será contra o Independiente Petrolero, na Bolívia, pela Libertadores. O treinador pagou para ver, e viu sua equipe ter de se virar para não permitir que a zebra corresse livre. Com direito a susto, no gol de Nildo Petrolina aos 4 minutos. 

Não deu para ficar com gosto amargo por muito tempo, pois Breno Lopes empatou minutos mais tarde. O Palmeiras tratou de ter o controle, conseguiu e esbarrou na saturação a que está exposto. A ponto de criar eventuais chances para criar um placar bem folgado. A reviravolta veio só na metade do segundo tempo, quando Abel tirou Breno Lopes, Navarro, Atuesta e recorreu a peças importantes como Rony, Veron e Scarpa, que fez um golaço e garantiu vantagem para o jogo de volta. 


O Palmeiras deu um passo para evitar fiasco de 2021, quando sustentava o título de 2020 e caiu logo de cara, em disputa por pênaltis com o CRB. Para deixar a vida menos complicada, o retorno será em Londrina, o que lhe permitirá sentir-se em casa, pois tem muitos torcedores naquela região do Paraná. Mas Abel dá sinais de preocupação com algo que há muito vem alertando: o grupo tem quatro meses de atividades e já acusa as consequências de calendário mastodôntico.

Scarpa entrou no segundo tempo e resolveu a parada para o Palmeiras pela Copa do Brasil
Scarpa entrou no segundo tempo e resolveu a parada para o Palmeiras pela Copa do Brasil Cesar Greco
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Vencer na Libertadores vira (doce) rotina para o Palmeiras

Antero Greco
Antero Greco


Amigo palestrino, sei que você anda todo prosa - e não é de agora. Principalmente quando o assunto é Conmebol Libertadores. Eu diria que está com razão e com motivos de sobra. Pois, se há uma equipe que tem esbanjado eficiência na competição esta atende pelo nome e sobrenome de Sociedade Esportiva Palmeiras. Tomou gosto por vencer jogos, uma deliciosa rotina. E, por extensão, tomou gosto por levar o troféu para casa. 

Para ilustrar um pouco o parágrafo acima, é bom lembrar que o Palmeiras lidera vários aspectos, dentre todos os brasileiros que já participaram do torneio. Tem o maior número de participações (22), de jogos (213), de vitórias (120), de gols (407) e de vitórias como visitante (46). Tem do que reclamar?

Claro que se trata apenas das três primeiras rodadas da fase de grupos de 2022. Mas a rapaziada de Abel Ferreira praticamente encaminhou com antecipação a vaga para as oitavas de final. Até o momento são três vitórias consecutivas, 9 pontos, feito por ora repetido somente pelo River Plate. A mais recente afirmação de que está na competição para brilhar veio na noite desta quarta-feira (27), com os 3 a 1 sobre o Emelec em Guayaquil, local da final da edição deste ano. 


         
     

O resultado foi normal, lógico e poderia ter sido por diferença até maior. Sobretudo pelo desempenho do time misto que o técnico português levou para o Equador. Com 25 minutos, estava com 2 a 0, gols de Rony e Veron, fora as oportunidades desperdiçadas. O Palmeiras esteve seguro na defesa, firme no meio e rápido na frente. Mesmo com o descanso dado para Marcos Rocha, Murilo, Zé Rafael, Raphael Veiga e Dudu, que ficaram em São Paulo. 

Alguém pode alegar que não foi tão fácil assim a vitória. Vá lá, o Emelec apertou no segundo tempo, diminuiu com Rojas aos 17 e rondou a área de Weverton, acionado algumas vezes. Mas, sem demérito para os rivais, foi pressão sempre sob controle verde. Não houve sufoco, tensão, medo ou grave risco de perder os três pontos. Abel ainda se permitiu trocar o quarteto Wesley, Scarpa, Veron e Rony por Navarro, Menino, Jorge e Breno Lopes, que fez um lindo (e sem querer) gol aos 47, além de ter perdido outro, dois minutos mais tarde. 

A 17.ª partida sem perder como visitante na Libertadores mostra a regularidade impressionante do Palmeiras no campeonato. Reforça o que já se sabe: é hoje dos concorrentes mais tarimbados. Sabe o que quer na competição, e como conseguir seus objetivos. Significa que será campeão de novo? Vai saber. O jogo é jogado, nem sempre o favorito leva a melhor e mata-mata é arriscado. No entanto, o palmeirense pode manter a pretensão de que seu time continuará a ser um dos protagonistas. Os números, os resultados, os retrospectos mostram isso.

Rony, do Palmeiras, comemorando gol sobre o Emelec, no Equador, pela fase de grupos da Conmebol Libertadores 2022
Rony, do Palmeiras, comemorando gol sobre o Emelec, no Equador, pela fase de grupos da Conmebol Libertadores 2022 Cesar Greco/S.E. Palmeiras
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