Wlamir Marques, bicampeão mundial e uma lenda do basquete, diz que “é cedo” para uma avaliação, mas acredita que o Brasil “tem total condição” de quebrar o tabu que já dura 45 anos na Copa do Mundo de basquete masculino, que começou nesta sexta-feira (25), tem três sedes (Filipinas, Indonésia e Japão) e conta com transmissão pela ESPN no Star+.
Hoje um senhor de 86 anos, o ex-jogador e há décadas comentarista de basquete da ESPN foi a estrela, ao lado de Amaury Passos, da geração que ganhou os Mundiais de 1959, no Chile, e 1963, no Brasil.
E com uma lucidez que impressiona, ele não só avaliou o time atual do Brasil como argumentou por que esta equipe pode repetir o feito de chegar ao pódio que não acontece desde a edição de 1978, nas Filipinas, quando o bronze foi conquistado.
“O Brasil tem toda a condição de chegar ao pódio, é uma expectativa muito séria e muito importante para nós, a seleção é nova, uma seleção ainda sem experiência internacional como é necessário ter, mas fica a expectativa, sim”, afirmou em entrevista ao ESPN.com.br que teve a colaboração de sua neta Fernanda.
Wlamir tem total razão sobre a importância de se alcançar tal resultado. Porque se já são 60 anos desde a última conquista, no Rio de Janeiro, lá se vão quatro décadas e meia desde a última medalha. É muito tempo. Depois disso, o melhor que o Brasil conseguiu em um Mundial masculino foi o quarto lugar em 1986, na Espanha, quando perdeu a disputa pelo terceiro posto para a então Iugoslávia por 117 a 91.
“Agora, não é fácil. Desde Barcelona, em 1992 [Olimpíadas], pra cá, o basquete mundial equiparou-se, inclusive, com os Estados Unidos. Mas acho que é muito cedo para a gente antecipar, nós temos que deixar o jogo correr e ver a capacidade do Brasil de poder chegar, tomara que a gente consiga subir ao pódio mais uma vez”, seguiu o bicampeão mundial, ainda sobre a possibilidade de a seleção do técnico Gustavo De Conti terminar entre os três primeiros.
Campeã em 1959 e 1963, a seleção verde e amarela subiu ao pódio outras quatro vezes: além de 1978, já citada, foi vice em 1954, nos Estados Unidos, terceira em 1967, no Uruguai, e vice de novo em 1970, na então Iugoslávia. Nas duas pratas, as derrotas nas decisões foram para os donos da casa. Na última edição, em 2019, na China, a equipe nacional terminou em 13º lugar.
Este time chega melhor que o de quatro anos atrás?
“Eu acho muito difícil a gente analisar a seleção brasileira em comparação ao basquetebol mundial, é uma competição realizada a cada quatro anos, e a cada quatro anos tudo se renova, tudo se modifica. Aquele país que anteriormente era fraco ou até um saco de pancadas acabou virando um adversário difícil. A gente se engana se achar que a Costa do Marfim e O Irã serão presas fáceis para o Brasil”, respondeu Wlamir Marques.
E ele, (com muito atraso, é verdade) que desde a última quarta-feira (23) está no Hall da Fama do basquete mundial, não citou estes países à toa. Africanos e asiáticos estão no grupo G, com sede em Jakarta, na Indonésia, e que é o mesmo do Brasil e ainda tem a Espanha, atual campeã do mundo – saiba tudo no Guia da Copa do Mundo.
Questionado sobre a seleção ter um craque no elenco atual, Wlamir Marques não ficou em cima do muro.
“Craque, craque mesmo, nós não temos nenhum. Mas eu sou muito fã do [Bruno] Caboclo, acho que ele será excepcional para o Brasil neste Mundial, desde que seja dada a ele a condição de ser o protagonista. Porque às vezes ele joga dois, três minutos, sai e não tem continuidade dentro do jogo. Mas, pra mim, o grande jogador do basquete brasileiro hoje é o Caboclo.”
O Brasil estreia na Copa do Mundo de basquete masculino na manhã deste sábado (26), contra o Irã, com transmissão pela ESPN no Star+ a partir das 6h35.
