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Bastidores de eleição no atletismo teve 'sumiço' de medalhista olímpico e atraso de campeão na Rio 2016

Até a chapa “Foco no Atleta” ser anunciada às 15h09 (de Brasília) desta terça-feira, dia 30, como vencedora na eleição que definiu o novo presidente da CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo), muita aguá rolou nas quase seis horas da assembleia geral da entidade.

O pleito foi online por causa da pandemia do novo coronavírus e contou com a participação de 67 eleitores. O voto foi secreto, apesar de um dia antes alguns atletas pedirem que fosse aberto, e acabou dando a vitória a Wlamir Motta Campos, 51, da oposição.

O vencedor não só quebrou uma corrente sucessória, como venceu um pleito em que a chapa da qual fazia parte foi homologada de última hora e pela Justiça comum.

Sim, a chapa “Foco no Atleta” estava impugnada por irregularidades apontadas pela Comissão eleitoral da entidade até o início da tarde da última segunda-feira (29), mas três liminares da 4ª Vara Cível de Bragança Paulista permitiram que ela concorresse legitimamente.

Foi a garantia de uma eleição democrática pela Justiça comum, evitando a repetição de uma história que vinha se repetindo na Confederação desde 1986. Ou seja, apenas uma chapa (sempre a da situação) inscrita na disputa para a cadeira da presidência.

A disputa deste ano envolveu o atual presidente da CBAT Warlindo Carneiro da Silva Filho, 70, contra o atual vice da entidade, Wlamir Motta Campos, 51. E a vitória de Wlamir foi uma vitória dos atletas e da democracia, tão escassa no esporte e nas federações e confederações.

Bastidores da eleição

Muitos eleitores pediram que o voto fosse aberto, pois, para eles, a votação online causaria suspeitas.

Nesse ponto não houve acordo e a votação começou tarde e de forma secreta, de acordo com o estatuto da CBAT.

Todos os presidentes de federações, com exceção da Carioca, votaram. Assim como representantes de atletas, atletas olímpicos e outras associações. Os votos têm pesos diferentes dentro do sistema de disputa.

Tudo ia bem até perto do horário final da votação, quando a presidência da comissão eleitoral decidiu entrar em contato com dois membros que tinham direito a voto, mas que não tinham se apresentado.

Por conta da lentidão no sistema de votação, o pleito foi estendido até 13h15 e depois até 14h15.

A ausência foi do medalhista de bronze nos Jogos de Atenas, em 2004, o ex-maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, e o medalhista de ouro nos Jogos do Rio, em 2016, no salto com vara, Thiago Braz. Eles faziam parte do universo de 67 eleitores.

A situação ficou constrangedora quando o presidente da comissão eleitoral, Gustavo Lopes, resolveu entrar em contato para saber onde estavam os dois medalhistas olímpicos e ídolos do atletismo.

Vanderlei não respondeu à comissão eleitoral, mas enviou uma mensagem via WhatsApp para Edison Luciano, candidato à vice-presidêncida pelaa chapa “Foco no Atleta”, informando que não votaria em ninguém.

Já Thiago Braz se manifestou por intermédio de sua esposa. Ela falou por telefone com o presidente da comissão eleitoral pedindo o link e as orientações para se cadastrar e depois votar.

Thiago atualmente treina na Itália, mesmo assim recebeu antecipadamente, um dia antes da eleição, todas as informações necessárias para participar do pleito.

O clima ficou tenso entre os participantes, já que a maioria entendeu como uma falta de respeito com a confederação.

Mas tanto a participação de Vanderlei, que não votou, como a de Thiago, que extrapolou o tempo de votação, não fez diferença.

A vitória acachapante de Wlamir Motta Campos contra a chapa da situação foi por 40 votos, com peso 85, contra 26 votos, com peso 43.

No geral, o que se viu foi uma disputa com respeito e clareza, além de democrática, muito por conta da ação da Justiça comum, claro.