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Medalhista dos Jogos de Pequim volta a competir depois de 6 anos aposentada e vira inspiração

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Medalhista em Pequim-2008, Rosemar abandona a aposentadoria e vira inspiração para profissionais e amadores (6:57)

Conheça também o senhor Seijun Maedo, fenômeno japonês de quase 100 anos (6:57)

Natural de uma das regiões mais pobres do Estado de São Paulo, em Miracatu, Rosemar Coelho Neto, 44, é uma corredora que passou a ter reconhecimento após a aposentaria.

Ao deixar a cidade do Vale do Ribeira para conquistar o mundo com sua velocidade, ela tinha em mente fazer o que faz tão bem hoje. Isto é, retornar e devolver a pequena cidade tudo aquilo que ela ganhou do esporte.

Mas não é fácil viver de sonhos quando se tem em mente transformar um município de 25 mil habitantes em um polo de atletismo, pois, segundo ela, é a modalidade mais democrática e accessível para uma população que, além de cada vez mais pobre, clama por oportunidades. Essa tem sido a missão de Rosemar naquela região.

Desde quando se aposentou das pistas, há pouco mais de seis anos, a atleta luta para manter vivo um projeto de atletismo que ela desenvolve num espaço que fica em frente ao sobrado onde mora, no Campo dos Trabalhadores.

O projeto atende muitas crianças e adolescentes da região, embora ela não ganhe nenhuma ajuda financeira, apenas tem a disposição para realizar os treinos o espaço da prefeitura.

Ela foi contratada pelo Sesi como professora da base das escolinhas de esportes porque há cinco anos ela e a equipe brasileira de revezamento 4 x 100 m foram decretados medalhistas olímpicos dos Jogos de Pequim de 2008.

O pódio, que existiu simbolicamente depois de oito anos da realização dos jogos, ocorreu porque um caso de doping na equipe russa, campeã naquela oportunidade. Com todo esse imbróglio, Rosemar e suas três companheiras da prova de revezamento, que tinham conquistado o quarto lugar, herdaram o bronze.

Com isso, claro, a vida de Rosemar tomou outro rumo, já que no Brasil só se dá valor ao atleta medalhista (e olha lá). O irônico da história é que a tão sonhada medalha só chegou para a atleta quando ela já tinha se aposentado das pistas.

O retorno de Rosemar

A impensável volta para as pistas aconteceu porque uma amiga dos tempos de alto rendimento a convidou para participar da 52ª edição do Campeonato Paulista Máster de atletismo, realizado na última semana de dezembro de 2020.

A amiga é a arremessadora Cintia Camosato, que retornou às competições há cinco anos.

“É muito bom voltar e ver que a gente ainda pode brilhar, de alguma forma, no esporte que a gente dedicou uma vida. Por aqui, claro, ninguém quer perder, mas todos querem ter novamente o gostinho da competição e subir no pódio para conquistar uma medalha”, disse Cintia, hoje atleta amadora e uma bem-sucedida corretora de seguros.

Mas não são apenas ex-atletas que aparecem para superar seus limites entre os 328 inscritos.

Há pessoas de todo o Brasil , como o verdadeiro fenômeno das provas de fundo, um senhor que, aos 93 anos de idade, que merece ter seu corpo e mente estudas por algum cientista do esporte.

O nome dele é Seijun Maeda. Ele é um japonês que chegou ao Brasil depois da Segunda Guerra Mundial e ainda hoje mal fala português, mas chama muito a atenção nos passos rápidos que dá na pista do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa da Prefeitura de São Paulo, um dos poucos oásis dos esportes olímpicos que sobrou na capital mais rica do Brasil.

Encontramos Maeda logo após ele ter completado uma prova inimaginável para a sua idade: os 5.000 m rasos.

Guardando uma distância de três metros do superatleta em tempos de pandemia, ouvimos pouco, mas relevantes pensamentos a respeito do esporte que ele aprendeu a amar.

”Conheci o atletismo há oito anos apenas. Aprendi que com ele e com uma alimentação saudável poderei continuar participando dessa prova por muitos anos. Como pouca carne e muita fruta e verdura para me manter como corredor”, explicou o medalhista de ouro na prova dos 5.000 m e 1.500 m rasos.

Mas na pista a estrela era mesmo a medalhista de bronze dos Jogos de Pequim, a velocista Rosemar.

Foi uma participação muito especial, já que, pela primeira vez ela teria a oportunidade de correr diante da torcida da filha Valentina, de 5 anos, ao vivo e a cores.

Casada com Diego Menasse, neto do bicampeão olímpico Adhemar Ferreira da Silva, Rosemar é mãe da única bisneta do maior ícone das pistas da história do atletismo brasileiro.

A medalhista olímpica pouco tempo teve para se preparar para as três provas que disputou.

A primeira, a especialidade dela, os 100 m rasos. A segunda, outra especialidade da atleta, o revezamento 4x100 m. E a última, os 400 m rasos, uma prova da qual ela nunca competiu.

“Sabe o que eu achei incrível? É que quando entrei na pista veio um monte de menina, senhora, enfim, várias corredoras, praticamente anônimas que me falaram o quanto elas estavam emocionadas e felizes de dividir uma pista comigo. Veja como é o esporte, muitas vezes a gente nem imagina que existe tanta gente que admira o legado que deixamos para o atletismo brasileiro, e isso é fantástico”, declarou com os olhos cheios de lágrimas a única medalhista olímpica do pedaço.

Agora, se você quer saber como foi o desempenho de Rosemar Coelho Neto nas três provas nas quais ela participou, clique no vídeo lá em cima, no início da reportagem, e veja como, não só Rosemar, mas o quase centenário senhor Maedo, saíram felizes da vida por terem vivido, mais uma vez, os mistérios e encantos do atletismo na pista.

CLIQUE AQUI e veja reportagem dos canais ESPN com Rosemar em 2017