<
>

Espanhola do salto triplo relata machismo e detona público do Mundial no Catar: 'Vergonhoso, não sabia nada de atletismo'

Sexta colocada em salto triplo no Mundial de Atletismo de Doha, a espanhola Ana Peleteiro não aproveitou sua estadia na capital do Catar. A atleta contou em entrevista ao jornal Marca o quanto sofreu com a cultura local e como o público também não agradou, até pela baixa média de presença.

“O público tem sido vergonhoso, muito triste. Sinto muito, mas é um campeonato que foi decidido com o presidente anterior. Além disso, eles não entendiam nada de atletismo. Você pedia palmas e eles não sabiam o que fazer”.

Pior, a cultura que restringe os direitos das mulheres foi um baque para a espanhola, que não conseguiu entender o motivo da escolha da sede em um país tão desigual: “É contraditório que no esporte as mulheres sejam tão defendidas e, em seguida, organizam uma competição em um país como o Catar”.

“Eu não estava à vontade. Não é uma experiência que vou repetir”, contou. “Um dia esqueci o credenciamento e, para entrar no estádio, precisei ser acompanhada por um policial e fiquei quase uma hora até me liberarem. Um garoto também esqueceu seu credenciamento, mas buscaram seu nome na base de dados e deixaram ele entrar sem problemas”.

Peleteiro não está sozinha. Segundo outro jornal, El Confidencial, outra atleta espanhola criticou os jogos de Doha. A corredora Marta Pérez tinha os mesmos motivos da compatriota.

“Naquele país não posso inspirar ninguém, porque as mulheres que estão me vendo não têm a possibilidade, por nível cultural, de fazer o que faço”.