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Bicampeão olímpico, Adhemar Ferreira da Silva ganha escultura em São Paulo

O bicampeão olímpico da modalidade do atletismo salto triplo, Adhemar Ferreira da Silva integra o seleto grupo de cinco personalidades negras com trajetórias de destaque homenageados em parques, praças e ruas da cidade de São Paulo. A escultura de Adhemar Ferreira da Silva, que ficará no canteiro central da Avenida Braz Leme, no bairro Santana, será inaugurada neste domingo, com festividades, das 10h30 (de Brasília) às 12h55 (de Brasília).

A escultura é uma criação de Alex Hornest e retrata Adhemar com os dois braços para cima, em uma releitura de uma das suas posições do salto. O tributo eterniza Adhemar Ferreira da Silva, que iniciou sua carreira em 1947 competindo pelo São Paulo.

A obra é uma das cinco esculturas contratadas pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, por meio do seu Departamento do Patrimônio Histórico, que homenageia personalidades negras. A ação faz parte de um projeto para trazer diversidade para o acervo cultural municipal.

“Meu pai virou estátua e será revelado ao público. Sugeri uma seleção musical de acordo com a ligação dele com a música. Trovadores Urbanos, o Ilu Oba de Min, saudando os Orixás (Adhemar era filho de Xangô), Fred Jorge e Diego Menasse contando fatos engraçados da vida dele com o avô”, anunciou Adyel Silva, filha de Adhemar, pelas redes sociais sobre a programação de domingo.

Bicampeão olímpico (Helsinque-1952 e Melbourne-1956), Adhemar superou cinco vezes o recorde mundial no salto triplo. Foi também pentacampeão sul-americano e tricampeão pan-americano (1951,1955 e 1959) e 10 vezes campeão brasileiro, tendo mais de 40 títulos e troféus internacionais.

Fora das pistas, Adhemar Ferreira da Silva formou-se escultor pela Escola Técnica Federal de São Paulo em 1948, em Educação Física na Escola do Exército, em Direito na Universidade do Brasil e em Relações Públicas na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Poliglota, foi Adido Cultural na Embaixada Brasileira em Lagos, Nigéria, entre 1964 e 1967.

Foi ator na peça Orfeu da Conceição (1956), de Vinicius de Moraes e no filme francoitaliano Orfeu do Carnaval (1962), que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro. Em 1993 recebeu o título de Herói de Helsinque, junto com o corredor Emil Zatopek. No ano 2000 foi agraciado pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) com o Mérito Olímpico e em 2012 imortalizado no Hall da Fama do atletismo.

Adhemar Ferreira da Silva é o único brasileiro no salão da World Athletics de quem também recebeu a Placa de Patrimônio Mundial do Atletismo (World Athletics Heritage Plaque), colocada no Centro Esportivo Tietê, em São Paulo, no dia 29 de setembro de 2021, data do aniversário de Adhemar – completaria 94 anos. No local, Adhemar obteve o primeiro recorde mundial no salto triplo em 3 de dezembro de 1950, com 16,00 m (igualando a marca do japonês Naoto Tajima, de 1933).