A Comissão de Ética da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) decidiu afastar o atual presidente da entidade, Rogério Caboclo, por 15 meses (três já cumpridos) por "conduta inapropriada", após investigar as denúncias de assédio sexual e moral apresentadas por uma funcionária da entidade.
O órgão entendeu que não ocorreram os dois tipos de assédios argumentados pela funcionária autora das denúncias - apresentadas em 4 de junho.
Após quase três meses de investigação, o grupo classificou os áudios apresentados e comportamentos relatados em depoimentos apenas como "conduta inapropriada".
Um fato, aliás, chamou a atenção dos presentes. Em um primeiro momento, os responsáveis pelo julgamento votaram por uma punição de 12 meses, sendo três deles já cumpridos. No entanto, ao serem informados que o afastamento se encerraria em nove meses e poderia permitir um retorno de Caboclo ainda no primeiro semestre de 2022 - com possibilidade de participar da eleição visando o mandato 2023-2027, eles trocaram o voto para um afastamento por 15 meses (sendo três já cumpridos).
A decisão foi comunicada aos advogados de Rogério Caboclo em vídeo-conferência realizada na tarde desta terça-feira (24). O dirigente se pronunciou por meio de nota oficial (leia abaixo).
Agora, a determinação da Comissão de Ética será apresentada agora para votação dos presidentes de Federações estaduais.
A punição apenas poderá ser implementada se aprovada por três quartos das 27 Federações de futebol, em assembleia geral a ser convocada nos próximos dias.
Cabe ressaltar que, inicialmente, a assembleia estava marcada para esta quarta-feira, mas foi suspensa pela Câmara Brasileira de Mediação e Arbitragem ainda nesta terça.
Enquanto Caboclo está afastado, a presidência da Confederação é ocupada por Coronel Nunes.
Leia a nota de Rogério Caboclo sobre o caso
Recebo com tranquilidade a decisão da Comissão de Ética do Futebol. A rejeição da acusação de assédio é correta e era esperada, uma vez que nunca cometi esse ato e minha defesa comprovou minha inocência. Essa decisão mostra o quão ilegal e açodada foi a decisão da mesma comissão de me afastar do cargo antes de abrir espaço para que eu me defendesse.
O afastamento por mais 12 meses, por sua vez, é injusto e ilegal. Trata-se de mais um capítulo da armação do ex-presidente Marco Polo Del Nero, banido do futebol por corrupção, para me tirar da CBF e reassumir o controle da entidade por meio de seus aliados. Minha defesa recorrerá nas instâncias adequadas contra essa punição.
