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Micale, técnico do ouro olímpico do Brasil: 'O Gabigol atuando como 2º atacante pode render o que sabe'

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Everton Ribeiro diz que Gabi está 'com fome' de gol: 'Cada vez mais solto aqui na seleção' (0:42)

Via: CBF TV | Meia concedeu entrevista coletiva neste sábado (19) (0:42)

Na última quinta-feira, o atacante Gabigol foi escalado como centroavante fixo na goleada por 4 a 0 do Brasil sobre o Peru, pela Copa América. No entanto, ele acabou "sacrificado" na posição, não rendeu bem e foi substituído no intervalo pelo técnico Tite.

Brasil x Colômbia, nesta quarta-feira, às 21h (de Brasília), pela 4ª rodada da Copa América, terá transmissão da ESPN Brasil e do ESPN App

Imediatamente, iniciou-se um debate sobre como o matador deve atuar pela seleção brasileira: flutuando pelos lados e fazendo o "facão" por dentro, como no Flamengo e nos seus melhores tempos de Santos, ou como "camisa 9" de fato, comandando a ponta do ataque?

Essa dúvida, aliás, acompanha o atleta por boa parte de sua carreira, e também marcou sua trajetória na seleção brasileira olímpica que foi campeã dos Jogos do Rio 2016.

Na ocasião, Gabigol começou a fase de grupos como centroavante fixo, escoltado pelos lados por Gabriel Jesus, pela direita, e Neymar, pela esquerda.

Nos primeiros dois jogos, porém, o Brasil ficou no 0 a 0 com os fracos Iraque e África do Sul. Foi então que o técnico Rogério Micale resolveu mexer drasticamente na linha ofensiva da equipe canarinho.

Como o treinador contou ao ESPN.com.br, veio a ideia de recuar Neymar para o meio-campo, na posição de Felipe Anderson, e colocando Luan, então destaque do Grêmio, como falso 9.

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Os gols de Gabigol no treino da seleção brasileira: tirando Thiago Silva, chapada perfeita e driblando o goleiro

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Com isso, o novo ataque brasileiro passou a ter Neymar por trás, Jesus pela direita, Gabigol pela esquerda e Luan como falso centroavante. Os três da frente constantemente alternavam posições, confundindo adversários e abrindo as defesas. Foi assim que o Brasil deslanchou rumo à medalha de ouro.

Na opinião de Micale, é justamente atuando como um 2º atacante que Gabriel Barbosa entrega seu melhor futebol.

"Ele pode, sim, jogar de 9, como pode atuar pelos lados e como 2º atacante. Eu acho que é nessa posição que ele pode render tudo aquilo que sabe fazer", opinou o medalhista olímpico, em entrevista ao ESPN.com.br.

"O Gabi é um cara muito tranquilo. Tem as particularidades dele, como todos nós. Vive um momento maravilhoso dentro do futebol brasileiro, e merece tudo isso que está passando", acrescentou o técnico, atualmente sem clube após deixar o Al-Hilal, da Arábia Saudita, em maio.

Micale diz ser grato até hoje a Gabigol pelo fato do matador ter aceitado suas mudanças táticas nos Jogos do Rio 2016 sem qualquer reclamação.

"Ele sempre foi um artilheiro, um goleador, desde a base. Apesar de ainda ser muito jovem, ele já tem essa bagagem de clube e seleção. E, na Olimpíada, o Gabigol me ajudou muito", relatou.

"Coloquei ele pelo lado a partir do 3º jogo da fase de grupos, e falei para ele: 'Você precisa me ajudar a recompor as linhas'. Conversamos bastante com ele antes da mudança", lembrou.

Depois dos empates por 0 a 0 nos dois primeiros jogos, o Brasil aniquilou a Dinamarca por 4 a 0 no 3º duelo da fase de grupos, com o "novo ataque" brasileiro funcionando à perfeição: dois gols de Gabigol, um de Gabriel Jesus e um de Luan.

Depois, nos mata-matas, a seleção passou sem complicações pela Colômbia nas quartas, massacrou Honduras por 6 a 0 na semi e, na final, empatou por 1 a 1 com a Alemanha, faturando o título nos pênaltis, no Maracanã lotado.

Micale ressalta a atuação de Gabriel Barbosa especialmente na decisão contra os alemães, por sua importância tática durante o tempo regulamentar.

"Na final da Olimpíada, falamos com ele sobre a recomposição das linhas e expliquei a ele o que queria que ele fizesse. Falei: 'Você não vai aparecer tanto para a torcida, mas será taticamente muito importante'. E ele foi ao limite físico para nos ajudar, mesmo sendo retirado do seu espaço favorito do campo em função disso", revelou.

"Sou muito grato ao Gabi, ele sempre me ajudou muito na seleção, em todos os momentos", complementou.

Após o ouro olímpico, Gabigol deu o salto para a seleção principal e agora vem se firmando sob o comando de Tite.

Ele marcou um gol na vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela, na estreia da Copa América, e iniciou como titular contra o Peru, apesar de ter saído no intervalo.

Resta agora saber se o matador flamenguista ganhará uma nova chance de Tite no 11 inicial contra a Colômbia, nesta quarta-feira, às 21h (de Brasília), no estádio Nílton Santos, pela 4ª rodada do torneio de seleções da Conmebol.