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Caboclo aponta para aliado de Del Nero em polêmica por jatinho; CBF rebate presidente afastado

Em nota enviada à reportagem por sua assessoria de imprensa (confira completa abaixo), o presidente afastado da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Rogério Caboclo, comentou a polêmica compra de um avião novo para a entidade um dia antes de ser retirado do cargo pelo Comitê de Ética.

Em nova estratégia política, Caboclo passou a direcionar ataques a seus atuais inimigos e apontar dedo para aliados de Marco Polo Del Nero. Após atacar o banido cartola em nota da semana passada, nesta segunda-feira foi a vez de Rogério apontar o dedo para o diretor financeiro da CBF, Gilnei Botrel, como responsável pela compra polêmica do novo jatinho da entidade.

Gilnei é homem da mais alta confiança de Del Nero e aliado de primeira hora do cartola banido no tabuleiro político da confederação. Ciente disso, Caboclo "empurrou" parte da polêmica envolvendo a compra do jato em sua conta.

No dia 4 de junho, antes de ser afastado, Caboclo investiu US$ 14 milhões (cerca de R$ 70 milhões) dos cofres da entidade na aeronave Legacy 500, com capacidade para 16 pessoas, fabricado pela Embraer. A compra, revelada inicialmente pelo blog do jornalista Rodrigo Mattos, foi feita sem o conhecimento de diretores da CBF.

Segundo apurou a ESPN Brasil na última quinta-feira, a CBF deve vender o jato pelo mesmo valor, devolvendo a mesma quantia aos cofres da entidade.

A Confederação já tem um jato, mas com capacidade menor de 12 pessoas. Mesmo assim, não vê a necessidade de investir em uma nova aeronave.

A ideia de Caboclo era vender o Cessna Citation, atual avião da CBF, que comporta 12 pessoas, por R$ 22 milhões.

Rogério Caboclo foi afastado do comando da organização no dia 6 de junho.

Em nota (confira completa abaixo), a CBF alegou que a compra da aeronave foi um "desejo particular" de Caboclo, e que o dirigente "negociou pessoalmente a aquisição" e "determinou o fechamento do negócio nos termos acordados por ele com o proprietário".

"A assinatura de contratos e o pagamento ocorreram seguindo decisão da Presidência, não tendo havido por parte da Diretoria Financeira qualquer recomendação quanto à data", escreveu.

A organização ainda relatou que o avião já foi vendido, "não restando prejuízo financeiro à entidade".

VEJA A NOTA DE ROGÉRIO CABOCLO

A respeito da troca da aeronave da CBF, veiculada pela imprensa recentemente, o presidente Rogério Caboclo esclarece que o conceito estabelecido internamente sempre foi o da substituição do avião existente por um mais novo.

A decisão de comprar o jato Legacy 500, prefixo PR-HIL, foi planejada por diversos meses e foi feita para atualizar o patrimônio da entidade em condições altamente vantajosas.

O contrato foi aprovado e assinado pelos diretores jurídico da CBF, Luiz Felipe Santoro, e financeiro, Gilnei Botrel. Sem essas assinaturas o negócio jamais poderia ter sido fechado. Foi Gilnei Botrel que recomendou e realizou o pagamento imediato naquela data.

Com a transação, a CBF trocaria uma aeronave de menor tamanho e de menor autonomia (Cessna 680 modelo Sovereign, prefixo PP-AAD), ano 2009, por uma maior, mais moderna e de maior autonomia, ano 2015. O Legacy 500 tem 490 horas de voo, enquanto o Cessna da entidade tem 2550 horas voadas. A última revisão do Cessna, feita em fevereiro, custou aos cofres da entidade US$ 370 mil.

O Legacy 500 foi comprado por US$ 14 milhões. A aquisição foi concluída em 4 de junho, antes da divulgação das acusações contra o presidente Rogério Caboclo.

O processo de venda da antiga aeronave, Cessna 680 modelo Sovereign, por US$ 6,150 milhões, ainda não foi concluído em razão do afastamento do presidente, de forma unilateral e sem direito à defesa pela Comissão de Ética da CBF. Dessa forma, Rogério Caboclo não conseguiu formalizar os trâmites estatutários que autorizam a concretização da venda.

VEJA A NOTA DA CBF

A CBF informa que a aquisição da aeronave foi um desejo particular do presidente afastado Rogério Caboclo, que negociou pessoalmente a aquisição e determinou o fechamento do negócio nos termos acordados por ele com o proprietário.

A assinatura de contratos e o pagamento ocorreram seguindo decisão da Presidência, não tendo havido por parte da Diretoria Financeira qualquer recomendação quanto à data.

Os documentos foram assinados pelos diretores das áreas envolvidas por não existir ilegalidade na operação e por haver disponibilidade de recursos em caixa, embora ambos tenham alertado ao presidente que não era o momento propício para efetivar o negócio.

A aeronave já foi negociada por preço igual ao de compra, não restando prejuízo financeiro à entidade.