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Por que técnico argentino é mais valorizado que brasileiro? Coordenador da AFA explica e admite: 'Peso das 5 estrelas atrapalha'

Em entrevista ao programa "Bola da Vez", da ESPN Brasil, o coordenador do curso de formação de técnicos da AFA (Associação de Futebol Argentino), Leo Samaja, explicou por que os treinadores argentinos são mais valorizados que os brasileiros no mercado europeu.

Na sua visão, os argentinos têm uma formação muito diferente da dos brasileiros, tanto na escola (ensino fundamental e médio) quanto nos cursos de técnicos, o que faz com que os hermanos larguem em vantagem nesta "concorrência".

"Eu acho que a confiança depositada em nós (argentinos), por uma questão muito prática, é porque nós temos uma formação multicultural. A gente vai além das fronteiras. A formação que eu digo não é só dentro do curso de treinadores, mas a formação integral, com o ensino fundamental o ensino médio. Temos uma base muito forte, muito exigente, muito complexa, muito difícil. Então isso vai transformando o profissional, seja qual for a sua decisão futura", explicou.

"O profissional argentino do futebol tem uma bagagem muito rica, o que o faz muito parecido com o profissional europeu. Então, não há uma diferença muito grande em nível de cursos, exigências, divisão de como encarar um projeto, o que você espera de um profissional de um profissional dentro de um clube. Você encontra estas características, essas qualidades em um treinador argentino", argumentou.

"Você encontra essa semelhança, estes princípios que você está preparando no clube para deixar na mão de alguém que venha para transformar de raiz sua instituição", concluiu.

Samaja também criticou o discurso de muitos treinadores brasileiros, que dizem que os técnicos "brazucas" não têm nada o que aprender pelo fato da seleção canarinho ser a maior campeã do planeta, com cinco Copas do Mundo no currículo.

O profissional da AFA aponta esse argumento como falacioso, e também aponta para as "atualizações" que os treinadores brasileiros dizem fazer em viagens pela Europa.

"Estudar futebol não é viajar para a Espanha, para a Inglaterra, assistir três, quatro jogos e voltar para casa. Ou assistir o treino de um treinador determinado que convida você para assistir um dia do treinamento na semana, que menos impacto terá na transmissão de sua metodologia muito bem cuidada e protegida. Isso não aprender futebol", afirmou.

"Então, temos que observar que a maior carência do futebol brasileiro, hoje, é o peso dessas cinco estrelas no peito, pensar que tudo se sabe e realmente o mundo mudou, o mundo já não é mais o mesmo", disse.

Samaja ainda aponta que, atualmente, os técnicos brasileiros só tem espaço em países periféricos do futebol, como no Oriente Médio e no Sudeste Asiático, e que não possuem "credibilidade" no mercado europeu.

"Não é por falta de capacidade,de boa vontade, de boas intenções (dos treinadores brasileiro). Está faltando algo. Não depende de o treinador brasileiro ir ou não pra Europa, depende do convencimento do outro lado, dizer: 'Olha, vamos apostar no treinador brasileiro, temos que mostrar alguma coisa diferente'", explicou.

"O brasileiro tem com o que, mas precisa reorganizar todos estes motivos que respondem o por quê, para reconquistar esse espaço perdido violentamente nesses últimos anos. Hoje, não há credibilidade fora, nos países de elite. Não estou falando dos países de menos expressão, mas falta isso", encerrou.

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