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UFC: Sheetara aposta em exercício de mentalização inusitado para vencer em Las Vegas

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Cachoeira e paz para focar: Cyborg e Werdum analisam trabalho de Eric Faro na preparação dos atletas (2:51)

Mestre em liderança trabalha com os dois lutadores para a maximização do rendimento no octógono (2:51)

Conceito cada vez mais utilizado por atletas dos mais variados esportes, a mentalização pré-competição tem ganhado adeptos também no MMA profissional. Uma delas é a brasileira Mayra ‘Sheetara’, que encara a italiana Mara Romero Borella, no card do UFC Las Vegas 11, neste sábado (19).

Adepta do exercício desde o início de sua trajetória no jiu-jitsu, a lutadora da equipe ‘Chute Boxe São Paulo’ busca, através do poder da visualização mental de sua luta, se preparar para tudo que possa encontrar pela frente no combate. Mesmo que isso signifique imaginar cenários não tão favoráveis a ela durante a batalha, como a própria detalhou, de maneira bem-humorada, em conversa exclusiva com a reportagem da Ag. Fight.

“Eu sempre fiz isso no meu camp. Desde a minha primeira luta, eu trabalho com mentalização. Desde quando eu comecei no jiu-jitsu, eu sempre fiz isso. Porque o meu professor, Evangelista Cyborg, já fazia isso. Então, desde o princípio ele me passou esse trabalho que ele fazia. Para mim é uma coisa que me ajuda muito”, contou ‘Sheetara’, antes de detalhar seu processo de mentalização antes de uma luta.

“Eu sou uma pessoa muito agressiva. É até engraçado falar isso (risos). Mas eu me vejo caindo, me vejo com o rosto cortado, tomando knockdown. Me vejo levantando e partindo para cima, cortando o rosto dela, nocauteando, saindo de finalização. A gente da Chute Boxe é assim (risos). Eu me coloco nos piores cenários porque eu gosto de lutar, eu não gosto de entrar só para ganhar a luta, ficar amarrando. Eu gosto de entrar para lutar. É muito engraçado porque na minha mentalização eu sempre me coloco nessas situações difíceis, de ter que virar o jogo”, explicou.

A forma peculiar com a qual se prepara para um confronto através da mentalização pode ser fundamental para o sucesso de sua empreitada diante de Mara Romero Borella neste sábado. Com três derrotas consecutivas, sendo quatro em suas últimas cinco apresentações, a italiana corre sério risco de demissão em caso de mais um resultado negativo.

Ciente da delicada situação vivida por Borella, Mayra ‘Sheetara’ aposta em uma adversária sedenta por uma vitória, o que pode significar uma agressividade maior em seu jogo. Para anular o ímpeto da rival, a brasileira conta com a ajuda involuntária do octógono de menor dimensão presente no UFC Apex, sede do evento, o qual, na visão da mineira, favorece a sua estratégia na luta.

“Talvez ela faça uma luta mais agressiva, até por ela estar na corda bamba. A gente sabe que no UFC não existe lutador ruim, você tem que tomar cuidado o tempo todo. Por ela vir de tantos resultados negativos, isso só me motiva a querer ter um desempenho ainda melhor. Até porque eu tenho certeza que ela vai vir desesperada para não perder, já que se ela perder eu acredito que ela está fora”, projetou Mayra, antes de comentar sobre a influência do octógono menor no desenrolar da disputa.

“A Mara é uma menina que gosta de ficar grudando muito e eu sou uma lutadora que gosta de caçar. Às vezes as pessoas podem achar que o octógono menor possa ser mais vantagem para ela, mas eu não concordo. Acho que por eu andar o tempo todo para frente, sempre tentando cercar, tentando buscar o nocaute, isso pode me favorecer bastante”, finalizou.

Oriunda da edição brasileira do programa ‘Contender Series’, Mayra ‘Sheetara’ estreou no UFC com uma vitória por finalização sobre Gillian Robertson, em setembro de 2018. Após passar por problemas de lesão no joelho, que a levaram à mesa cirúrgica, a peso mosca retornou em março deste ano aos octógonos, mas acabou superada por Maryna Moroz, na edição realizada em Brasília. Ao todo, a lutadora da ‘Chute Boxe SP’ soma cinco triunfos e um revés em seu cartel.

Mais experiente, Mara Romero Borella possui 12 vitórias, oito derrotas e dois ‘no contests’ (luta sem resultado). Pelo UFC, organização pela qual compete desde 2017, a italiana soma dois triunfos, ambos sobre atletas brasileiras, e quatro reveses.