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Retorno de Mike Tyson não deve ter nocautes, diz comissão: 'Não podemos enganar o público como se fosse uma luta real'

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Socos assustadores e muita agilidade: Mike Tyson impressiona ao mostrar treino nas redes sociais (0:32)

Lenda do boxe segue treinando para voltar aos ringues aos 54 anos | via @miketyson (0:32)

Os apaixonados por boxe e ansiosos para ver Mike Tyson, 54, de volta aos ringues após 14 anos, não terão o gostinho de ver o combate contra Roy Jones Jr., 51, terminar em nocaute. A comissão responsável pela organização reforçou que trata-se de um combate de exibição e adotou medidas rígidas de segurança, que incluem o veto ao modo clássico de finalização.

“O árbitro terá autoridade para interromper a luta se ela se afastar dos limites de uma exibição competitiva de boxe”, disse Andy Foster, diretor executivo da Comissão Atlética do Estado da Califórnia (CSAC, na sigla em inglês), em entrevista para a "Sky Sports".

De acordo com Foster, as medidas vão evitar que um dos combatentes seja derrotado por nocaute (justamente a forma mais adorada pelos fãs da modalidade) para garantir a segurança dos pugilistas. “Não podemos enganar o público como se fosse uma luta real”.

“É uma exposição. Eles podem exibir suas habilidades, mas não quero que eles usem seus melhores esforços para se machucar. Eles vão treinar muito, mas não devem nocautear. Não é um tipo de luta registrada. Não é a decisão pelo cinturão”, completou Foster.

Assim, foram acertadas regras específicas: oito rounds de três minutos, luvas maiores do que as atuais (12 em vez das 10 onças), sem capacete, sem juízes para marcar a luta e, devido à pandemia da COVID-19, sem público, somente pessoas credenciais.

O árbitro Ray Corona, com longa experiência no esporte, será o único, além dos dois pugilistas, a pisar no ringue. Sob suas costas, estará a responsbilidade de garantir que a ação seja atrativa, mas sem qualquer risco à segurança.

Foster conversou com os dois veteranos utilizando uma ferramenta de videoconferência e pediu para que eles “não comecem a tentar se matar” no ringue. Afirmou que ambos mostraram-se favoráveis e ansiosos para o combate de 12 de setembro, em Los Angeles.

“Eu queria ter a palavra deles de que eles entendem”, disse Foster. “Eles têm o direito de ganhar e todo esse tipo de coisa […] Mas não podemos enganar o público. Não quero que as pessoas se machuquem. Eles conhecem o acordo”.

Para Tyson é mais natural o que está colocado na mesa. Ele participou de uma luta de exibição contra o ex-concorrente dos pesos pesados Corey Sanders em 2006. O evento foi pela “Mike Tyson World Tour”, organizado para ajudar a pagar suas dívidas.

Usando um protetor de cabeça, Sanders quase não deu nenhum soco com destaque. Em um momento, Tyson aringiu o rival, o fez tropeçar, mas o segurou para que ele não caísse. Foram quatro rounds, sem empolgar muito o público e sem vencedor.

Tyson teve em seu cartel 50 vitórias (44 por nocaute), seis derrotas e duas desistências, enquanto Roy Jones Jr. teve 66 vitórias (47 por nocaute) e nove derrotas.

Luta de milhões

A luta já começou a mobilizar o mercado, graças ao desejo dos torcedores de verem novamente as duas lendas em ação. Um combate entre eles há 20 anos certamente faria as casas de aposta faturarem substancialmente. Mas mesmo agora não está mal.

De acordo com a CNN, foram pagos 50 milhões de dólares (R$ 261,5 milhões) pelos direitos exclusivos de transmissão em pay-per-view. Roy Jones tem dito que prevê faturar 10 milhões dólares (R$ 52,3 milhões) se a audiência for elevada.

Não há certeza sobre a fatia Tyson, apenas sabe-se que será muito. Ele prometeu doar o que o receber para várias instituições de caridade, reforçando que “não é por dinheiro”. Algo que foi reforçado por seus agentes.

O ex-lutador tem se preparado muito, na expectativa de fazer uma bela exibição e arrumar outros eventos como esse. Tudo dependerá do retorno obtido com a audiência e também do quanto Tyson consegue se manter ainda empolgante.