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Raoni Barcelos desabafa sobre cancelamento e descaso do UFC: 'Banho de água fria'

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Esbanjando cinturões, Henry Cejudo mantém-se em forma em casa (0:45)

Via Instagram/@Henrycejudo | Atual campeão do peso-galo, o norte-americano usou a criatividade para treinar (0:45)

Devido às precauções contra a pandemia do novo coronavírus, 72 lutadores tiveram seus próximos passos alterados com o cancelamento de três eventos do UFC. Para piorar a situação, apesar da declaração de Dana White, na última quinta-feira (19), de que se preocuparia com os atletas e alimentaria famílias, o Ultimate ainda não fez contato com alguns competidores, tanto em relação à remarcação dos combates quanto ao suposto retorno financeiro. Sem previsão para lutar e sem amparo da organização, um dos afetados foi o brasileiro peso-galo (61 kg) Raoni Barcelos, que lutaria neste sábado, em Las Vegas (EUA).

O carioca, que, nesse momento, estaria nos últimos ajustes para o combate contra o americano Cody Stamann, foi obrigado a trocar a preparação para a luta pela quarentena em casa. Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, o atleta desabafou sobre a notícia, que soube através de seu empresário e não da organização.

“Foi um banho de água fria. A gente não luta, a gente não tem um dinheirinho para pagar as contas”, explicou. “Tenho apoio da ‘Refit’, que é meu patrocinador, único patrocinador que eu tenho, e acabo conseguindo me manter com esse apoio. Mas tem outros atletas que não têm e dependem muito das lutas para poder estar pagando suas dívidas, suas contas e tal”.

“Realmente eles não dão uma posição, assim, de dar algum dinheiro, alguma coisa, (não perguntam) se você está precisando de alguma coisa, realmente não falam nada”, destacou o brasileiro. “A luta não foi adiada, foi cancelada. Porque se fosse adiada, já colocariam uma outra data. Porém, acho que o próprio UFC parou, não tem mais como fazer nada, todas as lutas foram canceladas”.

Apesar da frustração com o cancelamento, o atleta não tirou o mérito da organização pelo cancelamento do evento. A nova pandemia global, motivo da medida preventiva, já contaminou mais de 372 mil pessoas ao redor do mundo, de acordo com o último relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde). Apenas nos Estados Unidos, onde seria realizado o show de sábado, já há cerca de 42 mil doentes pelo COVID-19.

“Foi na minha última semana de treino que eu recebi a notícia, foi numa segunda feira à noite. Praticamente eu já tinha feito o treino completo de 9 semanas, 10 semanas mais ou menos, e estava tudo pronto, passagem, tudo comprado. Infelizmente, a luta foi adiada por conta desse vírus e eu achei que foi super certo o que o UFC fez. Realmente, pensar na saúde em primeiro lugar, não só a minha, mas de todos os atletas que estavam no card”, destacou.

Independente dos rumos do Ultimate, Raoni destacou a importância de seguir com os treinos, ainda mais por querer que o confronto, que teria no sábado, ainda aconteça em algum momento. Desde a notícia até o começo dessa semana, o atleta se permitiu descansar, mas já retornou ao treinamento. Já que as formas convencionais estão proibidas devido à quarentena, seu preparador físico lhe envia os exercícios e ele pratica dentro de sua casa.

“Eu vou pegar o cara (Stamann) que é 11º do ranking. Então é uma luta muito boa para mim. É um adversário que acho que o jogo dele casa com o meu, ele vem do wrestling, mas gosta de lutar em pé, então seria uma luta muito boa. A gente estava muito confiante para essa luta”.

Raoni permanece invicto na organização e iria para seu quinto confronto pelo UFC nesse sábado. Sua última luta foi contra Said Nurmagomedov, em dezembro do último ano, quando venceu por decisão unânime dos jurados. Além dessa, duas lutas na organização terminaram com o nocaute do adversário e a outra foi finalizada com um mata-leão.