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Felipe Melo diz ter sido enganado por ex-dirigente do Inter e o acusa de apropriação de investimentos milionários

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O volante Felipe Melo acusa o advogado, empresário e ex-dirigente do Internacional Marcelo Domingues Freitas e Castro de apropriação de investimentos milionários. Em reportagem exibida pela TV Globo neste domingo (8), o jogador do Palmeiras alega ter sido enganado pelo ex-sócio.

Marcelo Castro era responsável por cuidar dos assuntos jurídicos envolvendo os investimentos do atleta, mas a relação foi rompida em novembro deste ano após um negócio frustrado.

Em outubro, começou a funcionar em Porto Alegre a Doutor Melo, clínica de consultas populares na qual Felipe Melo investiu R$ 580 mil. O jogador aparece como dono da empresa em contrato, mas o documento nunca foi registrado na junta comercial do Rio Grande do Sul ou em cartório.

“Até pouco tempo achava que era sócio da empresa”, disse Felipe Melo à TV Globo. “A gente fica muito triste por ter sido enganado por alguém tão perto, acaba sendo família nossa (o advogado é casado com a prima da esposa de Felipe Melo). Estamos fazendo tudo possível juridicamente para reaver tudo que nos foi tirado.”

O estabelecimento encerrou as atividades após cerca de um mês. A clínica, na realidade, estava registrada em nome de terceiros. Um deles era João Aldomiro, que presta serviços a empresas com envolvimento de Marcelo Castro.

Além disso, Felipe Melo alega ter sido lesado em um investimento de R$ 4,9 milhões na Montenegro Participações e Investimentos S/A. O jogador, que diz ter sido aconselhado pelo ex-sócio a realizar o investimento, recebeu rendimentos da aplicação somente até fevereiro.

"Ele nos indicou para colocarmos um dinheiro, assim como se coloca em qualquer banco”, explicou o volante do Palmeiras.

Segundo o Ministério Público, Marcelo Castro usa a Montenegro para esconder patrimônios decorrentes de fraude.

Ex-dirigente é investigado por fraudes contra o Inter

Marcelo Domingues Freitas e Castro foi vice-presidente jurídico do Internacional por sete meses em 2015. Ele integrou diretoria à convite do então presidente Vitório Piffero, denunciado pelo MP por estelionato e organização criminosa.

Segundo o MP, Castro teria lesado os cofres do clube gaúcho e pelo menos dois acordos com jogadores foram fraudados no período.

De acordo com a reportagem da TV Globo, Castro fazia acordos com jogadores e parte do valor acabava sendo revertido a seu favor.

Um dos acordos sob suspeita de fraude foi o realizado com o ex-atacante Christian, em 2014. O ex-jogador ganhou ação trabalhista no valor de R$ 360 mil contra o Internacional e, no ano seguinte, procurou o clube para um acordo. Castro comandou a negociação, que teve a primeira parcela de R$ 70 mil dividida em dois cheques, mas que foram depositados na conta de uma terceira pessoa que trabalhou em uma empresa usada por Castro para ocultar patrimônios.

Em depoimento ao MP, Christian disse que repassou parte do que receberia para Castro para quitar serviços como advogado pessoal. Embora tenha sido ouvido na condição de testemunha, os promotores não descartam a participação do ex-jogador em acordo para lesar o clube. Procurado pela TV Globo, Christian não se pronunciou sobre o assunto.

Outro caso investigado é o acordo trabalhista com o zagueiro Danny Morais, em 2015. A indenização de R$ 918 mil seria paga parceladamente - R$ 138 mil em quatro cheques e o restante em 36 meses. No entanto, a investigação aponta que os cheques foram repassados a Henrique Gershenson, que possui vínculo com Marcelo Castro.

Além disso, o MP apontou que houve outras atividades que lesaram o clube. Uma dívida de R$ 1,6 milhão paga pelo clube a um sindicato ligado ao ex-dirigente também gera dúvidas sobre a legitimidade.

À TV Globo, Castro se defendeu das acusações. "Posso afirmar que qualquer acordo feito na minha gestão, todos foram benéficos ao clube", disse.