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Ex-Bahia tem mesmo agente de Cristiano Ronaldo, jogou Champions League e quer brilhar em Portugal

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Com apenas 14 jogos pelo profissional do Bahia, Filipe Augusto chamou atenção do poderoso agente Jorge Mendes, dono da Gestifute - empresa que cuida da carreira do astro Cristiano Ronaldo. Em 2012, ele foi levado aos 18 anos pelo empresário para o Rio Ave, de Portugal.

"Era uma chance muito boa. Joguei só uns seis meses antes de ir para a Europa. Não foi fácil tomar essa decisão porque tinha acabado de subir e estava vivendo um momento muito bom", explicou o jogador, ao ESPN.com.br.

Após se destacar com a camisa do time português, o meia de 26 anos já passou por Valencia e Benfica, pelo qual chegou a jogar a Champions League. Ele enfrentou times como Manchester United, Borussia Dortmund e CSKA Moscou.

O btasileiro ainda passou por Braga-POR e Alanyaspor-TUR antes de voltar ao Rio Ave em 2018. Nesta temporada, ele tem quatro gols e quatro assistências em 15 jogos.

Veja a entrevista de Filipe Augusto:

Como foi seu começo no futebol?
Eu saí de casa aos 13 anos fui ao Vitória por quase um ano, mas fui dispensado depois de uma lesão na coxa. Voltei para minha cidade e tenho um tio, a quem chamo de pai, que me ajudou demais. Ele conseguiu para que eu fizesse um teste no Cruzeiro. Fui aprovado, mas depois de um tempo eu acabei dispensado porque aquela mesma lesão me fez perder espaço. Um dos diretores do Cruzeiro foi ao Bahia e me chamou para jogar por lá sem precisar fazer testes.

Você chegou a ser finalista da Copa São Paulo...
Sim, na segunda vez que joguei nós perdemos para o Flamengo. Mesmo assim foi marcante porque era algo que o clube não tinha conseguido antes.

Falcão que te deu as primeiras chances?
O Joel foi o primeiro técnico que tive, mas o Falcão foi o treinador que promoveu a minha estreia como profissional e me ajudou muito. Foi importante, apesar do pouco tempo. Ele apostou em mim. Não é fácil apostar nos jovens no Bahia, ainda mais naquela altura. Minha estreia no Bahia foi uma sensação única e um sonho de moleque. Tenho um grande carinho pelo clube e pela torcida, que é apaixonada.

Como surgiu o Rio Ave na sua vida?
Fui chamado para a seleção brasileira sub-20 para jogar um torneio na África do Sul. Foi tudo meio rápido. Assim que voltei, vários empresários e times estavam atrás de mim. O Bahia já tinha uma proposta de um grupo de empresários de Portugal [Gestifute], que era boa para o clube e para mim. Era uma chance muito boa. Joguei só uns seis meses antes de ir para a Europa. Não foi fácil tomar essa decisão porque tinha acabado de subir e estava vivendo um momento muito bom. Estava começando a jogar as partidas. Falei com a minha família e sabíamos que não seria fácil vir para a Europa, mas optamos por vir para cá.

Você jogou ao lado de alguns caras conhecidos por lá...
Nosso time tinha o Éderson e o Oblak [goleiros de Manchester City e Atlético de Madrid, respectivamente], que não eram conhecidos, mas já tinham muita qualidade. Além disso, o Fabinho [Liverpool] passou um mês por aqui antes de ir ao Real Madrid. Lembro que nós chegamos juntos ao time e já tínhamos jogado na seleção sub-20.

Como foi sua 1ª passagem pelo Rio Ave?
Tive uma passagem muito boa e não tive tanta dificuldade na adaptação porque eles são muito acolhedores. As maiores dificuldades foram por causa do frio e porque estava sozinho. Em dois anos jogamos três finais que foram marcantes, apesar de não termos sido campeões. Nós conseguimos levar o time para a Liga Europa, algo que está na história do clube.

Você chegou a ter um problema no joelho...
No final da primeira temporada tive uma ruptura no ligamento do joelho no último jogo do campeonato. No ano seguinte, eu fiquei praticamente seis meses me recuperando e voltei no meio da temporada. Nisso, saí emprestado para o Valencia com meu ex-treinador do Rio Ave, o Nuno Espírito Santo.

O que aconteceu no Valencia?
Foi uma passagem de uma temporada mais difícil porque o futebol espanhol é diferente do português. Minha facilidade em Portugal foi por ter chegado jogando e conquistado rapidamente ritmo de jogo. Coisa que não tive muito no Valencia. Como jogava menos, tive mais dificuldades por falta de sequência. Voltei ao Rio Ave, mas não fiquei muito tempo por lá. Fui para o Braga e joguei um pouco mais e fui campeão da Taça de Portugal, mas lesionei outra vez o joelho e voltei para me recuperar.

Você se recuperou e foi ao Benfica...
Pouco tempo depois de voltar a jogar tive a chance de ir para o Benfica. Foi uma das melhores coisas que me aconteceu. É um clube que desde quando cheguei em Portugal eu passei a admirar e a ter o maior respeito. Tive a a certeza de que estava realizando um sonho. Apesar do pouco tempo, fui campeão da Liga, da Taça de Portugal, da Supertaça, e joguei a Liga dos Campeões. Foi uma passagem curta, mas muito marcante.

Por que saiu do Benfica?
Eu joguei alguns jogos e tive várias oportunidades, mas em uma delas eu me lesionei e perdi um pouco de espaço. No meio da temporada veio a chance de ir para a Turquia em um projeto que me interessou. Achei que poderia ser muito bom porque poderia ter mais tempo de jogo e optei por sair.

Como foi na Turquia?
Foi mais complicado porque o treinador que me indicou foi demitido umas três semanas depois que eu cheguei. Acabei tendo um pouco mais de dificuldade e passei a entender que o cara que me levou não tinha um bom relacionamento com o diretor do clube. Acabou sobrando para mim. Também tive atraso de salários e passei por dificuldades. Via minha família ficar triste porque eu não voltava feliz para casa. Assim que surgiu a oportunidade para sair eu aceitei. Sabia que era só um momento e poderia dar a volta por cima.

Teve ofertas para jogar no Brasil? Como surgiu a volta ao Rio Ave?
Eu só tive sondagens do Brasil, mas nada concreto. Nós começamos a analisar e pensar no que poderia ser bom. Eu queria ser feliz jogando futebol. Mesmo tendo outras propostas melhores, eu optei em voltar.

O que você ainda sonha no futebol?
Eu acho que tenho condições de chegar a um clube grande, que está sempre brigando por títulos. Lógico que o Rio Ave me abriu as portas e me deu todo suporte para dar o salto na carreira. Eu tenho ambição de chegar a lugares mais altos no futebol europeu e na seleção brasileira. Enquanto eu tiver forças e apoio, tenho certeza que buscarei. Tenho jogado e fizemos uma temporada passada boa. Não conseguimos chegar à Liga Europa, mas fizemos uma reta final boa. Este ano estamos brigando pelas primeiras posições e lutando para chegar à Liga Europa.

Pensa em voltar ao Brasil?
Não penso neste momento. Teria que ser algo bom para mim e para a minha família, mas não fecho as portas. É um campeonato que tenho muita vontade de disputar.

Você costuma ver o Bahia? Recebe mensagens dos torcedores ainda?
Vejo sempre. Torço muito para que o Bahia esteja sempre brigando por coisas boas. Eu recebo algumas mensagens pelas redes sociais de torcedores do Bahia pedindo para eu voltar um dia. Quem sabe um dia?