Em sua estreia pelo Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro, Rogério Ceni irá reencontrar uma de suas maiores influências: Jorge Sampaoli, comandante do Santos. Ambos os técnicos possuem várias coisas em comum além do gosto pelo futebol ofensivo.
Quando tinha acabado de se aposentar como goleiro, o treinador da equipe mineira foi em 2016 para a Europa fazer cursos e estágios em alguns clubes. Um dos times escolhidos por Ceni foi o Sevilla, comandado à época por Sampaoli.
Ele observou o trabalho do argentino por cerca de quatro dias à beira do gramado. O time, que ocupava a segunda posição de LaLiga, tinha os brasileiros Paulo Henrique Ganso e Mariano.
O brasileiro conversava depois dos treinos com o argentino e sua comissão técnica.
"Ele é um técnico acima de média, um cara fora da curva, merecedor de todo sucesso. Há três anos eu pude ir ao Sevilla e vi uma semana de trabalho dele. O Ganso estava no Sevilla. Não é difícil compreender o porquê de o Santos jogar assim no Campeonato Brasileiro”, afirmou Rogério Ceni, em sua apresentação.
O treinador do Cruzeiro gosta da forma como o argentino organiza a equipe santista, que é bastante agressiva e gosta de ter a posse de bola.
"Gostaria de encontrar mais à frente para ter mais tempo de trabalhar meu time, mas vamos observar tudo o que o Santos fez nos últimos jogos e encontrar a melhor maneira de confrontar”, afirmou Ceni.
O técnico santista gostou da evolução na carreira do adversário ao longos de quase dois anos de profissão.
"[Ele] foi ver treinos no Sevilla. Queria começar logo a carreira. Tinha ideias novas e boas intenções. Agradou muito que alguém tão representativo me visse trabalhar. Feliz por enfrentá-lo agora", disse Sampaoli.
Ambos os treinadores são tidos como exigentes por seus comandados e gostam de treinamentos com forte intensidade.
"Foi uma experiência muito boa trabalhar com ele. Ele respeita muito seus jogadores, sempre tenta conversar e ouvir o que todos têm para dizer. Ele busca entender o atleta e isso é muito positivo, me deu muita confiança", disse o jogador, que atualmente defende o Galatasaray, ao ESPN.com.br, em 2018.
Outro traço que os une é o amor pelo rock. Sampaoli é fã de bandas argentinas (Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, Callejeros, La Renga, Don Osvaldo) e tem várias tatuagens espalhadas pelos braços em homenagens aos grupos.
Ceni é fã de bandas internacionais como AC/CD (ele escolheu a música Hell Bells para o São Paulo entrar em campo a partir de 2012), Dire Straits, Lynyrd Skynyrd e Pink Floyd. O ex-goleiro toca guitarra com precisão e é amigo de músicos são-paulinos como Nasi (Ira!), Nando Reis (ex-Titãs).
Fora do futebol, ambos gostam de praticar outros esportes para relaxarem. Enquanto o treinador argentino pegou gosto por jogar futevôlei - fez até aulas - nas areias das praias de Santos, o técnico cruzeirense é adepto do tênis para tirar o estress.
O primeiro confronto entre eles foi quando Ceni ainda era goleiro do São Paulo e Sampaoli comandava a Universidad de Chile, quando ocorreu o primeiro encontro entre os dois. O São Paulo levou a melhor na Copa Sul-Americana de 2012: venceu por 2 a 0 no Chile e fez 5 a 0 no Brasil.
Desde que Ceni virou treinador, em 2017, eles não se enfrentaram.
