O Brasil chega à semifinal contra a Argentina ainda sem ter levado gols na Copa América. Com Tite, foram apenas dez sofridos desde setembro de 2016, uma média de apenas 0,25 por partida. O número supera a defesa de qualquer equipe europeia na última temporada.
Os três principais pilares da defesa brasileira, o goleiro Alisson e os zagueiros Thiago Silva e Marquinhos, porém, trazem traumas diferentes enfrentando Lionel Messi, rival com a Argentina na próxima terça-feira no Mineirão, com seus clubes em competições europeias.
São 40 jogos sob o comando de Tite, nos quais o Brasil só foi vazado dez vezes. A média supera, por muito a do melhor clube europeu em 2018/19, considerando as cinco principais ligas do continente, a Champions League e a Liga Europa: 0,67 do Liverpool – de Alisson.
Na Itália, de fama defensiva, o melhor desempenho foi da Juventus, com 0,81 gols por jogo. Já o elogiado Atlético de Madrid de Diego Simeone é o melhor espanhol, mas com média de 0,83.
No Liverpool de melhor defesa da Europa, porém, dois jogos na temporada fogem do padrão: uma vitória por 4 a 3 sobre o Crystal Palace e uma derrota por 3 a 0 para o Barcelona, de Messi. Foram as únicas duas ocasiões em que Alisson foi vazado mais de duas vezes em uma partida. No duelo contra os espanhóis, o argentino acabou marcando dois tentos.
Para a memória, claro, fica a lembrança que o Liverpool do goleiro brasileiro acabou revertendo aquela derrota no jogo de volta da semifinal da Champions, mas Messi aparece outra vez nas partidas em que Alisson mais foi vazado na carreira...
Em 2018, ainda pela Roma, o arqueiro viu seu time perder para o Barcelona por 4 a 1. O argentino, é verdade, não marcou, mas participou da jogada de dois tentos e foi quem mais fez Alisson trabalhar, com três chutes no alvo. Para a sorte do brasileiro, contudo, na volta, mais uma vez sua equipe buscou a classificação de virada e avançou na Champions...
Já para Thiago Silva e Marquinhos, enfrentar Messi na Champions não tem contraponto: quando o confronto aconteceu, o “Hermano” levou a melhor. O pior caso é para o camisa 2 da seleção, que nunca conseguiu vencer o adversário da próxima terça com seus clubes.
Para Thiago, são sete confrontos de Champions contra Messi, que venceu quatro e empatou três. Nessas partidas, com PSG e Milan, o zagueiro viu seus times serem vazados nada menos que 20 vezes, média de quase três por partida. O recorde foi o 6 a 1 de 2017 na Champions.
Na experiência mais negativa, aliás, Thiago tinha Marquinhos como companheiro. O mais jovem da dupla, contudo, ao menos ostenta duas vitórias com o PSG sobre o Barcelona de Messi, que, ainda assim, porém, leva vantagem no retrospecto pessoal, com três triunfos.
Na goleada que marcou a classificação do Barcelona sobre o PSG, depois de os franceses fazerem 4 a 0 em casa (com Marquinhos, sem Thiago Silva), Messi marcou um dos gols.
Agora, para parar Messi com a seleção, Thiago pede trabalho de todos e também divide os méritos com os demais como o único time vivo que ainda não foi vazado na Copa América.
“Acho que a solidez defensiva começa lá na frente, com nossos atacantes, sempre procuro frisar. Quando não toma gols, falam do setor defensivo, e é verdade, mas começa lá na frente, com os atacantes. Esse trabalho sendo bem feito, a bola chega dividida, e a gente ganha mais fácil. É muito mais complicado quando chega limpa para um Messi”, avaliou.
Brasil e Argentina se enfrentam na próxima terça-feira, às 21h30 (horário de Brasília), no Mineirão, em Belo Horizonte. A outra semifinal será entre Chile e Peru, em Porto Alegre.
