No dia 11 de fevereiro de 2017, a seleção brasileira sub-20 saiu de campo com um empate em 0 a 0 com a Colômbia que significou a sexta colocação no Sul-Americano e a não classificação ao Mundial da categoria daquele ano. Uma decepção que não impediu que os jovens daquele grupo crescessem e agora se tornassem esperanças para a Copa América de 2019, em solo nacional.
Estavam naquela equipe Lucas Paquetá, Richarlison e David Neres, todos nascidos em 1997 e convocados por Tite para a disputa entre profissionais em 2019, entre os 21 e 22 anos de idade. Éder Militão, de 98, é outro nome da geração, mas não esteve no Sul-Americano.
“Já jogamos juntos, criamos uma amizade. É bom para a gente ficar mais solto e relaxado no meio de todos. Um vai ajudando o outro e tudo certo”, disse David Neres, um dos nove jogadores já à disposição de Tite na Granja Comary, em Teresópolis, sobre a “parceria”.
“Essa amizade já é longa e importante para o entrosamento. Já conheço muitos jogadores do passado e nos damos bem dentro e também fora de campo. A gente se entende bem, sempre procuramos estar unidos. Somos uma equipe jovem que se dá muito bem”, completa Richarlison, que disputa justamente com Neres uma vaga como titular na seleção .
No Sul-Americano sub-20 de 2017, sob o comando do técnico Rogério Micale, o Brasil passou pela primeira fase com a terceira colocação, a última no grupo com cinco seleções. Em quatro jogos, venceu dois, com um empate e uma derrota – Richarlison marcou uma vez.
Já no hexagonal final, que definiu as quatro vagas para o Mundial da categoria, no mesmo ano, na Coreia do Sul, a seleção acabou apenas no quinto lugar, novamente triunfando somente uma vez, sobre a Venezuela, com mais três igualdades e um revés.
A campanha decepcionante, no torneio que foi disputado no Equador, acabou custando o emprego de Micale, que um ano antes havia levado o Brasil ao ouro inédito nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 – em time que tinha Neymar, que também estará na Copa América.
Já para David Neres, por exemplo, apesar do resultado ruim em campo, o Sul-Americano serviu para a transferência para o Ajax. Foi lá que o clube holandês observou o então jogador do São Paulo mais de perto e decidiu pela contratação por aproximadamente R$ 50 milhões.
O ano de 2017 também foi o último de Richarlison no futebol brasileiro. Com dois gols no Sul-Americano, o atacante foi vendido pelo Fluminense ao Watford, em julho, por cerca de R$ 46 milhões – um ano mais tarde, acabou comprado pelo Everton, por mais de R$ 200 milhões.
Paquetá, entre os convocados para a Copa América do Sul-Americano de 2017, foi o último a partir para a Europa. Deixou o Flamengo rumo ao Milan no fim de 2018, por R$ 150 milhões.
Decepção na base à parte com a seleção, os três conseguiram impacto no Velho Continente. Neres foi um dos destaques do Ajax campeão holandês e semifinalista nesta temporada; Richarlison chamou a atenção no Everton e foi um dos artilheiros do time em 2018/19; enquanto Paquetá ganhou elogios no Milan logo na estreia, assumindo condição de titular.
Além do trio hoje convocado para a Copa América, o Brasil também tinha no Sul-Americano sub-20 nomes como Guilherme Arana (hoje no Sevilla), Maycon (Shakhtar Donetsk), Felipe Vizeu (que foi para o Udinese e está atualmente no Grêmio).
Do grupo, Neres e Richarlison já se apresentaram na Granja Comary e são dois dos nove que já treinam em Teresópolis. Paquetá, por sua vez, só chega na próxima semana.
