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Guilherme Teodoro celebra Grand Smash dos EUA e 'melhor momento da história' do tênis de mesa brasileiro

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Guilherme Teodoro comemora quartas no WTT Grand Smash dos Estados Unidos e comenta momento do tênis de mesa do Brasil (2:09)

Brasileiro jogou em Las Vegas ao lado de Giulia Takahashi e chegou até as quartas de final nas duplas mistas (2:09)

Nas últimas semanas, milhares de pessoas acompanharam atentamente os duelos do Mundial de Clubes da Fifa nos Estados Unidos, cuja final foi no último domingo, entre Chelsea e PSG, na cidade de Nova York.

Mas, além do futebol, a elite do tênis de mesa também esteve reunida em Las Vegas para a disputa do WTT Grand Smash dos Estados Unidos, um dos quatro torneios da categoria mais importante do circuito mundial.

Mesmo sem Hugo Calderano — que não pôde competir por problemas burocráticos com o visto —, o Brasil teve ótima participação no torneio, com destaque para Guilherme Teodoro e Giulia Takahashi nas duplas mistas. Os dois avançaram até as quartas de final e, com o resultado, subiram para o 12º lugar no ranking mundial da categoria.

Guilherme, de apenas 23 anos, concedeu entrevista exclusiva à ESPN após uma das melhores campanhas de sua carreira.

“Foi muito especial, um evento incrível e com patrocínio da Joola, muito grande. Chegamos às quartas de final, foi algo meio inesperado para a gente, mas sabíamos que poderíamos chegar longe. Graças a Deus, conseguimos esse resultado e só paramos para a dupla número 1 do mundo. Ainda temos muito que aprender.”, comemorou o "caiçara" que nasceu no Guarujá, no litoral paulista.

Mesmo com os Estados Unidos sediando o Mundial de Clubes, os holofotes esportivos da cidade de Las Vegas estavam voltados ao tênis de mesa.

“Não sei se a gente estava longe das sedes dos jogos, mas lá não vimos nada sobre o Mundial. Não sei se foi um plano da WTT para deixar tudo focado no tênis de mesa ou se Las Vegas não é muito ligada ao futebol. Claro, os jogos passavam na TV em restaurantes e hotéis, mas fiquei surpreso pelo Mundial não ter uma divulgação tão grande nos Estados Unidos.”

Assim como o novo torneio da FIFA, essa foi a primeira edição do US Smash e já ganhou um lugar especial no coração de Guilherme, que já tem no currículo uma participação olímpica.

“A gente jogou na mesa principal, dois ou três jogos. A estrutura de lá é incrível, o ginásio é gigantesco. Só não foi maior do que o que joguei nas Olimpíadas de Paris. Muitas salas para a organização... Essa mesa 1 foi sensacional.”

Porém, assim como o Mundial de Clubes, o torneio também recebeu críticas construtivas.

“Nas outras mesas, tiveram muitas reclamações. De última hora, eles fizeram em uma tenda gigantesca. A gente não está acostumado com isso, porque geralmente jogamos em ginásios fechados. Por ser em uma tenda, ficou meio improvisado. O chão era de madeira, então, se você pulava, ele se mexia. Ventava um pouco, e o teto não era tão alto para jogar a bola para cima. Tem alguns pontos que ficaram a desejar, mas tenho certeza de que vão melhorar para a próxima edição.”

Jogar em tendas não é algo comum no circuito de tênis de mesa, especialmente em um Grand Smash. Mas não foi a primeira vez que isso aconteceu, especialmente em um país que não tem tanta tradição na modalidade.

“Já teve um WTT Grand Smash em uma tenda na Arábia Saudita, no ano passado, e também tiveram reclamações. O tênis de mesa é um esporte muito rápido, complexo, com muitas variações. Quando você joga em uma tenda, bate o pé ou pula, a rede se mexe um pouquinho e a mesa balança. Aí você perde o controle do efeito da bola. Isso aconteceu ano passado, com o vento também. Era improvisado, tinha ar-condicionado, e o vento atrapalhava um pouco.”

Apesar dos pontos a melhorar, a avaliação do brasileiro sobre o Grand Smash dos Estados Unidos é positiva e o motiva a querer ir ainda mais longe, aproveitando o ótimo momento que a modalidade vive no Brasil.

“Sem dúvidas, o tênis de mesa brasileiro, considerando toda a equipe, vive o melhor momento da história. Você nem precisa acompanhar os resultados... Anda na rua e fala de tênis de mesa, a galera fala: ‘Calderano’, né? O Hugo virou um ícone no esporte brasileiro. Antigamente, isso era impossível. As pessoas lembravam um pouco do Hugo Hoyama no passado, mas recentemente era difícil você escutar alguém falando de tênis de mesa,”

“Agora, com o Calderano conquistando a Copa do Mundo e sendo vice-mundial... A Bruna (Takahashi) também indo muito bem, entre as 20 melhores do mundo. Eu, graças a Deus, sempre no top 20 de duplas. O Brasil está conquistando resultados expressivos. Agora, com mais patrocínio e visibilidade, isso só tende a melhorar. Tanto para nós, que já estamos na seleção brasileira, como para a galera da base.”

Mesmo com o ótimo momento da modalidade, Guilherme ainda não sente diretamente o retorno em patrocínios — mas segue otimista.

“Ainda não chegou o momento de alguma marca ou patrocinador diferente conversar com a gente. O que eu sinto que mudou é a divulgação, o pessoal reconhecer e saber mais sobre o esporte. Isso leva tempo para virar investimento e voltar pra gente. Mas, nos próximos anos, isso vai acontecer. A divulgação que o tênis de mesa está tendo... Qualquer notícia sobre algum torneio ou sobre o Calderano, que está muito famoso no Brasil, muita gente já fica sabendo, até quem não acompanha o esporte. Assim, as marcas se interessam e o investimento vai vir.”

Guilherme Teodoro, e os outros mesa-tenistas brasileiros, vão ter a oportunidade de sentir esse carinho da torcida de perto porque vão disputar o WTT Star Contender de Nova Iguaçu, em Santa Catarina, a partir do dia 30 de julho.

Esse será o maior torneio de tênis de mesa disputado no Brasil e vai contar com Hugo Calderano, Vitor Ishiy, Bruna Takahashi, Guilherme e Giulia Takahashi. A competição faz parte do 3º nível do circuito mundial de tênis de mesa, atrás apenas dos Grand Smash e dos WTT Champions, tem uma premiação total de 300 mil dólares.

Essa será a primeira edição do WTT Star Contender de Nova Iguaçu e o país já recebeu, no passado um WTT Contender no Rio de Janeiro, vencido por Calderano, em 2024.