A tarefa de pilotar um carro que chega a 200 km/h em Interlagos não é para qualquer um. Para Douglas Mattos, contudo, isso é muito mais do que simplesmente um feito notável.
Douglas é um cidadão de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, e desde sempre está acostumado com obstáculos.
É assim desde o seu prematuro nascimento, quando veio ao mundo com apenas sete meses. Diante de complicações no parto, sofreu com falta de oxigênio no cérebro e acabou diagnosticado com paralisia cerebral.
A partir daí, Douglas travou grande luta, ao lado da família, em busca de reabilitação. Teve extrema dificuldade na fala e locomoção até os 14 anos, mas enfrentou com fé e determinação todos os problemas de seu caminho.
Formou-se em TI (tecnologia da informação), casou-se (com a esposa Juliana), teve dois filhos e trabalhou em uma multinacional de comunicação. Seguiu lá até sofrer de burnout, forte estresse no emprego que o levou a uma forte depressão. Acabou se aposentando por invalidez.
“Inválido”, contudo, era algo que não fazia parte de seu vocabulário ou personalidade. Pelo contrário. Em uma velha Brasília, carro doado pelo avô, Douglas encontrou a chance de renascimento.
Foi com ela, no Kartódromo de Petrópolis, que Douglas descobriu o prazer de pilotar. Começou a fazer vídeos e procurar comerciantes locais com a intenção de investir em sua carreira no automobilismo.
Sorte dele que alguns empresários acreditaram na ideia.
Foi assim que Douglas, ao lado de Felipe Martins, empresário de Petrópolis, fundaram a Projetax, uma equipe única no mundo a ter pilotos com deficiência. Um deles, o mais famoso, é André Bragantini Jr., com três décadas de experiência.
Mas não pense que é fácil colocar alguém com paralisia cerebral para pilotar um carro tão rápido – e de tão alto custo, já que cada veículo da classe Turismo Nacional representa um investimento de cerca de R$ 70 mil.
Para viabilizar esse sonho, quase impossível, Douglas teve que se dedicar como um grande atleta. Passou, de forma gratuita, pela escola de pilotagem de Beto Manzini e fez testes com Bragantini até conseguir tirar a carteira de profissional.
A ESPN acompanhou os dramas do novo piloto em um dia de treinos em Interlagos até a estreia do primeiro profissional do mundo a correr com paralisia cerebral em um carro sem adaptações, em história que você assiste, completa, acima.
Emoção, decepção e superação não faltarão. Inspire-se.
