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Isaquias faz forte desabafo sobre saúde mental após conquistar prata nas Olimpíadas: 'Remontada da minha vida'

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Isaquias Queiroz tem arrancada emocionante no fim e fica com a medalha de prata nas Olimpíadas (0:59)

Brasileiro que foi campeão olímpico em Tóquio conquistou a sua 5ª medalha (0:59)

Isaquias Queiroz conquistou a medalha de prata para o Brasil na final do C1 1000m na canoagem masculina. A prova ocorreu na manhã desta sexta-feira (9). O baiano não teve um bom início de etapa, mas conseguiu uma arrancada na última parte da prova para garantir a segunda colocação.

Em entrevista à TV Globo após a conquista da medalha, Isaquias fez um desabafo sobre sua situação física e mental em 2023 e que precisou correr contra o tempo para chegar com condições de brigar por medalhas nos Jogos Olímpicos.

“2023 foi um ano muito especial, foi quando eu percebi o que não é ser campeão mundial. O que é não ser um superatleta, o que é ser um ser humano com problemas pessoais, mentais, psicológicos, físicos, e eu tive a oportunidade de sentir essa situação de poder remontar”.

“Uma remontada em cima da minha carreira, da minha vida, de poder chegar aqui e ser campeão olímpico para mim, porque como eu falei, foi um ano difícil, o Lauro teve que se virar nos 30 para me fazer andar. Nos últimos meses, eu estava na Bahia e cheguei na seleção em abril e tive que correr muito para poder chegar em forma até aqui”, contou.

“É um peso que eu tirei das minhas costas. Muita gente não acreditou em mim em 2023, 2024, pela minha passagem de ano, poder chegar aqui em Paris e ser medalha de prata, ser porta-bandeira, representar minha Bahia, meu Brasil é uma felicidade incrível e eu estava muito atrás”.

O brasileiro brincou ainda ao revelar que Sebastian, seu filho, havia pedido a medalha de ouro para ele. Apesar da prata, Isaquias se mostrou agradecido com o segundo lugar e ressaltou que deixar Paris com uma medalha nas mãos é um sinal de resposta para a ajuda que recebeu nos últimos anos.

“Eu acho que a prova que eu fiz é merecimento da medalha de ouro, mas fico feliz de poder subir no pódio, entregar essa medalha para os meus filhos, minha esposa, minha irmã, eles fazem aniversário tudo no mês de agosto, então esse é o presente que dou para eles, o presente para todo mundo no Brasil”.

“Sair de uma modalidade pequena, hoje o Brasil inteiro sabe a grandiosidade que é a canoagem velocidade, então estou muito feliz. Como falei ontem, a tristeza é porque a gente tem que mostrar resultado para quem acredita no potencial, quem investe, e o Comitê Olímpico vem há anos ajudando a gente, então eu tenho que sair daqui com a medalha para poder ajudar o Time Brasil”, acrescentou.

Em entrevista coletiva, Isaquias chegou a dizer que pensou em desistir da carreira na canoagem no início do ano, mas agradeceu ao apoio do COB e do Flamengo, clube onde treina no Rio.

“Sim (pensei que não dava mais). No início do ano, eu fui para casa na Bahia, queria parar de remar, não estava me sentindo bem, não estava me sentindo feliz. Comitê Olímpico me ajudou, deu todo o suporte que eu precisava com equipamento. Mas 2023 foi um ano muito difícil. Apoio, eu tinha sempre, do Time Brasil, Flamengo. Mas era vontade, eu estava sem vontade. E a minha família me ajudou bastante", disse.

"E depois que eu voltei para a seleção eu voltei a treinar de novo e acho que a canoagem me ajuda nessa questão. Mas vinha de nove anos em pódio olímpico, então era muito desgastante e deu vontade de parar, de aproveitar a vida. Mas eu falei: vamos para Paris, vamos ver o que a gente consegue em Paris, e a gente vai voltar com essa medalha de prata”, finalizou.