<
>

Retrospectiva olímpica: Por que 2023 foi o ano da ginástica brasileira

Montagem com Rebeca Andrade, Diogo Soares, Bárbara Domingo e Camilla Lopes Gomes em 2023 Arte ESPN

2024 acaba de começar e promete ser muito especial para os fãs dos mais variados esportes que já estão ansiosos para as Olimpíadas de Paris, que serão disputadas em julho e agosto na capital da França.

Para aquecer os preparativos para mais uma edição dos Jogos Olímpicos, chegou a hora de relembrar como em 2023 uma modalidade encheu o Brasil de orgulho e esperança: a ginástica!

No ano que passou, Rebeca Andrade encantou o mundo, a ginástica rítmica venceu todas as provas que disputou nos Jogos Pan-Americanos de Santiago e muitos ginastas brasileiros garantiram uma vaga em Paris-2024.

Ginástica Artística

Rebeca Andrade foi, sem sombra de dúvidas, a grande atleta do Brasil em 2023. A ginasta de 24 anos impressionou o planeta no Mundial de Ginástica Artística disputado na Antuérpia, na Bélgica. A brasileira conquistou, simplesmente, cinco medalhas, sendo uma delas de ouro no salto, especialidade da ginasta de Guarulhos que foi campeã olímpica do aparelho em Tóquio-2020.

Em 2023, Rebeca ainda fez sua estreia em Jogos Pan-Americanos na edição de Santiago, e mesmo se preservando fisicamente em algumas provas, venceu duas medalhas de ouro (no salto e na trave) e outras duas de prata.

O desempenho da campeã olímpica impressiona, mas a ginástica artística feminina como um todo conseguiu um ano impressionante. A seleção brasileira, com Rebeca Andrade assumindo o protagonismo, conquistou uma inédita medalha de prata mundial na disputa por equipes e conseguiu a vaga olímpica, garantindo cinco ginastas brasileiras em Paris.

Rebeca, em entrevista exclusiva para a ESPN, exaltou como o desempenho dela e de suas companheiras podem incentivar diversas gerações:

"É uma honra poder ver o quanto que a ginástica tem crescido a cada ano. A gente também está colocando o nosso nome na história para que futuramente a gente possa continuar incentivando as próximas gerações, as crianças e os jovens que vivem no presente e os que vão viver no futuro também."

Além do brilho coletivo, Flávia Saraiva também conquistou sua primeira medalha mundial, ao vencer o bronze no solo na Antuérpia e, no Pan de Santiago, levou cinco medalhas para casa.

A seleção, que contou também com a experiente Jade Barbosa competindo em alto nível, ainda “fechou” o ano com a prata na disputa por equipes no Pan, superada apenas pelos Estados Unidos, assim como no Mundial.

No masculino, o Brasil não conseguiu a vaga para a equipe no Mundial de Ginástica Artística, que era o grande objetivo da temporada, mas vai levar de 2023 alguns aspectos bem positivos.

Na Antuérpia, Diogo Soares ficou em 10º lugar no individual geral e garantiu seu lugar nas Olimpíadas de Paris, além de conquistar uma medalha de prata no Pan.

A seleção brasileira masculina ficou em 13º na disputa por equipes no Mundial e ganhou uma vaga não-nominal para os Jogos Olímpicos na França em 2024, além de conquistar a medalha de bronze no Pan-Americano de Santiago. Também no Chile, Arthur Nory foi ouro na barra fixa, além de conquistar outras duas medalhas individuais.

Ginástica Rítmica

A ginástica rítmica do Brasil também encantou o planeta em 2023. O conjunto das brasileiras ficou em um inédito 6º lugar no Mundial da modalidade em Valência, na Espanha, e conquistou a vaga para as Olimpíadas de Paris.

Quem também brilhou na cidade espanhola foi Bárbara Domingos, que conquistou uma vaga no individual geral para o Brasil nos Jogos de 2024 após ficar em 11º no mundial da modalidade.

2023 foi muito especial para Babi, que ainda foi campeã da fita no Grand Prix de Thais, na França, e conquistou duas medalhas de bronze em outras etapas da Copa do Mundo. No Pan, Bárbara venceu simplesmente 5 medalhas, sendo três de ouro.

Inclusive, a seleção brasileira de ginástica rítmica teve um desempenho impressionante nos Jogos Pan-Americanos de Santiago. O Brasil venceu todas as provas em disputa na capital do Chile e voltou com 13 medalhas, com muitas dobradinhas nos pódios. Esse desempenho foi essencial para o Time Brasil quebrar o recorde de medalhas de ouro e totais em uma única edição do Pan.

Além de Babi, a jovem Maria Eduarda Alexandre também brilhou nas disputas individuais e foi campeã das provas de maças e arcos. A catarinense de 16 anos não deve competir em Paris, mas já aparece com grande destaque para o futuro da GR brasileira e se espelha não só nas companheiras de GR para querer ir mais longe.

"A ginástica do Brasil vem crescendo a cada ano e ver elas (da artística) crescendo junto, me incentiva e me alavanca pra que a ginástica rítmica também cresça. Eu sei que esse sentimento não é só meu, é de todas as pessoas que conheço e fazem parte da ginástica do Brasil. Essa inspiração é extremamente importante para mim.", contou em entrevista exclusiva para a ESPN.

Ginástica de Trampolim

O Brasil também teve um ano para celebrar na ginástica de trampolim. Alice Gomes e Camilla Lopes Gomes brilharam no mundial da modalidade disputado em Birmingham, na Inglaterra, avançaram para uma final inédita e garantiram uma vaga não nominal para a seleção brasileira em Paris-2024.

A Confederação Brasileira de Ginástica vai convocar uma atleta para as Olimpíadas, mas a outra pode conquistar a própria vaga através das etapas da Copa do Mundo desse ano que se inicia.

No Pan de Santiago, as duas venceram a medalha de prata no sincronizado, e Camilla também subiu ao pódio em segundo lugar no individual. No masculino, Rayan Dutra conquistou a prata no individual, e, junto com Lucas Tobias, ficou com o bronze no sincronizado. Foi o recorde brasileiro de medalhas nessa modalidade em uma única edição dos Jogos Pan-Americanos.

2023 foi ano da ginástica brasileira

Para sintetizar como 2023 foi o ano da ginástica brasileira, o Prêmio Brasil Olímpico, organizado pelo Comitê Olímpico do Brasil, entregou quatro prêmio individuais gerais, em que concorriam diversos atletas e técnicos de várias modalidades, para ginastas.

Rebeca Andrade venceu o Troféu Rei Pelé feminino, dado ao melhor atleta do ano e Flávia Saraiva ganhou o prêmio Atleta da Torcida. Camila Ferezin, treinadora da seleção de ginástica rítmica, foi eleita a Técnica Individual do Ano, e Duda Alexandre foi a vencedora do Prêmio de Revelação de 2023.

Também em entrevista exclusiva para a ESPN, Camila contou como a proximidade da ginástica artística colaborou para o desenvolvimento da GR.

"Na pandemia, a gente fez uma troca fundamental para a nossa virada de chave da ginástica rítmica. Cconviver com a Rebeca, com o Arthur Zanetti, com a Flavinha, lá em Portugal em 2019, fez toda a diferença no nosso trabalho porque a gente ficou do lado a lado com eles."

"Foi aí que a gente começou a acreditar ainda mais que era possível e estamos realizando esse sonho de alcançar tantos resultados assim. Isso é fruto de um trabalho que a gente se espelha sempre na ginástica artística, que é o carro chefe da nossa Confederação Brasileira de Ginástica."

Se ano que passou já foi incrível para a modalidade, a expectiva (e a torcida) para 2024 é que seja ainda melhor para a ginástica brasileira.