Tricampeão mundial, ex-pugilista Éder Jofre morreu neste domingo (02), em São Paulo, aos 86 anos
Morreu neste domingo (02) Eder Jofre, aos 86 anos, o 'Galo de Ouro'. Eder foi para mim muitas coisas, além do grande esportista, foi um amigo, um ídolo e um exemplo a ser seguido.
Eder é internacionalmente reconhecido como o maior peso galo da história, sempre citado nas primeiras colocações nas listas dos maiores boxeadores de todos os tempos independente da categoria de peso e um dos dois maiores campeões que a América do Sul produziu, ao lado do argentino Carlos Monzon.
Invariavelmente, ao ligar para alguma fonte ligada ao boxe no exterior, durante cobertura de inúmeras lutas ou participações de eventos fora do Brasil, ao me identificar como brasileiro, perguntavam com carinho: “Ah, você é da terra do Eder Jofre?” ou “Como está o Eder?”.
E por que não?
Eder dominou por anos, mesclando técnica e pegada, a categoria dos galos. Pendurou as luvas, retornou aos ringues e, aos 37 anos, foi campeão dos penas. E isso em uma época na qual existiam menos versões do título mundial e menos categorias de peso. Ou seja, ser campeão na época do Eder era algo para os realmente fora de série.
Fosse hoje, quem sabe em quantas categorias e por quantas entidades Eder teria conquistado cinturões.
Ao se aposentar em definitivo, seu cartel registrava 72 vitórias, 50 por nocaute, duas derrotas e quatro empates. Ele é membro do Hall da Fama de Canastota e o da Costa Oeste.
Mas ele é muito mais do que isso. Há diferenças entre ser um dono de cinturão e um autêntico campeão.
Patriota ao extremo, Eder nunca enfrentou outro brasileiro no profissionalismo. E, nos raríssimos momentos de dificuldade no ringue, seu pai e técnico, Kid Jofre, recorria ao nacionalismo do “Galo de Ouro” para reanimá-lo: “É pelo Brasil!”. Sempre funcionou.
Sempre vou lembrar do Eder muito generoso, que abriu as portas de seu apartamento para mim, anos antes de ser jornalista, e aturava por horas, às vezes por seis seguidas ou mais, o jovem fã. Até brinco hoje com seus familiares que, quando o visitava, Cidinha, sua mulher, já devia colocar a vassoura de cabeça para baixo atrás da porta (superstição para a visita ir embora). Ao longo dos anos, recebi do meu amigo Eder, que sempre encontrei extremamente bem-humorado, fazendo brincadeiras ou contando piadas, conselhos pessoais.
Outras vezes, o exemplo veio pela simples observação. Ao receber insinuação para fazer algum mal feito, Eder, já homem feito, retrucava com veemência: “Não foi isso que aprendi com meu pai”.
Eder foi para mim um grande personagem sobre quem tive a honra e prazer de escrever, um ídolo, um exemplo e um amigo.
Mas, acima de tudo, Eder era gente como a gente. Após perder Cidinha, a saúde de Eder, que até então era uma rocha, deteriorou, culminando com sua morte neste domingo.
