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Tite conta que quase recusou convite para assumir a seleção e lembra dilema com oferta da CBF: 'Não sei o que vou fazer'

Técnico da seleção brasileira falou sobre o convite que recebeu em 2016


No comando da seleção brasileira desde 20 de junho de 2016, Tite se encaminha para a sua segunda (e última) Copa do Mundo. Em entrevista ao podcast 'Fala, Brasólho', do canal Desimpedidos, o treinador relembrou como chegou o convite para comandar a Amarelinha e revelou que quase recusou.

À época, Tite estava na sua segunda passagem pelo Corinthians, depois de ser campeão do Brasileirão, Conmebol Libertadores e Mundial de Clubes na primeira. E, segundo ele, o momento conturbado pelo qual passava a seleção nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, que ocupava o lugar na tabela e havia acabado de demitir Dunga, o fez pensar se a escolha seria a coisa certa a fazer na carreira.

"Tinha tido duas outras oportunidades, mas que não eram limpas. Não deixei nem deixar chegar perto. Essa veio em um momento em que não havia técnico na seleção brasileira, estava vaga. É uma ambição profissional. Depois do título de 2012 com o Corinthians, olhando para trás na minha carreira eu digo 'me credenciei a almejar algo na seleção brasileira, e que a oportunidade posssa surgir'. Quando surgiu e veio o convite, 'a CBF quer conversar contigo com a possibilidade de...'. Foi o Matheus (Bachi), e ele falou 'o pessoal da CBF quer conversar'. O Matheus estava no shopping e foi abordado, Anália Franco, no Tatuapé, encontrou, perguntou", começou por dizer.

"Um misto de emoções, sensações. Orgulho, daqui a pouco a possibilidade de um objetivo ser alcançado, mas analisar a circunstância toda, de que forma você vai fazer o trabalho. Em que momento você está, que circunstância você está, que jogo está, que posição na tabela está, que jogo vai... aí você começa a buscar. A primeira coisa que vem é o orgulho. 'Técnico da seleção brasileira é o ápice de carreira profissional'. O trabalho desenvolvido dentro do Corinthians com pessoas que tinham uma afinidade muito grande, em termos profissionais, de lealdade, com um trabalho prolongado, com projeto por mais 1,2 anos", prosseguiu.

"Ficou um conflito muito grande. Mas a primeira coisa que eu tenho que falar é com a direção, com o Roberto (de Andrade), presidente, Duílio (Monteiro Alves). Recebi um convite e quero ouvir porque não tem técnico na seleção brasileira. Ou fico aqui e vou lá, mas de uma forma integral, e não ficar sem estar na plenitude. Vim para cá, ouvi. Estava eu e Cléber (Xavier) quando viemos, conversamos com a direção, e eu fiquei com a sensação 'eu sou o técnico da seleção brasileira'. Quando eu saí daqui e cheguei no hotel no outro dia de manhã, eu digo 'eu não sou mais técnico da seleção, não vou assumir'. A dificuldades era grande, o momento era difícil (da seleção). Não tenho nenhuma crítica ao trabalho passado. O momento era de 6° colocado dentro das eliminatórias, 1/3 da competição já tinha corrido, e os dois outros enfrentamentos eram contra o líder e o segundo colocado. Eu fiquei na dúvida, e a minha esposa naquela aflição. Eu cheguei às 10h e fiquei até às 13h conversando com ela, com o Cléber, com o Fábio. Passou esse tempo, e a minha esposa falou 'me fala alguma coisa'. Eu não sei o que vou fazer. Que condições ela minha proporciona? Tem a condição de formar uma comissão técnica com trabalho integral? É legal, mas que condições ela vai te dar? Isso é fundamental, é tão importante quanto a minha figura estar. Tenho que acompanhar treino, conversar com os técnicos, me aprofundar. 'Assume a seleção olímpica'. Eu digo, 'de jeito nenhum, encontrem outro profissional', e na sequência veio o Micale. 'Vamos falar de termos financeiros'. De termos financeiros, eu não quero saber, eu quero saber de perspectiva de sucesso", complementou.

Por último, Tite ainda revelou o motivo que, no fim das contas, o fez aceitar o convite para assumir a Amarelinha e permanecer por lá até hoje.

"Foi essa busca. Nós vamos te oportunizar a acompanhar os jogos, a ter essa condição, ter profissionais fixos dentro da seleção brasileira, que trabalham de segunda à sexta. Quando me foi dada essa condição, ela te vislumbra a oportunidade de sucesso", finalizou.