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Willian Cardoso virou 'Panda' por causa de desenho e quase desistiu do surfe para trabalhar em madeireira; conheça

Se você não é grande fã de Surfe, é possível que já tenha ao menos ouvido falar em Gabriel Medina e Adriano de Souza, campeões mundiais da modalidade, ou então em Filipe Toledo, atual líder do ranking mundial. Porém, saiba que nesse ano, uma das sensações da "Brazilian Storm" é um atleta que nada tem a ver com esses citados. Ele atende pelo apelido de Panda, pesa quase 100 kg e, aos 32 anos, debuta na elite do surfe mundial. E faz bonito.

Isso porque Willian Cardoso é o atual 7º colocado no WCT, com direito a uma vitória na etapa de Uluwatu, na Indonésia, onde superou nas fases decisivas atletas como Filipinho e Julian Wilson, atuais primeiro e segundo colocados da temporada. Apesar dos bons resultados, o atleta não pensa em título e, em seu primeiro ano na elite, se contenta apenas em continuar na "primeira divisão". "Prefiro ter os pés no chão. Sabemos como o Circuito é difícil e eu prefiro pensar etapa por etapa, sem muita expectativa. Meu foco é permanecer na elite. Acho que não estou na briga pelo título. Os líderes estão mais de 10 mil pontos na minha frente. Acredito muito no meu potencial, mas esse ano acho que não estou na briga", opinou o atleta, em entrevista ao ESPN.com.br.

O curioso é que os bons resultados em 2018 vieram justamente depois de Willian quase desistir de competir profissionalmente e passar a trabalhar em uma madeireira. "Eu sempre tive bons patrocínios, mas perdi o principal deles no final de 2016. Juntei todas as minhas economias, mas nessa época, eu pensei seriamente em desistir. Eu já estava no WQS havia muitos anos e não conseguia chegar ao WCT. Eu pensei bastante em trabalhar em outra área, estava até alinhando com meu sogro, que tem uma madeireira, mas eu toparia qualquer coisa", comemorou ele, demonstrando grande alívio com a mudança de rumo que sua vida tomou após cogitar a "aposentadoria".

E chegar à elite aos 32 anos tem seu lado bom. Isso em comparação com alguns atletas que conseguem o feito com menos de 20 anos. "Acredito que eu tenha vantagem em relação aos mais jovens. Alguns deles não levam tão à sério seus primeiros anos no Circuito. Pra mim é como uma oportunidade de vida. Me preparei muito para isso", disse o Panda.

O apelido peculiar, aliás, surgiu de uma forma bastante engraçada, depois de uma trapalhada do surfista. "O apelido Panda surgiu em 2008. Durante uma etapa do WQS, eu acordei na madrugada e estava morrendo de fome. Mas quando eu fui comer, me atrapalhei e acabei derrubando umas coisas, fez um barulhão. Como naquela época estava em alta o filme Kung Fu Panda, começaram a falar que eu era delicado como um Panda", comentou aos risos, lembrando que, com 95 kg, é um dos surfistas profissionais mais pesados do mundo.

O SONHO OLÍMPICO E O FUTURO COMO TÉCNICO

Já que foi tão difícil para Willian chegar ao topo, ele nem pensa em aposentadoria, apesar da idade avançada. Isso também tem a ver com um sonho que pode estar mais perto do que ele imagina de se realizar. "Agora que estou no WCT, quero ficar por pelo menos uns três anos. Até 2020. Até porque quero muito representar o Brasil nas Olimpíadas, o que é difícil, porque tem muita gente boa concorrendo por esse lugar. Acho que hoje o Brasil é a maior potência do surfe mundial", opinou, exaltando a qualidade dos compatriotas que também cogitam disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Porém, como a idade chega para todo mundo, Panda só não quer saber de se afastar do mar. E já pensa em compartilhar sua experiência com as futuras gerações do surfe brasileiro. "Para o futuro, eu quero muito continuar no surfe. Eu quero ajudar a galera. Acredito que seria um bom técnico".