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Conheça Victor 'Feijão', jovem que treinou na Nova Zelândia e é promessa do rugby brasileiro

De um contato casual até se tornar uma das promessas do rugby brasileiro. Esta é a história de Victor Guilherme Souza Silva, ou apenas "Victor Feijão". Nascido e criado em São José dos Campos, o jovem de 19 anos atua pelo time da cidade e pela seleção juvenil. Neste ano, além de ganhar chances na equipe adulta do São José Rugby, ele realizou um sonho de qualquer fã da modalidade.

"Foi um momento de muita felicidade quando recebi a notícia, em dezembro do ano passado. Foi a realização de um sonho", assim Victor relata o momento em que descobriu que havia ganhado uma bolsa da Confederação Brasileira de Rugby (CBRU) para ir à Nova Zelândia passar um tempo com o time dos Crusaders, um dos principais do mundo.

No começo de 2016, o jovem alcançou a seleção brasileira juvenil e consequentemente começou a concorrer à oportunidade de ficar um período em uma nação que é um expoente no rugby. Além de Victor, outros sete atletas disputaram duas vagas para viajar à Oceânia.

"Chegar lá foi complicado. Eu não sabia nada de inglês. Ainda bem que meu amigo Fred, que também foi para a Nova Zelândia, estava lá para me ajudar. Mas a experiência foi muito boa. Eu pude aprender muito com eles, aprendi uma nova língua. Foi muito bom", contou o atleta.

Além dos ensinamentos obtidos no "outro lado do mundo", Victor destacou a oportunidade de poder conhecer atletas de uma das maiores seleções de rugby do mundo, os All Blacks.

"Para eles pode ser normal, mas para mim foi demais. Quando tive contato com os jogadores dos All Blacks. Convivia com eles, era demais. Meu primeiro contato foi com o Luke Romano - atleta dos Crusaders e campeão da Copa do Mundo de Rugby em 2015. Ele veio até mim, eu ainda não entendia muito o inglês então me ajudaram", revelou.

"Lembro dele contar que até os 22 anos, ele trabalhava como pedreiro, mas ele não desistiu do sonho dele. Batalhou, buscou e conseguiu chegar onde ele queria campeão da Copa do Mundo, campeão do Super Rugby", seguiu o jovem.

Ao relatar sua trajetória, ainda breve no esporte, Victor conta que tudo aconteceu muito rápido.

"Meu primeiro contato com o esporte foi aos 13 anos, logo adquiri uma intimidade com a modalidade e comecei a praticar. Meus primeiros treinos foram em julho e em outubro eu já saí do Brasil para disputar um campeonato no Uruguai. No ano seguinte, já consegui ganhar minha primeira bolsa atleta e comecei a poder ajudar minha família", conta o atleta.

Durante esta evolução repentina que Victor passou no esporte, ele conta que o demorou um pouco para os pais se adaptarem com a escolha dele pela modalidade, principalmente pelo forte contato. "No começo, eles não foram contra, pois viram que eu estava gostando, mas não queriam assistir meus jogos de jeito nenhum", discorre o jovem.

Atualmente já ganhando oportunidades na equipe adulta do São José Rugby, "Feijão" exalta as chances que vêm recebendo.

"No começo, sempre tentava ajudá-los, queria estar perto. Levava água, ajudava os jogadores. Poder alcançar o adulto é muito bom. Posso jogar com caras da seleção brasileira, aprendi muito jogando com eles, aprendo até hoje", ressaltou o atleta, que lembra a marcante conquista do Campeonato Paulista de Rugby por parte do time do São José.

Perguntado se pretende sair do Brasil novamente em busca de aperfeiçoar no esporte, Victor afirma que deseja conhecer retornar à Nova Zelândia, bem como conhecer outras potências da modalidade, como a Inglaterra.

Mas não os horizontes do jovem não se resumem a outros países, o atleta exaltou crescimento do esporte no Brasil e afirma desejar alcançar a seleção principal de rugby.

"Quando comecei, era bem difícil acompanhar. Não tinha tanta mídia, a galera não sabia o que era. Hoje quando me veem com o uniforme, perguntam. Esta cada vez crescendo mais acha que isso é bom para nós que gostamos de esporte, só tem a melhorar", afirmou.

Victor também contou como é a rotina no São José Rugby, o qual ele coloca como uma das melhores equipes do Brasil. "Os treinos sempre foram bons, temos uma equipe de qualidade e temos um bom planejamento. Diversos atletas que estão na seleção, ou já estiveram por lá, jogam pelo nosso time", disse.

O jovem também elogiou o trabalho do Instituto CCR, organização que gerencia o São José Rugby e promove a disseminação do rugby pelo Brasil. "Eles ajudam muito a divulgar o esporte. Procuram entrevistas para nós. Eles são muito importantes", afirmou.