Renato Senise

Renato Senise

Ídolo do Arsenal elogia reforços e diz que falta zagueiro; Wenger afirma: ’Estou feliz, mas não fiz todas as transferências que queria’

Ian Wright fez 185 gols em 288 jogos pelo Arsenal. É o segundo maior artilheiro do clube, atrás apenas de Thierry Henry.  Ele gostou das contratações de Mkhitaryan e Aubameyang. No vídeo acima, diz que o “Arsenal foi o que fez os melhores negócios” em janeiro. 

Mas, um fator ainda o preocupa. Especialista em balançar as redes, Wright vê a defesa como o ponto fraco dos Gunners. Diz que, se o time continuar se defendendo dessa maneira, pode ser atropelado pelo Tottenham no derby desse fim de semana.

O ídolo do clube não é o único a pensar dessa maneira. Os torcedores, sempre desconfiados, também têm a mesma preocupação. No vídeo, todos falam que foi bom reforçar o ataque, mas a maior necessidade era trazer novos e bons defensores. 

Os números mostram que eles têm razão. O Arsenal foi vazado nos últimos sete jogos da Premier League. São 35 gols levados em 26 rodadas, média de 1,35 por partida. É a pior defesa entre os sete primeiro colocados. 

Ao entrevistar Arsène Wenger, fiquei surpreso com uma de suas declarações. Ele disse que não fez todas as contratações que gostaria em janeiro. Conseguiu “apenas” 80% do que desejava (entrevista também no vídeo acima). Ficou claro que o treinador concorda que faltou apenas um defensor pra janela de transferências ter sido perfeita.

Petr Cech é sem dúvida um dos melhores goleiros da história da Premier League. Mas, aos 35 anos, já vive um declínio técnico e físico natural. A dupla de zagueiros também tem sido muito criticada. Koscielny, e principalmente Mustafi, não passam confiança. O defensor alemão foi comprado em agosto de 2016 por incríveis 41 milhões de euros. Ainda não mostrou que vale tudo isso. Mas, junto com ele, chegou outro jogador que também pode, e deve ser responsabilizado pela fragilidade defensiva do Arsenal. Xhaka custou 45 milhões aos cofres do clube. Hoje, é homem que tem a maior responsabilidade em marcar no meio campo do Arsenal (quando Elneny não joga, que parece ser o que irá acontecer depois das recentes contratações). O problema é que Xhaka não marca tanto assim. O volante suíço já disputou 58 partidas de Premier League pelo Arsenal. Tem 121 desarmes, média de 2,08 por partida. Só como comparação, Kante, considerado o melhor volante da Liga (e eleito o melhor jogador da temporada passada), tem média de 4 desarmes por partida. Quase o dobro. 

Vale a ressalva: Xhaka nunca foi um primeiro volante clássico, que se preocupa primeiro em desarmar, para depois jogar. Ele tem técnica, gosta de apoiar o ataque. Tem cinco assistências e três gols nesses 58 jogos. Quem precisa achar uma solução para isso, é o treinador Arsène Wenger.

Na última partida, goleada de 5 a 1 sobre o Everton, Iwobi foi titular. Mas, com o retorno de Jack Wilshere (ficou no banco porque estava doente), ele deve ganhar a posição. Wilshere já vinha atuando mais recuado, ajudando muito na marcação.  Xhaka, Wilshere, Ramsey, Mkhitaryan e  Ozil, com Aubameyang à frente, é sem dúvida  um time com muito talento. Falta só fazer Xhaqa participar mais do sistema defensivo, e torcer para falhas bizarras como as que aconteceram contra o Swansea na última semana não aconteçam mais.  

As contratações foram boas. A renovação de contrato de Mesut Özil foi ainda melhor. Mas, até os torcedores e os ídolos do clube sabem que ainda há muito a ser feito para o Arsenal voltar a ser forte como era anos atrás.