Renato Senise

Renato Senise

Conte reclama do elenco do Chelsea, mas será que ele não é o maior culpado?

No vídeo acima, trecho da entrevista coletiva de Antonio Conte após a eliminação do Chelsea para o Arsenal na última quarta-feira, na semifinal da Copa da Liga Inglesa. O treinador italiano diz que a lesão de Willian foi decisiva no confronto, já que ele não tem um elenco grande, ficando difícil fazer substituições. Conte diz ainda que não consegue nem dormir por causa desse problema.

Chega a ser irônico um time como o Chelsea ter um treinador reclamando de não ter jogadores. A quantidade de atletas de bom (para não dizer ótimo) nível dispensados nos últimos anos é assustadora. De Bruyne veio, jogou apenas 9 jogos, e foi embora um ano depois. Hoje é, para muitos, o melhor jogador da Premier League. No vídeo, torcedores lamentam a falta de visão do então técnico Jose Mourinho, e dizem que o meia belga mostrou sim qualidade nas poucas partidas em que atuou pelos Blues, saindo do clube apenas porque não teve mais chances. Mohamed Salah veio, entrou em campo só 19 vezes em dois anos, e foi embora. Hoje, faz um gol atrás do outro no Liverpool. Lukaku veio, esquentou o banco por uma temporada, e também foi embora. Agora é titular absoluto do Manchester United. A lista poderia ter ainda nomes não tão estrelados, mas que com certeza podem ser úteis, como Cuadrado e Sturridge. 

Muitos podem dizer que isso aconteceu antes de Conte, então ele não é culpado. Mas ele é sim responsável pela saída de Diego Costa, praticamente expulso do clube por não ter o melhor relacionamento do mundo com o comandante. Comandante esse que parece fazer de tudo para David Luiz seguir o mesmo caminho. E o Batshuay, que convenhamos realmente não é um primor de qualidade técnica, mas fica no banco até quando Morata não pode jogar? Por aqui, todos sabem que ele está pra lá de insatisfeito e não vê a hora de se livrar das asas de Antonio Conte. 

O caso mais grave da “era Conte” foi a saída de Matic. Jogador identificado com o clube, ganhador de duas Premier Leagues, vendido para o arquirrival Manchester United. Isso, os torcedores do Chelsea não perdoam (ver vídeo acima). Mas, nesse caso, Conte fez questão de deixar bem claro que foi uma escolha da diretoria, não dele. Vale lembrar que Bakayoko chegou pelo mesmo valor para tomar conta da posição, mas ainda não convenceu muita gente.

E será que o elenco do Chelsea é mesmo tão reduzido? Conte tem, pelo menos até esse momento (janela de transferências ainda aberta), 25 jogadores à sua disposição. Comparado com os outros times da Premier League, é apenas o 16º maior elenco. Mas, sabe na frente de quem? Do Manchester City, líder e sensação da competição, que tem apenas 21 (quatro a menos). O Tottenham, melhor campanha da primeira fase da Champions League, também tem menos atletas: 23. E o West Bromwich, que briga contra o rebaixamento, tem 24.

Outro ponto a ser destacado: o Chelsea já trouxe sete jogadores nessa temporada. E a maioria deles, de destaque, disputados por outros clubes. São eles, por ordem de dinheiro investido:

1- Morata (55,80 milhões de libras)

2- Bakayoko (36 milhões de libras)

3- Drinkwater (34,11 milhões de libras)

4- Rüdiger (31,50 milhões de libras)

5- Zappacosta (22,50 milhões de libras)

6- Barkley (15,21 milhões de libras)

7- Caballero (veio de graça)

E para encerrar a discussão. Conte não poderia ter mantido um jovem promissor como Loftus-Cheek (emprestado para o Crystal Palace) para usá-lo em momentos como o de quarta-feira, em que Willian e Fabregas estavam machucados? E o Kennedy, emprestado essa semana para o Newcastle, que jogava (e sempre bem) apenas nas partidas da Copa da Liga Inglesa? Aliás, por falar em jovem promissor, tem o Musonda lá no Chelsea, mas esse também já teve discussão com o treinador, então nem nos jogos da Copa da Liga Inglesa ele é utilizado mais.

Conte faz de tudo para convencer o mundo todo que sofre com a falta de jogadores. Mas, há cerca de dez anos, a solução para o Chelsea está sempre dentro de casa, mas ninguém percebe…