Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Do atual Rueda fica ou vai ao 'Waldemar é o c...': lembre a campanha do técnico mais inesquecível da internet

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Em tempos de Reinaldo Rueda fica (no Flamengo) ou vai (para a seleção do Chile), passagens curiosas envolvendo treinadores são lembradas. Inevitável, obrigatório, forçoso, necessário, imprescindível, fundamental, essencial lembrar o episódio que teve como personagem central Waldemar Lemos. “Waldemar é o c...”, gritavam torcedores furiosos quando do anúncio do então novo técnico rubro-negro, há quase 15 anos. Mas ele se saiu melhor do que esperado, sabia?

Fernando Maia/O Globo/Gazeta Press
Waldemar Lemos comanda treino no Flamengo em sua segunda passagem pelo clube
Waldemar Lemos comanda treino no Flamengo em sua segunda passagem pelo clube

Em 2003, o Flamengo era presidido por Hélio Paulo Ferraz, que um dia se candidatara ao senado como “Super Helinho” e substituíra Edmundo Santos Silva, alvo de um impeachment. Oswaldo de Oliveira era o treinador, e se demitiu após uma vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, alegando falta de estrutura e cansado da confusão política no clube. Os cartolas quase fecharam com Geninho, campeão brasileiro com o Atlético Paranaense dois anos antes, mas não houve acordo. 

Nos sete últimos jogos sob o comando de Oswaldo, perdeu quatro venceu duas e empatou uma vez. O time era 10º na classificação antes da má sequência, a sete pontos da vaga na Copa Libertadores, 14 à frente da região do rebaixamento. Depois dos insucessos que geraram o pedido de demissão do treinador, o Flamengo aparecia em 12º, com 48 pontos, 12 atrás da zona de classificação para o torneio internacional e 10 acima da degola para a segunda divisão.

Então veio o grande dia. Acatando sugestão de Edílson, entre outros jogadores, os indecisos dirigentes efetivaram Waldemar Lemos, auxiliar e irmão de Oswaldo. O anúncio, feito pelo diretor de futebol Eduardo Moraes, conhecido como “Vassoura”, se transformou num vídeo imortal nas redes sociais, que sequer existiam naqueles tempos. Hoje é fácil notar que, na ESPN Brasil, o repórter Cícero Mello fez uma matéria à frente do seu tempo (abaixo).

Com dois meses de salários atrasados e o time numa zona intermediária da tabela, a desmotivação era clara no elenco e na torcida (5.414 foram ao Maracanã) antes da primeira partida sob o comando do irmão de Oswaldo. Com gols de Rafael e Edílson, cabo eleitoral do treinador promovido, o Flamengo venceu o Paysandu por 2 a 0. “Ninguém vai tirar o meu sorriso”, disse Waldemar, que escalou Júlio César; Rafael, Fernando, Fabiano Eller e Gaúcho; Jônatas, Fábio Baiano, Róbson (André Bahia) e Igor (Vinícius); Edílson e Jean (Zé Carlos).

Foram 10 partidas ao todo, 18 pontos em 30 possíveis, 60% de aproveitamento, o que levaria o Flamengo a terceiro posto ao final, se fosse esse o desempenho em todo o campeonato. Antes de Waldemar o índice era de 44,4%. Com ele, o Flamengo derrotou o Atlético quando o Galo estava na zona de Libertadores e o São Paulo, terceiro colocado da Série A, no Morumbi. Foi a despedida do treinador. 
 
Waldemar é (foi)...
10 Jogos
5 vitórias
2 derrotas
3 empates
15 gols pró
14 gols contra
18 pontos ganhos
60% de aproveitamento
Os cotejos:
Flamengo 2 x 0 Paysandu
Figueirense 0 x 0 Flamengo
Flamengo  2 x 1 Grêmio
Juventude 2 x 2 Flamengo
Flamengo 3 x 2 Atlético-MG
Fortaleza 4 x 1 Flamengo
Flamengo 1 x 0 Criciúma
Internacional 3 x 1 Flamengo
Flamengo 1 x 1 Ponte Preta
São Paulo 1 x 3 Flamengo

Waldemar Lemos voltaria em 2006, chegando à final da Copa do Brasil. Foi absurdamente trocado por Ney Franco (ex-Ipatinga) antes da final com o Vasco. Na segunda passagem ele fez 19 jogos, nove vitórias, cinco empates e cinco derrotas, 56% de aproveitamento. Nada mal. E ainda perdeu a chance de erguer a taça de um título nacional ao ser substituído pelo treinador que ele eliminou na semifinal. Pouco reconhecido, pelo menos não ficou esquecido. Provavelmente jamais será. “Waldemar é o ...” Campeão moral da Copa do Brasil de 2006. 

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