André Rocha

André Rocha

A vitória emblemática e simbólica do Cruzeiro

André Rocha, blogueiro do ESPN.com.br
Gazeta Press
Nílton fez o gol da vitória do Cruzeiro sobre o Botafogo, nesta quarta-feira, no Mineirão
Nílton fez o gol da vitória do Cruzeiro sobre o Botafogo no Mineirão.
O maior mérito do Botafogo foi não ter desmanchado mentalmente em nenhum momento da partida. Seja na pressão sufocante do Cruzeiro nos primeiros quinze minutos, no golaço de Nilton no final da primeira etapa, no pênalti perdido por Seedorf ou nos gols de Julio Baptista - o primeiro em falta dentro da área mais que duvidosa em Everton Ribeiro.

Mas é difícil conter o melhor time do Brasileiro. Que avança a marcação, é rápido nas transições ofensivas e defensivas, ataca pelos dois flancos e, se for preciso, decide o jogo nas bolas paradas e aniquila o adversário com inteligência e fortes peças de reposição. 

Em sua oitava vitória consecutiva no campeonato e a 19ª em 20 partidas invictas no Mineirão, o Cruzeiro foi superior na execução moderna do 4-2-3-1: movimentação do quarteto ofensivo, volantes que marcam e jogam, laterais acelerando nas tabelas e ultrapassagens. Tudo no ritmo intenso de Everton Ribeiro, que pensa o jogo pelos lados. Na Inglaterra seria o "winger" armador. Aqui é o craque do time mesmo.

Olho Tático
A disputa equilibrada no primeiro tempo com times no 4-2-3-1, o Cruzeiro intenso nos primeiros 15 minutos e o Botafogo equilibrando até  gol de Nilton
A disputa equilibrada no primeiro tempo com times no 4-2-3-1, o Cruzeiro intenso nos primeiros 15 minutos e o Botafogo equilibrando até gol de Nilton

Oswaldo de Oliveira fez o que pôde sem Dória e Gabriel. O Bota teve 53% de posse de bola, finalizou 16 vezes contra 17 e efetuou 30 desarmes, sete a mais que o rival. Só quando perdeu Renato lesionado e abriu o time extenuado com Hyuri, Henrique, Alex e Seedorf recuado é que o cenário ficou irreversível. Mérito de Marcelo Oliveira que usou o forte banco de reservas e, com Henrique, Julio Baptista e Dagoberto, manteve o ritmo alucinante. Impossível resistir.

Olho Tático
No final, o Cruzeiro com forte reposição manteve o ritmo que não deu chances ao Botafogo extenuado e sem articulação.
No final, o Cruzeiro com forte reposição manteve o ritmo que não deu chances ao Botafogo extenuado e sem articulação.

Por isso os 49 pontos em 22 partidas. Aproveitamento de 74%, o melhor da era dos pontos corridos. Com 16 rodadas em jogo e duelos contra Corinthians e Internacional pela frente, é precoce garantir o título. Mas a vitória cruzeirense é simbólica, emblemática. Uma prova incontestável de força.