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O início da lenda: há 10 anos, Usain Bolt assombrava o mundo pela primeira vez

Dez anos atrás, o mundo ganhou um novo rei. Usain Bolt. Foi no dia 16 de agosto de 2008 que o jamaicano se tornou o primeiro homem a correr 100 metros em menos de 9,7 segundos. Com isso, ele conquistou a primeira de suas oito medalhas de ouro em Olimpíadas e "assombrou" a todos.

Isso porque Bolt chegou àquela edição dos Jogos Olímpicos como praticamente um desconhecido, principalmente para esse tipo de prova, já que, seguindo recomendações de seus técnicos, focava em provas mais longas, como os 200 e os 400 metros. Porém, por insistência do próprio, passou a disputar provas também nos 100 metros. Tanto é que a primeira vez que ele venceu uma prova importante desse tipo foi no no próprio ano de 2008, alguns meses antes de sua consagração em Pequim.

Nas semifinais, Bolt fez 9,85 segundos e se classificou para a final, onde conseguiu um 9,69 segundos, recorde mundial àquela altura. E o mais incrível é que a marca foi conseguida com ele claramente se poupando no fim, já que correu os últimos metros comemorando a vitória batendo no peito, já que estava muito à frente de seus adversários.

A atitude chegou a ser tratada como um desrespeito por alguns, inclusive Jacques Rogge, presidente do COI, que classificou aquilo como "fora do espírito esportivo". Já Darvis Patton, atleta norte-americano medalhista olímpico em 2004 e que estava naquela prova, não se sentiu nenhum pouco desrespeitado e até comparou o jamaicano a lendas do esporte mundial.

"Ele está apenas se divertindo. Todo mundo está tentando alcançar Bolt. Até mesmo seus compatriotas. Ele está em uma liga própria. É como LeBron James. Você tem um cara jovem que está fazendo coisas que não foram feitas antes. O cara acabou de quebrar o recorde olímpico e mundial. Como você lida com Jordan? Como você lida com LeBron? Ele é uma aberração da natureza", opinou, em entrevista ao New York Times.

Depois da vitória nos 100 metros, Bolt se concentrou em conquistar a medalha de ouro também nos 200 metros, buscando igualar a vitória dupla nos sprints de Carl Lewis em Los Angeles (1984). Ele se classificou com facilidade para a final, trotando no fim de suas provas nas eliminatórias e na semifinal. No dia seguinte, ele venceu a prova e novamente bateu o recorde mundial, cravando 19,30 segundos.

A vitória o transformou no primeiro velocista a ter o recorde mundial dos 100 e 200 metros simultaneamente desde Don Quarrie, o primeiro a fazer isto na era da cronometragem eletrônica e o primeiro a fazer isto numa mesma Olimpíada.

Nestes mesmos Jogos Olímpicos, ele ainda conquistaria o ouro no revezamento 4x100. Porém, acabou perdendo a medalha quase nove anos depois, quando o COI fez uma reanálise das amostras de sangue de Nesta Carter, um dos atletas da equipe jamaicana e constatou a existência de uma substância proibida. Com a eliminação, o ouro passou a pertencer à equipe de Trinidad e Tobago. O Japão ficou com a medalha de prata e o Brasil com o bronze.