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Doping tira da Rússia título das Olimpíadas de Inverno de 2014

O maior sucesso esportivo da Rússia desde a queda da União Soviética, a vitória nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi, virou história depois de o país ter perdido a liderança do quadro de medalhas devido à desclassificação de vários de seus medalhistas por causa de um escândalo de doping.

Em menos de um mês, a equipe russa perdeu nove medalhas - quatro de ouro, quatro de prata e uma de bronze -, caindo do topo da classificação para a quarta posição. Sem os triunfos dos atletas punidos pelo doping, a Rússia ficou com nove ouros, sete pratas e oito bronzes.

Agora, o quadro de medalhas é liderado pela Noruega, com 11 ouros, cinco pratas e dez bronzes. O Canadá subiu para a segunda posição, seguido dos Estados Unidos, no terceiro lugar.

Os últimos medalhistas russos punidos foram Aleksandr Zubkov, bicampeão olímpico de bobsled, e Olga Fatkulina, prata na patinação de velocidade. Ambos foram desclassificados nesta sexta-feira pela comissão disciplinar do Comitê Olímpico Internacional (COI).

No total, já são 14 os atletas russos punidos em decorrência do relatório McLaren, que denunciou um esquema de doping estatal na Rússia e levou o COI a analisar outra vez todas as amostras conservadas para detectar casos positivos.

Zubkov classificou as acusações de "ridículas" desde a divulgação do relatório, produzido após pedido da Agência Mundial Antidoping (Wada) em maio de 2016. O bicampeão olímpico alegou que passou por dezenas de exames similares e nunca testou positivo.

Hoje, após a decisão do COI, Zubkov afirmou que não pensa em renunciar do cargo de presidente da Federação Russa de Bobsled.

"Não irei a lugar algum. Trabalhei durante muitos anos para conseguir essas medalhas. Todas as minhas vitórias foram limpas. O esporte se transformou em política", afirmou o atleta.

Segundo Zubkov, os membros da comissão do COI "dormiam" nas audiências em que a Rússia apresentava sua defesa.

"Não mostravam interesse. Essa decisão estava tomada previamente", afirmou o porta-bandeira do país na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Sochi.

A Federação Russa de Bobsled já anunciou que recorrerá das desclassificações tanto na Justiça comum como na Corte Arbitral do Esporte (CAS) em Lausanne, na Suíça.

"Com pessoas que tomam decisões tendo como base um só arquivo de computador preparado por um vigarista (Grigori Rodchenkov, ex-diretor do laboratório antidoping de Moscou), só podemos conversar nos tribunais, e é o que faremos", afirmou o atleta.

Já Faktulina considerou como "triste" e "desagradável" o fato de a toda a Rússia estar sendo acusada de participar de uma espécie de conspiração para liderar o quadro de medalhas em Sochi.

As punições ainda não terminaram, já que a comissão disciplinar do COI abriu 28 investigações. Várias audiências ainda precisam ser realizadas. Apenas um dos casos foi encerrado sem punição.

Na avaliação do vice-presidente do Comitê de Esporte da Câmara dos Deputados da Rússia, Valery Gazzev, o COI e a Wada orquestraram uma "ação política" para prejudicar a equipe do país.

"Estão fazendo com que o COI tome a decisão de impedir que nossa equipe participe dos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang em 2018", afirmou o parlamentar.

Sobre a possibilidade, o presidente do COI Thomas Bach, alertou contra as tentativas de pressionar o órgão para excluir a Rússia.

"Agora estamos tratando do que ocorreu nos Jogos de Sochi. Se trata da integridade dos Jogos Olímpicos. É isso o que devemos ter em mente quando tomarmos uma decisão justa", destacou.

A Rússia teme o pior, especialmente depois de a Wada não ter devolvido as credenciais da agência antidoping do país, a Rusada. A medida foi uma reação à posição do Kremlin de não admitir que houve um esquema estatal de dopagem de atletas.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou em diversas oportunidades a existência de um mecanismo estatal de doping e responsabilizou a Wada de uma manipulação das amostras dos atletas do país