Os prós e os contras dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 no Rio

Vinícius Moraes Scarpini, do ESPN.com.br

A realização de um evento grandioso que interfere em questões sociais, políticas e econômicas como uma Olimpíada divide opiniões. Nesta sexta-feira, em Copenhague, o Rio de Janeiro foi escolhido pelo COI para sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Saiba quais são os prós e contras das Olimpíadas serem na Cidade Maravilhosa, o que precisa ser feito e o que já está pronto, o que pode ser benéfico e o que pode ser prejudicial após o evento.

Prós:

Entre os dias 27 de abril e 03 de maio, os organizadores da candidatura carioca receberam o COI. O orçamento proposto foi de aproximadamente R$ 29,5 bilhões, divididos em infraestrutura urbana, construções e reformas de instalações esportivas. Estes investimentos ficariam como legado para cidade e sua população.

As instalações esportivas construídas para os Jogos Pan-Americanos teoricamente deram ao Rio de Janeiro uma base para a proposta visando a Olimpíada. Segundo os organizadores da candidatura, 29% das instalações exigidas para os Jogos de 2016 já estão totalmente prontas, enquanto outros 24% precisam de modernização. Entre os locais prontos destacam-se o Maracanãzinho (vôlei), a Arena Olímpica (ginástica) e o estádio do Maracanã (cerimônia e futebol). No entanto, até mesmo esses locais necessitam de uma boa reforma para os Jogos.

Para garantir o fluxo e deslocamento prático e rápido dos envolvidos nos Jogos Olímpicos sem causar um colapso no trânsito da cidade, as autoridades prometem tirar do papel um projeto para o uso de ônibus em corredores exclusivos como parte de um investimento total em transportes de cinco bilhões de dólares. Além disso, as novas linhas de BRT (Bus Rapid Transit) devem ficar prontas até 2015 como planejado, integrando as quatro principais regiões de competições.

A poluição é inimiga de vários locais de instalações esportivas. A Baía de Guanabara está poluída há décadas. A Lagoa Rodrigo de Freitas, outro ponto alto das belezas naturais que receberá provas durante os Jogos, também precisa ser limpa. Mas um plano do governo federal prevê um investimento de quatro bilhões de dólares para a despoluição das águas, enquanto os organizadores prometeram plantar 214 milhões de árvores no Estado do Rio para neutralizar as emissões de gases causadores do efeito estufa geradas pelas operações dos Jogos Olímpicos.

Contras:

Das quatro concorrentes a sediar os Jogos de 2016, o Rio de Janeiro foi a cidade indicada com menor infraestrutura previamente pronta e terá muitas promessas para cumprir.

A acomodação de turistas, trabalhadores, voluntários e atletas é um dos maiores problemas. No relatório de avaliação do COI, a proposta carioca foi a única a receber ressalvas sobre o tema, já que a maior parte dos quartos oferecidos ainda precisa ser confirmada. Pela proposta da cidade, serão 48 mil quartos disponíveis.

A má reputação devido ao insucesso do Complexo Habitacional dos Jogos Pan-americanos pode dificultar a estratégia que será a mesma do evento de 2007: mais de 25 mil estão localizados em três condomínos de edifícios que serão construídos em pontos diferentes da cidade e depois vendidos no mercado imobiliário, assim como a Vila Olímpica.

O histórico de gastos do Pan também preocupa. O orçamento inicial nos Jogos de 2007 teve aumento de 1.000% no final da competição (de R$ 400 milhões para R$ 4 bilhões), o que aumenta a desconfiança nos políticos, administradores, dirigentes e empresários mal intencionados.

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Outra preocupação contra os Jogos Olímpicos no Rio são os projetos mal planejados. O Parque Aquático Maria Lenk (saltos ornamentais e pólo aquático), legado do Pan, está entre as instalações que precisarão ser modernizadas, mas ainda assim não terá o tamanho necessário para as provas de natação, que serão disputadas em um outro estádio a ser construído com capacidade para 18 mil pessoas. No caso de Madri, das 33 propostas de instalações esportivas, 23 já existem, oito precisam ser feitas e duas são temporárias.

Propostas ambiciosas de transporte para o Pan-2007 não foram cumpridas - como a extensão do metrô e o uso de barcas pela orla carioca -, o que provocou congestionamentos ainda maiores do que o comum pela cidade devido às faixas de trânsito exclusivas destinadas aos credenciados durante o Pan.

Problema recorrente nos últimos anos, o tema segurança preocupa bastante o COI. As favelas controladas por facções criminosas que disputam o controle do tráfico de drogas dividem a paisagem da cidade com os belos cenários naturais e bairros luxuosos. Nessas comunidades, centenas de mortes acontecem todos os anos em confrontos com a polícia.

Apesar de a maioria das instalações esportivas estar fora do alcance das favelas, dois eventuais ícones dos Jogos no Rio estão em áreas consideradas de risco: o Estádio Olímpico João Havelange, situado no subúrbio do Engenho de Dentro, e o próprio Maracanã (palco das cerimônias e do futebol), distante poucos quilômetros da favela da Mangueira, cenário de conflitos internos e operações da polícia contra o tráfico de drogas.

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