Como Petkovic fez ex-zagueiro do São Paulo jogar pela seleção sérvia

Rafael Valente e Vladimir Bianchini, para o ESPN.com.br
Lyanco em ação pelo Torino, na Itália
Lyanco em ação pelo Torino, na Itália GettyImages

Hoje em busca da titularidade no Torino, em sua primeira experiência por um clube europeu, o zagueiro Lyanco já chegou a ser disputado por uma seleção do Velho Continente e que enfrentará o Brasil na Copa do Mundo da Rússia: a Sérvia.

Tudo começou quando Dejan Petkovic, ídolo do Flamengo e único jogador da antiga Iugoslávia a fazer sucesso no Brasil, tomar conhecimento do sucesso de Lyanco nas categorias de base do Botafogo e no São Paulo.

O sobrenome do jovem chamou a atenção: Vojnovic.

Tratava-se de uma herança do avô paterno do defensor, Jovan Vojnovic, nascido na antiga Iugoslávia e refugiado no Brasil com apenas sete anos por conta dos conflitos em sua pátria natal durante a Segunda Guerra Mundial.

Petkovic viu naquela descendência a possibilidade de a Sérvia ganhar um reforço promissor. E, assim, indicou o jogador nascido na cidade de Vitória, no Espírito Santo, para a comissão técnica da equipe europeia.

“Eles conseguiram o número do meu empresário e me perguntaram se tinha interesse em jogar pela Sérvia. Eu achei uma coisa legal. Isso me ajudou muito a crescer na vida profissional”, confessou Lyanco, ao ESPN.com.br.

Veja imagens da camisa que o Torino usou em homenagem à Chapecoense

Com o aval do jogador e após os trâmites burocráticos serem superados, o defensor embarcou para o leste europeu para conhecer os companheiros. Como não dominava o idioma sérvio, ele precisou se virar da forma que podia.

“Quando fui para a Sérvia pela primeira vez o Pet encontrou comigo e me apresentou todo o pessoal da seleção. Logo que cheguei ao aeroporto fui com ele para o hotel da seleção. Depois, eu fiquei sozinho e tinha que me virar por mímica mesmo”, recordou o hoje jogador do Torino, aos risos.

A experiência por lá foi além das relações interpessoais. Lyanco teve a oportunidade de fazer três jogos pela equipe sub-19 da Sérvia pela Eurocopa da categoria. Foram confrontos contra Dinamarca (2x2), Montenegro (4x1) e França (0x1).

O revés para os franceses significou a eliminação das fases finais do torneio. Mesmo assim, o defensor acredita que o pouco tempo serviu de lição para a sua futura passagem no Torino.

“Nós fomos bem e eu acho que tive um bom desempenho naqueles jogos. Para mim, foi importante para ver como é o estilo europeu. Jogar pela Sérvia me ajudou a me adaptar mais rapidamente ao futebol europeu”, garantiu.

Foi por causa da experiência na Sérvia que as portas na Europa se abriram para ele. Em janeiro de 2017, Juventus e Atlético de Madri manifestaram a intenção de contratá-lo, mas o Torino foi mais rápido. Contou a favor o fato de o time granata ter como treinador o sérvio Sinisa Mihajlovic, que inclusive já conhecia Lyanco. 

“O treinador falou que me conhecia na Eurocopa. Ele tinha me visto e gostado. Depois viu uns jogos que fiz no São Paulo”. Foi em março deste ano que o Torino acertou o pagamento de 6 milhões de euros (cerca de R$ 20 milhões à época) ao São Paulo, com mais 2 milhões de euros (aproximadamente R$ 6,6 milhões) como bônus por desempenho. Também acertou repassar 7% do valor de uma futura venda à equipe brasileira.

Além do comandante, Lyanco encontrou outros sérvios no clube italiano.

“Joguei na seleção com o [goleiro] Vanja Milinkovic-Savic, que está no Torino, e também encontrei aqui o Adem Ljajic”, explicou.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Em 2017, o defensor foi convocado para o Campeonato Sul-Americano Sub-20 pela seleção brasileira e aceitou. A equipe comandada por Rogério Micale, porém, fracassou e não conseguiu se classificar para o Mundial da categoria.

“Eu tinha feito uns jogos pela seleção brasileira antes da Sérvia. Depois, o Brasil me convidou e precisei assinar um papel e mandar para a Fifa”, afirmou, explicando como aconteceu a escolha pela própria pátria.

Logo após essa competição, Lyanco se transferiu para o Torin e viu seu nome ser recentemente especulado na imprensa italiana para integrar a Azzurra em uma reformulação após a equipe cair nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 na Rússia.

Como não jogou em nenhuma partida oficial por uma seleção principal, o jovem ainda poderia optar pela Itália.

“Teve umas histórias que talvez eu possa jogar por outras seleções porque eu ainda não defendi nenhuma seleção principal, mas ainda não sei. Antes, quando tive que escolher não poderia mais trocar. Agora escutei que quando não jogou ainda pode trocar. Escutei até uns papos de seleção italiana”, finalizou.

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